[Laura] Essa é nossa série sobre vinhos. E, nos vídeos anteriores, já falamos sobre a origem e fabricação e sobre os muitos tipos de vinhos que temos. Eu ainda comentei com vocês sobre a minha alergia a vinho tinto.
Agora chegou a hora de conhecer a fundo o rótulo e as rolhas dos vinhos, porque isso vai te ajudar na hora de escolher um vinho pra levar pra casa. Este vídeo aqui vai te transformar em especialista, eu garanto! ♪ A maior questão no mundo dos vinhos é como saber que vinho escolher entre as dezenas de garrafas iguais nas prateleiras do supermercado, sem poder abrir pra cheirar ou experimentar antes.
É aqui que entra o rótulo, que traz bastante informação útil sobre o que você pode esperar de um vinho, se você souber procurar. -Se você não entende nada de vinho, fica tranquilo, esse masterclass é pra você. [Laura] Existem basicamente três formatos de rótulos diferentes.
O primeiro é o rótulo com o nome da região de origem. Esse tipo de rotulagem é mais comum na Europa, principalmente França, Itália, Espanha e Portugal. E aí, como exemplos, a gente tem os vinhos de Bordeaux, na França, de Rioja, na Espanha, e de Brunello di Montalcino, na Itália.
Esse tipo de rótulo não diz explicitamente, mas ele dá uma dica da variedade de uva usada, porque cada região de cultivo de uva nesses países tem algumas variedades predominantes. Sabendo que um vinho é tinto de Bordeaux, por exemplo, você já pode esperar que ele seja feito com Cabernet Sauvignon, com Merlot ou Cabernet Franc. Se for um branco de Bordeaux, você pode esperar que ele seja feito de uva Sémillon, Sauvignon Blanc ou Muscadelle.
E um vinho tinto de Rioja costuma ser de Tempranillo, vinho branco de Rioja de Viura, e um Brunello di Montalcino deve ser de uva Sangiovese. Poliglota. [fala em outro idioma] [Laura] Nesses países, a região dá o indicativo do tipo de uva usada.
Às vezes, além da região, o rótulo também especifica o local dos vinhedos. Por exemplo, os “Château” que aparecem nos rótulos de muitos vinhos franceses, e às vezes também aparece o nome do produtor. Esse nível de especificidade, falando da região, o local, o vinhedo e o nome do produtor, é usado em vinhos mais sofisticados, de maior qualidade, que vêm geralmente de pequenos produtores com produções menores.
O segundo tipo de rótulo é o rótulo com a variedade da uva. Esse tipo é mais usado pra vinhos varietais, que são vinhos que só têm uma variedade de uva. Mas também pode ser usado pra alguns vinhos que misturam mais de uma variedade, desde que uma delas esteja em maior quantidade e esteja presente em uma porcentagem mínima.
E essa porcentagem varia conforme o país. Brasil, Chile e Estados Unidos dizem que um vinho precisa ter 75% de uma variedade de uva pra que ela seja considerada predominante e possa ser destacada no rótulo. Na Argentina, esse percentual é de 80%.
E aí, na Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e nos países da União Europeia, é de 85%. Vinhos com esse tipo de rótulo, com o nome da uva destacada, são talvez os mais fáceis de se encontrar no mercado e geralmente são vinhos não europeus. Essa diferença entre vinhos europeus e não europeus em relação ao rótulo vem do fato de que a maioria das uvas usadas até hoje na fabricação do vinho tem origem nas mais famosas regiões vinícolas da Europa.
É meio que automático no continente europeu que um vinho de um lugar seja feito de uma uva específica, mas fora de lá essa mesma uva pode ser usada e aí ela precisa ser especificada porque existe todo tipo de variedade sendo cultivada em vários países diferentes. Claro que existem exceções. Existem muitos vinhos europeus rotulados com o nome da uva, principalmente aqueles que vêm de regiões em que a tradição de fabricar vinho não é tão antiga, ou então que teve uma mudança na variedade de uva predominante, ou quando o produtor usou uma uva que não é tão comum naquela região.
O terceiro tipo de rótulo pra vinho é o rótulo com o nome comercial ou o nome do produtor. Esse é o tipo de rótulo mais comum na América do Sul, de vinhos fabricados aqui. Por exemplo, a gente tem o Casillero del Diablo, que é da Concha y Toro, tem Undurraga, Salton, Casa Valduga, Miolo, Catena Zapata, só pra citar alguns que eu lembro de cabeça.
E aí, dentro de cada uma dessas marcas de vinho, desses produtores de vinhos, vão ter vinhos de vários tipos. Então vai ter branco, tinto, espumante, rosé, e vão ter várias uvas diferentes também usadas. A gente tem também as certificações ou indicações geográficas, também conhecidas como apelação ou denominação de origem controlada ou protegida, que têm algumas siglas diferentes dependendo do país de origem do vinho.
Por exemplo, em vinhos franceses você vai encontrar a sigla AOP ou AOC; na Itália, Portugal e na Espanha, DOP e DOC; na Alemanha vai estar escrito uma palavra. . .
“Qualitätswein”, não sei se assim pronuncia, meu alemão é inexistente. Em vinhos dos Estados Unidos vai estar a sigla AVA, de American Viticulture Area; em vinhos da África do Sul vai estar a sigla WO, de Wine of Origin; e no Brasil a gente vai ter as siglas IP, que é Indicação de Procedência, ou DO, de Denominação de Origem. Aqui no Brasil, inclusive, a gente tem 10 regiões produtoras de vinho que são protegidas por IP ou por DO, pelo menos até o momento que eu gravei esse vídeo.
Essas certificações, especialmente as denominações de origem, indicam que o vinho segue as regras de uma região específica e atende a um certo padrão de qualidade, desde a variedade característica da uva utilizada até as etapas de fabricação. Funciona como uma espécie de certificado de autenticidade. E aí, a título de curiosidade, a primeira DO a ser estabelecida foi em Portugal, pra proteger o vinho do Porto contra falsificações.
Por isso, é considerado um tipo de atestado de autenticidade. Vinhos com uma uva só ou uma variedade predominante são os vinhos varietais, e eles vão ter o nome da uva estampado no rótulo, como eu mencionei. Mas, se o vinho tiver a palavra “corte”, “blend”, “assemblage” ou “talho” no rótulo, ou ainda tiver escrito só “vinho branco”, “vinho tinto”, “vinho rosé” ou “vinho de corte” sem especificar a uva, significa que ele é feito com uma mistura de duas ou mais variedades de uva.
-Informação. [Laura] Ter só uma uva ou uma mistura de várias não é um indicativo de maior ou menor qualidade de um vinho. Se você achava até esse momento que o vinho tinha que ser um vinho varietal pra ser o melhor vinho, esqueça esse conceito.
Vão existir vinhos excelentes tanto entre os vinhos varietais quanto entre as misturas. E alguns dos mais famosos vinhos de Bordeaux, por exemplo, são assemblages, são misturas. É só mais um tipo de vinho.
Outro termo que você pode encontrar no rótulo é “vinho de mesa”. Esse termo é um pouco mais complicado porque tem significado diferente dependendo do país. Na Europa, vinhos de mesa são simplesmente vinhos que não correspondem a nenhum dos critérios das regulamentações e, por isso, não têm nenhuma certificação.
No Brasil, é chamado de vinho de mesa um vinho que não foi elaborado exclusivamente com uvas de uma mesma espécie, que seria a espécie Vitis vinifera. São vinhos que recebem um pouco de uva americana na composição. E aí, por uva americana, entenda uvas de origem do continente americano.
-Não diga. -Digo. [Laura] Se o vinho foi feito 100% com uvas Vitis vinifera, aí ele é denominado vinho fino e não vinho de mesa.
Então, vinho de mesa no Brasil significa que tem mais de uma espécie de uva misturada, e vinho fino significa que é feito com uma única espécie, no caso, a Vitis vinifera. Seria o equivalente ao café 100% arábica, se ele fosse um café. Termos como “reserva” e “gran reserva” geralmente indicam um vinho de maior qualidade que passou por um tempo determinado de envelhecimento.
E aí, uma parte do tempo em barris de carvalho e o restante do tempo na garrafa. O gran reserva é o melhor vinho produzido pela vinícola ele é envelhecido por mais tempo. Normalmente, o tempo vai de 1 a 5 anos, e exatamente quantos anos no barril e quantos anos na garrafa varia conforme as regras de cada região.
Isso na maioria dos países. Em Portugal e no Chile, esse termo segue umas regras diferentes. Nesses dois países, vinhos chamados de reserva são vinhos com características de cor e aroma diferenciadas e com teor alcoólico pelo menos 0,5% de volume maior que o limite mínimo estabelecido pela lei.
No Chile, ainda se usa também o termo “reservado”, mas esse é um termo de marketing, não tem um significado muito claro. No Chile, porque no Brasil, o uso do termo “reservado” é regulamentado desde 2019 e só pode ser usado aqui pra um vinho que é pouco envelhecido e que tem mais de 10% de álcool. Apesar das diferenças entre cada país, em termos gerais, a gente pode dizer que o Gran Reserva seria o vinho mais caro da vinícola, o Reserva seria um intermediário, um vinho muito bom, mas um pouco mais barato que o Gran Reserva, e o Reservado seria o vinho mais barato, mais simples da vinícola.
Acima do Gran Reserva existe a edição limitada, que seria um vinho feito com uma safra especial que provavelmente não vai ser repetido. Vinhos espanhóis podem ainda ter o termo Crianza, que significa que os vinhos foram envelhecidos por ao menos dois anos, um ano no barril e um ano na garrafa. E aí, termos como Especial, Seleção e tal podem parecer chiques e exclusivos, mas eles não seguem nenhuma regulamentação e, por isso, normalmente não significam muita coisa, é mais um marketing também.
-Que coisa, não? [Laura] Além disso, na França também se usam os termos Grand Cru, Premier Cru e Grand Vin. Grand Cru indica que o vinho foi feito com as uvas dos melhores vinhedos da região.
Os vinhos Premier Cru vêm dos segundos melhores vinhedos, e o Grand Vin indica os vinhos de maior qualidade de uma vinícola, tipo a linha gourmet master blaster da galáxia da vinícola. Existe ainda um outro termo que é “vinhas velhas”, que aparece em alguns rótulos como um indicativo de qualidade. Só que esse não é um termo regulamentado, porém existe uma convenção de que ele se refere a vinhos feitos de uvas de vinhas, né, de parreiras com mais de 25 anos de idade e, preferencialmente, com mais de 50 anos.
Porque, segundo a convenção, quanto mais velho o pé de uva, maior a qualidade do vinho. Supostamente. Produtores dizem que seria porque o pé de uva velho tem raízes mais fundas pra pegar mais nutrientes e produzem menos cachos de uva por pé.
Por isso, esses cachos teriam o suco de açúcar mais concentrado. Porém, os estudos que investigaram isso não acharam nenhuma diferença significativa entre o vinho de vinha nova e um vinho de vinha velha da mesma variedade de uva. Assim, pode ser que vinha velha é que faz vinho bom?
Pode, mas até agora não existe nenhuma comprovação disso. Aqui no Brasil, os termos seco, meio seco e suave indicam pra gente quanto o vinho tem de açúcar residual, ou seja, de açúcar da própria uva que não foi fermentado, não foi transformado em álcool na fermentação. O termo doce ou suave significa que o vinho tem mais de 25 g/L de açúcar residual, são vinhos bem doces no paladar.
O termo meio seco ou demi-sec é usado pra vinhos que têm entre 4 e 25 g/L de açúcar residual, eles têm uma doçura um pouco menos perceptível. E o termo seco indica que o vinho não tem nenhuma doçura perceptível no paladar e tem menos de 4 g/L de açúcar não fermentado. Os espumantes têm uma nomenclatura um pouco diferente, mas que segue a mesma lógica.
Os espumantes doces geralmente são os chamados de moscatel, que têm mais de 60 g/L de açúcar. Os secos têm entre 15 e 20 g/L, e os demi-sec ficam no meio do caminho entre o seco e o suave. Lembrando que os espumantes recebem mais açúcar pra acontecer a segunda fermentação, que é a fermentação que vai deixar a bebida gasificada.
Por isso, a classificação deles considera uma quantidade maior de açúcar residual por litro. No caso dos espumantes, você vai encontrar termos como brut, indicando espumantes com 8 a 15 g/L de açúcar; extra brut, para 3 a 8 g/L; e nature ou natural, não sei como é que fala, com menos de 3 g/L. Veja que, no caso dos espumantes, os secos ainda têm uma certa doçura.
Eles começam a ficar bem menos doces a partir do brut, mas esses secos são menos comuns de serem encontrados. Uma informação importante é que essa quantidade de açúcar residual nos vinhos é mais importante do que só pra dizer se o vinho é doce ou não, porque a quantidade de açúcar vai influenciar diretamente na nossa percepção dos aromas na hora de beber o vinho. Da mesma forma, outros fatores vão influenciar o quanto a gente percebe o doce no paladar.
Por exemplo, quanto maior a acidez do vinho, menos doce ele vai parecer, mesmo que ele tenha mais açúcar residual. E quanto mais gelado você beber o vinho, também menos doce ele vai parecer. Então, é tudo uma questão de percepção de aromas também.
-Tomilho, frutas vermelhas, pinho sol. . .
[Laura] O rótulo também geralmente vai indicar a safra do vinho, que é o ano em que as uvas foram colhidas. Essa informação é importante porque um mesmo vinho pode variar de um ano pro outro, dependendo das condições climáticas durante o plantio e a colheita da uva. Pode haver mais chuva, menos chuva, mais sol, menos sol, mais vento, menos vento.
Todas essas condições afetam o quanto de açúcar a uva concentra e também quais moléculas ela fabrica. E são essas moléculas que viram aromas depois. É por isso que o ano em que a uva foi colhida pode mudar completamente as características do vinho.
Um ano mais quente pode resultar em vinhos mais robustos e mais alcoólicos, enquanto um ano mais fresco pode produzir vinhos mais leves e mais ácidos. Já aconteceu comigo, inclusive, de comprar o mesmo vinho, da mesma marca e tipo, um vinho rosé de safras diferentes. E um ser delicioso, inclusive foi o vinho que a gente escolheu pra ter no nosso casamento, e o outro, de uma safra posterior, foi bem meia boca.
A gente ficou assim: “Nossa, como achamos isso gostoso? ” Na verdade, eram safras diferentes. Isso eu provei na prática.
Mas como podemos saber qual ano é uma boa safra pra comprar um vinho? Tipo, eu olho na garrafa e tá lá, 2019. Será que esse ano vale a pena comprar?
-É uma boa pergunta, ok? [Laura] Pra isso, existem sites e aplicativos com tabelas de safra pra ajudar. Você pode procurar por “tabela de safra vinho” no Google e encontrará vários sites com avaliações e explicações de como usar essas tabelas.
Vinhos que não especificam o ano no rótulo são feitos de misturas de mais de uma safra. Isso não quer dizer que é um vinho ruim ou de pior qualidade, porque essa prática serve pra manter um certo padrão de qualidade e um perfil consistente de sabor do vinho fazendo uma mistura as melhores safras pro vinho final sempre ter mais ou menos as mesmas características. A safra também pode ser um indicativo de por quanto tempo o vinho foi maturado, pra vinhos que passam por esse processo, no caso.
Uma exceção são os champanhes. Champanhes normalmente são feitos com uvas de anos diferentes, então eles não levam o ano da safra no rótulo. Quando tem o ano da safra no rótulo, os champanhes recebem o termo “Millésimé”, e isso só acontece quando a safra daquele ano foi excepcional, com condições climáticas perfeitas, e a bebida foi elaborada só com as uvas daquele ano.
Geralmente, esses champanhes podem ser guardados por bastante tempo, até você ter uma ocasião especial pra estourar. [comemorações] Agora, com todas essas informações, vamos dar uma olhada nos rótulos dos vinhos que eu tenho aqui em casa pra identificar na prática tudo isso que eu falei. Infelizmente, todos os que eu tenho aqui são brancos, porque eu sou alérgica a vinho tinto, então é o que tem pra hoje.
Não vamos conseguir analisar um rótulo de vinho tinto aqui, mas já temos algumas informações interessantes. Então, nesse daqui, por exemplo, a gente tem o nome da uva. Esse aqui é um vinho varietal, que provavelmente vai ter mais de 85% de uva Chardonnay, e é um vinho produzido na Espanha.
Aqui atrás, temos a denominação de que ele é um vinho branco fino e seco. Então, esse é um vinho varietal feito com pelo menos 85% de uva Chardonnay e é um vinho 100% feito com uvas Vitis vinifera, ou seja, uma única espécie de uva. Agora, esse aqui, que é um vinho argentino, ele já tem aqui embaixo, ó, “White Blend”.
Então, ele não é um vinho varietal, ele é um vinho feito de mistura de várias uvas diferentes, pelo menos duas, e é também um vinho fino seco. Então, esse aqui já tem uma diferença importante em relação ao nosso primeiro. Esse aqui segue a mesma lógica do primeiro.
Esse é um Sauvignon Blanc, então ele vai ter pelo menos a predominância da Sauvignon Blanc na elaboração desse vinho. É também um vinho fino. E a gente tem um outro tipo aqui, de dizer que é um blend.
Ao invés de dizer que é um vinho de corte ou um vinho misturado, tá dizendo que é um vinho branco da Itália. Então, “Bianco de Itália” significa que é um vinho com mistura de várias variedades e também é um vinho fino e seco. Então, todos eles são produzidos com a mesma espécie, Vitis vinifera, 100% dela.
Dois com uma variedade predominante e os outros dois com uma mistura de variedades. Nenhum dos vinhos que eu tenho aqui tem o ano da safra, então todos eles são feitos a partir de uma mistura de safras diferentes pra se obter o produto final. Agora, uma coisa interessante é que três dos vinhos que eu mostrei são fechados com rolha, que é essa tampinha mais tradicional que a gente vê aqui, e um deles é fechado com rosca.
E aí, qual é melhor, rolha ou rosca? Para um bom vinho manter a qualidade, ele precisa de uma boa vedação. Antigamente, garrafas de vinho eram fechadas com pedaços de madeira com resina ou então com pedaços de pano embebidos em óleo.
E aí, reza a lenda que a prática de usar rolhas só se popularizou no início do século XVII, quando Dom Pérignon ficou obcecado com a produção de champanhe e passou a testar métodos pra segurar melhor as bolhas dentro da garrafa. Ele começou a usar rolhas de cortiça pra vedar as garrafas de champanhe, e isso melhorou a conservação da bebida e acabou revolucionando a indústria do vinho. A rolha precisa impedir o ar de entrar e os aromas do vinho de sair.
Ela também precisa manter a própria estrutura durante o período de conservação do vinho e não pode afetar o sabor nem a composição do vinho. E, claro, deve ser fácil de tirar na hora de beber o vinho, embora algumas mostrem pra gente que a gente nem sempre ganha. ♪ Graças a Dom Pérignon, a rolha tradicional é até hoje a de cortiça, que é um material natural tirado da casca de uma árvore, o sobreiro, uma árvore típica do sul da Europa.
Mais da metade das 200 mil toneladas de rolhas de cortiça produzidas no mundo a cada ano vem de Portugal. A estrutura da cortiça faz dela um material muito flexível e elástico, que consegue se adaptar ao formato do gargalo da garrafa e vedar bem. Além de não deixar passar por ela líquidos e gases, mas ainda consegue deixar passar pequenas quantidades de oxigênio, que vão fazer uma micro-oxidação, uma espécie de reações químicas controladas de oxidação que ajudam na composição de aromas do vinho.
Mas, pra uma rolha de cortiça conseguir fazer uma boa vedação, ela precisa ficar em contato direto com o vinho o tempo todo, pra evitar que a rolha resseque e encolha, o que compromete a vedação e deixa acontecer a troca de ar entre o vinho e o ambiente. Por isso, o ideal é que o vinho seja estocado deitado, pra rolha sempre ficar em contato com o vinho. Porém, a cortiça não é inerte como se imaginava até um tempo atrás.
Ela pode passar aromas pro vinho que são indesejados, e chamados de “gosto de rolha”, que são aromas vegetais, de cogumelo ou aromas defumados. Pra evitar isso, alguns produtores usam rolhas sintéticas feitas de plástico, que são muito mais baratas do que as de cortiça. Outra opção de vedação do vinho é com a tampa de rosca, que é feita de alumínio e alguns polímeros por dentro, que formam uma barreira contra a troca de ar e vapores de água.
Esse tipo de fechamento faz alguma diferença no vinho? Faz, e temos estudos disso comparando vinhos guardados por alguns anos. Os vinhos fechados com rolha de cortiça mantêm um aroma mais intenso e frutado, com uma micro-oxidação controlada acontecendo.
Enquanto os vinhos fechados com rolhas sintéticas têm uma taxa de oxidação maior e apresentam aromas desagradáveis de borracha e álcool. Então, o vinho em contato com essa rolha por bastante tempo vai extrair sabores dela. Já a tampa de rosca é eficiente até demais em impedir a passagem de oxigênio, impedindo a micro-oxidação.
Então, cada uma tem suas vantagens e desvantagens. Porém, o vinho ser fechado com rosca não é sinônimo de vinho ruim. Porque esse processo de micro-oxidação é mais importante no longo prazo, pra vinhos que vão ficar guardados.
Pra vinhos que vão ser consumidos jovens, não tem problema nenhum o fechamento ser com rosca. E a mesma coisa pras rolhas sintéticas. A rolha de cortiça vai ser mais importante pra vinhos que vão ficar envelhecendo na garrafa.
Então, já tire o seu preconceito da mente, porque sei que você olhou pros vinhos que eu tinha aqui e achou que esse de rosca era inferior a todos os outros. Não faço ideia de qual é o melhor, porque não provei nenhum deles ainda. Uma curiosidade sobre as rolhas dos espumantes: elas são inicialmente perfeitamente cilíndricas.
Aquele formato que parece um cogumelo é resultado da parte de baixo da rolha sendo comprimida pra entrar na garrafa. Acho que é seguro dizer que, com todas essas informações, a gente já consegue escolher um vinho com mais segurança, né? Consigo olhar aqui e determinar se ele é um vinho fino ou se é um vinho de mesa, se é um vinho seco, meio seco ou doce.
Consigo determinar se ele é feito de uma uva só ou se é feito de uma mistura de uvas. Consigo saber se ele tem uma mistura de safras ou se é de uma única safra. Me sinto contemplada.
Consigo também saber se ele é de rolha ou de rosca. Não sei dizer se essa rolha é sintética ou não, porque só olhando por aqui a gente não consegue saber, mas temos informações suficientes. Agora falta uma última parte da nossa série: saber a melhor forma de beber o vinho.
"Ah, você vai ensinar a gente a ser fresco? " -Não. [Laura] A gente vai ver no próximo vídeo qual a temperatura ideal pra aproveitar o seu vinho, se precisa mesmo descansar ou não, se o formato da taça faz alguma diferença e se guardar num lugar escuro é realmente importante.
Vocês podem ver aqui que eu tenho garrafas escuras e garrafas claras. Isso faz diferença no longo prazo? E na forma como eu guardar esse vinho?
Vou estragar esse aqui se eu guardar errado? Esse aqui. .
. Enfim, descobriremos no próximo vídeo. Compartilhem esse vídeo aqui.
Esse vídeo é importante. Esse vídeo decifra o rótulo dos vinhos pra galera. Vocês ficam fazendo turismo pra ir pro Chile, pra Argentina comprar vinho.
Agora vocês aprenderam como escolher o vinho lá, olhando o rótulo de cada um. Então, compartilhem com a pessoa que está com a viagem marcada pra Mendoza, a pessoa que tá com a viagem marcada pra Santiago, que vai visitar as vinícolas. Vai ser importante, confiem em mim.
Agora sim, um beijo, tchau. Voltei aqui só pra fazer um apêndice. Eu e o Bruno, a gente tem um jarrinho que a gente guarda as rolhas dos vinhos que já tomou, ou nós, ou com alguém, tal.
A gente tá juntos há seis anos, tá, gente? Segurem as "carça". E aí, queria só mostrar algumas coisas pra vocês.
Falei sobre a rolha de champanhe ter esse formatinho de cogumelo, né? Por conta da pressão que a garrafa faz nessa parte, porque originalmente essa rolha era inteira cilíndrica. Aqui dá pra ver uma rolha de um espumante que a gente bebeu antes desse aqui, já tá voltando a ser cilíndrica, porque como não tem mais a pressão da garrafa aqui, ela começou a voltar ao seu formato original e não tá mais no formato de cogumelo como essa outra aqui.
Dá pra vocês perceberem. E eu tenho aqui uma rolha sintética pra comparar com, por exemplo, uma de cortiça. Uma rolha de cortiça pra vocês.
Essa aqui é sintética, você pode ver que elas têm até a cor diferente, o formato dela é lisa, né, a cortiça tem todas as. . .
Coisas enrugadinhas dela ali, enquanto a sintética é lisa. E aqui é. .
. Esse vinho aqui obviamente não fui eu que tomei, porque era tinto. Então esse aqui o Bruno tomou com os amigos.
Aqui é o indicativo do vinho ter ficado em contato com a rolha, e aqui não fica, porque ela é sintética e também porque esse vinho era branco. É isso, só queria mostrar essa curiosidade pra vocês.