Afinal o que é o amor uma história breve parte um a idealização no início o que existe é uma tela o quadro é feito por você o outro serve apenas como modelo ali o que vemos é o que se parece com o que precisamos ver muitas vezes Apenas pedaços recortes isso é o suficiente que se pareça o suficiente com o que precisamos ver se não é o caso a história para aí é preciso que o outro seja apenas o suficiente para que possamos ver o que precisamos ver para cada um isso vai de um jeito
mas a ideia é sempre a mesma se você não me serve como tela o meu olho te atravessa e a sua imagem desaparece da minha frente eu olho através em busca de alguém que me sirva mas se eu encontro ali matéria suficiente até ela se transforma no lugar onde eu posso fazer o meu trabalho O trabalho da minha projeção o outro é tudo aquilo que eu preciso tudo que me faltava absolutamente tudo ele é a minha solução a minha transformação a minha Redenção E é claro isso é muito importante ele me olha de volta ele
me vê enquanto eu olho para ele ele me Reconhece reconhece o meu valor reconhece o valor do meu olhar eu finalmente existo eu mereço existir essa é a primeira condição do amor por estranho que pareça que você me sirva como lugar onde eu posso despejar a esperança da solução de tudo que me falta de tudo que me faltou desde o início e que enquanto eu crio o meu obeto projetado eu seja visto seja visto como eu fantasio que deveria ser visto isso é claro não é o amor longe disso Isso é a primeira vista não
o amor à primeira vista isso é a primeira condição mas aos poucos o que acontece é que o outro inesperadamente começa se deslocar o quadro se fragmenta existe ali um movimento que não era previsto e que não cabe mais na sua tela antes perfeitamente organizada Parte Dois O estranhamento no momento em que o quadro se desloca algo de estranho invade seu peito algo que você pode resistir tentar resistir a reconhecer no início mas já está lá Talvez a pessoa não seja essa talvez eu não tenha encontrado Afinal Não era essa a pessoa por quem eu
havia me apaixonado longe disso ela mudou tanto é estranho tudo mudou na verdade ela agora não é mais capaz de te resgatar da sua vida carente de sentido de magia ela agora intensifica a sensação de vazio e de falta de sentido a paixão não está mais lá a sua imagem Projetada não consegue mais encontrar a tela tem um desencaixe aí o que antes era só um suporte pra sua projeção agora ganha existência ele respira ele toce espirra engasga ronca falta sobra fala e ele deixa de olhar para você o outro já não parece precisar do
seu olhar já não parece se interessar mais pelo seu olhar e e já não parece mais precisar olhar para você nesse momento o descompasso entre a tela e a sua imagem Projetada é simplesmente grande demais e você se desespera briga insiste culpa o outro pela diferença pela indiferença mas não adianta tudo que você consegue sentir é o horror o horror do fim da sua fantasia a fantasia de que você tinha finalmente encontrado amor de que você tinha finalmente enado a sua solução então você se pergunta mas afinal o que é o amor então e mesmo
que a resposta não esteja Clara você sabe que não é isso isso aqui não é não é possível que isso seja o amor o amor é maior o amor é absoluto o amor é pleno sem arestas sem buracos amor é a parte que falta para que tudo seja Finalmente como deveria ser então isso aqui não pode ser o amor simplesmente não pode ser e você quer fugir em busca da próxima tela a sua próxima tela alguém que seja o suporte ideal para sua projeção esse alguém deve Afinal existir e esse se você fugisse seria o
fim da história porém Essa é também a segunda condição do Amor a quebra da idealização e a dor que vem com ela o risco muitas vezes insuportável de que o outro não seja a sua resposta de que o outro não dê sentido a tudo de que a sua tela simplesmente não exista e você foge não parte três a vida existe algo que freia o seu impulso de sair que freia a sua fuga não é o medo do lado de fora não é o medo do abandono não o que ocorre é que algo ali te faz
aceitar ainda que contrariado que você também não é nada além disso você respira tose espirra engasga ronca falta sobra fala é isso e aos poucos H duras penas a eterna oscilação que te acompanhava entre eu sou incrível e mereço ser amado e eu sou horrível e ninguém seria capaz de me amar começa a ceder e você se encontra no meio pela primeira vez um meio qualquer você é só mais um outro qualquer depois que o outro desceu pelas encostas da idealização até se espatifar na realidade agora é você que também se vê ali caído na
realidade o outro não é fantástico nem tampouco deplorável e você também não São só dois corpos que se encontram no tempo espaço cheios de memória em busca de pequenos momentos de felicidade nada mais com isso a sucessão de quadros agora se dilui a sua capacidade mesmo de projetar diminui a sua capacidade de ordenar o quadro diminui a sua capacidade de controlar diminui a sua capacidade de negar também e algo de novo começa a surgir ali no início bem devagar quase imperceptível mas tá ali é o movimento o fluxo uma sucessão de quadros que não permite
que o olho Fix em nada porque já sabe que o fluxo vai seguir e a imagem estática aos poucos se transforma em movimento e o seu quadro agora é a vida e já não é mais controlado por você Essa é a terceira condição do amor que o fluxo a vida vença a sua capacidade de enquadrar agora você está dentro da vida não mais a espera dela tá bom a agora eu vou te perguntar umas coisas tá Tá mas que que eu faço com biscoito que você quiser pode quiser é direto que a gente tá fazendo
é direto e queria te perguntar Hum o que que você acha o que que você acha Eu sei que é uma pergunta difícil de responder mas o que que você acha que como é que você definiria o amor [Música] FS ul [Música] ul