[Música] Que bom que deu certo. Bom, bom, por favor. >> Você você mora por aqui? Por onde você mora em São Paulo? Eu moro na zona oeste, sempre morei na zona oeste. Logo quando eu cheguei em São Paulo, eu morei na Barrafunda, no quartinho alugado. Depois eu fui para pra Lapa e depois eu fui pro Osasco. >> Oi, obrigada. [Música] >> Obrigada. Obrigada. Obrigada. Você foi pra Lapa? Fui pra Lapa, depois eu morei um tempo em Osasco, que é ainda zeste. E voltei pra Lapa, que é o bairro do meu coração. Assim, eu já morei
em três ruas ali na Lapa e muito provavelmente não vou sair de lá porque é meu lugar em São Paulo. Assim. A, eu amo a Lapa porque é uma região que é bem arborizada, tem várias pracinhas >> e tem também acho que muitas pessoas mais velhas morango ali, né? >> É um bair, é um bairro antigo assim, com casas antigas, casas de família, né? Tem até mansões assim, né? >> E o que eu gosto é do mercadão da Lapa, né? Eu sou nordestina, sou de Salvador, então às vezes eu fico com saudade de uma farinha,
de um camarão seco, então tá ali pertinho, vou lá comprar. É um bairro realmente, como você disse, para criança, né? Eu sou mãe de um menino de 4 anos, então os parquinhos é super arborizado, tem escola perto, tem tudo perto. E e é isso, é meu o lugar que eu escolhi para para est em São Paulo, que faz a cidade ser menos cinza, assim, eu gosto muito daquela região. >> Eu ia muito no Mercadão da Lapa quando era criança com a minha avó. >> Uhum. >> E eu andava muito na região da Lapa de um
modo geral ali com a minha avó. Mas eu lembro muito do mercadão, porque tem de um tudo ali, né? Tudo que você precisa, tudo que você nem imagina tem lá. >> Carne, peixe, eh, folhas de macumba, artigos religiosos, >> tem tudo, tudo, tudo. >> É farinha, muita coisa nordestina, né? Porque originalmente, da história que eu conheço, a Lapa foi um bairro nordestino, né? >> E aí depois é que veio um processo ali de gentrificação e aí passou a ser um bairro italiano. Tanto que eu moro numa região da Lapa que se chama Vila Romana. Então,
todas as ruas tem nomes assim, ou de imperadores ou de um, enfim, de uma cidade da da Itália. Que >> né? Mas originalmente é um bairro eh era um bairro nordestino. Então, acabou que a lápa de baixo ficou com essa ainda com essa característica, né? De Nordeste. Então você encontra ali um burro, ciguela, enfim, frutas nordestinas da época, farinha, enfim, tapioca, tudo, né? Mas não acontece tudo, >> entend? Minha avó é Sergipe. >> Ah, mentira. >> Verdade. Meus avós são de lá. Tem uma grande parte da minha família que mora lá ainda. >> Ainda em
Sergipe. >> Ainda em Sergipe. Então também acho que faz sentido. Agora que você falou, faz sentido que estava ali em Aracaju. Aracaju mesmo. >> Nunca mais cantei em Aracaju. Assim, eu tenho memórias muito muito bonitas assim de de shows lá. Um dos meus primeiros shows do primeiro disco, eu lembro que eu fui com um amigo que era o Marlon na no violão e o Spike no carron eu. A gente foi de carro saindo de de Salvador. É bem perto assim, dá uma hora e pouca pegando ali a estrada do coco, a linha verde. >> E
a gente foi de carro e foi um dos primeiros shows que eu fiz na vida, assim num centro cultural bem pequenininho. E a, mas ficou tão cheio de gente, eu fiquei tão assim impactada que eu não sabia que eu tinha tantas coisas em Aracaju. Aí ficou gente do lado de fora e teve um momento que choveu e o povo dançando na chuva eu nunca mais esqueço. E quem organizou esse esse show foi a Eloa, que é uma artista sergipana, que mora aqui em São Paulo também. A gente se conheceu aqui em São Paulo, ela falou:
"Não, vamos fazer um show lá na cidade e tal". Então assim, não tinham, sei lá, 100 pessoas, mas foi um show muito especial, muito memorável. Adoro o povo de de Sergipe. Quero voltar para lá. Nunca mais voltei com a gente. >> Mas eu gosto muito de lá também. Acho que é um lugar muito acolhedor. Agora você falou da Lapa ser um lugar família. Uhum. >> Você é muito família. >> Eu fui me tornando uma pessoa família assim, né? É porque minha mãe, ela me criou com muita minha mãe é sagitariana, né? >> Ah, eu também.
>> Você é sagitariana? Então vocês sabem como vocês são. >> Sim. >> Bem livres. Bem. Olha. Bem bem bem louquinhas. >> Então, minha mãe não foi essa mãe, ai o filho tem que estar debaixo da minha asa e ai aquele grunto, aquela coisa. Minha mãe foi que me criou para ter autonomia, para ter liberdade, para ela teve filho para se livrar dos filhos. Tanto que eu vim para São Paulo, né, e meu irmão fez Unesp. >> Hum. >> Né? Morou em Presidente Prudente, fez engenharia ambiental na UNESP. Temp um tempo que ela ficou assim. >>
Todo mundo foi. >> Todo mundo foi. Eu tô muito bem. Obrigada. Essa essa é minha mãe. Então, >> ai deve ó, eu acho que parece uma delícia essa mãe. >> Eu eu amei assim porque não é uma, apesar de ter cuidado, minha mãe também foi uma mãe super controladora, super de, sabe, de cobrar, muito crítica, etc. Mas me criou pro mundo, não me criou para ela, né? Eu não sou uma posse dela, ó. >> Então, mas acho que por essa razão eu sou um pouco desapegada. Eu sou geminiana também, né? >> Hum. >> Então, eu
sou um pouco desapegada. Então, eu morei fora. Eu saí de São Paulo assim sem sem dor na consciência, sem muito chororô. Eu saí de Salvador, na verdade, vim para São Paulo sem muito chororô e sempre muito assim com pouca saudade assim. Realmente não sou uma pessoa que sentia muita saudade de casa, que sentia muita saudade dos pais. Isso não era essa demanda. afetiva e eu não tinha muito, >> né? E eu acho que muito em função de ter tido essa criação >> mais mais livre, né? Mas depois que eh eu me tornei cantora, consegui me
estabelecer na carreira e aí constituir família e aí comecei aí tive filho e aí comecei a viajar e aí agora eu tô numa fase que eu me sinto mais família porque eu acho que eu tô muito tempo fora de casa. Uhum. >> Então o lá, o chão, eh a estabilidade ali, né? o a saudade do do meu companheiro, a saudade do meu filho tem pesado bastante, porque eu acho que eu tô nessa dinâmica de ser muito mais eh mundo e menos casa, então eu sou muito família quando eu tô em casa. Eu só quero estar
em casa. >> É gostoso ter para onde um lugar para voltar, né, para chamar de lar que você sente você, né? >> É essencial. Essencial porque assim, eh, falando do da minha carreira, né? É um mundo muito ilusório, assim, se você não tiver muito plantada >> com com as bases bem assentadas, né? Se você não tiver eh pessoas que verdadeiramente te conhecem, porque é isso, né? >> Eh, o artista ele vem de uma fantasia, né? todo tem uma alegoria ali, o palco, as luzes, o a roupa, a maquiagem, não, aquilo ali constrói um um um
imaginário, constrói ali um uma personagem que não necessariamente é é o é a pessoa, né? Ali é um fragmento do que eu sou, >> certo? >> Né? Além do do palco, tem ali uma loed de que, nossa, é super impaciente, né? que gosta de assistir filme de adolescente, que é chata para caramba, sabe? >> Enfim, que tem vícios, que tem que tem defeitos, que tem que não tá bonito o tempo todo. Eu não acordo com essa face, entende? >> Então é tão, é tão bom saber que existe um lugar seguro onde eu possa ser eu
mesma na inteereza, né? Com minhas luzes, com as minhas sombras, né? E aí o fã e e o público de fora tem ali só um pedaço de mim que é um pedaço que é que é o melhor de mim que eu expresso pro mundo, né? A minha música, minha acha que eu entrego de melhor pro mundo, né? É expressão melhor do que eu tenho, mas também tem um outro lado, né? E quem é que dá conta? Quem é que lhe dá? Quem é que convive com esse outro lado e me ama mesmo assim? Me aceita
mesmo assim, é minha família, né? Então, é muito importante você ter >> eh pessoas que te tragam pra realidade, que te e que você sabe que você pode contar eh a despeito de tudo, né? Porque isso eh você com essa com essa personagem que você cria, você cria também expectativas que não são suas, né? Versões de você que o outro criou e que não necessariamente é você. Então, eh, você tem que estar sempre tendo cuidado com o que fala, com que anda, como trata as pessoas. Você não pode ser você mesma % o tempo todo,
>> cara. Exaustivo, né? >> E é exaustivo sustentar essa máscara, sustentar essa personagem, né? E é por isso que eu fiz esses dois discos. Esses dois discos. Eu tô reivindicando minha humanidade. Eu tô dizendo pro meu público que eu sou uma mulher ordinária, que não é deusa, que não é diva, que não é entidade, que não é nada disso. Uma mulher real que que toma um cafezinho aqui, um chá, um pão de queijo e e que e que sonha e que vive, que tem dor e que tem trauma, que tem vulnerabilidade, que tem fraqueza, que
tem potências, que tem tudo que todo mundo tem, sabe? que briga com a amiga, que briga com o marido, sabe? Que tem dúvidas. >> Então esse esse esses dois trabalhos que eu fiz era para ser somente um disco, né? Mas tinha tanto para para expor, tanto para colocar para fora que eu acabei fazendo dois discos, dividir em dois discos para reivindicar minha humanidade, assim. Então, quem tá escutando essas canções, quem tá escutando esses discos, esses discos, tá podendo se identificar e e se espelhar, porque é só eu sendo mulher e humana. É uma tentativa também
de você poder ser mais você fora de casa, porque eu sinto que eu tenho isso assim de um desespero de não poder ser muito eu, de não de ser vista como uma pessoa que não pode falar besteira, porque eu falo, ai eu falo um monte de besteira, eu falo um monte de coisa errada. E eu quero poder me corrigir, eu quero poder ai voltar atrás, eu quero poder. Então às vezes eu até escrcho demais, eu falo demais das besteiras que eu faço, das coisas que eu penso para poder >> não perder esse lugar. Então é
uma tentativa de você com certeza, com certeza. assim, eh, a gente sempre se coloca num lugar, até porque, eh, é isso, tem vários recortes, né? Mulher, mulher negra, dissidente, né? O subsexual, etc, etc. >> Então, estruturalmente a gente tá num lugar >> eh de opressão, né? A gente tá sujeito a violências, a gente tá vulnerável. >> Sim. Eh, então eu não eu não nego, né? Não eu não não vou deixar de admitir que existe esse esse esse recorte, mas eu não sou só isso, >> né? Isso não me faz eh mesmo eu eu eu ali
sendo eh passando, né, por esse por essa situa posso estar sujeita a essas violências, eu também posso ser violenta, eu também posso ser eh abusiva, eu também posso ser vetor de violência, entende? Uhum. >> Eh, então eu quero muito eh porque eu eu sinto que fui muito militante assim, um corpo no mundo, eh, e as bandeiras que eu defendo, né, me colocam num lugar de nossa, então ela é ela tem uma linha uma linha, ela tá alinhada politicamente, né? Ela tem litramento, então ela ela faz tudo direitinho. Uhum. >> Né? Ela não erra nunca. E
não é assim, né? Eh, me me relacionando com mulheres. Por exemplo, quando eu namorei, tive algumas namoradas, eu fui extremamente abusiva, eu fui extremamente violenta, eu desrespeitei, eu traí, mesmo tendo letramento, mesmo sabendo ali, né, ah, mulheres negras, etc, etc. Então, eh, eu tive que olhar para isso, né? Uhum. >> Eu tive que olhar paraas minhas contradições, percebe? Eu tive que olhar paraas minhas contradições. Não adianta nada você ler Be Hooks. >> Uhum. >> E agir dessa maneira com suas namoradas ou com uma ou com duas, entende? >> Sim. >> Então eu fui percebendo que
>> essa fantasia que criaram, né, que é muito fácil o ego eh nos levar para esse lugar de acreditar em tudo que nos chamam, né? De diva, diva perfeita, não erra nunca, está >> nunca passa frio e não sei o quê. Tudo isso que a gente recebe na internet. e e acreditar. >> Uhum. >> né, nessas palavras, mas eh se a gente tem essa maturidade, né, e a gente passa por um processo de de autoinvestigação, de autoconhecimento, a gente consegue perceber que a gente não é só aquilo ou que a gente não é nada daquilo,
>> né? como que a gente vai lidar com as nossas contradições. E aí eu decidi colocar tudo isso em que é o jeito que eu me expresso no mundo, que eu existe no mundo, que é escrevendo, colocar isso tudo no texto e mostrar pro meu público que eu também eh sou passiva de erro. E aí a questão é falando de amor, né, que eu tô falando de amor desde Bom mesmo está debaixo d'água. Vocês são capazes de me amar a si mesmo, sabendo que eu sou falha? >> Uhum. >> Que eu posso ser ordinária, que
eu posso ser, entende? >> Uhum. >> E aí eu vou descobrir, pelo visto não me amando. Não sei. Tem muita gente gostando do A gente sempre se choca quando aquilo que a gente é é amado pelos outros, né? Eh, porque acho que de algum jeito cada uma na sua medida e dentro dos seus contextos, mas a gente aprende que não pode ser tudo que a gente é, né? A gente tem que se tolir um pouquinho para ser amada, para caber, para ser agradável, né? Mas é surpreendente quando a gente é consegue ser a gente colocar
pro mundo e ainda assim: "Ah, olha, sobrou gente, tem quem me ame assim, do jeitinho que eu sou, né?" >> Nossa. Agora você me você falou que você tem as suas chates. >> Uhum. >> Que que você considera suas chatices? >> Gente, eu sou muito chata. >> Em quê? >> Mas graças a Deus todo mundo lá em casa é chato. Meu meu companheiro é chato, meu filho é chato. >> Eu amo. >> Por exemplo, eh, eu vou, deixa eu pensar aqui em uma chate, >> ó. Porque até agora você foi super legal. >> Não, mas
eu juro que eu sou chata assim. É. >> Uhum. >> Eu tô tentando lembrar, mas eu sei que você é chata. >> Me convencer de que você é chata. >> É, por exemplo, ali no no cotidiano, no dia a dia, em casa, eh, eu não gosto de as coisas fora do lugar de desorganização. >> Hum. >> E eu não sou assim, ai meu Deus, super organizadinha. Eu também bagunço, >> mas eu acho que tem o momento da bagunça e tem o momento de organizar essa bagunça. >> E eu consigo lidar com a minha bagunça, mas
eu não consigo lidar com a bagunça do outro. Então quando eu, tipo, meu companheiro, sei lá, faz a barba, aí fica a gilillete lá, o creme de barbear, eu falei: "Nossa, qual o problema em colocar a gilete no lugar da gilete?" Sabe, >> então assim, os brinquedos espalhar dá. Eu acho que criança tem que se expressar, não sei que, não sei o quê. Mas em algum momento aquele brinqu, tem que ir lá pra caixinha, sabe? Então assim, eu sou chata nesse nesse rolê de organização da casa. >> Só a minha bagunça pode, porque a minha
bagunça eu dou conta, >> mas a do outro ainda tenho dificuldade. Eu também sou muito chata assim, no sentido de palavra não faz curva. >> Hum. Eu >> isso não é chato, isso é seriedade. Acho. Então eu só talvez então pode ser essa palavra assim, porque eu sou muito exigente comigo mesma por ter tido essa mãe também super >> Uhum. >> crítica, né? E super a a corret me educou muito para ser corretinha assim. Eh, eu talvez eu traga essa característica por conta disso, de se eu falei uma coisa, eu tenho que eu tenho que
cumprir, sabe? Eu tenho muita dificuldade de dizer: "Poxa, não vai dar, eu me sinto culpada, eu fico demorando 10 horas para arrumar uma desculpa, aí eu não consigo falar pessoalmente, aí eu mando um textão porque eu não tenho nem coragem de dizer: "Pô, sabe aquilo que eu disse que eu ia fazer? Eu não vou fazer". Então, como eu sou muito exigente comigo mesma, no sentido de cumprir os os combinados, de cumprir as promessas, né? De pagar o que deve, essas coisas, eh, eu também sou muito exigente com outro. Me identifico bem. >> Qual que é
sua, seu ascendente? >> Em Gêmeos também. >> E lua? >> Lua em Touro. >> Ah, deve ser um pouquinho da Lua em Touro. Que >> eu tenho muito touro. Eu tenho Lua em Touro, Vênus em Touro. Eu sou quase taurina, sou do dia 25 de maio. >> Então tem muita coisa assim, principalmente para trabalho também. >> É porque eu culpo o meu Virgem, minha lua em Virgem, por isso, porque eu sou muito parecida com você, sou muito exigente comigo, >> então eu exijo muito do outro. >> Sim. Então, e eu me acho chata por isso,
mas olha que engraçado, eu também me julgo assim, mas te ouvindo, eu falei, não, para mim ela é uma pessoa comprometida, >> sim, >> que tem preocupação com as pessoas, que é cuidadosa, com as pessoas com quem ela trabalha. Então não, para mim não pareceu chatíssimo, mas olha que louco, quando é comigo eu me acho chata, mas te ouvindo eu eu consegui ver de uma outra perspectiva. >> Pois é, assim, e eu acho que eu eu tenho uma isso da rigidez. >> Uhum. >> Eh, pode ser lido como chato, né? Porque a gente pode >>
relevar em rigidez até com a gente mesmo, né? >> Então isso de ser muito a gente a gente fala chata, mas na verdade certinha, sabe? >> É correta. Perfeita que chama. Mas você falou que você falou duas coisas que me impactaram aqui. Você falou que a sua bagunça você dá conta e você disse que eh tem pode brincar, pode se divertir, pode fazer bagunça, mas depois tem que colocar no lugar. >> Isso se aplica também a outros campos da vida, a vida. Porque quando você falou de vamos bagunçar, depois a gente tem que colocar no
lugar e eu dou conta da minha bagunça, me pareceu muito que você tava falando de outras coisas além da do brinquedo. >> É nossa é o momento atual, né, da minha vida, porque eu tive que eu acho que pra gente criar, pelo menos nesse nesses nesse último trabalho, né, saiu de um caos. Uhum. >> Saiu de uma, surgiu de uma bagunça emocional, né? Eh, de questionamento sobre como eu quero me relacionar, né? O meu questionamento sobre por o amor é uma demanda. Porque eu tô há quatro discos falando de amor. >> Por que que amor
é uma demanda? >> Por que o amor é demanda? Vou te responder. Eu eu encontrei essa essa resposta com esse trabalho assim. Eh, eu tô há um tempo investigando sobre amor e falando de amor, né? E um para cada um pode ser traduzido como um amor para cada uma. Cada canção dessa é para uma pessoa, para uma história. E é muito amor, é muita coisa, né? Isso é a intensidade do geminiano, não é? É um amor numa numa intensidade, numa dimensão oceânica, numa profundidade oceânica, né? Do tamanho do mar e tal. Eu falei: "Por que
tanto amor? Por que eu dou tanto amor? E a gente estava falando do gato antes. >> Aham. >> Eh, eu percebo muito que o gato, você que tem gatos, né? Ou é sua namorada? Você >> namorada? É. >> Eh, o gato ele, ele faz um movimento assim que é, dizem que é limpeza energética e tal, mas eu sinto que é um jeito deles se acarinharem, né? É porque eles estão tão te ficam se esfregando e fazendo carinho em você, porque na verdade ele quer carinho. >> É, >> ele dá porque ele quer receber e na
medida que ele ele se esfrega em você, ele também tá se esprefregando nele mesmo, né? Então é tem um >> um um lance assim de eu eu dou porque eu quero receber. Então eu eu descobri isso, né? que essa demanda, esse esse tema, isso de escrever e entregar essas canções para essas pessoas e dar amor nessa dimensão e e viver o amor, ainda que via de mão única, era um jeito de viver o amor de alguma maneira, >> né? Então eu tava dando amor porque eu queria receber esse amor nessa mesma dimensão, nessa mesma profundidade,
porque a minha carência também é desse tamanho, né, por conta dos traumas, infância, >> eh, enfim, questões e de de tanta tantas ordens, né? Mas assim, por algum motivo por vários motivos, eh, eu dei porque eu queria receber. Então, o amor, um amor para cada um, né? O mar para cada um poderia ser, eu quero o mar de cada um, né? Eu falo isso até num outra numa outra canção, né? Eu dou um para cada um porque eu quero mar de cada um, porque eu não me sinto preenchida, mesmo tendo filho, mesmo tendo marido, por
ainda tanto? Por que ainda tanto? E aí foi um processo de muita terapia, de investigação, de autoconhecimento. E a maturidade me trazendo isso. Eu falei: "Nossa, ainda é a a a lued de criança que tá que tá querendo viver esses esse amor e receber esse amor ainda de adolescente que não era objeto de desejo, que não era amada, que quer receber esse amor." entende que mesmo a gente aqui aparentemente resolvida >> eh tem outras dimensões, né, da nossa existência que ainda não se resolveu. Isso se manifesta, vai se manifestando nossa vida e vai atrapalhando nossa
vida, vai atrapalhando nossas relações, né, e principalmente essa sensação de não tá preenchida, né? Então, é isso, é isso. A resposta é essa. Eu dou muito amor porque eu quero receber muito amor, né? Ainda [Música] o esse vício por seduzir, para me sentir bonita e amada. Eu comecei até a questionar se eu não tava sendo cantora para ser amada, para não receber essa essa validação. Será que é é é amor que eu tô procurando ou validação, sabe, social? E e eu sou suficiente, sabe? Meus números eh são o suficiente, a minha música é suficiente, eu
sou suficiente. Aí vem crise, bota uma foto bonita só para para receber essa fração linda, linda, linda, linda, porque eu nunca fui linda, eu nunca fui a bonita, nunca, entende? Então eu fui questionando até até a minha música, até a minha carreira, eu fui questionando, né? É, qual o sentido? Eu tô fazendo isso por quê? Para quê? Eu tô fazendo isso pela música, por um preenchimento pessoal, por uma expressão do meu espírito. Ou eu tô fazendo isso porque eu quero ser [ __ ] eu quero ser amassa amosa, ter 1000 likes e e ser chamada
de diva e de Deus o tempo todo. Perfeita. >> Te ouvindo falar, tava, eu tava me perguntando o que que te faz ter essa, o que que te move assim, o que que te faz ter essa coragem. >> Uhum. >> Você sa você consegue identificar? Eu acho que eu nasci com ela e também eu acho que é um um aprendizado, um aprendizado ancestral, assim, eu sinto que eh como pessoa negra, né? Eh, eu acredito que eu eu tá aqui foi um foi um ato de coragem daquele primeira daquela primeira pessoa negro negro que tava no
navio e suportou ou que teve coragem de lutar ou que teve coragem de se submeter a determinada situação. Enfim, a coragem da minha avó de, sei lá, não casar com qualquer um, né? Minha avó, minha avó paterna, ela casou pra idade, assim, pra época, ela casou, ela ia ficar pra titia, sabe? Porque ela era muito assim, cri cri, não, esse homem não quero, esse homem não quero. Então, eh, eu vejo mulheres com muita personalidade assim na minha família, né, de tipo minha avó ser essa mulher aqui, não, vou casar com homem que eu quiser, na
hora que eu quiser, não importa a opinião da família, não importa a opinião alheia e tal. Aí depois tem a minha mãe, que minha mãe e meu pai eles são dois grandes revolucionários, assim, porque eles eles saem de um de um contexto assim super de pobreza extrema de duas comunidades lá de Salvador que eram super que ainda é, né, duas comunidades bastante problemáticas assim, né, com com várias questões ainda, que é o Calabai, Alto das Pombas. E aí eles revolucionaram a própria vida, né, a partir do dessa coragem de de dizer não para aquilo que
tava dado, né? Então estudaram muito e e entraram em movimento social e militaram e tal. Então assim, e minhas tias também e meu pai, eu fui, eu sou cercada de pessoas que muito revolucionárias assim, que mudaram não só as próprias vidas, mas mudaram a vida das das gerações futuras, né? E e mudaram a vida do do dos pais e e mudaram a vida da comunidade. Não fizeram só por si, mas também fizeram pela comunidade, né? Construíram, enfim, de partido político a movimento social. Então assim, muita gente aguerrida eh no meu entorno, né? E e não
dá para ter medo, né? Não dá para ter dúvida. Eles eles foram lá e fizeram, eles foram lá e mudaram, eles foram lá e foram a gente de transformação, né? Então eu acho que tem esse componente que eu acho que é, sabe, essa genética ancestral assim, mas que eh pensando objetivamente, eu acho que vem dessa inspiração, dessas referências de eu ver essas pessoas serem como são, >> né? Tem esse ponto e também tem o ponto da minha mãe, né, que que é essa sagitariana que me criou para não ter medo de nada. Ela não, minha
mãe falava assim: "Eu não quero filho meu, eh, eu não quero, como é? Eu não vou fazer uma casa para, sabe? Essas essas famílias que tem uma casa aí, depois tem um puxadinho, aí tem um em cima". Eu falei: "Eu não quero, quero o filho em cima de mim, batendo la em cima de mim, nem fazendo puxadinho. Vocês, vocês me esqueçam, vão pro mundo." >> Então, elas, ela me incentivou muito a ir, né? com medo mesmo ou sem medo. Mas aí eu acho que é isso que daí que vem essa coragem. >> Mas eu imagino
que uma como é diferente ter uma mãe sagitariana que te empurra pro mundo. >> Você se considera uma pessoa desapegada? >> Então, eu me considero uma pessoa desapegada como filha. Como filha, como companheira, como amiga. Eh, enfim, eu sou gêmeos com ascendente gêmeos. Então assim, tá na minha natureza esse desapego. Mas aí eu virei mãe. Eu tava ouvindo você falar da sua mãe. >> É muito difícil ser mãe. >> É, imagino. >> Esse lugar da maternidade é um lugar, eu não sei se a palavra é essa, mas é um lugar muito ingrato. >> Uhum. Porque
a gente ali a mulher para para a mulher ou a pessoa com útero, né, para parir, a gente tira assim passos dos das nossas próprias nossos próprios nutrientes, o nosso próprio cálcio, a gente é sugado para construir aquela vida. É muita energia que a gente >> dispõe para construir aquela vida. depois no parto, que é um um outro portal de que demanda muita muita energia. Eu tive um parto natural, mas independente do parto, é muita coisa que acontece ali para para vir ao mundo e depois manter aquele ser humano vivo, né? proteger aquela vida super
frágil ali, manter vivo e depois educar e depois instruir pro mundo e depois e depois. Então são muitos anos você entregando tudo que você tem. Tô até vontade de chorar. Você entrega tudo que você tem, tudo, tudo, tudo. Seu sangue, seu plasma, suas células, sua energia vital, sua energia do trabalho, seu dinheiro, tudo para aquela pessoa ir pro mundo. Para aquela pessoa ir pro mundo e ela ser o que ela quiser, fazer o que ela quiser, ir para onde ela quiser. E a mãe fica lidando com com as expectativas dela, com as frustrações dela, com
com a dor dela sozinha. Afinal de contas, foi uma escolha dela, né? E filho não é coisa, não é objeto, né? >> Então, depois que eu virei mãe, a minha relação com minha mãe melhorou bastante. Eu eu comecei a ter tanta empatia por minha mãe. >> Uhum. Porque antes eu era assim, ah, desapegada, não sei o quê, não ligava, ela me ligava, eu não respondia se eu tivesse fazendo uma coisa melhor ou meso sem ligar ou eu tô viva, tô aqui só de vez em quando. Não tinha uma uma super relação assim, porque eu não
tenho isso com ninguém, na verdade, né? Desapegada e tal. >> Sim. Mas aí depois que eu virei, mãe, que eu compreendi, eh, compreendi o tanto o tanto que que essa pessoa que te escolheu, te entregou, né, e te entrega. Eh, aí eu comecei a a dar valor mais com minha mãe, assim, a ligar mais, a ter mais paciência com ela. Eh, eu deixo ela se meter na minha casa, se ela quiser. Eu abuso, ela ela ama ser vó, né? Então, vira e mexe eu tô lá abusando ela para para ela ficar com Dai, para ela
cuidar do Dai. Ela faz com muito carinho. Eh, eu comecei a ter uma empatia por mães de modo geral, né? um respeito máximo por mãe de modo geral, >> né? Então, então respondendo se eu sou desapegada, sim. Eh, a minha natureza diz que sim, mas eu tenho desconstruído isso, né? >> Eu tenho construído uma relação de mais apego com minha mãe, eh, com Daio também, assim, eu aprendi de amar assim como minha mãe me amou, né? E minha mãe não foi muito afetuosa no sentido, ah, eu te amo e e fazer carim assim. Era um
amor muito ligado a ação, né? Ela não me dizia eu te amo, mas ela resolvia a minha vida. Ela me matriculava, ela >> me levava pro dentista, porque eu tava com dente assim, ela resolvia minha vida. Ela ela era quase uma produtora executiva assim, né? E aí eu eu me lembro de uma época que no início da minha relação com o meu companheiro que eu cheguei pra vida dele assim agind, >> vamos resolver. >> Não tinha não tinha identidade, não tinha cartão, não tinha carteira de motorista e aí ele é artista também. Não, a gente
vai escrever nesse edital. Escrevia edital, não sei o que, não sei o quê. Ele falou: "Cara, eu não quero uma empresária, >> eu quero uma namorada. Eu não, eu não te pedi nada disso porque para mim o amor tava e ainda é assim um pouco, mas eu tô me desconstruindo. >> Amor, obrigado. É o que eu posso fazer por você, >> como eu posso servir, né? Como eu posso fazer com que você se realize. Eu vamos aí, é prático, amor muito, muito pragmática, né? Muito ligada à prática assim, né? O que que eu posso fazer
>> pragmaticamente? E às vezes a pessoa só quer uma escuta, às vezes a pessoa só quer ser, né, tem uma atenção, às vezes a pessoa só quer ter um carinho >> e eu ali querendo resolver a vida das pessoas, né? Então eu tenho eu tenho me policiado com essas outras relações a não repetir os erros com essas relações com meu filho, né, para não querer ser a empresária dele. Eu tenho que ser a mãe dele, não, empresária dele. >> Dificil. Eu me identifico muito também. Eu também sou essa pessoa que quer resolver a vida dos
outros. Às vezes eu não tô resolvendo a minha, mas a dos outros eu quero tempo, né? >> Ai, é terrível, sabe? Às vezes eu queria que alguém me falasse assim: "Olha, resolve a sua primeiro. >> Quando você resolver a sua, você tenta resolver a minha para me dar um tapa na cara para eu acordar, sabe?" >> Nossa, eu tô sempre querendo resolver. >> E assim, a pessoa nem pede, né? A pessoa nem pede, eu vou lá, não vai, vai para essa terapia aqui que você não tá gozando, então você tem que fazer isso. >> Ah,
você tem que escrever n tal, tal, porque tal, tal, tal. Você tem que procurar outra pessoa. E as pessoas nem estão pedindo nada, nem conselho, nem ajuda, nem >> Ah, >> mas é meu jeito de expressão, meu amor. >> É com cuidado, é com ação, é com serviço. Mas eu vou mudar. Eu tô, eu tô falando a gente aprender. A gente vai aprender. Agora você falou de terapia, de indicaria. >> Uhum. Isso também fala bastante de espiritualidade. >> Você tem uma fé? >> Sim. >> Você é da fé? >> Eu sou candobista. Eu tenho anos
de iniciada. Uhum. >> Eh, no candomblé da nação Gesmarri, né? E eu sou feita aqui, apesar de ser baiana, eu fui feita em São Paulo. Minha história é super engraçada, que não tem terreiro em Salvador. >> Ol. É, quase não tem. >> Quase não tem. Coisa rara. Aí eu vim ser iniciada aqui, mas a minha relação, eu acho que religiosidade, >> eh, é um apenas uma um espectro assim, né, do que é espiritualidade, né? >> Eu sempre fui muito, >> eu sempre tive consciência de que isso aqui não é, não era suficiente, né? >> Uhum.
>> Então, eu sempre quis saber o que é que tinha lá fora, sabe? Porque as plantas se movimentam, como se movimenta, porque a estrela tá, o que é que tem para além das estrelas, né? E e a respostas dos sonhos, compreender os sonhos. E, mano, eu sempre fui assim assim desde criança. >> Uhum. >> Eh, muito sensível, né? e às vezes até confundia um pouco a a realidade do do que era da imaginação de uma criança, do que era realidade, porque para mim a vida e o mundo sempre foi muito mágico assim, né? Teve uma
vez, eu gostava muito do do Rimen, >> daquele filme Rimen. Sei, sei. >> E aí tem o a a um personagem que é o esqueleto, que ele sempre cai numa vara e tal, sempre tinha esse final, né? E eu era muito, eu me simpatizava com esqueleto, eu gostava de todos os personagens, mas também gostava do esqueleto, né? Enfim, criança. >> E aí um belo dia eu morava ali no Cabula, num enfim, nos prédios ali no bairro chamado Cabula, lá em Salvador. E aí de noite sempre tinha uma coruja que ficava ali no na fiação que
dava de frente pra nossa nosso apartamento. E meu pai sempre gostava de de me mostrar: "Ah, vem ver aqui a coruja". Porque a coruja é um animal, né, >> raro assim de aparecer na cidade, ele é bonito e tal. E aí vem ver, vem ver, vem ver. Fiquei com com isso da coruja. E aí uma noite eu acordei assim para fazer xixi. Era bem pequeno, devia ter cinco, se anos no máximo, assim, eu lembro que eu acordei de de madrugada com um canto da coruja e fui ver a coruja. Aí eu olhei a coruja e
tal e aí na rua tava passando assim, era um condomínio, né, conjunto habitacional assim. Aí tava passando um C com uma capa preta, todo de preto, uma capa preta. E aí eu olhava assim e aí ele olhava, aí ele olha olhava para trás, sorria assim de canto de boca para mim e voltava e e ele parecia o esqueleto do rimen. >> Sim. Eu >> Aí beleza, né? Aí eu lembro de ter contado isso pro meu pai. Eu falei: "Pai, o esqueleto do riava ali na rua, não sei quê". E meu pai, meus pais sempre, eles
davam corda, né? Porque criança a gente não reprime, né? Falei: "É filha, não sei o que, que que rindo não sei o que". Eu falei: "Ele tava ali tal, tal tal tal". Passou. Até hoje eu não sei se isso foi um sonho que eu tive >> ou se você viu >> ou se eu vi o esqueleto do rimen. E aí depois que eu entrei, eu ia falar de chucaveira. É isso que eu ia falar. Depois que eu entrei no candomblé que eu fui fazendo as associações. Eu falei: "Nossa, será que eu não vi um exu,
um mexu caveira, mexu capa preta?" Mas é mais pru caveira, né? >> É, acho que pela referência do rim ali, >> pelo rim e tal. Falei: "Nossa, quando eu era criança, então o exuveiro apareceu para mim, eu não eu não soube dar nome para aquilo >> e tal". Então assim, eu sempre tive essas experiências mágicas que eu não eu não sei >> hoje adulta. >> Uhum. Eu não, não sei se eu não sei ou se eu não sei se se eu não quero saber, né? >> Sim, sim. >> Eh, determinar se aconteceu, se não aconteceu,
se eu vi, se eu ouvi, mas eh sempre muito sensível e sempre muito aberta a a conhecer os mistérios, né? Inclusive, teve uma fase ali em 2012, tava com uns 20 e poucos anos que foi terrível, né? Porque eu andava na andava na rua e eu só eu só traía gente assim que me falava alguma coisa. Seja um um um aqueles folhetinhos de igreja, né? Jesus te ama. Ou seja, uma pessoa aleatória. Falandana, você já ouviu falar nas crianças cristais? >> As crianças cristais são isso e isso. Você é uma criança cristal, vai visitar não
sei o quê. Parei até em seita, sabe? Eu já fui, eu já, eu já fui, gente, igreja evangélica aceita. Parecia que todo mundo tava me querendo, porque eu andava assim muito >> muito aberta, muito exposta. >> Muito aberta. >> E aí, graças a ao lá, eu me encontrei no candomblé porque teve uma fase assim muito estranha de eu tá aberta demais e dizer sim para tudo. Não, sim. Crianças cristais, vamos lá. >> Não, UFO, vamos lá. Vamos lá. >> Jesus Cristo é Senhor. Vamos lá também. Vamos lá. E agora eu tô tranquila assim, no sentido
de de ter encontrado um lugar eh onde eu organizei essa energia, a minha energia, né, onde eu tenho um rito, onde eu tenho um templo, né, onde eu tenho pessoas ali que orientem essa minha energia, essa minha mediunidade, porque quando eu não tinha nada era muita, muita, muito caótica e exposta a qualquer tipo de experiência, né? Enfim, nem queira saber. Tem muitas coisas estranhas por aí no mundo. >> Tem muitas coisas estranhas. >> Tem muitas coisas estranhas. >> Mas eu eu amo essa coisa do quando as pessoas vêm até a gente contar alguma coisa. Geralmente
>> e minha mãe sempre teve isso de atrair pessoas que contam coisas para ela e eu sempre quis que as pessoas me contassem coisas. Mas aí eu tenho uma situação específica em que eu tava acompanhando uma pessoa que tinha sofrido uma queda gravíssima e muito alta e tal e tava desacordado e tava com traumatismo, com sangramento cerebral, enfim, uma coisa bem grave. E eu tava nesse hospital e aí uma senhora veio e falou: "Ele vai ficar bem, se preocupa que ele vai ficar bem". Aí ela depois falou: "É, você conhece a linhagem tal e não
sei quê". Aí eu falei: "Não, ela me explicou". Ela falou: "Mas fica tranquila que ele vai ficar bem, não vai ficar com você com ela não". E ela não me conhecia, não sabia quem eu tava acompanhando, o que tinha acontecido. E não é que a pessoa se recuperou e não ficou com sequelas e ficou tudo bem. Então eu acredito muito n que é isso? Tá em todos os lugares, né? Mas é muito importante. Eu acho, concordo com você que é importante a gente quando a gente tem muita intuição >> Uhum. >> quando a gente tem
muita essa sensibilidade >> a gente se organizar, né, para poder >> para mim foi fundamental >> para ser bom pra gente, né? >> Senão fica é dolorido também. >> É, minha mãe de santo quando logo quando eu cheguei no terreiro, ela falou: "Minha filha, ou você faz santo ou você faz pr ou você vai pra igreja solta no mundo, você não pode ficar". Foi isso que ela me falou. E dita e certa assim, eh, eu me encontrei num lugar que faz todo sentido para mim, tem a ver com a minha história, com a minha ancestralidade.
Depois eu fiz até um teste de DNA para saber, né? >> Ah, de onde vem, >> da onde eu venho, para onde eu vou e tal. E aí, e em primeiro lugar deu bem mim, >> né? E e o Jej Mari, né? A nação Geg, de modo geral, eh, é, é oriundo, né? fruto dos dos povos do antigo reino do Daumé, que compreendia ali também o Benim, pedacinho da Nigéria e tal. E o meu DNA deu justo isso, Benim e Nigéria. >> Que incrível. >> Então assim, eu tô em casa, né? Vou de onde tá
em casa. Tô em casa. >> Se reencontrou. >> Eu me reencontrei. Tô em paz. Nunca mais ninguém me procurou para falar nada. Nem para me convidar para lugar nenhum. >> Ai, >> ótima. >> Que que é paz para você? A paz, a paz é aquilo que precede o caos. Eu não, eu não acredito que numa paz plácida, uma paz gratuita, né? Eu acho que a paz é algo que para quem quem persegue a paz, para quem quer a paz, ela a gente precisa passar pelo caos. Aquele respiro. >> Exatamente. Você não vai conhecer a paz
se você não conhecer a guerra. Entend nem vai saber o que é paz se você não conhecer a guerra. >> E qual guerra que vale a pena travar? >> A guerra que te leva guerra que te leve pra paz. >> É >> que te leve para paz, seja ela qual for, né? Eh, a paz no sentido da justiça, a paz no sentido do amor, a paz no sentido da do que é correto para si. Enfim, a paz pode ter um, né, essa essa dimensão, né? Encontrar um amor vai te trazer a paz. O ter justiça
social vai te trazer essa paz. Mas a gente tem que passar por esses por esses embases, por esses conflitos, seja consigo mesmo ou com outro, com uma estrutura, não vem de graça. >> Mas qual que é a guerra que você tá escolhendo travar agora, nesse momento da sua vida? Qual é aquela que tá valendo a pena porque vai te levar a paz? Nossa, agora eu tô eu tô >> eu tô num momento assim muito numa guerra contra, eu não sei se a palavra é guerra, mas eu tô me protegendo, eh reivindicando eh a minha a
minha dignidade assim, em em qualquer relação, principalmente profissional, >> tá? Nesse momento eu tô fazendo uma limpeza assim do que eu quero, do que eu não quero mais, do que eu aceito nas relações profissionais, do que eu não aceito mais, do que eu quero pra minha carreira e do que eu não quero mais, do que eu tô sujeita a me submeter, do que eu não estou mais. Então é é menos uma guerra e mais uma limpeza, uma faxina. >> Sim. >> Então nesse momento >> faxinas são muito importantes na >> vacina tudo. E é isso,
né? O que tem dentro tem fora. O que tem dentro tem fora. É assim o tempo todo. Uma vez eu vi um vídeo que comparava a célula a célula humana, né, no microscópico super avançado, assim, uma lente bem bem aumentada e o universo e é idêntico, né, a configuração ali, a formação que linda. >> O que tem dentro tem fora. E a gente tem que acolher tudo, tudo que tem. >> Você falou que você se sente, que você ama através dos atos de serviço. >> Uhum. >> Mas o que te faz sentir amada? E >>
me amar? Que pergunta difícil. >> É, né? Eh, teve uns um período da minha vida que eu não sentia, eu não me sentia amada, mesmo vivendo o amor. Teve um namorado meio que eu tive lá quando eu tinha uns 20 e poucos anos, que ele falava assim: "Eh, deixa eu ser seu espelho". Porque ele falava assim que eu era linda, que eu que eu era inteligente, que eu era, sabe, ele me achava super wall assim. >> Nossa, mas eu achei esse pedido tão curioso. É. É, e na época, né, a gente como mulher negra e
enfim tudo isso que a gente sabe, a nossa autoestima é super >> filipendiada, né? Difícil construir essa autoestima. A gente vai construindo >> com tempo, com os com os anos, né, se desprogramando, né, das, enfim, de algumas afirmações, né? E aí eu tava nessa relação que eu tava assim super amada, o cara tava na minha, o cara dizia que eu era que fazia, acontecia, mas eu não sentia nada daquilo. Eh, e aí ele falou essa frase para mim: "Se e se você não consegue se enxergar, deixa deixa que eu seja seu espelho. Eu digo como
você: "Olha, você é inteligente, você é bonita, sua boca é assim, sua pele é assim". Ele era super poeta, assim também. >> Uhum. Enfim, eh, mas respondendo essa pergunta, isso >> eu não sei, >> eu não sei, eu me sinto muito amada pelo >> pelo meu companheiro, assim, eh, talvez por, eh, por ter aprendi, ter tido essa aprendizagem, né, de que amor é ação, de que amor tá ligado a serviço, de que amor é o que a gente faz, né? Isso que o Bel RS fala. E como eu amo dessa maneira, eu acho que eu
me sinto amada quando, sei lá, meu companheiro trança meu cabelo para colocar minha peruca ou quando, >> sei lá, eu volto para casa e tá tudo organizado, sabe assim, tem comidinha pronta. Horas, tá bom? >> Infelizmente ou felizmente eu acho que e tá ligada a atos de serviço também, assim, sabe? ele me dizer, "Eu te amo". E ele >> fazer o amor, amar, agir, o amor me diz mais a ação do que a palavra, né? Então eu sinto mais que ele me ama quando ele faz por mim e faz pela nossa família do que quando
ele diz eu te amo >> e ele diz bastante que ele é de dizer. Ele ele é muito afetuoso, >> mas eu sinto mais quando ele faz. >> Eu acho que é aí que mora a ação, né? da Vooks, né? >> Nesse lugar. Dzer qualquer um pode dizer, né? Qualquer um que >> nossa, aqui em São Paulo, então acho super estranho. Isso para mim foi muito impactante. Eu não sei se é cultural ou se assim é o meio que eu tô, mas as pessoas dizem: "Eu te amo". Muito facilmente, quase como um bom dia >>
é quase como um bom dia aqui em São Paulo. Lá na Bahia não é assim. >> E te chamam de amiga também. Muito fácil. uma amiga que eu te amo. No final eu falei e eu não conseguia responder de volta porque tipo aquela pessoa. >> É, obrigada. >> Tá bom, tá bom. Que ótimo. >> É, então, eh, >> é o eu te amo, né? Eu te amo virou uma coisa muito banal, né? E, e >> quase como uma moeda de troca assim, né? Quase como >> Então, acho que a ação diz mais do que a
palavra, mas é importante dizer a palavra amor também. É, tem tem feito esse exercício. É >> exatamente isso que você falou. A gente tem que falar porque pra gente às vezes tá tudo bem, né? Eu também não. Eu não, ah, eu não vou procurar, mas aí em algum momento quando a gente se vir para mim vai ser tipo igual. Nada mudou. >> É também. >> Eu vou te chamar igual. Você precisar de mim em qualquer momento eu vou estar lá e tudo mais. E aí recentemente uma amiga falou: "Mas >> cara, você não você não
manda mensagem. >> Sim, >> você não sabe de coisas que são importantes para mim". >> Sim. É. >> E eu falei: "Putz, é verdade". E aí agora eu também tô, me identificou muito que eu também tô nesse exercício de >> procurar as pessoas e falar e mandar mensagem: "Como tá aí?" Aí outro dia um casal de amigos foi viajar e aí natural, o meu natural é desejar para eles boa viagem no meu coração. >> É, é mandar >> mentalizar e ótimo. Mas aí eu falei: "Não, eu preciso". Aí me coloquei, anotei na minha agenda para
no dia da viagem mandar uma mensagem, falar: "Ó, desejo que seja uma ótima viagem". Quando eles voltaram, como foi a viagem, sabe? Para >> Sim. Não, eu também tô fazendo esse exercício também. Como eu viajo muito, aí o pouco tempo que eu tenho, eu quero dedicar pro meu filho, eu quero dedicar pro meu marido, mas a amizade para mim é uma demanda. Isso foi uma coisa >> que eu descobri também na terapia, >> porque quando era criança não tinha tantas amigas, eu não não >> eu era mais diferente ali naquele contexto, não participava dos grupinhos,
não sei que, não sei o que. A gente precisa ter horas para conversar, porque eu me identificou. >> Aí eu dava meus brinquedos para ver se se eu fazia uma amizade, eu ficava dando presente, dando minhas coisas para ver se eu conseguia ser aceita e toda essa necessidade de pertencimento, não sei o que. Foi foi algo que eu levei na terapia ano passado e até nesse rolê de de pertencer a às cantoras. Eu quero ser ao grupinho das cantoras, sabe? E aí falei: "Nossa, eu não sou amiga de nenhuma cantora, elas t um grupo e
eu não sou do grupo". E tipo assim, quem quem é essa Lu que tá com essa demanda de tá pertencendo a grupo? E que grupo é esse? Não existe grupo nenhum, tá todo mundo trabalhando que nem o C, sabe? >> É a Lueg lá do passado, então vamos deixar ela lá. >> E por entender como é caro para mim a amizade, né? É, e são poucas amizades que eu tenho. Eu tô fazendo esse exercício de ter esse insite. Nossa, sonhei, lembrei, vou mandar mensagem, vou quando eu tiver em Salvador, vou lá procurar, tomar um chá,
um café com ela. Aí tem algumas amizades aqui em São Paulo que eu não vejo há anos, né, fazendo disco, produzindo, entrevista, viajando, n, marido, filho, essa semana a gente vai dar um rolê, a gente vai o dia das meninas e tal. Eu quero muito eh e por mim mesmo, né? Eu quero muito me proporcionar essas experiências que eu não vivi, né? E e que o cotidiano e que o trabalho e que a vida eh, enfim, a vida talvez limite um pouco mais o meu tempo hoje, mas eu o pouco tempo que eu tiver eu
quero dedicar as minhas amizades, né? Então eu vou, eu tô fazendo esse exercício já e depois a gente se divide aí qual o resultado disso. >> Sim. A gente precisa >> que dê tudo certo. >> Vai dar certo. Aliás, falou um dia de meninas fazer coisas, você topa e dá um rolê pela cidade. >> Com certeza. Vamos nessa. Vamos embora. >> Amei nosso papo. >> Ai também. >> Menina falando em ET, aquilo ali não parece um ET, >> cara. É um ET, eu acho. Eu acho que é um ET. É bem um ET. >> Eu
nem entendi porque ele tá ali. Tudo bem. >> Vem cá, vem cá. Vamos lá. Vamos lá. >> Você vai filmar? >> Vai filmar. Tá valendo. เฮ [Música] เฮ [Música] [Música]