E aí ele respondeu mal para você. Como consequência, ficou sem celular. É isso?
Vamos conversar. Não são poucas as vezes que os pais chegam para mim e questionam o castigo. "Vale a pena?
" ou às vezes nem questionam e só comunicam. "Está de castigo. Vai ficar três meses sem brincar com os amigos no prédio.
" Isso funciona? Claro que não. O castigo tem que ser substituído por consequência.
As pessoas devem ser responsáveis e a consequência dessa responsabilidade é que faz com que aquele ato não se repita ou que, pelo menos, gere uma reflexão. Então, vamos falar um pouquinho do cantinho do pensamento. Quem aí acha que uma criança de dois anos que tem que ficar supostamente lá dois minutos pensando no que fez, vai pensar no que fez?
Ninguém acha que ela vai ficar pensando: "Ai, meu Deus! Eu fiz malcriação para o papai". Não vai ficar.
Então vamos pular essa parte. O castigo, ele deve representar algo a ser pensado. E de nada adianta: "Vai pensar no seu quarto".
Adianta que aquele ato traga uma consequência que às vezes pode ser apenas um "Agora eu não quero falar com você. " É muito comum. O adolescente bate porta, a criança faz uma malcriação e logo em seguida, eles vêm "Desculpa".
Ou "Mamãe, eu te amo". Isso tem que ter uma consequência. Então, "Você fez uma coisa que eu não gostei e agora eu não quero você perto Agora eu não quero conversar com você".
Da mesma forma com o estudo. Quando você fala, "Você tirou nota baixa e, por isso, vai ficar sem o celular. " A nota baixa foi causada pelo celular?
Pode ter sido. Aí faz sentido. Mas quando não foi causada pelo celular, a conexão inexistente não provoca reflexão.
Quando uma criança não faz a tarefa de casa e no dia seguinte vai ter menos tempo para brincar porque vai ter duas tarefas para fazer, isso é consequência. Entendam que o castigo, a palavra castigo, o uso do castigo é desvinculado de sentido. E eu brigo muito pelo sentido das atitudes.
O adulto precisa demonstrar para crianças e para o adolescente que todo ato gera uma consequência. Se você é um cara responsável, que cumpre horário, eu posso confiar em você e te entregar um pouco mais de autonomia. Vou dar um exemplo que eu costumo usar.
A criança faz alguma coisa errada e fica sem a sobremesa. Imediatamente a criança faz uma relação. "Eu não posso fazer isso de errado porque eu quero sobremesa".
Quando, na verdade não é essa relação tem que se estabelecer. "Eu não posso fazer isso porque isso gera uma consequência que pode ser eu deixo chateado os meus pais, eu provoco a tristeza do meu irmão, eu machuco o meu amigo". Isso sim é uma consequência.
Isso gera reflexão. A sobremesa que faltou trata só daquilo, daquele momento. Todos os castigos, todas as punições, todas as consequências precisam gerar reflexão.
E é sobre isso que nós vamos conversar muitas e muitas vezes.