Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos, chegamos ao final do tempo do Natal.
Amanhã, com a festa do Batismo do Senhor, iniciamos o tempo comum. Mas o Evangelho de hoje já nos coloca nesse contexto do Batismo e o relacionamento entre Jesus e São João Batista. Veja: São João, o quarto Evangelista, ele não narra o Batismo de Jesus; lá no capítulo primeiro, ele simplesmente atesta que, quando João Batista apontou para Jesus e disse: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo", ele também testemunhou que viu o Espírito Santo descer sobre Jesus.
O que está lá subentendido é que São João Batista está falando do Batismo de Jesus. Bom, aí o Evangelho nos conduz ao capítulo terceiro, agora, em que Jesus inicia o seu ministério. Mas, curiosamente, os discípulos de Jesus também batizam junto com João Batista.
Provavelmente, porque Jesus queria que os seus discípulos também tivessem uma experiência de convidar as pessoas à conversão antes de realmente enviá-los em missão. Mas Jesus, o próprio Jesus, não batizava. É interessante sabermos isso, porque isso é muito claro no Evangelho de João, embora só o trecho da leitura de hoje pareça deixar duvidoso, porque o Evangelho começa assim: “Naquele tempo, Jesus, com seus discípulos, foi para a região da Judeia e permaneceu aí com eles e batizava”.
Então parece que Jesus batizava, mas São João Evangelista, mais adiante, no capítulo 4, versículo 2, quando ele vai narrar o episódio da Samaritana, esclarece que o próprio Jesus não batizava, mas somente os seus discípulos. Bom, só para esclarecer esse ponto: por quê? Porque no Evangelho de João existe todo esse contraste entre o Batismo de Jesus e o Batismo de João Batista.
O Batismo de Jesus é o Batismo no Espírito Santo; o Batismo de João Batista é um Batismo para a remissão dos pecados. E essa diferença é importante, porque o próprio Jesus vai se manifestar como fonte de água viva, porque o Batismo de Jesus brota do peito de Jesus. Sim, é isso.
Não existe ainda o Batismo de Jesus a essa altura do campeonato; o que existe é simplesmente Jesus que está reunindo seus discípulos. Provavelmente, como atesta o Quarto Evangelho, Jesus escolheu o núcleo inicial de seus discípulos dentre os discípulos de João, e por isso estes discípulos de João, que já batizavam junto com João Batista, agora continuam exercitando a mesma coisa, até que Jesus vai trazendo-os para si. E acontece esse fenômeno que é exatamente aquilo que é narrado no final do Evangelho de hoje: o próprio João Batista diz: “É necessário que ele cresça e que eu diminua”.
Aqui nós vemos então como que o ocaso do Antigo Testamento dá lugar à luz do Novo Testamento: um Batismo que era somente uma manifestação pública da vontade de fazer penitência; agora, em Jesus, nós temos um Batismo eficaz. O Quarto Evangelista narra como do peito aberto de Jesus, transpassado pela lança, jorram sangue e água, e esta água, esta fonte de água viva, é dali que virá o Batismo cristão, porque na Paixão de Cristo, na água que brota do seu peito aberto, que nós somos lavados. Eis aqui quem é muito mais do que João Batista.
Então, nós, que nos preparamos para viver a festa do Batismo do Senhor no dia de amanhã, desde já vamos louvando e agradecendo a Deus pelo grande Batismo com o qual fomos batizados. Vamos renová-lo, renová-lo e viver junto ao peito de Cristo como membros do seu corpo e discípulos amados. Deus abençoe você.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.