E aí E aí E aí E aí o jogo de ideias direto de Ouro Preto assunto do nosso programa de hoje é a presença da literatura brasileira no exterior essa é uma pequena série que nós estamos fazendo em parceria com Fórum das Letras de Ouro Preto para falar da presença da literatura brasileira no exterior nós combinamos dois escritores é que tem livros publicados em vários e vários países vários vários idiomas João Ubaldo Ribeiro autor de vivo por o povo brasileiro e e Márcio Souza autor de médio Maria igual vez o imperador do Acre que foi
uma explosão no Brasil e fora do Brasil para conversar para concluir essa conversa e falar das suas das suas visões da literatura brasileira no exterior a professora Rita godê que dá aula em rennes na França de literatura brasileira e a professora Carmem Vilarinho que dá aula de literatura brasileira na universidade de Compostela na Espanha mediando a conversa outro pó logo jornalista e curador Felipe Lindoso e a nossa mesa de hoje ela a proposta é exatamente de viver como dois autores que tem uma uma literatura muito marcada pelos seus locais de origem é também alcançam uma
dimensão Universal na verdade é do local ao Universal é o tema da nossa mesa de hoje é a nossa dinâmica é muito simples não vou fazer uma eu vou fazer uma pergunta para os dois autores e comentaram entre si e depois a Carmem e a Rita irão por sua vez comentar a resposta CO2 e a pergunta óbvia é como é que vocês se colocam nessa situação de ter suas obras que tem esse caráter a anp local também tô marcadamente no caso do João Ubaldo pela Bahia e no caso do Março pela realidade Amazônica e ao
mesmo tempo ter essa repercussão internacional pergunto muito em torno da de como é que foi como é que vocês viveram essa essa projeção do dos romances para o exterior como é que foi percebida e vivida por vocês essa expansão do âmbito das da Ilha de Itaparica e do âmbito da Amazônia para chegar até a Noruega o Japão Alemanha enfim todos esses outros países eu nunca planejei uma uma carreira literária no exterior com motor para o autor traduzido nunca pensei no assunto em alguns Episódios cabe antes de você traduzido eu já era amigo de José Mava
e ele já morava na Bahia porque ele saiu da Bahia e voltou depois de 50 e poucos anos eu acho para viver o resto da vida vá nessa época eu já frequentava a casa dele e minha única no mundo com o pensamento se a respeito de tradução aí era Quando eu via os livros de Jorge chegavam traduzidos os exemplares dele eu vi aquilo e evitou muito pensava Poxa com Seria bom se eu fosse traduzido mas não meu correr nem nunca escrevi para ser traduzido mas aconteceu o rio eu não me lembro bem como meu segundo
livro Sargento Getúlio chamou atenção na Editora americana que contratou o livro e eu traduzir realmente mas não o por eu achar que eu faria melhor único caso não seja no nada disso é porque o livro tem um texto difícil até para brasileiro e eles me mandaram as 30 primeiras laudas de um tradutor americano que enfrentou aquilo e era uma coisa horrorosa como eu não era meu primeiro livro no exterior E eu achava Claro para todas as ilusões da idade 20 e Poucos Anos e tal que aquilo ia ser um sucesso e filho eu tava com
a vida e aí eu digo não deixe que eu faço aí fiz a tradução a partir da edição americana é engraçado isso surgiu o interesse Muito grande em vários países de que o no dia e o solo dia só de notícias das aulas de geografia no ginásio E aí apareceram de fato a gente é tudo depois que eu traduzir foi traduzido Se não me engano em 16 países foi Acho que a vida não 16 línguas porque em inglês por exemplo a Canadá Inglaterra Estados Unidos então é E aí eu fui virando o escritor traduzido não
sei como mas nunca afetou minha maneira de escrever eu nunca escrevi pensando naquele livro ser traduzido pelo contrário eu eu traduzir o meu muito mais difícil traduzir que é enorme o viva o povo brasileiro e traduzir também porque tá havia dificuldade de achar tradutor mas eu me amaldiçoei várias vezes no dia a tradução para não escrever de maneira mais simples ficar complicado meu próprio trabalho eu publiquei o meu romance que a primeira romance e em 1976 É pô foi pela Fundação Cultural do Amazonas eram mil exemplares e o livro foi muito bem ele vendeu em
menos de um mês e a seguir o livro teve uma edição brasileira a edição Nacional pela civilização brasileira do nosso saudoso aí no Silveira e é isso é 37 eu recebi uma ligação de Nova York eu pensei que era trote de algum amigo meu um americano falando português muito bem mas com aquele está carregado é perguntar se ele se eu não queria que ele fosse meu agente literário e depois de bichat ficar Quem era tal você sabe muito bem o que é que você vai o que é que o agente literário faz e esse a
gente é o nosso amigo tô mascote continua acho que continuar teu a gente né continua sendo a gente do João é na época então o klout foi representar e inclusive ele tinha traduzido um livro do Murilo Rubião o pirotécnico Zacarias tinha conseguido vender e com isso ele cintos e as bolsas vocês conhecem aquele filme do Woody Allen Broadway Danny Rose que ele faz um agente de artistas do sapateador perneta do cara que tem o número de passarinhos que o gato come antes do cara entrar em Sendo pois bem assim a gente de literatura brasileira nos
Estados Unidos EA ser uma espécie de Broadway Danny Rose que é o que o Tom é começou a fazendo então ele traduziu ele não tinha recursos ele foi trabalhar a sua esposa Elaine que a professora lá numa colônia de férias e lá nas horas de folga de traduzir o galvez para o inglês e conseguiu editar por uma editora a e vou esse livro ele foi publicado no mês de agosto de1981 a editora me convidou é para ir ao lançamento do livro no mês de setembro e no início de setembro de 1980 eu disse um barco
em Nova York saí de Manaus vou para Nova York Tom estava esperando no aeroporto Kennedy e quando eu desembarco de estar entusiasmado e diz assim você sabe o que aconteceu eu falei não tenho a menor ideia hoje o livro O seu livro foi resenhado pela revista New yorker E isso quer dizer eu falei mais realidade audiolivro elogiar muito isso quer dizer que você vai vender só hoje na livraria te mando rata entre três a cinco mil exemplares E durante o trajeto do aeroporto para para o local onde vai ficar hospedado ele me contou aqui quando
a editora me convidou e tinha reservado um hotel da Igreja Católica no bairro do sol em Manhattan é que é dizem que é muito bom eu não conhecia o hotel que recebe missionários que vem da África do terceiro mundo com alguma doença Tropical para si em Nova York mais um livro vendeu Vinte por cento da edição então eles então né dá para misturar ele com gente com malária com torcer cozzi tá então vamos colocar ele no hotel ali na Rua 42 na Rua 46 que a Rua dos brasileiros onde se hospedar as comissárias da Varig
tal é mas aí o livro vendeu 50 por cento da edição você dorme agora já não podemos mais colocar ele lá nesse hotel vamos colocar ele no autop a história que é um até um pouco melhor tem o carnaval brasileiro lá e esgotou a edição Então eu fui parar no hotel da Central Park Sul carício cada gorjeta tudo pago mas as gorjetas liquidado com as Minhas Finanças em 2 dias o que realmente que eu fiquei muito intrigado com aquilo porque nem eu nem eu tô é muito medo meus editores esperava que o livro tivesse uma
repercussão porque a coleção que sair era uma coleção tinha uma tiragem razoavelmente alta mas era para ser vendido em dois três quatro anos no âmbito Universitário era o rádio era barato por isso e de repente é isso que era para vender em 23 anos tinha vendido em um mês então eu você me perguntar mas porque o que é que esses americanos são ventos nesse livro deve ser o exótico da Amazônia Deve ser alguma coisa eu fiz algumas palestras e debates com estudantes universitários tanto em Colômbia quanto a Universidade de Nova York numa escola no Brooklyn
e também é eu fiz umas leituras com debate para leitores no centro cultural do Oi aqui é o Center for interamericano relations e onde foi lançamento do autógrafo também E aí eu percebi que os leitores Claro a Amazônia eles tinham interesse pelo Amazonas saber o que era basicamente o surpreendia eles era o Disney respeito que eles viam no livro em relação à cultura europeia a eles não não tiveram experiências Modernista que nós tivemos na nossa literatura e o de certo modo o meu romance é caudatário dessa literatura que vem do Oswaldo de Andrade no bairro
de Andrade do movimento de 22 e um pouco eles levantava essa questão fascinados que eles têm uma reverência enorme pela cultura europeia aliás os intelectuais de Manhattan gostaria de ser franceses mal ele sabe que os franceses gostaria muito de ser americanos né e Então esse foi meu primeiro contato Mas também como João nunca a intervir traduzido com a edição americana eu imediatamente Esse livro foi contratado para multipaises teve uma enorme repercussão de tradução eu não acompanhei basicamente nenhuma tradição única pessoa que única tradutora que tinha muito cuidado e de consultar nos consultar que foi minha
fatura de João também é a doutora Hi good mexe a nossa querida raizinha já falecida que fez a nossa divulgação na Alemanha ela sim mandava extensa as cartas consultando ela conhecia muito bem português dando informações de como está sendo feita a tradução tanto que classe todas as traduções que ela fez dos meus livros do livro do João juntos autores brasileiros que ela traduziu ela ganhou prêmios de tradução na Alemanha a fidelidade evidentemente eu não tenho o menor conhecimento da língua alemã eu consigo usei Bom dia pedir água em alemão e acabou e eu não tenho
como dizer se realmente é qualidade ou não a a tradução francesa também a primeira edição pela laterais e tinha problemas eu quando fui ler eu leio francês ela dizia por exemplo que tem uma cena no romance que o seringueiro ele toca é um cavaquinho e ela traduz cavaquinho e como uma rede de dormir não sei de onde ela tirou a tradutora essas coisas que acontecem Aliás o João tinha teve um caso lá do de um conto dele que a arrai arrai estava traduzindo e ela empata o coco uma expressão que o João colocou lá e
eu nem sei porque eu saí de perto eu não sei como Jorge explicou para ela que era assim dizia o senhor papadopoulos o padeiro da cidade não pode beber porque quando bebe que é queimar a rosquinha e ela queria saber o que queria dizer nós começamos a rir eu e o Loyola e sai queimar a rosquinha Você lembra eu não sei como ele aí eu imagino o palavrão e Alemão dessa expressão né e E aí E aí E aí E aí e agora passando a bola para Carmem e para Rita a questão que eu queria
colocar para vocês em cima da do que falar os dois autores é um pouco assim É já que vocês conhecem inclusive os dois universos no caso o universo foi a seis e o universo é espanhol Galego particularmente os leitores estrangeiros eles nem os autores têm uma percepção dos autores brasileiros digamos assim diferente do que tem o leitor brasileiro aqueles que leem como é que passa essa transformação não é de significado de um leitor o livro que foi escrito para o leitor Brasileiro o livro foi escrito em função das preocupações literárias estética 60 dos autores para
o seu Público aqui e de repente esse livro é produzido em outros idiomas etc tá vocês têm uma posição a Vila geada para ver como é que é a percepção do leitor desses autores brasileiros eu queria que vocês comentassem um pouco a partir daí eu aproveito as intervenções dos varden e do Márcio Souza porque eu acho que eles colocaram duas questões que veio a propósito também da pergunta ao Felipe foi lavando a questão da tradução falava na questão o próprio Márcio do agente literário e colocava o exemplo do Galo vejo imperador do Acre né Agora
vejo o imperador do Acre um romance que focaliza no fundo um conquistador espanhol um tipo de picar o digamos da que quer fazer as Américas esse romance poderia ter tido um sucesso para um público espanhol por exemplo que quisesse ir à procura de dos seios óticos é que substituíssem almedia renda Astúrias enfim aqueles autores e espero a menos que tanto foram difundidos por outra agente literária é cuerba do Dr músculos E como foi a Carmen basquete na verdade ou o leitor é espanhol em geral eu acho que você já sabem que a Espanha é um
país complicado para já eu sou o galega por tantos que faço parte de uma das 17 autonomia sem que em que o país se divide e nos falamos de de um estado complexo é tem uma ideia do estrangeiro uma ideia do exótico uma ideia daquilo que impacta num determinado momento e de uma determinada forma que vem condicionada pela própria estrutura cultural dos diferentes lugares do país então por exemplo para um leitor para uma leitura galegos o exótico pode ser uma questão que vem da Andaluzia e não necessariamente do Brasil falar de uma árvore de 30
metros pode resultar exótico É para um leitor espanhol em geral mas para um leitor E aí pode ser exótico A Matança do Porco o que acontece na minha Aldeia todo mês de dezembro e se a projeção do 10 utilização é uma questão relativa a convença vemos um construto cultural e aí eu acho que a formação cultural a o hábitos das pessoas fábricas Portugal e condicionam muito essa recepção então por exemplo os livros do João Ubaldo Ribeiro especialmente eu vivo ao povo brasileiro vai ser lido e relido habitualmente como livro de identidade no momento depois defende
ditadura em que isso a identidade brasileira é revisitada é de uma perspectiva da construção de um três séculos numa numa visão final do recôncavo baiano mas ao mesmo tempo vai se ali da República dos sonhos e também de 1984 da Nélida como uma construção de imigrantes no país estrangeiro o galvez imperador do Acre vai ser lido como esse picaresco no Trópico E é claro que e o Brasil tem uma certa imagem mano essa imagem estereotipada e a literatura brasileira tem a função entre outras né acordo chega ao público estrangeiro de exatamente mostrar as diversas facetas
da realidade em da realidade brasileira no caso da França com o vários romances de João Ubaldo foram traduzidos para o francês vários romances do Márcio Souza também agora está chegando uma nova geração é mil do atum Bernardo Carvalho escritores Digamos que começaram a publicar nos anos 90 o Chico Buarque começou um pouco antes mas enfim tem uma presença também é no mercado editorial francês agora evidentemente é eu falo Mercado editorial francês Talvez seja uma grande palavra O que é essa literatura circula nos meios acadêmicos circula no caso da França em nos salões de livro quando
o Brasil foi homenageado em 1998 então aí você tem uma grande festa aí o Le Monde pública Né desde que a páginas inteiras a literatura brasileira e a gente ficou agora vai agora a literatura brasileira vai fazer parte não é assim que você vai integrar esse mercado francês é mais amplo e bom e aí a gente fica na expectativa vários livros ou traduzidos nesse momento e conferências e discussão com escritores e depois a coisa passa né E aí a gente fica naquele trabalho cotidiano tentando divulgar nas mas em vista as especializadas mas são revistas especializadas
e tô atingir um público o que é restrito e e esse digamos quem está realmente o público leitor francês mais amplo a gente não não alcançando é não não é o que você mais ao mesmo tempo é eu eu eu acho que não é só a literatura brasileira que não apenas eu acho que é a própria literatura francesa é fora dos esquemas de Prêmios literários da Crê ela também não alcança boa literatura que a literatura de alta qualidade a tradução é importante mas a tradução pode ser um comprimido para uma noite de insônia E na
verdade a literatura brasileira no mínimo no caso do Estado espanhol ele tem vezes em que aparece de uma insônia grande aí o papel das Nascentes literários é fundamental o papel dos mediadores acadêmicos desculpa EA modéstia acho que também é muito importante porque porque aí nós introduzimos não não aquilo que tem a ver com a floresta com Periferia Urbana não tenta a criar não flashes mas um filme continuado tentamos fazer um o filme de 16 mm vamos fazer o de 35 até onde pudermos porque no fundo quando os Escritores fazem presença através de uma produção é
uma presença que pode ficar no momento concreto e acho que daquilo que nós que mais precisamos é de uma continuidade Precisamos de uma continuidade de uma visibilidade dos escritores porque senão matérias em revistas é de grande difusão de grande prestigiou o trabalho que nós podemos fazer nas saunas fica alegrando ou vida das pessoas ficando como uma sedução mas como uma chuvinha não molhe a terra não e acho que aí eu indiferentemente do tipo de materiais de repertório que forem usados a literatura brasileira vai ter uma presença de instabilidade Eu acho que o mercado literário tá
muito realmente voltado para o mercado para o berço Oi e o os escritórios é que não se enquadram digamos nessas normas nessas receitas mercadológicas brasileiro francês o que seja né ele fica a margem mesmo e fica dependendo duas da academia de uma certa forma fica dependendo da crítica literária fica dependendo das revistas especializadas de todos os agentes literários no sentido amplo Para que sua obra seja seja conhecida então acho que não é só um problema da literatura brasileira mas o problema da literatura de maneira geral que Literatura e está se fazendo que ele tava turista
assim vendendo mais de uma maneira geral hoje em dia só para ir um alimentar um pouco essa essa ideia quando Nós entramos hoje nas livrarias no Brasil no mundo inteiro é nós tropeçamos em várias pedras no caminho eu usei e é de alta ajuda até aí você fica procurando quando eu chego na Bahia por exemplo que eu quero dar uma volta na livraria se tem as grandes livrarias livrarias do shopping você entra Você encontra tudo menos literatura brasileira aí eu fico médico mais cadeia a estudante de literatura brasileira hoje a questão os autores brasileiros eu
no próprio espaço da livraria você já tem uma outra visão do que está sendo chamado de literatura hoje em dia então acho que nós que vocês que produzem né que escrevem nós que dependemos de vocês para falar se deixar uma forma né porque você tem os autores o crítico fica sem fala é Temos que chamar a atenção para para para o que tá acontecendo de certa maneira criar outros estados que permitam O que é essa literatura que mostra as diferentes passeios das contradições o sofrimento mas também as grandes alegrias é é que abre o espaço
Imaginário que faz com que as pessoas descubram outras maneiras de ver o mundo outras maneiras de ser no mundo que esse espaço exista fora do mercadológico e eu entendo a produção literária não como uma coleção de textos para mim é uma concorda outras pessoas se ouviam faz parte de uma instituição Cultural São bens culturais e na medida em que os livros tomasse o Souza das roubando Ribeiro do Alberto Mussa do Flávio Carneiro Filho todos os outros que estiverem aqui me possam ser convertidos em ferramentas nativas que permitirem uma planificação é aí é que esse a
tradução o templo vai ter um efeito não de um comprimido para uma noite mas vai ter efeitos secundários ressaca ou senão a entrar atrapalhar que não trabalho mas não faz lá tem quando faz fazer nada o ano do Brasil na França o que é de novo da cultura precisando de usar a natureza cantora chamada Tati Quebra Barraco E aí E aí E aí E aí E aí