[música] Olá, seja bem-vindo a mais uma aula do curso Cuidado Farmacêutico à Pessoa com Asma. Nesta aula, nós vamos conversar sobre um tema essencial para segurança, qualidade e continuidade do cuidado farmacêutico, a gestão da prática e a documentação do serviço de educação e saúde. É por meio desses registros que garantimos que o atendimento ultrapasse a conversa informal e se transforme em um ato clínico estruturado, responsável e integrado à rede de atenção à saúde.
Quando falamos em gestão da prática, estamos nos referindo à organização de todos os recursos e processos que envolvem a prestação do cuidado farmacêutico. Isso inclui o planejamento dos atendimentos, a definição de fluxo de atendimento e encaminhamento, a padronização dos instrumentos de registro, a disponibilidade de todos os materiais necessários, equipe preparada, entre outros, o arquivamento adequado desses registros e o monitoramento dos resultados alcançados. Esses elementos permitem que o farmacêutico atue de forma clínica, ética e responsável, garantindo a segurança do paciente e a rastreabilidade do cuidado.
Mas afinal, por que que a documentação é tão importante? A documentação cumpre três funções essenciais. Primeiro, ela apoia a tomada da decisão clínica, permitindo acompanhamento da evolução do paciente e a seleção de condutas.
Segundo, ela facilita a comunicação entre o farmacêutico, o paciente e outros profissionais de saúde, fortalecendo a rede de cuidado. E terceiro, ela protege legalmente o profissional e o paciente, registrando de forma ética e transparente tudo aquilo que foi realizado. Para isso, no serviço de educação e saúde para pessoas com asma, nós podemos utilizar dois documentos principais: o prontuário e a ficha de atendimento ou formulário de registro de orientação quando em campanha, por exemplo.
E eu vou explicar cada um deles. O prontuário deve conter os dados de identificação do paciente, suas informações clínicas, o motivo da consulta, as orientações que foram fornecidas e a conduta adotada. Em farmácias privadas ou ambulatórios, esse registro deve ser feito em prontuário próprio, de acordo com as normas institucionais.
Eles podem ser manuais ou eletrônicos. É essencial o registro de todas as necessidades educacionais do paciente que você identificou. Quais são os conhecimentos sobre o tratamento e sobre a doença que precisam ser abordados durante a consulta?
O paciente sabe, por exemplo, o que é asma? Ele consegue reconhecer os sintomas mais comuns? Ele sabe qual é o objetivo do tratamento?
Sabe porque precisa utilizar o corticoide? Ele reconhece o que pode piorar a asma. Para aprofundar mais sobre o registro improntuário, consulte a apostila disponível nesta aula.
O formulário de atendimento, por sua vez, é aquele instrumento no qual o farmacêutico anota de forma sistematizada todas as informações obtidas durante o atendimento. É como se fosse uma parte do prontuário que podemos usar durante uma campanha. Nele devem constar as características do paciente, da história clínica e do tratamento, as necessidades educacionais do paciente, as orientações fornecidas sobre o uso correto de medicamentos e as recomendações sobre o controle ambiental e adesão ao tratamento.
Esse documento permite documentar o atendimento e na campanha será muito importante o registro bem completo do que foi realizado. E durante a documentação, nós precisamos seguir alguns princípios básicos. Primeiro, clareza e objetividade para que qualquer outro profissional compreenda o conteúdo do registro.
Lembre que para a continuidade do cuidado em muitos serviços, o prontuário é compartilhado entre os profissionais. Segundo, utilizem linguagem técnico-científica. Evite termos vagos ou subjetivo.
Você e outros profissionais que tiverem acesso aos registros precisam entender tudo aquilo que foi registrado. Terceiro, garanta a confidencialidade, proteja a privacidade do paciente de acordo com a legislação vigente, a LGPD. Quarto, padronize.
Utilize modelos e formulários oficiais da instituição ou aqueles recomendados pelo Conselho Federal de Farmácia. O método de registro em prontuário mais utilizado pelos profissionais da saúde é o SOP. Aprofunde mais sobre esse tema e utilize esse método em sua prática clínica.
Na apostila disponibilizada nesta aula, você poderá visualizar informações mais aprofundadas sobre esse método. Todos os registros devem ser arquivados conforme a legislação sanitária e as diretrizes de guarda documental. Para fixar esse conteúdo, vamos relembrar o caso da paciente Denise.
Vamos aproveitar este momento para resgatarmos as principais necessidades educacionais e conhecermos o formulário que desenvolvemos para ser utilizado durante a campanha da ASMA. Solicito que você baixe o formulário disponibilizado nesta aula, que será utilizado para o atendimento da paciente com asma durante a campanha. Acompanha a descrição que irei fazer observando os itens descritos no formulário que você baixou, ok?
Este foi o formulário desenvolvido para o registro de atendimento de pessoas com diagnóstico da asma, um pouco diferente daquele que você já conheceu para o rastreamento em saúde. O início desse formulário é muito semelhante. Vocês deverão trazer informações sobre o espaço onde foi realizada a campanha e também informações sobre dados gerais do paciente.
Entretanto, diferente do formulário anterior, neste formulário vocês deverão realizar a avaliação do controle da asma deste paciente. Além disso, vocês também terão a oportunidade de registrar informações sobre o tratamento, como medicamento, via de administração, prescrição, acesso e potenciais problemas da farmacoterapia. Dentro deste formulário, vocês também terão a oportunidade de descrever medos e crenças sobre a doença, tratamento e cura que podem prejudicar o controle da asma.
No caso da Denise, nós percebíamos, né, algumas crenças sobre o efeito adverso do medicamento, sobre a possibilidade de cura da asma e por acreditar que muitas vezes só precisaria utilizar o medicamento os momentos da crise. Neste formulário, vocês também deverão estabelecer e descrever as expectativas, medos, preocupações do paciente em relação ao tratamento e à doença, além de algumas outras informações como armazenamento e descarte. Neste formulário, vocês também deverão apresentar os problemas que vocês identificaram, tanto em relação à asma como em relação a outras condições e comorbidades, em relação ao tratamento, que no caso da Denise nós tínhamos dois problemas.
Por exemplo, ela utilizava o medicamento que ela não necessitava e a paciente também só utilizava o Saba. Em relação ao paciente, nós tínhamos alguns outros problemas também, como a falta de adesão ao tratamento prescrito, falta de conhecimento sobre a asma e falta de conhecimento sobre fatores exacerbantes. E vocês também terão a oportunidade durante a campanha fazer o registro, né, dos problemas que vocês identificarem neste formulário.
Por fim, para aqueles problemas identificados, vocês deverão registrar as intervenções propostas, seja pelo encaminhamento ou pela orientação. No caso da orientação, no caso da paciente Den Tení, vocês poderiam orientar sobre os riscos da automedicação, orientar sobre aspectos relacionados ao tratamento, aspectos relacionados à asma e fatores desencadeantes da crise. Além disso, vocês poderão realizar a entrega de materiais educativos, como vídeos e folhetos.
Por fim, vocês deverão registrar o plano de cuidado e as informações daquele responsável pelo atendimento. Então, para concluir, documentar é um ato clínico essencial e é por meio desses registros que construímos um cuidado seguro, estruturado e integrado à rede de saúde. Valorize a sua prática, organize seus processos e mantenha a documentação sempre atualizada e padronizada.
Na plataforma você encontrará materiais complementares e exercícios para praticar esse registro. Muito obrigado e até a próxima aula.