Boa tarde a todos todas os que estão nesse momento nos ouvindo e participando de mais uma live organizada pelo nosso grupo de pesquisa do Instituto de estudos avançados da USP de São Paulo tempo memória e pertencimento a Live de hoje é o tema da Live é na verdade o lançamento do livro muito significativo que então dá o título também desse Encontro indígenas Independência e muitas histórias repensar o Brasil no século XIX Então esse livro lançado Justamente na ocasião do Bicentenário da Independência do Brasil é pela professora Vânia lousado e Mariana Dantes que temos hoje é
hora de ter conosco né junto com todos os demais autores O livro é uma coletânea de pesquisas que justamente é votada para Acrescentar um conhecimento muito original acerca do protagonismo de nações e comunidades indígenas né de nativos no território nacional na época da Independência do Brasil um tema muito pouco conhecido e muito importante porque né só vou dizer isso né o objetivo do nosso grupo de pesquisa tempo memória pertencimento é resgatar a importância dos protagonistas né dos Atores da história da memória da cultura brasileira né e dentre esses atores entre os mais importantes e só
nas Comunidades dos índios dos nativos que vivem E viveram no território brasileiro e nós queremos resgatar o protagonismo dessas presenças que são apenas presenças individuais mas presenças de comunidades portanto também presença de relações de pertencimento né que deram Vida então também a movimentos a tomadas de posições a presenças portanto também de tipo político é como é o caso da Live de hoje e nesse sentido nós somos muito gratos né de poder acrescentar essa história e torná-la conhecida para os brasileiros né E agradecendo muito a presença das organizadoras do livro e dos autores que vocês vão
conhecer um por um né porque cada um deles vai falar sobre esse livro e do professor Márcio Fernandes Que Também está conosco como apresentador e de batedor dessa Live que é também membro do nosso grupo de pesquisa e dizer que nesse caso como se trata de uma apresentação de livros nós não vamos ter um debate depois vamos deixar mais espaço para os doutores falarem e vamos remeter esse debate ao depósito ou seja vamos solicitar né é que todo mundo aqui é que é estude esse livro né e a partir disso nós vamos promover outros dobats
né é o Livro que merece estar na biblioteca de cada Brasileiro né não apenas de historiadores especialistas mas também das pessoas que moram nesse país muito obrigada a todos e mais uma vez também ao Instituto aos técnicos que nos ajudam nessa possibilidade de encontro que é hoje esse me presencial eu passo a palavra então ao professor Márcio para dar continuidade ao evento bom evento a todos Obrigado A todos todas que participam aqui conosco neste evento e também Saúdo as professoras e o professor João Paulo que está aqui conosco são autores deste livro organizado pela professora
Vânia e dizer que acrescentando aquilo que a Marina lembrava agora né do contexto da produção desse livro né nos 200 anos da Independência e Justamente como sublinhava professora Vânia em uma entrevista ao jornal da USP o descaso com a população indígena vivida no Brasil faz com que a gente tome consciência da importância da discussão né que aqui se apresenta e mais ainda não se trata de povos indígenas do passado mas que estão no presente nos interrogando continuamente e que merecem Portanto o conhecimento difusão e mais o estudo nas escolas nas instituições de ensino superior e
Difusão na cultura brasileira do conhecimento profundo destes povos originários Então essa história que vai ser agora contada por esse simpósio aqui de historiadores né esse belo sim pode lembrando Platão né que gostava deste deste diálogo entre entre os saberes né e o conhecimento que a gente possa aproveitar como um banquete para que a Gente as riquezas da nossa nação e na riqueza da nossa nação tem uma população que que sofrida e esquecida e esse é o significado desse encontro hoje eu passo a palavra nesse momento e vou apresentar a organizadora desse livro também a professora
Vânia é a Maria Louzada Moreira que a professora titular da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro pesquisadora do CNPQ cientista do Estado do Rio de Janeiro possui Graduação história pela Universidade de Brasília doutorado em história pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado pela stainford Universe Estados Unidos pelo conselho superior de investigação científica da Espanha e autora de livros como por exemplo Brasília a construção da nacionalidade Espírito Santo indígena e reinventando autonomia atualmente dedica-se a pesquisa em história social e política com a ênfase Justamente na história dos Indígenas Brasil séculos 18:19 participa de redes de
discussão sobre a questão indígena no período colonial e no processo de formação dos estados nacionais na América Latina envolvendo para isso investigadores de diferentes instituições e países coordena a rede colaborativa de investigação e produção de dados históricos Vip Vilas indígenas pombalinas né e é orientadora de doutorado mestrado no Programa de pós-graduação de história pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro professora Vânia nosso abraço Nossa acolhimento aqui e ansiosas por escutar sua palavra sobre este livro e sobre os povos indígenas por favor primeiro lugar Boa tarde a todos e a todos queria agradecer muito a
Lúcio né o Instituto avançados e especial a professora Marina Marcílio Professor Márcio Fernandes e a professora Helena plaque que tem Acompanhando aliás de perto a trajetória do nosso grupo aqui da nossa pesquisa né Agradecer o convite de estarmos fazendo aqui o lançamento desse livro cumprimentar também os colegas organizadores hoje a gente trouxe aqui só os organizadores porque o livro mesmo tem mais de 20 colaboradores né então eu cumprimento a Tatiana Oliveira A Karina Melo João Paulo e a Mariana organizadores e presentes aqui na mesa Também é um prazer enorme né a debater com o grupo
de pesquisa tempo memória pertencimento é esse debate que a gente começou a travar no passado na verdade né nossa primeiro encontro para para debater Isso foi quando a Eliana e a Marina nos convidou nos convidaram perdão para para mim a Mariana Dantas para falar um pouco sobre o que que era essa coisa de povos indígenas no processo de independência E a gente fez uma live com vocês e falamos Olha a gente tem um livro que tá para ser lançado né que tal a gente fazer o lançamento aí estamos aqui de volta um pouco depois né
mas uma conjuntura né gente totalmente diferente o Brasil de hoje não era o mesmo Brasil com Juá a gente respirava no passado né então esse livro ele traz a marca de uma temporalidade né O que a gente discutiu a independência num processo em que os povos indígenas Grandes dificuldades né dificuldades essas que eu creio que a população brasileira de modo geral não os pesquisadores né mas a população de modo geral tá tomando apenas conhecimento agora e eu acho que o caso dos yanomamis do estado famélico do genocídio praticado contra os povos e anomamos e apenas
a ponta de um iceberg do que aconteceu nos últimos quatro anos com os povos indígenas numa administração pública antes higienista né na verdade Contrário aos povos indígenas Então acho que esse livro Traz essa marca e traz e traz a marca também é da importância né de um grupo de pesquisadores que já tem dedicado a sua vida acadêmica sua pesquisa acadêmica para pensar os povos indígenas que tem grande dificuldade efetivamente de incluir os indígenas no processo histórico efetivamente nessa entrevista que o professor Mário Está se referindo na na USP né com duas jornalistas muito muito competente
né que que me entrevistaram Eu mencionei né justamente o susto que é tomar conhecimento dos povos indígenas no Brasil lendo os jornais né porque na escola a gente tem uma situação de pouco ensino a respeito dos povos indígenas né mas na hora que você abre o jornal por exemplo ah criação do Ministério dos povos indígenas Genocídio pontos é normal e eu acho que que é importante os historiadores se perguntarem até que ponto nós como investigadores estamos preparando a sociedade brasileira para os desafios do tempo presente né que é entender a presença dos povos indígenas com
todos os seus traumas como parte da nacionalidade porque se a gente olhar bem esse livro e depois nós vamos ter chance de dar uma passeada no aspecto geral dessa obra São povos que Foram muito castigados No processo histórico relacionado com a população não indígena seja de origem europeia ou não né então você tem aí um processo muito duro e a impressão que eu tenho é que a não ser as pessoas né da academia que se dedicam a pesquisar esse assunto tem noção da profundidade desse problema então no certo sentido eu acho que a população leva
um susto né quando ler o jornal e fala nossa mas como assim o ministério totalmente dedicado a Questão indígena né Como assim tanto que a ignorância tamanha nesse país que as fake News dizendo escola né é uma é uma é uma mentira né Que parte da população brasileira acredita porque simplesmente não conhece nem geografia propriamente dita do Brasil menos ainda uma geografia que uma história né e mostra que Esses povos Estão ali na fronteira né E são partes né de diferentes estados nacionais né então a Gente padece aí de muitos problemas né de compreensão da
complexidade do Brasil né então eu acho que o Só lembrando o nome da jornalistas entrevistaram que eu gostaria de citar que a caminho Rosa grandes jornalistas aí jornal da última possui fizeram uma reportagem realmente muito completa sobre o nosso livro porque é muito contente com o resultado do trabalho né mas é isso né Eu acho que esse livro vem Vem ocupar esse espaço né de colocar um setor da sociedade brasileira pouco compreendido pouco problematizado no processo histórico são os povos indígenas na sua grande diversidade porque não adianta a gente tentar pensar os povos indígenas no
singular é sempre um pensamento Rural complexo porque são povos diferentes culturas diferentes línguas e diferentes Expectativas em relação à sociedade e Estado Nacional também com diferentes relações históricas com o restante do país né então são questões complexas né então o intuito principal né o objetivo geral dessa obra era justamente ajudar a pensar o processo de independência e ajudar a pensar sobre tudo o processo de formação do Estado Nacional no 19 a partir de uma lente angular onde quem está posicionado na no papel principal é O indígena né então a gente tenta discutir diferentes aspectos do
século XIX e da formação do Estado Nacional e do processo de independência o que que isso representou para os indígenas como os indígenas foram situados nesse processo como eles foram afetados por esse processo de questões que que movimentam né a produção desse livro que eu acredito inexistir hoje no Brasil qualquer livro Com esse grau de profundidade para pensar os indígenas no 19 no Brasil não que não existam livros individuais de grandes pesquisadores que quem consultar essa nossa obra coletiva na verdade cada um dos pesquisadores às vezes é autor de uma mais livros né sobre sobre
os povos indígenas né mas eu digo de você reunir colocar né numa perspectiva conectada diferentes estudos diferentes autores eu acho que é uma grande novidade no mercado editorial brasileiro essa obra Que a gente está ofertando ao público leitor né então só para vocês terem uma ideia e a minha fala vai ser bem assim ampla para dar uma apresentação geral né depois os colegas vão falar de outras partes dos livros e do próprio trabalho deles né então é uma obra que tem cinco organizadores que estão aqui né eu liderando a sua organização sua mais velha né
digamos assim a Cacique aqui no grupo né porque são um pouco mais velha do que Eles ou não bastante né e mas tem mais de 20 pesquisadores né é incluídos nessa obra em 17 capítulos né Então essa é uma obra que tem 17 capítulos né dividido e esse 17 capítulos estão divididos em três partes que eu vou falar muito rapidamente dessas três partes Mas além desses 17 capítulos organizados em três partes a gente tem duas outras coisas que eu gostaria de chamar atenção a primeira é um a gente abre um livro com uma sessão que
a gente Escolhe ficou de diálogos nesses diálogos a gente quis dialogar com os próprios povos indígenas e com matrizes historias gráficas distintas da nossa própria que a brasileira né então a gente entrevistou dois representantes indígenas um que é o cacique negaram mãe do Povo Caiapó ele é sobrinho do Raoni que recentemente subiu a rampa não subiu a rampa da posse do Lula né junto com o Lula né como e ele é uma figura Internacional e o negarão fica na mãe Ele sempre acompanha muito reunir nas suas lutas né em suas só que ele é um
pouco mais jovem então a gente fez uma entrevista com o cacique negaram fizemos uma entrevista também com o vereador Ricardo veio Itapeba na época o velho Era vereador do município do Ceará principalmente Ele Está ocupando um dos postos Chaves do Ministério dos povos indígenas ele juntamente com Sônia Guajajara e com a pijama foi indicado para um dos postos fundamentais que eu Da Saúde indígena né então atualmente ele tá à frente da Secretaria de Saúde indígena na especial de saúde indígena e ele teve uma participação importante aí nesse nesse processo que começa a elucidar aí e
tratar dos yanomanos afetados pela pela pela pandemia pelo descaso que tá E que apesar né acaba ficando no foco dessa questão mas quando a gente entrevistou ver ele era apenas ainda não é um vereador o que já era muito não Representante dos indígenas Está ocupando o lugar de vereador no município Brasileiro né então e a gente também nessa parte de diálogo dialogar com a historiografia mexicana e conversamos com três autores que estão na obra né em que eles pensam a questão do liberalismo no México e por que não é porque a questão do lugar do
indígena na sociedade Nacional mexicana é muito mais Pensado e refletida do que no Brasil até pela proporção né do lugar que os indígenas ocupam no mundo do trabalho historicamente constituído naquela nação né No Brasil a coisa se passa um pouco diferente de certa forma a gente Pensou um século 19 Pensou um liberalismo no 19 sem faltar questão indígena faltamos muito bem a questão dos escravizados faltamos a questão das elites e sua e sua Esdrúxula relação que estabelece sendo vocês falam a a a a Marina tá sentada na na sala Alfredo Bose né o bozi tem
textos interessantíssimos né sobre essa essa relação esquizofrênica da nossa Elite escravocrata mas com pensamento liberal né é uma pessoa tem uma contribuição enorme na nossa reflexão acerca disso mas a questão indígena ficou pouco refletida então nessa sessão de diálogo né Nós tentamos dialogar com os povos Indígenas Quais foram os grafia mexicana A Karina que tá aqui escrever um comentário sobre o texto né dos mexicanos pensando na questão do liberalismo eu escrevi um outro comentário enfim a gente tá tentando trazer a baila essas questões partes do livro né dos 17 capítulos a primeira parte a história
memória identidade né Eu acho que a gente enfrenta várias temáticas importantes para dar uma Situar né De um modo mais generalizante o conjunto dos povos indígenas então questões como existe racismo contra os indígenas no que que o racismo contra os indígenas diferem de um racismo estrutural mais mais generalizante do século XIX então tem o texto é do Breno Sabino sobre sobre a questão do racismo etnografia e políticas indígenas tem o texto da Rita Santos que é que ela vai pensar a questão de como que os Indígenas indígenas entram na memória Nacional através das coleções etnográficas
né E tudo que isso carrega em termos de visão de associação dos indígenas apenas da sociedade primitivas e é um determinado do estudo da Isabel sobre o discurso civilizatório do século 19 dos indígenas que se fala muito no discurso civilizatório no século 19 mas fala-se pouco dos indígenas Então ela traz um pouco a bala aí e tem um capítulo também Nessa primeira parte escrito por mim e pela professora Maria Regina Celestino de Almeida que tenta dar um desenho geral eu não vou falar muito das outras duas partes porque os colegas vão falar a gente combinou
de qualquer forma eu só saliento que a segunda parte fala sobre sobre guerras e fronteiras E aí a gente mostra um país que não está completamente conquistado né é um país que está se formando como nação mas que continua constante territorialmente Entrando em guerra com outras Nações entrando em guerra com povos indígenas de vários capítulos interessantíssimos nessa segunda parte e aí nesse capítulo a questão da violência também aparece de modo muito claro né é uma é uma coisa importante né E tem nessa parte né a Carina tem um capítulo né que ela vai falar um
pouco do trabalho dela dos animais colegas mas aí vai desde as guerras das Fronteiras no processo de independência até a guerra do Paraguai Com a presença indígena né e na terceira parte a gente trabalhou três temáticas fundamentais Terra trabalho e participação política nessa terceira parte tem os trabalhos aí da Mariana do João Paulo mas antes de falar da Mariana João Paulo eu cometi uma gata que esqueci de dizer que o trabalho da Tatiana tá na segunda parte e que a Tatiana mostra justamente aquela aquela fronteira agrícola interna né da Nação Conquistando terras indígenas e passando
por cima de direitos indígenas mas ela chega nesse ponto na hora da fala dela mas indo para terceira parte que eu acho uma parte também muito importante a gente trabalha com questões fundamentais para os indígenas que a terra trabalho e participação política e aí o universo é muito grande né Aí você tem Desde da reprodução da escravidão ilegal de indígena que é visto pelo machucou um capítulo Escrito sobre ele até o capítulo da Mariana e do João Paulo que estão aqui que mostra indígenas que estão em condições de participar politicamente do processo político com todas
as dificuldades e mas com mais elementos aí para participar então para finalizar né assim a minha intervenção rápida que é um livro que eu gosto muito e que finaliza né com uma homenagem né a gente fez uma homenagem uma homenagem historiográfica Ao deputado federal Mário juruna né e quem escreveu o capítulo sobre essa homenagem né que é uma biografia política né É o João assenso e é uma e quando eu olho esse livro como uma das organizadoras eu vejo uma coisa muito interessante nesse livro que são é um livro que reúne pesquisadores em diferentes momentos
da sua trajetória acadêmica então nós temos desde o professor João Pacheco de Oliveira do Museu Nacional que tem mais de 80 teses De dissertações orientados que é uma pessoa digamos assim ao Mega pesquisador de história indígena de antropologista né no Brasil até o João aceso e o Breno Sabino que são os mais jovens né que defenderam as teses ano passado né o João aceso inclusive ganhou o prêmio de melhor tese de doutorado no passado pela cáps da área de história né então eu acho que é uma é um grupo de pesquisadores eclético né no sentido
de diferente momentos na trajetória com Diferentes problemas de estudo e é um livro também que está muito longe de esgotar o conjunto complexo de questões que a questão indígena proponha a nossa reflexão ao longo do século 19 mas a gente quis fazer um apanhado significativo e nesse sentido o leitor ele vai poder conhecer um pouco do que acontecia com indígena por exemplo no sul né No que hoje é o Rio Grande do Sul né Por exemplo vai poder conhecer um pouco do que tá acontecendo em Pernambuco Alagoas vai poder conhecer um pouco que tá acontecendo
na Bahia e no Espírito Santo um pouco em São Paulo e Santa Catarina um pouco no Amazonas né parar e Amazonas quer dizer então não fica restrito a ideia no Rio de Janeiro né também a gente vai narrar um pouco Enfim então a gente a gente não conseguiu esgotar mas a gente conseguiu trazer uma palheta com cores e experiências indígenas e muito diversificado e para concluir mesmo né Para ficar dentro dos meus 15 minutos de fala eu diria que é um livro que depois quando você estiver oportunidade de ver a capa do livro A capa
é feita por um artista indígena jovem que é o Cadu né é o Cadu Santos e ele é do movimento do futurismo indígena né porque é um movimento artístico que justamente diz o seguinte Olha nós estamos aqui nós vivemos e somos povos do futuro não somos povos do passado povos de museus só nós estamos aqui Estamos na luta somos povos do Futuro Então nesse sentido nosso livro é isso a gente pensa a história não para colocar os indígenas enterrados no passado morto e sem significado não é um trabalho é um livro que pensa a história
dos indígenas porque eles são povos do presente futuro desse país e assim que a gente deveria vê-los porque assim que eles querem ser vistos né Então essa ideia que graçou durante a administração bolsonaro de que os povos da Idade da Pedra tem que Acabar isso é uma ideia antiquada Isso é uma ideia racista Isso é uma ideia que era comum no século 19 e até boa parte do século 20 mais que o tempo academia a gente sobretudo os próprios indígenas têm questionando a pertinência desse dessa fala né então se queremos pensar o Centenário do Brasil
precisamos pensar nesse Brasil plural e colorido que os povos indígenas trazem para gente então eu fico por aqui e agradeço a oportunidade né que o grupo De pesquisa aí está nos dando né porque os indígenas eles reclamam esse lugar de memória hipertecimento que é a temática que vocês trabalham eu espero que a gente possa contribuir um pouco aí para o debate de discussão muito obrigada Muito obrigado professora Vânia essa belíssima apresentação Inicial né do livro e por essa perspectiva que projeta justamente o nosso olhar sobre como Nós precisamos superar né os estereótipos e isso exige
um trabalho contínuo que vocês estão nos oferecendo com os diferentes as diferentes facetas presentes nos Capítulos deste livro aliás fico contente de saber né que é a CRV aqui em Curitiba Onde estou nesse momento né que é editora deste livro e que também tem feito edições né de tantos livros nas nossas áreas diversas né diversas áreas inclusive aqui na bioética na teologia na ciência da Religião tem feito muitos trabalhos e na história na psicologia Enfim uma editora jovem né É como editorial mas que se projetou pelo Brasil inteiro e portanto Olha aí a capa do
livro imagem que nós temos aí da ilustração do Cadu Santos né sobre esse Esses povos que são do futuro não do passado e muito interessante o selo da editora CRV povos indígenas Independência e muitas histórias e aqui nós estamos Conversando justamente com os organizadores deste da Alice no livro Vamos então passar agora a fala então agradecendo a professora Vânia a Karina Moreira Ribeiro da Silva e Melo né que está aqui conosco e vai continuar essa conversa ela que é mestre Bacharel história pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul Doutor em história pela Unicamp professora
de junta da Universidade Estadual de Pernambuco membro da gestão da Associação Nacional de pesquisa de história de Pernambuco e do GT de história indígena vinculado Associação Nacional de pesquisa em História Brasil e que a autora de livros capítulos e artigos sobre a história indígena no período colonial e Imperial então Karina prazer encontrá-la você é a palavra também Boa tarde a todas a todos um prazer enorme encontrá-los novamente Cumprimento todos os meus colegas aqui ao professor Márcio Fernandes que tenho a grata satisfação de encontrar novamente a professora Marina massini também né a convite de vocês e
da querida Eliane Fleck que acompanha a nossa trajetória já há um tempão organizou uma um evento junto ao yea estávamos eu e Fernando Esposito foi um evento muito interessante Então é um prazer estar aqui novamente Integrando esse espaço né no yea da USP que é tão importante para a gente divulgar as nossas pesquisas e conversar sobre o que a gente tem feito compartilha também com todos e todos vocês a minha satisfação a minha enorme alegria né de fazer parte da organização desse livro a liderança aí da nossa cacífica E dos nossos colegas Mariana João Paulo
Peixoto e Tatiana Gonçalves bom eu vou falar um pouquinho sobre a segunda parte desse Livro mas antes eu quero fazer um comentário ainda é sobre algo que se refere a primeira parte eu vejo também nesse livro Uma um esforço eu acho que em certa medida um esforço bem sucedido de dialogar é sobre a temática indígena para além das fronteiras nacionais né embora a gente esteja falando aí do evento da Independência a gente está fazendo é um esforço de trazer uma de usar as histórias indígenas para falar De uma perspectiva um pouco transnacional então nessa parte
dos diálogos né quando nós conversamos então com os nossos colegas mexicanos isso também é muito importante porque como a professora Marina disse olha Esse é um livro né que seria muito bom se todos os brasileiros tivessem Na Sua Estante né Eu acho que essa parte do diálogos e esse exercício de conversar com pesquisadores de outros locais Também é tem a ver com isso porque todo brasileiro inclusive os nossos especialistas deveriam Talvez assim parar um pouco de ver o Brasil como algo sempre à parte né na história da América Latina porque a gente vê nessa parte
do Diálogo que as histórias dos indígenas em diversos lugares da América Latina elas unem né há vários pontos em comum dessas histórias que os indígenas Compartilharam durante esse processo de formação dos estados nacionais no Brasil e em outros lugares né inclusive o México né que tá conectado à América do Norte mas tem toda essa conexão né com a América Latina também e sobre a segunda parte que temos vários Tatiana e eu né que fazemos parte da organização do livro A gente integra né os nossos capítulos integram essa segunda parte do nosso livro Deixou localizar aqui
as minhas anotações que falam das Guerras e das Fronteiras então eu vou aqui citar um pouco que eu acho que é interessante né a gente falar o nome assim dos autores a Vânia fez isso de uma maneira um pouco rápida mas eu também quero fazer essa parte sobre guerras e fronteiras abre com o capítulo do Lúcio Tadeu nota me lembro assim né de ler esse autor Na graduação então é muito interessante né Que ele compõe um livro que a gente está organizando agora né E que as temáticas de pesquisa dele sejam assim relevantes né pertinentes
para a gente entender a formação desses Estados então ele tá falando sobre a expedição de conquista de Guarapuava e os caingangue é justamente né na região do Paraná que é uma região também assim bastante Por justabelecimento das Fronteiras Nesse contexto Foi bastante violento né então a gente abre essa parte com Capítulo do Lúcio Tadeu Mota a seguir vem o meu Capítulo né evidentemente eu posso falar um pouquinho mais sobre ele cuidando também do tempo aqui para não me exceder mas foi um exercício muito interessante particularmente para mim como autor né do capítulo retomar Artigos capítulos
que eu tinha escrito durante o mestrado e durante o doutorado para compor esse capítulo então vejam que interessante né eu consegui conectar temáticas que fizeram parte tanto da minha pesquisa de Mestrado quanto da minha pesquisa de doutorado e meu recorte temporal foi de 1810 até 1845 Lembrando que 1810 é o ano da revolução de Maio né é um dos eventos que marcam esse processo aí ao menos acho que podemos dizer que faz parte da parte Inicial né de independência da Argentina a evolução de maio de 1810 então eu começo com esse evento que é tão
importante para configuração das Fronteiras no Brasil mas que está né na fronteira Platina né e de 1810 como vai até 1845 a gente passa pelo momento da Independência do Brasil né E aí eu uso uma conflito né bélico que marca um pouco esse contexto que a batalha em pó para marcar década de 1820 e a gente consegue Continuar nstrando o quanto os indígenas estavam presentes e ativos ao longo de todo esse recorte quer dizer no processo de independência da Argentina no processo de independência do Brasil né tomando como base a região Platina né mas eles
estão participando de todos esses movimentos e da Revolução Farroupilha né que foi uma uma conhecida como Revolução Farroupilha né mas que Foi uma revolta A gente pode chamar assim que durou 10 anos né ela foi de 1835 até 1845 e a atividade dos indígenas durante a Farroupilha é muito marcante né Lembrando que a Farroupilha também é um dos ícones identitários né É no Rio Grande do Sul e durante muito tempo os indígenas permaneceram simplesmente a parte né das narrativas em geral mas também das análises historiográficas sobre esse período então é Interessante que a gente consiga
trazer né todas essas fronteiras uma fronteira é no Paraná com Capítulo do Lúcio Tadeu né depois no Rio Grande do Sul a gente tem também né questões sobre Fronteira no capítulo do professor Ricardo Pinto de Medeiros que ele escreve em parceria com demétriosberg e é sobre a cartografia Histórica de etnias e aldeamentos nos Sertões né nos Sertões no plural vejam que bacana isso de Pernambuco Paraíba e Ceará no século 19 Lembrando que o professor Ricardo e tem uma experiência muito grande né que atrela esse a confecção de mapas né Aos referenciais historiográficos a seguir a
gente tem o capítulo da iala Oliveira Silva que é sobre parametrização na fronteira agrícola do Sul da Bahia 8 cientista né e acho que uma coisa que acabam indo todos esses capítulos né agora Tomando como aporte o capítulo da Ayala é que ela também né vai contar para gente como né ela vai demonstrar como durante tanto tempo se falou de uma região tão importante dentro da Bahia que é uma região de Fronteira também que é uma região cacaueira né como se falou dessa Fronteira como se falou do cacau como se falou dos coronéis né e
dos padrões do cacau sem se falar das populações indígenas né E que são não é um grupo étnico apenas são são quatro né ela tá trabalhando com os Camacan com os pataxó com os botocudo e com os mongoió né então eu achei assim ali esse capítulo da iala e achei muito interessante naquela trouxesse quatro parcialidades na éticas para falar de uma fronteira agrícola dentro da Bahia que a fronteira sul da Bahia e bom aí a seguir a gente tem o capítulo da Tatiana mas eu acho que que né vou Deixar aqui evidentemente vou deixar aqui
ela mesmo fale sobre o seu capítulo acho que assim por último posso comentar sobre o capítulo do Pablo antunha Barbosa ainda nessa parte 2 né sobre guerras e fronteiras ele tá falando sobre os episódios históricos do processo de formação da fronteira entre o Brasil e o Paraguai então é como a Vânia falou a gente né não esgota todas as regiões evidentemente todas as especialidades indígenas dentro de um Mapa que é tão grande naquela época nem tava definido direito a gente não esgota mas vejam que a gente consegue né falar de vários lugares Paraíba Ceará Pernambuco
Rio Grande do Sul Paraná e aí vem o Pablo falando um pouco dessa Fronteira né Brasil Paraguai pegando o Mato Grosso Mato Grosso do Sul um capítulo muito interessante porque através desses conflitos pessoal os indígenas assim eu acho que os autores conseguiram né deixar muito Claro para o leitor que os indígenas também seja como soldados né seja como Trabalhadores em áreas rurais eles integram os mundos do trabalho né Isso tá muito presente nesse capítulo do Pablo é porque ele tá dizendo um pouco né sobre como o avanço do capitalismo na segunda metade do século 19
que é marcado pela guerra do Paraguai tem a ver né com a colaboração e a não colaboração dos indígenas em regiões de Fronteira como a do Mato Grosso E então né para não me alongar Mais acho que passa a palavra para Tatiana para falar um pouco do capítulo dela e também dos demais capítulos também professora Karina Muito obrigado né com a sua fala e apresentação né Nós vamos aprofundando este gosto pelo livro que vocês organizaram e sublime isso né como é interessante esse exercício de habitar as fronteiras como você demarcava habitar fronteiras não significa Pacificá-las
né na verdade tem lá os conflitos né tem na guerra tem lá as lutas né e tem o exercício também do não silenciamento muito interessante você sempre sublinhando esta vocês como grupo né a presença a participação ativa dos indígenas né então muito obrigado pela sua apresentação né e vou lembrar disso que a gente tem que habitar as fronteiras para poder olhar como pertencer como pertencer sem Habitar fronteiras sem estabelecer também olhar para os conflitos olhar para quem constitui determinadas coisas para quem foi invisibilizado em determinadas movimentos então agora passo a continuação né do nosso simpósio
das nossas palavras aqui diálogos para a Tatiana Gonçalves de Oliveira que é graduada em história pela Universidade Federal de Viçosa mestre história pela Universidade Federal de Juiz de Fora e Doutora em história pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro atualmente a professora de junto e coordenadora do curso de licenciatura e história da Universidade Estadual do Piauí tem interesse na história dos povos indígenas no Brasil especialmente a partir da problemática da Terra e do trabalho é coordenadora do núcleo de pesquisa e estudo em História territorialidades e movimentos sociais Membro do grupo de pesquisa Canindé história
dos Sertões do Piauí colonial e Imperial e do GT os índios na história da Associação Nacional de pesquisa em História nacional e da sessão Piauí bem-vinda Professora Tatiana com você a palavra por favor Obrigada Márcio quem eu agradeço o espaço né na pessoa de quem agradece o espaço para a gente poder estar aqui conversando um pouquinho sobre essa obra como Vânia colocou né uma obra coletiva É que a gente considera um trabalho já nasce como referência né E aqui cumprimentados meus colegas e as minhas colegas e agradecer né por essa oportunidade como jovem pesquisadora não
tão jovem na idade mas na trajetória acadêmica né de poder estar compartilhando a escrita né de um livro organização de um livro dessa densidade bom como Karina disse né Eu escrevi um capítulo na parte 2 né que trabalha com essas duas Categorias de guerra e fronteiras a Karina fez uma explanação muito boa né tentando aí sintetizar com essas categorias são pensadas no sentido de pensar a expansão né dessas fronteiras processo de das políticas indigenistas e as políticas indígenas o meu Capítulo ele se intitula política indigenistas elites locais expansão da fronteira agrícola sobre o Espírito Santo
8 cientista no recorte de 1845 a 1860 bom Como foco desse dessa parte né o meu Capítulo dialoga muito com essa discussão que a gente tem feito no sentido de pensar a instrumentalização dessa política indigenista no contexto de expansão das fronteiras agrícolas né particularmente o Sul do Espírito Santo que é onde o foco análise era uma fronteira antiga né de expansão cafeeira já na segunda metade do século XIX Nesse contexto né de 1845 de retomada Regulamento das Missões de 1845 e reestrutura né a política Engenharia no império a gente tem as criações das diretorias Gerais
[Música] o diretor-geral de índio nas províncias no Espírito Santo é a gente tem trabalha com a data de criação dessa diretoria é a partir do ano de 1848 porque a gente não encontrou eu falo a gente porque fui orientando a divânia né então o meu trabalho sempre ia logo com o dela E encontrei os dados relativos à atuação do diretoria geraldinhos apenas a partir de 1848 embora né No ano do Nacional a diretoria tem sido criada em 1845 o primeiro diretor-geral de índios do Espírito Santo da província do Espírito Santo foi uma figura política muito
importante né naquela região Barão de Itapemirim né Joaquim Marcelino da Silva Lima é uma figura que vai ocupar não só o cargo de diretor-geral de índios Mas também de Vice-presidente província e eu faço uma discussão né de como esse lugar político que ele ocupa como vice-presidente província e muitas vezes substituindo o presidente da província né Foi um lugar instrumentalizado por ele porque ele é o mesmo tempo que era vice-presidente província também ocupava o cargo de diretor-geral de índios né carro que ele ocupou por 12 anos então ele ficou 12 anos nesse caso a maior parte
da documentação referente à diretoria Geral De Espírito Santo ela Abarca esse período que o barão de Itapemirim foi gestor né Então a partir do momento que o barão sai da diretoria que é 1860 a documentação ela vai se esvaziando né mas a gente ainda tem uma documentação interessante eu analiso nesse capítulo particularmente um conflito né envolvendo a criação de uma colônia né a colônia do Rio Novo nessa Fronteira Sul do Espírito Santo na região próxima hoje Não está ali Guarapari Itapemirim essa colônia já vai ser criada num território ocupado por indígenas né que se dizem
descendentes dos antigos indígenas que habitavam aquela região no antigo aldeamento né de Benevente um andamento nos seus livros e esses indígenas então inicia um conflito né com essa com esse empreendimento do Rio Novo O que é interessante nesse nesse conflito é que você tem de um lado o barão de Itapemirim que se coloca no lugar ao lado desses indígenas como tu ele ia registra inclusive esse território ocupado por esses indígenas né ele faz o registro de terras dessas terras e faz como tutor dos indígenas e remete aquela memória que eles os indígenas colocam de que
ocupavam aquelas terras desde o século 18 né então o que aquelas terras eram portanto de ocupação deles e era terras desses indígenas né do outro lado você tem um Empreendimento colonial do Rio Novo que era um empreendimento do principal né inimigo ali das famílias mais rivais do Barão do Itapemirim né ou seja do diretor-geral de que era uma família bitencou uma família Rivaldo Silva Lima né então você tem tipo uma disputa dessas elites políticas em torno desse dessa querendo envolvendo a criação dessa colônia num território indígena e aí para além de entender obviamente o barão
da permite tivesse ali do lado dos Indígenas né não é o caso porque ha aí a gente consegue documentar várias denúncias feitas feitas com tubarão como grileiro de terra naquela região né e a acusação era sempre de que ele utilizava esse esse cargo de diretor para ir se ocupando essas terras indígenas e depois grilando né então não é pensar que o barão estava ali protegendo os direitos dos indígenas por uma questão ali de interesse de benevolência não né ali é uma instrumentalização que ele fazia e a Interpretação que a gente faz é muito nesse sentido
mesmo de pensar como a pauta né A questão indígena ela perpessava né uma política local passava os interesses econômicos daquela província né estruturava uma política econômica também de avanço para aqueles territórios né em 1845 é criado uma odeamento nessa Fronteira né obviamente periol afonsino Esse aldeamento foi criado é justamente numa fronteira que era Importante para o barão de Itapemirim que tinha muitas fazendas nesse entorno em Itapemirim eram nos homens mais ricos do Espírito Santo né então se criam aldeamento onde ele tinha muito interesse econômico ao mesmo tempo cria-se próxima esse aldeamento uma outra colônia né
que é uma colônia para imigração estrangeira e inicia-se essa segunda criação dessa Colônia do Rio Novo que já é agora um empreendimento que coloca em oposição Essas elites locais e esses indígenas o discurso do vou me alongar muito aqui mas de modo geral o discurso que justifica a manutenção da terra indígena né pelo Barão é de que aquela território era historicamente ocupado por esses indígenas e portanto eles tinham direito ali que não eram direito originário né eles recorrem a concessão de uma sesmaria né que foi dada a eles no contexto de criação da Vila né
de Benevente eles retomam essa essa memória né mas eles relembram que eles são descendentes desse eles falam isso nós somos descendentes desses indígenas portanto temos direito do outro lado né os advogados da Colônia do Rio Novo vão argumentar que aqueles indígenas Já não são mais indígenas né E aí eu discurso do apagamento dessas identidade já estão misturados e usam todo tipo de subterfúgio para burlar os direitos indígenas E isso e esse e essa que ela vai ser documentada em vários jornais do Espírito Santo e também do Rio de Janeiro né então retomam isso e no
final infelizmente os indígenas como a gente vê no processo histórico eles perdem essa batalha aí e a coluna do Rio Novo consegue manter a compra desse território feito a junto ao Industrial Império né e manter a criação da Colônia do Rio Novo né em sete territórios e esses indígenas ficam ali como posseiros No seu território então é o meu Capítulo dialoga muito com os outros capítulos no sentido de pensar aquilo que colocou Karina já também contou de que no fim na segunda metade do século XIX né com a lei de terras com a o regulamento
das Missões de 1845 há uma política né de propriação dos territórios indígenas que tá ligado a expansão dessas fronteiras né e não é não é uma política que não é uma política que entende as terras coletivas como terras que devem ser Mantidas né uma política de individualização dessas terras e obviamente isso implica né em criar aldeamentos ou extinguir aldeamentos e criar colônias e usar os indígenas como mão de obra essas elites locais elas tinham todo o interesse em usurpar essas mão de obra né obviamente os indígenas resistiram como a gente coloca nos Capítulos eu vou
encerrar minha fala por aqui para não me alongar muito e agradecer Muito obrigado né E tem impressão que o livro já nos introduz né Cada cada segmento aí você falando das políticas individistas explorando isso do ponto de vista da documentação Mas também de como o discurso os discursos de justificação da ocupação servem a justificar o apagamento dessas identidades né como você sublinhou e o quanto a discussão política em torno de um determinado período como você faz né Essa delimitação Histórica de mil 1845 1860 é permite entender o movimento né do Poder o poder desses coronéis
locais destes agentes locais diretores geral geral de indígenas né que é o que promove né e o que que nós precisamos saber também nos discursos que hoje né inclusive passam a utilizar discursos né narrativas formuladas né para justificar a ocupação ou não a suspensão não daquele Território direito aquele território não né Muito obrigado e vou agora passar né a palavra continuidade da nossa discussão da nossa exposição do livro para o João Paulo deixou tu gosta professor do Instituto Federal do Piauí no Campus Uruçuí do mestrado profissional em ensino de história da Universidade Estadual do Piauí
Parnaíba e do programa de pós-graduação interdisciplinar em Sociedade cultura da Universidade Estadual do Piauí em Teresina é que ele fez faz estágio pós-doutoral na Universidade Federal do Piauí sobre a supervisão do professor Johnny Santana de Araújo se pronuncio bem Johnny né E o João Paulo é doutoria história social da Universidade Estadual de Campinas com tese ganhador em 2019 do prêmio sobre tese dissertações pelo Centenário da Independência pela biblioteca brasiliana guita e José E mestre história do Brasil pela Universidade Federal do Piauí graduado em história pela Universidade Federal do Ceará é bolsista do programa nacional de
apoio a pesquisa da Fundação Biblioteca Nacional é vice coordenador do GT povos indígenas na história da Associação Nacional de pesquisa em História compõem a coordenação do projeto Vip Vilas indígenas pombalinas é membro da Sociedade de estudos do Brasil 8 cientista da Universidade Federal do Ceará pesquisa a atuação de vereadores e juízes indígenas nas câmaras municipais de vilas e índios no Ceará durante a independência do Brasil obrigado obrigado Tatiana Vânia Mariana eu quero conversar dizendo que para mim é uma alegria é uma honra gigantesca tá aqui se organizador e estar junto de gente tão querida e
tão importante né importante para mim mais Importante para historiografia também né também quero falar que esse livro é dedicado ao nosso querido e saudoso de um Manuel Monteiro a gente começa o livro dedicando esse trabalho a ele é o mestre de todos nós é a pessoa que trouxe essa temática de forma muito forte muito marcada para historiografia aqui a gente só tem a agradecer né e tentar seguir também né lembrando dele Seguir os nossos passos né Eu também queria pontuar e É bom deixar isso claro que esse livro tá longe de encerrar a discussão né
ele avança muito ele é bastante heterogêneo nas temáticas nas regiões que trabalha mas tem muita coisa para se fazer e talvez esse seja um dos grandes pontos fortes do livro né ou seja o trabalho tá só começando acho tá realmente só no início lembrando por exemplo de regiões que não foram trabalhadas né Como por exemplo o Piauí Que não tá no livro né porque o Piauí de onde eu falo a partir de onde eu falo o Piauí que é um estado que praticamente não tem o historiografia sobre os indígenas a Tatiana minha vizinha que tá
aqui comigo aqui em Teresina sabe bem disso e principalmente para o 19 né na verdade o que se construiu de forma muito tradicional aqui é que os povos indígenas teriam se distintos no início do século no início dos 800 Consequentemente não havia muito que se falar sobre pessoas que nem existiam mais o que já está já estariam misturadas né então é tudo por se fazer né pelo menos aqui né e em outros lugares também a ter a ser percorrida é bem grande eu também vou falar um pouquinho sobre a parte 3 né A Mariana vai
dar continuidade também a descrição e a reflexão sobre essa parte né mas eu considero que os temas que são tratados aqui Terra trabalho participação Política se a gente Para para pensar são temas fundantes do Estado Nacional Brasileiro todos eles só que E aí é que tá não podem ser refletido sem a participação indígena participação e o protagonismo dos povos indígenas Como é o que vinha sendo feito até então né E daí a importância do nosso subtítulo que particularmente eu não lembro quem dele eu acho que foi a Vânia que teve essa ideia né mas eu
acho Brilhante né é o título é povos indígenas independentes e muitas histórias Oi Vânia Karina brilhante cara brilhante brilhante porque porque não dá para pensar e repensar os povos indígenas sem Aliás não dá para pensar repensar o Brasil no século xixi aos povos indígenas é isso que a gente vem concluindo cada vez mais né de um tempo para cá a gente vem organizando a gente vem organizando Tá aqui no outro quadro a gente vem organizando simpósios né grupo de ref lexão eu já Tatiana a gente organizou um doce de revista né na outros tempos eu
e Mariana a gente tem bastante temáticas reunindo muitas pessoas que vem trabalhando com os povos indígenas no século 19 e isso vem ficando cada vez mais Evidente para nós Evidente tanto o quanto que a historiografia sobre os 800 não conhece essa temática mas o quanto Ela é fundamental para conhecer para compreender os próprios 800 né sobre o meu artigo especificamente eu tive alegria de dividi-lo com o meu querido Francisco cancela lá da Bahia né e coincidentemente foi muito interessante isso né eu tive a ideia de trabalhar com esse tema os vereadores indígenas as câmaras municipais
e descobri um apresentação do cancela sobre isso falando da Bahia e ninguém Tinha combinado nada né E aí falando né Falei com ele cara vamos trabalhar junto né E daí para frente a gente vem sempre dialogando e escrevendo juntos esse texto Eu trabalho com ele já alguns anos acho que mais ou menos logo depois da defesa da tese né que foi em 2016 E pensei nisso compartilhei o meu interesse com Vânia que também acho que gostou né Vânia do tema que me veio a mente E desde 2021 me dedicando Especificamente a participação desses vereadores atuação
desses vereadores do contexto da Independência no processo de independência do Brasil e eu adoro é um tema que eu adoro por alguns motivos né primeiro porque eu adoro ver a cara de surpresa das pessoas que eu não falo sobre isso né chegar nos arquivos e olha eu tô procurando sobre isso eu tô pesquisando isso aí as pessoas nunca ouviram falar né sobre nada parecido né indígenas como vereadores indígenas Atuando em câmaras municipais câmaras municipais em Vila de onde vem essa surpresa eu acho que primeiro pensar em cultura política indígena já não é lá muito comum
pensar numa cultura administrativa e não cultura escrita em períodos mais recuados da nossa história é para muita gente acho que para grande maioria das pessoas e do Meio acadêmico inclusive é uma baita de uma novidade o que eu acho que não Deveria ser né Parando para pensar um minutinho nem faz muito sentido né e pegando só essa questão da cultura escrita do trabalho escrito bom se a gente remete O tempo das Missões né e o letramento já era proposto gera imposto melhor né imposto aos indígenas então desde aquele tempo se escrevia e o diretório né
o diretório dos índios que é provocado em meados do século 18 mas que isso é interessante e agora fala como professor Do ensino básico professor do ensino médio há uma historiografia enorme gigantesca sobre o diretório mas o diretório se quer aparece no livro didático e não é um historiografia recente de ontem e o livro didático tem esse delay Ou pelo menos a grande maioria das coleções né o novo PNLD que é um desastre completo dessa coisa horrorosa que é o novo ensino médio reproduz segue adiante com essa ignorância a respeito do diretório e Tati a
respeito também do regulamento das Missões né então século 19 e os indígenas no século XIX são ilustres desconhecidos dos livros didático o que me lembre inclusive aquele texto do John né o escravo indígena esse desconhecido Então os indígenas do século XIX também são ilustres desconhecidos aliás até agora né A partir de agora não tem acho que mais desculpa para ser né e outra questão que eu acho que vem muito que explica muito a surpresa das pessoas Essa desassociação entre indígenas e povos indígenas e grandes eventos políticos e isso era uma coisa que me martelava muito
desde a tese na tese Eu já trabalhei com isso a partir de outras perspectivas né mas no campo militar a partir do campo da legislação e agora a partir do campo político administrativo parece ser inusitado né E digo isso a baseado no que a gente vem acompanhando de produção e discussões sobre a Independência do Brasil desde 2021 parece suar muito estranho indígenas acompanhando processos como a evolução do porto as cortes de Lisboa a independência e tudo que envolvia Rio de Janeiro Lisboa e as capitais proviciais eu acho que a gente pode aplicar isso para outras
situações ao longo do século XIX né Carina citou o exemplo da Farroupilha mas E por que não pensar em outras coisas como sei lá golpe da maioridade a própria guerra do Paraguai Ou lá na frente a proclamação da república eu tô falando aqui de cabeça pensando se é se realmente há ou quanto que há de reflexão e produções historiográficas sobre esses temas alguns não sabemos bem que tem né o caso da guerra do Paraguai proclamação da república o evento proclamação da república eu assumo que desconheço e sobre a independência era isso né e de onde
isso vem algo que eu me Pergunto a Mariana nossa querida Mariana que está aqui ela tem um texto excelente Fantástico que onde ela tenta destrinchar a partir da historiografia né historiografia mais fundante do século desde o século XIX entra no século 20 que fundou uma história do Brasil sem indígenas que não passava pelos indígenas onde eles estavam longe de serem fundamentais para qualquer esforço explicativo mas eu acho que a gente pode inclusive Ir para trás né e falo isso pensando naquilo que era produzido no âmbito das vilas já não mais de índios a partir da
década de 1830 o Brasil já inicia inferiorizando essa população que até então claro que sempre foi inferiorizado mas pelo menos tinha cargos políticos os cargos das câmaras municipais que foram criados a partir do diretório mas com a formação do Estado Nacional isso tende a se acabar e a Inferiorização dos povos indígenas se transforma se formam em base lá para o estado brasileiro sendo assim eu tento mostrar coisas que o esquecimento produzido quis apagar mas as fontes não são tão raras assim né Muito pelo contrário né às vezes são até impressionantemente fartas e eu leio a
documentação e me perguntando como é que não viram isso antes como é que não pensaram nisso antes indígenas que não Só o que não que estavam bem distante estaria alheios sabiam que estava acontecendo acompanhavam o processo e buscavam viabilizar projetos não pelo boca a boca Apenas não apenas por revoltas ou por recrutamento militar aí tudo isso também mas também pela Via administrativa na condição de Vereadores de Juízes ou mesmo coletivamente encontrando nas câmaras municipais dessas Vilas que continuavam com Diretório vigente pelo menos na região que vai dar do Piauí a Bahia pelo que a gente
entende e que continuavam atuando nessas câmaras para fechar a minha reflexão eu tento aí E outra coisa também só para antes de ir para o fechamento né eu falava da documentação também surpreende né algumas pessoas né colegas meus que me perguntavam mas tem atas de câmara alguns tem demais como a câmara de Messejana tem todos os livros ou seja Cobrindo toda a vigência do diretório Messejana desde meados do século 18 outros a gente vai encontrando por aí né Eu tava com a Vânia no Rio e nessa oportunidade a gente viu no rio eu tinha acabado
de encontrar o livro de uma câmara né da Vila de arrochas que hoje é o bairro da Parangaba em Fortaleza e que ninguém nunca tinha ouvido falar que existia que esse livro existia né E estava aí na Biblioteca Nacional e não era descrito no guia de fontes como um Livro de uma câmara de uma vida de índice né seja um problema nos próprios arquivos e que remete a formação arquivística e história histórica que a gente tem E aí para fechar me pergunto sobre o esquecimento desse tema específico né ainda partindo da surpresa que ele provoca
porque aparentemente ele foi esquecido mesmo né nós tivemos a honra de entrevistar ovelha né que agora tá na Secretaria de Saúde indígena e a época o vereador em Caucaia eu perguntei para ele eu precisava perguntar para ele né o povo tapeba sabe que os seus antepassados foram vereadores na vila de Soure que hoje é cidade de Caucaia e ele me falou que o seu povo nunca tinha ouvido falar disso que para todos os efeitos ele foi o primeiro Vereador indígena de calcário [Música] e a própria memória Municipal se a gente entra na Wikipédia ou no
site das câmeras dessas cidades Do Ceará e Fortaleza que a marca dos ingredientes Não há nada a respeito esse esse esquecimento foi produzido eu levo a crer tudo isso me leva a crer que esse esquecimento foi produzido Então esse bom momento e produzido com a formação do Estado Nacional Estado Nacional inferiorizou e abertamente propositadamente Como projeto esqueceu o protagonismo negligenciou a memória sobre o Protagonismo dos povos indígenas na construção desse mesmo estado e a Vânia falou muito bem a gente tá vivendo um momento muito bem fazer né muito positivo então aquilo que foi esquecido eu
acho que eu não lembro Carlos Drummond de Andrade né que diz que a função do Historiador você é teimoso né e lembrar daquilo que insistiram em esquecer né a gente tá aqui para não deixar que a gente esqueça dessas coisas gente agradeço muito obrigado Professor Paulo João Paulo [Música] brilhante a sua exposição nessa terceira parte do livro me fez lembrar justamente numa ocasião em que [Música] e Roma o Povo Inteiro apresentava um livro dele na universidade pela Sapiência história memória e esquecimento Então Esse esse conjunto de temas né ele fazia uma síntese naquele momento do
livro dele que posteriormente ser publicado Mas como você mostra para a gente aqui né coisas assim né entre ignorâncias o estupor de não saber o estupor né quando você revela né que existiu câmeras de vereadores e a participação no viés administrativo e da participação em grandes eventos políticos dos indígenas o estupor que isso causa quando se revela Na própria pesquisa né quando você vê uma documentação que traz relata né e esta coisa nunca ouvimos falar disso nunca ouvimos falar desta expressão que você utilizou né que revela esse esquecimento e para repensar precisa agora justamente acordar
Tudo isso que a gente que vocês estão nos revelando nestas pesquisas acho que muito interessante guardar esse esse essa intensidade com que vocês estão Revelando algo que não é do passado realmente Como dizia a professora Vânia né é algo que dizendo assim Esses povos estão presentes mas quando se revela esse passado fica muito vibrante quanto ainda tem que se fazer e como você sublinhou mesmo esse livro pontua algumas coisas e tem o caminho de continuidades né Tem muita coisa que nós vamos que vocês né em particular vão realizar nesse caminho Muito obrigado Pelas suas considerações
aqui e eu passo então a palavra agora a Mariana Albuquerque Dantas que a professora do departamento de história da Universidade Federal Rural de Pernambuco e que tem mestrado e doutorado em história pela Universidade Federal Fluminense a tese dela foi premiada em 2015 pelo Arquivo Nacional sendo publicado em 2018 com título dimensões da participação política indígena Estado Nacional e Revoltas em Pernambuco e Alagoas 1817 1848 é professora Mariana faz parte da coordenação do GT índios na história da Associação Nacional de pesquisa em História Brasil biênio 2021/2023 atualmente desenvolve pesquisa sobre a participação política indígena na formação
do Estado Nacional Brasileiro e disputas fundiárias em torno de aldeamentos ao longo do século XIX professora Mariana bem-vinda prazer Reencontrá-la a palavra é sua por favor Obrigada Márcio Boa tarde a todas todas e todos é uma felicidade tá aqui compartilhando esse momento esse espaço com você Márcio com a Marina né a quem eu agradeço pelo convite né pela generosidade pelo acolhimento de nos receber aqui para o lançamento do nosso livro né Um momento tão importante tão brilhante né para trajetória de um livro lançamento E vocês foram muito generosas né em Trazer em dar esse espaço
para o nosso grupo agradecer também a professora Eliane Fleck que não pode estar aqui hoje mas que é uma grande parceira também uma grande amiga que vem acompanhando vendendo né conosco Então acho que tá aqui junto com vocês né do grupo de pesquisa tempo memória pertencimento é uma grande oportunidade de fazer bons diálogos e na estabelecer novas metas de trabalho novas questões porque os diálogos aqui com vocês sempre Provocam eh novos pontos de pesquisa né eu queria também agradecer ao pessoal que tá apoiando que tá ajudando a gente aí na parte técnica não só hoje
mas são pessoas que estão apoiando já aí a semanas né com a Cláudia Pereira que tá né assim muita agilidade criando o link fazendo colocando todas as informações né a Cláudia foi fenomenal para organização aqui do nosso evento e assim também como eu tô vendo aqui o Jorge e viu Acho que o Jorge também tava naquela Outra Nossa atividade né comigo e com a Vânia aqui então Agradeço aos dois também aí da parte da equipe técnica do eu vou falar um pouquinho também sobre a parte 3 né do nosso livro complementando algumas alguns pontos que
o João Paulo trouxe e reforçando outros né a gente foi convidando os colegas em função das contribuições do acumulado de pesquisa e formação de conhecimento histórico e ao longo né do mais de um ano de preparação da coletânea a gente Foi agrupando arbitrariamente os trabalhos dos colegas né Então essas essas três partes mais as entrevistas as homenagens elas foram montadas sendo montadas a medida que a gente passou esse ano conversando entre nós né e conversando com os colegas também então é muito interessante ver a Tatiana falando de novo né Karina falando dos próprios trabalhos dos
colegas porque facilmente era possível misturar a parte 2 com a parte né de guerras e fronteiras Com terra trabalho e participação política facilmente né os trabalhos das duas poderia estar no terceiro os meus o meu trabalho com do João Paulo e do Francisco cancela podiam estar no segundo então a gente foi escolhendo montar o livro né de acordo com os diálogos entende mas essas três partes elas estão dialogando entre si também de maneira mais intensa né E essa terceira parte que trabalha especificamente com terra trabalho e participação política Abre contexto de João Paulo e Francisco
cancela na sequência tem o meu artigo mas depois a gente tem o artigo do André Machado sobre trabalho compulsório né no processo de independência no Pará Márcio ponto que a Vânia já falou um pouco sobre o trabalho dele né sobre a escravidão é ilegal na Amazônia na sequência a gente tem o texto da Soraia do também falando sobre terra e trabalho mas aí em São Paulo né também tratando da colonização estrangeira e aí a gente Finaliza essa parte do livro com o texto do Edson Silva é apresentando questões contemporâneas de Pernambuco né do atual estado
de Pernambuco apresentando os povos indígenas que habitam aqui o estado hoje falando de Recife então que habitam aqui o estado e o Edson Faz esse jogo que é muito comum para quem trabalha com a temática indígena na história que é de recorrer a processos passados a processos anteriores né para Compreender o presente é um momento que você tá estudando e mesmo o finalzinho do da parte 2 ainda tem o artigo do Giovani Silva e do Venâncio Pereira que fala sobre a guerra do Paraguai e é bem sintomático porque os dois escolheram um trecho de um
documento né que os indígenas afirmam que fomos nós que ganhamos o Brasil do Paraguai então participação política Fronteira disputa por terra por território ela tá São questões que estão sendo apresentadas ao longo do livro inteiro que são questões essenciais na pauta política né do movimento social indígena hoje também então assim essa terceira parte do capítulo do livro né Eu acho que é bem bem representativa e fecha com uma abordagem contemporânea trazendo pro aspectos contemporâneos e ajuda a gente a pensar o século 19 de maneira como um todo também né porque começa com o meu Capítulo
do João Paulo e do Francisco no iníciozinho do século 19 a gente vai avançando em direção ao finalzinho do século e ao século 20 né E aí no meu trabalho eu procurei apresentar algumas experiências de indígenas na participação de revoltas que aconteceram nas décadas de 1810 e 1820 então aí também há um diálogo da Carina né Por exemplo porque a gente tá trabalhando com o mesmo a mesma conjuntura política Continental e eu trabalhei com algumas aldeias eu não não me detive no estudo de uma aldeia especificamente eu trabalhei com algumas aldeias né então aqui para
citar algumas delas foram as aldeias de Águas Belas escada Atalaia Jacuípe Barreiros e simples nas quais eu tentei acompanhar as trajetórias políticas dos indígenas tentando fazer Tentando mapear uma rede de relacionamentos né então perceber Como é que os próprios indígenas articulavam suas alianças suas relações de dependência mútua e também as rivalidades né então e para esse contexto mais localizado em micro foi a metodologia fundamental para conseguir identificar né como é que esses indígenas participaram das revoltas Armadas principalmente porque já havia uma historiografia consolidada sobre as revoltas que aconteceram em Pernambuco e Alagoas na primeira metade
do século XIX em que os indígenas eram percebidos mas eram vistos dessa maneira secundária né com a qual o João Paulo e a Vânia já sinalizaram então eles estavam sempre numerosos com o ponto tropas né sendo manipulados de acordo com os interesses das elites mas era muito difícil localizar quais eram essas pessoas o que é que motivou que aqueles motivou a participar Então o meu trabalho começou A partir de uma de uma postura de desconfiança dessa historiografia que já existia né Muito consolidada é importante que avançou uma série de aspectos mas que sombreava a participação
dos indígenas né nessa região que eu estudei a maior parte dos aldeamentos estão localizadas está localizada na fronteira entre Pernambuco e Alagoas que é um local que até me ajude no século XIX era uma região de benção Mata Atlântica e era Protegida pelo tombo real porque era ali nessa região da onde se tiravam as melhores madeiras para produzir navios reais e os indígenas que viviam no entorno né O que os seus aldeamentos [Música] compostos por parte dessa mata tinha o acesso livre né a esses territórios a esses espaços e um determinado grupo foi identificado como
protetor dessas matas pelo próprio Monarca então compreender a formação dessa região né que é uma região que depois vai se consolidar com uma grande religião de produção açucareira na final do século XIX quando a fronteira agrícola né como aconteceu aí no sul do Espírito Santo que a Tatiana trabalharam para Bahia é um avanço dessa fronteira agrícola né em direção a essa região da fronteira entre Pernambuco e Alagoas é compreender essa formação histórica da região Entender a relação dos indígenas com ela ajuda a dar mais um elemento para compreender essa participação política deles né Outra outro
elemento também que ajuda a gente entender é que esses aldeamentos todos que eu estudei Eles foram ordenamentos constituídos ainda no período colonial então tavam respondendo ali uma formação ter ritorial política social Econômica de antigo regime Então essas duas questões são questões mais amplas é que ajuda que me ajudaram a entender o porquê o motivo né desses indígenas em grande parte se posicionar ao lado da repressão aos movimentos liberais tomarem um posicionamento político conservador né A gente só vai ter uma exceção a isso na Revolução paraieira de 1848 quando um pequeno grupo de indígenas liberais mas
em 17 na confederação da Equador em 24 na guerra dos Cabanos entre 32 e 35 os indígenas Vão ficar ao lado da repressão ou durante a guerra dos Cabanos apoiando Dom Pedro I e reivindicando o seu retorno ao trono né já que havia abdicado em 1831 eu tô fazendo toda essa volta porque é muito comum também na historiografia né que sobre os indígenas né que acaba tocando na participação dos indígenas em Pernambuco tachá-los né de pessoas que não compreendiam muito bem a política né como João Paulo colocou em relação ao Ceará ou seja ele se
colocam do lado dos conservadores porque foram manipulados E aí se esperava que houvesse um alinhamento dos indígenas com a pauta da Independência com a pauta né do rompimento da ordem de antigo regime da hierarquização social que é algo né Mais ou menos que acontece no Ceará que acontece no Pará que acontece em algumas regiões da Bahia em Pernambuco Alagoas a situação né o encaminhamento Vai um pouco um outro sentido e aí a gente tem Dialogado bastante né o João Paulo Francisco André Machado também então compreender esse contexto né e a conexão desses indígenas como a
monarquia Portuguesa e com esses territórios que foram formados no Antigo Regime ajuda a entender o posicionamento deles associado à construção daquela rede de relacionamento no nível mais local que ajuda a gente entender porque que eles vão apoiar um político localmente e não Outro né ajuda a dar as cores locais desses movimentos mais amplo né E aí eu queria trazer um exemplo muito rápido que foi talvez eu já tenha falado Em outro momento eu tenho apresentado Em outro momento mas a caixa ele é muito bom que é dos indígenas que eram oficiais da câmara da vila
de Atalaia eu não não conseguia aprofundar nessa pesquisa como João Paulo fez Mas eu achei muito significativo né que essa Vila que Ficava em Alagoas próxima da fronteira com Pernambuco havia indígenas como oficiais da câmara e que o apoio deles foi intensamente disputado é pelos liberais de 17 da Revolução Pernambucana e também pela repressão né pelo pelas tropas pelas políticas que estava apoiando o governo português Então os liberais né Prometeram os indígenas a liberdade das matas e isentar isentá-los de tributos e aumentar alguns outros Então veja né os revolucionários eles entendem muito bem o que
é que tocava o coração desses indígenas né então garantir a liberdade das matas era Central para tentar mobilizar o apoio deles mas isso não foi suficiente né por outro lado o Ouvidor da Comarca de Atalaia que apoiava a repressão a 17 informar os indígenas que a intenção do governo provisório era alistar os indígenas como soldados contra o rei apostar apostar-se das terras do Estado Daqueles que morressem no combate e reduzir os que escapassem a escravidão eu não consegui rastrear se essa ameaça de fato foi feita mas o fato é que essa ameaça foi suficiente para
os indígenas se colocarem ao lado da repressão de 17 se colocaram ao lado da monarquia portanto é de uma política mais conservadora e ao mesmo tempo a gente vê que mais uma vez né [Música] o que toca o que mobiliza o que aciona a Participação desses indígenas vai ser Justamente a questão do acesso coletivo as terras né e a possibilidade de gerenciar o próprio trabalho né então sentir ameaça do trabalho compulsório ou da possibilidade do trabalho escravizado era o suficiente para que ele se posicionassem do lado contrário né Eu acho assim essa situação de Atalaia
muito interessante desses exemplos e de alguns outros que eu coloco lá no capítulo que eu não vou Trazer por conta de tempo mas também para na esperança de que fiquem curiosos para ler o livro né é eu consegui fazer chegar algumas conclusões que é a percepção de que as aldeias elas eram espaços de construção e atualização política né porque essa ideia de que os indígenas se colocavam de maneira conservadora e eram fanáticos etc vai justamente contrário a ideia de que eles estavam se apropriando do debate Político estavam compreendendo dando suas próprias interpretações sobre a conjuntura
política local Regional e Nacional e a partir disso se posicionando né então A ideia é justamente romper com essa perspectiva como Marcio bem percebeu né romper com esses estereótipo né da falta de racionalidade numa escolha política e perceber ao mesmo tempo que o estado Imperial né ao longo do século XIX Não tem uma relação Tutelar com essas populações então a Tatiana sinalizou aí com o regulamento das Missões de 1845 o João Paulo com o diretório de índios de 1757 que instituíram né a figura do diretor de índios a figura do diretor do aldeamento do diretor
de província que com certeza vai alimentar a ideia do diretor de posto né mais à frente com spi com a Funai então é uma relação que o estado Imperial vai Reforçar essa relação Tutelar que é uma relação Tutelar triádica não é apenas entre estado indígenas mas tem aí a sociedade civil que entra como terceiro elemento nessa relação até lá né De acordo com a perspectiva do João Pacheco de Oliveira mas que os indígenas ao mesmo tempo vocês vão construir os seus próprios caminhos de participação de envolvimento de definição das suas estratégias e que seu próprio
futuro né de seus próprios destinos então na Primeira metade do século 19 a gente vê essa participação política intensa que vai culminar na inserção dos movimentos armados e principalmente na segunda metade do século XIX após a lei de terras né O regulamento das Missões de 45 e com a desmobilização dessas tropas né ou seja com encerramento dessas grandes guerras aqui na região os indígenas vão usar de outros instrumentos né como que já eram conhecidos Mas é que essa estratégia passa a ser reforçada na segunda metade do século XIX que é o uso de petições viagens
ao Rio de Janeiro na tentativa de falar com o imperador viagens as capitais das províncias de província então ao mesmo tempo em que o Estado está reforçando essa relação de antigo regime o estado que se pretendia moderno mas que com essas populações reforçavam uma relação de antigo regime os indígenas estavam na reconstruindo os Seus próprios caminhos de protagonismo então perceber como ele se inseririam nesses debates né e conseguiam interpretar essas mudanças ajuda a gente a perceber o estado a construção a fabricação do Estado Nacional Brasileiro a partir do ponto de vista mais complexo e mais
variado né que eu acho que essa a nossa missão com esse livro né então compreender como é que o estado brasileiro contemporâneo é esse estado complexo né Muito facetado e com a Participação incontornável das populações indígenas né então eu acho que do grupo falar que de organizadores eu a minha fala a última né dessa rodada então eu vou aproveitar para sugerir a quem tá nos assistindo que nos assistir depois que acessem né o site da editora né o livro também já tá nas plataformas virtuais para quem quiser o formato virtual para que a gente possa
receber né as sugestões críticas Observações de vocês também em outros momentos Então é isso Márcio e Marina Agradeço o espaço e fico à disposição final também dessa terceira parte do livro né e aqui está o livro para que a gente visualize para que a gente receba esse convite que a Mariana acaba de fazer e também nos deixando curiosos contando toda a história né Para podermos acessar povos indígenas Independência e muitas histórias aqui com a grata presença das Organizadoras do organizador debatendo esse livro ampliando esse debate que está presente nas páginas desse livro curioso na sua
fala Mariana esse acesso né aos documentos né Essa apresentação dos documentos e o que eles nos falam e como que uma história local particular né Tem esse essa força de ampliação complexa que diz de todo uma história diz de todo um relacionamento né então Nos extratos mais diversos desde a família comunidade a sociedade nos níveis estatais então a gente percebe que esses movimentos também dele né de uma inteligência também da parte das populações que a gente também nos foi negado porque não temos acesso a como eles atuaram né A não invisibilizados nisso né quando você
falava né dessa participação dos Indígenas que gerenciavam com medo né quer dizer Como gerenciar o trabalho e ao mesmo tempo Olha tem liberdade na mata então eu me eu dou meu apoio a tal perspectiva né mas isso tá ligado fundamentalmente a vida né a percepção de tudo aquilo que representava o universo de valores de Constituição da própria Comunidade da Auto compreensão deles e não Então todos esses E essas políticas né de tutelas ou não né enfim agora me vem uma pergunta de alguma forma né como que também um desejo né que quando encontrar o livro
de encontrar esses testemunhos encontrar as entrevistas encontrar os documentos né O que eles falam então tudo isso deixa a gente muito curioso porque tudo tão novo né então para todos né E como se dizia aqui né como que a gente pode projetar O futuro a professora Vânia Moreira dizia como que a gente pode projetar o futuro sem conhecer as raízes sem conhecer a história não se pode né então e aqui a gente vê se surpreende né com as falas de vocês quando vão insinuando os documentos no insinuando O que que está presente no debate todo
né nas três partes do livro muito bem delineadas aí no trabalho de vocês então eu também me perguntava né Mas como que o professor Né do ensino médio ou que ensina a história né pode tratar né os conhecimentos que estão ali e traduzi-los de alguma forma Como apresentar certamente pelos documentos certamente pelas entrevistas pela atualização e é isso essa preocupação também me tornar o livro e esse conhecimento que está presente no livro acessível e tornar isso efetivo nas Universidades nas escolas principalmente né Muito obrigado e Marina passa a palavra daí Quem sabe a gente volta
a perguntas a debates sobre esse caminho que elas nos indicaram aqui eles indicaram aqui muito obrigada é gratidão imensa mesmo por esse simpósio mas também por todo esse trabalho de pesquisa que vocês estão oferecendo a nós e ao Brasil né e eu só gostaria de ser quatro Pontos que imediatamente né mais Gerais né de todas as apresentações todas elas muito ricas né densas e competentes né mas quatro pontos Gerais né que me chamaram na atenção e também porque eu queria dizer que o que vocês estão fazendo ele é mente responde é um dos objetivos da
origem do nosso próprio grupo de pesquisa o tempo memória hipertecimento aqui do Instituto né então é por isso que a gente tá especialmente felizes né De poder ter esse espaço de trabalho com vocês mas também desejo de dar continuidade a essa diálogo essa colaboração né mas assim em primeiro lugar me chamou atenção alguns aspectos do método do nosso trabalho porque acho que esses aspectos ajudaram muito depois seu fruto que vocês nos apresentaram primeiro a experiência de vocês como grupo de Pesquisas né nesse sentido é muito bonito né assim a referência Própria professora Vânia né e
é o professor João Monteiro né quer dizer como foi importante é importante a presença desses Mestres e também todo o trabalho de costura que a professora Vânia também todos vocês foram fazendo né também com outras autores que não estão aqui mais que pesquisaram por esse livro acontecer né então como é importante para poder dar conta bem né Tem um trabalho particular do trabalho Histórico porque é um trabalho que mexe com vestígios Então como inevitável parcialidade né impossível reconstituir né O que já passou né dizia o Michel te acertou né totalmente Então esse trabalho de grupo
de pesquisa trabalho Comunitária é rede né de trabalho tudo é muita a constituir um Panorama o mais possível né abrangente né então eu queria muito parabenizar a professora Wagner aqui é todos vocês porque a gente imagina você já contaram Também a paciência de construção desse trabalho comum né em grandes distâncias geográficas né porque vocês estão em lugares bem diferentes né e instituições bem diferentes porque acho que isso é exemplar é um exemplo do que deveria ser sempre a universidade então primeiro lugar Esse aspecto né Depois até eu pontuado desses quatro pontos porque eu gostaria que
depois vocês comentasse um Pouco mais sobre esses aspectos né outro aspecto que me chamou muitíssimo atenção é que o Márcio também falava agora é a questão da importância do trabalho historiográfico sobre as fontes os documentos né o João Paulo falou muito sobre isso né E também agora também a Mariana mas todos vocês né e isso é muito interessante e muito importante porque parece né Um Olhar superficial que o trabalho com ponte esse documento seja um trabalho chato de erudito Mas o Que o vosso livro A vossa pesquisa mostra aqui pelo contrário o trabalho com as
fontes possibilita resgatar protagonismo de atores e só fazendo esse trabalho com as fontes os documentos nós podemos afirmar esse protagonismo como um fatorial e não com uma teoria como desejo como uma interpretação não são fatos reais que através das fontes mostram nesse protagonismo que vocês relataram na para nós né das Nações Indígenas das Comunidades indígenas no Brasil inclusive é fantástico protagonismo político político como isso é importante e também importante saber que os novos tempos políticos tem uma história mais antiga que os possibilitou mesmo que uma história esquecida ocultada reprimida então como é importante também eu
tava pensando que agora o ministério criado conhece esse livro Leia essa história saiba que tem antepassados que trabalharam nas câmaras municipais e Olha isso porque é muito importante se dá conta desses raízes para poder construir futuro então esse um segundo ponto que que me chamou muita atenção né é um terceiro ponto é na verdade estou descobrindo que os pontos são cinco tá desculpa terceiro ponto é a questão que também o Márcio colocava aqui que é esse trabalho vosso foi possível a partir da inserção Bossa de historiadores nessa histórias locais geográficos específicos isso me lembrou muito
de outras lives que a gente fez no passado né aqui com o grupo Nosso é questão das nossas playlist com historiadores argentinos que por exemplo trabalharam a história das Missões jesuíticas nos territórios guaraníticos eles contaram para gente como esse trabalho nasceu mesmo na pesquisa deles a partir da inserção na História local até devido ao fato que eles foram contratados nessas regiões nesses universidades né exercício é fundamental Porque a partir disso nasce uma uma nova historiografia capaz de dar conta realmente de ir construir um Panorama maior a partir do trabalho com também micros histórias que como
diziam Márcio porém mostra um aplidão Nacional né E até para além do Nacional né como foi bem lembrado também muito importante Isso é história não Pode ser uma história não pode ser só uma história Nacional ele é uma história latino-americana né porque também estamos falando comunidades indígenas que cuja presença no território que ficou do Brasil né mas era um território que era mais Ampla um território latino-americano essa questão da inserção na história local depois o outro aspecto que acho fundamental aqui foi levantado pelo João Paulo que te passa acho que o trabalho De todos que
a questão como autor se essas pesquisas podem inspirar finalmente os manuais escolares que atualmente desconhecem quase totalmente essa história mas isso é muito grave porque aí a população também é desconhecendo isso né Então esse é preocupação com a relação entre a pesquisa Universitária é a escola as escolas né acho que um tema fundamental fundamental esse também é um dos objetivos do nosso grupo de pesquisa Que também não se expirou em fazer alguns cursos né nos anos passados que estão disponíveis na plataforma coceira e também votados para programar de público mas especialmente para os professores sobre
a temática justamente das nos territórios guaraníticos que são é um ponto que nos ocupou nos anos passados né então seria muito bem vindo algo parecido também né Coordenação a esse a temática né e o Último e quinto ponto diz respeito a um aspecto que a Mariana Levantou que a questão do protagonismo dos índios no que diz respeito a defesa da Mata Atlântica né esse tema que é importante é atual é mas como a Mariana mostrava é uma linda história esquecida censurada também pelos que depois destruíram né estão continuando a destruir essa Mata Atlântica né nós
tivemos uma live muito bacana com um Jovem Pesquisador Australiano que fez um doutorado Fantástico sobre justamente essa temáticas né Essa Live já tá na nossa no canal do YouTube do Yan Mas vai ser esse era muito interessante colocar você se em contato porque um monstro justamente em sua pesquisa essa questão na história Colonial né o protagonismo dos guaranismos particular na preservação da mata atlântica no período colonial enfim ele com esse foi matemática né do protagonismo na questão ecológica Indígena na questão ecológica na preservação da mata na questão do ambiente né cinco pontos né que me
chamaram muita atenção Claro tem muitas outras coisas tá mas assim me parecem pontos mais Gerais né que apareceram é bom pontuei mas também gostaria se vocês quiserem comentar um pouco mais sobretudo a questão metodológica que eu acho que pode ajudar muito também outros pesquisadores que estão nos ouvindo vão Nos ouvir aqui tá muito obrigada mesmo então a gente deixa a palavra aí a vocês organizadores organizador né para reagirem agora um pouquinho conversar sobre esse caminho que foi apresentado né aqui e deixa ainda curiosidades aos nossos leitores que estamos convidando a adquirir um livro A buscarem
se informar sobre ele a ler apreciar o trabalho que vocês realizaram Então vamos lá Não obrigada pelas Perguntas pelas observações muito pertinentes né é um livro muito rico né mas eu quero começar com a questão colocada Marina do Neto né porque eu sempre falei isso com os organizadores que estão aqui presentes mas isso vale para eles e para todo mundo que tá no livro como é importante o trabalho coletivo não é o trabalho de grupo de pesquisa e cada vez Isso tá mais claro né porque um pesquisador isoladamente consegue dar Conta de algumas coisas né
para pegar cruzar essa questão de fontes por exemplo é impressionante como na história indígena há uma variação do que existe em termos de fonte para pesquisa de uma região para outra então aquilo por exemplo que João Paulo consegue em termos de registro o movimento político das câmaras municipais para Ceará ou né em relação a outras regiões Varia muito por exemplo o espírito santo que eu Trabalho elegrou o tombo de uma vila de índia eu consegui vestígios de debate de outro mas não consegui ainda você coloca ainda né um material Mas se a gente olhar o
Maranhão por exemplo tava conversando com a Soraia Dornelles que faz parte desse livro mas a gente faz parte de um outro grupo de pesquisa maior lá para o Maranhão a gente tem os livros das câmaras indígenas ainda por serem abertos e pesquisados na tá começando a Ser pesquisado lá pelo programa de pós-graduação e os alunos de Mestrado começando a abrir esse material né o João Paulo tem trazido isso conversando com a Maria Regina Celestina do Rio de Janeiro a gente mantém essas coisas das camas ali efetivamente teve na hora da diretório criar um Freguesia então
não criaram filhos de WhatsApp né então assim a dinâmicas são muito diferentes o trabalho em grupo né Trabalho em rede trabalho do grupo dos grupos de pesquisa eu acho que é fundamental tanto para organização do livro comprar para entender né Essa questão do trabalho por exemplo né que é uma questão que a gente falou menos aqui no na Live da gente de hoje mas que é uma questão super importante né século 19 é o século da escravidão né é um século marcadamente escravista né Isso pode também que os indígenas eram livros né então é importante
é muito importante Na terceira parte né Por exemplo os estudos né Tanto do André Machado que vai mostrar uma dinâmica muito interessante né na documentação isso queria chamar atenção um traço Geral de todos os textos aqui que é de historiadores que trabalham um traço forte e até já que a gente tá falando de método mas depois eu volto a questão do trabalho se a gente fica apenas no plano das histórias das ideias do que as elites escreveram a gente Perde muito da história indígena porque no que se refere aos indígenas eles têm uma proposta de
apagamento desse setor social né então fica complicado mas então nessa questão de trabalho é muito impressionante ali na Amazônia Imperial a Amazônia colonial e depois a Amazônia Imperial pegando tanto parar quanto a província da Amazônia né Depois é criado um pouco mais à frente como ali sempre trabalha indígena foi um trabalho Importante como o processo de independência questão central para os indígenas já tinha contato com o mundo no branco era a questão da Liberdade né então questão de terra questão de trabalho e a própria questão de como preservar a vida são os três grandes eixos
temáticos que mobilizam a atenção dos indígenas os indígenas estão pensando em proteger a própria vida tão pensando em proteger suas terras e proteger sua liberdade seu centro e aí Eles vão usar todos os mecanismos né que eles têm a mão para poder alcançar esses objetivos e uma das coisas que aparece claramente diferentes textos [Música] é como isso faz dos indígenas ou protagonista político acima de tudo porque para os indígenas o enfrentamento armado era muito deletério porque eles pedem uma guerra no final alguns povos foram até o final ganhando e foram bastante dizimados meu caso dos
boruns Né consegue escapar um pouco disso então os indígenas são seres políticos até o osso vamos dizer assim é por isso que eu gosto muito da biografia que terminam o livro que a biografia do juruna porque o juruna foi um grande negociador político um grande negociador agora aquilo que a gente consegue em termos historiográficos reconstituir em termos de história de biografia política como o João conseguiu em relação aos judeu Juruna muitas vezes a gente não consegue para figuras históricas lideranças indígenas de outros tempos históricos cuja documentação é mais rarefeito né mas trabalho da Mariana trabalho
João Paulo traz vários atores indígenas que a gente percebe que eram digamos assim politicamente muito atuantes né Então essa ideia do indígena como um ser político né mas então essa experiência de grupo acho que ela é fundamental E aí a gente vê também que A conexão não só entre pesquisadores do Brasil e pesquisadores da América Latina é outra coisa importante também para o crescimento para o entendimento da área né porque aquela coisa né os povos indígenas Eles não têm a mesma divisão territorial que os estados nacionais veja o caso dos yanomanos agora né então sofrendo
com a ideia de quem são venezuelanos né não sei da onde as pessoas né Para para pensar nisso mas uma coisa Questão forte desse livro Realmente são as fontes históricas é o trabalho com uma fonte numa ideia de história social e história social uma história política pensada a partir do Social muito forte e aí que a gente entende o protagonismo e as próprias agendas não é uma reconstituição puramente conceitual né você vai ver na prática política muitas vezes você vai reconstituir o que que movimento que movimentava né a ação Desses atores em relação a história
local ainda ponto de vista dessa questão metodológica é muito interessante isso também né porque a partir do local você começa a desenhar uma história indígena que tem muitos paralelismos né Você Tem situações que perpassam a história indígena desde a chegada dos portugueses até os dias de hoje mas tem especificidade regionais muito grande aí eu volto para a questão do trabalho né processo de escravização dos indígenas Na Amazônia durante 19 ele é muito importante porque como é uma região ainda era fundamental a todo uma tentativa dois governos regionais ali dos governos potenciais né de criar mecanismos
legais totalmente fora do contexto constitucional quer dizer totalmente inconstitucionais Mas enfim eles davam um aparato de legalização para escravizar Você vai em outras regiões onde olhando aqui para para Tanto que o caso de Pernambuco né que que a Mariana trabalhou bem muitas vezes a questão da terra aparece com mais clareza E aí a importância da lei de terras e a segunda metade do século XIX né para tirar dos indígenas essas terras então é esse debate entre diferentes locais para construir uma visão um pouco mais coerente do que quer ser indígena 19 eu acho super importante
e antes de terminar minha fala para dar espaço para os colegas falarem eu queria Voltar aqui é uma questão trazido tanto pelo Márcio quanto pela Marina que é essa ideia de memória pagamento de memória né porque quando já tá fala né João Paulo fala né de que há uma coisa proposital pagamento dos indígenas isso é muito Claro na pesquisa da Tatiana é muito impressionante porque quando o barão E a Tatiana pode falar isso melhor do que eu né quando o barão de Itapemirim resolve regularizar as terras indígenas do Espírito Santo por meio da legislação resenha
editada pelo Império que era as pessoas da província diziam que era mentira que aquelas terras não pertencia os indígenas então é a gente imagina um negacionismo né que a gente tá tendo hoje a gente tá tendo hoje exemplos de negacionismo muito claro né os indígenas enomamos não são brasileiros são Venezuela uma parte né esse tipo de negacionismo não é uma coisa recente na história brasileira e sobretudo em Relação aos indígenas eu acho que é muito recente Hoje é a capacidade disso se propagar pelas mídias sociais pela internet essa coisa toda mas no caso do Espírito
Santo é uma coisa muito impressionante como eles negam né é toda documentação existente que o barão manipulado na época para dizer que elas não existia que aquelas Marias um processo de produção de pagamento dos direitos indígenas da presença indígena faz parte da história do 19 que a gente Herda isso no século 20 21 Como Se Fosse Verdade histórica é o problema da desse tipo de coisa é isso né Então nesse sentido eu acho que o trabalho da gente desse livro tem muita a dizer né e é isso né Eu acho que é trabalho em grupo
mesmo e cada vez mais né eu esse grupo que tá aqui é um grupo que se reúne com muita frequência na história né são pesquisadores aí que frequentam Então a gente tem essa facilidade né E temos outros grupos né que a gente participa isso é muito enriquecedor né porque aí sim você cria troca troca informação e constrói um conhecimento mais plural né Eu acho que isso é fundamental mas uma das marcas registradas desse trabalho é isso né E também a Rique eu penso muito assim na riqueza de Ficar de experiência né que as fontes trazem
e que muitas vezes os discursos depois que vão se oficializar que vão ser eternizar simplesmente ignoram né criando uma visão muito distorcida né Acho que o trabalho da Karina também traz muito isso né quando vai discutir o processo de independência ali como é que figuras indígenas que foram extremamente políticas eu sempre esqueço o nome dele é o O André Zito o andrezito é o andrezito tivesse um pouquinho mais de fontes sobre o andrezito daria uma biografia política fenomenal fenomenal o problema muitas vezes que a gente esbarra é a escassez de pontos para detalhar né Um
percurso político tal como foi feito mais recentemente com juruna você tem ainda muita fonte de jornal depoimentos que foram feitos né a história tem esses limites né mas de Qualquer forma o que eu acho que o livro traz do ponto de vista metodológico também para fechar a minha fala essa compreensão que não dá mais para pensar a história política ou a história pensamento político das ideias políticas o único exclusivamente a partir das elites e suas fotos suas formas de fazer política né então a gente teve nesse Centenário uma reflexão sobre o Brasil nação né que
ficou ainda muito centrado né uma ideia De política pensando nos grandes palcos né nos grandes palcos da história né e eu sempre brinco se a gente for pensar só nos grandes palcos mesmo nós cidadãos Hoje estaríamos fora de qualquer tipo de protagonismo porque depois que a gente vota no presidente vota no Senador vota né O que a gente consegue fazer é sempre muito de pequenas ela né então eu gosto de pensar assim que esse livro traz outros palcos traz outros cenários traz Outras preocupações Mas é isso Porque sim outros fatores aqui se formos na sequência
poderia ser eu pode ser Então tá eu eu acho que assim que tanto os apontamentos da Marina quanto do Márcio também e o que a gente conversou aqui até o momento estão interligados mas eu queria falar um pouco sobre a questão que a Marina comentou das fontes né do trabalho com as fontes a Vânia Também comentou sobre o fato de a maioria dos autores do livro trabalharem com fontes primárias e o que eu acho que é uma coisa muito bacana do livro é que ele permite que o público leitor veja que que a despeito assim
das dificuldades com alguns tipos de fonte é possível encontrar a agência e o protagonismo indígena em diversos tipos de fontes então Enquanto vocês estavam falando eu estava aqui pensando Olha né Por exemplo algo Trabalhou com atas da câmera né ele encontrou a Vania encontrou livros de tombo o lustre Tadeu Mota trabalhou com registro de batismo que às vezes é uma fonte muito complicada da gente encontrar indígenas nela dependendo do lugar e da época o Pablo Antonia trabalhou com Arquivo Público né do Estado do Paraná para então a gente consegue no meu próprio Capítulo vejam né
E outra coisa Interessante que a Marina falou é sobre a Vânia também né por isso que eu falo que tá tudo interligado é a questão da por exemplo da biografia e da Micro história então vejam eu consigo encontrar tanto coletivo tanto grupos né E que nas fontes não vem o nome específico né de alguns agentes quanto consigo encontrar também os nomes dessas pessoas principalmente cruzando fontes e é interessante porque enquanto a gente Organizar os capítulos E conversava com os autores e a gente também falou isso várias vezes eu me lembro de uma conversa que a
gente teve com cancela né em que a gente falava Olha é importante o trabalho com fonte primária e é importante o cruzamento de fontes então é retomando a minha linha de raciocínio por exemplo no meu Capítulo é eu trabalho com relatório de presidente de província que é uma fonte assim muito explorada né Pelos historiadores que trabalham com século 19 Mas também como Pablo eu vou no arquivo histórico né do Estado do Rio Grande do Sul um encontro documentação da diretoria geral e dos diretores de aldeamento dos indígenas e aí que eu consigo reconstituir parte da
Farroupilha né que é uma das revoltas mas por exemplo para o conflito de taquarembó eu recorro ao relato do cronista também muito conhecido que é o santiler e é interessante porque o Lúcio Tadeu Mota também usa o sancheler o Pablo Antonia Barbosa também usa o santilaire então né a gente consegue encontrar os indígenas em relatos de cronistas de Viajantes em atas de câmara em relatório de presidente de província em documentação epistolar e administrativa registros de batismo né o capítulo do professor Ricardo e do professor Demétrio eles vão usando Fontes históricas primárias para Justamente né mapear
né é lugares indígenas cartografias a gente pode contar com a ajuda dos mapas da Biblioteca Nacional mais de um autor também né usou mapas da Biblioteca Nacional então assim de fato durante muito tempo essa é uma problemática um pouco mais ela não é uma problemática atual mas durante muito tempo é alguns estudos até mesmo alguns historiadores acreditavam que não era possível fazer história Indígena porque os indígenas é grande parte deles embora não todos não escreviam né e não deixavam seus próprios registros seus próprios escritos e hoje isso é completamente é uma visão completamente defasada né
não só porque eles escrevem e pintam e fazem diversos tipos de coisas cartografa fotografam também né mas é porque a gente consegue tirar Informações sobre as experiências deles em diversos tipos de fonte eu sempre eu sempre Tento colocar um pouco de bom humor nessa questão que é muito séria né que é Seríssimo mas é que dizer assim olha é esse é essa fonte que historiográfica né essa fonte histórica com a qual estou trabalhando perdão ela pode até não ter sido escrito por indígenas mas foram os indígenas que provocaram o autor do registro a escrever alguma
coisa sobre Eles né Foi por causa da ação deles que se escreveu né algo que eles estão aqui nas fontes então é um pouco isso muito obrigada Marina pelas pelas colocações pela pela pergunta gostei muito aí do teu recorrido né em cinco passos Acho até que poderia comentar outros mas eu vou passar a palavra para para os meus colegas né para Tati JP A Mariana para a gente seguir conversando bom agradecer também os comentários da Marinha e eu fico muito contemplada aqui na sala de Vânia e Karina eu talvez comente um pouco sobre essa questão
do ensino de história né da dificuldade que a gente ainda tem de ver essa temática nos livros didáticos né ver essa temática dos povos indígenas né nos livros didático com pesquisador sérios né com pesquisas feitas com fontes primárias como a gente tem feito e trabalhar na desconstrução de vários de vários estereótipos também de várias Narrativas né no processo de formação do Brasil como por exemplo né a falácia de que os povos indígenas não foram importantes né nas construções dos mundos do trabalho né Então essa narrativa ela tem que ser revista dentro dos livros didático eles
não se reproduzir essas narrativas no senso comum né com a gente aqui no Piauí por exemplo né o João Paulo já comentou isso inicialmente é um estado é foi o último Estado a reconhecer a presença indígena aqui embora o seu Governador Se auto declarasse indígena então a narrativa preponderante aqui foi construída por inicialmente né pelos pela própria Elite local que a gente precisa estudar um pouco mais isso mas pelo pouco a gente tem analisar né João o processo de pagamento dessa presença indígena no século 19 é fruto de um processo amplo que a gente tem
debatido no nosso livro para outras regiões né que é um projeto De estado né um projeto do Estado nação brasileiro mas também um projeto da América Latina a gente pode chamar assim como toda a América Latina né é de um liberalismo que quer né desregitimar as identidades indígenas e quer se apropriar dos territórios coletivos então no Piauí isso não foi diferente e isso reverbera ainda hoje né e o século XIX ele mata né a presença e a identidade indígena e muitas regiões né e o Piauí Então não reconhecia as Suas as suas as populações indígenas
etnias que habitam aquilo território né hoje por exemplo a gente tem 108 etnias né aquele estado né um processo de emergência étnica e o estado finalmente reconhecer Não que seja necessário o reconhecimento do estado que eles exista né Mas normalmente reconheceu a presença através de uma lei estadual e Mas isso não se reflete nos currículos né da Educação Básica A gente percebe que o currículo ele reflete ainda essa essa historiografia né que foi construída em cima do extermínio né dos povos indígenas no período colonial então para a gente é um grande desafio sim né Eu
penso que isso é um desafio para toda a historiografia de modo geral né é levar essa produção que a gente tem feito de forma muito séria né de forma muito coerente né para a educação básica eu acho que a gente precisa transformar Essa produção né Essa profissão mais acadêmica numa produção que possa chegar ali na escola né nas mãos do professor Então embora o nosso trabalho não tem esse olhar para Educação Básica ele pode facilmente ser utilizado por professores né porque a gente traz muitas Fontes que podem ser utilizados pelos professores em sala de aula
para desconstruir vários várias narrativas aí falsamente estruturadas Ao longo dos séculos eu acho que mais é isso e muito obrigada gente eu falaria sobre a questão das fontes e o material de didático né quando Marina me citou né sobre o materialidade nem precisaria voltar à questão plenamente aqui embaixo acho que o caminho é esse né e a necessidade da gente também a partir da academia tá refletindo cobrando a respeito disso né e que também é uma Discussão política né que vai para nível de política e política de estado política educacional né e a necessidade urgente
de revogação do ensino médio sobre as fontes também eu sou entusiasta né Tati sabe disso né Nós somos né Tati né rato de arquivo e acho que foi Marina que falou que aparentemente a foto Pode parecer enfadonha né mas com as colegas Já disseram que é a ação humana né Cheiro de ser humano que tá exalando ali e a gente vídeo em muitas dimensões com macarena falou muito bem desde o indígena mas do indígena ou de grupos indígenas que provocaram a respeito das fontes né Eu eu acho que aí é perfeito e no que diz
respeito as câmaras as atas são maravilhosas saber delas né e divulgá-las e trabalhar seriamente é maravilhoso no âmbito das vilas de índios né coisa que já era feito na historiografia Principalmente historiografia Colonial né sobre o Brasil colônia mas mais recentemente do Brasil Império vem sendo vem sendo feito mas sou brasileiro de índio isso ainda não não era uma questão Mas além das atas a outras documentos né Ofício produzido no âmbito das fontes Ofício sobre as câmaras relatórios sobre essas mesmas câmeras E aí a gente pode ter um apanhado muito diverso né e Universidade muito interessante
de de materiais sobre elas e sobre a ação das Pessoas por meio dessas câmeras s ou no espaço das câmaras me lembro por exemplo de um conjunto que eu encontrei eu sempre falo sobre ele né no arquivo da Câmara dos Deputados e que a partir de uma situação você já expulsão de um padre e de outras autoridades no lugar de diretores do lugar por mulheres indígenas isso provocou a produção de uma série documental no lâmpada da cama em que a coletividade procurava a Instituição e pedir uma série de coisas e aí eu quero pontuar rapidamente
sobre isso são coisas que talvez não tenham sido ditas ainda e outras já foram né um primeiro ponto que salta os olhos sobre essa documentação da que eu sinto especificamente na do artigo da Câmara dos Deputados foi produzida no âmbito de Vila Viçosa que hoje é Viçosa do Ceará mas que aparece em outras câmaras é a questão da Cidadania e os indígenas eram cidadãos e queriam ser cidadãos Esse aqui é um ponto e é claro e como a Marina Frisa muito bem é uma diversidade de situações é preciso analisar cada caso mas de maneira geral
pelo menos porque observa para a realidade do Ceará e não me surpreenderia que isso fosse geral é que os indígenas queriam fazer parte do corpo de cidadãos eles queriam cidadania mas é claro que o projeto de cidadania indígena era muito própria que se relacionava que se conectava com A percepção de sociedade mais igualitária em que eles e elas diferentes de um contexto anterior de um contexto próprio diretório E aí é muito interessante o com contraditório diretório é né que fornece prerrogativas mas que crava a incapacidade a partir desse momento o contexto formação do Estado Nacional
possibilita projetar uma cidadania sem alimentação na incapacidade Então os indígenas seriam cidadãos e cidadãos iguais aos outros né Da nação e assim eram considerados o trabalho da Vânia já fez isso bem regime né para o caso lá de itaguaína e a gente encontra a realidade também essas situações semelhantes no Ceará em que essa imputação da Cidadania ou então se referia aos indígenas enquanto cidadãos isso vem de fora né o de cima sei lá de autoridades provinciais ou do próprio Dom Pedro né que assim se refere aos indígenas enquanto cidadãos Mas é claro Que a cidadania
que cabe a eles um processo de formação do Estado Nacional pode 22 aí se desenha numa realidade muito diferente daquilo que foi projetado por eles né mas a pensar a independência como um campo de disputa de múltiplos projetos que estavam em jogo na mesa Além disso os indígenas de novo quando a Mariana majoritariamente há casos de casos mas me parece que majoritariamente Aderiram ao projeto de Dom Pedro e via M Dom Pedro como uma alternativa ao perigo que podia ser fortalecimento das eleições locais com as fontes de Lisboa com o liberalismo com o projeto constitucional
que gente Portugal que reduzia o poder do Rei uma entidade tradicionalmente visto como protetora pelas populações mais pobres e que fortalecia poderes de elites provinciais Dom Pedro seria poderia ser naquele Momento no calor daqueles acontecimentos alternativo e voltando essa documentação da câmara encontro uma coisa que me parece muito raro Até conversei com André Machado sobre isso ele disse que não tinha achado nesses termos mas o documento da câmera de Viçosa que os indígenas lideram ação coletiva com branco fazendo parte dela mas os indígenas à frente reconhecendo Dom Pedro o príncipe Dom Pedro como defensor Perpétuo
do Brasil Um contexto de reconhecimento de outras câmaras Brasil lá fora e cancela segundo me disse encontrou a mesma coisa para Bahia né inclusive é uma câmara da vida de vida na Bahia que diz que nós somos a primeira Câmara reconhecer na Bahia indígenas vereadores e assumindo esse esse protagonismo esse pioneirismo baiano né e para fechar o que já foi colocado sobre a questão dos indivíduos né a cama era de fato um espaço de atuação coletivo os vereadores não só Recebiam ações coletivas ou seja representavam ações coletivas que usam antecedido mas recebiam essa escola atividades
nos Espaços da cama mas uma série de nomes aparece frequentemente corriqueiramente assumindo [Música] papéis né que como a Vânia já falou Karina já falou deveriam ter uma reverberação muito maior eu vou lembrar de cabeça aqui porque eu acho importante Que seja ditos né acho que talvez a gente se esqueça logo depois que terminar essa Live mas eu acho que esses nomes é importante que sejam ditos do João do apóstolo da Anunciação e do Francisco de Paula Barbosa em Viçosa esses que lideraram esse processo que Eu mencionei agora pouco de reconhecimento do Rei Manuel José da
Rocha e Manuel Soares do Nascimento em Monte Mor novo que hoje é Baturité os indígenas Ali era um minoritários era um caso de exceção No Ceará mas ainda assim atuavam reclamavam batendo de frente inclusive com autoridades do lugar que queriam tomar suas terras e recorrer ao governo providencial satanásio Faria Maciel e Messejana era juiz era presidente da Câmara de Messejana encontrei ele como uma das pessoas que compôs o reconhecimento a Adesão do Ceará Confederação do Equador lá estava o nome de um indígena né de um Juiz e para fechar o Vitorino Correia da Silva que
para mim é um dos casos mais maravilhosos que era Sargento Mor era professor era escrivão da câmara se intitulava como eleitor era membro do colégio eleitoral do Ceará em 21 e 22 e fez parte da Adesão Ceará Confederação do Equador que lembremos né mas desses nomes que não são só indivíduos né mas são representações de coletividade acho que Agora é a minha vez né Eu vou então começar pelo pelo final né porque eu acho que teve uns apontamentos de Marina que diz respeito diretamente a um ponto que eu levantei mas antes respondeu só queria falar
como o quanto as intervenções de Março Marina reforçam aquilo que a gente tava falando nisso Como é bom estar dialogando com vocês né com o grupo de pesquisa de vocês porque são sempre questões muito pertinentes e precisas né em torno do que a gente tá aqui apresentando E é exatamente Nesse sentido que vem esse comentário da Marina sobre a questão da defesa da Mata Atlântica né esse é um aspecto que eu tenho pesquisado mais agora e que tem que aparece né em outros trabalhos principalmente aí o da Tati dayala que trabalha com essa questão da
expansão da fronteira agrícola no final do século XIX então para esse período inicialmente a primeira metade do 19 essa região da Fronteira da Pernambuco Com Alagoas era uma região né de matas mas mais um pouquinho abaixo do que eu estudei era a região onde estavam os quilombos de Palmares né Aonde foram formadas alguns aldeamentos indígenas posteriormente então é uma área né que historicamente tem esse essa Esse aspecto né de ser um espaço amplamente de Mata Atlântica e é interessante que com avançado do século XIX a implantação da lei de terras não só a esse avanço
em cima das terras indígenas como também há Uma mobilização para para o agenciamento do trabalho dessas pessoas Então dessa mesma região foram formadas várias colônias colônias agrícolas colônias militares né uma Colônia Agrícola foi formada em cima um aldeamento né que era localizado exatamente nessa região que eu falei para vocês e que vai aos poucos né iniciando o projeto de transformação dessas pessoas em Trabalhadores de Possuídos enfim que mais à frente pode dar fundamentação da política do SP e ltn né que é o serviço de proteção índio e localização de trabalhadores nacionais que se institui em
grande parte A partir dessa formação dessas colônias agrícolas né como Antônio Carlos de Souza Lima já apontou então a formação dessas colônias dá para ver lá no sul do Espírito Santo com o trabalho da tarde é a mesma coisa né que eu tô vendo nessa região então Nisso a Mata Atlântica ela vai sendo destruída e hoje aqui em Pernambuco essa região que eu estudei ela é se eu estou me ouvindo bem que o vizinho começou com som alto e essa região hoje aqui em Pernambuco onde as regiões vão ser mais tem conflito fundiário né é
acompanhado pela comissão Pastoral da terra pela setup né pelo MST porque é uma região aonde se tem várias famílias né Que vivem nas áreas das antigas usinas falidas né muitas vezes são pessoas que iniciaram com esse processo de trabalhistas contra essas usinas né porque as usinas faliram e não pagaram os direitos dessas pessoas e hoje é um dos lugares maiores conflitos né daqui do Nordeste então analisar a destruição da Mata Atlântica né levando em consideração é o destino dessas pessoas e dos aldeamentos indígenas é fundamental para a gente Compreender a estrutura fundiária contemporânea esses conflitos
sagrados né então acho que Marina foi muito precisando Esse aspecto tem uma outra questão também que associa o que a Marina falou com que o Márcio colocou que a questão da história local os contextos específicos né a relação com a micro-história aí eu fiquei super interessada nesse trabalho né dos colegas da Argentina em relação as Missões guaraníticas né porque eu acho que as metodologias de trabalho se aproximam muito e aí a gente bate também Chega também na questão das fontes né os micro historiadores italianos eles no início né do movimento eles defendiam que não era
possível fazer história serial né sobre os processos que eles queriam estudar então passaram a trabalhar com as trajetórias familiares individuais para abordar aspectos Culturais de transformação de acesso à terra né e etc e eu acho que tem algo parecido com que a gente faz né quando a gente vai estudar os indígenas na história é muito difícil você encontrar séries fundamentais muito bem constituídas em que a gente possa elaborar né movimentos através de números né Por exemplo de escravização de indígenas né agenciamento para o trabalho questão de terra é muito difícil fazer esse tipo de Série
é documental ou de números né Por em questões das fontes para o século 19 vai ficando mais difícil porque a identificação dos indígenas vai ficando mais borrada né ela vai ficando mais difícil de acontecer porque essas pessoas elas passam Ou já vem há muito tempo com o nome de portugueses vão deixando de ter identificação de que são indígenas né aqui em Pernambuco se localiza pela aldeamento Então são os indígenas de Barreiros indígenas de simples indígenas de Águas Belas então para a gente rastrear essas pessoas na documentação a gente tem que se agarrar aos nomes como
fez o João Paulo e traçando ver como é que a gente vai encontrando nas fontes Então nesse sentido E aí a gente tem essa questão das fontes né então a micro-história surge começa a metodologia eu vou encerrar minha sala por aqui porque eu acho que o som tá vazando muito mas eu também já já falei Que eu gostaria né É porque os outros aspectos dos apontamentos os colegas já já falaram então agradeço mais uma vez pelos apontamentos de Marina e passo Márcia eu só tenho agradecer a todos vocês por essa belíssima tarde prazeirosa tarde que
saboreamos um conhecimento e podemos acessá-lo né permanentemente no livro que vocês no qual depositaram o coração a experiência de vida companhia de vocês como pesquisadores a professora Vânia na entrevista eu volto ali ela dizia uma frase assim no Brasil construiu uma memória cerca do processo de independência que exclui os povos indígenas eu queria agora dizer essa frase de uma outra maneira o Brasil com comunidades de historiadores comprometidos constrói uma memória cerca dos processos de independência que mostra o protagonismo dos povos indígenas Muito obrigado a vocês Muito obrigado pela Experiência que proporcionaram aqui tô muito obrigado
Márcio também por essa vela síntese desse projeto né e eu queria dizer que a gente escutaria vocês horas e horas é porque eu acho que aliás dias porque o tamanho do conhecimento que a gente vislumbra né através das palavras né é enorme né A gente só nós vamos ter que encerrar aqui essa live por causa dos horários aqui do Instituto dos técnicos que desde Manhã cedo Estão realizando lá então né mas essa tristeza para mim é consolada Pelo pensamento que nós teremos muitas outras lives juntos né Eu estou aqui nessas últimas falas e comentários Pelo
menos era assim a comunicação ao público mas eu vou pedir só um segundinho para vocês ficarem um momento na plataforma ainda que aí a gente marca né algumas continuidades né que eu gostaria né Nós gostaríamos porque eu Acho que essa esse vosso trabalho também constituído legado tomar responsabilidade né diante dos índios né da sociedade brasileira das novas gerações né então nosso Instituto né Tem Justamente esse objetivo né de ajudar essa responsabilidade da pesquisa com relação à sociedade a cidadania né que é a palavra que o João Paulo lembrar né então nós estamos Em um lugar
né que acolhe e ajuda e funciona dá espaço também visibilidade né a todos esses trabalhos Então gostaria de que vocês e agora encerrado né a Live né essa bela apresentação que com certeza estimular a comunidade dos nossos ouvintes dizer também a esses ouvintes que não deixamos de saber essa palavra eles só porque a gente tá com esse projeto ele dá continuidade Pormenorizada né a esse conhecimento né através de outras lives que também a gente poderá ter espaços para debate Mas se a gente tá convidando todos a ler um livro né porque a leitura desse livro
poderá proporcionar e conhecimento diálogo Como eu disse né é um livro para estar em cada biblioteca em cada casa né Então parabéns de verdade muito obrigada a cada um né dos presentes mas também dos pesquisadores são sempre Participaram desse trabalho mas também bonito que o João Paulo Peixoto né falou né obrigada também a cada protagonista desse história né esses nomes né que a gente quer homenagear né que lembrar né E que torna presente também na memória de todo brasileiro né então obrigada também esses protagonistas desse passado né que tudo com a que forma ajudam também
a constituir a dignidade do nosso presente né então obrigada Também aos nossos técnicos né que estão aqui os auxiliando vamos encerrar Então essa Live e sempre avisando que além do livro vocês poderão escutar todas essas contribuições Na verdade o Instituto tem um canal do YouTube acessível a todos nesse canal tem várias playlists organizadas por nós inclusive uma dedicada Justamente a memória histórica dos índios né das Comunidades Indígenas no Brasil estava vossa essa nossa Live de hoje vai constar então em breve né nessa nessa playlist então todo mundo poderia acessar escutar esses esse diálogo tão bonito
né aliás isso é Sinfonia né porque foi muito obrigada e até breve obrigada