E aqui estamos nós, mais uma vez, falando do quê? Responsabilidade. Responsabilidade de quem?
Do adulto. Vamos Conversar! As crianças brigam, os adolescentes se envolvem em conflitos.
Muitas vezes é difícil conviver. Muitas vezes tratamos do assunto “como está complicado o convívio desses meninos”. Há quem diga que foi a pandemia que causou tudo isso.
Há quem diga que isso sempre aconteceu. Mas ninguém vai negar, que quando o adulto interfere num conflito de criança ou de adolescente, ele usa a cabeça de adulto para resolver. Quem está no conflito são as crianças.
Quem está na confusão são os adolescentes. E aí o adulto entra para resolver isso, com cabeça de adulto. Então, não tem como dar certo.
Veja só: uma criança briga com a outra, resolve que não quer convidar para a festa, não vai mais conversar. O adulto interfere com o crivo adulto, com o critério adulto e fala: “Olha, vamos fazer assim: você vai, sim, brincar com ele, porque ele é seu amigo, desde pequeno, eu conheço a mãe dele, nossa família viaja junto. Então, tem que ser amigo.
” Certo? Não. Errado!
Ele precisa resolver com cabeça de criança. O adulto vai ajudar, sim, mas quem tem que dar um trato final nisso é a criança. Da mesma maneira, um adolescente ou uma criança se envolveu num conflito.
O que o adulto faz? Liga para a outra mãe, liga para o outro pai e fala assim: “Olha, estão brigando, estão brigando, não pode brigar, vamos resolver isso. ” Ou briga também com o outro adulto, fica aquela confusão danada.
Por quê? Porque a nossa cabeça é cabeça de adulto. A cabeça de quem brigou é de criança.
Quando uma criança briga com a outra, tem problemas com a outra e o adulto fala: “Fique longe desse amigo”, é briga perdida. Primeiro, porque não vai ficar longe. Segundo, porque ele vai ficar aflito de não estar fazendo o que o adulto orientou.
E terceiro, que nem sempre é uma questão de separar amigos, e sim, de resolver o conflito. É muito comum, e super comum, que os pais tomem defesa dos seus filhos. Quem sou eu para falar assim: “Não façam isso!
” O que nós precisamos tomar cuidado é de enfraquecer as ferramentas das crianças e dos adolescentes, na resolução dos conflitos. Quando um conflito de criança pequena é resolvido por alguém adulto, aquela criança tem dois caminhos a seguir: um, falar: “Os meus conflitos são facilmente resolvidos, eu não sei nem como. ” Dois, a criança achar: “Eu não tenho condições de resolver isso.
Quem tem que resolver isso são os meus pais, é a minha professora é um adulto. ” Cuidado porque essas ferramentas de resolução de conflitos, elas vão ser usadas sempre, até mesmo na hora que essa criança, que hoje brigou, tiver um filho brigando também. É preciso resolver com as ferramentas condizentes com aquilo.
É a mesma coisa que você querer pregar um quadro, numa parede de isopor, usando uma britadeira. Vamos Conversar!