Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos e irmãs, com alegria hoje celebramos a memória de um grande santo: São Vicente de Paulo, apóstolo da caridade.
São Vicente de Paulo foi um santo que viveu na mesma época de São Francisco de Sales, ou seja, na passagem entre o século XVI e o século XVII. Nasceu em 1581 e morreu com 79 anos, em 1660. Era um santo extraordinário e, em vida, era considerado muito santo.
O próprio São Francisco de Sales chamava São Vicente de Paulo de “o padre mais santo do século”, e o famoso pregador francês Bossuet exclamava em suas pregações: “Como Deus deve ser bom porque fez Vicente de Paulo tão bom! ” Então, é dessas pessoas boas que nos fazem pensar na bondade de Deus. Falar da vida de São Vicente de Paulo é muito difícil porque o homem fez praticamente de tudo.
Nasceu na Oitava de Páscoa de 1581 e logo teve uma infância onde cuidava dos porcos, mas o seu pai notou que ele tinha inteligência e mandou-o estudar. Depois dos seus estudos foi ordenado sacerdote e assim começou a sua vida de sacerdote com o famoso bispo de Paris, o Cardeal Bérulle, que foi o grande introdutor do Carmelo na França. Pois bem, o Cardeal Bérulle mandou São Vicente de Paulo, em primeiro lugar, cuidar dos condenados às galés, ou seja, às galeras, pessoas que eram condenadas a remar nos porões dos navios, que era uma situação muito miserável, degradante humanamente.
Ele começou exercendo a caridade para com esses condenados, conseguiu vários favores para eles; mas logo, logo, ele se voltou para a caridade também num âmbito maior, ele, um apaixonado pelos pobres. É por isso que São Vicente de Paulo é chamado de apóstolo da caridade. Mas dizer que ele era apóstolo da caridade, que ele cuidava dos pobres é dizer muito pouco.
É claro que isso era um traço fundamental e importante da vida de São Vicente de Paulo. Ele mesmo, quando se referia aos pobres, dizia assim: “Nossos senhores, os pobres”. Por quê?
Por causa da inspiração daquela passagem do Evangelho em que Jesus nos diz que, “quando fizestes isso tudo a um desses pequeninos, foi a mim que o fizestes”. Mas a caridade maior que São Vicente de Paulo fez, embora ele sempre fizesse essas caridades bem concretas, reais, físicas, corporais, de ajudar os pobres, de vestir os desnudos, alimentar os famintos, cuidar dos prisioneiros (tudo isso é verdade, tudo isso é muito central na vida de São Vicente de Paulo), mas as pessoas esquecem a caridade maior que ele exerceu, que foi a caridade espiritual, a caridade de ensinar os ignorantes, de converter os pecadores. Ele foi enviado pelo bispo de Paris para fazer missão nos povoados ao redor de Paris, e foi ali que surgiu a sua congregação, que depois vai ser chamada de lazarista, os sacerdotes da missão, porque os padres se uniram a ele e então começaram a evangelizar, a levar as pessoas verdadeiramente para Deus e levar com grande eficácia nas suas pregações.
Ele mesmo exclamou mais tarde, dizendo assim: “Ó Salvador! Quem pensou jamais que isso chegasse ao estado em que está agora! ”, ou seja, a congregação, com todos os frutos espirituais, as pessoas se convertendo etc.
Ele dizia assim: “A quem me dissesse isso então, eu julgaria estar zombando de mim”. Então, ele começou humildemente achando que aquele trabalho dele, aquele serviço como missionário, não iria dar grandes frutos, e no entanto deu frutos enormes, enormes. Ele também fundou em 1633, junto com Santa Luísa de Marillac, a Congregação das Filhas das Caridade, a mesma congregação em que, mais tarde, irá aparecer Nossa Senhora na Rue du Bac, na revelação da Medalha Milagrosa etc.
Ali cuidavam das crianças abandonadas. Era tudo uma atividade incessante de caridade tanto para com as pessoas pobres materialmente como para com as pessoas pobres espiritualmente. Uma das coisas que as pessoas não associam a São Vicente de Paulo é o fato de que ele se preocupava muito com a formação dos sacerdotes.
Por quê? Porque na época dele havia a heresia do jansenismo, e os grandes influentes, cardeais e bispos da França, iam procurar conselhos com São Vicente de Paulo, e São Vicente de Paulo disse assim: “Olhem, vocês não vão resolver os problemas da Igreja se vocês não forem à fonte, à nascente do rio, ou seja, ao seminário menor, como mandou o Concílio de Trento”. Então, ele, com seus padres lazaristas, começou a formação de seminaristas: seminário menor, depois seminário maior, e isso teve grande influência na França, onde ele combatia a ignorância do clero e também combatia as heresias dentro do clero.
Ele influenciou enormemente a nomeação dos bispos franceses para que não fossem nomeados bispos jansenistas, combatendo a heresia. Vejam que não era só uma caridade para com os pobres, mas era também uma caridade espiritual, e isso é muito importante. A gente vê essas duas coisas.
Acho que a maior lição que a gente pode tirar da vida de São Vicente de Paulo é exatamente isso: ele fazia, sim, a caridade corporal, mas fazia a caridade espiritual. Assim ele viveu a sua vida, fazendo o bem às pessoas, instruindo os ignorantes e, portanto, nessa realidade de que a gente deve, sim, ter um comprometimento social etc. , mas que a maior caridade que a gente deve fazer com os pobres é tirá-los da ignorância, combater a heresia e, claro, rezar, rezar pela santificação do clero, pelo qual São Vicente de Paulo tanto lutou.
Ele iniciou na França um hábito que depois se espalhou por alguns países de pregar retiros espirituais para os sacerdotes às vésperas da ordenação. Ele fazia um retiro de vinte dias e assim ia corrigindo os padres e preparando esses sacerdotes para cumprir a sua missão, cumprir a missão que Deus tinha para eles. Que lá do céu esse grande sacerdote, São Vicente de Paulo, reze por nós, reze pelos nossos sacerdotes nos concedendo a graça de fazermos a caridade sempre, fisicamente, ou seja, corporalmente, mas também a caridade espiritual.
Deus abençoe você. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.