Narrativas compartilhadas tem o prazer de continuar o fim do profissional do ano e alguns da Nuk, e ele agora vai falar um pouco a respeito da vida dele em Genebra e no Conselho Mundial de Igrejas. Porém, ele lembrou-se do nome do devedor e lembrou-se de dar um lembrete para ele; "apita, L! ", e que era desligado da reunião, que para ele era o vice-diretor.
Então, vou começar de novo: começa tudo bem, então, e Rock estará o diretor do legado de Lula. De novo, já a diretora Genebra, narrativas compartilhadas tem o prazer de continuar ouvindo o profissional do ano. Aqui e agora vai falar um pouco a respeito da vida dele em Genebra e o momento em que ele entra no Conselho Mundial de Igrejas.
Retomando do Conselho Mundial de Igrejas, o primeiro encargo foi na parte de Relações Internacionais, mas logo depois fui convidado, para minha grande surpresa e alegria, a entrar no setor de Educação, trabalhar com ninguém mais, ninguém menos que Paulo Freire. Ajudar Paulo Freire, naquela altura, pra mim, era algo tão inesperado. Foi muito bom, porque era o brasileiro com brasileiro.
O primeiro aspecto é que, com um brasileiro que eu já admirava há muitos anos, desde que ele se tornou conhecido no Brasil como líder de uma metodologia típica de alfabetização, trabalhar com Paulo Freire era algo muito interessante, porque era trabalhar com algum amigo ausente. Como assim? É que ele era muito requisitado pelo mundo; viajava muito para todos os países da Europa, da Ásia e da Oceania.
Me lembro de uma vez que ele me disse: "Aldo, amanhã eu posso estar aqui, eu vou a Brasília fingir que sou ilhas Fiji", que é um país lá na Oceania. E aí, então, ele me pediu o seguinte: "Como eu sou muito requisitado, o tempo foi muito curto e eu tenho um compromisso com a colônia espanhola em Genebra". Genebra era, e hoje continua sendo, uma meca de muitos estrangeiros: turcos, árabes, portugueses, espanhóis.
E a colônia espanhola era, naquela altura, muito forte. Acho que era mais presente lá. Dentro da colônia espanhola, havia também um conjunto de 56 padres espanhóis que trabalhavam com os espanhóis trabalhadores em Genebra, e esses padres tinham tido contato com Paulo Freire, interessados na Teologia da Libertação.
Paulo Freire não era representante disso, mas conhecia essa temática; mais interessados também na filosofia e prática política do Paulo Freire, de tratamento com as classes oprimidas, com as periferias do mundo. Ele topou trabalhar com eles. E, com essa Deus, a minha inesperada necessidade dele de sair muito de Genebra, ele pediu que eu assumisse esse trabalho, e estar com essa colônia espanhola e com esses padres que trabalhavam com ela foi muito bom e muito interessante.
Passei a celebrar missa para a colônia todo domingo e, ao mesmo tempo, tinha reuniões com aqueles padres espanhóis discutindo a problemática que eles viviam. Foi um trabalho muito interessante, porque, nesse meio tempo, depois de um certo tempo de vida celibatária em Genebra, eu escrevi para uma ex-aluna, Rosária Cortez, ex-aluna de pedagogia, aluna de primeira fila, super atenta. Mais tarde, devedora com ela, me contava como ela se relacionava com os professores e se mostrava muito questionadora.
A treinadora, de um outro professor padre e de um outro professor que não era padre, ou seja, ela foi sempre uma aluna atenta e com perguntas a fazer. Escrevi antes de dirigir; eu tinha dito a ela que tinha interesse nela. Foi uma surpresa.
Eu acho, e até hoje eu acho que foi coisa divina. Eu nunca tinha dito nada; ela nunca tinha dito nada a mim. Ela não era de igreja; o pai era contra padre, a mãe era religiosa tradicional, nem ela própria não frequentava missas.
Mas ela me disse que tinha interesse nela, falou: "Você é o único homem que me interessou até hoje". Então, lá de Genebra, entrei em contato com ela, me comprometendo. Logo depois, escrevi ao Melhado, explicando pra ele a minha decisão, pedindo que ele fizesse o processo de minha liberação perante o Vaticano do celibato.
O Melhado nem respondeu ao pedido, que eu pensasse mais. Eu voltei a confirmar. Aí, ele fez o processo; isso deve ter sido em outubro de 73, e esse processo costumava ser demorado.
Há colegas que esperaram anos e anos; eu acho que não interessava à Igreja. E fui, enfim, em abril de 74. Eu me lembro que, no fiozinho de abril, chegou essa carta oficial liberando-me do celibato.
Eu fiz questão de celebrar a última missa no Dia das Mães, logo no primeiro domingo de maio foi a última; depois disso, não celebrei mais e comecei a pensar no casamento. O casamento aconteceu em 20 de julho de 74, em Genebra. Lembro que, em Genebra, na Igreja do Sacrário do centro de Genebra, meus irmãos que puderam ir foram; uma irmã e seu esposo, Tereza Cortez, do por José Prestes de Barros, foram padrinhos.
Os irmãos, padrinhos, também aquele casal amigo da DG, membro que me recebeu, também padre, o amigo que me recebeu lá no Conselho Mundial, e sua esposa, também padrinhos no civil do religioso, um casamento tudo conforme diz a escritora direitinho. O que mais que eu conto do casamento? Alguns amigos do Conselho Mundial estavam presentes; o Paulo Freire, Eliz, dias antes veio conversar comigo, pedindo desculpas.
Ele tinha um compromisso no exterior, mas ele pedia desculpas e, ao mesmo tempo, me fez o convite: "Vamos à cidade, que eu quero comprar um presente para você". E aí, gente, andou em dois shoppings. Eu, inexperiente da vida comercial, da vida familiar; ele também não muito forte nisso, porque na vida familiar, do Paulo Freire, ele tinha um triunfo importantíssimo: Dona Elza.
Esposa dele, mulher admirável, professora primária, como se falava naquele tempo, na espetacular dona de casa, mãe, esposa, alguém que ia ao encontro do que Paulo Freire escrevia antes de publicar; alguém pé no chão. Paulo era meio romântico e sentimental. Eu sou.
Eu sou demais! Ele cantava de vez em quando essa música. Outra busca que ele cantarolava era: "E sim, possibilitou".
Eu até hoje quero saber que música é essa; se alguém souber, me diga! Mas ele cantarolava, só se conhecia. Ele não pôde ir, mas me deu um radinho de presente.
E aí, eu voltei pra casa, antes de casar. O radinho ia enfeitar o nosso lado. A gente, então, ficou e casamos.
A lua de mel foi na ribeira, perto de Cana, perto de Nice. Alguém vai dizer: "Poxa, você estava rico! " Que era tudo oferta de amigos.
A viagem de avião, a espada, em uma praia lá, praia de Agregar, muito pouco falada. Ninguém fala na praia, e de fato não era uma coisa muito maravilhosa, mas tinha lá um chalezinho perto da praia que um amigo colocou à nossa disposição; valeu mais que a praia. Na lua de mel, valeu que a gente fez uma viagem de ônibus até Mônaco, para conhecer Mônaco.
Uma viagem de ida e volta, mas valeu a pena, que Mônaco, humor no amor, na cor, é realmente algo que vale a pena conhecer. Voltamos, e aí a gente tinha alugado o térreo de um prédio de dois andares. Eu o chamava de estúdio, um apartamento vizinho de uma fala.
Ah, ah, ah! Cozinha, copa, cozinha, banheiro, cuja supersimplicidade era suficiente pra nós dois. Aluguei televisão, aluguel, telefone.
Eu ficava em casa e tinha que trabalhar na manhã e tarde. De manhã, era no Conselho Mundial, que ficava, acho que, um quilômetro e meio, mais ou menos. Dava para eu voltar a pé muitas vezes.
Alguns sabem ali no estúdio, outras vezes, do próprio Conselho Mundial de Igrejas, que lá dentro tinha tudo. E, terminado o trabalho, a gente se aventurava por Genebra. Era manhã, eram horas maravilhosas, biodiesel, ônibus, a pé; tomando sopa na estação, ou, às vezes, parando num barzinho, andando, às vezes desrespeitando as normas rígidas do trânsito.
Tudo na Suíça é regulamentado; é impressionante! Eu já conheci a Suíça. Aí, eu volto atrás, porque, no mestrado em filosofia, 68-70, eu consegui uma bolsa de estudos num vilarejo perto de Genebra, que era o curso de ecumenismo.
O curso interno de vários meses, lá perto de Genebra, um curso muito bem bolado, muito bem estruturado, não apenas porque trazia teólogos luteranos, metodistas, batistas, mas também católicos. Um teólogo que eu ouvi lá, que foi lá pra falar pra nós, você não imagina o cargo; o Cardeal Ratzinger, futuro papa, foi lá. Ele era simplesmente um padre naquela época e, naquela época, muito adiantado, viu!
Bem, Concílio Vaticano II. Depois, parece que ele foi melhorando, ficou bispo, ficou cardeal, ficou papa, parece que ele foi melhorando. Maneirando.
É Bento XVI. Eu me lembro que, um dia, logo no primeiro ou segundo dia do curso desse, a senhorinha encarregada da organização veio, reuniu o grupo todo, nós éramos uns 70 e poucos de todas as partes do mundo, de muitas igrejas. Ela nos reuniu para pedir desculpas.
Olha, ontem eu dei a vocês um caderno com todos os horários de todos esses meses das palestras, das horas livres que vocês vão ter e dos locais onde tudo vai acontecer. Mas houve uma falha minha. Eu queria avisar a vocês que, no dia tal, a conferência tal não vai ser do tal salão, mas no outro.
E deu o nome dos outros salões. Isso, na Suíça, tudo certinho. O trânsito na Suíça também, tudo certo.
Se bem que lá na Suíça eu gozei um dia, acho que foi em setembro de 73, no mundo inteiro, depois um dia sem automóvel. Eu me lembro que, naquele dia, eu fiz questão de andar pelo asfalto tranquilo. Também, voltando, então, à minha vida em Genebra, casado, foram meses muito interessantes.
Claro que foram meses também de eu aprender a ser casado, de a gente se conhecer, os dois totalmente inexperientes nesse aspecto, mas crescendo, descobrindo juntos. É uma história belíssima que não é qualquer casal que tem, né? O jovem de hoje, 18, 20, 24, 30, quando casa, já passou por tudo.
Não era o nosso caso e eu só tenho que agradecer a Deus, e ela também, porque tudo isso foi nos conformando; ou seja, a gente foi se formando junto. E "conformação" é uma palavra muito rica. Não é entrar numa forma, mas é pegar forma; e não é pegar forma individual, porque cada um de nós já tinha mais de 40, e ela tinha 36, se não me engano.
Nós já éramos pessoas formadas, já éramos adultos. Então, essa conformação pela vida conjugal foi realmente uma caminhada com alguns problemas, algumas dificuldades, evidentemente, sem nenhuma vontade de mentir, de colorir demais, mas uma conformação maravilhosa que deu no que deu. Hoje, nós somos um casal super feliz, com 45 anos de vida matrimonial, com dois filhos maravilhosos: Ana Maria, Cortezze, boa do que é médica psiquiatra, professor universitário em São Paulo, e com consultório de psiquiatria em São Paulo também; ele, advogado e Sorocaba, com consultório no centro da cidade, ele com um casal de gêmeos e ela com o filho.
Nós, então, com três betinhos, ficamos a voz em 1901, em 2017, com essa idade. Então, a nossa vida batendo-bonnel, está culminando com as maiores alegrias, na maior felicidade, lá em Genebra. Então, a gente foi aprendendo a ser casal, foi aprendendo a ser esposa.
Ser esposa foi usufruindo de tudo o que era possível, né? Eu, trabalhando no Conselho Mundial de Igrejas, ela com uma capacidade enorme de uma certa solidão; horas e horas, ela procurava a. .
. Apagar um pouco a sua solidão visitando algumas mostras. Genebra tem muito Brasil, com mostras de pintura; oficialmente, ela sempre pintou muito bem.
Ela também cultiva algumas amizades, especialmente a do Dona Elza, a mulher do Paulo Freire, participando de algumas coisas à noite, por curando algum filme interessante. Mas isso foi por pouco tempo, porque, pela correspondência que ela mantinha, a mãe dela, já com muita idade, não estava bem de saúde. Aí a gente resolveu voltar ao Brasil.
Era uma volta problemática, porque, quando eu falava de voltar ao Brasil na minha correspondência e quando ela contava essa possibilidade, o que via do Brasil era de cuidado: "não tenham pressa, aqui a coisa não está bem e continua muito perigoso você voltar". Minha ida de novo falava a respeito dessa vida para o efeito.