Conhecer a história do lugar onde vive é uma forma de construir identidade e pertencimento. Isso é possível principalmente por meio da educação. Ao desenvolver um trabalho sobre a história do Maranhão em Libras, Thiago Veras chama a atenção para a importância de uma educação que respeite as diferenças linguísticas e ofereça às pessoas surdas condições reais de acesso ao conhecimento.
Thiago Veras é formado em história, professor e intérprete de Libras. Desenvolveu um material paradidático bilíngue que permite a leitura do texto em português e acesso à língua brasileira de sinais. O livro faz parte da sua dissertação de mestrado na Universidade Estadual do Maranhão sobre acessibilidade linguística e estratégias tradutórias em língua de sinais.
E o material é utilizado em escolas da rede municipal de Paço do Lumiar. >> Eu quis unir, né, as as duas des paixões que eu tenho para dessa forma poder produzir esse material, esse recurso para as pessoas surdas na área de história. Então aí eu procurei eh fazer o mestrado em educação inclusiva e através do programa eu fiz um projeto submeti para uma banca e eu consegui aprovação.
E aí no nas pesquisas foram sendo feitas, realizadas eh o eu tive essa ideia de produzir esse recurso devido à falta de materiais bilíngues na área de história para pessoas surdas aqui da localidade. >> Ilustrações da língua de sinais e ferramentas como o QR Code auxiliam para uma experiência mais democrática de acesso ao conhecimento. >> Quando eh você se depara com o livro, tem um QR Code.
A pessoa surda, ela vai pegar o celular vai apontar para o QR Code e aí vai abrir uma página que vai ter o vídeo da tradução desse capítulo em libras. Então ela vai poder acompanhar tanto em língua portuguesa quanto na língua natural dela que é a língua de sinais. >> Simone Pereira é professora de libras e mestranda em gestão e educação básica pela Universidade Federal do Maranhão.
Ela também faz parte da comunidade de pessoas surdas. Para ela o livro bilíngue contribui para uma educação mais inclusiva. >> É importante, né, ter esses materiais, né, para as pessoas surdas, né?
E isso dentro de um contexto de inclusão. Então precisa ter uma comunicação em libras, né, para se passar esse conhecimento para o surdo. E o surdo ele consegue aprender através da visão.
Essas informações disponíveis, né, é como se fosse um respeito, né, a a comunidade surda. Isso é muito importante. >> A libras é a primeira língua para a maioria dos surdos no Brasil e o português escrito fica em segundo plano.
O desafio é ter materiais de fácil acesso que atendam a necessidade das pessoas com perda auditiva. >> No Brasil, de forma geral, o ensino para pessoa surda, é é importante a as a o ensino bilíngue. Então, num contexto de anti antigamente tinha uma certa dificuldade para estudar nas escolas, porque está o surdo estão junto com os ouvintes e há uma dificuldade, né, por quê?
Que que acontece? O professor ele precisa saber ter fluência em libras. E as didáticas e os materiais precisam estar alinhadas à pessoa surda.
E também existe essa dificuldade no sistema de focar na pessoa surda apenas. Que o surdo ele precisa de um pouco de mais de tempo para entender os conteúdos das disciplinas. Então, há essa dificuldade.
>> Existem esforços que estão sendo feitos a nível nacional de produção de materiais bilíngues para pessoas surdas. E isso em todas as disciplinas: ciências, eh, matemática e na área de história também há essa necessidade. Então, os pesquisadores precisam, eh, ter essa essa consciência de que há essa necessidade de produção desses materiais porque, eh, os materiais didáticos, em sua grande maioria, são registrados em língua portuguesa.
E há uma enorme falta de materiais acessíveis em Libras.