[Música] Olá pessoal tudo bem Eu só quero Varela criadores de conteúdo aqui do mais que autismo e também do mágicas de mãe Hoje é quinta-feira 19 horas então dia de mais um podcast no ar Então antes a gente começar a falar do nosso assunto de hoje eu quero pedir já para que você se inscreva no canal para que você compartilhe esse vídeo com outras pessoas e né vai lá e joga lá a gente Compartilha aí para que mais pessoas já tenham acesso a esse conteúdo quando a gente entra no mundo da busca ali por um
diagnóstico a gente que é mãe que que acontece com a gente a gente nesse momento já começa a passar por um monte de situação difícil situação difícil por tá indo procurar né respostas para algo que a gente vê que não tá dentro do que a gente esperava que estivesse com os nossos filhos e a situação também de já ser julgada de já Ser taxada antes mesmo de ter o diagnóstico Então quando você adentra a maternidade atípica que é o nosso tema de hoje a gente acaba recebendo com ela um monte de coisa que não é
muito fácil de lidar e para conversar sobre essas questões sobre as dores que a gente carrega enquanto mãe atípica e outros pontos ali que vem junto com diagnóstico de um filho eu chamei hoje é psicóloga Mariana bonaz que trabalha com mães atípicas e ela vai se apresentar e vai Falar para a gente um pouquinho de quem é a Mariana porque que ela foi né escolheu esse caminho da Maternidade atípica Obrigada assim Mariana já que tá aqui né Obrigada a você pelo convite é sempre muito bom poder conversar sobre esse assunto que é tão importante e
pouco falado Então como você falou Eu Sou psicóloga sou pedagoga também e desde o fimzinho da minha graduação Eu trabalho com crianças com desenvolvimento atípico e com o passar Do tempo eu fui percebendo e até me incomodando que todo mundo inclusive eu enquanto psicóloga das Crianças olhava para as crianças e não tinha ninguém olhando para essa mãe e quando eu podia conversar com a mãe era sempre rápido porque era para falar sobre a criança então com o tempo e até com vários profissionais que foram chegando e trabalhando com as crianças eu decidi que eu ficaria
então exclusivamente no atendimento e cuidado Das Mães atípicas e tem pessoas que me perguntam assim nossa mas então você tá excluindo o pai a família e não quando eu falo da mãe não significa que eu esteja menosprezando o pai ou a família é porque a realidade Nossa hoje é que na grande maioria dos lares a mãe é a responsável pelos cuidados com os filhos até mesmo quando o pai que não deveria ser só uma ajuda porque o pai faz parte mas quando o pai ajuda nesse sentido de Ah você quer que eu leve na terapia
eu Levo quer que eu leve na escola eu levo mesmo assim a organização de como tudo isso vai acontecer fica com a mãe então a sobrecarga né mais de 80% dos casos fica com a mãe por isso que embora eu também atenda alguns pais quando eles me procuram o meu foco maior o meu olhar maior para as mães até já pegando o gancho já bem assim nesse começo né da Mari Por exemplo quando Geralmente quem que pensa que a Criança pode ter algum diagnóstico e até vamos antes de entrar nesse nessa questão assim é explicar
também para as pessoas o que que é uma mãe atípica né Para a gente entender quem se enquadra como mãe é típica também já para fazer porque às vezes a pessoa pensa mais o que quer uma mãe atípica ainda tem essa confusão as mais atípicas são as mães de pessoas com síndromes transtornos ou deficiências e doenças raras e esse termo mãe é típica as próprias Mães que se denominaram assim porque muitas vezes eram chamadas de mães especiais e hoje já não se usa mais esse termo até porque o especial dá uma conotação que ah se
essa mãe é tão especial assim então ela não precisa de ajuda então eu sempre falo que a mãe atípica ela não é especial por ser ativo ela é especial por ser mãe como todas as outras mães mas quando você olha para maternidade de modo geral é muitas vezes essas mães elas ficam Invisibilizadas e por isso o termo mãe atípica para que elas apareçam para que as pessoas vejam que existe essa maternidade que como toda maternidade é desafiadora Porém tem muito mais desafios do que até os esperados porque muitas vezes você tudo bem Ah eu não
esperava acontecer muita coisa na maternidade a gente só entende quando vive mas hoje em dia tem muitos livros e blogs que falam de maternidade e de certa forma você vai entendendo os Desafios que estão por vir com a maternidade atípica esses desafios eles ficam muito encobertos a mãe não sabe quais serão por mais que por exemplo Ah o meu filho tem diagnóstico de autismo e existem tantas crianças e pessoas com autismo existe mas cada uma é única Então você nunca tem uma resposta certinha de como as coisas aconteceram Então eu acho que já começa ali
os grandes desafios quando a gente entra na maternidade atípica que é você notar que Seu filho né Tem algo diferente seja ali de transtornos número de desenvolvimento como você falou né uma síndrome raro é uma questão que sai do habitual ali do Comum que a gente tá acostumado E aí já vem esse para mãe né como que já como que eu lido com isso porque a gente tem um filho e a gente espera que nada tipo saia do esperado para eles a gente faz né queira ou não a gente como mãe tem planos a gente
só quer que ele seja feliz que não encontre desafios e Dificuldades Na vida nós temos essa quando a gente lá engravida e pensa e aí quando vem essa possibilidade que o meu filho possa receber um diagnóstico ou que ele recebe lá né Tipo eu tenho a experiência também das questões de síndromes raras então assim também é um outro mundo assim que você pensa meu Deus eu não sei nem para que caminho ir porque nunca ouvi falar naquele nunca ouviu falar daquilo e aí você fica mais perdido ainda Mas aí você pensa tudo aquilo que você
idealizou porque a gente tem essa questão do filho idealizado e aí a gente tem que lidar com uma nova realidade né então isso já gera muito acho que muito sentimentos rubis assim para mãe né Sim tem muita questão cultural também Então a nossa sociedade ela é muito preconceituosa muito capacitista e ela ensinou Nós Da Nossa geração a sermos assim então essa mãe que muitas vezes Tinha preconceito com alguma pessoa com Deficiência agora ela se vê como a mãe da pessoa com deficiência então o quanto é importante ela entender que tá tudo bem ela viveu e
cresceu e aprendeu a ser assim mas então o que ela pode fazer de diferente a partir de agora como que ela pode ter um novo olhar para o filho e para a sociedade de modo geral porque realmente quando você fala ah vem né esse monte de coisas junto esses desafios essas dificuldades que a mãe não tem a menor Ideia essa questão do filho quando alguém pergunta para uma grávida você quer menino ou menina às vezes ela até responde a preferência mas geralmente o que que ela responde que é saúde que venha com saúde e o
que que a nossa sociedade faz ela liga a deficiência à saúde não necessariamente uma pessoa com deficiência é uma pessoa doente ela pode ter alguma comorbidade que a deixe sim com alguma doença mas não necessariamente Mas a nossa sociedade Ainda olha para ela como se ela fosse uma pessoa doente então essa Mãe o primeiro ponto que ela vai precisar trabalhar é o próprio preconceito para que ela entenda que Ok eu pensei eu acreditei nisso a vida toda mas agora eu vou ressignificar tudo isso E aí quando você recebe as mães no seu consultório quer falar
mas a Mariana atende online pessoal então ela tem de pessoal do mundo todo então você é uma mãe atípica e tá procurando alguém que Discute a Mariana pode te atender porque ela tá online aí e aí essa mãe quando chega a maioria assim vamos falar ela chega quais são as dores maiores são lá nesse período de busca de um diagnóstico em que muitas vezes eu vejo que a gente é não é validado o que a gente está sentindo e não é validado assim Mariana dentro de casa muitas vezes pelo marido pelo pai ou que seja
separado já mas o pai da criança muitas vezes não aceita diz que você tá ficando louca e tudo Mais a família mesmo que não é você também era assim quando era criança vai passar e você fala muito frequente e você é só personalidade O que que você tá procurando coisa você tá maluca E aí muitas vezes você chega também no profissional lá no pediatra ou você até procura um neuro alguma psiquiatra às vezes só que não ele não entende necessariamente do que você tá falando então ele também não vale do que você está sentindo Então
essa mãe já começa Ali né Parece que tudo que você pensa tá errado então parece que já tem um problema comigo sim e até um sentimento de Nossa mas só eu tô vendo isso então realmente eu devo tá vendo coisas você perguntou quais as maiores dores que elas chegam geralmente não é nessa fase Eu percebo que as mães elas procuram ajuda e não que isso seja a melhor estratégia porque não é mas é sabe quando ela percebe assim que nossa eu tô me afogando aqui Se eu não pedir ajuda eu vou afogar o ideal não
é esse Claro o ideal é vinha antes disso mas eu entendo que tem diversas questões envolvidas principalmente a questão de tudo que eu tenho no sentido financeiro no sentido de tempo eu vou dedicar o meu filho então a hora que ela para para para para olhar para ela na grande maioria das vezes é porque é uma situação assim eu não sei mais lidar com isso aqui e eu realmente preciso de Ajuda Então as maiores dores que elas me trazem é com relação ao diagnóstico e as pessoas falam na aceitação do diagnóstico eu prefiro falar em
acolher o diagnóstico eu penso que quando a gente fala em aceitar dá uma conotação assim eu tenho que aceitar isso estou me conformando E aí se eu me conformo eu não faço nada e não tem a ver com isso então eu prefiro chamar de acolhimento do diagnóstico que é tem até algumas fases aí que tem a Ver com a questão do luto né que a Elizabeth Club Rossi que é uma psiquiatra já falecida que criou e eu adaptei digamos assim as fases que ela criou observando as mães atípicas Então como elas passavam por essas fases
para que elas também começassem a se entender porque tem essa questão né do diagnóstico do não entender do não querer porque que isso foi acontecer comigo Tem as mães que chegam falando Ah eu eu já entendi que essa que é a vida que eu vou ter tudo bem mas eu não consigo enxergar coisas boas na minha vida eu não consigo achar que eu ainda posso ser feliz e pensar para sempre é muito tempo então ninguém vai ser para sempre triste ou para sempre feliz a gente oscila faz parte da nossa humanidade e como é importante
aprender a lidar com isso até mesmo para entender que o sentimentos Que a gente diz como sentimentos ruins que na verdade nada mais são do que sentimentos eles também fazem parte da nossa vivência Então a partir do momento que a gente aprende a lidar com eles eles vão passar não porque se a gente se a gente tivesse o poder de pensar tô triste não quero mais ficar pronto acabou né nem existirão psicólogos mas quando a gente aprende a lidar com sentimentos a próxima vez que ele vier você já vai ter ferramentas para lidar Para que
talvez não seja tão doloroso ou que não dure tanto tempo como da outra vez E tem também logo nesse começo assim esse aprender também dessa mãe que eu acho que deve trazer uma uma dualidade ali também de sentimentos né que aprender a olhar esse Porque até então eu olhava para o meu filho de uma forma e agora parece que eu tenho um diagnóstico eu olho para essa criança de uma forma diferente às vezes né não Aceitando o diagnóstico a criança ou que E aí então também tem esse processo de você falou de acolhimento do dia
do diagnóstico mas assim também de entender agora quem é o meu filho com esse diagnóstico [Música] entender que continua sendo seu filho exatamente da criança também muitas vezes a mãe fala para mim quando eu olho para ele agora que é isso depois do diagnóstico Eu não consigo ver meu filho eu só vejo o diagnóstico dele Então até porque que a gente fala pessoa com deficiência porque a pessoa vem sempre antes da deficiência ou do transtorno da síndrome ou seja o diagnóstico que for e muitas vezes a mãe tem essa dificuldade de olhar para o filho
enquanto criança então entender que antes do diagnóstico depois continua sendo a mesma criança filho dela a gente é bem comum também né Às vezes Você vai em um grupinho assim e aí vem a criança e a primeira coisa que a mãe fala é Ah ele é autista aí ele é TDH antes mesmo de falar o nome da criança né porque parece que você já tá também tenho isso né Eu preciso justificar Às vezes o comportamento do meu filho porque isso também eu não quero que ele seja julgado eu não quero ser julgada pelo comportamento dele
ou Pelas atitudes que tá tendo ali então às vezes a gente também esquece que é bem isso né Primeira pessoa e depois o que vem junto né Sim sim e é como professor que quando vai alguém conversar ou ele vai contar alguma coisa da sala dele geralmente ele fala assim ah esse ano eu tô com dois alunos de inclusão não tá com nenhum aluno de inclusão ele tá com lá 25 alunos os alunos com deficiência com diagnóstico fazem parte Daquela turma de 25 não é uma coisa a parte onde ela né precisa dizer eu tô
com dois alunos de Inclusão mas ainda até por conta da nossa sociedade a forma como a gente foi ensinado tem muito isso e o que você falou é muito real que as mães muitas vezes tem medo do julgamento do Então ela já se antecipa ou o contrário tem mães que tem medo de falar ai Será que eu devo falar do diagnóstico Será que não eu sempre falo para elas assim se faça a seguinte pergunta essa pessoa é importante para você ou para o seu filho se a resposta for sim então você deve Falar para ela
do diagnóstico do seu filho até provavelmente ela já Saiba se a resposta for não se é por exemplo você tá num parquinho com seu filho provavelmente você nunca mais vai ver aquela pessoa na vida você não precisa contar se você não quiser Ah ela vai achar isso não importa você não vai mais encontrar com essa mãe com essa pessoa porque que você vai se desgastar falando de uma coisa que muitas vezes você ainda não se sente à vontade para isso por uma Entre aspas obrigação porque a pessoa nada mais do que está curiosa Porque se
ela não te conhece se ela não vai contribuir com nada ela só quer saber de curiosidade mesmo E aí Maria Você tocou em um ponto assim se a pessoa é importante então você conta e aí a mãe vai lá e conta para quem ela acha que ela quem ela considera até então na vida dela e ela conta e o que que ela recebe muitas vezes Ah não você tá rotulando a criança não é coisa Da sua cabeça porque não tem nada não tem nada e a pessoa não aceita e ainda te julga por você ter
ido atrás isso é bem comum tá eu vejo e vai ser muitos depoimentos disso que a família principalmente que está perto que não é o núcleo ali mãe e pai e filhos e aí vou tio tia alguns amigos que são próximos acabam jogando essa mãe então a gente entra no outro ponto né como que ela lida também porque aí vem Muita coisa embutida vem a coisa de ela se sentir sozinha ela não se sentir validada de ela perceber que naquele momento que ela precisava de uma acolhimento ela não teve E aí então eu até me
afasto então e até fico mais receosa de contar para outras pessoas porque já foi jogada já foi taxada e por isso também que é tão importante ela buscar rede de apoio não só claro que também é primordial a rede de apoio presencial no sentido de ter alguém no Dia a dia mas eu digo no sentido de ter pessoas seja outras mães atípicas onde ela possa falar o que ela tá sentindo que ela tá pensando e que ela saiba que ali ela não será julgada porque isso que você falou é muito frequente os amigos muitas vezes
se afastam amigos que era assim nossa melhor amiga que tipo assim Ah estou do seu lado para tudo eu contei do diagnóstico ela nunca mais me ligou depois daquilo Acontece muito ou as pessoas tem duas Questões ou elas não sabem o que responder então elas respondem Ah vai dar tudo certo ah não é isso você vai ver que ele vai crescer vai mudar ou Elas não querem te ouvir e aí para não ter que ficar te ouvindo elas fazem o quê Ah fica tranquilo vai dar tudo certo porque você corto o assunto quando você responde
isso quando você fala esse tipo de coisa então infelizmente Acontece muito que a mãe tá naquele momento que nossa eu preciso Conversar eu preciso desabafar eu preciso que alguém só me escute nem que seja para a pessoa falar assim olha eu não sei o que te dizer mas eu tô aqui para te ouvir mas geralmente o que ela encontra nesse primeiro momento são pessoas falando vai dar tudo certo relaxa Olha isso é coisa da sua cabeça vai passar ele vai crescer muito aquilo né já o vizinho da filha da minha amiga tinha isso e hoje
não tem mais muito no que o leigo acredita ali e Muitas vezes é não sei o que te dizer então tô falando qualquer coisa E aí a mãe não se sente acolhida não sente o sentimentos validados que é o que você falou que é importantíssimo validar o sentimentos da mãe porque não é fácil chega um diagnóstico é como se alguém chegasse colocasse assim um pano na sua frente falasse a partir de agora você não vai conseguir enxergar mais nada nós não temos conhecimento do nosso futuro nós de modo geral mas quando Chega um diagnóstico a
sensação é que ainda mais difícil de imaginar esse futuro e se ela não tem com quem conversar se ela não tem com quem desabafar isso vai ela vai engolindo esse sentimento e quando a gente não põe para fora a gente acaba explodindo esse sentimento Nossa bem é bem forte assim né tudo que está falando assim porque eu também noto muito que a gente vê muitas mães atípicas E é comprovado né Eu não vou Saber os números agora Mas se a gente for buscar a gente vai ver isso mas abandonadas depois que recebem o diagnóstico pelos
pais parece eles têm eles fizeram um estudo onde parece que 78% das Mães e dos filhos são abandonados pelos pais quando chega algum diagnóstico então é muito alto né a gente sabe que existe maternidade solo vendo maternidade de uma forma geral mas Na maternidade é tipo que a gente vê muito muito mais presente isso E aí também tem isso de as pessoas muitas vezes isso que você colocou ela não quer saber ela não quer ela não quer se envolver porque eu querer saber eu me envolver vai exigir muito de mim e eu não quero embarcar
nessa com você Então é eu vejo muito isso assim que às vezes quem diz tem gente que diz com boa intenção mesmo não sabe o que Dizer eu vou te dizer não quis ser indelicado nem nada só que eu não sabia falar né mas tem muita gente que eu não quero me envolver então assim ó esse problema teu Então é isso e essa mãe se sente abandonada também né por esses laços sejam de família sejam de amizade então a gente nota que as famílias atípicas elas tendem a ficar mais sozinhas assim de uma forma geral
e você acaba encontrando acolhimento em quem em Outras famílias atípicas sim tem uma questão também que é quando você olha para deficiência enquanto entre aspas problemas da pessoa é isso que você falou o problema é seu tá aí você que resolve quando a gente olha para deficiência como uma questão da sociedade muda tudo então assim a gente tem no primeiro momento historicamente o modelo médico que era o que vamos olhar para a doença a deficiência Seja lá o que for e Fazer o que com isso buscar a cura porque o médico ele que que ele
aprendeu que ele tem que curar seja o que for E aí não olha para a questão ambiental não olha para a questão do Social olha apenas para o modelo médico que ainda é muito frequente na nossa sociedade depois começou a aparecer o modelo social que é um modelo mais voltado para isso a pessoa com deficiência Ela não é uma questão Entre aspas só dela e sim da sociedade Então olha para deficiência Como assim a questão física é a lesão que ela tem por exemplo uma paralisia cerebral tem ali uma lesão no cérebro Ok mas a
deficiência ela só vai aparecer se a pessoa por exemplo cadeirante chegar no ambiente não conseguir circular naquele ambiente livremente aí a deficiência vai aparecer Se tiver tudo adaptado para ela ela vai conseguir circular e utilizar aquele espaço como qualquer pessoa então A deficiência não aparece no sentido não aparece nesse sentido de que foi tudo pensado para ela também então a gente tira do sujeito e mostra que a deficiência não é uma questão unicamente da pessoa é uma questão da sociedade e que todos nós temos que olhar para isso de alguma forma se por exemplo ou
eu penso assim ah calçada da frente da minha casa vou tudo bem que a calçada é pública mas geralmente Quem cuida da Calçada é o dono da casa né então ah eu vou reformar minha casa vou fazer uma calçada então lisinha eu vou olhar para calçada do vizinho para ver se vai ter algum desnível ou não com a calçada dele para ver como que eu posso fazer isso ai parece tão pouco é só ali um pedacinho da rua meia calçada Mas se eu faço isso se o meu vizinho faz isso todo mundo faz isso a
gente tem calçadas onde as pessoas não só com cadeira de roda mas com baixa mobilidade com o carrinho De bebê conseguem transitar naquela calçada Então é isso é cada um olhar para o que pode ser feito é um processo ainda bem longo né bem longo a gente ainda tá no comecinho porque ainda vejo que as pessoas não têm se você não está vivendo aquilo raramente você vai encontrar alguém que esteja preocupado em fazer as adaptações e pensar no que que o outro precisa para Que ele possa realmente tá ali de igual para igual né então
acho que é um processo Estamos no caminho mas é um processo ainda muita conscientização ainda sim aí voltando lá eu ainda quero pegar o tópico ali de quando a gente recebe diagnóstico que a gente já tá lá no consultório E aí tem aquele já que a gente não tem ideia do que que esse diagnóstico na prática vai mudar na sua vida porque ele Muda tudo eu falo que muda tudo no sentido não no que você não não muda a criança a criança continua a mesma tá ali mas a sua vida prática vai mudar então aquela
mulher que antes trabalhava muitas vezes ela vai ter que abrir mão do trabalho para dar conta de levar nas terapias E aí geralmente aquela mulher porque se a gente for ver também mas sempre quem para de trabalhar é a mulher E aí o médico muitas vezes ele não leva em consideração a realidade dessa família então ele só me diz que eu falo isso que eu tenho vários também tem uma amiga que até falou que ela se eu arrasada assim porque o médico falou olha a criança com dois anos dois anos e meio Olha ela já
tá muito tarde já para ela receber o diagnóstico não tem muito mais coisa o que fazer e assim ela tem que fazer 40 horas de terapia e pronto e se você não e aí a gente nem sabe ainda Se isso vai resolver então assim como que uma mãe sai dali com uma fala dessa do profissional entende Cadê o acolhimento desse profissional Então como que também para essa mãe que ela saiu dali achando que aquilo é o que ela tem que ela tem que fazer porque foi um médico que falou isso para ela Então como que
ela também vai lotando que às vezes nem tudo que esse profissional fala é o que realmente ela vai conseguir ou Que ela deve fazer né Sim e com o tempo que ela vai aprendendo estudando e conhecendo outros profissionais até essa questão do 40 horas né os profissionais os médicos falam isso E aí a mãe já vem 40 horas Como assim 40 horas onde que vai ter tanto tempo que profissional que tem que fazer essas 40 horas então geralmente a mãe tá naquele momento de eu não tenho Nem tempo de lidar com o que eu tô
sentindo com relação ao meu filho ter um diagnóstico Porque tudo que eu estou ouvindo é Corre que você não tem tempo Corre que tem a neuroplasticidade que acontece geralmente até os quatro anos e tem que ser aproveitada não que não tenha que ser aproveitada Mas a forma que é passada para grande maioria das mães é realmente assim uma corrida contra o tempo e um ponto que eu percebo muito também é que os médicos colocam Como nesse exemplo que você falou ah precisa de 40 horas muitas vezes também não passa para essa família para essa mãe
que não não são 40 horas para que o filho se comporte como crianças da idade dele sem diagnóstico então muitas vezes a mãe fica correndo atrás disso às vezes gastando dinheiro que não tem o tempo que não tem a saúde que não tem esperando que ah o meu filho vai deixar de ter aqueles comportamentos e a ideia Não é que ele deixa que depende do diagnóstico mas a ideia não é que ele deixa ou não de ter comportamentos mas é que ele Aprenda com as terapias a ter uma vida mais funcional que ele seja mais
independente dentro das possibilidades dele só que esse dentro das possibilidades dele muitas vezes ninguém fala para mãe é eu saio de lá eu saio na forma geral assim falar mesmo dos Pais achando que realmente eu vou modificar essa criança ela vai deixar de Ter Sei lá ela vai deixar de ter colo ali ela vai deixar de fazer os movimentos repetitivos ou eu vou achar realmente o tratamento que vai dar certo se formar síndrome né e tal e às vezes a gente não tem nem resposta não existe ainda bem isso acho que buscar a qualidade de
vida da criança né olhar para ela e o que ela precisa dentro das suas possibilidades E aí como que essa mãe porque aí vai vir nessa pressão Gasto lá o que eu não tenho gasto um monte de terapia porque no começo me falam mesmo se você eu vim trazer a Fátima esses dias e aí ela falou que quando ela recebeu o diagnóstico do filho o médico foi muito claro em falar para ela que quando ele entrasse na adolescência eles iam ter que mandar ele para o para uma instituição que ele não ia poder ficar convivendo
com eles em casa então ela falou que que passou na minha Cabeça né que eu ia perder meu filho quando ele tivesse na adolescência Então esse tipo de situação tipo faz com que como que fica a cabeça dessa mãe né para lidar eu tenho que fazer de tudo então eu vou gastar o que eu tenho que eu não tenho porque se eu não fizer isso a culpa vai vir um sentimento de culpa não vem o sentimento de culpa e várias coisas sim e vem o sentimento de culpa não só da mãe que se culpa como
das pessoas que Estão em volta também porque tudo que acontece com o filho a culpa é da mãe então até a sociedade tudo a culpa é da mãe e como se já não bastasse a própria mãe se culpar porque ela também pensa nossa eu achei que meu filho fosse se desenvolver de tal forma e não está se desenvolvendo a culpa é minha muitas vezes ela demora para entender que não tem a ver com culpa é muito menos culpa dela porque ela não tem culpa de nada que é uma questão do desenvolvimento do Filho um outro
ponto muito frequente é será que o meu filho está fazendo melhor tratamento que ele pode Será que eu estou dando esse melhor tratamento E aí tem alguns pontos primeiro é o que hoje é o melhor tratamento porque por mais que existam estudos por exemplo no caso do autismo que fala da análise do comportamento aplicada que é o aba Ok mas e o profissional que tá aplicando ele também tem que ser bom senão né não dá em nada e aí a mãe se pergunta muito Isso e eu sempre falo para ela o primeiro ponto é o
que é possível de você fazer porque não adianta por exemplo a mãe pensar assim nossa tem um tratamento excelente para o meu filho na China se ela não vai conseguir levar o filho para China ela só vai ficar remoendo isso e se culpando esse angustiando com uma coisa que tá fora da possibilidade dela então é importante ela olhar para isso também dentro das nossas possibilidades seja financeira Emocional de logística e tudo mais o que que eu tô oferecendo ao meu filho é tudo que eu posso é então é isso que eu vou me lembrar quando
a culpa vem porque eu estou fazendo o melhor pelo meu filho e Você nota que elas têm realmente muito essa culpa as mães que você atende atende assim e que muitas vezes também Elas abrem mão porque eu vejo que tem um período que você acaba realmente abrindo você nem Lembra que você existe mas só isso é verdade eu só pensa na rotina de terapia que você tem que todo dinheiro que entra é para aquela questão do filho então a sua mãe já não esse negócio de se cuidar de pensar nela não existe né E você
pensa também assim existe isso você observa que as mães quando começam a pensar nisso ou quando você fala você tem que se cuidar ela não eu não posso porque eu tenho que pensar só no meu filho né a culpa parece que já não deixa Também elas olharem para elas né E até o próprio se a terapia tá muito ligado a isso porque já é um autocuidado você iniciar a terapia seja individual seja em grupo então muitas vezes ela começa Claro que pode ter muitas outras questões mas tem esse ponto de Será que eu tenho direito
de estar aqui de ter esse tempo para mim de nesse momento porque o que é muito muito frequente por exemplo eu vou iniciar uma terapia em grupo Eu sempre faço assim Algumas perguntas para mãe pelo por formulário mesmo e eu coloco lá é o que você espera do grupo né O que que você espera que tenha de conversas no grupo muitas mães escrevem assim ah que eu aprendo a mais sobre o diagnóstico do meu filho que eu aprendo a mais sobre estimular o meu filho e aí quando chega lá no primeiro dia e eu falo
para elas aqui a gente vai falar sobre você e não sobre seu filho tudo bem seu filho faz parte ele vai aparecer em alguns Momentos com certeza mas o olhar é para você elas ficam perdidas Como assim olhar para mim Como assim eu tô aqui para falar de mim e não para falar do meu filho e não para aprender estimular mais ou para aprender mais sobre o diagnóstico dele então é um processo que elas também aprendem no caminho porque vem a culpa é isso que você falou eu não tenho esse direito como que eu vou
parar para olhar para mim até com sentimento assim de se eu me Cuido então eu descuido do meu filho não se você se cuida na verdade você vai cuidar ainda melhor dele mas eu entendo que isso é uma construção que não é simples Eu falando assim que pronto ela aprendeu entendeu E mudou na cabeça dela é um processo até porque para essa mãe conseguir parar para se cuidar para dizer agora eu vou olhar um pouquinho para mim porque eu já tô fazendo Eu sempre tô fazendo pelo meu filho tô fazendo melhor por ele mas para
parar e Me cuidar muitas vezes ela vai ter que ter um apoio uma rede de apoio E aí muitas não tem muitas não tem e eu penso até que é por isso que que eu tenho feito meu trabalho na grande maioria online porque isso possibilita da mãe participar de rodas de conversas palestras terapia em grupo ou terapia individual que antes não seria possível porque elas estarão ali muitas vezes em momento Que o filho tá dormindo mas ela tá na casa então o filho tá dormindo Se o filho acorda ela pode ir lá pegar o filho
ah eu vou ter que dar comida vou ter que fazer uma medicação tá tudo bem faz parte se fosse uma terapia em grupo por exemplo presencial A grande maioria não teria possibilidade de participar por isso não tem rede de apoio não tem quem fique com filho ou às vezes até tem por exemplo Ah meu marido tá em casa à noite só que se meu filho Acorda ele não Sabe o que fazer se chega a medicação horário de medicação não sabe passar medicação ele não sabe alimentar muitas vezes se essa criança precisa de uma alimentação interal
por sonda muitas vezes a sua mãe que sabe fazer aí também tem um outro ponto de Será que a mãe tá deixando que os outros façam porque aí a sociedade também vem e fala viu isso é obrigação sua e ela se sente assim ela sente que ah eu tenho que dar conta De tudo não Você não tem que dar conta de tudo então também tem esse processo da mãe de entender que por exemplo o marido faz parte da família e que ele também deve fazer parte dos cuidados com os filhos tem casos que que as
mães me relatavam que assim por exemplo o marido pedia Ah eu quero dar banho porque é um momento importante para o marido para o homem também para o vínculo entre pai e filho e ela começou a perceber que ela que não Deixava o marido dar banho no filho e não que ele não tinha essa disponibilidade por conta desse sentimento de que aí eu tenho que dar conta de tudo o tempo todo e a partir do momento que ela começou a ter clareza disso ela como se fosse libertar de então falar para o marido Ah é
Então vem aqui agora eu vou te ensinar Porque também tem isso ah ninguém vai fazer tão bem quanto eu faço eu acredito que não mesmo mas do mesmo jeito que um Dia você também não soube fazer e preciso aprender as outras pessoas também poderão aprender né e eu vejo vários pontos assim né Um deles é que então eu vejo vários pontos assim que é uma vez eu fui para um seminário em São Paulo e aí eu tava peguei o Uber E aí falei que tava indo viajar e que as crianças tinham ficado com o marido
assim e aí o cara falou nossa você tem coragem de deixar elas com ele tem ué é o pai né Vai ter que tem que assumir responsabilidade também porque muitas vezes a gente vende isso assim que muitas tarefas que nós Assumimos na maternidade de modo geral não são nossas deveriam ser da família das pessoas que convivem naquela casa né do homem e da mulher mas a gente traz tudo para gente porque sempre foi dito Ó você vai fazer melhor ou senão como que você vai deixar teu filho sozinho você tem coragem principalmente se essa Mulher
deixa de trabalhar porque aí passa uma sensação assim você já tá em casa o dia inteiro mesmo você não tá fazendo nada então o que que custa fazer como se os cuidados fossem tranquilos fáceis como se não tivessem desafios como se não fosse Cansativo e é o que eu falei lá no começo uma coisa é o pai falar assim ah eu levo na terapia beleza ele acorda pega o filho leva para terapia outra Coisa é a mãe que acorda pensa como que vai ser o dia hoje será que meu filho vai precisar de uma troca
de roupa Será que ele vai comer fora de casa se ele for comer que tipo de comida ele vai precisar Será que ele vai chegar no fim do dia ou será que ele vem na hora do almoço então todo esse planejamento não é só levantar pegar o filho e levar na terapia e na grande maioria das vezes esse planejamento do arrumar mochila o que Que vai ter na mochila como que vai ser é da mãe e É um cansaço mental muito grande que não é dormindo que se resolve porque eu brinco que quando a gente
dorme temos uma boa noite de sono a gente descansa o corpo bem mas o emocional Nem sempre é sobrecarga materna que a gente chama que a gente pensa a gente tá ali pensando o dia inteiro em coisas básicas né Ah quem que comprou o remédio que horas Onde que é a terapia que horas que tem que levar no Médico a vacina e um monte de coisa que vem embutido ali mas que ninguém vê na prática só vê a criança entrar na terapia com o pai então Nossa ele te ajuda muito que leva para terapia e
a gente não tá desmerecendo né o pai que faz isso que bom que que tem mas vai muito além só disso né outra eu só queria ontem você fez um relato lá de uma da mulher do Uber que estava trabalhando com e levou o filho Né então assim para ela tá trabalhando e era tarde né era quase 10 horas da noite a hora que eu pedi o Uber até para quem não sabe o que que ele tá bem legal essa história porque a Kelly tá falando eu vim para Curitiba para poder nos gravar o podcast
e eu peguei um Uber lá em Bauru que é onde eu moro da minha casa até a rodoviária e era quase 10 horas era umas 9:30 mais ou menos que era o horário para eu poder ir que o ônibus sairia 10 da noite e quando o Uber chegou na minha casa era uma mulher com uma criança e assim me chamou atenção primeiro porque nunca tinha acontecido e tudo bem eu entrei no carro e fomos e começamos a conversar e aí ela comentou comigo que ela só tava pegando mulheres e que ela estava com o filho
porque o filho estava na terapia e ela não tinha o que fazer né não tinha com quem deixar o filho e que ela precisava bater algumas metas lá do trabalho do aplicativo então que ela Não tinha o que fazer e que ela ia ter que levar E no fim foi assim bem bacana a gente poder conversar eu até enquanto psicóloga ela me pediu algumas orientações da onde poderia levar o filho que tá passando por algum algumas avaliações para entender melhor o que tá acontecendo com ele mas é isso Cadê a rede de apoio dessa mãe
quem que tava esperando ou não em casa para ela não poder deixar o filho ela não ter com quem deixar o filho e ter que levar o Filho no Uber aquele horário daí a gente entra mesmo que ela representa muito do que a gente vive enquanto sociedade na verdade que realmente as mães acabam não encontrando essa rede de apoio ou esse é simpatia às vezes até de alguém assim olha não eu te ajudo né de alguma forma E então vai muito Não é esse exemplo mostra muita coisa além assim que a gente nem consegue quando
Voltando aqui também maior outra questãozinha assim vem a questão financeira que começa a impactada a vida também dessas mulheres dessa família e isso acaba de uma certa forma o que que atrapalha mais aí nesse sentido a questão do casamento das mulheres você vê que é muito afetado quando vem esse diagnóstico e muda totalmente essa rotina elas também tem essa questão de Pô eu não encontro esse apoio dentro de Casa do marido e aí vai desgastando o casamento em si mesmo sabe sim tem muitas questões que envolvem isso claro que cada caso é um caso mas
tem a questão de quando chega um diagnóstico muitas vezes cada um olha para o diagnóstico de uma forma diferente então isso pode gerar conflitos então de um lado tem a pessoa super preocupada e do outro lado da pessoa que acha que ah não vai se desenvolver de qualquer jeito não precisa de nada Claro não acontece sempre mas pode acontecer tem essa questão que você citou de que a mãe não se sente apoiada pelo marido e aí ela começa a se afastar tem a questão que muitas vezes ela deixa de trabalhar e aí fica a questão
financeira só para o marido e muitas vezes ele se sente então no direito já não faço nada com relação aos filhos porque eu já trabalho e já trago sustento para casa então é muito delicado o que eu percebo é que sim os Relacionamentos eles sofrem um impacto muito muito grande que é o que eu falei tem vários motivos e porque isso acontecer muitas vezes acaba a separação ocorrendo e nem sempre o pai continua com papel de pai no sentido de visitar de ser presente na vida do filho muitas vezes ele acaba perdendo esse contato e
que é muito delicado porque nem sempre a mãe ela quer que isso aconteça muitas vezes ela fala assim ah eu quero resgatar esse meu Lado mulher o meu lado esposa companheira enfim mas é Um Desafio muito grande e se não tiver a compreensão do marido do Companheiro isso fica sendo ainda mais desafiador eu tenho também pensei em outra questão existe esse tanto dessa mãe e às vezes ela já nem se dá conta assim que ela tá tão imersa ali que você falou né você não aceita ajuda é porque você tá tão imerso que você faz
tanto no automático e que é daquele jeito que vai dar até um Trabalho fazer de outro e aí você vai ter que refazer ou vai ter que não ter paciência de ensinar várias coisas E aí eu tô tão imerso naquilo que às vezes eu não não entendo que eu tenho que saber doar né que não é só lidar com diagnóstico do meu filho fazer as terapias e tudo mais mas eu tenho que olhar também para as pessoas que estão nessa casa e eu vou entrar agora no sentido assim essas mães que já tem outros filhos
né Então o filho vem diagnóstico e o outro não tem diagnóstico também é muito comum de a gente acabar levando o nosso energia mais para essa criança né que tá ali precisando de terapia de intervenção e não saber mais como ou esquecer né que você tem a família ainda além da criança né tem outras questões além da criança você quer muita coisa precisa de da mãe né sim sim mas acontece até porque a gente tem a ideia De que os filhos Eles têm que receber a mesma coisa o tempo inteiro porque se você fizer diferença
é porque você ama mais um do que o outro e o que é importante as mães os pais ensinarem os filhos é que cada um tem uma necessidade diferente e que portanto as coisas também serão de acordo com a necessidade de cada um então um exemplo simples um filho tá precisando de um tênis a mãe vai lá a mãe ou pai compra o tênis para um e compra um tênis para o outro Ah mas o outro não tava precisando de tênis a Mas é para andar Confusão já comprei um tênis para cada um E aí
você acaba mostrando para o seu filho como se fosse realmente isso aos dois vão sempre receber a mesma coisa quando chega um diagnóstico começa a terapias e tudo mais e a criança com diagnóstico ela acaba tendo muito mais atenção não tem jeito E aí o outro filho vai entender como que me amam menos do que o meu irmão porque Não era sempre tudo igual para nós dois então se desde pequeno você ensina seu filho que cada um tem uma necessidade diferente já é um ponto importante vai resolver não não vai porque o irmão ele ainda
vai sentir isso já eu sou deixado de lado ai sempre tudo mais para o meu irmão um outro ponto também aquela noção de importância muda muito então por exemplo o que é um 10 numa prova para uma criança que Não conseguia andar e começou a andar então dá uma sensação de que o andar é muito mais importante mas o 10 na prova para uma criança que por exemplo tinha muita dificuldade em matemática estudou esse esforçou e tirou 10 também é muito valorosa então é importante que a mãe ela também olha para essas pequenas conquistas do
irmão que não tem diagnóstico para mostrar para ele que também ela também olha para isso e ela também se Importa com isso um outro ponto é a mãe falar claro que depende da idade do filho né de uma forma que ele compreenda que ela sente falta de ficar com ele que ela gostaria de ficar mais com ele filho vamos fazer alguma coisa junto vamos organizar já que não dá para sair assim vamos organizar um dia para a gente tomar um sorvete e ao cinema porque muitas vezes a mãe tem o medo mesmo de assim como
que eu vou falar para o meu filho que eu Também sinto falta dele mas ele precisou vir porque senão não vai ser Óbvio para ele como é para você ah é óbvio que é o meu filho é óbvio que eu sinto falta dele para ele não é óbvio então fazer isso sabe ter esse jogo de conversa mesmo de Ok você não vai ter claro isso você não vai falar para o seu filho mas assim o filho sem diagnóstico provavelmente não vai ter o mesmo a mesma atenção do outro não porque o outro vai precisar de
mais atenção mas Se ele entende que o que ele faz também é importante que mais atenção não significa mais amor ele vai crescer até assim gerando menos possíveis traumas até a questão de crescer amando o irmão com diagnóstico e querendo cuidar do irmão um erro muito grande a mãe que fala ai você nasceu para cuidar do seu irmão Ai que bom que tem você para quando não tiver mais aqui cuidar do seu irmão claro eu entendo que um dos maiores medos da mãe é quem vai Cuidar do filho quando ela não tiver mais aqui mas
ela jogar sobrecarga normal é muito pesado então Ah então como que esse irmão vai aprender a cuidar do irmão com diagnóstico pelo exemplo da mãe aí ele vai querer cuidar por amor ao irmão e não por obrigação e não porque aí eu só vim nesse mundo para isso é preciso algum peso muito grande para cima da criança e a criança nem sabe Lidar com aquilo né aí às vezes vai ver a criança tá com raiva do irmão ou com raiva daquela rotina toda porque às vezes muitas vezes né acaba tendo que levar a outra criança
também para terapias não tem que deixar então vai os dois né Por tabela mais dois ali mas você falou acho que é bem legal assim de ter um momento mesmo só com aquele filho né de mostrar de assistir um filme de passear de fazer alguma coisa para mostrar que realmente E tentar saber o que que tá acontecendo na vida dessa criança que às vezes muitas vezes você convive ele com os teus filhos mas você tá tão que tem terapia que tem que tem médico que tem e você não sabe direito o que que tá acontecendo
não perguntou não interagiu com a criança ali naquele momento e Mari tem outra coisa também que a gente até conversou um pouquinho antes assim que era muitas vezes eu quero fazer algumas coisas para mim ou eu Programo o planejo coisa da minha vida mas a realidade é outra então a realidade é que eu não consigo fazer essas coisas porque eu tenho a prioridade que é a criança é a terapia ou é qualquer outra questão né E aí vem sentimentos né que muitas vezes a gente até fica assim ai como é que eu tô sentindo isso
porque não é que eu não goste do meu filho mas eu não gosto na verdade a gente ama o filho mas a gente não gosta às vezes algumas coisas que Vem ali embutidas nessa rotina de Terapias e de coisas que fazem com que você não consiga fazer coisas que às vezes você queria Então é meio duro né tipo acho que passa muito sentimento e aí lidar com isso de Nossa como é que eu tô sentindo isso né muitas vezes as mães entendem que cansaço é sinônimo de falta de amor então assim eu tô cansada eu
não posso reclamar porque isso não vai aparecer Que eu não amo meu filho e uma coisa não tem nada a ver com a outra você pode não gostar de que seus filhos faça terapia você pode não gostar de ter que ficar nessa vida corrida de Leve e traz e mesmo assim continuar amando seu filho uma coisa não interfere na outra e essa questão que você falou de querer fazer as coisas e não poder tá muito ligada a questão da participação da mãe porque se ter um filho já nos priva de coisas né de tanta liberdade
que Tínhamos antes um filho com diagnóstico ainda mais porque o tempo fica mais escasso muitas vezes é o que você falou ah eu queria sei lá sair para tomar um café com as minhas amigas mas quando que eu vou fazer isso é uma coisa que não é mais Ah amiga ligou hoje vai não vamos ter que programar esse dia que eu vou precisar de alguém que fique com os meus filhos e tudo mais E aí aquele sentimento de Nossa mas e a minha vida que eu não tenho mais Controle na minha vida porque eu não
faço mais o que eu quero fazer na hora que eu quero fazer e até tem uma frase que sempre não sei de quem é essa frase que fala assim né que criança faz o que quer adulto faz o que precisa e a gente entende que a gente precisa fazer aquilo e vai fazer Mas cansa porque muitas vezes a gente gostaria de poder fazer algo que Putz não dá porque tem terapia porque tem isso tem aquilo e nem sempre eu vou Conseguir conciliar tudo e aí eu mulher né o meu papel de mulher o meu papel
de esposa de amiga de prima ou profissional tantos outros papéis que essa pessoa tem e acabam ficando adormecidos perto do papel de mãe e as mães entram relatam muito disso assim tipo Ai Mariana Tô sentindo uma coisa que eu não sei como lidar né como que a gente transforma isso de como que a gente transforma esse sentimentos assim De dúbios mesmo para que aquilo Pare de ser só fazer mal né qual o caminho para tomar Se a gente fosse dar um conselho assim né o primeiro ponto é você ter clareza do que você tá sentindo
e por quê e essa clareza ela não é simples fácil até por isso que a terapia é importante porque muitas vezes a gente não consegue fazer isso sozinho e muitas vezes a Gente não consegue admitir nem para nós mesmos sobre o que a gente está sentindo e pensando e esse é o primeiro ponto porque se a gente não tem clareza do que a gente está sentindo do que a gente está pensando a forma como a gente se comporta a gente não tem como mudar essa situação e é o que eu falei o que a gente
sente a gente não muda a gente não consegue mudar mas o que a gente pensa a forma como vem esses pensamentos Conforme a gente vai aprendendo estratégias a gente vai conseguindo mudar porque a gente não aprendeu a questionar o que a gente pensa então muitas vezes a gente pensa e a gente interpreta aquilo ali como uma verdade absoluta a gente não para para pensar assim nossa mas faz sentido isso aqui que eu tô pensando porque se não faz por que que não faz sentido ou isso que eu tô sentindo Por que que eu tô sentindo
isso o que que tá por trás disso tudo que eu tô sentindo Então essas coisas nos ajudam e nos auxiliam a ter mais clareza e quanto mais clareza eu tenho sobre o que eu tô sentindo sobre o que eu tô pensando esses sentimentos lúbos eles vão desaparecendo ali quando você falou também né a que você coloca para o irmão a você que bom Que teu irmão vai ter que você tá aqui para cuidar do seu irmão e tudo mais e aí Traz essa frase que realmente eu acho que faz muito sentido acho que na vida
de qualquer mãe né que é quem vai cuidar do meu filho quando não tiver aqui E engatando com isso assim Quais são os medos assim que você mais nota na maternidade atípica além desse de quem vai cuidar do meu filho é o maior de todos é esse quem vai Cuidar do meu filho e o medo de modo geral com relação ao futuro então não só como vai ser quando eu não tiver mais aqui mas como meu filho vai ser no futuro o quanto será que ele terá desenvolvido ou não será que ele vai ser dependente
o quanto Então são questionamentos que tá que estão muito ligados a nossa falta de controle porque a gente não tem o menor controle sobre o que vai acontecer lá na frente mas a gente tem controle sobre o Que tá acontecendo agora que é o único tempo que a gente consegue fazer alguma coisa no presente o passado foi a gente não tem como mudar o futuro a gente nunca vive o futuro porque quando ele chega é hoje Então você pensar o que que eu posso fazer hoje com relação ao que tá me angustiando no futuro tem
alguma coisa então por exemplo lá tem eu posso guardar dinheiro para se algum dia eu faltar alguém poder Cuidar dele então beleza começa a guardar dinheiro Ah não tenho muito guardo que você tiver ou então ah que que eu poderia estar fazendo aí eu poderia sei lá falar para alguém que se eu morrer eu gostaria que a fulana cuidasse Então pensa no que você pode fazer e faça o que é possível Claro e toda vez que vier esse pensamento essa angústia você se lembrar que você já fez o que é possível porque é uma angústia
e É um pensamento que ele não vai ter uma resolução ele vai sempre ter alguma questão a ser levantada e se você ficar pensando nisso o tempo inteiro você vai viver angustiada E essas angústias também a gente vê muito claro dentro várias questões né as questões do medo que vai te gerando uma ansiedade uma Acho que até uma questão de depressão e tudo mais mas outras questões também trazem depressão para essa mãe né E aí a Gente acaba vendo muitas mães atípicas que às vezes não aguentam mais né que chegam ao Extremo e não tem
essa ajuda então a gente também para falar assim para elas perceberem quando tá chegando ali no eu tô no meu limite eu preciso de ajuda então o que que eu tenho que procurar né Para eu não tô sabendo lidar mais com a situação e às vezes eu não sei quem procurar porque assim a minha rede de pessoas próximas não escuta eu não tenho Essa rede de apoio que você falou mas eu também não quero continuar assim sim e Enquanto você falava isso eu fiquei pensando que muitas vezes quando a pessoa por exemplo comete suicídio as
pessoas são nossas Se eu soubesse que ela tava assim eu teria ajudado mais na grande maioria dos casos a pessoa ela pede ajuda ela vai dando sinais ela vai dando sinais não é assim Nossa do nada aconteceu e é o que você falou muitas vezes ela pede ajuda ninguém quer ouvir A pessoa fala ah vai dar tudo certo e corta e a gente tem uma questão na sociedade também ainda que vê questões como depressão como ansiedade como frescura como a gente queria chamar atenção então parece que só é visto quando já uma coisa ruim aconteceu
com essa mãe já foi parar no hospital e tudo mais né sim e para essa mãe que tá vivenciando isso eu penso que ela pode procurar ajuda se ela não tem ali é uma rede já foi Presencial ela pode procurar uma rede de apoio virtual mesmo que ah mas não é uma terapia em grupo por exemplo Tudo bem pode não ser terapia mas só o fato de você falar com alguém já é terapêutico uma outra coisa que ela pode fazer se na cidade dela supondo que essa Mãe por exemplo eu não tenha condições financeiras de
custear uma terapia na cidade dela ela pode ver se tem faculdades que tenham psicologia que eles têm o serviço de clínica que ou É gratuito ou é por um valor social baixo tem psicólogos que atendem também com valor social que tem por exemplo no meu caso eu tenho algumas vagas para isso que hoje já estão preenchidas e eu tenho a lista de espera mas que eu atendo por um valor mais acessível para poder auxiliar essas Mães E tem também lugares muitas vezes associações e ONGs que fazem esse acolhimento então procurar a rede virtual vai possibilitar
Essa mãe de encontrar muitas vezes a física também porque pode ser que na cidade dela tenha uma associação e que ela não saiba Então para que ela tenha caminhos que ela possa procurar caminhos porque é isso muitas vezes Ah mas eu falei com a minha amiga eu pedi ajuda e ela nem se importou então aonde que eu vou procurar então ela pode olhar para essas que eu citei aqui é um caminho eu digo que você não pode Desistir de você mesmo na verdade porque você já comentou lá no começo né se essa mãe tiver bem
cuidada se a sua mãe tiver Só se tiver feliz eu acho que é essa palavra assim porque a gente tem o direito de ser feliz parece que a gente às vezes esquece que a gente tem o direito de se divertir que a gente tem o direito de tudo a nossa criança o nosso filho ele vai tá vendo isso ele também quer ter uma mãe feliz ele também quer ter uma mãe outro dia Eu até comentei Isso que meus filhos são Nossa mas você sempre tá com a cara fechada e eu nem tinha me tocado que
eu sempre cara fechada Sabe porque eu tô sempre pensando que eu tenho que fazer alguma coisa ou que é tudo muito rápido e tem muita coisa para fazer não agora tem início tem aquilo sempre tensa depois Nossa eles também não quero ver essa Mãe o tempo todo de cara fechado ou né Às vezes eu nem tô brava mas eu tô lá Tensa então eles notam isso para eles se a gente tiver bem Eles não tão feliz vão estar melhor isso também com certeza Então acho que também deixar isso assim que tem o direito de ser
feliz você tem o direito de procurar e que às vezes naquele momento naquele momento você talvez não consiga realmente parar para sei lá fazer exercício para cuidar de você mas eu acho que isso vai durar para sempre né E que você pode começar com pequenas Atitudes porque o autocuidado não é só você passar uma tarde inteira no salão você conseguir uma hora todo dia para se cuidar né auto cuidado também é você tomar um banho quente sem preocupação no sentido de ter alguém olhando o seu filho enquanto você toma banho muitas vezes é de vocês
esquentar o seu prato de comida porque muitas vezes a mãe come o que sobrou do Prato do filho então fazer o seu prato esquentar comer a comida quentinha Claro que cada mãe é única mas olhar para sua realidade o que que dentro da minha realidade eu posso fazer ah escutar uma música enquanto eu tô lavando louça ou assistir um pedacinho de um filme de uma série também é um autocuidado Ah mas é muito pequeno é muito pequeno mas é um primeiro passo e aos poucos ela vai entendendo isso que você falou que pensar em não
ser feliz para sempre é muito tempo as mães também têm direito e devem ser Felizes talvez a ideia o ideal de felicidade de ser feliz o tempo todo ninguém vai alcançar e talvez a mãe se prenda Isso é só você feliz o dia que eu for feliz o tempo todo ninguém vai ser feliz o tempo todo então você tem que encontrar pequenas felicidades no seu dia o meu marido falou ontem ainda uma coisa assim que ele disse ah porque enquanto eu tô na quinta série não tô feliz se você feliz quando for Para sexta mas
só se você feliz quando eu tiver no ensino no ensino médio não só quando tiver na faculdade não só quando eu tiver trabalhando parece que você esquece que é o processo né E aí no processo você vai ver grandes vitórias do desenvolvimento do seu filho você vai ter momentos felizes e seus mesmo Então você tem que tentar enxergar essas coisas que às vezes são tão difíceis de ver ele mas que a gente entende porque que é difícil também porque todo tudo Isso que a gente conversou aqui né gente não é uma coisa simples e aí
a gente tá chegando aqui no final e já para que você de um apanhado de tudo assim se você quiser né ainda mais uma tocar em alguns pontos não tem que ressaltar isso aqui para vocês não esquecerem O importante claro tudo que a gente conversou é importante mas o que eu quero que fique para as mães é o direito que elas têm de serem felizes que elas Podem sim ser felizes mesmo com tantos desafios mesmo com uma rotina cansativa mesmo quando Pareça que não dá que existem formas e que se tiver difícil se você perceber
que coisas que você gostava de fazer no seu dia a dia hoje Você nem sente mais vontade de fazer é um sinal de alerta Então procura ajuda e procure ajuda profissional né de um psicólogo de um psiquiatra ou às vezes Ah eu vou no ginecologista Ok Fale com ginecologista que ele pode te Encaminhar mas procure ajuda Fale para alguém eu entendo que se é um amigo alguma coisa assim como você mesma falou pode nem nem dá valor ao ler o que você tá falando mas então busca alguém que possa de fato ouvir você nem que
para que seja para pessoa falar olha eu não consigo te ajudar mas eu vou te ajudar a achar alguém que possa porque é realmente muito desafiador Mas é possível ter olhares diferentes Para aquela situação é isso que a gente acredita gente e pode viu eu sempre falo Quando eu olho quando me vejo lá cinco anos atrás era uma mãe com uma outra perspectiva de que as coisas poderiam ser melhores assim eu falo gente hoje eu consigo fazer exercício mas não foi assim cheguei e hoje eu faço exercício ah hoje eu consigo ter esse tempo para
sentar e comer minha comida lá atrás eu não conseguia mas é um processinho às vezes Cinco minutos um dia Daqui a pouco é 10 e assim você vai e ter autoconhecimento né que que não tá te fazendo bem acho que é um caminho bem bem importante sim com certeza então agradecer mesmo que bom fiquei bem feliz e a gente vai deixar todas as redes sociais aqui embaixo todos os contatos certinho e é isso né gente precisamos de profissionais assim mano que se importam Com a gente com as mães obrigada pelo convite muito bom participar Muito
bom falar sobre esse assunto e levar sobre esse assunto para mais pessoas então também tô bem feliz de estar aqui de ter dado certo obrigada gente agradecer para quem ficou aqui com a gente até o final Pedir para que vocês compartilhem com outras pessoas muitas mães estão precisando ouvir o que a gente conversou aqui muitas mães às vezes Vocês nem sabem que estão lá sofrendo sozinhas e Que precisam só dessa palavra para que elas consigam né ver que tem um caminho a seguir Tá bom então se inscreve aqui no canal toda quinta-feira às 19 horas
a gente tem um episódio novo Obrigada pessoal e até a próxima [Música]