Numa época em que tudo é batizado, tudo tem um rótulo, um diagnóstico, vivemos, então, uma era dos “pais helicóptero”. Vamos conversar! O que são os “pais helicóptero”?
Vamos pensar primeiro o que é um helicóptero. Helicóptero é aquele que voa, fica acima e tem o poder de parar, enquanto voa. Focar, enquanto voa.
Isso é interessante. Por que o que os pais helicóptero acham que estão fazendo? Eles acham que estão acompanhando, de cima, às vezes de longe, mas eles estão acompanhando.
São aqueles pais parceiros, que veem tudo. Onde está o filho, está o pai helicóptero. Ele participa de tudo.
Ele enxerga tudo. Ele acompanha tudo. Ele ouve tudo.
Bota, muito claramente, a expectativa que ele tem daquele filho. Isso é legal? Não, isso não é legal.
Quando existe um pai helicóptero, o filho sabe que o pai helicóptero está lá. Ele não fornece nada. Ele tira, ele tolhe.
Ele tira o poder de escolha, capacidade de escolha. Ele tolhe os caminhos, porque ele já viveu e ele fala “anda por aqui”. Ele tira a privacidade, ele está onde estão as crianças, ele está onde estão os adolescentes.
E isso é muito prejudicial. Depois, quando vem a conta da Geração vai com os pais para entrevista de emprego, nós temos que voltar para os pais helicóptero. Pai helicóptero é o superprotetor?
Não! Superprotetor evita problemas. O pai helicóptero, ele evita que os filhos façam coisas.
Ele tira a oportunidade. Quando a gente tira a oportunidade, a gente mexe também na possibilidade. Uma mãe que interfere numa briga, um pai que entra num assunto de criança, ele tolhe o seu filho e quando ele não estiver, porque sim, tem lugar que um helicóptero não chega e tem hora que a gente foge do helicóptero, nesse momento, essas crianças não têm ferramentas.
Então, aquele pai que acha que está acompanhando, percebendo, sempre de olho ou, pior ainda, participando de tudo esquece que é preciso dar momentos, para que as crianças errem, para que as crianças refaçam e para que as crianças assumam aquilo que têm feito. Nenhuma criança, com um pai helicóptero, tem a oportunidade de assumir. Nenhum adolescente, com pai helicóptero, consegue errar, porque a escolha já está feita.
É a escolha que o pai helicóptero escolheu. Esqueçam isso! Ninguém precisa de pai helicóptero.
Os pais têm o papel de pais. Eles não são helicópteros, eles não são o grilo falante. Eles não são aquele Ratatouille, que fica dentro do chapéu dando a dica, para o cozinheiro brilhar.
Pai é pai, mãe é mãe, adolescente é adolescente e criança é criança. Todo mundo tem o seu papel, todo mundo tem o seu lugar. Eles precisam aprender a viver sem a condução de um adulto.
Condução de um adulto é muito diferente de acompanhamento de um adulto. Os meninos precisam de privacidade, precisam fazer escolhas. Os meninos precisam saber o que público e o que é privado.
Mas isso é um assunto para o nosso próximo programa. Vamos conversar!