Certa busca de conhecimento que pode ser prosseguida ao longo dos tempos ela já aparece com Sócrates e Sócrates está continuamente inaugurando certas investigações que ele às vezes não dá por concluídas tá comendu então deixa ali bem bem claro que ele conta com a possibilidade de que outras pessoas continuem investigando aquilo e cheguem vamos dizer até talvez a resultados até melhores do que ele tá certo então ve Que Sócrates em nenhum momento expõe vamos dizer uma doutrina acabada Tá certo ele coloca ele monta certos problemas ou seja monta certas investigações filosóficas ele ensina a montar exatamente
isso que ele faz nos seus nos seus eh confrontos com com os seus amigos e e discípulos Tá certo ele L sugere certos temas filosóficos que eles tentam então investigar com os instrumentos que que tem Tá certo e ele em seguida vai Corrigindo né a maneira de eles investigarem o problema até colocar a coisa na linha numa linha que parece mais passível de levar resultados eh firmes quer dizer a busca de um conhecimento firme quer dizer e a a estratégia e tática para a busca de conhecimento firme sobre certos eh temas tá certo esse aí
certamente é um dos componentes do projeto filosófico cujo Conteúdo nós vamos vou explicar melhor hoje tá certo muito bem embora seja somente com Sócrates que o projeto filosófico se expõe de uma maneira autoconsciente como se dissesse ó Filosofia é isto aqui é isto aqui que nós vamos fazer Tá certo e portanto você não encontre este projeto exposto de maneira autoconsciente e nenhum dos seus dos Press sooc Tá certo existe uma sentença que é atribuída a um deles é atribuída a a Pitágoras que seria a própria definição da filosofia como Amor à sabedoria não é isto
ou seja nós não precisamos admitir que ao formular esta definição Pitágoras tivesse já toda a consciência do projeto filosófico tal como veio a ser exposto depois por Sócrates Platão e Aristóteles não obstante com consciência Ou não de todo o seu conteúdo o fato é que Pitágoras enunciou esta frase Tá certo e esta frase é absorvida depois por Sócrates Platão e aristócrates como uma espécie de resumo do seu projeto Tá certo então a exposição do projeto filosófico do projeto socrático tem que começar por uma breve análise desta desta mesma definição tal como ela foi compreendida na
época e especialmente por Sócrates Platão e Aristóteles Tá certo ou seja a a o o estudo que nós vamos fazer da da definição da filosofia como amor a sabedoria não vai enfocar essa frase no preciso contexto histórico contexto histórico pitagórico ou seja nós não vamos investigar o que que Pitágoras entendeu por esta frase mesmo porque vamos dizer o estudo do do pitagorismo é um é um dos dos enigmas históricos mais eh Cabeludos Que existem Tá certo não se sabe direito homem existiu se não existiu se coisas que são atribuídas a eles são de atribuição histórica
real ou apenas por semelhança e eu não quero entrar em todo este este problema ademais eu já deixei claro que os pré-socráticos são apenas a pré-história da filosofia houve uma eh a partir de niet houve uma imensa revalorização Tá certo dos dos pré-socráticos mas por mais valiosos que fosse os ensinamentos Que nos ligar é inegável que eles não tinham o projeto filosófico como vamos dizer uma um projeto autoconsciente isso não tinha o mesmo tá certo isso só aparece realmente com o Sócrates e pelo próprio conteúdo dos diálogos socráticos você verá que ele estava enunciando algo
ali que era totalmente novo para o seu meio então a Rigor Nós podemos dizer a história da filosofia do ocidente começa com Sócrates Embora tenha havido tenha havido um vasto aproveitamento de elementos anteriores isso quer dizer que nós vamos romper um pouco a ordem cronológica da exposição e nós vamos dar a ideia do projeto socrático primeiro e só abordaremos os projetos socráticos na próxima aula na terceira ou na quarta aula tá certo mas como é este projeto que dá o senso de unidade de toda a narrativa que nós vamos fazer nós temos que começar Por
ele por outro lado embora esse projeto quando aparece com sóc totalmente de novo ele incorpora a definição atribuída a Pitágoras da filosofia como amor a sabedoria Tá certo então A análise que eu vou fazer ela não interpreta esta frase no sentido em que teria tido historicamente para um Pitágoras histórico Tá certo impossível de descobrir de documentar mas ela Aborda o sentido prático Que esta frase teve em Sócrates Platão e Aristóteles Tá certo então é como eles entenderam esta frase e o que que estava para eles vamos dizer subentendido nesta definição com a qual eles resumiam
com a apes enunciam resumidamente o conteúdo do próprio projeto socrático Tá certo muito bem se a filosofia é o amor à sabedoria a primeira coisa que isto implica é que a sabedoria Exista isso quer dizer que se Pitágoras disse ISO Pitágoras acreditava que existisse uma sabedoria certo e se Sócrates absorve esta frase ele também Acredita que existe uma sabedoria e Platão também e Aristóteles também tá certo ou seja a sabedoria não é algo que eles vão fazer mas que De algum modo V Tá certo então existe a sabedoria a sabedoria não está neles tanto não
está neles que eles não se dizem nem Portadores dela eles não são os seus inventores e também não são nem sequer portadores mas são apenas aqueles que a amam e porque a amam a buscam Tá certo buscam encontrá-la Tá certo sabendo que não a possuirão completamente Tá certo por se a filosofia já é definida como Amor à sabedoria tá certo e não como a conversão do filósofo em sábio se subentende que esta atividade de certo Modo ela continua porque a posse da sabedoria não é completa tudo isso está pressuposto isso aqui que eu tô dizendo
é absolutamente coerente com o uso que Sócrates Platão e Aristóteles fazem do do termo Tá certo Então existe a sabedoria tá certo e o homem a deseja ol ele AD deseja porque ele tem alguma notícia dela não é isto e a notícia que o homem tem da sabedoria é suficiente para que ele entenda que ela é desejável que ela É um objetivo desejável Tá certo então a sabedoria existe por assim dizer fora e acima do homem ela representa diz um um tipo de conhecimento um tipo de consciência Tá certo que não está em nós sen
mas que nós de algum modo podemos alcançar Tá certo se não existe fora de se existe fora de nós existe como tá certo nós não vamos aprofundar esta questão aqui saber onde está a sabedoria e aonde que nós vamos buscá-la Tá certo onde que ela existe fora do homem tá certo porque na exposição do platonismo nós vamos tocar neste assunto mas por enquanto vai ter que ficar interrogação mas só para dar uma ideia eu vou lembrar vocês que quando eh Hertz descobriu a ligação entre luz e eletricidade no século passado no século X Ele disse
o seguinte disse olha essas coisas elas não podem ser observadas pelos sentidos nós só as captamos por certas relações matemáticas nós medimos Umas coisas aqui medimos e vemos que tem uma equação ali no meio esta equação não é visível com o sentidos e ela até é aparentemente negada pelo sentidos E no entanto ela está lá tá certo e está como uma coisa que é até mais inteligente do que aquele que a descobriu então digamos esta relação entre luz e eletricidade seria um exemplo de um conteúdo da sabedoria que já estava ali milênio antes de que
herz Descobrisse não é isso hoje dia todo mundo tem um computador tá lá escrito megaherz É esse mesmo sujeito então digamos uma equação Tá certo que mostra uma unidade entre entre fenômenos distintos dentro da natureza tá certo é um exemplo de como pode existir uma sabedoria fora do homem tá certo outro exemplo que eu costumo dar na na nas minhas aulas é o seguinte existe Um monte de conhecimentos mineralógicos registrados nos tratados de mineralia não é verdade mas antes de estar nos tratados de mineralia eles estavam onde nos minerais não é isso se não não
estivesse nos minerais não teria sido possível puxá-los de lá para colocá-los sob forma verbal no livro Tá certo Então esta mineralia doss minerais este conhecimento mineralógico que está nos minerais é um outro exemplo de como pode Haver a sabedoria fora de nós tá certo esses dois exemplos são tirados da natureza isso não quer dizer que a sabedoria esteja na natureza a natureza é só algo que está fora de nós é uma Instância um domínio que está fora de nós está além de nós e no um dos muitos Nos quais nós nos quais nós podemos buscar
e colher algo da sabedoria Tá certo então essa sabedoria compreendida não como uma criação do homem como uma criação cultural como uma Criação histórica tá certo mas ela é compreendida de duas maneiras Primeiro ela é um conjunto de conhecimentos mas não é só um conjunto de conhecimentos inerte que esteja ali registrado de maneir mor porque aquilo é também a presença de uma inteligência Como disse Hertz esta equação ela é mais inteligente do que aquele que a descobriu isto é ele mesmo ou seja ele teve que ficar mais inteligente para ele chegar ao grau de Sutileza
desta equação Tá certo então a sabedoria não é somente um conteúdo da Inteligência Mas é uma inteligência tá compreendendo então a medida que você se aproxima desses conteúdos você absorve algo desta inteligência ela de certa maneira te vivifica quer dizer o indivíduo percebe que esta vamos dizer que esses da sabedoria são amáveis Tá certo porque ele nota neles uma inteligência que é melhor do que a Dele não é ISO Mas por outro lado para que haja amor a esta sabedoria tá certo não basta só que ela seja muito interessante nos seus nos seus conhecimentos é
necessário que ela seja amável não é ISO E se fosse uma coisa terrível querer um mistério temível que você abre a caixa preta e você morre não é isso então somente um idiota iria buscar não é isso ou seja a busca da sabedoria era Entendida vamos dizer por Sócrates Platão e Aristóteles como algo que lhes faria bem Sera bom para eles então de certo modo o homem ama a sabedoria porque a sabedoria ama o homem hã ela é amável ela é boa para homem ela de certo modo se se oferece e lhe dá alguma cois
isso que a sabedoria dá não acrescenta ao homem somente um conhecimento teorético mas de certo modo intensifica a sua maneira de ser também os três a usarem esta sentença de Pitágoras como definição da da da filosofia estavam os três admitindo que a filosofia não é somente um conhecimento a adquirir mas um tipo de conhecimento que a medida que você o adquire Melhora você não é isso melhora você por quê Porque a medida que você absorve os conteúdos Tá certo da sabedoria eles de certo modo te centralizam em torno da sua inteligência da sua capacidade de
conhecer e esta capacidade de conhecer é para eles o Principal elemento constitutivo do ser humano ou seja se o ser humano se define e se diferencia de todos os demais pela sua capacidade de conhecer tá certo de conhecer a realidade e de conhecer a própria sabedoria que seria vamos dizer esta este aspecto mais inteligente é superior da realidade Então à medida que Você o conhece você está realizando aquilo que é principal em você que é exatamente a sua capacidade de Conhecer portanto é vamos dizer um modo de existência que que se intensifica e se aperfeiçoa
a medida que se realiza Tá certo Ora isso quer dizer que na sua busca da sabedoria tá certo o filósofo é guiado pelo que ele vê de amável na sabedoria de acessível e de amável Tá certo e é guiado por isto mesmo ele é Guiado por uma imagem do sábio não é ISO quer dizer o que que seria o sábio seria sabedoria personificada quer dizer a sabedoria como forma humana que você sabe que você não vai realizar perfeitamente tá certo mas é evidente que se existe a sabedoria existe o sábio porque a sabedoria não é
só conteúdo ela é inteligência também não é isso então esta imagem do sábio não necessariamente o sábio humano Mas o sábio seria a digamos pelo menos seria a personificação da sabedoria seria a sabedoria como forma humana a sabedoria compreendida como forma humana Tá certo isso aí pode ser visto ou num contexto religioso num contexto mitológico tanto faz mas existe sempre essa imagem do do sábio Tá certo eh como por exemplo nós veremos mais tarde eh quando e o filósofo boécio já na era Cristã século 5 se Eh foi para na prisão ele na prisão el
tem a visão Tá certo da sabedoria personificada como uma mulher que aparece e vai visitá-lo eh na cadeia tá certo e lhe ensina uma série de coisas tá certo num contexto religioso você pode personificar vamos dizer a a sabedoria no próprio Jesus Cristo como o Logos encarnado em outros lugares como o Buda etc etc tá certo mas isso quer dizer que este Esta personificação da sabedoria é uma espécie de imagem que Guia os esforços do filósofo como se fosse isso que ele gostaria de ser quando crescesse tá certo Quer dizer o sábio embora seja uma
uma possibilidade que o homem não vai realizar completamente pelo menos nesta vida é o tipo humano a que ele se dirige de algum modo Tá [Música] certo muito Bem os métodos para para chegar lá são evidentemente de dois tipos primeiro os métodos investigativos Tá certo que serão desenvolvidos e enormemente aperfeiçoados ao longo do tempo começando vamos dizer pela pela dialética socrática Tá certo depois passando pela lógica de Aristóteles por todos os aperfeiçoamentos lógicos da Escolástica até hoje tá certo pela pela e entrada em cena do chamado método científico moderno etc então há um Conjunto de
métodos investigativos que cuja história já é por si só vamos dizer um assunto e e imensamente rico Tá certo e por outro lado existe as disposições práticas de ordem psicológica e ética Tá certo Quer dizer o filósofo à medida que ele pratica esses métodos ele se transforma a medida que ele adquire o conhecimento Tá certo ele se transforma porque antes ele era era o sujeito que Não sabia e agora ele sujeito que sabe tá certo e Platão que anunciará esta frase famosa ele disse verdade conhecida É verdade obedecida porque se você sabe que 2 +
2 é 4 Mas você continua imagino como se fosse cinco você esquece que é quatro Tá certo então is quer dizer que a verdade que você adquire ela não é somente um elemento de curiosidade naquele momento mas é um guiamento para você você já sabe que a partir do momento que você descobriu tal qual Coisa você sabe que as coisas são assim tá certo então aqui é uma baliza Tá certo um ponto de referência que você usará na sua vida que se incorporará vamos dizer à sua vamos dizer a ao direcionamento da sua conduta Tá
certo Ora então você vê que aí você tem uma série de polos por um lado você tem o sábio Tá certo e como o oposto dele o filósofo o filósofo que não é sábio mas Que se dirige ao Sábio e o sábio é o se que não é filósofo tá certo é o homem o ser tal que não é filósofo porque ele já é o conhecimento já é a incorporação do conhecimento tá certo mas que eles de algum modo se buscam Como aquela mulher que representa a sabedoria buscará o filósofo boécio na cadeia vendo que
ele tá ali isolado sofrendo Ela vai buscá-lo para consolá-lo do seu do seu sofrimento Tá certo então esta imagem de um homem Que busca a sabedoria porque a sabedoria busca o homem é Central para o projeto filosófico isso aí os três acreditavam nisso piamente tá certo [Música] eh e por outro lado é evidente que a sabedoria busca o homem Porque sendo da própria natureza do homem o conhecer não é isso então é normal que o próprio objeto do conhecimento que é a sabedoria se volte para ele tá certo porque a sabedoria vamos dizer seria também
a Própria estrutura da realidade a própria lei que governa a realidade Tá certo se o conteúdo da sabedoria é a lei que governa Toda a realidade e se a realidade desta espé de seres em particular que é o ser humano é conhecer então fatalmente E logicamente o conteúdo da sabedoria busca o homem tanto quanto o homem o busca Tá certo transformando-se nele cer a medida que o conhece Tá certo no sentido do famoso verso do Camões Transforma-se o amador na coisa amada quer dizer a progressiva transformação cer filósofo ábio embora fique incompleta porque o sujeito
morre Tá certo e a a sabedoria sendo eterna só pode ser vamos dizer possuída integralmente num plano de eternidade quer dizer embora essa busca não se complete pelo menos nesta nesta vida é ela que orienta todo o o esforço do do ser humano Tá certo também fica bastante Claro nesse Projeto que se a verdadeira natureza distintiva do ser humano é a sua capacidade de conhecer é somente nela que o ser humano se realiza não é isso e que todas as vidas que não são voltadas para este objetivo mas que algum de algum modo participam dela
num nível maior ou menor são como que vidas frustradas vidas que não chegaram Tá certo a manifestar plenamente a capacidade humana Central O que é natural porque isso acontece em todas as espécies animais não há nenhuma espécie animal em na qual todos os membros realizem plenamente as potencialidades daquela espécie Tá certo então por exemplo mais característico são os famosos girinos quer dizer de 5 milhões de girinos dois ou três se transformam em sapos os outros ficaram como protoss sapos sapos possíveis não deixam de ser sapos eles não chegam a ser sapos mas não deixam de
Ser SAP porque não é outra coisa Tá certo não é porque o Girino não virou SAP que ele vira outra coisa que ele vira abacate tomate não tá certo então do mesmo modo o número de seres humanos que realiza efetivamente a natureza central do ser humano que é a realização dessa capacidade distintiva que é a capacidade para o conhecimento Esse número é muito pequeno Tá certo e os outros ficam a quem quer dizer que são formas de vida Frustrados mas se não chegam a realizar a sua humanidade nem por isso deixam de ser humano não
passam não são outra coisa é apenas vamos dizer uma como se fossem linhas de desenvolvimento que vão todas da mesma direção e não vão mudar de direção por causa disso mas umas vão mais longe outras ficam mais mais perto Tá certo mais ainda o indivíduo que não descobriu ainda que esta é a finalidade da sua Existência nem por isso ele deixa de tender a ela intensamente Por quê você diante do sujeito mais burro brutal e inconsciente que exista Tá certo você só dirá que ele é humano Tá certo porque um sinal disto você vê nele
alguma capacidade pelo menos potencial Tá certo de compreender ele tem não é isto se ele não chega a exercê-la Tá certo você nunca reconhece isto como uma situação Terminal você reconhece aquilo como uma imperfeição não é isso se existe alguma natureza Tá certo no ser Então essa natureza ela busca se realizar quer dizer todo ser busca a realização daquilo que é natural nele e esta busca é a própria natureza dele não é ISO por exemplo não existem leões vegetarianos não é ISO Você pode procurar você não vai achar não é ISO agora existem leões incapazes
de digerir Carne não é ISO vai dizer esse leão tá doente ele não virou outra coisa ele não virou uma vaca tá compreendendo ele pode ficar tão mal tá certo que só consiga digerir outras coisas tá certo fazer uma sopinha de vegetais para dar pro Leão é possível que o Leão Chega a esse ponto mas você não vai dizer ele virou outra coisa não ele está privado da possibilidade de realizar o que nele é natural neste Momento e mesmo que ele permaneça assim até morrer é porque há algo de errado com ele não porque ele
mudou de natureza ele não passa a ser outra coisa tá comprendendo né então mesmo que o homem não realize isto e olha a realização disto é altamente complexa mesmo que ele não chegue sequer a perceber que essa é a natureza distintiva dele mesmo que ele pense outra coisa a respeito dele mesmo isso continuará sendo o caráter distintivo Dele tá entendendo note bem que para formular este projeto desta maneira não era absolutamente necessário que nem Sócrates nem Platão nem nem Aristóteles tivessem plena clareza deste ponto e claro que não tinham porque eles apenas estavam enunciando o
começo da história mas a discussão do que é este caráter distintivo Tá certo e do que é esta capacidade de conhecer ela prossegue até hoje mas no segunda metade do século XX existem descobertas importantes A esse Respeito tá compreendendo então a imperfeição E até a nebulosidade inicial do projeto não impedem que ele seja exatamente o projeto ão Como está definido agora por exemplo você pode negar o projeto já por exemplo como objeção não o o conhecer não é a próprio da natureza humana própria da natureza humana é fazer outra coisa você pode até dizer isso
tá certo o primeiro que dissesse isso entrar na história da Filosofia como sujeito que está se opondo à aquele projeto em nome de Tais ou quais razões tá compreendendo e pode ser até que se chegasse a um ponto de Esta esta esta pretensão filosófica ser totalmente impugnada agora desde logo eu devo eu tenho que declarar Qual é a minha posição em f de tudo isso tá certo para que dizer eu não vou não vou colocar vamos dizer os meus valores as minhas Escolhas só no final da do curso eu creio que o projeto filosófico sobrevive
está inteiro Tá certo e que nada o derrubará não é nada nada nada nada nada tá certo porque mais Tentativa do que houve ao longo desses 2400 anos não é possível Tá certo e todas as outras alternativas Eu acho que já foram tentadas Tá certo que ele conserva a sua validade integral eu creio que todos os demais projetos inclusive de ordem religiosa só Podem ser validado por ele tá certo eh e acredito mesmo que ele é um componente essencial e que ele é a própria manifestação essencial da natureza humana isso eu continuo acreditando eu não
posso dar a prova Total disso eu posso dar vamos dizer argumentos de ordem probabilística provar que esta é a das alternativas é a mais provável tá certo mas é eh eu tenho impressão que o pró própria narrativa da história da Filosofia eles mostrará isso aí mas muito bem então você tem uma polaridade aí que é vamos dizer por um lado o sábio Tá certo e por outro lado o filósofo então o filósofo é aquele que não é sábio mas que tende ao sábio e o sábio é aquele que não é filósofo mas que busca tá
certo o filósofo a partir D você vai ter uma outra subdivisão uma outra polaridade Tá certo que é vamos dizer a dos métodos Investigativos Tá certo Por um lado que são os métodos voltados para o objeto do conhecimento e do outro lado os métodos éticos práticos pedagógicos etc etc que se voltam para o próprio sujeito do conhecimento para o próprio filósofo Então por um lado você investiga como se deve investigar como se busca o conhecimento e por outro lado se pergunta o que que eu preciso ser na prática para eu ser capaz de obter a
Sabedoria não é ISO então e além dessas duas polaridades que nós podemos até desenhar num quadro você faz uma bolinha aqui escrito sábio outra bolinha escrito filósofo outra bolinha escrito métodos investigativos e do outros métodos práticos Tá certo existe uma outra polaridade Tá certo que é a da aproximação ou afastamento em relação ao projeto filosófico Tá certo então nós formamos aí uma cruz de seis pontas Tá certo e Vocês verão que toda a narrativa da história da filosofia Tá certo em cada momento existe di uma colocação diferente dessa Cruz de seis pontas mas sempre jogando
com os mesmos fatores não é isso isso quer dizer que para o estudo de isso aqui nos fornece vamos dizer uma tipologia geral na qual se enquadram todas as filosofias e todas as correntes de pensamento que nós vamos estudar em cada uma delas há uma imagem Do sábio o que que é o sábio o sábio é a inteligência imanente à realidade como um todo a inteligência que existe na realidade que não está em nós tá certo mas ao contrário nós é que estamos nela nós somos um dos elementos dessa dessa realidade Tá certo então cada
filosofia terá uma imagem do sábio e portanto uma concepção do que deve ser o filósofo então compreendendo em função disso ela terá uma imagem de quais são os métodos de Investig e portanto isso terá repercussões de ordem psicológica ética pedagógica etc etc Tá certo e tudo isto então dando um posicionamento mais próximo ou mais distante do projeto filosófico originário quer dizer que as filosofias podem ser catalogadas dier tipologicamente em função desses seis fatores conforme o posicionamento que você tem numa delas tá certo certo dali se decorre por implicação vamos dizer ou Consciente ou inconsciente ou
implícita ou explícita certo uma diferente modulação de cada um dos outros cinco fatores Tá certo então em Aristóteles existe né dizer uma tipologia das narrativas possíveis ele tá se referindo sobretudo a narrativas ficcionais lendas teatro etc etc e ele faz uma catalogação das narrativas conforme o Grau de poder do seus personagens Hum então vamos dizer qual é o personagem mais poderoso que existe é um Deus ou um Semideus uma criatura Divina não é isso pode tudo então se você conta a história eh de Júpiter Tá certo ou a história de Jesus Cristo tá certo ou
a história do Buda você tá falando um Deus não é isso pouco importa se teológicamente seja um Deus autêntico inventado a narrativa se refere a ele como um Deus não é isso então a história será o quê a sucessiva Manifestação da sua onipotência que está escondida de início não é isso então isso aqui o o o intérprete de Aristóteles que é o crítico canadense northrop Fry denomina narrativa mítica abaio da narrativa mítica existe a narrativa que ele chama lendária narrativa lendária já não tem como personagem um um um Deus ou Semideus mas um ser humano
Tá certo que por um motivo qualquer tem uma ligação íntima com Deus ou com os deuses ou com O que está para o lado de lá ele de algum modo se comunica e recebe uma ajudinha Tá certo isto faz com que no seu confronto com o mundo tá certo ele não tem vamos dizer a Vitória eh a priori que está assegurado a um Deus tá certo ele o mundo para Ele oferece resistência dificuldade como qualquer outro ser humano só que ele vence porque há uma intervenção de um fator suprano por exemplo a história de Moisés
não é ISO então vamos dizer se Deus fosse atravessar o mar vermelho isso não seria nenhum problema porque ele já já estaria atravessado não é isso Deus tá do lado de cá e já tá do lado de lá ao mesmo tempo então não seria problema algum para Moisés isso já era um problema mas ele resolve o problema por quê porque houve uma intervenção Tá certo de um poder que era superior ao dele mas que era simpático a ele então isso chama narrativa Lendária Tá certo abaixo desse existe um terceiro tipo de narrativa em que o
herói já não é assistido por poderes divinos ou angélicos mas às vezes ele consegue mudar o destino porque ele é uma pessoa de grande qualidade ou qualidade física é muito forte ou qualidade moral é muito corajoso ou é muito Nobre ou é muito alguma coisa tá entendendo no mínimo tem muito dinheiro tá certo Então tem que ser uma pessoa especial Por algum motivo Tá certo então geralmente Isto é é simbolizado no no teatro por exemplo pelo fato de que são Reis Príncipes nobres ou comandantes militares ou profetas uma coisa assim né então também tem um
poder um poder a mais do que os outros devido não a uma assistência explícita de poderes divinos mas devido à sua qualidade Tá certo superior à normal isto aí o Fry chama de gênero Imitativo elevado narrativa imitativa elevado você já vai entender porque que é chamado assim o quarto tipo de narrativa é o que tem como personagem um de nós uma pessoa que nem É melhor nem pior que os outros que tem vamos dizer os poderes normais de um ser humano Tá certo então que eh vamos dizer enfrentar as situações usando né a sua própria
razão sua inventividade dentro dos limites normais né da mediocridade humana Tá certo e Então chama chama-se imitativo baixo os dois são imitativos que se baseiam vamos dizer na na na realidade humana observável Tá certo então nós sabemos por exemplo que existem pessoas que são muito mais corajosas que as outras não é ISO o que se tornam Tais em certos momentos não é ISO eh mas sabemos que em geral Nós não somos assim as duas coisas são reais nesse sentido né e por isso esses dois gêneros São chamado imitativo finalmente o quinto tipo de narrativa ou
FR chama narrativa irônica a narrativa irônica é aquela na Qual o personagem está abaixo da situação ele não tem capacidade para lidar com a situação então repetir a narrativa mítica o herói é um Deus Portanto ele é o dono da situação não é isso na narrativa lendária o herói se sobrepõe à situação com a ajuda de fatores ou forças Divinas no terceiro Tipo ele luta com a situação Tá certo podendo vencê-la porque é uma criatura Nobre qualificada mas Podendo também ser derrotado tá certo mas será uma derrota que não o desqualifica tão compreendendo na quarto
tipo de narrativa bom oito às vezes perde ou às vezes ganha porque tem sorte ou tem azar como todos nós tá certo e no quinto tipo Está definitivamente abaixo da situação ele não compreende situação ou porque ele é muito burro ou porque ele é doente ou porque ele é muito pobre ou porque ele é muito jovem ele tem algo a menos tá entendendo como por exemplo se vocês leram o processo do Kafka é característica narrativa irônica porque o sujeito não entende lhufas do que está alhe acontecendo não é isso muito bem por que que eu
citei isto aqui porque os modelos de narrativas Ficcionais são os modelos de vida possíveis as narrativas que nós podemos inventar vamos dizer são uma espécie de resumo das narrativas que nós podemos viver não é isso isso quer dizer que historicamente Nós também encontraremos esses cinco enredos E se nós vamos considerar as filosofias não como estruturas doutrinais prontas cer mas como ações humanas que se desenvolvem no tempo buscando ou Realizar ou impugnar ou subsi um projeto originário cada capítulo cada filosofia a os narrativa dos esforços de cada filósofo para fazer o que ele quer fazer também
est incluída dentro dessa tipologia entendeu e no que que essas esses modelos desses tipos de filosofia se distinguir conforme esta escala Hum então você em primeiríssimo Lugar você terá as filosofias que são diretamente vamos dizer uma expressão da sabedoria o que vamos dizer se entendem como Tais então evidentemente aí você terá doutrinas de tipo oracular ou Profético Deus falou pela boca do do filósofo não é isto mas em segundo lugar você terá vamos dizer o que nós vamos chamar as filosofias lendárias Tá certo são aquelas na qual Vamos dizer o filósofo teve vamos dizer uma
aproximação tão grande da sabedoria que algo dela aparece já direto na sua filosofia e este é exatamente o caso de Sócrates para Aristóteles eles estão muito próximos ainda tá certo de uma visão da sabedoria que que é como se quase estivessem tocando pelo menos eles próprios se entendiam assim e os que o cercavam Também tá certo então por exemplo Platão tinha plena consciência Tá certo de Possuir nele certos conhecimentos que ele mesmo não conseguiria explicar não é ISO muito menos escrever daí o famoso ensinamento oral ele existe uma parte do nosso conhecimento que não é
possível você registrar por escrito que só vai poder passar quase que pela presença física do filósofo não é isso e e são Justa e dizia ele esses são Justamente Essa é justamente a parte mais valiosa que faz ele ser um filósofo isso quer dizer que este tipo de filosofia que nós chamaremos a lendária Tá certo ela ela tem um certo lado que nós podemos até chamar iniciático porque é vamos dizer o ensino dela é uma transmissão direta Tá certo de algo que está para além do que você disse então conscientemente o filósofo que está nesta
faixa ele admite que uma Parte do que ele vai transmitir que não pode ser registrado por escrito e que De algum modo se transmitirá os seus discípulos um tipo de impregnação misteriosa mas que de fato existe não é isso como é que nós sabemos que existe eu digo mas é a coisa mais simples do mundo se você conhece uma pessoa mais sábia do que você o que que ela passa para você só o que ela disse passou milhões de coisas que você Sabe que existe mas à ve você não consegue nem dizer não é isso
então aí se entende então o ensino aprendizado da filosofia como uma experiência humana Real em seguida existe um outro tipo de filosofia que seria seguindo at A nomenclatura diremos que a filosofia imitativa elevada Tá certo então o filósofo já não tem mais vamos dizer aquela proximidade Ou aquele desejo intenso de uma sabedoria Vista ou entrevista como vamos dizer um objeto de conquista próximo tá certo mas pela sua qualidade ele se aproxima dela Hum em seguida temos um tipo de filosofia que já não tem mais referência à sabedoria Hum mas que é a discussão de problemas
nossos de todo dia Hum E tem uma filosofia que é a reflexão sobre sua própria Incapacidade reflexão da própria impotência cognitiva Hum isso existia em todas as épocas porém historicamente ao longo da nossa narrativa nós que os modelos mais baixos de filosofia alcançam certo prestígio nos últimos do séculos Hum e tendem de certo modo a dar o tom da época embora os outros tipos não desapareçam quer dizer nós não podemos Dizer que ah existe uma uma linha uniforme que vai desde a filosofia mítica e da lendar até a irônica não não tem isso certo existe
Tem época que você tem todas juntas tem é domina uma tem predomina a outra tá certo mas se nós vimos não a história da filosofia mas a história da Cultura em geral hiss é do do que as pessoas falam você verá que na preferência das épocas às vezes existe um destaque maior para uma para outra embora as outras continuem existindo Né então este então ser é o sentido que Sócrates Platão e Aristóteles viam na na sentença de Pitágoras e na autodefinição de p águas como amigo da sabedoria e o amante da sabedoria tá certo quando
chegar no último grau pode haver a rejeição da sabedoria po ha A negação de que ela exista Tá certo e pode haver a luta de vida e morte contra Ela não é isso então seria a forma vamos dizer de uma antifilosofia né Muito bem tá entendido até aqui então o primeiro componente do projeto socrático é esse fato de que Sócrates assume a autodefinição pitagórica Tá certo de amante da da sabedoria tá certo mas com isto nós ainda não definimos não não delineamos totalmente o projeto tá certo o projeto tem uma série de outras Características para
compreender essas características nós temos que entender que este projeto surge não do ar não Porque sim não porque Sócrates entendeu deu na cabeça dele de fazer isto não apareceu Porque sim mas apareceu em resposta vamos dizer uma situação humana bem definida essa situação pode ser descrita dizer pelos seguintes elementos que a compunham em primeiro lugar a Decomposição da religião grega tradicional na época de de de Platão por exemplo Platão se queixava de que naquela época Eles já não entendiam vamos dizer as narrativas antigas já não entendiam Homero quer dizer Homero já não era a fonte
original da Revelação Homero simplesmente registrou por escrito C certos elementos míticos que vinham de de muito longe Tá certo então Platão já se queixava de que esses escritos já tinham perdido Significação a pessoa não conseguiam atualizar o sentido deles então dizer com a decomposição dizer da religião grega surgem vários fenômenos dizer um dos fenômenos É vamos dizer a poesia lírica que hoje está se reunido na chamada antologia Greca Tá certo a poesia lírica é uma poesia de expressão individual Tá certo onde existe vamos dizer uma uma tentativa da parte de certos indivíduos Tá certo de
eh certas Realidades que estão para além do sensível e de algum modo registrá-las por escrito através da linguagem poética certo então sur poesia lírica como poesia de expressão individual o que não era o caso da poesia antiga de Homero de maneir alguma aquilo Homero ainda era uma poesia pedagógica certo para uso da coletividade um patrimônio da coletividade Quando surge a poesia lírica então ISO quer dizer que este senso V dizer da participação coletiva Né num num destino mítico já tinha desaparecido já tinha se desfeito Tá certo então parece que a as únicas a única possibilidade
de reencontrar um sentido mítico da existência estão agora recolhidas a intimidade dos indivíduos quer dizer a coletividade Perdeu esse de vista mas alguns indivíduos podem certo momento ter certas percepções Tá certo de um sentido da existência que eles tentam então expor poeticamente o Segundo fenômeno vamos dizer são seitas mais ou menos esotéricas e místicas Tá certo que procuram também vamos dizer em círculos pequenos né reencontrar vamos dizer algum tipo de de de visão ou de experiência do sentido da vida tá certo mas não num nível coletivamente válido mas válido só para eles só para quem
fizesse parte da seita tá certo o terceiro elemento componente era que eles já tinham alguns séculos de prática da retórica a retórica Era uma arte Muito desenvolvida já no tempo de Sócrates Tá certo e a retórica criava os meios de expressão verbal de modo que as pessoas pudessem vamos dizer dizer o que pensavam cer dizendo o que pensavam criavam a possibilidade de uma intercomunicação não é isso no entanto a retórica só se preocupava realmente com a expressão Tá certo e com a expressão persuasiva não é isso ó se não há expressão e não há expressão
Persuasiva então não há nem mesmo a possibilidade da discussão tá certo mas com todos os instrumentos né literários e e literários os oratórios e persuasivos criados por séculos de de de prática da retórica o que que acontecia acontecia que ao mesmo tempo havendo vamos dizer a decomposição da unidade religiosa mítica do povo tá certo havia ao mesmo tempo os instrumentos linguísticos prontos para que milhares de Experiências individuais ou grupais Independentes se expressassem e entrassem em confronto umas com as outras Tá certo se houvesse uma perda de unidade presta atenção porque isso aqui é fundamental se
houvesse uma perda de unidade do sentido da vida sem o concomitante desenvolvimento dos instrumentos expressivos Tá certo então a perda de unidade seria vivida apenas como uma Desorientação e cegueira e seria vivida quase que inconscientemente não sendo possível a pública em torno dela ão compreendo é o que acontece no Brasil hoje então a diferença entre nós e o os gregos da época de Sócrates nó não há efetivamente os instrumentos verbais de expressão as pessoas não conseguem dizer o que estão vendo o que estão sentindo quando se proc se expressar de algum modo não tendo instrumentos
para dizer efetivamente o Que estão vivenciando elas usam estereótipos aprendidos e acabam dizendo outra coisa tá entendendo Então não é possível a discussão pública tá certo mas na época de Sócrates havia a concomitância desses dois fatores e esses dois convidam de certo modo ao surgimento do do projeto filosófico porque por um lado havia uma grande confusão e desorientação a perda do sentido de unidade e por outro lado Havia uma imensa capacidade vamos dizer verbal pública tá comprendendo então quer dizer tá tudo armado para que você possa montar uma discussão porque cada um tá pensando um
negócio completamente diferente e eles são capazes de dizer o que estão pensando eh eu disse desses três fatores que havia a decomposição da religião grega surgimento da poesia Tá certo da poesia lírica surgimento das Seitas e vamos Dizer o desenvolvimento da retórica são quatro fatores existe um quinto fator que será decisivo que é o altíssimo desenvolvimento que estava sendo alcançado pela ciência geométrica Tá certo então a ciência geométrica dava vamos dizer a à cultura da época a certeza de que era possível obter um conhecimento certo exato e demonstrável a respeito de alguma coisa embora essa
coisa fosse pouquinha eram apenas Figuras geométricas Tá certo Sócrates cena justamente nesta nesta hora Tá certo e ele arrisca a possibilidade de que aquilo que se estava fazendo em geometria talvez se pudesse fazer para outros setores do conhecimento e se era possível fazer isto talvez fosse possível responder aqueles milhares de indagações aquelas milhares de indagações que estavam surgindo da decomposição da religião grega e da Proliferação dos discursos retóricos Tá certo então primeiro componente do projeto socrático a absorção da definição pitagórica compreendida tal como eu expliquei segundo componente a aposta na possibilidade do conhecimento demonstrativo apodíctico
científico não é isto como resposta às questões culturais do ambiente não é ISO terceiro Componente se há uma situação na qual vamos dizer a unidade da consciência social coletiva já se desfez então a iniciativa já não está mais nas mãos vamos dizer da sociedade e dos seus representantes oficiais mas nas mãos de indivíduos isolados que queiram se se apresentar para tentar resolver o problema não é isso então isso quer dizer que Sócrates Assume ao propor vamos dizer ao assumir a identidade de amante da sabedoria tá certo e ao apostar na possibilidade da existência de um
conhecimento apodíctico e demonstrativo Tá certo a respeito dos assuntos de discussão geral e ele assume a identidade do indivíduo que sabe algo que os outros não sabem hum claro que a gente vai precisar mais tarde acrescentar alguns outros fatores Que eram vamos dizer já estas investigações vamos dizer parcelares feitas pelos filósofos pré-socráticos tá certo mas note bem que eles não estavam os filósofos pré-socráticos eles ainda não estavam entrando no debate coletivo eles não estavam tentando resolver questões de interesse geral mas apenas ceros problemas que eles mesmos tinham colocado agora Sócrates não Sócrates vai discutir coisas
que as pessoas queriam Saber as pessoas da da rua queriam saber o que que é a justiça o que que é o melhor estado o que que é o bem que que é o mal tá compreendendo então eram questões V dizer de interesse prático real pras pessoas agora quando anaximandro Tales perguntar de que que tudo é oposto eu digo pera aí certamente is não é um debate público não é isso é uma questão que um cientista um homem de ciência colocou para ele mesmo então um Investigador colocou para ele mesmo tentou responder tá certo então
por isto mesmo vamos dizer estas todas essas investigações press socráticas por valiosas que sejam elas não adquirem maser a importância de um fenômeno de mutação histórica como é inventado por Sócrates Sócrates coloca à disposição de todo mundo uma possibilidade cognitiva que ninguém conhecia ninguém tinha pensado nisso não é isso Então e ademais vamos dizer todas as teorias dos pré-socráticos nenhuma delas foi provada era apenas uma verdadeiro achismo eu acho que é assim eu acho que é assado Tá certo então as filosofias pré-socráticas estão ainda dentro da clave retórica ou até poética você pode interpretá-las ou
como poetas l que estão expressando certas impressões ou como retóricos que T certas opiniões e diz eu acho que é assim e pronto tá acabado Me tenta ser persuasivo mas não É já não é isso que Sócrates está fazendo ele disse olha existe um jeito de você obter uma certeza muito maior era isso que ninguém tinha ideia sobretudo todo mundo tinha opinião todo mundo tinha tá certo o que não tinha vamos dizer é a via da certeza só tinha isso em geometria né mas você não pode com base da geometria você resolveu os problema do
estado da Moral da conduta etc realmente não pode Sócrates percebe que A maneira de você conduzir uma discussão em torno de alguma coisa é decisiva para o sucesso ou fracasso dessa discussão não o sucesso fracasso em persuadir o outro mas o sucesso fracasso em descobrir alguma coisa Tá certo então ele começa a crítica do discurso retórico que que é o discurso retórico é a opinião ele começa o exame crítico da opinião Tá certo então ele ensina que é possível você confrontar várias opiniões Que se contradizem umas à outras Tá certo e articular a a investigação
de tal modo que alguma coisa um pouco melhor do que as várias opiniões emitidas aparece e obtém imediatamente o Consenso de todos Tá certo então ele descobre a maneira de da discordância produzir uma concordância Tá certo em torno de algo que aparece como Evidente para todos não é isto ora pelo simples fato dele ter feito Isso ele nos permite definir de uma vez por todas Tá certo certos conteúdos que permanecerão n di inerentes ao próprio projeto filosófico ao longo dos tempos e as características poderão evidentemente ser impugnadas por não filósofos por antifilósofos por para filósofos
por meta filósofos pelo diabo entendeu então em primeiro lugar a filosofia tal como Sócrates entende é uma investigação feita pelo Indivíduo e pela qual ele consegue um nível de certeza maior do que a coletividade inteira tem veja que até então não se conhecia a ideia de nenhuma verdade a não ser aquela verdade que era reconhecida por toda a sociedade por enunciada pelos seus representantes qualificados Então quer dizer que com Sócrates aparece uma coisa que modifica não é o panorama da Grécia modifica o panorama Universal Surge um novo tipo de portador da Verdade que não é
o representante da coletividade não é o representante da sociedade tá certo mas é o indivíduo que sabe o que os outros não sabem e que não pode impor o que ele sabe a não ser a outro que Também saiba e que portanto seja detentor da mesmíssima autoridade dele isto é uma novidade radical na história humana entenderam e Esta possibilidade uma vez Enunciada e assumida por Sócrates que pagou com sua própria vida por isto não é isso ela reaparece geração após geração quer dizer Esta possibilidade é demonstrada sucessivamente por novos e novos e indivíduos que apostam
nessa possibilidade a realiz às vezes sendo punidos por isto e às vezes sendo recompensados por ISO conforme n a maneira que o meio entorno receba isto Certo no caso de sóc até natural que o meio reagisse com uma certa violência porque a coisa era muito esquisita note bem que a palavra é verdade ela tem basicamente três acepções A primeira é a verdade de um testemunho e é uma verdade colocada no passado isso é eu dou testemunho do que eu vi então Digamos que esse é o sentido jurídico da Palavra verdade não é isto agora existe
um outro sentido da palavra verdade que é a verdade voltada para o futuro quer dier quandoo promete e cumpre então ele é confiável se ele diz a verdade com respeito ao passado ele deve ser confiado confiável com relação ao futuro se ele contou a coisa realmente como ele viu então o o que ele prometeu Muito provavelmente ele vai cumprir tá Certo mas Sócrates entra ali com a ideia da Verdade teorética oit que diz que 2 + 2 é 4 quer dizer a verdade exatamente o tipo de verdade que aparece na geometria o sujeito que diz
que a soma dos quadrados dos catetos dá o quadrado da hipotenusa hum ele não está nem relatando no passado nem prometendo uma coisa pro Futuro ele tá anunciando um tipo de verdade que é supratemporal Não é isto e nós podemos entender que até este momento em que Sócrates di personifica esse novo tipo de de verdade ele era desconhecido só era conhecido na geometria mas os próprios geômetras evidentemente não tinham se dado conta da tremenda importância do que eles tinham descoberto ora a verdade que se afirma como dizer como testemunho e como fidelidade como Confiabilidade tá
certo é o tipo da verdade que se personifica numa autoridade coletiva num governante ele é confiável porque nós sabemos a história dele e o que ele promete Ele cumpre então a verdade até então era compreendida mais como confi confiabilidade no testemunho Tá certo e fidelidade à promessa não é verdade teorética tá isso é verdade no sentido jurídico ou Profético não é isso então isso quer dizer que se a noção de verdade era assim a de falsidade não era falsidade teorética mas mas era a ideia de mentira ou de falsa promessa então ISO quer dizer que
a verdade era a verdade da comunidade que confiava em certas pessoas porque conhecia o seu passado e confiava no que eles podiam dizer no futuro e a Falsidade era o sujeito que rompia o Pacto tá compreendendo agora o tipo de verdade que Sócrates está falando escapa completamente dessa clave E como é que você vai explicar a verdade teorética o 2 + 2 é 4 Tá certo em termos de confiabilidade Tá certo ou de de falsa promessa não não enquadra de jeito nenhum tá certo isso quer dizer existe estudos maravilhosos do Eric ver sobre isso aí
que até um certo ponto da história humana a ideia de verdade estava identificada com a Própria confiabilidade da coletividade humana personificada no seu chefe ou governante então aquele que se opõe ao chefe ou governante Tá certo não era confiável portanto era mentiroso é o cara que está fora do pacto tá comprando e agora Sócrates descobre um tipo de verdade que não depende absolutamente da confiabilidade dele hum ou seja mesmo se que ele fosse O maior salafrario da Paróquia ou mesmo que todos os geômetras fossem salafras o quadrado catetos continua a soma do quadrado do cateto
continua dando o quadrado da hipotenusa então é di uma uma verdade que independe da sua vontade ou da sua confiabilidade é uma verdade que você só tem que conhecer admitir e obedecer porque agora você já sabe que 2 + 2 é 4 você não pode mais dizer que 2 é 2 2 mais do é é C e que sendo Independente da sua vontade ou da sua decisão também é independentemente é independente da confiabilidade do Chefe a ideia vamos dizer da Verdade demonstrativa e apodítica ela aparece realmente com a geometria quer dizer aquele negócio fala Não
tem escapatória é assim mesmo não havia nenhuma outra ciência eficientemente desenvolvida para dar este modelo e sóc a única coisa que ele Faz é extrapolar isso para outros domínios é di o mesmo tipo de confiabilidade com certos limites É claro é possível alcançar em outros domínios acontece que a partir do momento que você faz isso você é o portador e o enunciador de uma verdade que embora Seja superior a toda a coletividade ela só aparece para quem a percebeu Então essa é situação paradoxal do Filósofo que faz com que por um lado ele tenha autoridade
de quem sabe por outro lado não tem autoridade nenhuma porque essa autoridade só vale para quem sabe também e que portanto compartilha da mesma autoridade como é que se transmitia até então vamos dizer as verdades socialmente admitidas por simples repetição por pregação mas a nova verdade já não pode Ser transmitida assim porque ela nada tem a ver com a auto imposição de uma autoridade mas ela tem a ver com a conquista de uma autoridade por aquele que está recebendo ensino tá compreendendo quando o chefe te dá uma ordem você não se torna chefe você PR
da ordem obedece mas nem por isso você se torna chefe não é isto mas se eu tenho o conhecimento filosófico que eu transmito a você e Você absorve você é filósofo daí a necessidade do Diálogo Hã Porque não se trata de um ensino magisterial no qual o indivíduo vai poder te dar uma verdade pronta digo mas dentro da Verdade pronta você não vai entender nada se você não fizer os Passos dialéticos ou lógicos necessários você não vai entender se você fez Então agora você compreende que do mais do qu mas não é porque eu falei
é porque você Mesmo compreendeu tá entendendo então iso é que é a autoridade paradoxal do filósofo e só é o primeiro que encarna com plena consciência mas Note que esta situação já havia sido antecipada no teatro grego hum no teatro grego aparecem muitas situações em que um determinado indivíduo percebe para além das leis que a sua comunidade admite certas leis não escritas de ordem Divina Hum como é o caso de antigona que discute com o governante dizend pera existem leis que estão acima daquelas que você representa mas com que autoridade ela diz isto com a
autoridade de quem percebeu isto e o outro vai aceitar a autoridade dela só se ele perceber também senão não estão compreendendo e como é que se transmite Então esta autoridade é pela discussão Tá Certo discussão que exerce uma função agora similar a da retórica mas com um tipo de retórica dupla que tem que vamos dizer ser complementada pela participação do outro lado ou seja uma dupla retórica um discurso duplo um que vem e outro que vai tá comprendendo e é por isso chama dialética tem uma confrontação de dois discursos isso quer dizer que os dois
lados de uma disputa dialética de uma disputa retórica são absorvidos na Dialética não é isso eh então isso quer dizer que o teatro grego já tinha obscuramente entrevisto a possibilidade de às vezes um indivíduo Tá certo falar em nome de uma autoridade que transcende a autoridade da sociedade mas que a sociedade não é obrigada a aceitar tá comprendendo quer dizer esta esta problemática vamos dizer do do a autoridade inerente D da Verdade tá certo mas que só aparece num portador que não é socialmente reconhecido como Tal já tinha aparecido no teatro grego ora isso quer
dizer que a sociedade grega através do teatro estava de certo modo preparada para estas situações você v que o teatro grego não era só teatro como nós o teatro tinha uma função Cívica e qual era a função cívica dele é lembrar a coletividade a possibilidade desse tipo de verdade que transcende a própria autoridade que promove o próprio espetáculo Teatral hum por isto mesmo às vezes aparece no teatro grego o inimigo isso é o representando da Nação inimiga aparece como herói trágico e vendo o destino trágico do inimigo os gregos vão chorar e lamentar a morte
daquele às vezes aparece também vamos dizer a eh H uma peça de es que agora até esqueci qual é é o suplicantes Em que dois camaradas estão fugindo de um um país e vão parar lá numa ilha e pedem asilo né pedem pro rei o rei quer dar asilo para ele mas de repente ele pensa esa aí mas se eu do asilo para vocês eu tô arrumando uma guerra com o outro lá então eu não posso não posso tomar essa decisão assim sozinho Tá certo então ele tem que se dirigir a assembleia porque a lei
do local impede que ele assuma compromisso que possam colocar a nação em perigo de Guerra Não É isso mas o que que eles alegam fal não existem leis que estão Acima das leis da sua da sua Pátria Tá certo então vamos dizer o dever de você socorrer uma pessoa que tá sendo perseguida está acima disso aí e o rei então ele se dirige à Assembleia e mediante um bem articulado discurso ele consegue fazer a assembleia ver que de fato existe aquelas leis que estão Acima das leis da própria nação e eles aceitam Então receber os
os exilados porém não é garantido que eles o fizessem Tá certo Quer dizer o rei representa eal personifica a lei da comunidade por uma coincidência por uma felicidade ele aceitou a argumentação dos suplicantes e por uma felicidade também a assembleia aceita tá mas pod não aceitar Tá certo então essas leis que embora sejam verdadeiras você pode aceitar ou pode não aceitar iso é o conteúdo da Sabedoria Olha quando quando Aristóteles definiu o homem como animal racional Tá certo ele já colocou todo este problema ali que racionalmente falando Claro você tem que aceitar vamos dizer a
a dedução extraída dizer da da do elemento de Sabedoria que você percebeu você percebeu que existe uma lei superior Tá certo então você tem que obedecê-la Mas acontece que você não é só um elemento racional você é animal você quer sobreviver também né né E você agir contra a sua sobrevivência também seria irracional então este é um conflito inerente à própria razão de algum modo tá entendendo por isso que será uma burrice descomunal quando no século XX a escola de Frankfurt diz dizer que a razão sempre tem algo a ver com a autoconservação não às
vezes tem com a autoconservação às vezes é o contrário dela H E no caso o teatro grego ilustra isso claramente Onde vamos dizer a Lei superior vamos dizer contradiz a sua o seu desejo de autoconservação e te obriga ao martirio isso no cristianismo se esclarecerá mais ainda tá compreendendo mas o teatro grego já tinha mais ou menos enunciado isso o próprio Sócrates de quem acontece que a vida de Sócrates Personifica a situação do Herói trágico então aí não é teatro mais o teatro virou verdade e justamente nessa hora acaba o teatro grego tá ou seja
o teatro tinha servido durante um certo tempo para equilibrar as relações entre a coletividade e o Cosmos maior com as leis eternas que o governo mas chega um momento em que o teatro não funciona mais e aquilo vira realidade e a Tragédia vamos dizer se manifesta na vida de Sócrates e o homem que enuncia a lei maior é morto pela pela coletividade de fato então Isso evidentemente é uma mutação histórica absolutamente formidável não é ISO então aquele homem que morre ele é vamos dizer o porta-voz de uma lei que governa a própria sociedade que tá
acima dela mas que a sociedade não é obrigada a Reconhecer Então vamos dizer esta esta tensão Tá certo entre qu dizer a verdade da comunidade e a verdade Universal esta não tem solução entendeu Você vai ao longo da história da filosofia você verá toda a Gama de possibilidades de ajuste entre as duas e nenhum ajuste vamos dizer eh Chega a uma a um acordo final não pode chegar a um acordo final tá certo por quê Por um lado o homem é um animal vivente Tá certo que Vive no tempo tá certo e que tem cuidar
da sua subsistência vamos dizer eh corporal ele tem que fazer isso também é obrigação dele tá certo e por outro lado ele pode se colocar de tal modo contra vamos dizer as leis universais ou contra a sabedoria não é isso que entra num conflito insolúvel porque quando você aceita vamos dizer a autoridade do governante você não precisa entendê-la você simplesmente confia não é isto se você entendesse e Assimilar completamente virar você o governante Se você soubesse o segredo do o governante você seria o governante né quando você obedece o governante isso não se transforma em
governante mas quando você aprende com filósofo isso te torna filósofo tá entendendo então mesmo que o filósofo tivesse vamos dizer o conhecimento conhecimento extensíssimos das leis não escritas não haveria nenhum meio dele impô-la Hum a não ser que junto com a autoridade de filósofo ele tivesse autoridade de governante também não é isso mas ele teria que se impor Por meios de governante e as pessoas continuariam não entender nada que ele fez esta é a situação da autoridade Profética O Profeta é umito que tem um conhecimento das leis não escritas e tem ao mesmo tempo autoridade
governante Hum então as pessoas obedecem certo mas não é por causa do segredo que eles sabe Porque eles não entendendo lufas é porque el também tem um outro tipo de autoridade que é pura confiabilidade na hora que Moisés dis olha vamos atravessar o mar vermelho que essa porcaria vai abrir as pessoas se perguntasse mas como é que você sabe disso e Moisés tivesse que dar todo um curso de teologia ó Foi assim para eles não teri atravessado o mar vermelho até hoje tá entendendo mas é que ele então Vem com a autoridade também de governante
as pessoas Confiam nele mas nem sabem por quê então quer dizer que o governante pode se impor Por meios irracionais mas o filósofo não tá entendendo quando no século XVI surge a ideia de que os filósofos Porque eles sabem isso ou mais aquilo eles têm o direito de mandar na sociedade de reformar a sociedade né Essa é ideia maligna que tá matando gente há 2is Milênios dois séculos entendeu porque os caras estão confundindo um tipo de autoridade com outro Platão chegou a acreditar nisto se nós temos o conhecimento nós temos que mandar só que acontece
que ele tentou mandar e quem foi que obedeceu ninguém ele tentou fazer uma revolução lá no país vizinho foi preso e vendido como escravo foi esse que deu tá certo Quer dizer então talm não fosse o h muito sábio não porque Sócrates já tinha Entendido que ele ia sair muito mal e que isto estava na natureza das coisas e Aristóteles sempre fugiu da Tentação da política Tá certo e eh sempre se Manteve à margem Tá certo e nunca disputou o poder Então eu acho que esses dois mas dier mas aí você tem uma dialética entre
Sócrates Platão e Aristóteles né quer dizer Sócrates de certo modo ele realiza um dos extremos da da da da vocação filosófica que é ser portador na verdade que Ninguém entende e que ninguém aceita embora seja seja certo tá certo então eles viram um herói trágico e Platão tenta realizar o outro lado quer dizer ele tenta impor à comunidade a lei cósmica ou a lei universal não é ISO também Isto também é uma tensão que não tem sol porque você eh não tem nem sentido você por que você percebeu aquela a lei universal sabe que ninguém
vai aceitar você ficar quieto Não falar nada para ninguém não tem o menor sentido Tá certo e por outro lado também não tem sentido você porque você sabe ler Universal se impor a todo mundo tem que ter um meio termo um lado tensional onde o filósofo realiza a sua vocação de ensinar e de certo modo de dirigir mas sem reivindicar para si a autoridade coletiva Você tá entendendo quer dizer quando eh Aristóteles por exemplo Aristóteles ensina um governante mas ele Não tenta ser o governante então dar um pon de Equilíbrio Entre esses dois lados tá
ent aí você tem uma uma nítida dialética Tá certo Quer dizer o filósofo mártir o filósofo líder e governante Tá certo e o filósofo como professor da sua comunidade como orientador mas não como chefe eu não sou por isso eu não sou um grande Admirador de Platão Eu acho esse erro tão monumental quer dizer você além do conhecimento da lei universal você Precisar ter autoridade para isso como é que ele não percebeu que ele não tinha Hum porque Moisés tinha Maomé tinha não é isso então às vezes vem com aquela autoridade avassaladora e junta ali
12 caras dis ó nós vamos fazer isso e mais isso mas isso para aquilo parece uma loucura o jeito faz e sai tudo exatamente do jeito que ele disse quando você pensa que Moisés tá sendo obedecido há 5500 anos eu digo o poder é isso o resto é conversa né agora Não nós vamos fazer aqui a sociedade a Revolução Francesa e tal inventa aquele negócio todo 10 anos depois acabou tudo que começa criando uma república né Daqui a pouco virou o império chegou chamar Napoleão Bonaparte apagou tudo di vocês não mandam nada vocês Mataram um
monte de gente mas ninguém obedeceu vocês não é isso eh o Hitler fazer o Raj que vai durar 1000 anos durou 12 ele terminou no vexame desgraçado falei isso não é poder poder é a continuidade Da deu a ordem P continua obedecendo meu Deus do céu então a autoridade Profética é verdadeiro é o único verdadeiro poder humano que existe e eu creio que o grande mistério da história é o mistério da autoridade Profética e que se não estudar Isso não vai entender nada agora o eh com a cabeça dess sociologos ou Historiador de hoje você
não vai entender coisa nenhuma o projeto socrático então tem Essas características existenciais que eu expliquei até agora mas tem algumas características lógicas internas Tá certo que são as seguintes primeiro o que a geometria havia demonstrado é que é possível você trazer todo o raciocínio humano para uma confrontação com certas evidências primárias que o legitimam ou o derrubam então isso quer dizer que se você sabe o que é um Quadrado se você tem a intuição do que é um quadrado você mostrando um quadrado você capaz de reconhecer esta intuição da qual se expressa a definição do
quadrado que a definição Não será nada mais do que a expressão verbal de um conteúdo evidente que foi conhecido imediatamente por intuição eh se você então sabe o que é um quadrado e conhe e é capaz de expressar sua definição você pode confrontar com Essa definição milhões de coisas que você pense sobre as propriedades do quadrado e elas à luz dessa intuição Inicial se demonstrarão falsas ou verdadeiras então a primeira condição para que seja possível qu dizer o projeto socrático é que exista algum tipo de conhecimento que seja Auto Evidente e que portanto possa servir
vamos dizer de pedra de toque para Julgar todos os demais não é isto então por exemplo se o indivíduo no curso de uma discussão ele afirma certas coisas e dessa coisa dessas mesmas coisas que que ele afirmou ele tira conclusões que desmentem essas mesmas coisas tá certo ele nem falou nem não falou ele nem diz nem não disse Ele apagou o que disse tá certo Como é que você sabe disso né É porque você quando ao longo do Raciocínio você repete a mesma frase que você já enunciou Anes você a reconhece senão você não perceberia
que você mesmo desmentiu o que disse então essa capacidade de reconhecimento de algo que já foi intuído ou seja você percebeu uma certa coisa e anunciou aquilo quando no curso da discussão aquilo volta você reconhece Então essas são as duas condições principais para que seja possível o Progresso o projeto socrático de chegar a um conhecimento através da confrontação dos discursos a confrontação dos discursos Vale porque nós somos capazes de alguns tipos de conhecimento embora limitado que são alto evidentes e esses conhecimentos al evidentes eles servem de pedra de toque ou de critério para você joggar
os demais então em princípio todo ser Humano seria capaz por exemplo de traçar um quadrado e vendo que você cortando o quadrado na diagonal dá sempre dois triângulos ró qualquer um que faça a mesma coisa chegará exatamente a mesma ao mesmo resultado Tá certo eh qualquer um é capaz de distinguir uma reta de uma curva é capaz de distinguir um um triângulo de um losango Tá certo em suma todo mundo é capaz de certos Conhecimentos elementares e autoevidentes que infelizmente não resolvem todos os problemas porque mai parte das coisas nós não podemos conhecer por evidência
direta mas que servem mas é como medida de aferição para você legitimar ou impugnar os outros conhecimentos que você acha que tem então essa noção de evidência ela evidentemente é Central em todo o projeto socrático porque quando ele Discute com as pessoas ele está o tempo todo apostando na capacidade que eles têm de reconhecer certas Evidências não é isso por exemplo de perceber uma contradição ou uma igualdade perceber uma diferença ou uma semelhança uma identidade ou uma diferença todos são capazes disso se não fosse a discussão seria absolutamente e inqua tá certo Ora esta noção
de evidência ela continuará sendo aprimorada e discutida Até hoje tá certo mas ela já está presente na primeira formulação do projeto isso quer dizer que continuamente os filósofos farão apelo a essas evidências imediatas que todo mundo conhece muitos deles farão também a crítica dessas evidências mostrando que algumas talvez não sejam tão evidentes assim tá certo ou seja coisa que lhe pareceram evidências intuitivas Na verdade são conclusões de outros Raciocínios e portanto existem outras evidências mais primárias e mais profundas que as embasam isso tudo pode acontecer tá certo mas ainda que imperfeitamente formulado a noção de
evidência está presente no no projeto socrático e essa seria dizer a primeira condição de um conhecimento firme obtido Por meios discursivos e por meio da crítica e análise do Discurso ou dos vários discursos se houvesse 10 ou 15 ou 20 discursos se nós quiséssemos confrontá-los nós vamos confrontar em nome do quê tem que ter algum critério este critério seria justamente o conhecimento de certas evidências que são de ordem imediata isso quer dizer que se todo o mundo do conhecimento humano pudesse resolv na base da evidência não não haveria discussão mas é que tem certas coisas
que são evidentes mas essas coisas lamentavelmente são poucas e são muito Simples não é ISO e em torno dela nós delas nós construímos hipóteses teorias opiniões etc etc que vão nos levar para muito longe da possibilidade de uma eh resolução pela simples evidência imediata então para trazer de volta esta parafernália verbal até a confrontação você requer uma técnica e essa técnica é dialética de Sócrates ISO quer dizer que por trás das opiniões e das teorias ele busca o quê os Fundamentos lógicos delas cada vez mais simples mais simples mais simples mais simples Até que possam
ser confrontados com uma evidência imediata que as confirmará ou as impugnará Tá certo então o que só que se faz no fundo é criar uma técnica de trazer o discursivo de volta ao intuitivo intuitivo sendo e alto Evidente mas quer dizer ele preme o discurso confronta vai simplifica buscando sempre o que está pressuposto Na base do bom você diz a para você dizer a é prel que você também acredite em b e para que acredita em b n que acredite em se e vai vai vai recuando Tá certo até chegar em algo que possa ser
imediatamente confrontado com a evidência tá compreendendo muito bem mas a existência de um conhecimento autoevidente sobre a qual muitos filósofos voltarão a discutir ao longo do Tempo é apenas uma das condições outra condição é que você seja capaz de repetir a percepção da mesma evidência e a reconheça como mesma Então por no caso do quadrado você fez um quadrado e cortou na diagonal obteve dois triângulos isóceles depois você faz a mesma coisa hum é necessário que você saiba que é exatamente a mesma relação que está aparecendo e não uma simples Coincidência ora esta capacidade de
reconhecer o mesmo que nós no dia a dia usamos o tempo todo no fundo no fundo é um tremendo mistério não é isso porque como dizer eráclito nós nunca nos banhamos duas vezes no mesmo rio não é isso então como sabemos que não é o mesmo rio não é isso é porque algo nele diz que é o mesmo Rio e algo diz que não é mais o Mesmo se não houvesse esta possibilidade de você perceber o mesmo você também não perceberia o outro não é isto Então embora nós vivamos dentro de um fluxo temporal que
nunca para tempo nunca volta para trás Nenhum de nós nunca ficou mais jovem não é isso nem vai ficar embora o tempo fuja irreparavelmente né fuge Irreparável tempos tem algumas coisas que quando se apresenta você diz é o mesmo não mudou não é isso se não fosse isso nem mesmo o fluxo do tempo nós poderíamos perceber este mistério e que é evidentemente um mistério ele será retomado por vários filósofos e muitos até fugirão desse problema porque é cabelud dissimo Tá certo e no século se tornará um dos polos centrais de de discussão quando vier A
fenomenologia de Russa tá certo mas evidente que eu posso dizer que esses essas discussões que vieram com A fenomenologia de russ estavam de algum modo já em semente dentro do projeto socrático mas não estavam totalmente explicitados e estavam colocados ali quase de uma maneira rudimentar não é isto mas a primeira condição então é a existência do conhecimento Evidente segundo a Repetição da evidência ou seja o reconhecimento do mesmo objeto como mesmo não é isso porém além de existir esta evidência a qual valida o conhecimento quer dier evidência é o modo de validação do conhecimento para
que daí nós tiremos algum instrumento útil para vamos dizer a arbitragem das discussões É necessário uma outra condição é necessário que algo da Validade desta evidência primária possa ser transferida ao discurso através de um negócio chamado prova quando você prova alguma coisa tá certo o que que você fez você fez uma certa montagem discursiva que você fez ser validada em razão de alguma evidência primária que a sustenta mas para que uma coisa possa ser provada a partir de outra então é necessário que essa outra de algum modo lhe transfira a sua validade ou a sua
Veracidade não é ISO então é necessário que exista por um lado a evidência e outro lado que existe a possibilidade da prova que que é a prova é a transferência de veracidade da evidência para uma coisa que não era Evidente N é isso e é isso continuamente O que Sócrates nas suas confrontações Ele busca a ligação entre a estrutura discursiva a estrutura dos argumentos e A evidência primária que está por trás delas ou não está porque se não tiver então não vale nada tá certo então quer dizer você você tem em primeiro lugar então como
condição para esse tipo de conhecimento que Sócrates busca a existência da evidência segundo a existência da prova ou seja o discurso coerente não é isto mas é necessário que exista também um nexo entre a evidência e a prova não é Istoo b intuitivo e o conhecimento da prova é discursivo não é isto então aqui temos de um lado a evidência do outro lado temos a prova e sabemos que existe um nexo entre evidência e a prova Porém esse nexo por sua vez é discursivo ou é intuitivo hum ele é autoevidente ou ele é provado se
ele for um nexo discursivo ele necessita de uma prova e esta por Sua vez necessitará de outra prova de outra outra prova de outra prova de Out a prova até que se chegue a uma evidência primária então isso quer dizer que a o que valida uma prova por mais longa que ela seja é o nexo entre a evidência primária e a conclusão última mas estee nexo por sua vez tem que ser intuitivo e não discursiva porque senão ele dependeria de uma outra prova e assim por diante Tá entendendo Então quando você acompanha um raciocínio Tá
certo uma longa demonstração o geométrico lógico etc etc aparentemente você está com uma atividade puramente discursiva puramente racional puramente lógica e não intuitiva não é isso mas acontece que a percepção do nexo entre uma premissa e uma conclusão não é o nexo lógico intuitivo Por exemplo quando você pega um silogismo qualquer famoso Todo homem É mortal Sócrates é homem logo Sócrates é mortal hum aí é um nexo entre todo homem é mortal logo Sócrates é mortal não é isso que tipo de Nexo é esse é um nexo puramente lógico todos os manuais do mundo eles
é o nexo puramente Lógico eu não iso é o nexo intuitivo porque todos quer dizer cada um Ou seja a a forma do raciocínio Lógica é só é válida porque o nexo vamos dizer das premissas a consequência é o nexo intuitivamente válido senão ele precisaria de outra prova e outra prova e outra prova outra prova é assim Não valeria nada isso quer dizer que se a noção de evidência é perdida o edifício lógico inteiro não vale nada porque ele não passa de uma transferência de Veracidade de algo que é evidente para algo que não era
Evidente mas que se torna Evidente através do instrumento do discurso Isso quer dizer claramente o seguinte não existe nenhum conhecimento discursivo Só existe conhecimento intuitivo hum o discurso é apenas Tá certo uma maneira Tá certo de colocar você numa posição desde a qual certas evidências lhe apareçam é uma maneira de mostrar a Evidência por trás daquilo que não parecia Evidente mas quando eu digo todo homem é mortal e digo Sócrates é mortal eu estou dizendo duas coisas não estou dizendo exatamente a mesma Hum porque todos é a mesma coisa que cada um então dizer Parece
que eu estou obtendo esta conclusão por um meio muito Diferente daquele pelo qual obtenho a evidência primária mas não é não Esso é só uma aparência então quando mais tarde eh muito mais tarde Surgiu uma uma oposição irredutível entre conhecimento racional e intuitivo Como existe em Ron por exemplo Tá certo isso acontecerá já num estado de eh avançado apodrecimento do do projeto filosófico Originário o projeto socrático é o de trazer tudo de volta à evidência quer dizer aquilo que não puder ser validado como conhecimento autoevidente você simplesmente não sabe você conhece aquilo como quem conhece
um problema ou uma interrogação mas não uma certeza então aí surgirá to problema dos graus de certeza que Aristóteles vai tratar tão brilhantemente tá certo mas vamos dizer um conhecimento Quando você conhece uma coisa só probabilisticamente tá certo isso quer dizer que você não a conhece efetivamente você só a conhece também probabilisticamente não é isso agora o conhecimento da probabilidade ele por si mesmo pode ser apodíctico hum não se pode confundir o que que é a compreensão do discurso com o que que é a estrutura do discurso materialmente considerada e as pessoas confundem Isto dier
vamos dizer um um algoritmo uma sequência aqui de de de raciocínios e combinações possíveis eu digo bom ele existe vamos dizer materialmente tá certo mas ele só se torna verdadeiro Tá certo quando o ato intuitivo para compreendê-lo é efetivado fora disso não tem sentido você falar em verdade juízo é o Ato da consciência pelo qual você intelige algo e você Concorda ou discorda eu digo um quadrado tem quatro lados Conta aí contou percebeu que tem quatro lados Hum então nós temos aí três o enunciado de uma proposição dessa implica uma convivência de três níveis de
realidade primeiro o quadrado considerado em si mesmo hum enquanto uma figura objetivamente existente que tem lá as suas propriedades não é isso segundo nível é A proposição geométrica que diz que um quadrado tem quatro lados Hum e terceiro é o ato do juízo pelo qual percebo que a verdade do objeto está refletida nesta proposição mas a proposição em si mesma não é nem verdadeira nem falsa verdadeiro é a propriedade do quadrado Hum E é o juízo isso é o ato intelectivo pelo qual eu admito que tem quatro lados mas a proposição materialmente Considerada um quadrado
tem quatro lados essa proposição em si não é verdadeira nem falsa porque ela não tem não tem a função da proposição não é ser verdadeiro ou ser falso a função da proposição é enunciar materialmente o juízo verdadeiro a respeito de um objeto verdadeiro o objeto é verdadeiro e o juízo é verdadeiro e a proposição a proposição é somente a cola entre eles pô agora todo O pessoal da lógica matemática Acredita que existe proposições verdadeiras di você dizer proposição verdadeira é uma elipse a figura de linguagem hum proposição verdadeira quer dizer apenas a proposição que corretamente
interpretada resulta num ato de juízo que capta verdadeiramente aquilo que é verdade a respeito do seu obj objeto ou se proposição verdadeira é é uma elipse você saltou tudo isto agora então é a Figura de linguagem quando você R num figura de linguagem certamente você vai se confundir depois só existe verdade em dois lugares existe verdade na realidade né e na consciência humana que a percebe na proposição na doutrina fal não existe nenhuma doutrina verdadeira meu filho nã a doutrina dizer tá aqui a doutrina verdadeira só que você leu você entendeu errado a doutrina será
verdadeira Eliptic gente dizemos que a doutrina é verdadeira quando devidamente compreendida ela faz você ter um juízo verdadeiro a respeito de um objeto que é verdadeiramente do jeito que você tá pensando mas a doutrina em si não pode ser verdadeira nem falsa tá entendendo a doutrina apenas uma cola um tubo que conecta duas coisas ende quer dizer é o fio do telefone pelo qual uma Consciência Humana vivente real se comunica com uma Verdade vivente real agora você acha que a verdade está na proposição né É você achar que os fios de telefone se comunicam entre
si um Telefona para outro não é macaqui isso aí é coisa de uma de um primarismo absolutamente imperdoável no entanto Isto é um primarismo Universal a grande lição de Sócrates é a modeste a humildade dos jeitos Olha que sabe que embora aquilo que ele esteja dizendo seja universalmente válido ele não pode Impor aquilo a ninguém o máximo que ele pode dizer diz olha meu filho é da sua mais alta conveniência que você Concorde comigo é melhor para você é bom para você você vai ser mais feliz e você vai ter mais chance até de sucesso
na vida mas se você não quiser se você quiser me matar só porque eu disse isso você vai fazer isso então a história tá cheia desse dessas ocasiões a aparece um filósofo dá bons conselhos ET ninguém aceita mata o Cara ou fazem ouvido de de mercador depois acontece tudo do jeito que ele falou as pessoas se Ferram ent Elo mesmo assim enquanto não dão não dão braço torcer ISO quer dizer que se não houvesse a possibilidade da negação radical da Verdade tá entendendo da recusa do não também não haveria nada disso aqui agora muitos filósofos
quiseram vamos dizer fazer da vand da certeza apodítica Né um elemento de defesa contra a incerteza da própria existência e não é isto quer dizer somar V diz a autoridade do filósofo o poder do do governante ouz até o poder de Deus aquele pessoal da Revolução Francesa era isso eles achavam que como eles tinham a verdade racional Universal tinha que ter o poder divino daí o Sen caiu mais baixo ainda do que os burros que não aceitavam a autoridade Filosófica a primeira coisa se você quer a verdade tá certo é você saber o seguinte ela
é boa para você ela te fala bem ela é amável Ela é simpática ela te faz bem tá certo mas você não vai conseguir impor ela a ninguém hum você aceita isso então você tá maduro para ser um filósofo então V dizer a função do filósofo não é fazer acontecer nada tá entendu é simplesmente tentar adquirir a Sabedoria e transmiti-la a quem queira se você não quiser você para na mesma hora porque veja a diferença entre quem obedece a um chefe e quem aprende com o filósofo é também uma diferença radical não é isso o
cabo que obedece ao capitão não vira Capitão não é isso mas o aluno que aprende com filósofo vira filósofo Então são são situações bastante bastante diferentes tanto para aquele que emite quanto para aquele que recebe E misturar as duas coisas ao mesmo tempo dig bom Só se você for um profeta rador você então você é Maomé você é Moisés você é Jesus Cristo com o advento do cristianismo depois você verá que no Advento do cristianismo O Mistério de Sócrates se esclarece de uma maneira que o próprio Sócrates não sabia é que é o mistério do
logos encarnado a sabedoria encarnada né não é Que ele é vamos dizer apenas um filósofo alm que sabe não ele é o próprio Logos é a própria sabedoria né que aparece não como conteúdo de consciência mas como presença humana carne e osso não é isso esse é outro é outro mistério né o maior de todos então é evidente que a partir do momento em que vamos dizer a vida de Sócrates manifesta uma possibilidade que o teatro grego tinha Enunciado o teatro grego acaba não é isso e ele só poderia se refazer e a trab completamente
diferente não é isso porque daí já não seria um um teatro mitológico mas um teatro histórico olha aconteceu realmente di você vai encenar aqui o julgamento e mor de Sócrates né Então você já sabe que aquilo não é uma possibilidade hipotética mas alo que realmente aconteceu e a partir do momento em que acontece a revelação Cristã quer dizer você tem o fato ali do do verbo encarnado a situação da Filosofia também muda né certo então isso vai criar vamos dizer uma e vamos dizer para a filosofia reencontrar no ocidente reencontrar o seu caminho depois disso
passa-se 100 anos tá entendendo quer dizer que o o onde o fenômeno da própria sabedoria o Logos estar encarnado como gente e não como Discurso não é isso de imediato parece invalidar a própria tornar desnecessário a própria a própria atividade filosófica mas não a torna desnecessário apenas suspende por um tempo atenua mas com o tempo isso se torna necessário de novo não é isso mas muito bem vamos terminar só de enunciar aqui nós vimos que tem primeira condição a evidência Tá certo segundo a possibilidade da prova terceiro o nexo entre evidência e prova Nexo que
por sua vez é intuitivo não é isso então este é o conteúdo do projeto socrático quem quiser entrar nessa aventura daí para diante será dito filósofo Hum quem quiser dizer bom mas não é bem assim tem que modificar um pouquinho também pode ser um filósofo ou pode ser um antif filósofo não é isto se você entra na história depois mais tarde como Tertuliano depois do logos encarnado e Olha acabou toda esse negócio de filosofia Cala a boca burro porque a situação que você estava vivendo como discurso Agora não é mais discurso agora é a realidade
Então você também fará parte da história da filosofia Tá certo como alguém que julgou que o projeto era dispensável Tá certo porém mais tarde dentro do próprio contexto Cristão será necessário retomar o Projeto então são esses percalços que constam é desses percalços que consiste a história da filosofia você entende porque que eu digo que contada assim ela tem unidade Mas é uma unidade conflituosa uma unidade dramática né é a unidade de um drama e não de um simples eh silogismo porque Hegel via o conjunto da história da filosofia como uma longa demonstração de um silogismo
como se fosse quer dizer um conteúdo único que está se explicitando bom não é esse tipo De unidade que nós vamos mostrar é a nossa humanidade narrativa é dramática que não tem um fim determinado pode continuar isso indefinidamente tão entendendo que não vai ser nemuma coleção de coisas inconexas tá certo e nem uma uma conexão lógica tá certo mas sim uma conexão histórica uma conexão eh narrativa n