Este é o cruzamento das avenidas Francisco Ferreira com Carijós em Santo André e ele é um dos cruzamentos mais perigosos da cidade, especialmente para motociclistas. Assim como esse em Goiânia e esse outro em Carapicuíba, cruzamentos assim não são um problema exclusivo de Santo André, o Brasil está cheio deles, o que faz com que 60% dos acidentes de trânsito ocorram justamente nos cruzamentos de vias. Uma alternativa adotada é a rotatória, que ajuda a reduzir o número de acidentes em mais de 80% e em alguns locais em até 100%.
Só que ela não resolve todos os problemas. A falta de infraestrutura para o pedestre nas rotatórias mal planejadas, ao invés de diminuir os acidentes causam ainda mais confusão. Atravessar a rua não deveria ser um perigo, mas no Brasil é.
Rotatórias induzem os cidadãos a atravessarem de maneira inadequada e se exporem a perigos, sendo que os pedestres deveriam ser o primeiro fator considerado nos projetos de via pública. Só no estado de São Paulo foram registradas 1. 242 mortes de pedestres atropelados em 2023.
Mas será que as rotatórias realmente são a melhor solução pro trânsito? E qual é o impacto disso para o pedestre? Balão, Giradouro, Trevo, Rótula ou Rotatória, independente de como você a chama aí na sua cidade você provavelmente já passou por uma.
Sem definição específica no Código de Trânsito Brasileiro, a rotatória é definida no dicionário de língua portuguesa como um local, praça ou largo circular onde várias ruas se cruzam e o trânsito se desloca em sentido giratório. Estudos demonstram que o design correto das rotatórias é essencial para evitar acidentes, principalmente no que diz respeito às entradas. A forma como ela é projetada afeta a segurança e funcionamento do cruzamento.
Celso Mariano, especialista em trânsito e diretor do Portal do Trânsito, explica que cruzamentos são pontos críticos, especialmente onde há alta velocidade, fluxo intenso de veículos, ou muitos pedestres. Ele ressalta que tanto rotatórias quanto semáforos podem ser soluções adequadas, dependendo dos estudos técnicos realizados. Mariano defende que elas são uma solução eficaz e econômica para organizar o fluxo de veículos de forma segura, com custos de implementação e manutenção muito inferiores aos de semáforos.
Mas ele reconhece a preferência dos órgãos de trânsito por semáforos por dois motivos: que a rotatória não seria suficiente, por questões culturais e que os motoristas não entendem como funciona uma rotatória. E de fato acho que eles têm razão. Inúmeras vezes eu vejo pessoas confusas e parando no meio da rotatória e muitas vezes não seguindo a sua própria faixa.
Apesar de todos os seus benefícios, o Brasil não optou por investir adequadamente nas rotatórias. Quando falamos em segurança, uma pesquisa realizada em Cascavel deixou bem claro que 81% dos locais com mais acidentes na cidade correspondiam a cruzamentos com semáforos, e ao analisar os cruzamentos com rotatórias o número de acidentes havia sido reduzido em mais de 80% e em alguns locais a taxa havia até mesmo zerado. Segundo estudos da Universidade Federal de Pernambuco, o motorista possui a tendência de desrespeitar a sinalização do semáforo, e de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo, mesmo sob uma mini-rotatória, uma rotatória de tamanho menor e demarcada por sinalização no asfalto, o desrespeito dos motoristas cai para 10%.
Essas peque nas rotatórias já conseguem reduzir os pontos de conflito, ou pontos prováveis de que ocorra uma colisão, de 32 para 8. Segundo um estudo de 2010, o Brasil tentava resolver cruzamentos problemáticos priorizando a instalação de semáforos, enquanto em países europeus a predominância era pelo uso da rotatória ou da mini-rotatória. Mas de uns anos pra cá eu venho notando que as prefeituras estão implementando mais rotatórias, o que é um ponto positivo para a segurança, mas algumas delas são construídas de maneira errada e até em locais onde não é necessário.
Pegue este caso bizarro de Novais, interior de São Paulo, onde a rotatória na entrada da cidade foi feita no lugar errado. Ao invés de ter sido feita no meio da avenida, ela foi instalada ao lado. Por isso muitos motoristas passam reto pela rotatória atravessando na contramão.
Além de tudo ela é estreita e automóveis grandes como caminhões e ônibus não conseguem circular por ela, o que causa inúmeros acidentes. Esse outro exemplo é em Sapiranga, onde a rotatória parece pequena, mas é grande demais para os ônibus. Essa rotatória já foi batida e consertada duas vezes.
E não é preciso procurar muito para ver no Brasil casos e mais casos de rotatórias mal planejadas que ao invés de diminuir os acidentes causam ainda mais confusão, mas pra ser honesto também tem a ver com os motoristas. Segundo o coordenador de Trânsito, Carlos Eduardo Ribeiro, da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina, a grande maioria das colisões que ocorrem nas rotatórias da cidade acontecem por conta da imprudência dos motoristas. Para ele, a instalação de semáforos deveria ocorrer só em último caso, já que, na prática, a rotatória é mais eficiente no controle do trânsito, mas o motorista brasileiro não respeita, é imprudente e apressado, tudo isso também por conta da falta de educação de qualidade dos CFCs, da falta de vontade do brasileiro em fazer a coisa certa e da falta de punição para quando fazem a coisa errada.
Mas agora eu preciso também ser honesto com o motorista. Olha essa rotatória aqui da Maurício Cardoso com a Marcílio Dias em Novo Hamburgo. Dá uma olhada no emaranhado de ruas que entram e saem e a confusão que isso gera.
E ainda tem um agravante, ela é em uma lomba, então é um inferno para o pedestre atravessar e a fila que se forma no fim de tarde é insuportável. Mas o caso dessa rotatória é bem específico. A regra básica é que a preferência de passagem é sempre de quem está circulando pela rotatória, desde que não haja sinalização indicando o contrário.
E foi nessa frase que eles se basearam pra fazer essa rotatória, ela tem indicação contrária, o que causa muita confusão, congestionamento e buzinadas. Esse é um caso onde a rotatória é bem confusa, mas quando bem instaladas e bem sinalizadas, as rotatórias são mais seguras para os motoristas. Só que o mesmo não pode ser dito para o pedestre.
A simples tarefa de atravessar a rua, se torna um obstáculo quase mortal. Então, como o pedestre sofre no Brasil? Um dos grandes problemas é que muitas rotatórias possuem “falta de infraestrutura voltada ao pedestre”, que segundo Carlos Felix, da Federal de Sta.
Maria, contribuem para isso, “a má localização da faixa de pedestres, a falta de conscientização quanto aos locais apropriados para travessia e a falta de barreiras que a impeçam. ” Aliás, o pedestre é um dos que mais sofre no trânsito brasileiro. Travessias perigosas devido a falta de infraestrutura, falta de empatia do motorista ao parar em cima da faixa de segurança e também ao não parar para os pedestres são algumas das coisas mais comuns que sofremos nas cidades.
Voltando para o exemplo da rotatória de NH, atravessar na faixa de segurança na subida da Marcílio é um ponto bem perigoso, porque os carros vêm muito rápido na subida da lomba. E essa é basicamente a única opção de faixa de segurança para atravessar a rua nessa rotatória. Isso é um caso clássico onde a rotatória simplesmente foi largada ali de qualquer jeito, sem nenhum tipo de estudo tanto para os carros quanto para os pedestres.
Claro que não ajuda o fato de ter essa construção redonda aqui no meio, e eu acredito que a rótula tenha sido feita por causa disso, inclusive. Mas isso não justifica, ela não precisava ser tão confusa e perigosa assim. Uma pesquisa revelou que 83% dos brasileiros têm medo de sofrer acidentes ao atravessar as ruas e avenidas pelo país e 62% das pessoas já precisaram correr para evitar serem atropeladas.
Muitos criticam a falta de adequação da sinalização para os pedestres. Além disso, 87% consideram os motoristas pouco respeitosos com quem anda a pé. E mais, o tempo para atravessar a rua é insuficiente, segundo o Instituto Corrida Amiga.
“Nas cidades brasileiras, os tempos semafóricos estão muito longe de cumprir com a legislação. 97,8% dos idosos da cidade de São Paulo não conseguem caminhar a 4,3 km/h, velocidade padrão adotada pela Companhia de Engenharia de Tráfego para regulagem dos tempos semafóricos de São Paulo. Mas não são só os idosos que sofrem, o tempo médio de travessia é de apenas 6 segundos, enquanto o tempo de espera para poder atravessar chega a 1 minuto e 50 segundos.
O pedestre não é prioridade, quando na verdade deveria ser, porque é o menos protegido no trânsito. No estado de São Paulo, nos primeiros seis meses de 2024, houve um aumento de 19,7% no número de atropelamentos em comparação com o mesmo período de 2023. Por isso o Detran do estado lançou a campanha “Toda faixa de pedestre é um sinal de respeito”, para que tanto motoristas quanto pedestres respeitem a faixa.
Porque a culpa de uma parte dos atropelamentos não é só do motorista, e o pedestre muitas vezes não é santo, uma outra pesquisa revelou que só 45% dos pedestres afirmam atravessar a rua na faixa de segurança. Então a culpa não é só do motorista, mas sim de uma população que não segue regras e de uma já clássica falta de planejamento aliada a uma infraestrutura precária e sem estudo prévio de viabilidade. Mais um daqueles típicos problemas do Brasil, que nunca surpreende em nos decepcionar.
E assim, o Brasil vai confirmando seu talento para transformar problemas simples em tragédias cotidianas. Afinal, como esperar que um país que não consegue nem instalar rotatórias corretamente seja capaz de garantir segurança para quem está apenas tentando atravessar a rua? E aí, o que você acha sobre rotatórias?
Acha que elas são a solução ou o problema? Comenta aqui abaixo e não deixa de me dizer o que achou desse vídeo. Agora, pra descobrir como a nova inteligência artificial do YouTube funciona e como você pode usar ela pra crescer um canal e construir um negócio na internet postando poucos vídeos por mês, confere uma aula grátis no primeiro link da descrição, ou apontando a câmera do seu celular para o QR code que ta aqui na tela antes que essa aula saia do ar.
O Brasil é um país onde as rotatórias não são instaladas corretamente, motoristas não respeitam uns aos outros, quem dirá respeitar os pedestres e tudo é uma zona. Mas as prefeituras resolveram organizar essa zona, chamando ela de zona azul, onde você paga para estacionar em local público. Mas como tudo que as prefeituras fazem essa ideia não veio sem seus problemas.
Pra entender mais sobre isso, e se esse sistema é justo ou não, confere esse vídeo aqui que tá na tela. Então aperta nele aí que eu te vejo lá em alguns segundos. Por esse vídeo é isso, um grande abraço e até mais.