Uma outra informação, segundo informações divulgadas pela agência Reuters, notícias que foram publicadas inclusive nos sites agência Reuters, a China estaria comprando petróleo da Venezuela como se fosse do Brasil. empresas de rastreamento de navios tanque, empresas e comerciantes estariam envolvidos em um esquema que rebatizou mais de 1 bilhão de dólares do produto só no ano passado. Desde julho de 2024, traders também estariam rebatizando o petróleo bruto da Venezuela como sendo do Brasil.
O esquema permitiu que as embarcações navegassem diretamente do regime de Nicolás Maduro para o país asiático, evitando assim a fiscalização na Malásia, onde ficaria retido, além de adulterar sinais de localização e também transferir o produto de um navio pro outro no mar para disfarçar a origem. De acordo com os dados da alfândega chinesa, a China importou cerca de 2,7 milhões de toneladas ou 67. 000 barris por dia de petróleo bruto do Brasil entre julho de 2024 e março de 2025.
No entanto, os dados da alfândega brasileira não registram nenhuma exportação de mistura de betume pra China desde pelo menos 2023. Olha, essa notícia é muito importante. A gente vai precisar aguardar o avanço das investigações, mas as primeiras informações indicam um grande esquema, né, para burlar inclusive toda a fiscalização.
Chamar o Mota para trazer as suas ponderações e as suas indicações acerca dessa notícia divulgada pela Agência Internacional Heuters. China teria comprado o petróleo da Venezuela como se fosse do Brasil. Mota, é, segundo as informações, essa manobra teria dois objetivos.
Um seria reduzir o tempo de transporte, porque o petróleo que vinha da Venezuela para chegar a China teria que fazer uma manobra. E segundo seria viabilizar o financiamento das exportações. Olha, não é muita surpresa que a Venezuela esteja fazendo isso.
A Venezuela faz coisa muito pior. Mas a pergunta que eu tenho é: será que ninguém sabia disso no mercado de petróleo? Eh, eu acho que o Beraldo tem muito a dizer sobre isso, né?
Porque pelo que eu sei, os traders, os comerciantes de petróleo, eles se falam, a informação flui. E outra pergunta é: será que ninguém aqui no Brasil sabia dessa operação marota? Pois é, Beraldo, para quem não sabe, só acompanha ele aqui nos Pingos nos jornal da manhã, também tem uma atividade paralela, é um grande conhecedor do mercado de petróleo e gás, né, Beraldo?
E aí a gente precisa considerar quais são as possibilidades para esse caso, a China adquirindo um petróleo da Venezuela como sendo do Brasil. Muitos falam que uma tentativa de burlar, evitar sanções impostas por outros países, como os Estados Unidos, que que você gostaria de destacar pra gente? Bom, canat, é importante a gente esclarecer como é que funciona essa dinâmica do comércio internacional de petróleo.
A Venezuela, ela está numa lista negra, assim como o Irã está colocado pelos Estados Unidos e países do G7. E isso impede que o produto venezuelano tenha a mesma facilidade de se movimentar pelo mundo. Então, por exemplo, se alguém que tem lá uma operação qualquer, eh, mesmo que seja uma empresa estrangeira, de qualquer lugar, mas tenha uma operação bancária num banco americano ou europeu, na hora que ele vai pagar por uma carga de petróleo, ele precisa apresentar ao banco hoje em dia a documentação referente àquela carga.
Se a origem daquele produto for iraniana, venezuelana ou hoje em dia russa, o banco não vai fazer esse pagamento. Portanto, quando se exporta petróleo da Venezuela, que é um petróleo que hoje tem uma qualidade muito difícil, enfim, esse esse petróleo eh eh que tá aí sendo tratado, ele é muito usado para fabricação de asfalto. Então, quando ele sai da Venezuela e vai pra China, se for numa transação direta, há uma série de restrições, inclusive em bancos chineses, que a gente precisa lembrar que a China é uma das maiores detentoras de dívida norte-americana, depende dos Estados Unidos, depende dos bancos norte-americanos e aí eles fazem essa transação ali de mudança de navio na Malásia, se não me engano, segundo a reportagem.
Pois bem, isso tem custo. Precisa chegar o navio, precisa encostar outro de outra bandeira. Eles renomeiam ali o produto.
É como se eles misturassem produtos de várias origens para que saísse dali um produto da Malásia, para usar esse caso específico, eh, que é o grande jogo de faz de conta que existe no mercado de petróleo, tá? Isso é uma coisa que todo mundo faz vista grossa, que é pro universo desse mercado tão importante estratégico, poder funcionar. Só o que que acontece para diminuir esse custo da mudança de um navio pro outro e a parada na Malásia, os traders envolvidos, que ainda não está claro quem são, mas não duvido que sejam grandes companhias internacionais, eles declaram que o produto, na verdade, saiu do Brasil.
E como esse documento ele vai direto paraa China, enfim, eles acham que aquilo ali tá sob controle, ninguém olha, ninguém presta muita atenção, só que aí tem um ponto que foi utilizado para descobrir o que tava acontecendo. Todo o movimento de navio, ele pode ser eh eh identificado a partir de softwares que existem e que mapeiam a partir do sinal de GPS desses navios. Então, identificaram que aquela carga que tava indo para lá, na verdade, não estava saindo do Brasil, ela ia direto da China, da Venezuela paraa China.
E com isso havia um ganho ali que eu estimo deva ser na casa aí de uns $200. 000 por navio. Então, eh, esse ganho, os traders, eles estão ali querendo fazer dinheiro.
É como a cabeça de banqueiro, ele quer ganhar dinheiro, ele quer garantir o bônus dele, ele quer fazer o que for necessário. E para fazer isso, às vezes, se ele tiver oportunidade, ele faz esse tipo de maracutá. Agora vai ser pego, vai ser banido.
Isso isso é um um um absurdo. Isso tira a credibilidade do mercado. Fala assim, uma fraude de 1 bilhão de dólares.
Você, Dávila, Canato. Este é um comércio entre países autoritários que não respeitam as regras do comércio internacional. Nós estamos falando de Venezuela, nós estamos falando da Malásia e da China.
E aí o Brasil dando uma ajudinha pros seus amigos ditadores, que a nossa diplomacia tem uma queda por ditadores, né? Eles gostam dessa turma. Mas o fato é esse, esse e não é à toa que hoje o grande problema do colapso do comércio internacional é justamente porque as regras não são respeitadas por grandes países autoritários.
E esse é apenas um exemplo, um capítulo de como há maneiras para burlar as regras do jogo. É isso que vem corroendo a credibilidade dessas instituições multilaterais que deveriam zelar pelo comércio internacional. Por isso, o mundo regressando a uma era protecionista por perda de confiança.
E aí está um exemplo para ilustrar isso. Potências autoritárias burlando as regras. para beneficiar ao esquema daqueles que comercializam petróleo entre eles.
Legal, Dávila hoje sai um pouquinho mais cedo. Obrigado, Dávila, até amanhã. Grande abraço a você.
Vou passar a palavra pro Cristiano Beraldo, porque tem um outro aspecto que inclusive as pessoas questionaram enquanto o Beraldo fazia a explicação. Se o Beraldo usou a expressão maracutaia, mas a gente pode falar em em fraude, esse esquema irregular. Beraldo, se isso for comprovado pelas autoridades competentes, quais podem ser as consequências pro Brasil ou para eh instituições ligadas ou que eventualmente alguma figura tem assinado algum documento, tenha dado aval para isso?
A nação pode ser prejudicada? Eh, figuras podem receber algum tipo de sanção? De que maneira os Estados Unidos se posicionariam a respeito de um esquema que manipula a origem das exportações?
Beraldo esse tipo de atividade que foi descrita na reportagem da Reuters, ela não implica que o Brasil eh faça algum tipo de emissão de documento. Esses documentos utilizados no comércio internacional, apesar dos volumes envolvidos, que são sempre dezenas de milhões de dólares em cada carga eh que é transportada em um navio. Mas em geral, esses documentos são documentos simples.
Eles podem ser facilmente falsificados porque é um mercado que trabalha muito na base da confiança, da credibilidade. Uma empresa que se submeta a fazer uma operação na base da fraude e é descoberta, essa empresa certamente será banida do mercado. Os bancos não mais abrirão contas ou permitirão transferências.
eh, bancárias feitas por essa empresa. Os traders envolvidos com certeza entrarão ali numa numa lista de pessoas banidas do mercado, então eles ficam inviabilizados de atuar. Mas de novo, não quer dizer que é necessário para esse tipo de operação, e não parece que aconteceu, que alguém no Brasil tenha emitido a partir do território brasileiro eh laudos de origem falsificados, tá?
Me parece que ali a fraude aconteceu com base na credibilidade, com base na confiança que as partes envolvidas detinham e, obviamente, também na conveniência de se fazer vista grossa para esse tipo de operação. Zé, deixa eu passar para Mota, porque tem uma questão que envolve também a imagem do país. Apesar dessa e excelente explicação do Cristiano Beraldo, Mota, eh caso esse grande esquema seja comprovado, quais podem ser as repercussões e de que maneira isso respinga na imagem do Brasil?
Canato, essa é uma pergunta difícil de responder, porque nas informações que a gente recebeu até agora, não há nenhuma indicação de envolvimento de alguém aqui no Brasil. Agora, a gente não pode deixar de de lembrar da afeição que o atual governo brasileiro tem pelo regime venezuelano. É evidente, né, que muita gente vai ter esse pensamento.
Olha, escolher o Brasil não é à toa, né? Eh, por que que não escolheram outro país? Agora, como Cristiano Beraldo disse, isso, essa essa operação pode ter sida feita completamente, né, sem nenhum conhecimento eh do do Estado brasileiro, do governo brasileiro.
Então, é preciso a gente aguardar mais um pouco. E como eu disse, e me surpreende que isso tenha acontecido e as pelas informações que a gente tem, não fica claro durante quanto tempo esse esquema funcionou, se tá funcionando ainda, né? Mas esse é um negócio altamente informatizado, pelo que eu sei, né?
É, a, eu acho difícil, eh, esse, que um esquema como esse consiga funcionar durante muito tempo sem que ninguém eh note ou ou denuncie o que está acontecendo. Mas por que o Brasil e não o México, Beraldo? Porque o México, Canato, ele não tem essa produção do produto que que estava indo pra China do ponto de vista.
Outro país então que tem a produção similar, uma porque é a alternativa pelo Brasil, entendeu? Ou essa foi uma um coelho que foi tirado da cartola pelo trader. É, o trader montou a operação de uma forma que ele identificava como sendo a mais fácil de defender, de explicar, de de ter lógica, né?
Então, a Petrobras tem uma produção de petróleo grande, tem muitas refinarias, tem plantas de asfalto. Eh, então parece que seria mais fácil para o trader explicar nos bancos, nas empresas que ficam envolvidas, nas empresas de navegação e tal, que esse esse era um produto que tava vindo do Brasil. E você não pode usar um país aleatório que não tenha produção eh compatível com aquele produto que você declara tá declarando.
Além disso, é preciso observar os fluxos. Aquele produto que é produzido pelo país tal, ele é exportado? Porque às vezes o produto, o país produz, mas ele consome internamente, ele processa aquilo internamente.
Então são vários detalhes que são ser observados pelo golpista para que ele consiga montar o golpe dele com coerência. E a partir daí ele vai eh vendendo essa história em todas as cadeias. E uma vez que isso é aceito e não tem muito questionamento, os negócios vão acontecendo.
Veja, eh, 1. 2 bilhão de dólares é um volume de navios bastante expressivo. Esse é um um uma operação, essa é uma operação que esteve em vigor por bastante tempo.
Mas o que me chama a atenção, canato, é lá na China. Como é que esse produto começa a chegar na China e ninguém se atenta para os fluxos de exportação brasileiros? Porque até isso você consegue ver em sistemas que estão aí eh disponíveis para quem opera esse mercado.
Você facilmente identificaria que não há exportação naqueles volumes deste produto para o do Brasil para a China. Até porque esses produtos, canat pode até, inclusive uma coisa importante a gente destacar, o produto venezuelano no mercado internacional ele tem um preço menor porque é um país muito problemático, cheio de sanções e tal. Quando você diz que esse produto é brasileiro, ele obviamente ele passa a valer mais, porque é um produto que você pode vender em tese para qualquer um, né?
Então tem o ganho da logística, que eu estímulo que seja na casa de uns 200. 000 000 por navio, mas também tem eventualmente o ganho de você dizer que você está vendendo um produto de uma origem não sancionada, como é o caso da Venezuela. E aí tem vários aspectos que que a gente precisa se perguntar, bom, mas por que que isso não levantou uma suspeita na China?
Aí a gente lembra do que o Mota falou. Esses países que são autoritários, eles simplesmente, se for para a conveniência deles, eles simplesmente não vão tomar atitude e não vão impor qualquer tipo de pena de punição para os envolvidos nesse tipo de operação ilegal ilícita. E aí fica a Venezuela uma ditadura, a China uma ditadura.
O que sobra pro Brasil não sobra muita coisa. O que que o Brasil deveria fazer, Canet? Na minha opinião, uma vez comprovada a operação como ela se dava, o Brasil deveria impor sanções aos tais navios que foram declarados como estando transportando produto brasileiro, eles deveriam ficar sancionados e proibidos de navegar em águas brasileiras, de entrar em portos brasileiros.
O Brasil, se tivesse sangue correndo nas veias institucionais, se posicionaria de uma maneira muito firme para dar uma resposta. e estabelecer uma referência para o mercado internacional.