é possível ter conversas políticas francas com o Presidente da República ou com o ministro da fazenda eu imagino que o Paulo Guedes era fácil mas hoje você tem que lidar com o ministro hadad e com o presidente como Lula é é é possível ter essa conversa franca e aberto ou a gente precisa ter sempre muito cuidado para que isso não acabe respingando justamente numa briga entre banco central e Poder Executivo Eu sempre tive um posicionamento muito franco em alguns momentos isso foi muito bom Em alguns momentos talvez eu pudesse ter sido mais polido né Olhando
em retrospectiva n com o ministro Paulo Guedes era muito fácil com o ministro adade também é muito fácil a gente precisa aqui eh falar a verdade ele foi uma pessoa assim super vamos dizer assim eh de bom senso em tudo Às vezes a gente pensava diferente sobre alguns temas mas sempre tivemos uma relação boa sempre disse para ele as coisas que eu achavam que eram importante eh para Ministro Paulo Guedes também o presidente bolsonaro era uma conversa onde ele olhava para você e dizia olha eu confio em você então você tem autonomia Então não precisa
me explicar muito que você tá fazendo não vai lá e faz que eu confio em você e como presidente Lula tive menos contato né teve eh uma conversa Inicial e talvez eu pudesse ter sido um pouco mais polido naquela conversa depois teve né é muito ruído mas eu me lembro uma época ali no governo bolsonaro ali naquele último ano que a gente tava subindo muitos juros né na ano da eleição e eu falei poxa vou vou ligar pro Presidente para explicar o que eu tô fazendo né E aí eu liguei e falei Presidente Olha a
gente vai precisar continuar subindo no juros só vai dar para parar de subir o juros muito perto da eleição e ele falou não não Roberto eu confio em você eh toca aí não precisa mais me ligar não então assim eu tinha muita naquele momento assim muita convicção que tinha autonomia total para trabalhar então eu tive uma relação boa mas assim eh tanto com o ministro Paulo gues como o ministro Haddad sempre tive uma relação boa e muita capacidade de se comunicar e explicar o que a gente tava fazendo eu diria que isso funcionou bem duas
questões muito caras ao seu avô a você e a mim também eh primeiro abertura Econômica essa é uma pauta no Brasil que não anda entra governo sai governo e nós continuamos a ser uma das economias mais fechadas do mundo uhum como você agora tem habilidade técnica e política o que que tá faltando pra gente convencer o congresso a sociedade da importância da abertura Econômica justamente para esse ganho de produtividade e de competitividade do Brasil é eh quando a gente pensa em termos vamos dizer assim de modelagem Econômica pensa no modelo eh desse de Equilíbrio geral
você sempre esbarra naquele naquele seguinte ponto né que eu quero abrir a economia quero que as minhas empresas sejam competitivos né aí o empresário diz não mas eu não tenho como ser competitivo porque eu tenho condições internas piores do que os meus competidores têm em outros país quando você traduz esse diário esse esse vamos dizer assim essa confusão Econômica Grande para quem tá nos assistindo eu acho que grande parte da reclamação tava na parte tributária né o Brasil tem um sistema tinha um sistema tributário muito complexo muito oneroso e tem uma reforma tributária que tá
em curso Então existia sempre uma visão de que vamos abrir a economia mais rapidamente possível e depois eh alguns dizem olha se abrir a economia muito rápido como eu tenho menos eficiência por razões internas Na verdade eu vou perder mercado e a gente vai ter um problema eu sempre acho que o processo de de abertura de Economia acaba gerando com que a vamos dizer assim o setor produtivo se reinvente de uma forma positiva mas entendo também que tem alguns critérios como a parte tributária que o Brasil né era como como a gente diz era um
um Manicômio tributário e fazer com que alumas empresas tivessem vamos dizer assim desvantagem comparativa Tem uma parte vamos dizer assim de insegurança jurídica eh e e do Judiciário que também faz com que as empresas brasileiras tenham algumas desvantagem por exemplo o contencioso trabalhista no Brasil é gigantesco né eu trabalhei num grupo grupo Santander que tinha bancos no mundo inteiro e a gente pegava o contencioso Trabalhista do Brasil era maior que todos os outros países somados então de fato tem alguns elementos que atrapalhavam mais né a indústria local mais o setor produtivo local e aí quando
você abre a economia de de uma vez você acaba tendo esse movimentos Eu ainda acho que a gente tem que caminhar no sentido da abertura precisa fazer reforma tributária precisa flexibilizar cada vez evoluir cada vez mais na parte trabalhista tem um tema do prédio bancário que é um pouco o custo do crédito também quando a gente olha o custo do crédito é impressionante outro dia alguém me perguntou mas o negócio do crédito prédio eu falo mas o Brasil não consegue recuperar crédito a gente recupera na média 18 centavos em cada real para você ter uma
ideia acho que tem poucos países no mundo eu tenho de cabeça alguns países que são piores que o Brasil em recuperação de crédito é Haiti burundi zimbábue Venezuela tem mais um ou outro todos os outros são muito melhores para ter uma ideia o México recupera 60 centavos no crédito nós recuperamos 18 Nossa então nós temos de fato alguns problemas internos grandes que fazem que com com que quando a gente abre a economia de uma vez de fato tem esse problema de competitividade eu acho que a gente precisa acertar isso mas a abertura é muito importante
e a gente tá demorando a fazer e e isso gera muita eficiência então a gente vê hoje o mundo falando de protecionismo mas eu acho que o que fez o mundo crescer de forma eficiente nos últimos anos e vários estudos mostram isso foi a grande o grande aumento do comércio internacional porque faz com que países que TM vantagem comparativa numa coisa possam produzir aquela coisa em troca de uma coisa que outro país tem vantagem comparativa Então você maximiza a relação de vantagem comparativa Então acho que a gente precisa caminhar nesse nessa direção o segundo ponto
é Reforma tributária mas antes eu queria tocar nesse ponto do spred bancário que é uma coisa muito importante eh como que um sistema hoje eh tão sofisticado que é o sistema financeiro brasileiro com tanta informação que nós temos essa recuperação do crédito é tão difícil é em grande parte mas não somente porque a recuperação de crédito no Brasil é judicial não é extrajudicial então é um processo caro e é um processo de dem morado então grande parte dos bancos eu trabalhei num banco 22 anos quando você tem um crédito pequeno para recuperar você nem vai
atrás porque demora tanto e custa tanto porque se for um crédito muito pequeno vai custar mais para recuperar do que o próprio crédito então isso faz com que em alguns momentos os bancos façam o que a gente chama de WR off ou seja Olha esse crédito pequeno bota zero eu não quero não vou recuperar isso obviamente eleva o custo de tudo então tem um problema associado a isso eu acho que grande parte é um um tá ligado a ter um sistema de recuperação de crédito que é Moroso e que é ineficiente se fosse extrajudicial e
alguns países que passaram de judicial prra judicial a gente vê que teve melhoras tem algumas algum algumas eh indicações nesse sentido eh tem alguns outros detalhes principalmente na parte do colateral da visibilidade do colateral isso a gente fez várias reformas que vão melhorar o drex faz com que isso melhore assim eh quase exponencialmente porque a verdade é que eu faço um empréstimo bota um ativo de colateral quem tá me dando empréstimo precisa ter certeza que aquele colateral existe que eu não dei para uma outra pessoa que ele tá sendo bem avaliado então eh a transparência
do colateral faz com que também você consiga ter spredes menores tem algumas outras coisas mas acho que essa são as grandes Grand fator vai ajudar a reduzir o vai vai ajudar a reduzir muito e aumenta muito a eficiência na intermediação financeira Bom segunda reforma que seu avô defendia que nós também defendemos é Reforma tributária né e é óbvio que nós caminhamos por uma reforma tributária que é aão do doação do imposto de valor agregado que pelo menos simplifica as regras tributárias acaba com os impostos cumulativos vai vai taxar mais o consumo do que renda Enfim
tudo que al mais a renda do que o consumo Então tudo certo o problema é que esses interesses corporativistas que a gente tá falando Uhum estão na verdade destruindo a reforma tributária que foi aprovada na regulamentação Cada um quer defender o seu feldo a sua capitania eu sou especial precisa de uma alíquota especial um regime especial eh você tá frustrado com porque eu tô eu tô muito frustrado eu tô vendo que bom que nós avançamos numa reforma tributária que vai fazer com que o Brasil tenha uma regra igual ao resto do mundo mas que ruim
que na hora da regulamentação os corvos estão indo lá cada um querendo salvar o seu feldo e a sua capitania olha Eh esse é um tema que daria um outro programa né mas tentando assim resumidamente eu a minha opinião e aí eu tô mais na parte do economista né do que do que do prático aqui uma boa reforma tributária precisa ter três precisa ter um tripé três tipos de direcionamento precisa ter o economista que vai dizer olha isso é eficiente do ponto de vista econômico ou não precisa ter a pessoa da receita que diz olha
eu consigo arrecadar né Não só eficiente como eu consigo a máquina arrecadatória consegue atingir isso e precisa ter o advogado que diz olha isso aí não vai ser ser judicializado porque não adianta ter uma coisa que seja eficiente que seja economicamente viável se vai tudo ser judicializado então você precisa ter esses três grupos Esse é o primeiro ponto a gente teve algumas algumas tentativas de fazer reforma tributária que eram ou sempre a pessoa da receita fazendo então fazia de uma forma que era fácil arrecadar mas nem sempre era eficiente do lado econômico e gerava judicialização
a gente teve umas tentativas também que era muito do advogado fazendo então ele queria minimizar o contencioso mas não era nem eficiente e nem era arrecadar então assim a gente teve algumas tentativas eu acho que dessa vez a gente olhou um pouco os três ângulos se a gente pensar o que que a gente tem de grandes eficiências ó uma você falou que é consumo e renda a segunda é taxar de maisis eh o capital e de menos a mão de obra quando eu taxo muito o capital e menos a mão de obra eu vou organizar
um processo produtivo onde eu vou ter mais unidad de mão de obra por capital isso gera ineficiente a terceira é é o ponto onde de você taxar o a diferença entre taxar onde o bem é produzido e aonde ele é consumido né o problema quando você tem uma diferença muito grande nisso se você taxa onde ele é produzido e não onde ele é consumido aí você começa a ter guerra fiscal entre os estados e a gente né embaralha a nossa malha logística com gente fazendo produtos muito longe do Consumidor simplesmente para ter benefício tributário tem
uma outra que é a simplicidade né simplicidade vamos dizer assim da da da arrecadação Então se a gente pensar essas dimensões de ineficiência eu diria que a reforma que tem aí ela endera grande parte dos problemas é óbvio a gente tá agora passando por essa parte de grupos de interesse e tal eh sempre a gente vai chegar a conclusão poderia ter sido melhor mas eu acho que foi um avanço tá eu olho do ponto de vista da construção do tripé e dos grandes problemas de ineficiência eu acho que ela não endera todos mas vai na
direção correta