[Música] a cop 28 o maior evento que debate o clima no mundo terminou com um acordo entre 200 países que pode ser considerado histórico pela primeira vez as nações concordaram que é preciso fazer uma transição energética para a redução do uso de combustíveis fósseis cop 28 aprovou o texto final da conferência do clima que apoia a transição energética dos combustíveis fis para fontes de energia mais limpas muitas críticas a esse texto final nesse momento por Ok você traz aí uma sinalização com uma transição energética porém não estipula prazo Não estipula [Música] meta no entanto o
documento não cita a eliminação de combustíveis fósseis como queriam os ambientalistas os esforços segundo o texto devem ser coordenados de forma que o mundo ele elimine as emissões de gases com efeito estufa até 2050 com foco ainda nesta década para isso também há uma meta de triplicar a capacidade energética renovável até 2030 cientistas porém tem alertado que os compromissos assumidos pelos governantes são insuficientes diante da urgência da crise climática que em 2023 se intensificou com ondas de calor incêndios tempestades e se Clones em vários pontos do planeta incluindo o Brasil a região sul enfrenta uma
das suas maiores tragédias climáticas e os gaúchos sofrem com a passagem de um ciclone extratropical são altos volumes de chuva fortes rajadas de Vento pelo menos 67 cidades foram atingidas e 21 pessoas perderam a vida no estado segundo a Defesa Civil Aliás o fato de a conferência ter sido realizada nos Emirados Árabes Unidos um dos maiores exportadores de petróleo do mundo foi alvo de críticas desde a escolha da sede na maioria das economias desenvolvidas ou emergentes o despejo na atmosfera de gases do efeito estufa oriundos da queima de petróleo ou carvão é o principal causador
do aquecimento global H cientistas afirmando que esses fenômenos de devastação Eles teriam a mesma or um aquecimento global e essa digamos alteração dos padrões climáticos estaria acontecendo mais rápido do que os modelos que eles mesmos previam a posição do Brasil sobre o petróleo trouxe constrangimento para a gestão de luí Inácio Lula da Silva a polêmica sobre a exploração de petróleo na margem Equatorial do Rio Amazonas foi uma sombra sobre as pretensões de Lula de ser uma liderança na agenda climática o Ibama emitiu a primeira licença para a Petrobras iniciar pesquisas para a exploração de óleo
e gás na margem Equatorial do Brasil mas ainda o Brasil chegou a anunciar ter entrada na upep Plus grupo que reúne os principais produtores de petróleo e países aliados no entanto o governo disse que seu papel será apenas de observador e que vai aproveitar a participação na entidade para convencer os integrantes A reduzirem o consumo de combustíveis fsseis o Brasil não vai participar do o Brasil vai participar coisa cham eu acho importante a gente participar porque a gente precisa convencer país que produ petróleo que eles precisam se preparar para o f combustíveis fósseis [Música] os
países anunciaram também um fundo de 420 Milhões de Dólares Para apoiar países afetados pelo aquecimento global em resumo o objetivo do documento final desta cop é ajudar as nações a alinhar os seus planos climáticos Nacionais com o acordo de Paris que busca limitar a alta de temperaturas neste século em até 2 gra a ONU divulgou mais um um relatório preocupante sobre o clima do planeta segundo as nações unidas as metas do acordo de Paris já são insuficientes para evitar o aquecimento crítico de 1,5 na temperatura [Música] Global Mas qual o efeito prático desse acordo essas
cúpulas do clima produzem ações concretas historicamente outros acordos mostraram que para serem colocados em prática não é algo tão simples em 97 foi assinado o protocolo de Kyoto que pedia a 41 países do mundo inteiro e a União Europeia que reduzissem suas emissões em pouco mais de 5% em relação aos níveis de 1990 um exemplo é o protocolo de Kyoto que começou a vigorar em 2005 e reconhecia que os países desenvolvidos tinham poluído mais um ambiente ao longo dos anos e tinham mais recursos sob essa lógica seriam esses os países a os quais caberia fazer
os maiores cortes em emissões de carbono em particular Os Estados Unidos na época o maior poluidor do [Música] mundo os Estados Unidos e a China dois dos maiores emissores tanto na época como atualmente não assinaram o documento ou seja em termos de cumprimento das promessas feitas que outo Não foi bem sucedido e as emissões aumentaram drasticamente desde então [Música] em 2009 a cúpula na Dinamarca foi considerada um fracasso devido ao impasse entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento Quanto a redução das emissões poucos ficaram satisfeitos com o acordo de Copenhague mas depois de
duas semanas de negociações isso foi tudo que os líderes mundiais Conseguiram fazer o Presidente Americano Barack Obama que ajudou a elaborar o docum de três páginas classificou o acordo como sem precedentes mas admitiu que ainda não é o suficiente os países ricos Prometeram canalizar 100 Bilhões de Dólares por ano para os países em desenvolvimento para tecnologias verdes até 2020 mas esse valor nunca foi atingido só em 2015 com o acordo de Paris é que foi adotado um pacto global de luta contra as alterações climáticas que Apelou ao mundo para reduzir coletivamente os gases de efeito
estufa mas foi decidido que o acordo não seria vinculativo ou seja os países não seriam sancionados caso não cumprissem O que dizia o texto por isso esses questionamentos continuam pairando no ar de qual será o efeito prático da cop 28 e se este é um bom acordo sobre o assunto vamos com o biólogo Roberto V presidente do conselho do Instituto ariaú cofundador da coalizão Brasil clima florestas e Agricultura e colunista do [Música] Estadão tudo bem Roberto tudo bem Gustavo prazer est aqui muito muito legal prazer é todo nosso bom Roberto apesar do acordo sobre a
redução de emissões de gases ser positivo e até ser tratado como histórico o fato de ter deixado de lado a questão dos combustíveis fósseis é uma derrota para quem defende a redução dessas emissões Olha eu acho que o acordo ele é melhor que o esperado E pior que o necessário eu acho que essa é a frase mais forte desse desse assunto né Eh e é óbvio que a gente precisa avançar muito mais eh do que o que tá apontado no acordo no entanto depois de 30 anos parece absurdo isso mas depois de 30 anos o
tema dos combustíveis fósseis como algo Central no na discussão toda e na necessidade de redução de emissões aparece como algo que precisa ser encarado de frente é por isso que tá sendo chamado de histórico eu eu confesso que eu não não não gosto muito dessa definição Uhum eu acho que que na na realidade Isso evidentemente tinha que est pautado há muito tempo né a própria posição do Brasil ela pode ser vista até como dúbia se a gente for analisar porque ao mesmo tempo que eh o presidente Lula diz que quer liderar as ações contra as
mudanças climáticas eh aqui dentro nós temos feito aí um esforço né para por exemplo a exploração de petróleo na margem Equatorial do Rio Amazonas isso não faz com que o país eh não tenha tanto compromisso em relação a esses acordos Roberto é eu acho que o os tempos dos anúncios foram completamente equivocados né Eh adesão ao PEP a a a discussão eh sobre esses novos leilões exatamente na mesma semana da cop não faz muito sentido agora eh O Brasil precisa encarar a questão da transição energ ética com dados metas com objetivos muito claros é evidente
que não é possível você eh descartar o uso de combustíveis fósseis de uma hora para outra por outro lado o Brasil tem condições únicas que nenhum outro país tem para lidar com esse assunto então o que eu sinto que faz falta é maior clareza na agenda de transição energética do Brasil com com metas muito mais mais claras com eh a a definição de ações eh no sentido de priorizar tecnologias eh para para essa área de de de combustíveis menos emissores a gente tem por exemplo o potencial do hidrogênio a ser desenvolvido Brasil tem condições únicas
precisa de mais clareza eh de como ele vai enfrentar essa transição energética falando do Brasil a gente olha paraas grandes potências que tá é ligado muito à queima do do petróleo a a relação com a emissão de gases do do efeito estufa mas aqui no Brasil o nosso maior gerador de gases do efeito estufa são as queimas das florestas e o Brasil apesar de ter melhorado em relação ao governo passado eh ainda é muito alto esse problema que nós temos de incêndios florestais eh na sua visão a gente tem tomado a Udes adequadas para conseguir
Minimizar isso acho que sim Acho que a gente tá no caminho não há como negar eh as ações de comando e controle do desmatamento né o desmatamento é o que precede As queimadas e a gente eh definitivamente precisa tirar os desmatamentos o desmatamento da da nossa história da nossa agenda eh o país tem condições como a gente conversou de ser o grande campeão mundial na transição energética de ser o grande campeão na produção de alimentos de Baixo Carbono mas para isso precisa tirar completamente eliminar o desmatamento ilegal eh da nossa pauta a eliminação do desmatamento
ilegal ela ela demanda o que a gente chama de comando e controle ações mesmo de polícia forte para coibir a ilegalidade isso é fundamental E isso está ocorrendo de uma maneira muito mais contundente do que no governo passado mas não é eficiente é é preciso reconhecer que eh o desmatamento também é consequência de uma falta do que a gente chama de uma agenda mínima social eh integrada para aquela região é uma região que não conta ou que conta com os piores índices de Saneamento de Educação de saúde de infraestrutura tudo eh para aquela população que
lá vive é o que tem de pior no Brasil então é preciso combinar as ações de comando e controle com uma agenda que coloque centralidade na qualidade de vida das pessoas que moram naquela região com opções econômicas com diversas outras medidas além do comando e controle nós estamos avançando eu acho que eh não há como negar que o Brasil tá avançando mas o desafio continua bastante grande e e acredito que o grande desafio também seja aliar por exemplo O agronegócio que é responsável por uma parcela importante do PIB brasileiro e também a preservação dessas áreas
há como fazer isso há como se chegar num acordo para que a gente tenha no melhor dos mundos uma grande área preservada no Brasil sem prejudicar também eh o desenvolvimento do agronegócio eu não tenho nenhuma dúvida disso na realidade quando a gente chama agronegócio eh a gente deveria sempre usar o plural né O que existe é um espectro muito grande de diferentes formas de produção a gente tem formas hip sofisticadas de Baixo Carbono que tem eh um cuidado muito grande com a rastreabilidade com a certeza de que essa produção não está ligada a desmatamento a
gente precisa reconhecer que isso existe no Brasil a Embrapa teve um papel muito importante e grande parte da produção brasileira se dá nessas condições no entanto uma parte também importante eh ocupa o que a gente que a gente chama de fronteiras eh do desmatamento e muito a maior parte tem eh ilegalidade nas suas formas de atuação então é preciso reconhecer que há uma heterogeneidade muito grande no agronegócio tem um agronegócio extremamente sério positivo profissional que tem um engajamento na coalizão por exemplo a coalisão Brasil clima floresce agricultura eh a traz dentro dos seus membros empresas
que há muito tempo TM atuado eh fortemente eh em práticas de produção que estão completamente desvinculadas de do desmatamento por exemplo e com as melhores formas de lidar com as emissões mas infelizmente ainda existe eh no Brasil uma parte Grande Do que a a gente chama uso da terra que tá associado ao desmatamento e isso tá ligado à ilegalidade e a gente volta a discutir a importância de comando e controle e punição para quem atua na ilegalidade que contamina de uma maneira geral a reputação de um setor tão importante pra economia brasileira e também pra
sociedade brasileira como um todo perfeito e e Roberto Você falou uma coisa extremamente importante as mudanças climáticas elas vão atingir Isso é uma certeza primeiro aqueles que estão mais vulneráveis né sempre os mais vulneráveis é que vão acabar sentindo primeiro e já estão sentindo né a gente tem coisas acontecendo no Brasil Ciclone extratropical que tem acabado aí com cidades inteiras não só no Brasil como no mundo eh ou seja ter um um projeto de redução de danos para que a gente não acelere o processo de mudanças climáticas é cuidar vamos dizer assim aqui no Brasil
de boa parte da população porque a gente sabe que nós temos uma uma população grande carente aqui no país né É E você tá trazendo o Ponto Central que é a dimensão da adaptação né como o mundo vai a se adaptar a essa nova realidade climática E como você colocou certamente ela afeta os mais vulneráveis uma agenda de adaptação é é algo extremamente urgente nós sabemos das fragilidades do Brasil em lidar com esse tipo de atividade então a previsão a informação a o conjunto de atividades que precisam ser realizadas na na retirada de pessoas que
estão em locais que certamente estão condenados eh a todo esse processo né de de políticas públicas voltadas para adaptação eh preciso ter maior atenção do que tem tido até o momento a gente não tem a menor dúvida disso Vale lembrar que nesta cop o o chamado fundo de Perdas e Danos que é um fundo que foi definido na última cop em shmel shake que é justamente voltado para destinado a cobrir eh esse campo das adaptações ele avançou mas avançou pouco ele avançou com valores muito baixos então mais uma vez né a cop avançou mas avançou
pouco ele ela sinalizou a importância de um fundo mundial de Perdas e Danos eh mas o valor é muito baixo então Eh esse assunto é um dos assuntos mais mais relevantes para essa discussão e uma outra frente nesse Campo que você mencionou da adaptação é o que se chama eh de resiliência dos sistemas de produção de alimentos Porque não são apenas as pessoas que vão estar expostas a essas interperes a essas condições as áreas de produção também serão altamente afetadas com secas com mudanças drásticas das condições climáticas e muito provavelmente deve haver deslocamento de de
sistemas de produção e a necessidade de uma atenção muito grande em novas tecnologias que sejam mais resilientes essa esse foi um dos eh uma das das Vitórias dessa cop trazer pro centro da discussão os sistemas de produção de alimentos e de segurança alimentar e como eles vão de alguma forma lidar ou ou se preparar para essas mudanças que certamente virão com mais intensidade do que a gente tá vendo agora eh Roberto quando eu ouço falar de acordos do clima eh que foram eh assinados em eventos importantes que discutem as mudanças climáticas a opção que se
tem é que depois que eles são assinados pouco efeito prático eles acabam tendo né E aí eu vou lembrar de alguns aqui na década de 90 a gente teve o protocolo de Kyoto recentemente o acordo de Paris também a cop que aconteceu em Copenhague na Dinamarca também e pouco se produziu de efeito prático em relação àquilo que foi acordado dá pra gente ter alguma esperança que de fato o que tá sendo colocado no papel na COP 28 eh vai ser levado seriamente pra frente e o quanto que o fato da gente tá começando a sentir
os impactos das mudanças climáticas vai fazer com que as autoridades de fato coloquem essa essa previsibilidade né esse Norte para tentar conter aí tudo que já tá acontecendo no mundo Olha eu sou bastante pouco crédulo de que os sistemas multilaterais conseguirão fazer essa agenda andar na velocidade que ela precisa eh não só os acordos ligados ao clima acabam não sendo cumpridos mas nós estamos vendo vários outros acordos ligados à própria a própria os próprios conflitos que a gente tá vendo no mundo que não são cumpridos o sistema multilateral ele não tem tido a força para
realmente fazer nenhuma agenda do planeta avançar da forma como precisa dito isso eles têm papel importante na sinalização de tendências E aí o mercado privado as empresas o mercado financeiro eles eh são muito direcionados a essas tendências Então apesar dos acordos em si não terem a força que deveriam ter eh a gente vê uma movimentação concreta no setor empresarial em várias frentes porque o setor Empresarial segue grandes tendências e por exemplo na área da transição energética apesar dos acordos não estarem sendo cumpridos a gente tem observado o crescimento eh da viabilidade econômica das tecnologias alternativas
paraa produção de energia solar eólica agora com essa frente do hidrogênio ou seja o o o grande capital e as grandes empresas já perceberam que esse caminho vai acontecer mais cedo ou mais tarde e eu vejo muito mais força na movimentação do setor Empresarial do que nesse Campo da diplomacia multilateral ela é importante eh eu eu chamo todo esse processo de um movimento civilizatório movimento que coloca o capital natural o capital social na frente do Capital econômico e muitas muitas atividades eh eh em muitas situações eh e esse reequilíbrio é fundamental eu acho que esse
sinal tá dado né O que o que aconteceu nessa cop com eh os resultados considerados históricos e tal embora eles tenham efetivamente pouca chance de serem implementados na velocidade que que se imagina eles são sinais eles são sinais importantes a sociedade tá lendo esses sinais uma parte do dos consumidores estão pressionando das empresas a cumprirem as mínimas obrigações relacionadas a emissões Então eu acho que isso abre oportunidades de negócios por exemplo a área de restauração Florestal que é uma área importante né de recuperação de um patrimônio ambiental tá avançando com uma boa velocidade a conexão
de restauração de pastagens de terras degradadas isso tem avançado novas alternativas para produção de energia também então eu vejo muito mais o movimento o protagonismo do setor privado e não aquela expectativa de que vai ser a partir de regulações governamentais ou multilaterais que essa agenda vai andar é e as legislações têm ficado mais rígidas em relação a desmatamento a origem dos produtos na própria Europa aprovou há pouco tempo e que agora só vai aceitar produtos que se comprove que não vieram de áreas de desmatamento né perfeito você você trouxe um Ponto Central que é o
que a gente chama da migração de um passivo moral para um passivo legal até um tempo atrás era assim era moralmente não adequado você emitir gases efeito estuf era uma discussão pô não faz isso não não é legal causava um efeito reputacional negativo isso tá migrando para efeitos legais né tem uma outra frente forte que que a gente tem observado que é a chamada litigância climática que são ações na justiça contra empresas que emitem eh contra empresas que causam eh danos relacionados ao meio ambiente isso tem crescido muito então essa migração do que era inadequado
moralmente para aquilo que é eh controlado no campo judicial isso tá ocorrendo com muita força mais uma vez Apesar eh dos da fragilidade dos acordos multilaterais como as Cops bom nós conversamos com o biólogo presidente do conselho do Instituto ariaú e cofundador da coalizão Brasil clima florestas e Agricultura Roberto vac a quem eu agradeço mais uma vez a gentileza da entrevista e os esclarecimentos sobre esse tema tão importante pro nosso mundo muito obrigado viu Roberto puxa Eu que agradeço um privilégio poder disseminar um pouquinho dessas ideias né muito importante muito legal Estadão notícias o estad
notícias desta quinta-feira vai ficando por aqui contou com a apresentação minha Gustavo Lopes o roteiro produção e edição são minhas de Jeferson perleberg e Gabriela forte a montagem é de Moacir Biazi mande sua mensagem ou sugestão para o nosso e-mail podcast @ estad.com um abraço e até [Música] mais