[Música] Olá estudantes como vocês estão eu sou a professora Mariane merenciano e vou ministrar a disciplina de História e historiografia da África e afro-brasileira eu sou formada em História e atualmente eu estou fazendo doutorado na área de história também história Cultura e narrativas e faço pós-graduação em metodologia do ensino de história Qual é a importância desta disciplina de História da África né Nós vamos fazer duas partes durante a disciplina né no primeiro momento nós estaremos falando sobre a história historiografia da África e no segundo momento estaremos falando sobre história e historiografia afro-brasileiras né então primeiro
nós temos que levar em consideração que desde 2003 existe a lei 10.639 né a partir deste momento é constituiu-se a obrigatoriedade do ensino de África e afro-brasileira na Educação Básica né no Ensino Fundamental e Médio Então essa é um dos principais motivos da importância desta disciplina para o desenvolvimento profissional né quando nós estivermos dentro da sala de aula estaremos nos deparando com esses com esses temas né uma outra questão que a gente deve levar em consideração né e pensando que foi instituído essa obrigatoriedade e existe um porque e ao longo né da nossa disciplina nós
vamos descobrir o porquê dessa obrigatoriedade é porque o senso de 2018 por exemplo é demarcou que existe mais de 50% da população brasileira é negra né parda ou Preta em torno ali de 56% né então a maioria da população brasileira ela é negra e é interessante a gente percebendo ao longo da disciplina que não parece natural isso não na historiografia não no ensino de história a representatividade do povo negro a gente vai perceber que existe um olhar extremamente racista e eurocêntrico na construção da historiografia né tanto europeia quando vai se falar de África quanto também
vai falar dos povos afro-brasileiros né Então essa é uma questão muito interessante da gente pontuar e eu não sei se vocês sabem o Brasil ele é o segundo país mais Negro do mundo Ele só perde para Nigéria né que é um país da África então a gente percebe assim a relevância de estar falando sobre história da África e afro-brasileira justamente porque a história do Brasil né a história do mundo está entrelaçado e dialogando com os povos negros né então é o objetivo dessa primeira dessa primeira aula né é falar sobre a historiografia da África né
então eu não sei se vocês viram recentemente que teve uma notícia que viralizou né no Tik Tok né enfim em várias mídias sociais onde uma professora ela passou antes e depois da matéria que ela fez se eu não me engano para o 5º ano sobre história da África então ela perguntou para os alunos né uma professora de Belo Horizonte perguntou para os alunos é o que eles conheciam sobre África e no primeiro momento vários falaram sobre escravidão sobre pobreza sobre crianças passando fome né Então teve tudo um lado um olhar muito mais pejorativo né de
desqualificação da África e depois ela passa um depois sobre essa disciplina né Depois que ela ministrou essas aulas sobre África e você percebe que existe um outro olhar né os alunos eles começam a falar sobre questões de os orixás né que é de África começam a falar sobre a cultura enfim você começa a perceber uma outra visão né sobre a história da África quando a gente instrumentaliza o aluno a pensar sobre estas questões né sobre a sair do seu lugar né do que ele vê na mídia constantemente que está permeada justamente por uma visão né
eurocêntrica e de desqualificação da África e dos povos negros Então você percebe que eles começam a ter uma outra dinâmica né é importante a gente pensar que durante o processo né de escrita da história ou da escrita científica é organizada por links são homens que estão escrevendo sobre algo né E sobre a história da África não foi diferente primeiro nós temos que considerar que os primeiros escritos sobre a história da África é a partir do Olhar europeu né dos relatos de viagem é a partir daquele movimento de colonização né é a partir daquele momento em
que você começa a dizer que ali não existe povos civilizados e é necessário uma civilização Então a gente vai percebendo isso durante a escrita da África né os primeiros momentos em que você tem algo falando sobre a história da África você vai percebendo essa questão de um lugar a ser civilizado um lugar onde não há Cultura né A minha conta por exemplo ela vai apontar que a África vive uma tripla condição restrita né ela vai falar que ela é maneira do passado né inventado por outros depois ela vai comentar que ela é amarrado a um
presente imposto pelo exterior e a gente vai perceber isso muito quando você vai falar sobre a partilha da África né como esse exterior o estrangeiro ele dinamiza a história da África atualmente né a história do tempo presente da África e ela também é Refém de metas que lhe foram construídas por outras instituições Ou seja quando fala sobre é imposta por outras instituições é porque organiza-se instituições exteriores e a partir dessas concepções do estrangeiro tenta se colocar dentro da África também desconsidera todo um processo de política todo um processo social todo um processo cultural instituindo outras
questões e outras culturas dentro daquele local né então essa seria as três questões que ela aponta né que existe esses problemas em relação à história da África posteriormente a gente também tem que recordar que a história da África né inventada é tem uma característica muito forte que foi inaugurada pelo racionalismo o racionalismo ele começa ali no século 18 né ele vai na verdade ele vai se consolidar na primeira metade do século 18 e ele vai ganhar muita força no século 19 isso vai estar muito presente na dinâmicas políticas e de poder quando a gente fala
sobre a história da arte que dá divisão da história da África né E vai trazer uma perspectiva racista porque o racionalismo ele vai configurar a África como Aquela que não tem história né para frente a gente vai perceber Justamente que escritores como quente pensadores como o rei eu principalmente o rei ou vai falar sobre isso e ele vai justamente pontuar né que a África não tem história que o único perímetro ali da África que teria história é a religião ali do Egito né enquanto a África Negra propriamente dita não teria nenhuma cultura e não teria
nenhuma história né Então essas são umas questões que permeiam até hoje a visão sobre África por mais que posteriormente você tenha é uma desconstrução e novas perspectivas essas questões até hoje elas são extremamente percebidas Quando nós vamos perguntar para o outro o que ele sabe sobre a história da África uma das outras questões que a gente vai perceber durante o século 19 que aí ele é um dos principais momentos né Para a gente pensar é justamente a noção que os africanos são como os africanos são identificados nesse período nós vamos ter diversos textos né falando
sobre biologia enfim falando sobre a divisão de raças né ali neste momento nós vamos perceber que existe autores e pensadores que vão falar sobre os brancos que estaria no topo os amarelos que estariam ali em segundo e os negros que viriam em terceiro e dentro desta concepção eles vão colocar que os negros né E eles vão começar a denominar sobre a cultura e os fenótipos que lembro seriam aqueles que menos possuem que estariam na infância e na selvageria então eles partem de um pressuposto evolucionista pensem assim eles vão comparando Como se você tivesse a primeira
infância a primeira infância seria os negros aí você tem uma vida ali um pouco mais madura que seriam os amarelos e você teria uma fase ele teria fase adulto e nesse sentido os africanos eles fariam parte desta infância né então eles são claramente é colocados como seres inferiores e menores muitas vezes nem como seres humanos eles são colocados a uma imagem de homossar a atenção animais mas numa questão mas de selvageria né ao ponto em que esses discursos foram fundamentais para legitimar o tráfico negreiro né Então essas pontuadas sobre raça sobre inferioridade sobre falta de
civilização Eles foram discursos é importantíssimos na legitimação né de do tráfico negreiro por exemplo e também na invasão das terras africanas né isso aconteceu em vários outros lugares se a gente considerar tanto Ásia quanto a América também foram invadidas pelos europeus né todos sofreram Mas nenhum outro lugar sofreu tanto quanto África porque ao longo do tempo foi foi negado né a ela a própria história né ela não tinha a história Então nesse sentido a gente percebe né o quão violento foi esse processo porque eles utilizam esses discursos e seus científicos né de que você caracteriza
um homem mais evoluído que o outro e a partir destes eles promovem políticas e de poder ao longo do tempo né então vai ser muito interessante por exemplo que Charles liner ele vai classificar o homo sapiens em 5 variedades né ele vai colocar o homem selvagem quadrúpede muda e peludo né ele vai colocar o americano que é o cor de cobre colérico ereto cabelo negro liso nem espesso né E ele fala que vai guiar-se pelos costumes Esse homem é americano né ele vai colocar o europeu né que ele é o Claro sanguíneo musculoso cabelo louro
castanho e ele é governado por leis e por causa justas ele vai colocar o asiático que é escuro melancólico né rígido mas ele é governado por opiniões enquanto o africano negro né a gente precisa distinguir isso porque em geral essa essa né eles vão dividir a África Branca num primeiro momento com a África Negra e é muito sobre essa África Negra que eles vão colocar neste lugar periférico que vão colocar as margens né então eles vão colocar aqui o africano negro é fêmático relaxado cabelos negros crespos pele acetinada nariz achatado lábios tímidos engenhosos indolente ele
é negligente unta-se com gordura e a governado pelo Capricho né Então muitos desses autores eles vão justamente comentar que o africano é aquele que seria irracional e não conseguiria governar-se com leis né isso porque é uma visão extremamente exterior do outro né geralmente existem vários escritores que vão falar sobre como nós descrevemos o outro a partir de nós mesmos né a partir das nossas próprias leis a partir das nossas próprias regras a partir do nosso próprio autoconhecimento né esquecendo que existem outras dinâmicas né Então até o século então século 20 ali né é esse discurso
ele foi extremamente disseminado Então a partir né das duas grandes guerras que este cenário vai começar a mudar né então a gente vai ter o repensando continente Africano onde autores né pensadores inicialmente de descendência né africana principalmente dos Estados Unidos Europa eles vão começar a repensar essa África né a partir de que visão estão falando sobre essa África e também os africanos eles começam a repensar sua própria história porque você tem esse rompimento dessa visão tão civilizada a partir das duas grandes guerras né você percebe os africanos eles começam a perceber que que dizem que
estão ali para civilizá-los tratam os seus de forma muito pior do que eles poderiam imaginar não é tão civilizado assim né eles matam milhões e milhões de pessoas sem pensar em nada então eles começam a pensar e reconfigurar essa visão de África né Então o que nós vamos ter neste momento é uma nova narrativa a partir do século principalmente a partir da segunda metade do século 20 né onde um grupo de intelectuais africanos eles mobilizam esforços para reescrever a história da África né ali em 1947 a gente vai ter a sociedade africana de cultura e
eles vão criar uma revista presença africana né que eles vão falar sobre uma África descolonizada então a percepção é agora é tentar falar sobre uma África a partir de dentro da própria ótica dos africanos da própria Ótica das constituições né dos africanos né E aí vai ser um momento em que eles vão partir de algumas questões por exemplo história né Nós somos professores que queremos dar aula de história Então a gente tem uma certa noção de que Historiador trabalha com fontes e metodologias e quais são as fontes e metodologias que eles vão começar a rever
a história da África Primeiro eles vão falar sobre vão partir das fontes escritas né as fontes escritas muitas vezes dos relatos dos Viajantes né vão falar sobre sobre os diários de viagem sobre as contas né sobre os cadernos de contas que tinha falando sobre a escravidão e etc mas a partir deste momento eles começam a olhar outras questões que estão ali abordadas principalmente para identificar narrativas que possam estar falando da sua própria cultura onde os europeus costumam dizer que não seria cultura eles começam a identificar sua própria cultura começam a pontuar O que são o
que seria né Essas relações culturais essas relações comerciais que ele já encontravam na África né então eles partem de uma nova perspectiva uma outra uma outra fonte que eles vão utilizar é a arqueologia arqueologia é extremamente interessante e importante para reformular questões que estavam postuladas a gente vai ver principalmente na próxima aula né que houve um certo momento em que a África nem era considerada o berço da civilização e a partir da arqueologia começa a ter novas narrativas e Estudos que comprovam que a África foi o primeiro continente a ter a encontrar resquícios da humanidade
né então vocês percebam até um certo momento tentava se negar até essas questões né de que a humanidade teria se em África então acaba sendo um dos uma das fontes que mais consegue falar né sobre a pré-história da África história da África antiga enfim né E a outra fonte é a fonte oral que é uma das fontes mais ricas que se tem África porque a África tem uma tradição com a oralidade então é uma uma fonte um método muito importante né porque a oralidade para os africanos fala sobre os saberes ancestrais né os tradicionalistas e
os griots por exemplo eles são aqueles que possuem o saber na África oralidade é poder e saber então Aqueles e não é todo mundo que pode né não é todo aquele que é permitido transferir esse conhecimento então por isso é muito importante a tradição oral em África e esse também é um dos pressupostos anteriormente em que eles falavam que não tinham organização cultural escrita em África enfim mas é uma outra perspectiva até hoje existe os orixás por exemplo da liturgia né que aquele que guarda a palavra Então a palavra e a língua oralidade é um
é uma comunicação muito importante para os africanos né E existe um outro ponto que é muito importante que a gente vai ver isso é uma recomendação minha para vocês alunos que quando vocês quiserem ter né um material de consulta tem um material online que foi começou a ser organizado pela Unesco né que é a produção historiográfica de história da África Unesco né que é uma visão da história geral ali tem se eu não me engano 8 volumes então eles são realmente extensos extremamente ricos e nesses materiais vocês podem consultar a partir da perspectiva africana Então
esse é um movimento onde escritores afrodescendentes e africanos começam a escrever em relação a sua perspectiva sobre a história da África né então é um material de consulta riquíssimo é um dos mais importantes materiais de historiografia da África né então Caso vocês algum dia precisam consultar ele está online né de domínio público então todos podem ter acesso certo então alunos O Que Que Nós aprendemos né com essa aula a gente percebe que ao longo do tempo existem narrativas né a gente partiu ali do racionalismo onde você tem toda uma criação de uma narrativa em que
a África né Principalmente para o Rei Leão o que a gente vai falar um pouquinho um pouquinho menos mas o Handel vai ser extremamente incisivo ao falar que a África não tem história que a África é menos evoluída E aí você vai ter todo uma e essa organização né da racionalista ela vai contribuir né para a questão para instituição do tráfico negreiro para Instituição da escravidão enfim ela vai ser vai ser um discurso historiográfico que ela contribui significativamente para esta desigualdade que nós temos entre os homens né então a gente percebeu que num primeiro momento
até a metade do século 20 você tem esse discurso racionalista E aí nesse período também começa a ser questionado o heroísmo europeu justamente porque né quem é esse homem branco tão civilizado e que faz grandes guerras e mata milhares de pessoas quem são eles para dizer o que é Civilização né quem são eles para dizer que nós não temos Cultura né Nós também organizamos a nossa própria Cultura né então você tem uma retomada né isso a gente vai ver posteriormente a partir do pan-africanismo do nacionalismo que é justamente nesse período que ele começa a ganhar
força né que você começa a ter uma identidade Africana e negra né e é um momento ali a partir da segunda metade do século 20 onde esses autores eles vão estar falando justamente né sobre olhar a África com outros olhos né olhar Inserir a África numa história Global Inserir a África né numa história onde ela não seja reduzida a tribos não seja reduzida a uma história extremamente fragmentada como se ela fosse alheia né da história Global como se ela não pertencesse a história Global né E aí a partir desse momento também começa a ter uma
valorização da cultura africana certo então alunos Essa foi a nossa primeira aula né eu encontro vocês daqui Logo mais na nossa segunda aula que nós falaremos sobre a África o berço da humanidade gente tchau tchau [Música]