Olá, então, todos falarem esse padrão chão fora dos padrões estão voltando. Depois de um bom tempo, não apareço por aqui e hoje acho que vocês vão entender por quê. Faz um bom tempo que não apareço por aqui, mas esse não é o principal motivo.
Decidi explicar isso quando fiz 30 anos. No ano passado, fiz um vídeo falando sobre as dificuldades de amadurecer. É difícil perceber-se adulto em alguns momentos, e foi um vídeo que teve uma repercussão que achei bem legal, que muita gente identificou.
É bom quando você vê que as pessoas sentem que não estão sozinhas, né? E, no mês passado, fiz 31 anos e eu resolvi fazer de novo esse vídeo, falando sobre o momento atual da minha vida. Porque algo muito importante para mim aconteceu.
De um ano para cá, do ano passado para cá, eu descobri que tenho depressão. Esse vai ser um vídeo bem difícil para mim fazer. Na verdade, essa já é a segunda tentativa; a primeira foi em inglês e não deu certo.
Na segunda tentativa, ainda estou bastante fragilizado para falar sobre o assunto. Mas não quero focar no que me fez perceber que estava com depressão e nos processos subjetivos que eu acho que me levaram a isso, na esperança de que talvez mais gente note que não estão angustiados sozinhas. Que a gente possa compartilhar isso e que, talvez, sirva como alerta para algumas pessoas que estão sentindo coisas que elas não sabem explicar.
Mas eu quero deixar bem claro que esse é o máximo da pretensão que esse vídeo pode alcançar. Eu não sou psicólogo, não sou psiquiatra, então, de maneira nenhuma, esse vídeo pode servir como um diagnóstico para você. Não faça disso um diagnóstico, nem nada no mundo substitui a ajuda profissional.
Bom, a gente é estimulado desde criança a sonhar muito alto. Atenções muito grandes para a nossa vida. Imaginamos que teremos uma vida incrível, cheia de glamour e acontecimentos maravilhosos.
E tudo estimula a gente para isso. A gente vê esse cuidado na TV, que tem essas vidas que a gente inveja no cinema. E acho que as redes sociais potencializaram isso, fizeram a gente perceber que pessoas comuns às vezes podem ter essa vida que a gente inveja.
Comigo não foi diferente. Eu também sempre fui uma pessoa extremamente sonhadora, e eu queria ser uma cineasta muito reconhecida por todo mundo. Porque os cineastas eram uma referência que eu tinha de pessoas admiráveis, cultas e inteligentes.
O que eu queria ser era estar sempre cercada das pessoas admiradas, porque eu sempre assisti a cinema e admirei muito aquelas pessoas daquele meio. Eu cresci projetando dessa vida para mim, não só na profissão de cineasta, mas que eu ia ter uma vida incrível, cheia de acontecimentos maravilhosos. Eu passava muito tempo da minha vida projetando essa vida, sim, porque é muito mais confortável você viver na imaginação.
Ali você controla tudo o que vê. A vida real, então, sempre foi essa pessoa que teve dificuldade de viver a vida real. Sempre fui uma pessoa que iria se isolar e viver a minha vida imaginária.
Só que a grande maioria das pessoas chega naquele momento da vida em que você percebe que não chegou a lugar onde queria chegar. Que você não tem o status que desejava ter e, principalmente, que você não é a pessoa que desejava ser. Com o tempo, fui percebendo que não era sobre realizar os sonhos.
Eu até fui uma pessoa que teve sorte e consegui realizar alguns sonhos da minha vida, mas viver diferente do que eu imaginava nunca foi melhor do que sonhar. E não só isso, mas eu fui percebendo que não era exatamente sobre a profissão assim. Eu não queria, na verdade, ser cineasta.
Eu até tentei fazer dois curtas que eu não gostei, então, eu acho que não levo jeito para isso, por mais que tenha gostado das experiências. Mas nunca me empenhei o suficiente. Eu acho que não levo muito jeito para isso.
O que eu queria realmente era ter a vida admirável que eu achava que aquelas pessoas tinham. No fim, o que eu queria é o que todos nós, seres humanos, buscamos na vida: ser amado e desejado. E acho que isso é muito comum.
A gente cria sonhos e desenvolve a vida pensando não quem a gente realmente é, nas descobertas que fazemos sobre nós mesmos, mas baseado na régua de sucesso dos outros, no que os outros admiram, no que os outros amam. E, aos poucos, na vida adulta, fui tomando aquele choque de realidade quando você percebe que nada está como você planejou, que a vida não tomou nenhum rumo que você planejou e que nada está sob seu controle. Esse choque de realidade pesou muito, porque por eu ter sido sempre essa pessoa muito imaginativa, eu tinha dificuldade de realmente socializar, de estar ali presente, sentindo na pele a vida real.
E eu, como a maioria das pessoas, por mais que tenha privilégios e que tenha vários momentos que trazem felicidade, vivi uma vida extremamente comum, na qual há muito eu mesmo. Mas acho que o que mais me doeu no processo foi perceber que, em características e qualidades, eu não era a pessoa que desejava ser. Eu sempre quis ser uma pessoa cercada de muitos amigos, mas eu tenho poucos amigos e tenho dificuldade em socializar.
Eu sempre desejei ser uma pessoa brilhante, isso para mim era muito mais importante do que ser bonita ou ter qualquer outra característica. Eu queria ser muito inteligente e brilhante. E percebo que não sou uma pessoa extremamente comum.
E quando isso acontece, de repente, você não sabe, mas responde a perguntas básicas sobre você. Sabe se você não é aquela pessoa que projetou quem você é de verdade, o que você quer fazer na vida, onde você realmente quer chegar. E você se sente meio deslocado no mundo.
Isso causa muita angústia; me causou muita angústia e causa angústia em muita gente. Eu sei disso, porque o psicólogo é fluxo, causa angústia em muita gente. Mas angústia não é depressão; sente angústia, é normal.
Se sentir infeliz às vezes é normal. Se sente triste, é normal. Eu vou falar o que pra mim me fez notar, aos poucos, que eu tinha depressão, porque talvez eu acho que muita gente não importa se identificar com isso.
A questão aqui é que são angustiantes, me paralisava. O que eu percebi é que eu não era a pessoa que eu gostaria de ser, mas eu também não corria atrás de ser uma pessoa melhor, de ser a pessoa que gostaria de ser pra sempre. Eu sou muito inteligente, mas não sou uma pessoa que lê muito e nunca fui uma pessoa que corre atrás de ler ou estudar muito.
Eu sempre gostei muito de cinema e eu gostava de fazer crítica de cinema, mas também não era uma pessoa que assistia tantos filmes. A crítica de cinema me fez assistir bem menos, não estudava o suficiente sobre o assunto. É como se não tivesse nem força nem vontade para fazer coisas que supostamente me fariam bem e deveriam me dar prazer, porque eram coisas que eu deveria gostar.
Eu não fazia nada; quando digo nada, nem só não fazia nada útil ou produtivo, mas que fizesse eu me sentir viva de verdade, que vivia na vida real. Eu passava longos tempos, imagina, como muitos de vocês, rodando essa tabela de NS nas redes sociais, e isso piora a nossa vida em tantos aspectos, porque isso faz a gente se comparar muito com os outros, né? Algo que a gente já faz naturalmente.
Então a gente fica lá no Instagram e olha: “Fulano está num lugar super legal, nunca consigo viajar”, “Olha, Fulano fez um jantar, parece ótimo, não sei cozinhar”, “Fulano tem talentos, fez um filmezinho”. Não, isso é um absurdo, porque você está se comparando com várias pessoas ao mesmo tempo, como se essas várias pessoas fossem uma só pessoa superpoderosa, né? Como se essas pessoas também não fizessem a mesma coisa que a gente vai de ficar falando “Olha, estou viajando, mas eu gostaria de ler tanto quanto o ano, eu gostaria de saber cozinhar como fulano”.
Enfim, muito tempo que eu faço vários "nadas" com o meu tempo. Eu sempre achei que isso acontecia porque eu sou uma pessoa muito auto-sabotadora e esse processo de auto-sabotagem e não conseguir sair dele foi me deixando cada vez mais angustiada, cada vez mais ansiosa. E aí eu procurei tratamento psicológico e psiquiátrico.
É que vou fazer um parênteses aqui: essa não foi a primeira vez que eu fiz tratamento com remédios e tratamento psicológico. No final de 2012, eu tive a minha primeira crise de pânico, uma crise de pânico terrível que durou oito horas. Eu passei um ano de 2013 inteiro terrível, com muito pânico; tinha medo de coisas incompreensíveis.
Quem tem pânico sabe que a gente tem medo de coisas que não fazem o menor sentido. A gente sabe que não faz o menor sentido, mas ainda assim a gente não consegue impedir que isso deixe a gente. Um dos medos foi um ano inteiro no qual toda vez que eu estava sozinha em deslocamento, tinha que estar no telefone com meu marido, porque eu achava que eu ia desmaiar sempre e que, pelo menos, ele saberia onde eu estou se tivesse um telefone com ele.
Enfim, era uma vida impraticável; tinha medo de fazer tudo. E nessa época, procurei tratamento psicológico e psiquiátrico, certo? Tomei um remédio olímpico para a ansiedade, porque eu sempre fui uma pessoa muito ansiosa e acreditava que o pânico vinha daí.
Tinha várias coisas que aconteceram na minha vida que não convém agora explicar, mas enfim, eu fui melhorando. Em 2014, eu consegui melhorar; não precisa imaginar, a média teve vários momentos felizes em um período muito estável de 2014 e até mais ou menos os meus quase 30 anos, que foi quando comecei a sentir não só ansiedade, mas acompanhada dessa angústia que eu falei, muito forte. E ainda nos quase 30, fui procurar um psiquiatra, psicólogo.
Comecei a fazer tratamento de novo, mas mesmo com um remédio, mesmo com tratamento psicológico, com o tempo, essa sensação de paralisia foi aumentando e eu fui percebendo que ela estava associada a uma falta de prazer nas coisas que foi se tornando cada vez mais forte. Por exemplo, quando eu comecei esse canal, há um ano atrás, eu ainda sentia prazer em ver filmes, em fazer críticas, e aos poucos eu fui perdendo prazer. Não tinha mais vontade de ver filme, de falar sobre isso.
Fui perdendo a vontade de fazer várias coisas, de sair, até que eu comecei a perder prazer em coisas absolutamente básicas, como comer. Eu perdi completamente o apetite e os encantos, só que eu gostei muito de comer. Isso me lembra uma parte daquele filme "Colheita do Mal", um filme que eu não gostei tanto assim, mas ele tem uma parte que foi muito impactante para mim, que eu consegui entender depois, que a personagem da Kristen não consegue comer um prato que supostamente é um dos preferidos dela e ela começa a chorar muito; tem gosto de cinzas.
E era mais ou menos assim que eu me sentia: não tinha gosto de nada, não tinha significado nem pra mim. As coisas foram perdendo completamente o sentido e o prazer, e a vida passou a ser um enorme tédio. Eu vivia num tédio no qual nada fazia sentido pra mim.
Não só sentido cognitivo, mas de sentir mesmo, de sentir prazer nas coisas. E essa falta de sentido também alterou a minha imaginação. Então, eu, essa pessoa que sempre fui muito imaginativa, vive no mundo da lua.
De uma hora pra outra, não consegui imaginar mais nada; não só não conseguia mais imaginar essa vida no cinema glamourosa, mas eu não consigo imaginar nenhum cenário, nenhum futuro pra mim. E, quando você não consegue imaginar um futuro para você, é. .
. você perdeu o sonho, né? E é o sonho que move a gente pra frente, que faz a gente fazer as coisas.
Então, se você não sonha mais, você fica completamente parado. Isso tudo começou a afetar muito a minha autoestima. Nem que dia nunca foi muito boa mesmo, mas eu ficava pensando: "Eu não vou ser uma boa crítica de cinema mesmo porque eu não tenho vontade de ver muitos filmes nem de escrever a respeito.
" E no meu trabalho também foi acontecendo. Eu sou jornalista, mas trabalho como social media, porque o jornalismo está pagando o boleto de ninguém. Porque, enfim, eu fui descobrindo que eu levava jeito pra ser social media.
Foi crescendo e, nisso tudo, eu ficava me comparando com outras pessoas, pensando: "Nossa, não sou universitário, não sou tão boa quanto as pessoas que trabalham comigo. Eu nunca vou ser bom o suficiente. Eu sou uma fraude.
" Era uma bola de neve, porque essa mania de se autodepreciar causava mais paralisia ainda. Não sabe. .
. é que eu vou estudar, "nunca sou boa o suficiente", porque eu não leia, "eu nunca sou inteligente o bastante. " Até que chegou um dia em que essa paralisia realmente me paralisou de vez.
Era uma sexta-feira, eu estava no trabalho, estava sendo super nervosa, pensando: "Gente, não sou boa nisso. Eu não sou boa o suficiente. " Eu fui ficando nervosa com aquilo.
Eu saí, numa sexta-feira, do trabalho chorando muito, muito desesperada, porque achava que eu nunca mais ia conseguir trabalhar na vida. Não sei por que me deu essa impressão, mas eu tinha certeza de que eu nunca mais ia conseguir trabalhar na vida. Isso começou a me deixar em pânico, porque fiquei pensando: "Eu preciso de uma ocupação, porque imagina não trabalhar, ficar parada, eu preciso do dinheiro porque eu preciso sustentar minha família.
O que vai acontecer que eu nunca mais consegui trabalhar na vida? " E aí eu passei o final de semana com muito pânico. O pânico voltou a atacar, pensando que chegaria segunda-feira e eu não ia conseguir trabalhar, e que isso transformaria minha vida para sempre.
E chegou a segunda-feira, e eu realmente não consegui trabalhar. Eu não consigo explicar direito o que aconteceu, mas eu simplesmente sentei em frente do computador e a minha cabeça não funcionava. Simplesmente, a cabeça não funcionava.
Eu saí dali e fui direto para o psiquiatra, muito nervosa, chorando muito. E aí ela aumentou a dose do antidepressivo que eu já estava tomando, porque, embora eu achasse que não tinha depressão, que eu tinha apenas ansiedade, eu tomava antidepressivos, porque ela falava que também atuava na ansiedade. E me deu também os políticos.
Não tenho vergonha de falar que eu tô muito depressiva e que tomo rivotril, porque eu acho que ninguém deveria ter vergonha de falar que cuida da sua saúde mental. Ninguém tem vergonha de falar que toma remédio para enxaqueca, diabetes, enfim, o que for. Então, qual o problema de tomar remédio para a minha saúde mental?
E foi esse período, desta sexta até a segunda, completamente em desespero, que me fez perceber que o que eu tenho não é só ansiedade, tem mais: o pânico, eu tenho depressão. E aí comecei a tratar isso mais a sério. Eu passei uma semana afastado do trabalho; foi uma semana terrível, mas, ao mesmo tempo, uma semana em que os remédios já começaram a fazer um pouco de efeito.
Então, no início da semana, não conseguia levantar da cama, mas no final, por mais que eu estivesse com aquela sensação de que eu não sentia absolutamente nada, eu já conseguia sair de casa, já conseguia fazer as coisas, consegui funcionar na minha cabeça. E aí, depois dessa semana, eu consegui trabalhar. Ainda bem!
Todo mundo no meu trabalho foi extremamente compreensivo comigo. Eu acho que a saúde mental é algo que deveria ser discutido nos ambientes de trabalho, porque você pode acreditar que em qualquer empresa tem muitas pessoas depressivas, ansiosas, com pânico, porque saúde mental é algo que está extremamente frágil na nossa sociedade atual. Então, existem muitas pessoas passando por isso que é um tabu, porque as pessoas têm medo de que vão ser demitidas, e isso é uma grande bobagem, porque eu com depressão sou uma funcionária tão boa quanto alguém que não tem.
Eu tenho as minhas limitações, mas absolutamente todas as pessoas no mundo têm limitações. Ninguém é 100% produtivo o tempo todo. Eu posso ser criativa, eu posso ser uma boa funcionária.
Eu tenho sorte de estar nesse ambiente onde as pessoas são extremamente compreensivas. E eu fui aprendendo a contornar as minhas limitações aos poucos, e é perfeitamente possível trabalhar, mesmo contornando essas limitações. E, aos poucos, eu fui melhorando dessas sensações intensas de angústia e paralisia.
Os remédios foram começando a fazer mais efeito. Eu só vou conseguir fazer esse vídeo hoje por causa disso. Se fosse um mês atrás, eu não conseguiria de jeito nenhum fazer esse vídeo.
Mas, mesmo melhorando, ainda assim eu enfrento uma luta diária, todos os dias, absolutamente todos os dias. É muito difícil levantar da cama. Todos os dias, existem pelo menos alguns minutinhos em que eu me acho uma pessoa lixo, que não é boa em absolutamente nada, que eu sou uma fraude em absolutamente tudo.
E é uma luta diária para me convencer de que eu preciso levantar da cama, porque existe sentido, sim, no que estou fazendo, e que é uma doença. Que me faz achar que essa pessoa é um político? Que, na verdade, eu não sou.
Mas não é uma luta fácil. Hoje, por exemplo, de que eu estou gravando esse vídeo, é um sábado. Estou no colo da cama às quatro da tarde.
Com isso, a pior coisa que você pode dizer a alguém que tem depressão é: "Você não está se esforçando o suficiente". "Se esforce mais". Força!
Todo mundo que tem depressão está lutando uma batalha. Todo mundo quer lutar; ninguém quer perder para ela. Então, todo mundo está se esforçando.
Não desmereça a luta da pessoa! Não fale: "Ah, está se esforçando o suficiente! " simplesmente porque tem dias em que ela não consegue andar.
Tente se mostrar aberta e continuar ao lado dela para que ela consiga continuar lutando, porque é importante continuar lutando. Várias vezes eu não tenho vontade de sair de casa, mas é um esforço e eu vou lá; eu consigo visualizar e me divertir. E depois do beijo, o esforço valeu a pena!
Eu me dei conta de que eu tenho depressão este ano, mas hoje eu percebo que já estava em um processo depressivo há alguns anos. Eu já estava nesse processo de paralisia, aos poucos, e perdendo a vontade há alguns anos, mas ainda é muito recente para mim. E esse foi um dos motivos pelos quais eu resolvi fazer esse vídeo, porque eu acho que essa visão de alguém que ainda está aprendendo a lidar com isso e ainda acha isso tudo um pouco novo poderia ser útil.
Mas, enfim, tudo nessa luta recente, nessa luta contra este estado, os finais de semana são extremamente difíceis, porque como é difícil encontrar prazer nas coisas, eu fico muito sem saber o que fazer. É como um sôfrego que me faz pensar em tudo que eu não sou, em tudo que eu não faço. E eu queria compartilhar alguns dos aprendizados que eu acho que são coisas que são mais fáceis de falar do que de fazer, mas que valem a tentativa.
Valem a pena a gente tentar. Lembro de uma frase dos Incríveis, um trecho da Disney: como o coach tinha, o menino fala para a mãe que ela não deixa de ser especial e ela fala para ele: "Mas todo mundo é especial. " E ele responde: "Então, o que significa que ninguém é?
" A frase ficou marcada para mim, porque eu acho que a gente age muito dessa maneira. A gente não simplesmente quer ser especial como todo mundo; a gente quer ser mais do que os outros. A gente quer estar no topo daquilo que a gente se propõe a fazer, daquilo que a gente conhece.
E a gente não precisa estar no topo das coisas. A grande maioria das pessoas não se destaca. Afinal, só deixa de estar aqui porque são poucas.
Tudo bem ser comum, ser apenas bom. Ou talvez não seja nem bom em algumas coisas, mas é quem você é e não existe nada de errado nisso. A gente não precisa estar no topo do mundo sempre.
E é claro que, com a depressão, você não vai só se achar medíocre na média; você vai se achar um lixo! Então, eu acho que vale a pena a gente sempre comemorar nossas pequenas vitórias. A gente sempre quer conquistar grandes feitos, mas essa não é a realidade da maioria de nós, da maioria da população.
A maioria da população vive pequenas vitórias e comemora as suas pequenas vitórias, pequenas mesmo. Então, no dia em que você tiver dificuldade de levantar da cama e ainda assim conseguir, isso tem um valor enorme. Valorize sua conquista!
Ou um elogio que você recebeu de uma pessoa, por menor que seja, por uma coisa que você acha que talvez não seja tão importante. Mas permita-se celebrar. Permita celebrar as suas pequenas vitórias, porque elas fazem diferença.
Elas mostram que você é algo muito importante. Não tenha medo, não tenha vergonha. Eu sei que é difícil, mas peça ajuda!
A gente tende a achar que vamos ser um peso para as pessoas. Não é. As pessoas que te amam, você nunca vai ser um peso.
Todos temos alguém que nos ama; você tem alguém que te ama, com certeza. Se você não quer dormir sozinho e teve um dia ruim, ligue para um amigo; peça para dormir na casa dele. Se você não está conseguindo passar por alguma coisa sozinho, peça ajuda para alguém.
Eu fiz isso, porque eu acho que os problemas da depressão são um tabu. A gente só ouve falar de depressão quando alguém famoso fala sobre isso. Para mim, é muito pesado.
E também, porque eu não conheço nem sou expressivo quando comecei a sentir. Eu comecei a perceber a depressão como se fosse um fantasma. Eu ficava imaginando que mesmo nos dias em que eu não tinha crise, ela iria estar sempre lá.
Isso me desesperava. Eu pensava: "Então, é por isso que as pessoas se matam! " Porque imagina ter que viver com isso todos os dias da vida daqui para frente.
E deixando claro, eu não sou suicida; eu nunca fui. Isso é importante. Acho que nem todo mundo que tem depressão é conhecido.
Mas passar por isso me fez compreender por que as pessoas se matam. Porque, sim, dizem que não quer viver. E eu sinto que aquilo pelo qual estou passando não é vida de verdade.
Então, não vale a pena. Eu comecei a compreender por que existem pessoas que desistem. E eu sentia muito medo de que eu seria uma dessas pessoas que desistem.
Em um dia em que passei pelo pânico, eu percebi também que, pelo menos no meu. . .
Caso não exista uma cura pra ele, eu simplesmente consegui passar anos sem crise, mas ele me transformou para sempre. A Larissa, depois do pânico, nunca foi a mesma Larissa antes do pânico. É por mais que não tenha tido mais crises fortes, tem várias coisas que eu não tomava mais fazer por causa do pânico.
Entendam, por exemplo, que eu não posso fazer o que eu sei que vai me desencadear uma crise: enfrentar a multidão. Eu sou uma pessoa muito mais medrosa depois que experimentei pânico, então ouvia de pressão, como se fosse esse fantasma aqui em acompanhar o resto da vida. E sumiam também, puxam muito.
Eu queria muito conversar com alguém que tinha depressão, porque as pessoas ao meu redor, por mais que elas tivessem momentos compreensíveis, têm um marido extremamente compreensivo que me ajudou muito. Mas ele não tinha depressão e não sabia conversar comigo direito sobre isso. Então eu procurei Pablo Villaça.
Se você acompanha, deve saber quem ele é, mas pra quem não sabe, é um crítico de cinema e ele tem depressão. Ele fala abertamente sobre isso e como saiu disso. Eu conheço ele e queria conversar com ele para saber como ele vive com isso.
Então ele foi super legal, topou almoçar comigo e conversar sobre isso. Ele me tranquilizou ao dizer que ele também vê como um fantasma e que tem dias em que esse fantasma tem peso absurdo, que paralisa a gente completamente. Mas que tem dias em que ele tem o peso de um algodão, que você mal nota que ele está lá e que ele viveu longos períodos de felicidade.
Eu não sei se ele tem razão, porque depois que passei por períodos mais intensos, eu tive alguns dias diferenciados. Por mais que ela estivesse lá, ela estava sob controle e eu estava conseguindo momentos felizes. Então, isso é importante.
Tenha paciência, eu sei que é muito difícil. Eu sei que no dia que a gente está sentindo uma crise, a impressão é que aquilo vai durar para sempre, a sensação de que aquilo não passa. É como no Youtube; há horas em que tem dias que a gente não consegue ter esperança nenhuma, e tem vezes que isso dura muitos dias.
Então eu sei que eu tinha pedido para ter paciência, mas tem que acreditar que você vai ter períodos felizes na vida. Se você está fazendo um tratamento, se está tomando remédio, se está fazendo acompanhamento psicológico, se tratando, você vai ter dias em que você vai ter a dor sob controle. Nos dias em que você não conseguir, não se culpe tanto por essa luta.
Sabe, é normal que tenha um ou outro dia em que a gente perca. Se tem alguém que você está sentindo que você precisava dormir, detalhe, porque você não tinha forças, algo assim. Não fique, sabe, desde esse dia passar.
E no dia seguinte, é um novo dia, vamos tentar de novo. Sua culpa é se abra para o novo, se abra para experimentar as coisas, não dá vontade, porque tem essa coisa de matar o prazer. Mas, início de você se abrir, você experimenta muitas coisas diferentes, você experimenta sensações boas.
Tente coisas novas, por exemplo, eu vou tentar estudar música agora, porque eu quero descobrir se isso pode despertar um prazer novo em mim que eu não conhecia. Tente testar coisas novas, porque talvez você encontre prazer aí. Tem o mais importante de tudo: se você está sentindo algo que tá difícil, se está sentindo que você não sabe se a sua angústia é só tristeza ou se talvez você está assim com alguma questão de saúde mental, você precisa tratar.
Mas na dúvida, procure ajuda profissional. Não fique tentando se autodiagnosticar. E é possível conseguir a vida profissional, mesmo que você não tenha condições financeiras.
A minha psiquiatra, por exemplo, atende pelo SUS e eu adoro ela, é ótima. O meu psicólogo também atende por um preço que é acessível para mim. Mas existem psicólogos e psiquiatras que atendem a preço social.
Existem também pelo SUS, e planos de saúde cobrem. Existem maneiras de você achar a vida profissional. Se tá difícil de você fazer isso sozinho, peça ajuda.
Peça para alguém te ajudar a encontrar profissionais. É importante não ter esse tabu. Já eu não quero tomar remédio.
Não, se você for constatado por um profissional que falar com os remédios, vamos fazer melhor. Acredite neles, não tem nada de errado nisso. É isso, é esperável que esse vídeo abra um diálogo.
Esperava que talvez ele quisesse que as pessoas sentissem que não estão sozinhas na angústia delas. Pra quem tá achando que talvez precise de ajuda, acender uma luz para que essa pessoa vá procurar ajuda. Eu espero que seja de alguma forma útil para alguém.
A caixa de comentários está aberta pra você desabafar, desabafar sempre faz bem. Minhas redes sociais estão abertas para quem quiser conversar também. Pra vocês que me acompanham na crítica de cinema, espero que entendam que eu estou passando por um momento difícil e por isso é difícil fazer críticas.
Mas continua inscrito no canal, e se você ainda não é inscrito, se inscreva, porque isso ajuda e vamos continuar conversando. Obrigado por ter acompanhado o vídeo. Volte sempre.