[Música] dentro da proposta de contribuir com o debate sobre o futuro do planeta e celebrando a vigésima sétima conferência da ONU sobre mudanças climáticas a cop 27 que acontece no Egito a TV USP em parceria com o comitê organizador dos impostos e florestas e bem-estar humano promove uma série de entrevistas com os pesquisadores que participam do evento e é dentro dessa dinâmica que eu tenho agora o prazer de conversar com o professor e pesquisador Cláudio Maretti tem mais de 40 anos dedicados à gestão prática liderança pesquisa disseminação sobre áreas protegidas Conservação da natureza ordenamento territorial
povos e comunidades e seus territórios tradicionais e desenvolvimento sustentável Cláudio é graduado em Geologia pelo Instituto de geociências da USP mestre engenharia planejamento geológico geotécnico pela Escola de Engenharia de São Carlos da USP Doutor em Geografia na área de geografia humana pela Faculdade de Filosofia letras e ciências humanas afelete da USP onde também desenvolve atualmente seu pós doutoramento desenvolve ou já ainda tá em desenvolvimento Cláudio ainda torno de desenvolvimento tô no terceiro ano agora Produzindo um livro muito bom o Cláudio pesquisa sobre conservação colaborativa em áreas protegidas e é também consultor e pesquisador independente focando
em temas como conservação colaborativa e entre sociedade e natureza Cláudio muito obrigado por aceitar o nosso convite para participar desse bate-papo ultimamente pelo que nós lemos aqui no seu currículo você tem concentrado seus estudos e as suas pesquisas na identificação da importância do sistemas locais de áreas protegidas e verdes e azuis eu achei muito interessante isso né verdes e azuis e da Equidade para o enfrentamento das mudanças climáticas e para a promoção da saúde do bem-estar Fala um pouquinho para gente sobre esse teu trabalho as áreas azuis obviamente porque a gente pensa só no verde
na vegetação muitas vezes só na floresta quando os ecossistemas são múltiplos e infelizmente a nossa sociedade normalmente ela se desenvolve de costas para água né ela joga lixo no rio esgoto os rios são os primeiros ecossistemas que morrem pela pela contaminação eu tenho trabalhado muito com esses temas porque eu acho que as áreas protegidas elas precisam mais estar mais abertas mais próximo da sociedade e uma das formas de ter isso a pensar por exemplo nos benefícios né então uma das coisas que já alguns anos a gente vem estudando pesquisando escrevendo e dialogando também criando grupos
de estudos e tal é justamente os benefícios para a saúde humana e o bem-estar Humano que as áreas naturais verdes e azuis promovem né então uma das coisas importantes é você poder ter por exemplo uma área verde perto de casa é o conceito que eu chamo de progressividade Então você tem uma a sua rua deveria ser toda arborizada todas as luas deveriam ser arborizadas deveria ter praças próximo das casas e hoje em dia tem um conceito urbanístico muito importante que se chama da cidade de 15 minutos Alguns falam da cidade 10 minutos você tem que
ter acesso aos benefícios ao trabalho a saúde a todas as coisas que você precisa usar na cidade num raio de tempo de 15 minutos então Isso inclui também as áreas verdes o lazer né Essa contato com a natureza mas às vezes você tem um parque Urbano mais importante Mais amplo e finalmente você pode num feriado no fim de semana nas suas férias e por um parque nacional por uma área de natureza mais exuberante mas Bio diversa Então essa progressividade é uma forma da gente orientar o sistemas locais de áreas naturais verdes e azuis áreas protegidas
verdes e azuis e também beneficiar a sociedade com a questão da saúde e bem-estar e dentro das suas pesquisas o que tu já conseguiu mapeado o que tem sido feito que tem sido estudado nesse sentido a nível Brasil e a nível mundo ou seja contribuindo inclusive para tua própria pesquisa tem muitas pesquisas no campo da Saúde Saúde física mental alguns infocando questões mais hard mas mais fortes assim como por exemplo a questão do Câncer ou mesmo doenças psicológicas psiquiátricas mais importantes mas um grande parte também com atenção para a questão por exemplo da chamadas lanças
de estresse e a sensação de bem-estar então muitas pesquisas artigos científicos hoje demonstram que algum tempo com a natureza traz melhoras para esse estresse e uma sensação de bem-estar e Há muitas explicações para isso né desde explicações de inconsciente coletiva Ecológico e a gente tem uma noção como espécie de onde nós viemos né e por isso precisamos voltar está conectar com a natureza outros dizem que é justamente fugir da massificação da do asfalto do cimento do barulho da cidades que junto com isso vem a dinâmica da vida moderna que é muito pressionada para produtividade tempos
cada vez mais curtos mas há também explicações que provavelmente a elementos que se desprende das Árvores isso é mais estudado no caso do Hemisfério Norte com as coníferas que beneficiam a nossa saúde Então hoje A grande questão é como é que eu pesquiso Mas precisamos definir que natureza é essa que estão falando quem é a pessoa que frequenta quanto tempo que tipo de interação mas o que é claro é que algum contato com a natureza faz bem o quanto o como ainda é um pouco discutível Existem algumas reflexões nós fizemos num grupo de estudos que
é o que eu lidero com centenas de colegas sobre conservação colaborativa a gente fez uma conexão com outra rede que eu ajudei a criar que chama Rede de saúde natureza com especialistas da área de saúde natureza e fizemos um subgrupo que estudou um pouco isso fizemos 19 entrevistas com especialistas em atividades ao ar livre e A grande questão não é o quanto tempo não é na verdade com frequente não é o tipo de atividade que você faz é se essa atividade que você faz leva uma conexão e a gente chama agora da reconexão com a
natureza então Imagine que você vai lá correr mas você vai com o seu fone de ouvido ligado no noticiário uma música ou mesmo numa palestra você tá correndo no ambiente natural vai ser mal ver se tem um pássaro ali aquela árvore é diferente da outra você não ouve o barulho nem nada e isso é fundamental para o desenvolvimento das crianças quer dizer as crianças poderem interagir com a natureza pegar o Besouro sentir a diferença de textura de uma folha para outra pisar na lama etc mas para nós também ou seja se você não abrir o
seu sentido se você não tiver a possibilidade de um contato de uma atenção e de uma interação essa reconexão não acontece é como você visitar as Cataratas de Iguaçu ou uma área da floresta amazônica ou que seja vai lá tira selfie Pronto agora vamos embora para o hotel fazer outra coisa não existe a reconexão Então essa qualidade da interação é que faz toda a diferença agora como você percebe a conscientização por parte do poder público enquanto promotor idealizador vamos dizer assim inclusive responsável pela manutenção desses espaços existe a consciência dessa importância eu acho que pouco
eu acho que de um modo geral o Ministério do meio ambiente a secretarias estaduais e municipais de Meio Ambiente elas normalmente são o menor orçamento digamos daquele governo ou entre os últimos né Às vezes tem algum como cultura às vezes é pior do que o meio ambiente e por outro lado a gente vive numa sociedade que desconecta tudo então a saúde no hospital a educação é na escola e o meio ambiente é pro Ecologia está radical aquele que quer viver feito índio e a falta de conexão entre essas áreas esses temas eu acho que não
é um problema só das autoridades é um problema da sociedade então a gente precisa trazer de volta a sociedade para essa ideia da reconexão para mim tem que ser uma reconexão social coletiva para que a sociedade perceba E aí exija então a minha escola onde eu levo meus filhos ela não precisa ser só aquela que leva a criança até o vestibular hoje em dia nem tem mais vestibular e muitos casos e para ir na universidade que é ótimo mas é que gera uma condição de formar um melhor pessoa e isso tem a ver também com
ter uma horta com teu visita uma área verde etc os hospitais hoje sabem que se você tiver uma janela para o verde a chance de melhora doente já é maior se você tiver um jardim interno etc e muitos médicos normalmente alternativos assim chamados não é a maioria leva os seus pacientes para as áreas naturais então aí as áreas naturais tem que estar preparadas para recebê-los tem casos por exemplo de pacientes doentes de Câncer em estágio avançado mesmo assim é benéfico fazer esse contato para a qualidade de vida então essa consciência faz com que na hora
que a gente volte na hora que a gente reclame na hora que a gente propõe essa reconexão não tá presente e a compartimentação faz com que a gente escolha saúde primeiro educação segundo e parece que isso não tem nada a ver com a natureza e a natureza fica lá no último penúltimo caso do orçamento do volume pessoal então essa junção é que normalmente o setor público não sabe fazer mas a própria sociedade não exige não demanda não aponta os caminhos e é por isso que essa reconexão é tão importante porque dá mais quando a gente
tem utilize climática e a crise da biodiversidade que alguns dizem até que pode ser pior do que a crise climática em termos de perder serviços serviços que os ecossistemas nos prestam então nessas condições Imagine só a questão por exemplo a gente fala saúde na cidade a gente falar bom aquela pessoa vai lá no na praça ela tem o melhor qualidade de vida se precisar alguma coisa ela tem um hospital e tal mas que condição Econômica dessa pessoa quem é que vive num bairro que tem verde quer dizer as classes mais favorecidas normalmente não tem esse
contato com verde e pior moro num lugar que inunda um antigo Vale que foi ocupado às vezes de forma espontânea porque não tinha como pagar uma casa um aluguel ou então numa encosta que desliza então do ponto de vista da Saúde nós temos que contar essas pessoas que morrem nas enchentes deslizamentos as pessoas que adoecem porque a água vem suja da enchente e entra na casa delas que perde a sua condição de produtividade e também do seu lazer porque tem que ficar cuidando da emergência levantar os móveis fugir para o telhado sei lá o que
então ao enfrentar as mudanças climáticas nós precisamos recolocar a Equidade das áreas protegidas e verdes e azuis para essas populações que mais sofrem Então não é só uma questão de uma pessoa de boas Posses poder passear na praça do bairro ou ter dinheiro para visitar um parque nacional lá no Pantanal ou na Amazônia mas é também aquele pobre aquela família pobre que vive na beira do rio que é inundada pelo menos a cada dois três anos ou então se a gente reparar todos os anos todas as épocas de chuvas tem uma calamidade só lugar e
isso só vai piorar com as mudanças climáticas e aí as áreas naturais são meio mais eficiente e também o mais barato portanto mais eficaz como um todo para enfrentarmos climáticas e promover a melhora da saúde para os ricos mas também para os pobres agora Cláudio nessa tua Ampla carreira experiência com pesquisador teve oportunidade de conhecer outras realidades a gente poderia identificar o pontuar algumas Nações alguns povos que tem essa relação mais apurada e que já colhe os benefícios disso sim eu acho que isso varia não é por país né às vezes varia por classe social
por região do país mas nós temos exemplos muito interessantes exemplo que a gente usa mais famoso é o caso do Japão da década de 70 o Japão percebeu que essa doença do stress da cidades levava um acúmulo de demanda por serviço de saúde e desenvolveu pelo serviço Florestal entre aspas o equivalente de um serviço Florestal deles a ideia do banho de Floresta que é uma ideia não é simplesmente você estar numa floresta Mas é você ter essa conexão e fazer isso de forma sistemática então houve um estímulo para que as pessoas fossem para floresta e
prestasse atenção abrisse um sentidos até o sentido do coração da mente não só os táteis e gustativos e tal esses físicos e aí se media A Evolução dessa pessoa com a frequência da visitação o outro caso interessante é o caso da Austrália é que desenvolveu a Primeira ideia de uma política pública que juntasse saúde e Conservação da natureza Então os parques do Estado de Victoria na Austrália passaram a ser parte do sistema complementar de saúde e o parque também tinha que se preparar para receber o doente para receber a pessoa com deficiência Mas também essa
pessoa normal que queria melhorar de saúde nós temos o exemplo da grã-bretanha onde mais se desenvolveu a ideia de uma prescrição de natureza se eu for no médico hoje Qualquer um de nós médico diz olha você tem esse problema você tem aquele tal Toma esse remédio mas tem que se movimentar não pode ficar parado tem que dormir bem comer bem e fazer exercício porque não dormir bem com bebê fazer exercício e visitar a natureza duas três vezes por semana ou pelo menos uma vez você não consegue fazer exercícios todos os dias faça duas três semanas
se você não pode ir na natureza todos os dias vai uma vez por semana no final de semana então essa ideia da prescrição não farmacêutica como é para o exercício físico para boa alimentação para diminuir o estresse também a natureza podia entrar e a grã-bretanha tem essa experiência essa ideia da Austrália a gente chama de parque saudáveis para pessoas saudáveis ela começou a espalhar os Estados Unidos adotou também no serviço Nacional de parques a Colômbia começou a adotar por um setor então Associação cardiológica de médios cardiologista Colômbia diz hoje o melhor remédio para o seu
coração é natureza é a vitamina n a vitamina de natureza é você ir para a natureza e desestressar seria o melhor medicamento agora no Brasil nós temos também uma percepção né muitas vezes isso é aplicado Então a gente tem o caso de Curitiba que foi um caso for famoso por começar a construir recuperar áreas e transformar em parques urbanos aumentando a possibilidade de contato nós temos o caso de Jundiaí que tem promovido a interação das crianças na escola com as áreas do Entorno Inclusive a necessidade da arborização Urbana das praças nós temos o caso de
Campinas que tem promovido como prioridade no seu plano verde o que a gente chama de parques lineares que é a recuperação dos fundos de vale para poder ter lá o espaço de lazer ao mesmo tempo é um espaço de segurança para quando houver enchentes né mas para você levar a área verde para um bairro pobre que já tá ocupado que tenha deficiência de áreas verdes o melhor caminho é você restaurar os fundos de vale porque ele já serve para múltiplos fins múltiplos objetivos então existem experiências inclusive no Brasil uma coisa super interessante da Equidade da
inclusão são parques nacionais por exemplo que já podem receber cadeirantes cegos surdos ou com deficiência auditiva caso de Itatiaia por exemplo um casal Que adorava fazer as caminhadas nas montanhas né não é exatamente alpinismo mas é a gente chama de montanhismo E aí a senhora ficou com um problema e foi perdendo a função motora E aí eles inventaram uma cadeira Então os colegas levam ela carregando numa cadeira para poder fazer o passeio junto com eles né E você tem trilhas sensoriais né que você pode permitir SESC Bertioga aqui perto tem uma experiência muito boa de
trilha sensoriais Então você é mesmo não tendo a visão ou até se tiver pode sentir a diferença E aí tem o contato com a natureza né porque você sente a diferença de uma folha de outra de uma casca de alho para outra das formas da sementes do tipo de chão e assim por diante então eu diria que existem experiências em vários países alguns deles ainda com muita natureza o caso do Japão e da Austrália outros porque perderam E aí valorizam sobre a maneira como é o caso da grã-bretanha mas também aqui mas são experiências ainda
individuais específicas pontuais a gente ainda não tem uma política pública integrativa para a qualidade de vida a gente ainda pensa Qual é o melhor hospital para o coração e não frequentar o parque é a vitamina n Como diz Associação cardiológica uma situação muito mais reativa do que preditiva é uma coisa de na hora que você pensa na sua saúde você pensa Normalmente também na alimentação e o cuidado que as pessoas já estão tendo com alimentação deveria ser o mesmo para a gente se relacionar com os ambientes naturais então eu vejo uma evolução positiva sobretudo juntando
essas coisas sistemas locais de áreas protegidas verdes e azuis a Equidade com os mais pobres e os pessoas com deficiência e a diversidade da sociedade mas também a questão de focar isso para saúde o bem-estar pensando não só numa saúde digamos fácil ou da Elite mas também do problema das mudanças climáticas acho que essa junção começa a gerar um movimento não é à toa que hoje nós temos o simpósio sobre bem estar humano e a relação com as florestas é eu acho que essa é um sinal de algo que está acontecendo no sentido positivo cara
Cláudio para a gente encerrar quem quiser conhecer um pouquinho mais do teu trabalho do grupo aí você coordena as pesquisas como é que deve proceder olha no meu pós-doutorado já tô entrando no terceiro ano mas a gente criou grupos de estudos de fez várias coisas e agora estamos fazendo um livro e com isso a gente deve encerrar essa fase mas o grupo talvez continue Então pode me procurar através da geografia da USP ou nas redes sociais eu tô em quase todas embora mais ativo aqui do que ali eu tenho uma uma rede social que a
gente chama de whirdgate que eu coloco todas as minhas palestras publicações coisas que eu documentos que eu colaborei coloca lá à disposição ponto de vista Acadêmico da documentação tem a minha a minha conta no site e no instagram a gente tem uma conta chamada conservação colaborativa que tá falando desses grupos que estudaram por exemplo questão da Saúde natureza mas também áreas protegidas locais também a questão dos povos e comunidades tradicionais o problema das concessões que hoje cada vez se expande Em algumas situações pode ser acertado outras nem tanto as parcerias com a sociedade civil para
gerir áreas protegidas então nós valores sagrados das áreas naturais valores culturais que não são necessariamente sagrados como o valor que tem uma paisagem para quem por exemplo vive no lugar que tem caso típico do Rio de Janeiro com a Tijuca e o Cristo Redentor aquela aquilo é um parque nacional né então aquilo tá protegido o valor daquela paisagem de poder ter aquela referência é um valor cultural não é a biodiversidade sozinha então nós fizemos 15 subgrupos estudamos diversos formas nós temos isso também no YouTube do departamento de geografia da FE da USP Então são várias
formas de fazer contato comigo e obviamente tenho também o e-mail Cláudio ponto
[email protected] Cláudio mais uma vez muito obrigado por aceitar o nosso convite Muito obrigado a vocês por estarem permitindo que a gente converse dialog com a sociedade eu conversei com o professor e pesquisador Cláudio Maretti que é um dos palestrantes aqui do simpósio florestas e a sua relação florestas e bem-estar humano eu quero agradecer de forma muito especial a parceria da comissão organizadora do evento de forma especial a professora Teresa magro e a podcast ele pesquisadora Gabriele Abreu Nunes nossas grandes parceiras na promoção
dessa série Agradeço também a você que nos acompanhou e mais essa entrevista te convidando desde já para acompanhar toda a série um grande atrás e até a próxima edição tchau [Música]