[música] [música] [música] [música] Boa noite, bom dia, boa tarde a todas, a todos. Isto é o podcast de filosofia e psicanálise, psicanálise e filosofia do canal Espique. E o tema de hoje é a a formação de analista na escola de Jaques Lacan. Na abertura de nosso editorial de hoje, Voltamos o olhar para um tema que atravessa tanto a filosofia quanto a psicanálise e é a formação do analista na escola de la CAN. Trata-se de um ponto que eu diria nevrágico, pois não se trata apenas de reduzir a um o tema a um currículo acadêmico ou
um conjunto de técnicas facilmente eh transportáveis de um lugar para outro. La insistia que o analista não se forma apenas por um estudo teórico, mas Sobretudo pela experiência da análise pessoal e pela travessia de sua própria de seu próprio fantasma, pela mudança, podíamos ser da posição subjetiva no processo analítico, no próprio processo analítico. A formação, nesse sentido, é inseparável de uma questão ética que coloca em jogo o desejo do analista, um tema que Lacan eh de alguma forma abordou eh instalou e abordou eh reiteradas vezes. essa questão então é colocar em jogo o desejo do
analista e Obviamente a o modo de se relacionar com com inconsciente. Na tradição que já podíamos considerar lacaniana, a escola não é apenas uma instituição que confere diplomas ou títulos, mas um espaço de trabalho e de laço social. A escola não é uma instituição de certificações. Isso é o que é importante. A escola é um espaço de convivência e de formação mútua. Às vezes a gente costuma dizer que não Eh existe, não se cria o psicanalista, não se cria sozinho, senão que se cria em bando, norda, em grupo, em tribo, em clã, em formas de
agregação. E essas formas precisam um caldo de cultivo, né? Como as bactérias, talvez como os vírus, talvez psicanalistas são como vírus e bactérias que precisam do caudo de cultivo. Isso é uma escola, uma instituição, um grupo, uma comunidade de analistas. Mas aquele que havia inventado Lacan, eh, vinha junto com algo que também inventou Lacan, que foi o passe, o dispositivo do passe criado por la CAN, algo controverso desde início até o dia de hoje, é talvez o exemplo mais radical dessa concepção que la CAN tinha nos anos 60. Não se trata de avaliar conhecimentos. E
no caso do passe, se trata de testemunhar a passagem de alguém que, tendo atravessado Sua análise, pode dar testemunho disso e cumprir a função do lugar de analista. Assim, a formação não é homogênea, não é linear, eh não é protocolar, não se mede por critérios externos, mas se verifica na prática e na posição assumida diante do do inconsciente. Do ponto de vista filosófico, essa concepção rompe com a ideia de que saber, de que o saber pode simplesmente Ser acumulado, poderíamos dizer. H, o saber analítico é um saber sobre o não saber, né? Às vezes, paradoxalmente
ou na forma onimpasse, se diz que o saber na posição de analista é saber no saber. Eh, o saber analítico, então, é um saber sobre o não saber, um saber no saber sobre o furo que o inconsciente de algum modo introduzia humana, que o real, podíamos dizer mais tarde, faz na articulação simbólica Imaginária. aquilo que eh eh as estruturas da linguagem, as estruturas simbólicas criam, é aí que o real fura. Talvez se trate de um saber em torno disso. O analista é aquele que se autoriza de si mesmo. Escreve uma vez, diz uma vez Lacan
e e fica escrito em seus em seus textos eh de su ensino. Ele se autoriza de si mesmo e de alguns outros, acrescenta indicando que não há uma autoridade Suprema que legitime essa essa função. Há sim uma comunidade de trabalho, uma escola que sustenta o campo e que se responsabiliza pela transmissão, mas a formação é sempre eh peculiar. marcada pela experiência de cada análise e pela ética que decorre. É importante sublinar, é importante sublinar que a formação do analista não se encerra nunca. O analista está eh, digamos assim em permanente Formação. Hum. Ela é permanente,
constante, porque a própria questão do inconsciente na vida daquele que se coloca em posição de não se esgota. Podíamos dizer que isso sim não encontra fim, a não ser com a própria morte. A supervisão, o estudo dos textos, a participação na escola. Tudo isso compõe um movimento contínuo de elaboração, mas o núcleo permanece. Análise pessoal que permite ao sujeito Confrontar-se com seu próprio fantasma e com a verdade de seu desejo. É isso que está em questão. Sem essa travessia não há formação possível. nosso nosso encontro de hoje, ao trazer este tema, queremos destacar que a
formação do analista, tal como Lacan a concibiu nos anos 50, 60, 70, eh, é também um reflexo, é também um um reflexo do do da época, mas é especialmente uma reflexão sobre Responsabilidade ética eh de uma prática e de uma prática que se pretende, podíamos dizer assim, transformadora. Não basta dominar conceitos, é preciso que o sujeito se implique. A palavra implicação é fundamental aqui, que se coloque em jogo, que aceite a incompletude e o risco que o inconsciente traz. A escola de La CAM é, nesse sentido, uma escola de liberdade, podíamos dizer Assim, no sentido
em que não tem uma determinação acerca dos protocolos que deveriam ser instaurados, mas eh é também um lugar de rigor, um rigor para sustentar o que Lacan chamou no seminário 15 de o ato psicanalítico. E é nesse ponto que a filosofia e a psicanálise de algum modo se encontram, pois ambas nos lembram que a formação não é apenas aquisição de saber, mas transformação Do sujeito. É isso. [música] [música] [música] Quando Lacan decide fundar sua própria escola em 1964, o Ecol freudiano de Paris. a escola freudiana de Paris. Esse gesto não pode ser compreendido sem referência
às críticas que ele dirigia a International Psychoanalytic Association, a IPA, a escola Associação Internacional de Psicanálise. e ao modo como esta organizava a formação dos psicanalistas. Para la CAN, a IPA havia se transformado em uma instituição burocrática, preocupada em normatizar e padronizar a prática clínica, reduzindo a um conjunto de técnicas e protocolos que, em sua visão traíam o espírito freudiano. A formação, tal como concebida pela IPA, Passava por longos períodos de análise didática. A formação então tinha análise didática, análise pessoal, supervisão, cursos teóricos, a formação gradual. Eh, mas la CAN viu nisso uma espécie de
ritual institucional que produzia analistas conformes o modelo da associação, mais preocupados em se adequar aos critérios Externos do que em sustentar a singularidade da experiência do inconsciente. Sua crítica com a IPA era radical e isso ele fazia de dentro da IPA. Lembremos que ele entra a associação na década de 30, em alguns anos de formação com Lovenstein, ele entra a associação de psicoanalítica e faz parte das dos eh das reuniões científicas e mais tarde dos eventos. e mais tarde dos congressos e e faz parte também da Estrutura até que finalmente nos anos 50, especialmente depois
da ruptura da associação em Paris, né? Paris se divide em dois e uma parte hum fica um pouco mais, digamos assim, eh, fiel a à estrutura orgânica, fiel à à condução da IPA que estava em Londres e a outra faz um trabalho um pouco mais marginal. É aí que Lacan instaura ensino e é na década de 50 que la can faz eh essas críticas até que finalmente Lacan expulso em 1963 O dia 19 de novembro de 1963 para Cana IPA ao instituir um sistema hierárquico a reconhecimento e credenciamento, acabava por transformar a psicanálise em uma
profissão regulamentada submetida a uma lógica universitária e médica. Vejam quais ser as críticas, não? Transformar a formação em eh protocolar e burocrática, fazer da instituição uma instituição padronizada, Normatizada e burocrática, estabelecer um conjunto de técnicas e de protocolos. Não, finalmente eh transformar a psicanálise em uma profissão regulamentada e eh com uma lógica universitária e médica. E eu friso, destaco isto porque me parece extremamente atual, extremamente brasileiro, eu diria, eh, na época em que vivimos, apesar de a irrupção da psicanálise, nós temos hoje eh a tentativa da emergência de empresas Psicanalíticas que se pretendem eh normatizantes,
padronizantes, burocráticas, eh, protocolares, que transmitem conjuntos de técnicas e que de algum modo fazem da psicanálise uma profissão eh regulamentada. Algumas, inclusive dão um uma certificação que é exatamente o que a psicanise não pode fazer, certificar. Algumas empresas como estas hoje em no Brasil dão uma certificação com direito a credencial, número de credencial, etc, etc, né? Eh, digo isto também para mostrar eh qual é o caminho que tomamos em alguns lugares aqui no Brasil e qual é o caminho que de algum modo se tomou em na história da psicanálise e se criticou quando se tentou
ir por esse lado. Sim, La CAN insistia que o analista não se forma por diplomas, mas pela Travessia de sua própria análise. A famosa fórmula ou analista se autoriza de si mesmo e de alguns outros sintetiza essa crítica. Não há uma instância central que possa garantir a legitimidade do analista, porque essa legitimidade só se verifica na prática. no ato analítico e na relação singular que cada sujeito estabelece com o inconsciente. Além disso, Lacan questionava a noção de análise didática, tal como foi praticada Pela IPA. Para ele, a análise de um futuro analista deveria ser diferente
da análise de qualquer sujeito. Não há uma análise especial, uma análise diferenciada, distinta para formar psicanalistas. uma análise completa chega a falar, infelizmente em algum momento, podemos dizer uma psicanálise em seu percurso, em sua trajetória, forma no final um psicanalista, produz no final um psicanalista. O que há é a experiência do inconsciente que pode levar alguém a se colocar na posição de analista, mas que não pode ser programada ou controlada por uma instituição. A instituição pode servir de caldo de cultivo, mas não de controle, de sistema de controle. Daí a criação do dispositivo do passe.
E aí é importante volver a voltar a isso. como alternativa ao modelo da IPA. Em vez de uma autoridade conferir títulos, o passe é um Testemunho, um ato de transmissão em que o sujeito relata a travessia de sua análise e sua decisão de ocupar a função de analista. é um dispositivo que aposta na palavra e na singularidade em contraste com o modelo burocrático da IPA. [música] Do punto de vista teórico, la CAN também criticava a tendência da IPA de reduzir A psicanálise a uma psicopeterapia adaptativa, algo que muitos psicanistas pretenderam fazer nos anos 1930, 1940,
que de algum modo essa essa inclinação, essa tendência a transformar a psicanálise em uma teoria adaptativa aparece, reaparece em diferentes países, em diferentes lugares. Às vezes acho que é em nossa em nossa atualidade, em nossa nossa região, deveríamos pensar se estamos abandonando A a a as a a subversão que implica ter que se aver com o desejo e com as verdiras que o interditan. E no lugar colocamos uma tentativa de uma terapia, de uma prática eh que adapte as pessoas ao ambiente no qual estão inseridos. Ele via nisso uma traição ao núcleo friidiano que reconhece
o inconsciente como irredutível e o sintoma como portador de uma Verdade. Para la canmação, nesse sentido não deriva, não, perdão, não deveria preparar técnicos da saúde mental, mas sujeitos capazes de sustentar o ato psicanalítico, isto é, de escutar o inconsciente e de se orientar pelo desejo. A crítica a IPA é, portanto, inseparável de sua concepção ética da psicanálise. Não se trata de formar profissionais ajustados, Mas de sustentar uma prática que confronta o sujeito com a sua perdagem. E aí é que está a subversão, aí que está o caráter irredutível da subversão de um percurso analítico.
>> [música] [música] [música] >> Bom, aqui estou vendo uma série de pessoas que fizeram eh comentários aqui no chat. Alguns estão cumprimentando a Ctia está Cumprimentando Simone também, entre outras pessoas. Juliara, a Simone disse: "O passe foi instituído por la em freudiano, na escola freudiana de Paris." Sim, exatamente. Por meio do do da do texto a proposição do 9 de outubro de 1967, eh, sobre a escola, sobre a a psicanálise da escola. Exatamente, Simone. É verdade. O passe foi instituído por La nesse nessa Instituição mesmo. Ah, Ctia diz: "Tá, tô gostando do formato do podcast".
Pois é, tá mais da rádio e e é isso que tentei. Estou tentando lidar com a música entre uma coisa e outra, mas eh tenho apenas dois maus e um mouse, então fica complicado. Paulo Lima, boa noite, Paulo Lima, a escola que mais forma psicanalistas no Brasil é uma instituição evangélica, disse, segundo matéria da revista Piauíi, não sabia desse tema. Não sabia Que a escola que mais forma. Alguma vez já falamos sobre psicanálise religião neste podcast. Se vocês vem, escutam, vem os podcast anteriores, ver que há uma há um um um momento em que falamos
com Eduardo. Eh, Eduardo, que é uma pessoa comprometida com com o protestantismo e que, eh, pensamos juntos a questão da da psicanálise e religião, talvez seja interessante voltar a esse tema. A Simone também disse que a formação é empírica e não Acadêmica. É verdade. É verdade. E a gente teria, a gente teria que pensar qual é o papel da psicanálise. Não só nas escolas evangélicas, não evangélicas, não só nas escolas eh psicanalíticas de formação tradicional, a IPA, que a IPA já não é mais o que era na época de de la CAN. Eu imagino que
a psicanálise na na IPA eh mudou muitíssimo, como também mudou nas escolas lacanas, como também mudou eh nas eh atuales escolas winicotianas, né? Lembremos que Donal Winicot era parte da IPA e que ele não tinha uma escola, no fundo, uma escola parte, mas os ruinicotianos aqui do Brasil fizeram a várias eh instituições de formação eh então tem diferentes lugares, não? Isso é uma coisa que eh eh eu estava falando para uma entrevista de uma revista que eh se perguntava se existia uma psicanálise brasileira. Eu comentava justamente eh a história da psicanálise no Brasil, né? Seria
Interessante que as pessoas possam escrever várias histórias da psicanálise no Brasil. A psicanálise no Brasil teve o primeiro contato Juliano Moreira, um médico eh um médico negro de que foi fez a universidade fez a faculdade de medicina em Salvador de Bahia entrou com 12, 13 anos, uma coisa assim na universidade, um cara assim fora de série, né? fora da curva que 14, 15 anos, suponho, não sei, mas ele com pouca idade, inclusive já se formou Médico. E foi ele, olha que atento que ele estava na época, foi ele que entrou em contato com Sigmund Freud.
Lá pela segunda década 1910 e tanto entra em contato com com Sigmund Freud. Ele era um médico psiquiatra, trabalhou no hospital em em eh em Rio de Janeiro e e bom, ele foi o primeiro que eh trabalhou, teve contato com Sigon Freud, depois eh vieram outros, mas eh a a psicanálise começa em grupos muito pequenos na década de 60. Eh, temos alguns psicanalístas também, grupos muito pequenos. Pensemos que este país é praticamente a mitade da população de toda a América Latina. América Latina a mitagem é brasileiro, a outra mitade são todos os outros países. Bom,
uma população de centenas de milhões, de dezenas de milhões na época, eh, de mais de uma centena de milhões, esse país tinha três ou quatro grupos de psicanálise. A psicanális lacaniana entra aqui em na década de 90, podíamos dizer que na segunda mitade da década de 90. Eh, se vocês vem a psicanálise, eh, para para aqueles que estão escutando esse podcast, eh, praticamente nasceu com vocês a psicanálise. Então, eh eh vocês que estão aqui, podíamos dizer que são aqueles foram os pioneiros, né, os que estavam na década De 60, 70, né? Eh, Uranha Tourinho, Emílio
Rodriguez, eh eh sei lá aqui em São Paulo também em em Porto Alegre, mas eram com talos com os dedos as mãos e e isso foi até a década de 90 que conseguiram-se organizar alguns grupos. Eh, hum, começou a ser mais distendido em no início do século XX. a psicanálise aqui. Ou seja, quando perguntam por que a psicanálise não está aqui, não está lá, é porque a psicanálise não estava em lugar nenhum, tinha quatro psicanalistas Em todo o país. Eh, durante um tempo, o psicanalista só podia ser médico, depois só podia ser médico e e
e psicólogo. E muito depois é que a psicanálise tomou eh tomou seu próprio destino e bom e se abriu, mas essa abertura que que muitas vezes se reivindica e aconteceu agora porque agora é que se divulgou a psicanálise em Viena a psicanálise foi inventada no final do século XIX e em Inglaterra e em E em Paris. Bom, já no século XX, em Argentina, 1942, 43, quando a IPA se se funda a APA, Associação de Psicanálise Argentina, com médicos, e isso se estende a hospitais, eh, e depois avança mais. A, a, o lacanismo entra na Argentina,
eh, com maçota e no início dos anos 1970. Então, eh, poderíamos dizer que, bom, a psicanálise lá tá mais, eh, capilarizada, mas aqui é, a gente tá fazendo os primeiros passos, né? Não Temos uma história, mas uma história e incipiente, né? uma história de precursores. Podemos ter pessoas que trabalham num hospital, em outro, que trabalharam numa clínica, em outra, mas não havia uma capilaridade. Isso porque não tinha ninguém fazendo psicanálise, né? Aqui tem outras eh outras cíntias disse: "Daniel, esses dias recebi a pergunta como sobre como saber quais instituições e analíticas são sérias, confiáveis? Fiquei
refletindo sobre o e ainda estou tentando construir uma resposta. Eu acho que isso é hum é algo que que cada uma de nós, cada um de nós precisa levar adiante. Não tem uma lista de de boas eh escolas. Acho que o importante é poder eh estudar, se encontrar com as pessoas. Me parece que o modo de encontrar a escola certa, eh, acho que eu tenho, vê aqui, eu tô pensando agora, eu acho que eu tenho um Modo de encontrar a escola certa. Faça laço, se encontre o outro, converse sobre psicanálise com as pessoas, leia a
psicanálise, escute este podcast, escute eh os percursos do SPCEST, escute todos os podcasts que tem e em em no YouTube. E aí, a partir de aí, estudando, lendo, conversando com seus vizinhos, igual que fazia Freud, aí você encontra a a escola certa, encontra a boa escola para fazer psicanálise. Me parece que esse é o a técnica, Ctia, me parece que essa é a Técnica mais eh assim mais segura de saber qual é a escola. Faça laço, converse com as pessoas, leia livros, eh, se encontre, faça análise encontrando um psicanalista, uma psicanalista, aí encontra. Eleonor Elizabeth
disse: "Por favor, fale mais do passe. Nós podemos fazer um podcast sobre o passe. Eu já estou anotando aqui para fazer um podcast sobre o passe. Renata disse trecho sobre formar técnicos em psicanálise Está bem alinhado com muitas ofertas contemporâneas. ser analista sem análise. É isso é um problema, Renata, é uma promessa que vende bem hoje. Então, bem, aí está um pouco a resposta Cíntia. Eh, a própria análise, o próprio estudo e o encontro com outro é aquilo que forma e uma analista. Eh, uma analista não se forma comprando cursos. Os cursos que podem ser
vendidos eh podem ser parte da formação de um de Um de uma psicanalista, mas não há formação, né? Lembremos isso. A psicanálise é uma formação continuada. A psicanálise é estudo que não para mais. Eh, mas não porque eu acho que os outros estudos também podem continuar, mas os estudos e estandarizados na universidade me parece que tem um início meio e fim. A psicanálise é eh tem uma peculiaridade. Podemos falar em outro Momento sobre a peculiaridade da psicanálise que não tem esse início, meio e fim de modo estandarizado. Cintia disse: "Já vi o Ricardo Goldenberg comentando
que o passe seria uma forma de verificar se houve transmissão em análise. essa diferenciação interessante para que o passe não se torne uma prova. Muito bom. Eh, recordo Goldenberg é uma pessoa que sempre fala coisas muito Interessantes, sempre escreve coisas muito interessantes. Eh, esse eu aconselho ler para a gente saber onde tem uma boa escola de psicanálise. Eh, eu não sei, mas talvez lendo o Ricardo Goldenberg você encontra, sabe. Hum. Bom, a tem abertura lacaniana na década de 90. É isso mesmo. Ele peregrino. Exato. Ele pellegrino é outro histórico, eh, outro precursor da da psicanálise
por estas por estas bandas. Clarice disse: "Adorei a resposta. Faça Laços para escolher a escolha certa." É isso mesmo. Escolha dos seus pares, disse J. Jlei, isso mesmo, J, cuidado com escolas que oferecem diploma, diz Paulo Lima, e carteirinha de analista depois de 6 meses de curso. Bom, aqui nos adverte Paulo sobre algo que nos permite nos orientar. Eh, assim é a escola é uma pesquisa que de algum modo também não para, porque podemos encontrar uma escola e Depois de alguns anos a gente se desencontra nessa escola, né? E aí se crian outras, assim como
aconteceu com la can, né? La CAN se encontrou numa escola, se se encontrou ou desencontraram e mandaram para outro lado e ele teve que juntar as pessoas que conhecia no bairro dele e fazer a escola. La can fez o que fez Freud. Freud às quartas-feiras à noite abria a sala de seu pequeno apartamento e convidava os vecinhos a falar sobre eh Psicanálise. Faça a mesma coisa. Lacan foi expulso da IPA. E em 64 ele foi e tentou construir sua própria escola com as pessoas que estavam aí perto do bairro dele. Então façamos como eh Sigmon
Freud e Jacan. [música] [música] >> [música] >> Vou vou tentar agora ver de ler uma entrevista de Jack Lacan e uma entrevista a Jack Lacan no ano 1974. >> [música] >> entrevista Ja 1974 entrevista italiano. Então é uma entrevista Emilio Granote publicada na revista Panorama da Itália em 1974. La concede uma entrevista a revista italiana Panorama 1974 valiosa tanto pelo seu conteúdo quanto pela clareza e acessibilidade das suas respostas. A relevância e o futuro da psicanálise como discurso e prática em Relação ao progresso da ciência, ao real, a angústia, são alguns dos temas explorados neste
texto. Além ou talvez eh antes do cansaço de viver como sintoma da época, reside a singularidade de cada indivíduo em sua relação com a linguagem. Essa é esse é um texto que encontrei sobre essa sobre esse essa entrevista de Amanda Niccia. Eh, a entrevista foi publicada em 2004, lembrem, 1964 foi feita. 2004 foi Republicada em francês em um magazin literário eh de Paris. E e bom, nessa entrevista eh La can alerta sobre os perigos do retorno da religião, mas também do cientificismo. A psicanálise é para ele o único baluarte aceitável contra as angústias contemporâneas. Eu
diria que é bem atual. Por isso, em 2026, 42 anos depois de dessa dessa entrevista ser feita, eu Decidi ler hoje para vocês em português. >> [música] [música] >> Emilio Gran pergunta naquele ano de 1974 ao Dr. Jack Lacan. Emílio Granot pergunta: "Fala-se cada vez mais frequentemente de crise da psicanálise Freud está ultrapassado. A sociedade moderna descobriu que sua Obra não seria suficiente para compreender o homem, nem para interpretar a fundo sua relação com o mundo." Jaan responde: "São histórias em primeiro lugar, a crise, ela não existe, não pode existir. A psicanálise não encontrou exatamente
seus próprios limites. Ainda não, ainda há tanto a descobrir na prática e no conhecimento. Em psicanálise Há não há uma solução imediata, mas somente a longa e paciente busca das razões. Em segundo lugar, Freud, como julgar o ultrapassado se nós ainda não compreendemos inteiramente o que é certo, disse o Dr. Freud, perdão, disse o Dr. é que ele nos faz conhecer coisas extremamente novas que não poderíamos nem imaginar antes dele, antes de Freud. Desde os problemas do inconsciente a importância da sexualidade, do acesso ao simbólico, ao assujeitamento às leis da linguagem. Sua doutrina colocou em
questão a verdade. É algo que concerne a todos e cada um pessoalmente. Uma crise é outra coisa disse o Dr. Jack Lacan. Eu repito, estamos longe de Freud. Seu nome servir para cobrir muitas Coisas. Houve desvios. Os epígonos nem sempre seguiram fielmente o modelo. Confusões foram criadas após sua morte em 1939. Alguns de seus alunos também pretenderam exercer a psicanálise de maneira diferente, reduzindo seu ensino a alguma coisa banal, a técnica como ritual, a prática como restrita ao tratamento do comportamento e como meio de readaptação do indivíduo A seu meio social. é a negação de
Freud, uma psicanálise de conforto, uma psicanálise de salão, no disse o professor Dr. Jack Dacan, ele próprio o havia previsto. Há três posições insustentáveis, dizia ele, três tarefas impossíveis: governar, educar e exercer a psicanálise. Atualmente pouco importa quem assume a responsabilidade de governar e todo mundo se pretende educador. Quanto aos psicanalistas, graças a Deus, Eles prosperam como os magos e os curandeiros. Propor as pessoas ajudá-las significa um sucesso assegurado e a clientela se acotovelando na porta. A psicanálise é outra coisa. Emílio, o o entrevistador Emílio Granoto, o entrevistador pergunta o que exatamente o que exatamente
seria a psicanálise? ao que Jack Lacan responde, eu a defino Como sintoma revelador do malestar da civilização na qual vivimos, certo? Não é uma filosofia. Detestto a filosofia. Há tanto tempo ela não disse nada de interessante. A psicanálise também não é uma fé e não me agrada chamá-la de ciência. digamos que é uma prática e que ela se ocupa do que não está Funcionando. Terrivelmente difícil, porque ela pretende introduzir na vida do dia a dia o impossível, o imaginário. Ela obteve alguns resultados até o presente, mas ainda não tem regras e se presta a toda
sorte de equívocos. É preciso, continua o Dr. Lacan, não esquecer que se trata de algo totalmente novo, seja do ponto de vista da medicina, seja do da psicologia e seus Anexos. Ela também é muito jovem. Freud morreu h apenas 35 anos. Seu primeiro livro, A interpretação dos sonhos, foi publicado em 1900 com muito pouco sucesso. Foram vendidos, creo, 300 exemplares em alguns anos. Ele tinha poucos alunos tomados por loucos e nem mesmo de acordo com a maneira de colocar em prática. e de interpretar o Que tinha aprendido. Emiliano pergunta, perdão, Emílio Grano, Anton pergunta: "O
que não funciona hoje no homem?" E o Dr. Jack Lacam, de modo breve, disse: "É essa grande lacidão, a vida como consequência da corrida pelo progresso. Através da psicanálise, as pessoas esperam descobrir até onde podemos ir Carregando essa lacidão." O entrevistador disse: "O que empurra as pessoas a se fazer analisar?" Sacakan responde: "O medo quando lhes acontecem coisas mesmo desejadas por ele, coisas que ele não compreende, o homem tem medo, ele sofre por não compreender e pouco a pouco cai num estado de pânico. essa neurosi. Na neurose histérica, o corpo fica Doente de medo, de
estar doente e sem estar na realidade. Na neurose obsessiva, o medo coloca coisas bizarras na cabeça, pensamentos que não podemos controlar, fobias nas quais as formas e os objetos adquirem significações diversas e que dá medo. O entrevistador pergunta, por exemplo, Jaquan responde, acontece ao neurótico se sentir pressionado por uma necessidade Assustadora de ir deas de vezes verificar se uma torneira está realmente fechada ou se uma coisa está no lugar correto, sabendo entretanto, com certeza que a torneira está como deve estar. e que a coisa está no lugar onde ela deve se achar. Não há pílulas
para curar isso. É preciso descobrir por isso acontece connosco e saber o que isso significa. E o tratamento? pergunta o entrevistador. O neurótico é um doente, disse Lacan, que se trata com a palavra e, acima de tudo com a dele. Ele deve falar, contar, explicar-se a si próprio. Bre define a psicanálise, disse Jack Lacan, como a assunção da parte do sujeito de sua própria história e na medida em que ela é constituída pela palavra Endereçada a um outro. A psicanálise é a rainha da palavra. Não há outro remédio. Freud explicava que o inconsciente não é
tão profundo quanto inacessível ao aprofundamento consciente. E ele dizia que nesse inconsciente aquele que fala e que o sujeito é um sujeito dentro do sujeito, transcendendo o sujeito. A palavra é a grande força da psicanálise. Palavra de quem? Pergunta o entrevistador. Doente ou do psicanalista? Em psicanálise, os termos doente e médico, remédio, não são mais justos que as fórmulas no passivo que adoptamos comumente, dizimos se fazer psicanalizar é um erro. Aquele que faz o verdadeiro trabalho em Psicanálise é aquele que fala, o sujeito analisante, mesmo se ele o faz de maneira sugerida pelo analista, que
lhe indica como proceder e o ajuda por suas intervenções, lhe é também fornecida uma interpretação. A primeira vista, ela parece dar um sentido ao que analizante diz. Na realidade, a interpretação é mais sutil, tentando Apagar o sentido das coisas pelas quais o sujeito sofre. O objetivo é mostrar-lhe, disse o Dr. Daan, através de sua própria narrativa, que o sintoma, a doença, digamos, não tem nenhuma relação com nada, que ela é privada de qualquer sentido que seja, mesmo se na aparência ela é real, ela não existe. As vias pelas quais esse ato da palavra procede reclamam
muita prática e uma infinita paciência, disse o Dr. Lacan. A paciência e a medida são os instrumentos da psicanálise. A técnica consiste em saber medir a ajuda que damos ao sujeito analisante. Em consequência, a psicanálise é difícil, disse Lacan. Estamos lendo o a entrevista de Jack Lacan em 1974 A revista Panorama, uma entrevista que foi publicada primeiramente 74 em italiano. Vamos continuar ainda. [música] [música] [música] [música] Continuamos com a com a entrevista de Jack Slacan para a para a revista em para revista Panorama em 1964, uma Revista italiana. O entrevistador pergunta: "Quando falamos de Jack
Slacan, associamos inevitavelmente esse nome a uma fórmula, o retorno a Freud. O que isso significa? Exatamente o que é dito. Diz a psicanálise é Freud. Se queremos fazer psicanálise, é necessário voltar a Freud, a seus termos, a suas definições lidos e interpretados no sentido Literal. Fundei em Paris uma escola freudiana, precisamente com esse objetivo. Há 20 anos ou mais que exponho o meu ponto de vista. Retornar a Freud significa simplesmente tirar o terreno dos desvios e dos equívocos da fenomenologia existencial, por exemplo, como do formalismo institucional das sociedades psicanalíticas. Retornando à leitura do ensino de
Freud, Segundo os princípios definidos e enumerados a partir de seu trabalho. Reler Freud quer dizer somente reler freud, disse o Dr. Lacan. que não fazem psicanálise, utiliza uma fórmula abusiva. A pergunta aparece novamente e disse: "Mas Frei é difícil?" E Lacan dizem, "O torna completamente incompreensível. Alacan reprende falar e sobretudo escribir de maneira que somente muito poucos adeptos podem Esperar comprender. o entrevistador da revista Panorama. Ao que Jack Lacan responde: "Eu sei, torn-me, tomam-me por obscuro, por um obscuro que esconde seu pensamento em cortinas de fumaça." Eu me pergunto porê, a propósito da análise, repito,
com Freud, que é o jogo intersubjetivo através do qual a verdade entra no real, não está claro, Mas a psicanálise não é um negócio para crianças. Meus livros são definidos como incompreensíveis, mas para quem? Eu não os escribo para todo o mundo para que sejam compreendidos por todos. Ao contrário, nunca me ocupei minimamente de qualquer leitor que seja. Eu tinha coisas a dizer e as disse. É meu suficiente ter um público que leia. Se ele não comprende, paciência. Quanto o número de leitores mais sorte que Freud. Meus livros são mais são mesmo muito lidos. Fico
surpreso com isso. Também estou convencido de que em 10 anos no máximo, aquele que me lerá me achará extremamente transparente, como um belo copo de cerveja. Talvez até se diga, então esse lacã que banalidade. O entrevistador então pergunta: "Quais são as características do lacanismo?" Jack Lacan responde: "É um pouco cedo para Gelo, no momento em que o lacanismo ainda não existe, sentimos dele apenas o cheiro como presentimento. La can em todos os casos, é um senhor que pratica psicanálise há pelo menos 40 anos e que há tantos anos a estuda. Eu creio que eu creio
no estruturalismo e na ciência da linguagem. Escrevi em meu livro que aquilo que nos leva a descoberta de Freud é a enormidade da ordem na qual entramos, na Qual nascemos. Se podemos nos exprimir assim, uma segunda vez saindo do estado chamado a justo título infans, sem palavra. A ordem simbólica sobre a qual Freud fundou sua descoberta é constituída pela linguagem como momento do discurso universal concreto. é o mundo da palavra que cria o mundo das coisas inicialmente confusas em todo aquilo que está em devir a sua mente as palavras Para dar um sentido completo à
essência das coisas. Sem as palavras nada existiria. O que seria o prazer sim o intermediário da palavra? Minha opinião é que Freud, enunciando em suas primeiras obras a interpretação dos sonhos além do princípio do prazer, totem tabu, as leis do inconsciente formulou como precursor as teorias com as quais, alguns anos mais tarde Ferdinandir teria Aberto a via à linguística moderna. O entrevistador italiano pergunta: "E o pensamento puro?" Ja responde: Ele está submetido como todo o resto às leis da linguagem. Somente as palavras podem engendrá-lo e dar-lhe consistência. Sem a linguagem, a humanidade não daria um
passo adiante nas pesquisas, buscas do pensamento. É o caso da psicanálise. Qualquer que seja a função que possamos Lhe atribuir, a gente de cura, de formação, de sondagem, há apenas um meio do qual nos servimos, a palavra do paciente. E toda palavra merece resposta. O entrevistador italiano pergunta novamente a análise como diálogo. Portanto, há pessoas que a interpretam mais como um sucedânio da confissão. Jaan responde: "Mas que confessão? Ao psicanalista confessamos um belo nada. Deixamo-nos ir a lechecer simplesmente tudo que se passa pela cabeça. Palavras, precisamente a descoberta da psicanálise é que o homem é
um animal falante. Cabe ao analista ordenar as palavras que lhe ouve e dar-lhes um sentido, uma significação. Para fazer uma boa análise é necessário O acordo, o entendimento entre o analista e o analisante. Através de um discurso, o outro procura imaginar de que se trata. encontrar além do sintoma aparente o não difícil da verdade. A outra função do analista é explicar o sentido as palavras para fazer comprender ao paciente o que se pode esperar de uma análise. É uma relação de extrema confiança, pergunta o entrevistador italiano. Shaques Lacan responde mais uma troca na qual o
importante é que um fala e outro escuta. Também o silêncio. O analista não faz pergunta e não tem ideias. Ele só dá respostas que ele quer realmente dar às questões que sua vontade suscita, mas ao final o analisante vai sempre aonde sua analista o leva. O senhor disse o entrevistador acaba de Falar do tratamento. A possibilidade de cura sa da neurose. Ja la diz o seguinte: "A psicanálise tem sucesso quando ela limpa o terreno, sai do sintoma, sai do real. Quer dizer, quando chega a verdade, o entrevistador pergunta: "O senhor pode enunciar o mesmo conceito
de uma maneira menos lacaniana?" E Laan responde e o senhor, eu o chamo sintoma tudo Aquilo que vem do real e o real tudo aquilo que não vai bem, que não funciona, que se opõe à vida do homem, ao afrontamento de sua personalidade, o real volta sempre ao mesmo lugar. Vocês sempre você sempre encontrará lá com os mesmos semblantes. Por mais que os cientistas digam que nada é impossível no real, é preciso ter um grande topete para afirmar coisas desse gênero. Ou então, como eu Suspeito, a total ignorância do que se faz e diz. O
real e o impossível são antitéticos. Eles não podem caminhar juntos. A análise empurra o sujeito para o impossível. Ela lhe sugere considerar o mundo como ele é realmente. Isto é imaginário, sem significação, enquanto que o real, como um pássaro voraz, só fazse alimentar de coisas Sensatas, de ações que têm sentido. repetir que é preciso dar um sentido a isso e aquilo, a seus próprios pensamentos, as suas próprias aspirações, aos desejos, ao sexo, à vida. Mas da vida não sabemos nada de nada. Os sábios perdem o fôlego a nos explicar. Meu medo é que por seus
erros, o real, essa coisa monstruosa que não existe, acaba por conseguir, Por levar a melhor. A ciência é substituída pela religião e ela é de outra maneira mais despótica. Há um deus átomo, um deus espaço, etc. Se a ciência ganha ou a religião, a psicanálise está acabada. O entrevistador já absorto nessa altura da entrevista pergunta: "Atualmente que relação existe entre ciccia e psicanálise?" La responde para mim a única ciência verdadeira seria a ser seguida é a ciência da ficção científica. A outra, a oficial que tem seus altares nos laboratórios, avança a cegas sem meio correto
e ela até começa a ter medo de sua sombra. Parece que chegou o momento da angústia para os sábios em seus laboratórios Assépticos, alinhados, em seus jalecos engomados. Esses velhos bambinos que fabricam com coisas, que brincam com coisas desconhecidas, fabricando aparelhos cada vez mais complicados, inventando fórmulas cada vez mais obscuras, começam a se perguntar o que poderá acontecer amanhã, o que essas pesquisas sempre novas acabarão por trazer. Enfim, digo, e se fosse muito tarde, os biólogos se perguntam agora Os físicos, os químicos, para mim eles são loucos, já que eles já estão mudando a face
do universo. vem-lhes ao espírito somente agora a se perguntar se por acaso isso pode ser perigoso e se todo explodisse e se as bactérias criadas tão amorosamente nos brancos laboratórios se transformassem em inimigos mortais E se o mundo fosse varrido por uma horda dessas as bactérias com toda a merda que o habita a começar por esses sábios dos laboratórios. as três posições impossíveis de Freud, governo, educação, psicanálise. E eu acrescentaria uma quarta, a ciência ademais que os sábios não sabem que sua posição é insustentável. o entrevistador italiano, já Quase que sem ar, mas ainda com
energia para continuar a entrevista. pergunta. Es uma versão bastante pessimista do que chamamos progresso. Jack Lacan disse: "Não, é algo completamente diferente. Eu não sou pessimista. Nada acontecerá pela simple razão de que o homem é uma porcaria, nem mesmo capaz de se destruir a si próprio. Pessoalmente Acharia maravilhoso um flagelo total produzido pelo homem. Isso seria uma prova de que ele conseguiu fazer alguma coisa com suas mãos, sua cabeça, sem intervenções divinas, natural ou outros. Todas essas belas bactérias superalimentadas para a diversão, espalhadas através do mundo, como os gafanhotos da Bíblia, significariam o triunfo do
homem, mas isso não acontecerá. A ciência atravessa felizmente essa Crise de responsabilidade. Tudo entrará na ordem das coisas, como se disse, eu anunciei o real levará vantagem como sempre e nós estaremos como sempre ferrados. Continuamos com a com a entrevista de a revista [música] Panorama, revista italiana Panorama a Jacan 1974. Continua as perguntas. [música] Outro [música] paradoxo de Jaqu la entrevistador italiano. Censuran-lhe além da dificuldade da língua e a obscuridade dos conceitos, os jogos de palavras, os grajeos de linguagem, gracejos de linguagem. os trocadilhos à francesa e justamente os paradoxos. Aquele que escuta o que
lê o Senhor tem o direito de se sentir desorientado. Pergunta o entrevistador italiano. E Jaquan responde: "De fato, eu não brinco, digo coisas muito sérias. Eu apenas me sirvo da palavra. Como sábios de que falei, de seus almanaques e suas montagens eletrônicas. Eu procuro me referir sempre à experiência da psicanálise. O entrevistador pergunta: "O Senhor disse, o real não existe, mas o homem médio sabe que o real é o mundo, que todo o que cerca que ele vê a olho nu toca." Ja disse: "Livremo-nos também Desse homem médio que em princípio, em primeiro lugar, não
existe. É apenas uma ficção estatística. Existem indivíduos e todo quando ouso falar do homem da rua, de pesquisas de opinião, de fenômenos de massa e de coisas desse gênero, penso em todos os pacientes que vi passar pelo diván em 40 anos de escuta. Nenhum, em qualquer medida é semelhante ao outro. Nenhum tem as mesmas fobias, as mesmas angústias, o mesmo modo de contar, o Mesmo modo de não compreender. O homem médio, quem é? Eu, senor oador, o presidente da República, o entrevistador italiano pergunta: "Nós falamos de real, do mundo que todos nos vemos." Justamente disse
Lacan, a diferencia entre o real, isto é, o que não vai bem e o simbólico, o imaginário, isto é, a verdade, é que o real é o mundo. Para constatar que o mundo não existe, que ele não está aqui, é suficiente pensar em todas as banalidades que uma infinidade de imbecis acreditam ser um mundo. E convivo, convido meus amigos da Panorama, antes de me acusarem de paradoxo, a refletirem bem sobre o que leram sobre o que leram apenas. O entrevistador italiano pergunta: "Dirseia que o senhor está cada vez mais pessimista?" Não é verdade? Não me
enquadro ni entre os alarmistas, Ni entre os angustiados, infeliz do psicanalista que não tiver ultrapassado o estadio da angústia. É verdade, existem à nossa volta coisas horripilantes e devoradoras, como a televisão, pela qual uma grande parte de nós é fagocitada. Mas isto é verdade, porque existem pessoas que se deixam fagocitar, que até inventam um interesse para aquilo que elas vem. E depois há outras coisas mostrosas, Devoradoras, de outra maneira. os foguetes que vão à lua, as pesquisas no fundo dos oceanos, etc. Todas essas coisas que devoram, mas não há por se fazer um drama disso.
Estou certo de que assim que estiveremos de saco cheio dos foguetes da televisão e de todas suas malditas pesquisas no vazio, encontraremos outra coisa com a qual nos ocuparmos. é uma revivescência da religião, não é? E quanto melhor monstro devorador do que A religião. É uma festa contínua, disse Dr. Lacan, com a qual se divertir por séculos, como isso já foi demonstrado. Minha resposta a tudo isso é que o homem sempre soube se adaptar ao mal. O único real que podemos concebir, ao qual temos acesso é justamente este. Será preciso se fazer uma razão, dar
um sentido às coisas, como dizemos. De forma, o homem não teria angústia, Freud não teria se tornado célebre e eu Seria professor de segundo grau. O entrevistador italiano pergunta mais uma vez: "As angústias são toda dessa natureza ou existem angústias ligadas a certas condições sociais, a certa época histórica, a certas latitudes?" Jack Lacan responde: "A angústia do sábio que tem medo de suas descobertas pode parecer recente, mas o que sabemos nós do que aconteceu Em outros tempos, dos dramas de outros pesquisadores, a angústia do operário escravo da cadeia de montagem como de um remador de
galera é a angústia de hoje." ou mais simplesmente ela está ligada às definições e palavras de hoje. "Mas o que é angústia para a psicanálise?", pergunta o entrevistador. "Algo que se situa fora de nosso corpo, um medo, mas de nada que o corpo espírito incluído possa motivar o medo Do medo". Insuma, muitos desses medos, muitas dessas angústias, no nível em que os percebimos, tem a ver com o sexo. Freud dizia que a sexualidade é sem remédio e sem esperança. as tarefas do analista é encontrar na palavra do paciente a relação entre angústia e o sexo,
esse grande desconhecido. Agora que se distribu se distribuiu sexo em todas as curvas, disse o Entrevistador, sexo no cinema, sexo no teatro, na televisão, nos jornais, nas canções, nas praias, ouve-se dizer que as pessoas estão menos angustiadas com os problemas ligados à esfera sexual. Os tabus caíram, dizem, o sexo não é mais, não dá mais medo. Jack Lagan responde: "A sexomania invasora é apenas um fenômeno publicitário. A psicanálise é uma coisa séria que diz respeito, repito, a uma relação estritamente pessoal entre dois Indivíduos, o sujeito e o analista. Não existe psicanálise coletiva, assim como não
existem angústias ou neurosis de massa. Que o sexo seja colocado na ordem do dia e exposto nas esquinas das ruas, tratando como um tratado como um detergente qualquer nos carrossiris televisivos não comporta nenhuma promessa de algum benefício. Não digo que isso seja ruim, não é suficiente. Certamente para tratar as Angústias e os problemas particulares. Faz parte da moda, dessa moda fingida liberalização que nos é fornecida como um bem dado de cima pela gita sociedade permissiva, mas não serve ao nível da psicanálise. Termino a entrevista. [música] >> [música] [música] >> E assim terminava Ja a entrevista
para a revista Panorama do ano 1900. publicada na revista Magazín Literário De 2004, republicada em em português, em várias traduções, em em castelhano, em português, eh em vários sites vocês podem encontrar essa entrevista que acabei de ler, eh, com algum ênfase em algumas coisas, em diferentes línguas, em diferentes sites. Então é de fácil leitura para vocês. Eh, recomendo às vezes encontrar alguma alguma publicação e ir acompanhando com Com o podcast. En 1974, Jack Lacan concedi uma entrevista marcante à revista italiana Panorama, realizada em Roma dia 21 de novembro daquele ano, uma una tarde de de
outono romana, né? Nessa ocasião, ele se dirigiu a um público mais amplo do que o estritamente académico, discutindo temas como o retorno da religião, o avanço do cientificismo e a posição da psicanálise diante das Angústias contemporâneas. La can afirmava que a psicanálise não estava em crise, como alguns sugeriam, mas que permaneceria como um baloarte contra as ilusões, tanto religiosas quanto científicas. Aqui também temos vários elementos, né? O que é uma psicanálise, o que é um tratamento psicanalítico, o que busca um tratamento psicanalítico, como como de alguma forma se forma um psicanalista. nessa crítica, a religião
Também à ciências e a televisão, né? Eh, mas também ele fala da angústia, do que seria angústia em uma análise, tema, um tema que insiste, não? E também ele diz que não existe psicanálise coletiva. Essa é uma questão eh que foi que era disputa, né? 60 70 Ja Pon Rivier Enrique Pon Rivier eran amigos Jack Lacan convidava a Pão Riviera a jantar quando ele saía de Argentina para para Paris eh jantavam juntos, comiam juntos, conversavam, mas eh havia um uma diferença teórica. aquele Lacan não não acreditava que pudesse existir uma psicanálise coletiva, assim como não
existem neurosis de massa também, né? Algo que eh os lacanianos, pós-lacanianos, né? Lacananos que utilizam eh os dispositivos lacanianos, os dispositivos lacananos para para análises culturais como Slavij, Né, por exemplo, entre outros. Eh, podemos pensar que bom, na CES não existem neurosis de massas. Essa experiência analítica é sempre singular entre sujeito e analista. Algo que é é bem verdade, a questão é que é um sujeito e o que é uma experiência e o que é singular, mas isso é parte de outra discussão. Isso podem ver em livros e nos percursos do do do da plataforma
SPCEST que trata justamente sobre esses Temas. Esse momento é também significativo porque mostra a Lacan engajado um debate público fora do que era eh os os muros, os limites da da escola freudiana de Paris, que havia fundado há 10 anos já, né? A escola tinha 10 anos, 1964, 1974. A intervenção de 1974 reforça a crítica à institucionalização da psicanálise e a tendência então a reduzi-la a uma técnica adaptativa. O contrário disso é o que Lacan defendia, né? Uma tentativa eh a confrontar o sujeito com o inconsciente e com a sua verdade também. >> [música] >>
1974, Jack Lacan estava conduzindo o seminário 22, justamente 1974, em inverno de 1964. Depois dessa entrevista, meio que entre essa entrevista teremos que ver a a data, mas é aí que lac come era 14, 15, 16 de novembro que come seminarios Entra por esa data que laa comeando seminario 22, un seminario emblemático porque trabalhou real simbólico imaginário e introdu para valer a topologia, a teoria dos nós na clínica psicanal analítica. Nesse seminário, Lacan reformula a teoria das ordens do real, do simbólico e do imaginário articulados com o novo romeano. Eh, eh, bom, aqui poderíamos falar
do que é Real, o que é simbólico, o que é imaginário. E isso já nós trabalhamos em outros em outros momentos. la CAN nesse ano de 74, então dá entrevistas públicas e dá essa entrevista panorama, faz algumas intervenções públicas, mas basicamente se dedica à escola, né? Eh, há um livro que pode ser lido para entender o Lacan da década de 70, que mais de um livro aqui. Eu tenho uma uma pila de livros e onde podemos trabalhar, mas tem um livro assim, um um grande Livro que é topologia lacanana, ensaios acerca da topologia lacanã de
Mark Darmon. se eu tivesse que eh sugerir, eu sugeriria esse um texto bastante completo da da topologia e depois l sugeria sugeriria esse texto aqui que eu tenho de Pedro Alfonso com prefácio de Christian Dunker que se chama hum contribuições à topologia lacaniana. é um texto menor que o anterior. Então eu sugeriria começar pelo de Pedro com prefácio de Christian Dunker, contribuições à topologia lacaniana e depois com mais tempo o de Mark Darmon ensaios acerca da topologia, mas tem eh bastantes textos. Algum dia podemos falar de todos de todos eles. Finalmente, para terminar o encontro
de hoje, que segundo vi na chamada é nosso podcast número 191. Já temos quase 5 anos consecutivos de podcast. Paramos alguns momentinhos para poder descansar, tomar um pouco de água e continuar. E Eh agora então, finalmente a essa hora da noite eh chegamos ao final do encontro. Eu queria sugerir para vocês o o documentário que tá em tá em YouTube e que o documentário tem um título em português que se chama Encontro com La Cam. Depois de finalizar isso, vocês podem ir para lá e assistir, fazer uma pipoca em casa, se sentar no sofá, colocar
na televisão ou no celular e assistir Encontro com Lacan de Gerard Miller, um documentário do ano 2011. O filme apresenta a vida cotidiana e a obra de Jacan por medio de relatos de pacientes, alunos, amigos e familiares. Impacto de la canna psicanálise, sua relação con figuras intelectuais como Levist, Picasso e Sartre e a maneira singular como conduzia su ensino. esse esse filme, o encontro com Lacan, e acho que uma das coisas que a gente tem de boas no YouTube e que podemos eh que podemos assistir. Então, eh para vocês a Entrevista de 1974, o eh
da revista Panorama de Shakan, que acabei de ler e que vocês podem fazer a leitura em algum site se quiserem. Eh, vamos ver se publicamos na plataforma também. A Renata talvez esteja por aí, teria, seria interessante colocar alguns links, mas fazer uma uma leitura, uma tradução eh em português para para a plataforma, para a biblioteca de de de Elementos audiovisuais de psicanálise eh do SPCEST. Então, eh, o a entrevista e agora encontro com Jaques Lacan o a sobre a direção de Gerard Miller. Eh, isso foi todo por hoje. Eu agradeço muito a todas e todos
e espero vocês talvez eh na próxima terça-feira ou eh em tempos diferentes dentro da plataforma eh em algum percurso, em algum eh elemento Audiovisual falando sobre psicanálise e filosofia. Boa noite e até a próxima. [música]