Tecnologias de realidade aumentada estão em alta, com headsets de Realidade Virtual devagarinho virando mais acessíveis, óculos de realidade aumentada aos poucos aparecendo e ideias de metaverso e jogos que envolvem esses equipamentos. E entre todas as revoluções prometidas nessa área, tem uma que talvez seja o maior exemplo de promessa não cumprida: o Google Glass. Mas o que era mesmo esse projeto?
E que fim levou essa ideia? Esse é o Entenda, o quadro do TecMundo que explica o que tá por trás das notícias que você lê todos os dias lá no nosso site. Primeiro, vale refrescar a memória ou explicar para quem não se lembra.
Afinal, o que era o Google Glass? Esse é um projeto do , o laboratório de ideias mais ousadas e abstratas, com envolvimento direto do cofundador e ex-CEO da empresa, Sergey Brin. O Glass é um par de óculos inteligente com um visual que, basicamente, imita bem um par de óculos de verdade.
A grande diferença fica no lugar de uma das lentes, que não acompanham o produto e são totalmente opcionais. É ali que fica um pequeno anexo que abriga um sensor fotográfico e um pequeno monitor que, próximo do olho, exibe imagens grandes. O tal sensor tem 5 megapixels de resolução e era capaz de gravar vídeos em HD, enquanto a telinha não chegava a ter alta definição.
Já a lateral da haste funciona como um touchpad, um sensor sensível ao toque para você navegar pelos menus do aparelho. A grande revelação do projeto aconteceu em abril de 2012 em um vídeo publicado pela empresa, já com o nome Glass e algumas das funções, como ter rotas de navegação em tempo real, fazer chamadas e ver a agenda de compromissos direto na tela. Em junho durante o evento Google I/O, a empresa fez uma demonstração ao vivo com paraquedistas em uma chamada ao vivo chegando no estúdio.
Ele já nesse momento levantou algumas dúvidas sobre utilidade e funcionamento, mas gerou muito mais expectativa. Em abril de 2013, a chamada Explorer Edition foi disponibilizada para desenvolvedores nos Estados Unidos que já queriam começar a brincar com o equipamento e desenvolver aplicações para ele. Mais tarde, a Google começou a fornecer também opções de lente de prescrição médica.
E você não encontrava um Google Glass em prateleiras de lojas ou catálogo de sites de vendas. As vendas foram limitadíssimas entre 2013 e 2014, com pequenas expansões de convites para compra. E aí o negócio começou a dar errado.
Em 2015, o projeto foi pausado para o óculos ser redesenhado e só em 2017 ele voltou com outro propósito. Tony Fadell, executivo ex-Apple considerado o pai do iPod, foi chamado para ajudar nessa fase. No fim, o Google Glass retornou como a Enterprise Edition e já está na segunda geração com um foco totalmente corporativo.
Ele agora pode ser usado como um óculos de realidade aumentada que exibe conteúdos na tela para ajudar médicos, engenheiros, arquitetos, profissionais de linhas de montagem e outros setores. Mas, afinal, por que ele deu errado? Nós vamos listar aqui quatro motivos, sem ordem definida e que atuaram ao mesmo tempo.
O primeiro tópico é o das limitações técnicas. Tudo bem que um óculos inteligente faz você receber conteúdos e navegar em aplicativos sem usar as mãos, mas as especificações do dispositivo não compensavam tanto quanto olhar o smartwatch no pulso ou tirar o celular do bolso. O Glass tinha uma bateria que acabava rápido demais, já que era bem pequena, além de um processamento só “ok” e 2 giga de RAM.
Ele ainda tinha poucas funções realmente úteis e que de fato vendiam essa ideia: tudo parecia incrível nos comerciais, mas o público consumidor iria mesmo usar aquilo? O segundo ponto é um fator até então inédito: privacidade e segurança. Como o Google Glass podia gravar conteúdos a todo momento, começaram discussões a respeito do uso em estabelecimentos privados: donos de restaurantes, prédios comerciais e outros locais podiam simplesmente proibir a entrada de pessoas com esses óculos, sendo que até alguns casos de expulsões mais violentas foram registrados.
Tem também a questão de filmagens sem autorização, o que pode levar a acusações de assédio ou stalking. Fora que, pelo visual bem chamativo e ele só estar ali no rosto é bem inseguro, sendo um dispositivo fácil de ser identificado e roubado. Terceiro ponto e talvez o mais importante: diversos erros de mercado.
Começando por um clássico: um enorme atraso anúncio e lançamento, o que faz o público perder o interesse, começar a duvidar do serviço e criar expectativas que depois não são correspondidas. Além disso, o marketing não tinha muita clareza sobre qual era o público ou a principal função. Qualquer pessoa sairia com um Glass nas ruas?
Será mesmo? A possibilidade de preço de mais de mil dólares também assustava e toda esse clima não refletia na disponibilidade do aparelho, que era muito baixa. Ou seja, muito provavelmente o anúncio foi feito cedo demais, quando o Glass ainda era um experimento de laboratório que teria que passar por muitos testes.
Por fim, um ponto muito ligado com o anterior: a empresa anunciou rápido demais algo que ainda não estava maduro e isso pesou contra o aparelho. E a gente precisa lembrar que o Google Glass é da Google, que é uma empresa com uma política bastante clara de encerrar rapidamente serviços ou produtos que não encaixam direito ou não respondem ao que era esperado. Nós já temos um vídeo sobre isso aqui no Entenda com vários exemplos.
Em resumo, tem quem diga que o Google Glass não falhou, já que ele fez o reposicionamento de mercado e virou uma alternativa válida no setor industrial e de serviços. Mas é inegável que, por todos os motivos que a gente citou, tem um abismo entre a promessa de uso cotidiano lá do começo do projeto e o que ele acabou se tornando. Por outro lado, modelos de Oppo, Microsoft, Snapchat, Facebook e outras companhias estão tateando esse mercado, inclusive a Apple pode lançar um óculos de realidade aumentada em alguns anos mais ou menos nessa pegada.
Ou seja, apesar de não ter estourado, é possível dizer que o Google Glass andou, mesmo que devagarzinho, para esses outros poderem correr. E aí, o que você acha do Google Glass? Você compraria um se ele fosse vendido normalmente?
O que você acha da ideia de óculos inteligentes? Vamos conversar aqui embaixo nos comentários! Não se esqueça de deixar o seu joinha no vídeo, se inscreva no canal para mais conteúdos como esse e confira a playlist do Entenda para saber do que já falamos por aqui.
Até a próxima!