Em julho de 2023, a OMS surpreendeu a todos e declarou que o adoçante aspartame, presente em vários refrigerantes zero incluindo a Coca Cola, é possivelmente cancerígeno. Nesse vídeo, você vai entender de uma vez por todas o que isso significa, e se tá na hora de abandonar seu refrigerante zero. Nós já fizemos aqui no canal um vídeo sobre adoçantes, que eu falei que “todos os adoçantes aprovados foram testados, e nas doses aprovadas, não causam câncer”.
Será que nós estávamos errados? Eu sei que a internet e a mídia fazem um alarde com tudo que envolve alimentação e você acaba sem saber o que pode comer. Foi por isso, que eu me juntei com a Marina, roteirista aqui na série de nutrição, e além dos vídeos que estão ajudando milhões de pessoas a se alimentar melhor e a combater os mitos da nutrição, nós lançamos o curso Alimentação sem Segredo, pessoal.
Ele é um curso totalmente online, ministrado pela Marina e feito com a linguagem simples aqui do Olá Ciência para que você seja capaz de montar uma alimentação saudável adaptada à sua realidade. Você vai entender sobre carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais e vai descobrir pra que serve e pra onde vai cada um desses nutrientes, as principais fontes, o que vale a pena e o que não vale a pena suplementar e vai ficar ligado pra não cair em falsas promessas que a gente sabe que rolam por aí. Pra conhecer o curso, que ainda ainda está com o valor promocional de lançamento por tempo limitado, entra no link da descrição, beleza?
E agora, pra descobrir se aspartame causa câncer, vamos dar uma olhada profunda nesse adoçante famoso. O que é o aspartame e em quais alimentos ele é adicionado? O aspartame é um adoçante sintético, ou seja, não é extraído de uma molécula da natureza, mas sim fabricado em laboratório.
Ele tem 4 calorias por grama, exatamente o mesmo número de calorias do açúcar. Mas calma. O seu poder de adoçar é cerca de 200 vezes maior que o do açúcar.
Isso significa que uma vez que nossas papilas gustativas entram em contato com o aspartame, elas sentem imediatamente um sabor doce. Mas por conta desse poder adoçante bem mais alto, com só algumas gotinhas você consegue obter o mesmo sabor que várias colheres de açúcar. Uma lata de coca cola zero tem cerca de 84 mg de aspartame.
Isso dá aproximadamente 0,3 calorias. Já uma lata da mesma coquinha na versão tradicional tem 37 gramas de açúcar, cerca de 150 calorias. É por isso que se usa adoçante.
Para reduzir o consumo de açúcares da população, especialmente as pessoas mais afetadas pelo consumo de açúcares, como os diabéticos. Além do refrigerante zero, diversos produtos contém aspartame: gelatina, chiclete, chás gelados, suco em pó, bebidas lácteas e até algumas pastilhas para tosse. Para saber se o produto que você consome contém aspartame, basta olhar a lista de ingredientes do produto.
Lá, você vai descobrir com detalhes todos os aditivos alimentares que foram utilizados. Ótimo. Mas de que adianta economizar calorias se você possivelmente estará aumentando seu risco de câncer, não é mesmo?
Hmmm… vamos entender de onde veio essa classificação de possivelmente cancerígeno da OMS. Eu sei que possivelmente cancerígeno é algo bastante preocupante. E é por isso que a gente resolveu fazer esse vídeo aqui.
Dentro da OMS, pessoal, existe um órgão chamado “Agência Internacional de Pesquisa em Câncer”, em inglês, IARC. A IARC é composta por diversos especialistas da área da saúde, que avaliam a literatura científica e classificam diversos agentes no que diz respeito ao risco de câncer. E pra isso eles criaram 4 categorias de risco: Grupo 1: Carcinogênico para humanos; a mais alta Grupo 2: Provavelmente carcinogênico para humanos; Grupo 2B: Possivelmente carcinogênico para humanos; E Grupo 3: Não é possível classificar em relação à sua carcinogenicidade para humanos.
E o interessante é que eles não avaliam só alimentos, mas também alguns comportamentos e coisas corriqueiras que nós fazemos. Na lista da IARC, nós encontramos desde tomar café, até a exposição a raios solares e coisas simples como trabalhar como cabeleireiro ou trabalhar no turno da noite. Nem tudo que a gente se expõe tem uma classificação na IARC, claro.
Não deu tempo de avaliar tudo. É possível que algumas coisas estejam sendo liberadas para consumo por aí, que se elas fossem realmente avaliadas elas cairiam em uma das categorias que sugerem risco para câncer. Se isso te assusta, é mais um motivo pra você continuar assistindo esse vídeo.
Para decidir em qual categoria um evento vai se encaixar, como por exemplo, consumir aspartame, a IARC precisa avaliar diversos estudos. Alguns deles são estudos em células e animais. Neles, um tipo de célula é cultivada em laboratório, e depois, essa célula é exposta ao aspartame, para avaliar se o aspartame conseguiria interagir com o DNA da célula e provocar uma mutação genética.
Já nos estudos com animais, ratos e camundongos são expostos ao aspartame, seja na dieta ou através de injeções, para que se observe o possível efeito cancerígeno. Esses estudos servem principalmente para entender se existe uma relação com câncer, e qual o mecanismo por trás dessa relação. O problema de pegar os resultados desses estudos e falar que acontece o mesmo com seres humanos é que a concentração de aspartame utilizadas nas avaliações dificilmente chegam perto daquela que nós comemos no dia a dia.
Mas além dos estudos em células e animais, estudos em humanos também são avaliados. O tipo de estudo mais utilizado nas avaliações da IARC são estudos epidemiológicos que acompanham pessoas por um período de tempo, sabe? Eles olham registros médicos e vendo se essas pessoas desenvolveram câncer ou então aplicam questionários ao longo dos anos com pacientes selecionados.
Com esses estudos em humanos, é possível encontrar algum padrão, como por exemplo: será que pessoas que consumiam muitos produtos com aspartame tiveram mais câncer do que pessoas que não consumiam? Mas um problema com esses estudos é que muitas vezes existem vieses de interpretação, ou seja, você esqueceu de levar uma coisa importante em consideração na hora de fazer a conclusão. Por exemplo: se eu te falar que 98% das pessoas que se acidentam de moto estão usando capacete, você não vai achar que o capacete causa acidente de moto, né?
É muito claro que as pessoas usam capacete por ser um item obrigatório ao sair dirigindo uma moto. Mas e se eu te falar que pessoas que consumiram alimentos com aspartame tiveram mais câncer de fígado, você suspeita imediatamente que aspartame seja causador de câncer não é mesmo? E está tudo bem suspeitar isso!
Só não dá pra cravar que o aspartame causa câncer, porque pode ser que as pessoas estivessem consumindo produtos ricos em adoçante para tratar obesidade ou sobrepeso. E aí, a obesidade ou sobrepeso é o que os cientistas chamam de fatores confundidores. Coisas que podem confundir o resultado da análise, já que essas condições também podem ter relação com o câncer de fígado observado.
E nesse momento, você acabou de ter uma aula de metodologia científica e nem percebeu. Fez sentido pra você? Fica aí que eu vou te contar o que precisa mudar na sua vida depois que da declaração da OMS sobre o aspartame, mas antes, deixa o like nesse vídeo pra fazer ele chegar em mais pessoas.
Não custa nada e vai ajudar o canal a continuar compartilhando conhecimento. Afinal, o que significa dizer que aspartame é possivelmente cancerígeno? Aspartame causa câncer?
Depois de avaliar com cuidado todos esses estudos com aspartame, a IARC chegou a uma decisão: o aspartame entra na categoria 2B, possivelmente carcinogênico. Isso significa que existem evidências de que aspartame aumenta o risco de câncer em humanos, mas elas são limitadas. E em estudos com animais, a evidência é insuficiente para falar algo diferente do que “possivelmente carcinogênico”.
Em conclusão: é possível que cause câncer. Mas já foi o suficiente pra você ficar com medo, né? Então agora vou te explicar porque eu e você podemos ficar tranquilos.
O aspartame está na categoria 2B, mas mesmo que ele estivesse na categoria 1 da IARC, ainda não seria o fim do mundo. Na categoria 1, os agentes que são carcinogênicos para humanos, temos, por exemplo, a exposição à radiação solar. Existe evidência suficiente para falar que exposição solar causa câncer.
Agora me responda uma coisa: Lucrécia mora no Rio de Janeiro. Ela trabalha como ambulante na praia, e fica lá no sol das 8 da manhã até as 6 da tarde. Já o Lucrécio mora no Alasca.
Ele trabalha de casa, e mesmo nos dias de sol, não fica muito tempo fora de casa por causa do frio. A exposição solar dele é mínima. E agora eu te pergunto: Lucrécia e Lucrécio têm o mesmo risco para câncer, levando em consideração a exposição solar?
Se sua resposta é não, parabéns, você aprendeu mais um pouco de metodologia científica! Por mais que algo seja cancerígeno, importa o quanto ou quantas vezes durante a vida você se expõe àquele risco. O câncer é como vários dados sendo jogados pro alto várias vezes.
Pra você ter câncer, você precisa que um monte de dados ao mesmo tempo caiam no número 6 por exemplo e mesmo assim, vários sistemas do corpo precisam falhar pro câncer se desenvolver. Mas a Lucrécia que se expõe a luz solar todos os dias está jogando muito mais dados e fazendo várias jogadas todos os dias. Jogar dados causa câncer, mas é preciso jogar muitas vezes pra ele acontecer.
Obesidade, tabagismo, sedentarismo e outras condições aumentam o risco de câncer, é como se você tivesse aumentando as suas jogadas nesse jogo que ninguém quer ganhar. É por isso, pessoal, que as classificações da IARC não indicam o quanto você tem de risco de câncer: porque elas não sabem o quanto você se expõe à aquele agente. E quem diz isso não sou eu, é a própria IARC, que deixa um lembrete bem grande nos informativos.
E agora voltando ao aspartame, é claro que é diferente de se expor à luz solar né, o aspartame é possivelmente cancerígeno. Então ainda faltam estudos que comprovam essa relação, fechado? OK, a quantidade de exposição interfere no risco de câncer do aspartame.
Mas e se o aspartame de fato for um agente cancerígeno e a ciência descobrir isso só daqui 50 anos? Como saber se você pode saber se está tomando aspartame demais? QUANTO DE ASPARTAME É SEGURO CONSUMIR?
Para responder a essa pergunta, temos outro comitê dentro da OMS que sugere um valor de consumo seguro, com base nos mesmos estudos avaliados pela IARC. É o JECFA, ou Comitê Misto FAO/OMS de Especialistas em Aditivos Alimentares. Ufa!
Enquanto a classificação da OMS sobre o aspartame foi a primeira avaliação feita pela IARC, o JECFA já avaliou o aspartame 3 vezes, pessoal. E a dosagem sugerida por eles é de até 40 mg por Kg de peso por dia. E aqui no Brasil, é a Anvisa quem determina essas concentrações e ela segue o JECFA.
Com essa recomendação aí, uma pessoa de 70 Kg pode ingerir até 2. 800 mg de aspartame por dia. E pra não ficar falando muito número por aqui, Isso dá cerca de 12 litros de refrigerante, ou seja, mais de 30 latas de Coca-cola zero.
E até essa quantidade, o JECFA e a Anvisa garantem que o consumo é seguro. Pelo menos do ponto de vista do aspartame. Não vai tomar 30 latas de refrigerante de uma vez, beleza?
Lembra que em uma alimentação saudável, o ideal é evitar os excessos. E se por acaso, na semana que vem, a OMS classificar outro adoçante como possivelmente cancerígeno, eu acho que depois desse vídeo você não vai precisar se desesperar né. Assim como as pessoas que descobriram que o açúcar não é necessariamente o grande vilão do diabetes.
Um grande abraço, uma coquinha zero nem sempre faz mal, e eu te vejo no próximo vídeo. Tchau.