Como que você pode compartilhar um pouquinho sobre o futuro, sobre o que está por vir e sua visão sobre Machine Learning e IA? Olha, primeiro parabéns pela iniciativa, eu acho que é essencial que a gente tenha plataformas brasileiras em português. Quer dizer, mesmo sendo internacional, mas com uma oferta de conteúdos de qualidade para o Brasil, para o pessoal se especializar.
Então, parabéns pela iniciativa e em relação a IA eu acho que a gente vem crescendo, principalmente porque tem hoje em dia equipamentos, hardware, linguagens. Eu tô vendo aí, eu espionei ali o material do Diego que vai falar aí com AI, Python, Jupyter, Notebooks, Google Colab e eu vou estragar a surpresa? Não, espero que não, mas tem coisas muito legais hoje em dia que permitem que a gente possa acessar, aprender, usar, treinar, adaptar e melhorar muita coisa dentro da IA e isso permite que a gente faça coisas incríveis.
Eu quando eu comecei nessa área, eu vou dizer assim, eu sou o que a gente chama de barra oitenta e quatro, eu entrei em 1984 na faculdade, na Federal do Rio Grande do Sul. Cara, naquela época não existia nem micro computador decente. Era assim, tinha um Apple, tinha uns TK, que eram umas coisas meio estranhas, ligava em cassete, colocava na TV que ficava toda torta a imagem e já naquela época eu dizia assim, "pô eu quero fazer umas coisas diferentes, programar.
" Mas que eu tive que programar em linguagem de máquina, umas coisas meio estranhas, aí eu fiz um reconhecedor de voz Muito tosco, usava entrada de cassete, porque entrava áudio e as coisas foram indo, daqui a pouco eu descobri as redes neurais e foi avançando e eu jamais imaginaria lá, né? Vamos voltar, 1984 eu fiz um curso de Cobol, isso mesmo, tem gente que não sabe o que é, melhor que não saiba. Cobol na veia e aí agora, anos 2000, dois mil e dois mil e dez, dois mil e onze.
Eu estava fazendo um carro autônomo. É surreal o que evoluiu, as ferramentas de Machine Learning, os equipamentos que a gente tem à disposição, sensores e outras coisas que permitem fazer umas mágicas muito doidas. E isso é uma coisa incrível, assim, você poder usar a IA e quando eu falo IA é uma coisa muito ampla, porque tem processamento de imagens, tem visão, o velho OpenCV tá aí presente, reconhecimento de face.
Você pode usar Deep Learning mas você pode usar também outras técnicas e ferramentas e com tudo isso que a gente tem disponível hoje em dia, você coloca um computador dentro de um carro, um sistema embarcado e ele controla o carro pra você e não atropela. E o exemplo que eu gosto de dar, a gente fez uma coisa tão legal que quando a gente terminou o caminhão autônomo, inclusive quem programou a parte de detecção de pedestre foi um um orientando meu, o aluno que ainda está trabalhando comigo lá na USP e eu me joguei na frente do caminhão, um caminhão de várias toneladas, sem ninguém sentado no banco do motorista e eu me joguei na frente, por quê? Porque eu sei que o negócio é confiável, funciona, sabe?
Eu acredito naquilo que a gente tá fazendo e tô aqui, né? Se eu tô aqui é porque funcionou, é só assim pra dizer. O fundo é virtual, tá?
Mas eu sou bem real. Incrível. Então Machine Learning é uma coisa fantástica, sabe?
Se você souber usar bem, você faz coisas incríveis. E justamente, você domina a tecnologia pra não ser dominado por ela. Eu acho que isso é essencial hoje em dia.
Ou você tá lá em cima ou você tá lá embaixo, né? A tecnologia montada em você ou você que manda nela. E uma coisa que é impressionante também hoje em dia, é a onipresença da inteligência artificial.
Hoje em qualquer coisa que a gente usa, existe inteligência artificial e essas questões relacionadas a Machine Learning em algum aspecto. Tá no relógio, tá no celular, quando eu fui fazer o mapeamento sistemático, por exemplo, do meu doutorado, que tinha a ver com línguas e sinais, né, reconhecimento de línguas e sinais, todos os artigos relevantes que voltaram tinha a ver com com redes neurais pra identificação desses sinais, processamento das imagens ali e tudo mais. Então, assim, por mais que eu não estava procurando aquilo, a IA já aparece de alguma maneira, então, as recomendações que a gente tem no dia a dia Então, assim, ela já tá no dia a dia de praticamente todo mundo, principalmente quem tá muito ligado com a questão de tecnologia.
Então, saber como isso funciona e poder participar dessa evolução da tecnologia, eu acho que é um baita privilégio de todos nós aqui. Bem massa mesmo. E outra coisa, a tecnologia ela evolui muito rápido, então, quando a gente começa a olhar o futuro e se ambientar pro futuro, a gente acaba saindo na frente.