Sejam muito bem-vindos ao podcast dos ecléticos. Aqui nesse podcast somos os alunos da USP e vamos apresentar diversos temas sobre inovações, sobre impactos sociais e fatos históricos também. Mas nesse primeiro episódio, especificamente, a gente vai falar sobre a história do Brasil, sobre como as construções e os diferentes métodos construtivos impactaram o Brasil e moldaram o Brasil. Mas antes da gente Falar sobre isso, eu quero pedir para você deixar o like nesse vídeo e responder o nosso formulário de feedback pra gente melhorar os nossos próximos vídeos também. Bom, nesse primeiro episódio aqui, nós temos o nosso
convidado mais do que especial, professor João Marcos. E eu queria que o senhor falasse um pouquinho sobre a sua formação, sobre como que o senhor trabalha atualmente, sobre sua especialidade. >> Bom dia. Bom dia, boa tarde, boa noite. Eh, é um prazer grande falar, conversar com vocês. Eh, eu tenho uma um carinho especial pela engenharia civil. Eu fui professor eh no curso de vocês durante 10 anos, né, numa disciplina que é tudo e qualquer coisa sobre arquitetura e urbanismo, né, arquitetura e urbanismo para engenharia civil. >> Eh, meu nome é João Marcos de Almeida Lopes.
Eu sou professor já mais de 40 anos, né? Comecei dando aula muito novo, Né? Saí da faculdade, já comecei a a dar aula. Aquele tempo, isso era possível. e algum irresponsável me colocou numa sala de aula com 23 anos de idade. Então, eh, faz um bocado de tempo já. E eu sempre ensinei, né, na área de tecnologia, de estruturas, de sistemas estruturais, resistências materiais, até isso cheguei já na, apesar de ser arquiteto e normalmente os arquitetos odiarem, né, essas disciplinas, né, eu eh me apaixonei, né, desde a época da Faculdade eh pela por essa área.
Eu sou formado pela FAU, né, USP, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo em São Paulo, no campo de São Paulo. E em 1982, né, entrei em 78, formei em 82. Eh, como eu disse, né, comecei a dar aula logo cedo, mas fui fazer mestrado só em 96, né? Comecei aqui em São Carlos, né, eh, ainda, né, no departamento de arquitetura a gente ainda era vinculado à escola de engenharia. Então, eu sou mestre pela Escola de Engenharia, né, porém eh no no programa de pós-graduação da arquitetura e urbanismo. Aí, posteriormente, eh, aí entrei como professor aqui
em 99, né, na USP. E em 2000 eu comecei, né, um doutorado em filosofia na federal. Então, eu tenho o meu doutorado na filosofia e metodologia das ciências, né, eh, aqui na Universidade Federal de São Carlos. E aí, posteriormente fiz minha carreira Interna aqui dentro do do da USP, né? eu eh ajudei a criar, né, a fundar o IALAU, o Instituto de Arquitetura e Urbanismo. Eh, o departamento, né, se desligou da Escola de Engenharia com apoio, né, da Escola de Engenharia. Eh, e a gente criou em em 2010, eh, o 14 de dezembro de 2010
foi aprovação da criação do Instituto de Arquitetura e Urbanismo, né, desde então, né, venho atuando, trabalhei muito na área de cultura e extensão. Fui pró-reitor adjunto, né, de cultura junto com a professora Maria Arminda, que hoje é a vice-reitora, né, tá terminando o mandato dela, mas eu fiquei junto com ela na Pró-reitoria de Cultura e extensão entre 2000 e final de 2014 é 2014 inteiro, 2015 e comecinho em 2016. Eh, posteriormente, né, trabalhei, né, projetos de pesquisa, enfim, as as coisas que são atinentes aqui, atividade acadêmica. E desde o junho do ano passado eu sou
Diretor, né, do Instituto de Arquitetura e Urbanismo. Então, eu tô carregando aquela obra maluca lá que não termina nunca, >> mas tá ficando bonito, tá? >> Espero que sim, né? Mas ali cada dia é um é um é um leão pra gente se defender, matar, segurar. É uma paauleira lá. Eh, a sorte e o azar, né, da empreiteira que toca a obra lá, eh, é que eu gosto muito de obra e por gostar muito de obra também Eu sou muito rigoroso lá com eles, né? Enfim. Bom, é isso. Parte, uma biografia meio geral aqui. Eu
tô nessa atuada aí. >> Sim. Bom, deu para perceber que é experiência muito grande. É uma honra tá tá com você aqui, professor. É, a gente vai começar com um pequeno, uma pequena contextualização histórica, né, que começa em 1500, que eu acho que todo mundo já fez as aulas de história na na Escola, em fins, mas independência do Brasil, em Só um segundo. Assim, o o Brasil ainda era administrado e explorado pelo rei de Portugal. Toda essa economia extrativista que vem historicamente falando em toda a região do Brasil, açúcar, ouro, pau Brasil, né? E também
a influência da base de mão de obra escrava, né? Que foi um passado bem forte no nosso país, né? E a gente queria saber um pouquinho sobre essa influência dos portugueses, da dessa arquitetura que eles trouxeram europeia aqui no na região brasileira, né, no continente no geral. >> Sim. >> É, então passo a palavra. >> Eh, eu eu acho assim, existem muitas ã muitas histórias, né, do do Brasil, né? a gente a gente aprende, né, uma história Oficial, né, ela ela é bastante consolidada, enfim, né, acho que assim, a gente a gente cresceu, né, ouvindo,
ah, Pedro Álvares Cabral, ah, porque não sei o quê, Perov Caminha, né, porque ah, assim, ah, o Manuel da Nóbrega, ah, o padre Ancheta, os indígenas, João Ramalho, se tem todos um sérios de nomes, né? A gente consegue eh >> se lembrar, eu ainda um pouco mais distante, né, do meu curso ensino médio, >> né, assim, como que essa história toda Se assucedeu, né, como dizem >> por aí. Eh, eu acho que tem um tem um, eu queria usar, né, como referência aqui, né, um filme do Alan Fresn, né, um filme chamado Desmundo. Recomendo muito
vocês darem um jeito de assistir esse filme. Ele é maravilhoso, assim, um filme muito, mas muito bem feito, tá? assim, ele ficou, faz muito tempo que eu assisti esse filme, mas ele ficou muito marcado, assim, acho que justamente por conta, né, de mostrar, vamos dizer Assim, ou de pelo menos, eh, transformar em imagem, né, uma história mais crua, né, do que que foi, do que que pode ter sido com mais precisão >> esse período, né, da chegada dos portugueses no Brasil. Então o roteiro é é da Sabina Anzuategui, deve ser assim o nome, né? E
os atores, a Simone Poladori e o Osmar Prado e o Cacco Seoc. O Osmar Prado, ele é um colonizador, né? assim, ele vem pro pro Brasil, enfim, até o nome do personagem Que é Francisco Abuquerque. Francisco deburerk até existiu mesmo Francisco deburerk, mas 1700, enfim, tem daí, enfim, é um uma invenção lá do do Fresnô. De qualquer maneira, ah, o é o papel que é cumprido aqui pelo Osmar Prado e é um bronco, cara. ser um bronco, é um sujeito se ele vive com a mãe, né, e uma criança excepcional, né, e inclusive é um
uma pessoa com síndrome de Down que faz o papel, né, dessa de uma menina, acho que É uma menina, não lembro direito, mas eh e o filme ele tem legenda porque ele é todo falado em português galego. >> Ah, sim. Então ele vai lá para trás assim e põe e é uma mistura de língua, né, assim, porque em volta na vamos dizer assim ali naquele no assentamento, né, onde o Francisco ele tá instalado, né, ele eh ele tem os indígenas escravizados que estão Trabalhando por ali, né? Então assim, aí no meio do das falas também
tem eh tupi, tem o guarani, tem outras outras línguas também misturadas, >> né? E inclusive hebraico, né? Porque o Cocokler faz papel de um cristão novo, então enfim, ele é judeu e aí aí era um judeu, né? Então assim, é uma confusão de línguas, né? E aí você cai um pouco na real, você fala assim: "Nossa, o que que se falava efetivamente nessa terra daqui?" Né? um momento em que você tinha Vários grupos indígenas aqui, >> né, instalados. É uma torre de Babel, né? E e eu acho que isso é um sinal importante porque eu
quero salientar aqui, né, no que vocês me colocam, né, em relação a à possibilidades construtivas, né, desse período. Hum. O filme ele é ambientado por volta de 1570 e é uma época em que Portugal enviava órfã ao Brasil para se casarem com os colonos. >> Acreditem vocês nisso? >> Você não sabia que isso acontecia. >> Era uma tentativa, né, de de dos jesuítas, né? Veja bem, os jesuítas que eh quando uma menina ficava órfã, né, ela era encaminhada para um convento, né, e e aí ficava sob a tutela do governo português, da coroa portuguesa. E
os jesuítas pediam, né, pra coroa para enviar essas moças para cá, meninas de 16, 17 anos. Assustador, né? Eh para se casarem com esses colonos, né? E tem até um trechinho que eu gravei aqui da carta do Manuel de Nóbrega, do padre Manuel de Nóbrega. Ele dizia o seguinte: "Já que escrevi a vossa alteza, a falta que nesta terra há de mulheres com quem os homens casem e vivam em serviço de nosso Senhor, apartados dos pecados em que agora vivem, mande vossa alteza muitas orfas, e se não houver muitas, venham de mistura delas e quaisquer,
porque são Desejadas as mulheres brancas, que quaisquer farão cá muito bem a terra e elas se ganharão. E os homens de cá apartar-seão do pecado. >> Qual era o pecado? >> É uma tentativa de colonização mesmo >> dos corpos, então >> de realmente excluir o pessoal da terra, os indígenas, né, e tudo mais. >> Não. E assim, e o filme eh ele não fala isso explicitamente. >> Uhum. Mas ele deixa entender que a menina excepcional é fruto de uma relação incestuosa do Francisco com a mãe. >> Nossa, >> não. Loucura. >> Realmente é, a gente
para para pensar e não faz tanto tempo, né? A gente para para pensar historicamente falando, é muito recente ainda, né? Pois então, >> e realmente é assustador porque >> é assustador. Nossa, >> quer dizer, a gente eh e aí assim o filme, né, tem a personagem, né, que é uma dessas órfãs, né, chama Oribella. Ela é trazida pro Brasil e obrigada a se casar, né, com o Francisco Buquerk, que é o o quem faz o papel é Osmar Prado. Eh, e assim, o filme se desenrola, ela tenta escapar três vezes, né, assim, as incursões eh
sexuais são mais próximas de um estupro, né, do que realmente de um uma relação marital, né, >> e Assim apanha apanha desbragadamente, né? Não, a coisa até que um, na terceira vez que ela foge, elas ela é protegida, né, pelo Ciocler, né, que é o esse cristão novo, né, >> e depois de um tempo ela parece grávida e fica sempre aquela dúvida assim de filho de quem é ótimo filme. Não vou ficar dando spoiler aqui no Desmundo, >> que é o mundo desnaturalizado, sabe? Ou desfigurado, melhor dizendo, né? assim, Naturalizado ao extremo, né? A coisa
>> Sim. >> Então eu eu tô trazendo como referência essa realidade, né? Pra gente pensar assim, o que que era construir num lugar como esse. >> Uhum. >> É, provavelmente teve muita influência dessa parte de tirar as construções indígenas, né, e trazer um >> características cada vez portuguesas até ficar totalmente. >> Mas isso assim é ao longo de muito tempo, né? assim, até a gente chegar em 1816, na missão francesa, assim, a coisa toda tem muito chão, né, assim, e esse processo todo, né, ele é um processo muito violento, né, assim, assim como, né, nessa
relação, por exemplo, da colonização >> que você precisa, né, necessariamente ali, eh, escravizar o indígena, trazer escravizados, né, do da África, enfim, >> né, isso tudo eh é uma realidade E que é longinquamente distante, né, daquele que é preguado como paraíso, né, assim, ah, os europeus achando que aqui era, né, a terra de mana, leite, mel, essas coisas, né? >> E eu acho que a gente tem uma visão muito de livro infantil, não sei, de >> até romantizada desse período assim, sabes que existiu a escravidão e o exploramento de tanto recurso natural quanto dos povos,
né? Aham. >> Mas a gente não tem uma noção verdadeira do que realmente das atrocidades, digamos assim, que aconteceram, né? Então, >> então vocês imaginam assim, quer dizer, chegam esses esses colonizadores, assim, não era um cara que tava no bem bom lá em Portugal, entendeu? Assim, era um cara que f assim, bom, eu vou porque não não me resta mais nada aqui. >> Uhum. >> Né? Vão tentar. E assim, eram pessoas, Eram broncos, né? >> Sim, sim. e violentos, sabe? Eu acho que assim um pouco eh vocês até colocam aqui na na imagem nove, né?
Tem uma uma figura, né, que é um desenho do de BR, né? Eu eu vou chegar lá, né? Assim, é um salto muito grande, né? Mas eu eu acho que ela expressa bem, né, o que que é, né, a realidade, né, de um país que tá em construção, né, e quem é que constrói esse país. Então, naquele momento lá do Desmundo, >> Sim, >> tá assim, 1570, que é por volta do período em que rola o filme, eh, isso que eu tinha aqui no no país era mato, pedra, terra e madeira, né? Então, eh, por
exemplo, as construções, né, do gênero, né, da imagem dois, né, do a construção a pau pique, né? >> Sim. >> Eh, basicamente é o é o que se construía naquele é que aqui assim, nessa imagem Já é uma coisa mais atual, né? >> Mas vocês imaginam assim, era pegar uns pedaços de pau no mato, né? trançar com fibra nas uma fibra resistente, >> usar barro, tudo que tinha >> barro e palha na cobertura, entendeu? Então assim, eh esse é um pouco o cenário, né, do do que se construía no geral, né, >> porque assim, a
gente pega, né, situações, né, que são muito atípicas, elas não são eh Normais, né, da realidade desse período, né? Então, quando a gente pega, por exemplo, uma fazenda, né, na imagem oito, né, na cenzala desse período colonial, isso aqui é uma construção com taipa, né? Então, na construção com taipa a gente tá usando madeira, terra, pedra, né, assim, alguma coisa já de barro cozido, né, que é a cerâmica que faz as telhas. >> Telhas, >> mas assim, isso é o geral e aqui é uma Das melhor as coisas mais bem construídas assim. É, eu acho
que a gente tem uma visão muito, toda a construção era gigante assim e super elaborada, com detalhes assim, porque foi o que sobreviveu, eu acredito, né? >> É, é porque obviamente também assim e eram construções mais perenes, né? Então assim, tem um certo cuidado, tal, enfim. >> Mas a casa bandeirista, né? Por exemplo, só assim, a gente fala lá em São Paulo no tanto, uma casa bandeirista até hoje, Pô, até 500 anos a casa, né? assim, eh, ela foi feita com um determinado cuidado, né, para que ela fosse preservada e ela foi restaurada assim ao
longo do do dessa existência de vida dela, né, toda. Então, então é muito diferente, né? O que eu acho que é importante assim dessa primeira questão que vocês me colocam é a gente frisar que a realidade ela bem mais dura, né, do que às vezes a gente imagina. E assim, o que tem de construção, né, Efetiva, né, nessa época, desse período, né, e que se preservou, eh, ela é excepcional. >> Uhum. >> Assim, maioria das coisas se perderam, né? O, o Caetano Galindo é um escritor que ele é um linguista, né? É um linguista histórico,
né? Ele faz linguística histórica e é muito bacana. Ele fala uma coisa que assim pra gente é muito fácil, né? falar assim, ah, nossa herança, né, das línguas indígenas, tal, Então a gente fala Piracicaba, Taubaté, ah, é tudo termos indígenas, anta, tatu, >> sim, >> né? Assim, nome de bicho, você fala para além dos topônimos, né, assim, nome de lugar, nome de rio, nome de bicho, de fruta, né? Eh, além de desses termos, hã, a questão toda é que o tupi, o guarani, as línguas indígenas, as línguas originárias, assim como o nagô, assim, as línguas
africanas, né, tam de origem africana, elas penetraram na Estrutura da nossa língua, >> com certeza. Então assim, a gente mais do que simplesmente reproduzir palavras, o que é uma coisa mais do que óbvia, né, assim, a estrutura do jeito de falar, né, é que muda o muito da nossa estrutura, do português atual que a gente fala, né? >> Eh, eu só tô dando esse exemplo aqui para assim dizer, a nossa arquitetura, nosso jeito de construir, ele é uma mistura assim, uma bruta de uma mistura, Né? eh, >> você deu o exemplo da língua, né? >>
Bom, é bem óbvio quando a gente compara português de Portugal com o nosso português, né? É quase uma língua à parte o português falado no Brasil. >> Exato. Exato. >> Porque teve muita influência de todo lugar e a gente vê isso até nas etnias brasileiras também. O que que é o povo brasileiro, né? Qualquer Um pode ser brasileiro. Então tem realmente essa missigenação muito grande, né? >> Aham. E e assim, um exemplo bem bobinho assim que eu ouvi outro dia de um colega nosso do do no do diretor do Museu Paulista, ele ele comentando assim,
a gente fala, a gente fala, não fala bebé assim, fala bebê, bebê criança, né? Uhum. Uhum. assim, ah, é um nenê, nenê, nenê para cá, nené para lá, é uma coisa africana, Né, que vem deato. >> Então, assim, são as sutilezas assim da língua que às vezes a gente nem percebe, né, e que muda realmente o jeito da gente falar. Eu vou dar um passo, né, adiante aqui e e usando um pouco esse argumento, né, da forma como a gente eh pensa, né, a construção e os materiais, né, que a gente utiliza na construção. É
óbvio, né, que ao longo desse período, né, assim, então pegar, por exemplo, né, todo o período na mineração, né, assim, Então tem a as igrejas, né, de Ouro Preto, né, são o a que vocês colocaram aqui nas imagens 11, 12, n, são circunstâncias, né, de eh momentos da história da construção do Brasil que são muito específicos, né? >> Sim, sim. assim, o ciclo da mineração, né, ele é ele é um período, né, significativo, importante e que conseguia eh alavancar recursos, né, do de outros cantos do do mundo, né? Então eu conseguia trazer, Né, eh materiais,
não só materiais, mas também conhecimento, vamos dizer assim, de de alémar, né? Então, eh, esse, as características gerais, né, da construção, o trabalho com a cantaria, né, que é construção com pedra. >> Uhum. >> Ela tem uma missigenação, vamos dizer assim, né, de de culturas e de conhecimentos técnicos construtivos nesse período. Sim. >> Patrocinado, >> né, por uma movimentação de capital, de recurso financeiro, né, muito muito intenso, né? Então isso cria, né, vai criando um mercado, né, o fato de eu ter gente trabalhando, essa gente que trabalha precisa se alimentar, né? Esse pessoal que se
alimenta, compra comida ou adquire comida, sei lá de que forma, mas eh de quem tá plantando, de quem tá criando eh animais para consumo e assim por Diante. Então você vai criando um mercado, né? E esse mercado é o que movimenta a economia do lugar e faz as o lugar se reproduzir, né, se ele crescer. Então isso é ao longo de um período bastante grande, né? Então eu dar um pulo aqui pro século XIX, né? Que eh dentro de uma questão que vocês eh previamente me colocaram aqui em relação à escravidão, tá? Hum. >> Eh,
um historador baiano, acho que ele é Baiano, >> eh ele escreve de lá da Bahia, ele trabalha na UFBA. Eh, João José Reis, né? Ele tem um livro que é maravilhoso, chama Os Ganhadores, e ele fala sobre a greve negra eh na Bahia em 1857. Eh, não sei se vocês sabem, mas assim, em 1835 teve uma revolta, né, de pretos muçulmanos, né, >> na Bahia, eh, que é a revolta dos malês. >> Sim. Uhum. E assim, pegou o povo todo lá de Salvador de surpresa, né? Assim, primeiro assim, porque >> existia uma dificuldade muito grande
com a língua de novo, né? Assim, as pessoas elas se comunicavam >> e assim eh os donos de escravos, eles procuravam inclusive misturar. Então não deixa junto dois caras que vieram da mesma região porque eles se comunicam. >> Uhum. >> E eu não sei o que eles estão falando. Pode estar conspirando contra mim, né? Exatamente. >> É origem. Ai, desculpa. Pode, pode falar. >> É origem da de muitos movimentos culturais, né? A gente tem a capoeira que foi >> era a luta escondida. Exatamente. Então, >> e o nesse livro o João José Reis, ele conta,
né, de uma greve, assim, 22 anos depois da revolta dos Maleis, né, assim, Eu não vou lembrar mais a porcentagem, mas a quantidade de pretos escravizados na em Salvador era maior do que a de brancos, né? Ou seja, eles não de medo porque eles tm uma sombra assim, né? Quer >> dizer, muito, né? Um tratamento muito violento, né? Porém, já nessa época, 1857, 1857, isso. Eh, e essa o João, ele mostra uma diversidade tão grande assim entre, né, As as possibilidades de articulação do que que era. Tinha escravizado, exescravizado, que era dono de escravizado, tinha
eh escravizado que era morava em outro lugar, não morava com o seu senhor, com o seu dono, né? de escravizado, que passava semana inteira fazendo serviço por conta dele, depois ia lá pagava uma grana, né, pro pro seu dono, né? Então assim, ele mostra que eh essa relação, né, com a escravidão era muito era muito diversa, assim, né? Tinha várias modalidades, vamos dizer assim, né, de se exercer a escravidão. >> Eh, e particularmente, né, os ganhadores. Então, assim, uma figura que vocês já devem ter visto por aqui em algum momento, né, são os carregadores de
pessoas. >> Sim. Nossa. >> Vocês conhecem Salvador, cidade baixa, cidade alta? >> Sim, sim. >> Imagina o que que era subir do porto. >> Nossa, aquelas colinas. É, >> então as doccas, as madames, os os barõezinhos, tal, não sei o quê, eles queriam o quê? A cadeirinha, né? Então eram dois pretos segurando, né? Num duas ases de madeira compridas assim, uma uma cadeirinha. O cara sentava ali, era o táxi deles, era o Uber, né? Na época que fazia o serviço de subir e descer ladeira, né? Em Salvador. >> E mais do que isso, né? Mercadorias,
né? Então se os carregadores, tal, esses são Os ganhadores, né? O povo que ficava ali e tal, não sei o quê, prestando esse tipo de serviço. E aí o que é muito bacana que o João mostra e eu assim gostaria muito que uma hora ele desenvolvesse mais isso como historiador, >> é a sazonalidade desses serviços, né? Para além da história da greve e tal, que pegou todo mundo também de surpresa, ficou morri de medo assim de virar de novo uma revolta tipo a dos males, né? Mas enfim, eh, para além disso, né, tem um determinado
ponto do livro que ele começa a falar dos carpinas, por exemplo, que são os carpinteiros, né? Então, é um conhecimento que vem de África assim e e um conhecimento que não se tinha aqui e não era dos portugueses, né? Os portugueses sim tinha, mas assim, é um é um trabalho mais bruto, né? ser o que os portugueses trouxeram como conhecimento. Então você vê isso pelos encaixes, pelas Possibilidades de sambladuras, né, da forma de como encaixar uma madeira com a outra, tal. >> Então ele ele comenta isso sobre os carpinas, né, esses carpinteiros. Ele comenta também
da sazonalidade dos serviços, né? Então assim, às vezes tinha serviço, né, para fazer como ganhador, tinha época que não tinha. Aonde que eles iam trabalhar? na construção. Aí você anda em Salvador, vê aqueles conjuntos todos, né? Eh, aquelas Construções eh eh que são conjuntos grandes, né? Se por na imagem três, é uma figura genérica, né, de um conjunto de casas, né, geminadas, coloridas, tal. Quer dizer, esse tipo de de construção, né, ele já é fruto dessa mistura toda, né, de conhecimentos, né? Então isso tem no Rio de Janeiro, tem Salvador, tem Parati, né? Então também,
Né, um um um um lugar em que >> na imagem 13, né, você mostra eh eh assim já um eh na imagem 13, por exemplo, eu eu aponto para vocês esse conhecimento da da construção da desses portais, né, de madeira. Eh, é um é um tratamento mais português, né? Com certeza >> da da estrutura da estrutura de de sustentação, né, do de um vão, n? Eh, aquela que os os o conhecimento de Carpintaria que os africanos trazem, né, já é uma um outro tipo de elaboração, certo? Eh, então eu acho que isso vai constituindo, né,
um jeito de pensar a construção, né, que é importante. E aí eu chego, naquela, voltando aqui à imagem do Jean Batista Debré, né, que é a aqui a nove. Isso. >> Você >> pode falar, desculpa. >> Não é que você levantou a questão de Paratina, né? Eu acho que todo mundo que já foi pr Parativo viu aquelas ruas que você tem que ficar andando olhando pro chão atualmente. Sim, tanto que eu já tropecei lá. >> Sim. Eh, eu acho que é uma curiosidade assim nesse estilo de rua, enfim, era realmente assim ou foi degradado? Tinha
algum tipo de estrada um pouco mais lisa ali ou realmente era essas pedras assim? Assim, até o próprio Debrê, ele tem uma figura, né, que eu vou comentar agora Que no >> depois uma hora vocês dão uma olhada. Eh, é a calcetaria, né, assim, e o calçamento, né, para calçar as ruas. Aí depende muito do material que da matéria primo que você tem. Hum. Então aquele tipo de pedra, eu não vou lembrar o nome agora, mas enfim, tem >> alguns lugares, o pessoal eh eu lembro em São Tomé das vezes o pessoal falava em pé
de moleque, enfim, porque parece aquela >> cheio de caroço, né? E então é uma é uma arte, né? Você assentar a pedra, né? No chão. É um é uma arte e de compor e e travar, né? Inclusive, porque aquilo, né, com o tempo, com o tráfego, né, aquilo vai se deslocando, né? Claro que a gente não tem isso, né, num contexto num contexto assim de tráfego pesado com pneumáticos, né, assim, com caminhão, carro, essas coisas, né, >> a carroça, carro de boi, não sei o quê, então roda de madeira. Então imagina se Vocês tropeçam, imagina
um cavalo coitado ali. >> Mas enfim, eh nesse nessa circunstância, né, se a gente também desconhece, né, eh, outros sistemas, por exemplo, água de chuva, tá? Você vocês devem ter pego chuva em Parati, com certeza. >> Então, enche de água, né, assim, porque ela é muito próxima assim do nível do mar, né? >> Os caranginhos toudo aparece assim na rua. É, >> é verdade. >> Agora imagina como é que era sem tratamento de esgoto. >> Nossa. >> É, nossa, que horror. >> É uma outra questão, a parte de saneamento, né? >> Aqui no estado de
São Paulo, né, na nas outras regiões do Brasil, imagino que não tem lugares ainda que é precário o saneamento, né? Mas realmente trouxe mudanças ou não? Nessa época ainda, Século XIX ainda era muito parecido com >> Então, eh, isso que eu queria voltar aqui, o sistema de tratamento de esgotos, né, ou de coleta de esgotos era feito por quem? Por escravizados. >> Sim, >> assim, tinha até em Salvador tinha os escravizados no chamam de tigres, né? Por quê? Porque eles pegavam, né, bacias, né? Vários recipientes com urina, fezes, tal, essas coisas. E aquilos corria pelas
costas assim, Ficava queimava. Então chamava de tigres porque ficava tudo meio queimado. É um horror, né? Então o sistema de de coleta de esgoto era as costas, né, do escravizado, né? Então >> eu acho que esses aspectos, né, sentiram um pouco desse glamur, sabe? Assim da ai que lindo, uma cidade colonial linda. Vai lá viver nessa época para você ver como que era bom. Então assim, o eu queria convidar vocês e a todos os que nos ouvem assim a Visitar a exposição no Museu Paulista, né? Uma exposição do Jean Batista Debré, que é uma revisitação,
né, ao Debré. Debre, ele veio na missão francesa, né, junto com o Granjão de Montini, que é o arquiteto que introduziu, né, o paládio, né, que é um grande arquiteto italiano, né, introduziu o paládio no no Brasil, né, considerado o cara que trouxe o paládio pro Brasil. Eh, então, por exemplo, a imagem 23, né, e 24 também, né, essa linguagem grandiosa, Né, de construções, né, com com o o neoclássico, né, assim, fazendo referência, né, ou um certo ecletismo, né, também assim, eh, o, o Museu Nacional, né, assim, isso era casa, né, foi logo que chegou
a família real construíram, né, na parte de base de da base, né, assim, aí depois um segundo pavimento e aí depois Dom Pedro I Pedro II, fizeram o terceiro pavimento e aí pegou fogo tudo e enfim agora tá em restauro, né? Mas essa linguagem, né, ela vem realmente, né, com a a missão francesa, né, ela introduzida no Brasil a partir da da chegada da família real. Mas a missão ela é uma coisa muito curiosa, né? Porque assim, o Dom João veio pro Brasil fugindo de quem? Não foi do Napoleão. >> Napoleão era o quê? Francês.
>> Francês. >> Por que que o maldito do rei chama a Missão francesa justamente de quem ele tá fugindo? É verdade. >> A gente assim pensa depois, ué, mas que que acontece? Bom, vamos tomar, por exemplo, o Debrê. O Debrê era um jacobino, portanto, um revolucionário >> e, portanto, né, ele queria distância >> do absolutismo, tá? e ele vem para uma corte absolutista, né, empregado de uma corte absolutista. >> Então ele sofria muito com isso, tá? E Aí essa exposição mostra, né, um pouco dessas contradições da forma como o DEBR ele lidava, né, justamente com
esses com essas questões. E aí uma coisa que é muito interessante nessa exposição eh é fala dos dois debres, né, de dois e ateliê que ele mantinha, um da corte. >> Uhum. Assim, todos vocês já devem ter visto em livro de história uma figura do Dom João VI que é dele, né? Assim, não é um desenhinho do João João VI que com Certeza a memória que vocês têm na cabeça da cara do Dom João Beudão assim, aquela coisa, >> né? É o é o Debre que desenhou, tá? O Dom Pedro também tem desenhos, né? Conhecidos
dele. Então ele fazia, ele era o fotógrafo da corte >> e e ele mantinha um outro ateliê. o atelierê da rua que ele chamava, né, assim. E aí nesse atelierê da rua ele ficava olhando, vendo aquela imagem que eu comentei, né, dos serradores de Tábua. >> Uhum. >> Né? Eh, dos escravizados. Tem várias imagens, né, de pretos trabalhando, comercializando na rua, vendendo aves, né, costurando, assim, comerciando, vamos dizer assim, né? eh, mercadejando, né, coisas diversas, né, trabalhando na casa dos dos seus senhores, tal. Então, eh, e ele fez acompanhar, né, esse esses desenhos, né, de
comentários, né, sobre o Brasil. E aí, assim, eu falo: "Olha, Não tem nada assim, é tudo muito violento, né?" >> Uhum. Com certeza. Então, eh, a gente sempre, né, tem acesso a essas imagens do Debrê, né, a gente nunca temha tem acesso aos textos do Debrê. >> Hum. É, realmente. >> E os textos dele assim são doloridos, assim, são realmente, né, assim, muito muito eloquentes, né, sobre essa realidade, né, do Rio de Janeiro, né, do de meados do século meados do século XIX, começo do século XIX, meados eh até meados do século XIX. Então assim,
é um pouco essa contradição e eu acho que a nossa arquitetura, né, as nossas construções, elas são um uma exposição, uma explicitação, né, dessas contradições mesmo, né? Então assim, é um é um país que vai se construindo, né, assim, em termos de de arquitetura, em termos de de história mesmo da construção, né, a partir de um de um conhecimentos diversos, né, que vem Desde lá da origem dos 1500, né, até o século XIX, tá, com parcelas, né, de conhecimento técnico africano, de conhecimento técnico indígena, né, né? E que vão se sobrepondo e se entrelaçando com
esse conhecimento ilustrado, né, português. >> Sim. Então, eh, dá pra gente considerar que essa mixigenação, ela enriqueceu a arquitetura do Brasil Império, então, do Brasil como um todo. >> E a duras penas, sim. Eu acho assim, a Gente, vocês já devem ter ouvido assim, não só não só a arquitetura, mas a construção, né, no Brasil, ela é ela é assim, conhecimento concreto, né, é um dos conhecimentos, foi durante um período um dos conhecimentos mais avançados do planeta, assim, né, de conhecimento mesmo, assim, >> assim, o Joaquim Cardoso não nasceu em qualquer lugar, entendeu? Sim, ele
>> eh eu conheci um um engenheiro eh Carlos Vasconcelos, eh um cara importante da História das estruturas, tal, enfim, é um figurão e já falecido, mas ele contando que quando o Joaquim Cardoso faleceu, eh, vários engenheiros, né, estavam juntos e entristecidos, né, com o falecimento do do Joaquim. E aí diz que um determinado momento um deles teria dito assim: "É, esse sujeito foi pro túmulo". Falou um nome feio e esse sujeito foi pro túmulo >> e e não explicou pra gente como é que ele conseguiu enfiar tanto ferro naquela cúpula invertida do Senado Federal >>
do do da Câmara Federal. >> Eh, por quê? Porque é um aquilo lá é praticamente uma estrutura metálica, né? De tanta quantidade de aço que tem lá. Bom, mas enfim, eu tô contando isso só para assim vocês entenderem que eh essa essa diversidade contribuiu, né, para também a gente ter esse tipo de conhecimento aqui, né? Então vocês estão Num curso >> de engenharia civil, eh, que eh não é qualquer curso. Uhum. >> Também, né, assim, tem muita coisa. Dargamassa Armada, por exemplo, foi desenvolvida aqui, né? A gente tá fazendo um prédio em madeira aqui, não
é à toa. >> Uhum. >> Tá assim um grande prédio público, né, de uma universidade pública, assim. Então esse conhecimento é um Conhecimento que decorre, ele é resultado, né, de muita gente carregando baldes com urine e fezes nas costas, entendeu? um pouco. É isso que eu queria deixar reforçado aqui, né, por conta de assim, a gente a gente apaga as marcas do trabalho, né, assim, eh, a gente vai tentando esconder de todas as formas, né, como que o quantidade de trabalho que foi investida, né, naquilo para se realizar daquela forma, né? >> Sim. Se tem
um passeio, a próxima vez vocês forem para Parati, procurem. Tem um passeio que você faz, né, com uma uma >> um coletivo, né, lá de de Parati, de pessoas pretas, né, e assim é muito legal ver o ponto de vista, né, por a história que eles vão contar ali >> é diferente da que a gente foi ensinada e aprendeu na escola, que a gente só viu o ponto dos portugueses, né, e toda a parte branca. E aí assim tem várias coisas assim, as Ruas, por exemplo, o fato delas terem uma leve uma leve inflexão, >>
né? E aí o lugar onde você fica na esquina e assim a possibilidade de você se proteger e mirar o inimigo que tá chegando, tal. Então >> é uma cidade que assim, ai que bonitinha, né? não é uma cidade milica, assim, ela tem uma uma estrutura, né, de defesa militar mesmo, né? Então é importante conhecer, né, essas esses outros lados assim que tão mais Obscuros, porque normalmente assim isso a gente vai tentando apagar, vai tirando, porque ah, essa coisa é feia, né, assim, isso aqui, >> né, depõe contra a nossa civilidade e tal, >> mas
não é importante a gente >> a gente só é o que é porque assim uma vastidão, né, de trabalhadores indígenas, escraviz os eh de toda a ordem, né, assim, até hoje, Né, os nossos candangos em Brasília, os nordestinos nas construções de São Paulo, enfim, acho que isso tudo n faz nossa história e a gente não tem como, né, negar isso, assim, com certeza. Certeza >> foi muito suor e sangue para levantar essas estruturas. E você falou da parte funcional, né, militar, digamos assim, também era um símbolo de poder do império essas construções. >> Sim, sem
dúvida, né? Mesmo o o Museu Nacional, que era um palácio, tá? Um palácio real, >> eh casa, moradia do imperador, né? Depois no no Brasil império, né? Então, eh, a Academia Imperial, né, na imagem 23, ela é bem essa é bem eloquente assim, né, não mostrar a grandiosidade, a nossa capacidade, >> né, construtiva, a forma como a gente lida com a lida com a construção, com as ordens, né, essas coisas todas eu não não domino, né, assim, tem gente que Faz isso bem melhor do que eu, né? Então, o fato de eu ter esse embasamento,
né, o que que ele significa, a altura dele, a proporção, né, pra parte superior, né, das arcadas, enfim, isso tudo tem uma lógica, né, dentro de uma perspectiva estilística, vamos chamar assim. Sim. >> N, porém, eh, se o a minha ligação é com o trabalho. Isso que eu acho que >> Sim, sei. Imagin que até, perdão, junto. Pode falar, falar. >> Eu já falei bastante falar. Não, é que eu ia falar que além das casas assim que mostram a a grandiosidade, a força militar também, eles faziam isso com as igrejas também. Quanto mais alta, quanto
mais imponente, mais brilhosa, mais perto de Deus, mais aquele país tá eh na vista de Deus e é poderoso, sabe? >> É uma visão bem eurocêntrica, né, que a gente tem. E realmente era uma forma de suprimir as outras os outros povos, né, que vieram. >> Eu ia falar da cúpula, você falou da igreja. Uma cúpula, eu acho que é um símbolo de arquitetura e poder de construção muito grande do tipo assim, eu consigo pegar uma coisa reta, digamos assim, e formar uma cúpula redonda, perfeitamente redonda, a perfeição do todos os ângulos iguais e tudo
mais. Então essa ideia de >> tudo simétrico assim, bonitinho. É, eu acho que assim são formas, né? Vocês me deram a dica aqui para eu avançar um Pouco mais para falar um pouco também da imigração, né? Acho que isso >> que é um outro dos assuntos que vocês me pediram para pensar a respeito aqui. Eh, tem um sujeito, né, que é um é um ele é um engenheiro arquiteto conhecido, né, é o Ramos de Azevedo. >> Hum. Sim. >> Então, ã, o Ramos de Azevedo, ele é um ele foi um jovem final de século, século
na Final do século XIX. H, os pais dele, né, vocês com a idade de vocês aí, né, mandar vocês para para Bélgica, né, vocês vão estudar em Gante, né, uma escola e é uma escola de arquitetura, né, de engenharia e arquitetura. E tem à noite tem um curso de artes mecânicas, né? Então, vai aprender vidraçaria, vai aprender carpintaria, serralheria, todas as artes ligadas à construção. >> Uhum. >> Ele frequenta esse curso e ele abandona, né? Assim, chega um determinado momento, ele volta pro Brasil com 26 anos. E nesse período em ele volta para Campinas. E
aí quando ele chega em Campinas, ele os o pai dele tava tava acompanhando, ele era de um uma comissão, né, que tava encarregada da reforma, uma reforma de uma De uma revitalização, vamos dizer assim, da Catedral de Campinas. E aí falando da cúpula, eu lembrei da história aqui. >> Aham. Eh, e quem tocava essa obra era o Bonini, né? Bonini é um engenheiro italiano e e uma orientando minha, Thaís Carnejo Mendonça, ela fez um um trabalho de pesquisa e ela teve uma sorte danada porque era um arquiteto colega, né, que tava trabalhando na restaura, no
Restauro agora mais recentemente, né, na Catedral de Campinas. >> Sim. E ele achou uma documentação do Bonini perdida lá no meio dos das paredes lá do do da igreja. E eram listas com o nome dos operários que estavam trabalhando, né? Que acontece o seguinte, a igreja era de Taipa, né? E aí assim não pode ficar uma igreja, né? Do do porte de uma catedral, né? Ser feito construído com taipa. Então vamos Entolar. a taipa. Então, botaram tijolo em volta da taipa, né, para esconder a taipa e fazer firulas, né, fazer frizinho, essa coisa toda que
se faz, né, no neoplássico, os ornamentos todos. E e aí ele o Bonini era um italianão daqueles chato, né? Um cara brabinho, né? E se indispôs lá com o grupo, com essa comissão >> e tudo, uns barõezões assim, né? Do Café, de fazendeiros, tal. E e nesse contexto eles eh eles eles eh tinham a obra andando e todos os operários, o nome deles eram, a gente teve acesso a esses documentos, é muito engraçado, são todos italianos. >> Francesco, eh, >> sim, >> sei lá, nomes italianos aqui. Um monte de nome. >> Josep, enfim, >> Giovani.
>> Giovani. >> Sim. todos os nomes italianos, uns 30 assim. E aí o quanto eles estavam ganhando, né, no cada mês e quem assinava aqui era o Bonini. >> Aí deve ter tido, né, a gente não tem notícia disso, algum entrevero entre o Bonini e essa comissão. >> Uhum. >> E aí, assim, que que acontece? Eles tiram Bonini do lugar e botam um câmedo Para tocar o fim da obra >> com 26 anos de idade chegando da Europa, entendeu? >> Que não tinha terminado de fazer, sei lá. lá >> e você vê assim as assinaturas
aí começa a assinar Ram de Azevedo, >> tá? Ele começa a assinar >> Franc Paula, Ramos de Azev, né? Faz assinatura lá e e o nome dos Giosp, Giovani, não sei o que é os mesmos. Ele Não mexeu no time, entendeu? Assim, ele só simplesmente entrou no lugar do Bonir e continuou com os mesmos operários. >> Ele é muito esperto. >> É, time que tá ganhando não se mexe, né? Não, porque senão ele ia ter que se adaptar um novo time inteiro, dar as ordens, todas as instruções. Aqueles ali já sabiam o que tava fazendo.
Ele chegou só para mandar. Tá ótimo, continua fazendo, tá tudo certo. >> É assim, diz que o grande contribuição Dele na pra catedral de de Campinas é a cúpula. assim, a única coisa que ele desenhou assim foi obra, projeto dele é o toque final, a cereja do bolo, literalmente. >> Não, assim, eh, e o Ramos de Azevedo, ele se tornou, né, em São Paulo o o maior empresário da construção civil que a gente tem notícia, né, assim, >> proporcionalmente ele é muito maior do que esses caras que estão por aí hoje, entendeu? assim, não, pô,
o cara trouxe O vidro, né, Sangobano, não sei que essas coisas, ele trouxe o vidro pro Brasil, né, Caieiras, né, produção de cal, né, era em função das obras do da mega empresa, né, que ele que ele promoveu. Quer dizer, o escritório dele contratava os projetos, né? Então, assim, são dois italianos. Projeto do do Teatro Municipal de São Paulo, né, não é do Ramos de Azevedo, ah, o teatro do Ramos de Azevedo, não, do escritório dele. Na verdade, quem fez o projeto Foram contratados. >> Uhum. por esse escritório. >> Então assim, eh, ele era um
empresário daqueles assim mais assim, se falar em iniciativa privada, tal, não sei o quê, tá ali, né, um exemplo. E assim, eh, eu tô levantando, né, essa história porque às vezes a gente fica venerando, né, não, que isso não, ele é muito esperto, sabe? Agora, por trás dele, né, tem uma legião, né, de de figuras, né? Então você pega aqui os imigrantes, né? Então, a chegada dos imigrantes na no porto brasileiro, né, na figura 18, eh, no nesse contexto, né, assim, a essa virada, né, de de como você vê essa italianada toda trabalhando no canteiro
jovem, mas que aconteceram com os escravizados, né? >> Para onde que eles foram? É uma questão que a que >> eles não tinham para onde ir essa questão. >> Então, eh, na imagem 19, né, tem até, isso é um pouco mais para adiante, né, eh, trabalhadores indo para pra construção, né, para pros canteiros de obra. Isso nos remete assim, por exemplo, a a Brasília, a construção de Brasília, tal, mas isso vem de bem de antes, né? Então, assim, pensando lá nos italianos, né, é um esforço de embranquecimento, né, da população brasileira. Isso >> tem origem
na lei de terras de 1850. >> Sim. >> A gente não a gente não tem, eu não sei quanto tempo, vocês me digam o tempo que >> Ah, sim. Tá tranquilo, tranquilo. Pode ir. >> Eh, a lei de terras eh é de 1850. Eh, é o número 1000, eh, o número 601 do dia 18 de setembro, né, de de 1850, né? Eh, imagina que você chega assim a terra sem dono, não tem um dono assim, >> os indígenas, não, isso aqui é escritura Minha, não tenho isso, né? Sim. >> Então, >> assim, que que acontecia,
né? Você tinha assim, ah, não é terras da coroa, então você tinha um regime de cesmarias, né, e de concessão de terras pela coroa portuguesa. Aí depois, posteriormente, n, você tem todo um arranjo, né, dentro do império, né, também de concessão para conde, barão, duque e tal, não sei o quê, essa turma toda, né, e e um esforço ali, né, de de proprietário mesmo, né? >> Sim. Eh, a lei de terras institui a compra e a venda de terra. Eu falei assim, ó, a partir de hoje, né, a terra não tem mais essa história de
não tem dono. A gente vai ter que comprar ou vender, um produto agora, >> vai ser um produto, uma mercadoria, né? >> E e para isso começar a acontecer, né, eu, e, como é que começa? Tá, então beleza, mas quem que é dono do qu agora? Ah, Então você é poceiro, >> então você tinha que comprovar, >> né, a que você vivia daquela terra, né, e produzia com ela, né? Aí no artigo primeiro dessa lei diz assim: "Ficam proibidas as aquisições de terras devolutas ou terras do estado, né, por outro título que não seja o
de compra". Então, eu tinha que comprar. Excetuam-se as terras situadas nos limites do império com países estrangeiros em uma zona de 10 léguas, as quais poderão ser Concedidas gratuitamente. aí por uma questão estratégica também. Sim, >> sim, >> né, do do governo, né, assim, >> eh, no caso, eh, específico, né, eh, tinha um um problema sério aqui, né, est falando 1850, tinha mais 38 anos até a >> Sim. a abolição da escravatura, né? >> Mas já existia, né, uma expectativa em relação ao fim do trabalho escravo, né, O sistema escravagista já tava em processo, né?
Tinha, >> é, outros países já estavam, né, >> já assim, então essa lei de terras em 1850, ela foi promulgada duas semanas depois da lei Euseb de Queiroz, né, que estabelecia um prazo pro fim do tráfico dos escravos. >> Sim. E e isso já correspondi aos primeiros sinais, né, do fim da da abolição, né, do trabalho escravo e do sistema escravagista, né, >> o ventre livre também, né, que >> isso, isso. Então, >> o que não adianta muito porque tá, eu nasço livre, mas para onde é que eu vou? >> Exato. Minha família tá presa.
Minha família tá aqui, minha mãe é escrava. Essa coisa para inglês ver, né, como dizia assim na época, né, assim, para inglês ver. E assim, e já na perspectiva disso, fal, bom, como é que a gente vai criar um mecanismo aqui de resolver o nosso Problema com mão de obra, né? E aí no artigo 18 dessa lei de terras, parece que não tem nada a ver, mas tem tudo a ver, dizia o seguinte: o governo fica autorizado a mandar vir anualmente à custa do tesouro certo número de colonos livres para serem empregados pelo tempo que
for marcado em estabelecimentos agrícolas ou nos trabalhos dirigidos pela administração pública ou na formação de colônias nos lugares em que estas mais convierem, tomando Antecipadamente as medidas necessárias para que tais colunos achem emprego logo que desembarcarem. Então, já tava em 1850 >> planejado, já >> planejado, né, essa substituição da mão de obra escravizada, né, por uma mão de obra europeia. >> Europeia, sim. E você acha que certo? Eh, teve sim os engenheiros que trouxeram grandes inovações, mas esses trabalhadores também trouxeram uma, Não sei se inovação seria a palavra, uma influência, isso >> grande na construção,
né? Porque eles trouxeram junto deles a carpintaria, a costura, tudo, etc. Assim, >> tem assim uma uma orientanda lá também do do programa, na época ela me trouxe um umas imagens de uma oficina de um sujeito que fazia adereços, né? Chamava-se Gererola Mojô, n assim, era um italiano que ficava na na rua da liberdade. Eu tive agora recentemente na Rua da Liberdade que estão umas obras lá. >> Sim. >> Eh, na rua da liberdade número 16, assim, uma coisa assim do gênero, né? Era uma oficina e lindo essas coisas assim. eram esse tipo de de
artesão, né, ou de artífices, né, eles vieram, tá, também e prestar, não foram para pras instalações agrícolas, né, falou, pô, o cara era urbano, né? Ele sabia pegar na enchada, >> ele sabia esculpir um um atlas assim fortão, não sei que essas coisas, né? Então era muito diferente assim também, né? Claro, sem dúvida, tem essa essa referência, mas eu fico pensando assim realmente no no caso da específico da substituição da mão de obra, né, que aí vocês me perguntam assim: "Bom, para onde ficaram, né, eh, aqueles escravizados todos, né, e fazendo o quê?" Eh, O
que é mais maluco dessa história é que o a lei de terras ela é explícita. Eu posso comprar e vender, mas nunca para um exescravizado. >> É claro. >> Politicamente falando, >> aí ele tá livre, não tem como comprar e não tem o que comprar. Vai fazer o que? na não tem como eh entrar em um trabalho eh exato. vindo imigrantes, né? Fica a >> a margem da sociedade mesmo. >> E isso assim põe pra gente assim alguns aspectos que eu gostaria assim de deixar eh bastante ressaltado aqui de novo na mesma toada, né, do
que eu tô falando desde o começo aqui, >> desse apagamento do trabalho, né? >> Da mesma forma, né? que os é claro, a gente sabe para onde, né, se para onde foram os exescravizados, né, se eles estão na base, né, da população, né, se são os nossos pobres, né, até hoje, né, Estão nas favelas, né, eles estão nos morros, eles estão nos lugares mais pobres, enfim, eh, é muito sintomático, né, que ao mesmo tempo que uma lei de terras, né, desaparece com essa população, né, simplesmente ente parece que, né, por decreto, né, eu só vou
ter lá na igreja de Campinas a italianada toda trabalhando, né? >> Uhum. Eh, esse esse trabalho, né, que foi apagado, Apaga-se também junto com isso toda a tradição construtiva que veio junto com esse povo. >> Essa herança de construtiva. >> Então assim, hoje vocês já devem ter ouvido falar, não, construção com terra, não. Barbeiro, >> doença de chagas, é se já é coisa >> 400 anos de construção desse país aqui foi com terra, né? E assim, e de repente ela não presta mais para nada, entendeu? >> Mas por quê? Porque é o acesso, é o
tipo De construção que se tem acesso à base, como você falou, né? >> Exato. >> Então assim, óbvio que vai ser é a construção vista pra pobreza. Ah, casa de terra. É >> um colega e grande amigo, eh, o Thiago Lopes Ferreira, professor na na UFMG, ele fala uma coisa assim que eu acho que é muito significativa. Ninguém tem uma fábrica de clinker, né, para fazer Fabricar cimento no fundo do quintal, mas todo mundo tem um tanto de terra lá que pode construir alguma coisa com ela. >> Sim, verdade. >> Exato. E então é, você
apaga isso por uma uma razão pura e simples assim. E essa condição, né, ela ela oferece, né, assim, pra gente uma explicação, né, do porquê por que que a gente precisa esconder, né, esse trabalho. É um, é uma é uma forma de denegar o trabalho, né? Se, e as palavras falam, né, denegrir. >> Sim, >> alguma coisa. o próprio português já tá enraizado essa >> ex Então, nessa nessa circunstância, assim, o que eu acho que eu gostaria de deixar aqui, né, nessa conversa com vocês, eh é a gente compreender, né, que não é só um
aspecto assim de modernização ou de mostrar civilidade, né, o fato da nossa arquitetura brilhar, né, com as referências ao paládio, a uma Arquitetura italiana, ao renascimento, né, essas coisas todas, né, assim, acho que assim, tem também, né, um aspecto que é o da própria indústria, né, assim, da própria das próprias formas, né, como o capital vai encontrando de fazer com que a sua linguagem, né, ela corresponda, né, a um a mecanismos, né, de reprodução de valor que são mais eh efetivos, vamos dizer assim. Então assim, eu preciso esconder esse passado todo, eu preciso eh a
terra não é mais o Material que assim, não só a terra que o ex-escravizado não podia acessar, mas também a terra com a qual ele construía, ela não serve mais paraa construção. >> Uhum. >> Sim. >> É como se tudo que ele fez fosse jogado. Isso é >> é impressionante assim. Então eu acho que isso é o grande barato aqui que eu gostaria de deixar com vocês. >> Uhum. Sim. >> Tá. Eh, como uma última pergunta aqui pra gente encerrar, eu gostaria de saber se o senhor acha que essa missigenação toda de indígenas, eh, africanos,
portugueses, italianos e até o conhecimento belga do arquiteto, se você acha que continuou nos anos seguintes, mesmo depois da abolição da escravidão? >> Sim, no comecinho do século XX, né? Então, parece piada, né? para esse meme de de eh rede social. Eh, uma empresa chamada Kaká Kaká. É uma empresa é uma empresa japonesa, né? Isso é uma colega nossa KJOC que trabalhou nisso, no doutorado dela. Eh, ela descobriu assim, a Kakaká trouxe japoneses pro Brasil, tá? 1906 3, sei lá, alguma coisa assim, no comecinho do século XX. E eh esses japoneses se instalaram no Vale
do Ribeira, né? E em torno de 500 500 famílias construíram casas usando técnicas japonesas de carpintaria, >> sambladuras com conexões, né? Assim, incrível, incrível. >> E assim, em torno de umas 100 casas dessas, ainda tem resquícios dela, delas lá no no Vale do Ribeira, na que foi esse trabalho da Kioca. Eh, se você me pergunta assim, continua >> com certeza >> continua >> e entra maisigenação, >> não, mas aí agora juntou mais japoneses também, entendeu? Então assim, acho que é um processo que ele é vivo, tá? E isso vai transformando as nossas formas de construir,
vai transformando as nossas linguagens, né? E é um pouco nesse sentido também que eu tenho uma certa esperança assim de que, né, a gente consiga e tem um movimento grande hoje, né, de reconstrução ou ou de resgate, né, da construção com terra, por exemplo, né? Então, eu tenho um grupo Nosso, do qual eu participo inclusive, >> né, que é o ABC Terra, né? Então é um grupo de pessoas que tá trabalhando, né, construindo com terra, tal, ainda é uma coisa muito sofisticada, muito eh dirigida para um público muito específico, né? Mas assim, já tá apontando
possibilidades. A construção com madeira, né, ela tá também caminhando, né? Eu posso dizer evoluindo, posso. >> Uhum. N assim, então eu tenho formas de Garantir estruturas como do porte do do instituto, como a gente tá construindo lá, né, de vigas e vãos com 11, 15, 20, 18 m de vão, né, assim, usando madeira laminada, colada, né? Então, eh, mas é madeira, >> né? Assim, a madeira, vocês sabem, o peso específico do concreto, 2500 kg por met³. A madeira é chega a 1000, é >> irrelevante perto do peso do assim. Imagina em termos de impacto na
fundação é duas vezes e meia menos do que o Concreto, >> né? Então assim, ah, temos que pensar nessas possibilidades, né? Sem preconceito, né? Eu acho que é um pouco esse >> o barato aqui. >> É, essa é a parte triste, né? Que muita a história do Brasil é feita por missiginação, só que por conta do preconceito, a maioria das pessoas não vê a importância dessa história, não vê que faz parte da própria história, não Só do Brasil. Muita gente que eu já vi que tem preconceito com isso, tem eh antepassados que foram esses trabalhadores,
sabe? E as pessoas não valorizam a história do próprio país, sabe? Isso que eu acho péssimo. >> Uhum. >> Sim. >> Bom, >> bom. E queria finalizar aqui, agradecer muito a sua presença, professor. Sem você não ia acontecer esse podcast. Muito obrigado. Foi ótimo. Foi uma honra ter o senhor aqui. Muito obrigado. Obrigado vocês. >> Maravilhoso, viu? Muito bem, >> obrigado vocês. >> E para finalizar aqui, eu queria pedir que vocês deixem um like no nosso vídeo, comece a seguir o nosso canal e vai lá no Forms, no nosso formulário de feedback lá na descrição
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