A arte se manifesta das formas mais diversas possíveis. Temos que ter um olhar antropológico. Gosto não se discute, mas preconceito sim. Vencendo algumas barreiras que você tem na sua mente, você pode passar a gostar de coisas que você nunca imaginou. A gente tem que vencer os nossos preconceitos. E você vence os preconceitos através da mudança do olhar. É um exercício de tentar se Colocar no lugar do outro. Legal demais, cara. Nós não somos racionais. A gente cria as explicações racionais depois que a gente toma uma decisão, por exemplo, emocional, sabe? Sim. E a arte contemporânea,
cara, ela é provocadora mesmo, entendeu? Ela tem que te tirar da sua zona de conforto, ela te toca, ela te fere, né? Arte é uma habilidade de você [Música] Estamos começando mais um Lots Podcast. Hoje eu tenho a honra de receber aqui comigo Dr. André Dorigo. Prazer é meu. Falei corretamente falou nome cara, obrigado por terceito o convite ter vindo aí. Eh, já te falei em off, né? Mas para falar pro pessoal também que faz tempo que eu quero fazer um episódio sobre história da arte como todo, sobre arte como todo, né? Acho que é
legal a gente ir por esse caminho Também. E pesquisando lá onde encontrei, vi que você um amante desse assunto, né? Você gosta para caramba e eu gosto de conversar com pessoas que falam sobre as coisas que elas gostam. Então, pô, tô feliz de você tá aí, cara. Poxa, eu também tô muito feliz de estar aqui. Eu já tinha comentado contigo antes de nós começarmos, né, que eu estava vendo um podcast seu doide com a Jéssica, né, Jéssica Câmpara e no dia seguinte vocês nos contactaram, nos Convidaram, então foi assim uma coincidência ou não, né, mas
foi foi muito interessante esse isso ter acontecido. Eu tô muito feliz de estar aqui, pô. Legal, cara. Então, se puder dar um um um breve resumo assim de qual que foi a sua carreira. Você tava falando que você foi formado em design, né? História da arte mesmo, né? Isso. Sim, sim. É, a minha graduação foi em desenho industrial. Hoje é design Gráfico, né? Hoje se fala mais dessa forma, design gráfico, mas foi desenho industrial, habilitação e programação visual. Legal. E depois eu comecei a trabalhar com design e mas eu logo percebi que ficar dentro de
um escritório não era exatamente o que eu queria fazer. E como na minha no meu curso, na minha graduação, que foi na Escola de Belas Artes do UFRJ, eh eu tive muitas matérias de história da arte, então eu Já fiquei muito encantado com a história da arte desde a graduação. Sabe dizer o porquê? Eu percebi que o design ele ele é um subproduto da arte. Então para eu ir a fundo no design, eu precisaria também ir a fundo na história da arte. E foi essa minha, foi essa minha, esse meu caminho que eu percebi, foi
a minha intuição que me levou. Legal. Aí eu voltei para pra mesma escola de Belas Artes, só que na pós-graduação, no mestrado. E aí eu fui eu fiz a história da arte e depois eu continuei e fiz o doutorado em história da arte. Mas foi, mas foi também muito interessante que no meu mestrado eu tive como orientador um antropólogo e eu acho que isso também me abriu muito a minha visão, o meu campo de trabalho, que tem muito a ver com o meu método de trabalho, muito legal, inclusive, Que você já, né, eh viu na
nas minhas redes, que eu vou eu vou explicar melhor. Aham. e me ajudou muito. E depois eu voltei pro doutorado e, enfim, sou doutor, né, em artes visuais, mas com um pé na antropologia e um pé no design gráfico também, né, cara? Legal, interessantíssimo, cara. Nossa, tô muito empolgado pro papo de hoje. Isso. Mas antes da gente começar aqui, eu tenho alguns presentinhos, cara, para você. Opa, que legal. Ah, no tu é, mandou para você aqui esse suplemento, tá? Que é o Greens Greens. Qual que é a ideia desse suplemento? Cara, não sei se você,
assim como eu, às vezes tem uma vida corrida, não consegue se alimentar do jeito que é o correto que você queria. E a ideia de um suplemento como esse, Que é depois eu vou falar exatamente qual que é a função dele, mas a a ideia principal é garantir tudo que for deficiência nutricional que a gente tenha pra nossa alimentação, às vezes de um de um dia a dia corrido ou mesmo às vezes que a gente compra no mercado, nem sempre eh mesmo que você compra lá um alface, alguma coisa do tipo, nem sempre ele tá
bem nutrido, né, por conta dos solos. que a gente tem hoje. Então, a ideia desse suplemento é garantir que Você esteja sempre eh com as principais eh deficiências nutricionais sempre supridas. Então, não tem erro, sabe? Então, mesmo que às vezes você fique em dúvida, será que eu tenho, será que eu não tenho, vale a pena tomar um suplemento desse. Então, ele tem aí uma série de vitaminas e minerais que seguem esse esse sentido também, mas a o diferencial principal desse suplemento é que ele tem alguns bioativos que são neuroprotetores Também, então ajudam ali a proteger
o cérebro de algumas de algumas doenças. Uhum. Ele também tem eh alguns alguns alguns elementos ali que te ajudam na questão do metabolismo também, saúde cardiovascular, enfim, tem uma série de coisa é para ser um suplemento completo que você só toma ele, sabe? A ideia é ser prática, bem maneiro, comprar aquele monte de pilo, um monte de cu ficar tomando. A ideia ser é um suplemento que resolve todos os problemas principais aí que a gente tem hoje em dia. Inclusive a galera que quiser experimentar, conhecer o Nutrig é um suplemento que agora não me falha
a memória se faz dois anos ou um ano e meio que eu tô tomando. É o único suplemento que eu tomo e a gente fechou a parceria lá no início. A gente parou por um tempo, mas eu continuei sempre tomando. E é pela praticidade dele é o único que que eu consegui Colocar na minha rotina mesmo, sabe? Já tentei ficar tomando creatina, outros suplementos. Uhum. essas coisas assim, eu nunca consegui. Intri me ajudou bastante com isso, tá? A galera que quiser experimentar aí na descrição tem o site deles no tur.com.br/lots, tá? O legal do de
você usar o barrauts é que além de você conseguir alguns descontos, tem também e formas específicas de adquirir um greens que são mais vantajosas, né? Então, por Exemplo, entrando nesse link que tá aí na descrição, você tem algumas diferentes caminhos que você pode seguir para adquirir no tribun. Você pode comprar ou pote separado, né, que você vai lá, compra o pote separado mesmo pelo link, não tem erro, ou que eu acho que vale mais a pena você pegar pelo formato de assinatura, tá? Por quê? Primeiro que fica mais barato. Então, você pegar a assinatura, o
pote por si só vai sair mais barato. Então, ele tem 28 doses, certo? Então, a cada 28 dias eles fazem a conta lá para chegar exatamente a cada 28 dias na sua casa um pote novo. Então é mais barato dessa forma. E o que é muito interessante, porque que eu acho que sempre vale a pena ir por esse caminho, é que e é muito fácil cancelar caso você precise. Então, eh, não tem aquele problema de ser difícil de cancelar ou ter alguma multa, essas coisas às vezes que a gente tem quando a gente assina algum
serviço, Né? Não tem esse problema com a Nuture, tá bom? E além disso, você pegar pela assinatura, tem um outro tipo de deficiência que eles te ajudam a suprir, que é a questão da vitamina D3, tá? Hoje em dia a gente passa muito tempo debaixo das nossas casas, a gente passa passa pouco tempo tomando sol, eh, como nossos antepassados passavam, então, praticamente todo mundo vive numa deficiência, mesmo que leve, de vitamina D3. Então, Pegando por pela por essa assinatura, você ainda recebe 360 doses de graça de vitamina D3. Então, um ano aí de vitamina D3
é vale bastante a pena, tá bom? Vai na descrição, dá uma lida lá, vê todos os benefícios, vê se faz sentido para você. É um suplemento que se você olhar assim por cima parece um suplemento caro, mas se você juntar tudo que tem aqui e comprar separado, você tá economizando aí mais de R$ 1.000, tá bom? Então vale a pena, é dar Uma olhada, conferir direitinho, ver se faz sentido para você, tá bom? Isso não substitui uma alimentação saudável, não é esse o caminho que a gente quer ir, mas ele te ajuda a a se
garantir que a sua saúde vai estar sempre bem nutrida. Fechado? Uhum. Além disso, cara, a Pod, que é uma outra marca aqui que tá tá com a gente, opa, muito obrigado. Também tem o objetivo de ajudar a gente a se manter mais saudável de uma forma Mais prática. Mandou aí para você um kitzinho de combuch, né? Hoje a gente tá aqui, gente, é maneiro. Tem um monte aí na geladeira, depois vocês querem pegar, pega lá. Nossa. Nossa. Então eles mandaram aí para você um kitzinho e hoje eu tô tomando aqui uma série diferente, nova que
eles lançaram, né, que eles sempre trabalhavam com combochás e agora eles estão trabalhando com o que eles chamam de smart drinks, né, que são A ideia é tentar eh pegar essas bebidas que as pessoas chamam de funcionais, tipo energético, outras coisas assim, e trazer de uma forma saudável e pra nossa vida, né? Então, ah, eles estão, eles lançaram agora há pouco tempo três smart drinks específicas, né? Cada uma com objetivo específico. Então, essa aqui que eu que eu tô tomando agora é o focus, né? O foco aqui, que tem um pouco menos de cafeína que
um energético normal. Tem Algumas outras substâncias que também me ajudam a focar melhor, então é bem interessante. Eles tm também o Energy, que é o ah, como se fosse o energético mesmo. E aí já tem um pouco mais de cafeína, tem taurina também, mas todos os ingredientes, todos os tudo aqui é 100% natural, tá? tem baixíssimas calorias também. E o que eu acho mais inovador e é o que eu tomo todos os dias é o calm, que é uma uma bebida para te ajudar a relaxar De noite. Então é uma bebida ali que tem liteanina,
elriptofano e magnésio de inseng. Essas substâncias que a gente sabe que ajudam a gente a dar uma diminuída nos níveis de ansiedade, estresse e tudo mais. É uma bebida de maracujá e camomila. Então já ajuda aí a dar uma relaxada quando você vai dormir. E para mim de sabor assim, todas são muito boas, mas a de maracujá e eu é maravilhosa e com somente sete calorias uma latinha dessa. Então é bem interessante. É 100% natural. Fechado? Ótimo. Aí na descrição tem o site da Pod também. Dá uma confidar. Além dos combuchá vocês vão encontrar os
smart drinks que é a novidade deles e ver o que faz sentido para você. Utiliza o cupom loots para conseguir os teus descontos. Fechado. L tz. Vamos embora então cara. Vamos lá. É, espero que você tenha gostado aí dos presentes. Todas as marcas que eu que eu trabalho aqui, eu sou bem chato para escolher. Eu experimento antes e realmente são bons os produtos, tá? Uhum. Vamos lá, cara. Eh, explica então pra gente antes da gente entrar realmente no história da arte, assim, qual que é a por que você trouxe uma visão diferente, né? Ah, de
como as pessoas ensinam a história da Arte, né? E qual que é essa visão exatamente? Uhum. Bem, a visão tradicional da história da arte, ela é uma sucessão de estilos. É uma disciplina que foi desenvolvida na Europa e ela começa, por exemplo, com um artista e um biógrafo chamado Georgio Vazari, no século X. Ele escreve uma biografia dos grandes artistas da sua época e e ali você já vê que é uma é uma necessidade, uma Carência que se tinha de deixar um registro da obra de artistas que talvez fossem esquecidos com o tempo. Então, a
história da arte ela começa com esse viés de biográfico, né, de deixar registrado a vida desses grandes artistas, de documentar, de documentar e com o tempo ela se ela vai se estruturando como uma disciplina e mas é uma disciplina europeia e Obviamente o foco dela é a arte europeia, mas isso também é é importante dizer o seguinte, que a nossa tradição ocidental, eu acho que também é importante fazer essa essa linha do tempo, né, da nossa tradição ocidental. Eh, a tradição ocidental ela nos traz essa desde a filosofia, da filosofia antiga, essa separação do de
um objeto de Estudo, essa visão separada, né? Eu vejo algo como objeto. Perfeito. E talvez isso eu até é uma questão que eu tenho, é uma questão que eu que eu procuro discutir com filósofos, com amigos, né? Eh, o que no o que difere o pensamento ocidental, a chamada filosofia, né, do pensamento de outros lugares do mundo. Na minha opinião, eu acho que a história ocidental, o pensamento ocidental, ele tem essa Característica de separar, de ver algo que vai ser estudado como um objeto. Uhum. E as outras culturas, outras tradições, por exemplo, a arte, a
religião, ela tá muito próxima da vida, ela tá muito ligada a vida. A arte é uma é uma decorrência, ela tá próxima da vida, tá ligada. E eu acho que desde os antigos começa essa visão de tentar separar, de ver como como um objeto. Na na em todos seus estudos, assim, qual que foi a melhor definição do que arte Que você já encontrou? Olha, se eu te disser que um dos livros que eu mais gosto é um livro do Frederico Moraes que chama-se Arte, é o que eu e você chamamos arte. Interessante. Já já resume,
né? A arte é uma coisa e é infinita. As definições de arte e os pensamentos sobre arte são infinitos. E por isso que eu acho que nós temos que entender a arte dentro de um contexto, tá? dentro de um contexto. E eu acho que O Ocidente ele fez essa separação de ver a arte como um objeto de estudo e é uma coisa nossa ocidental. E eu acho que dando prosseguimento a isso, a a visão da da história da arte, que é que é uma visão ocidental, é uma visão de ver a arte como uma sucessão
de estilos de estilos artísticos. E e essa sucessão de estilos muitas vezes ela se torna um pouco, para quem estuda, para quem gosta, se torna um Pouco maçante e se torna às vezes um pouco incompreensível. Por quê? Porque veja bem, se nós aí eu tô falando do olhar tradicional da história da arte, de como ela se estruturou. Primeiro como objeto, né? Eu posso pensar a arte como objeto. Eh, para ficar mais claro, o que que eu chamo de objeto? A nossa tradição É você ir, por exemplo, numa exposição e contemplar uma pintura ou uma escultura,
por exemplo, a distância. Você para, fica olhando. Muitas vezes você tem uma linha, uma linha no chão. Uhum. E você fala: "Não, não ultrapasse a linha amarela, né? Parece até o metrô, né? Que também tem uma linha amarela, mas que você não pode passar. E os seguranças ficam de olho ali, né? Então, Se você passa daquela daquela linha, o segurança já vai já, opa, não, não pode passar, né? Se você eh vai querer tocar em alguma coisa, opa, não pode tocar. Então, por quê? É uma tradição que privilegia o olhar e privilegia o distanciamento, né?
Eh, a gente tem, quando a gente vai estudar alguma coisa academicamente, sempre vem aquela questão, você tem que ter o distanciamento crítico. Esse distanciamento crítico é algo que Vem da nossa tradição ocidental, ver como um objeto. E para que você veja algo como objeto, você tem que se ter um certo distanciamento. você não, se você se mistura com isso, né, se você tá próximo disso, você não teria o distanciamento adequado para analisar aquele problema, aquele como objeto mesmo, né? Então, a nota, até a nossa forma de ver a arte que a gente até hoje usa,
Sim. É uma forma de contemplar a distância. Você não pode tocar, você não pode mexer, você tem que ver a distância, tem uma linha no chão, tem um segurança, né? Até porque também hoje em dia as obras de arte se tornaram objetos de valor caros, né? Então tem um seguro ali, tem todo um aparato de segurança, né? Mas isso é uma forma de ver a arte, é uma é uma tradição. Bem, e o desenrolar do do do estudo da disciplina é você ver como estilos que Se que acontecem em sequência. Uma visão progressista, né? uma
visão como do século XIX, a visão de progresso do século XIX, né? Sempre você vai no caminho do desenvolvimento, da melhoria. E a gente sabe que não é bem assim. Mas analisando essa ainda ainda essa questão dos estilos, por que que as pessoas têm um pouco de dificuldade, né? Eh, por exemplo, os estilos eles são muito pensados primeiro Como estilos de época. Então, por exemplo, o, eu até dei uma live agora recentemente sobre românico e gótico, são estilos medievais. Então, o românico ele é um estilo que vigora na Europa Ocidental no século X1. Uhum. O
gótico é um estilo que vigora na Europa Ocidental do século X, X3 até o século XV. Do 15 ao 16, é o Renascimento. Uhum. 17 é o Barroco, 18 rococó, depois Neoclássico. Aí no século XIX o neoclassicismo ele já começa a ficar próximo do romantismo. Eles se desenvolvem numa época eh paralelos, contemporâneos, depois vem o realismo, depois vem o impressionismo e aí entra a era que nós chamamos a era dos ismos. Aliás, eu já deixo aqui um um alerta para quem tá nos assistindo. Eh, quem escuta historiador da Arte falar vai escutar muito ismo. É
ismo que não acaba Mais, mas vocês vão, acho que vocês vão entender depois o porquê disso. Então, eh, conforme a gente vai chegando na modernidade, os estilos deixam de ser de época e passam a ser movimentos que começam a existir, a coexistir. Sim. E isso tem a ver com a complexidade do mundo moderno, cada e a velocidade das transformações sociais cada vez maior. Mas isso não existia antes de, por exemplo, estilos coexistirem? Existiam, claro, em lugares diferentes do mundo, mas eu tô falando aqui da da linha de visão, da linha da disciplina da história da
arte, que é uma visão ocidental. Pero, tá? Eu posso até te eh te te mostrar essa linha desde a pré-história, né? Quer dizer, a pré-história, arte da antiguidade, arte da idade média, né? A a idade moderna, depois a era contemporânea e e os estilos vão se Desenrolando nesse caminho. Mas, por exemplo, sei lá, se a gente pegar a época do do renascentismo, não Aham. Não tinha nenhum maluco pintando um um quadro mais impressionista assim. Bom, aí o que você pode o que pode acontecer, por exemplo, né, é que são exceções. Entendi. São exceções a a
regra. Mas isso mas isso isso é o que eu acho interessante da gente pensar. A gente não tá Analisando a a arte como um todo. A gente tá analisando uma forma de ver a arte, uma um enfoque, um enfoque, né? Como é que eu enfoco eh esse tanto de manifestações artísticas como um desenrolar de estilos? Primeiro estilos de época, depois de de movimentos, tá certo? Quer dizer, isso é uma visão, isso é um enfoque, isso é uma maneira de ver, uma maneira de estudar. tem outros enfoques, tem outras Possibilidades, tá? Por exemplo, eh essa seria
uma visão eh linear, uma visão eh histórica de se ver e também eh eh formal, porque você tá analisando eh características formais dos estilos. Mas, por exemplo, há pouco tempo atrás, eh, eu dava aula, por exemplo, na, eh, esse modo de dar a história da arte foi sendo substituído por um outro enfoque que seria arte e uma temática. Então, por exemplo, em vez de você falar dessa sequência de Estilos, o módulo que você, se você fosse o aluno de história da arte ou de uma outra matéria que você puxasse a história da arte, você chegaria
e e e olharia assim a grade e falaria assim: "Olha, eu vou para uma matéria eh arte e política, arte e religião, arte e sexualidade", entendeu? Você relaciona as manifestações artísticas com temas, tá? com temas, mas eu acho que isso é válido, mas eu acho que hoje eh a você Tem que ter essa visão cronológica, mas também você pode ter a visão temática. Se você for ao MASP hoje, sabe aquele segundo andar do acervo permanente do MASP? Eu nunca fui no MASP. Pois é, tem que, se você for lá, eh, o másp ele tem um
acervo maravilhoso, acervo de várias épocas, mas como ele era organizado em ordem cronológica. Então, se você chegasse no segundo andar, você vê você veria primeiramente eh obras da, vamos Supor, da antiguidade, depois obras medievais, depois obras do renascimento, depois obras do barroco, aí século XIX, sei lá, e depois chegava no século XX. Se você for hoje lá, você vai chegar e vai ver a arte contemporânea. Tum. E as obras mais antigas você encontra às vezes no fundo da sala e muitas vezes eles organizam em grupos. Então, por exemplo, eles organizam, quando você chega aí, tem
assim um grupamento de artes que toca na questão Da arte e o feminismo. Aí se você chega, arte e raça, aí você chega no outro lugar, eh, arte e miséria. Aí tem o Portinari, tem os retirantes do Portinari, entendeu? Então eles já reorganizaram o esse acervo permanente, essa sala do segundo andar por um outro viés que não mais o viés eh não mais o olhar cronológico, que é dos estilos, da passagem do tempo, que eu acho Importante também, mas é por temática. Isso tem a ver mais com o nosso momento atual, que é o momento
contemporâneo. É, que é super interessante também, né? Sim. E o que é legal do MASP é que você pode transitar pelo segundo andar e fazer um roteiro. Você pode fazer o seu roteiro, você pode simplesmente pegar o pegar assim a lateral ir até o final e e voltar, entendeu? Você não precisa necessariamente ir da frente para trás. Você pode ir para trás voltar, você pode andar em zigue-zague. Então, eh, esse método expositivo que na verdade vem da arquiteta do MASP, que é ali na Bobarde, que é, eu acho incrível, né? Eh, ali ela já começa
a a pensar a a exposição das obras de arte, não como o que nós chamamos tecnicamente do cubo branco. O que que é o cubo branco? É aquilo que eu tava falando há pouco para você. Tradicionalmente você entra num ambiente De exposição, é uma sala em branco, são paredes e as obras estão colocadas nas paredes com aquela faixa para você não se aproximar muito e com segurança de olho em você, para você não cometer nenhum excesso, se tocar, não chegar perto, tá? Então esse é o cubo branco, é a maneira tradicional, ou seja, a obra
de arte tem que se adaptar à aquele espaço neutro, tá certo? Ali ela já pensou como é que a obra pode ser exposta saindo da ideia do cubo branco. Então todos os os objetos naquele segundo andar pelo menos, eles estão expostos no que ela chamou de cavaletes de cristal. Então, as obras elas estão presas por um suporte eh de vidro e depois um e depois um um uma base, tá? E quando você olha a obra de arte, você não tem o texto explicativo ao lado, o texto está atrás. Então você, o primeiro embate que você
tem para obra de arte é a imagem. E é o que você realmente sente ali na Hora, né? Exatamente. É a imagem. Depois é que você dá a volta para ver o texto. E é uma coisa que eu sempre falo pros meus alunos, meus seguidores, eh obra de arte não é remédio, não tem bula. Então, qual é a reação das pessoas de uma maneira geral? Elas vão nas exposições, primeiro elas olham o texto para tentar entender o do que se trata aquela obra. Elas não primeiro procuram Ter o embate com a imagem, elas se seguram
no texto primeiramente, tá? E aí o que que a Lina Bobarde faz? Ela coloca o texto no na parte de trás do da obra que tá exposta. Então você primeiro vê a imagem, depois você olha para trás. Então quando você chega no segundo andar do MASP, você vê todas aquelas obras expostas, uma ao lado, uma ao lado da outra, só as imagens, né? Porque o o a obra tá suspensa, né? E depois é que você pode dar a volta e Olhar para trás e ver o texto. E você pode fazer a o trajeto que você
bem entender. Interessante. Então ela meio que resolve, digamos assim, não sei se você vai concordar comigo, mas um problema que é a gente analisar demais ou essa análise cria aquele distanciamento que você tava falando, né? Tipo, ter a análise ali crítica de um cara que escreveu o que que ela significa. Sim. Às vezes aquilo te afasta do que você poderia ter sentido, né? Sim. Sim. Eu acho que eu não tô dizendo que o texto não é importante. Exato. É importante. É importante, mas tem, por exemplo, tem artistas que nem colocam título nas obras. Composição um,
composição dois, composição. Isso acontece muito com o abstracionismo, por exemplo, tá? Porque o abstracionismo tem uma proposta de ser Apenas, é apenas uma apresentação, não é uma representação do mundo visível, é uma apresentação, é a forma, cara. Então você tem que pá olhar, sentir. Então por que que ele vai botar um título naquilo, né? Ela ele quer que você tenha um embate com aquela imagem, com aquela forma visual, com aquelas cores, aquelas texturas. Então, eh eh tem um um uma intenção por por trás disso, né? Mas o que a gente tá falando é é a
forma de contar a como Contar uma uma história da arte. São várias abordagens, são várias formas de apresentação, tá? E o MASP é isso. O MASP tem essa abordagem não moderna e contemporânea. Moderna porque ela criou esses cavaletes de cristal e contemporânea que não tá mais organizado eh cronologicamente, tá organizado tematicamente. E e aí talvez seja legal eu falar da minha abordagem. Sim, que é isso que eu ia Perguntar, assim, qual que foi a maneira que você encontrou de talvez tentar unir o melhor dos dois mundos, tentar resolver ali coisas que te incomodavam nesse assento?
Bom, primeiro lugar é ter consciência de que a história da arte é uma disciplina feita por um tipo de pessoa num tipo de lugar, ou seja, uma é uma disciplina europeia feita por por europeus, por homens, né? E agora nós estamos no momento de repensar essa tradição. Agora não Podemos negar essa tradição, claro, porque afinal de contas é uma disciplina, né? Eh, ela foi estruturada ao longo do tempo, tem grandes teóricos e tem métodos também dentro dessa dessa tradição. A gente não pode negar essa tradição, né? Mas a gente pode repensar essa tradição. Sim. E
acho que também se pensado, tá? Mas eu acho que se você pensar em impacto eh mundial, assim, impacto na cultura, teve um impacto muito grande, Talvez o maior dos impactos, né? Pelo menos aqui pro Ocidente, a enfim, a arte europeia, velho. É, a gente a gente vive um dilema, né? Porque ah quem somos nós, né? Quem somos nós, né? Nós somos ocidente, nós somos a civilização ocidental, nós somos a outra margem do ocidente. Pois é, né? Eh, bem, a nossa civilização, segundo, eh, enfim, eh, nós seríamos a civilização latino-americana, Né, o Huntington, Samuel Huntington, né,
que fala sobre civilização. Eh, eu eu concordo com ele, mas eu acho que nós somos a civilização eh latinoafro-americana, talvez acho que defina melhor, não só latino-americana, latinoafroamericana, né? E e eu acho que a minha experiência no mestrado com um antropólogo eh me fez ter uma outra visão, né? Ele brincou, ele brincava, né, comigo que eu Escrevi a minha dissertação, eu criei uma história antropológica da arte na minha dissertação. E bom, o meu, cara, o meu tema de estudo no meu mestrado foi mapa, cartografia, você tem uma ideia. E só que eu achava que aquilo
era arte, então eu podia apresentar aquilo para o o programa de história da arte. Eh, se você, eu estudava mapas do século X, para você ter uma ideia, mapas portugueses do Brasil do século X. Para mim, aquilo é pura arte. E eu fiz um projeto de pesquisa que foi aceito, mas o interessante é que quando eu fui fazer a a o exame, o segundo exame que a gente faz, né, eh, no decorrer do mestrado, do doutorado, né, eh, da qualificação, eh, a banca falou assim: "Ou você muda de curso ou você muda de tema, porque
o que você tá apresentando pra gente aqui não é arte, é mapa". você tinha que estar na geografia, entendeu? Ou então você muda, escolhe pintura, escultura, Arquitetura e fica aqui com a gente. Aí eu falei isso com o meu o meu orientador antropólogo, falou: "Não, cara, segue, segue que você tá na linha certa, depois a gente vê como é que faz na defesa, cara". Cara, aí eu defendi, ganhei, poxa, e eh nota máxima, menção horrosa, indicação para para publicação. É quase que transformaram minha dissertação em tese, para você ter uma ideia. Mas ele falou: "Ah,
acho que você tem que fazer doutorado, que você tem que amadurecer Mais as suas ideias. Quase que eu transformo minha dissertação em tese, enfim". Mas por que que eu tô contando essa história toda? Porque eh a arte ela se manifesta das formas mais diversas possíveis, não necessariamente numa pintura, numa escultura, numa arquitetura, que é o que o Ocidente definiu como arte, entendeu? Então, o que o Ocidente define como arte no renascimento é um momento muito especial o renascimento, né? momento de Antropocentrismo, rompimento com teocentrismo medieval. é um é um é um momento em que as
academias de arte elas vão se constituir e o artista ele se torna um profissional liberal e a e o a aprendizagem do artista ela une tanto o conhecimento eh de de ciências humanas, como por exemplo, o conhecimento da da antiguidade, da da da religião, da da Bíblia, conhecimentos bíblicos, como conhecimentos eh, Técnicos, né, de como aprender a pintar e também científicos. o eh se dizia no século X que o bom pintor ele precisa precisa ser um bom geômetra, quer dizer, precisa ser um bom matemático, porque ele precisa entender como funciona a perspectiva linear, como conceber
um quadro a partir da perspectiva linear, que foi uma das maiores inovações, né, uma das maiores eh um dos maiores revoluções da no decorrer da história da arte, na introdução da da Perspectiva linear na construção, na arquitetura dos quadros, tá? Então, o artista, segundo o que o Ocidente define, é esse homem humanista que tem uma educação humana, que tem uma educação técnica e que pensa sobre o seu próprio trabalho. Sim. Pensa sobre o seu próprio trabalho e que se destaca do que havia antes. O que que havia antes? Vi o artesão que trabalhava nas corporações
de ofício, era o Profissional anônimo. Então, o esse profissional ele se especializava eh na arte de esculpir pedras ou então de fazer vitrais ou então de fazer pinturas e ele era um anônimo. Sim. Então o renascimento, as academias, ele elas criam esse novo profissional liberal que é o profissional do artista. e ao mesmo tempo tem esse movimento de valorizar a biografia dos artistas anteriores, como o Vazari fez. Então, há Todo um movimento de valorização do artista como profissional liberal e da arte eh como um objeto, como uma disciplina que vai se desenvolver a partir desse
momento eh do século X, do renascimento, do humanismo, né, da da chegada do humanismo. Então, a arte ela tem essa característica europeia ocidental, mas não significa que outras civilizações, outras épocas não fizeram arte. É claro que fizeram arte. Uma das características que mais Define a nossa espécie é a produção de arte. Sem dúvida. Eu acho que é a arte e a a religiosidade, por exemplo. Então, a nossa espécie, ela, como é que ela se chama? Homo sapiens, mas ela foi definida com esse nome num contexto do Iluminismo, em que o racionalismo ele era era muito
importante. Então o Lineu, então aquele aquelas pessoas que estavam naquele momento de definir a as Espécies, né, a classificação das espécies, nós ganhamos essa definição, esse nome de homo sapiens, que é o homem sábio, sapiente, né, racional. Mas talvez nós sejamos muito mais homo simbólicos. Ou seja, nós somos homens que produzem símbolos. Nós pegamos, transformamos objetos em significado. Sem dúvida, cara. Criamos objeto, criamos pinturas com significado. Sem dúvida. Hoje eu ten eu trago muito neurocientista aqui, muito psicólogo e tal. E uma uma linha que a galera hoje eh segue bastante assim é entender que nós
não somos racionais. A gente é a gente cria as explicações racionais depois que a gente toma uma decisão, por exemplo, emocional, sabe? Sim. Então isso é muito interessante, né? Diferente do que era visto naquela Época, né? É, pouco tempo teve aquela eh a inteligência emocional, né? Esse conceito de inteligência emocional que já foi assim um abalo, né? pouco tempo atrás, deve ter uns 20 anos, 30 anos, né? Esse conceito de inteligência emocional, como assim, né? A gente a gente é dicotômico, né? A gente pensa essa essas essa forma de separar, não, racional, emocional. Quer dizer,
a gente não é bem assim, né? A gente a gente Pode até viver assim, porque foi levado a viver assim, mas a nossa cabeça não necessariamente tem essas divisões, né? Mas enfim, nós somos uma espécie simbólica, homo né? E então, portanto, nós temos manifestações artísticas, ou seja, eh, pinturas rupestres, né, de dezenas de milhares de anos atrás. Quer dizer, o homem ali, que é não é muito diferente de nós hoje, né? Não, fisicamente falando, a estrutura eh mental, cerebral não é muito diferente Da gente. Então, eles já podiam fazer, já conseguiam fazer aquelas representações que
muitos consideram ser talvez algo relacionado a uma magia, né? Eu represento a a caça porque eu tenho a intenção de de ter essa caça, né? De de caçá-la, de Pois é, uma dúvida. De conseguir, né? Uma dúvida. Aham. A função da arte na sociedade foi ah ela muda com o tempo. E, por exemplo, qual Que era a função da arte para esse cara? Qual que é a diferença da função da arte em outro momento? Sabe, a arte é múltipla. A arte é múltipla. Ela vem desse, desse, dessa necessidade humana de se expressar, dessa, dessa característica
do ser humano ser, de ser um animal simbólico. Ah, e o mais interessante é que a ultimamente nós também estamos descobrindo que não é só o Homo sapiens que é simbólico e que produziu arte, né? Outras espécies de Hominídios também, né? Eh, eh, podem ter eh eh produzido arte também. E isso é uma coisa que eh não estamos totalmente sozinhos nesse campo da da arte, né? Então, ah, tem várias várias intenções artísticas, tem várias intenções. Na eh na pré-história, quando havia essas pinturas rupestres, provavelmente aquelas pinturas se relacionavam com o cotidiano daquelas pessoas, com as
necessidades daqu daquelas pessoas. Quer Dizer, o fato de você representar um um e também eh o fato de representar um bisão, talvez um um boi, né, um bisão, vem de uma necessidade de de caça. Eu preciso de de caçar aquele aquele bisão. Eu preciso de me sustentar. Então, a arte tá muito relacionada com a ideia de preservação da espécie, de continuidade, né, de sobrevivência, de preservação da espécie. Caramba, isso faz muito sentido. Então, quer dizer, é de uma necessidade Do homem daquele momento, daquele momento. Mas aí você começa a perceber que com o tempo, não
apenas eh animais são representados, mas o próprio homem começa a se representar. Verdade. Ele começa a se representar, por exemplo, em cenas de caça. Ele começa a se representar tendo eh relações sexuais, enfim, eh várias eh várias representações eh conforme o tempo vai passando, mostram que aquele homem também vai mudando as suas eh os seus Sentimentos, a sua visão de mundo. E aí também acontece uma coisa muito interessante. com o tempo, aquelas representações elas vão se tornando cada vez mais esquemáticas. Como assim? Porque com o tempo, eh, em vez de você representar um bisão que
é absolutamente reconhecível, um elemento figurativo, você começa a representar traços, Triângulos, círculos, tá certo? Ele começa a fazer coisas mais abstratas e ali você começa a entender talvez o caminho que o homem traçou para a chegada da comunicação através dos símbolos. Perfeito. Que é escrita. Que interessante, cara. Legal. Entendeu? Então, existe um percurso, você vê pelas pelas representações das da rupestres e como elas vão se Desenvolvendo ao longo do tempo. Existe um caminho para a abstração. E é interessante, cara. E é interessante a gente pensar que esse caminho para abstração que nós conseguimos eh perceber
nesse momento pré-histórico, a gente percebe também no mundo ocidental. Por exemplo, na era moderna, você rompe com a figuração e vai pro abstracionismo. Quer dizer, não necessariamente aquele caminho para abstração que o Artista passa na modernidade eh é inédito, né? Não necessariamente é inédito, né? E é interessante que, por exemplo, Picasso, ele se inspirou muito pela arte africana. E aí o o os africanos brincam dizendo que os os africanos já eram modernos antes dos europeus quererem ser modernos, né? Porque o Picasso ele vai se ele vai se inspirar nas máscaras africanas para Fazer o cubismo,
por exemplo. Tá? Então esse caminho da abstração, ah, acontece na na pré-história, mas humana o tempo inteiro, né? Na história humana, tá? Mas aí o que acontece, a própria definição de pré-história também é eurocêntrica. Por quê? O que que é pré-história? É um momento em que o homem deixou registros, vestígios, eh, materiais. E a história é a partir do momento em Que o homem deixou vestígios escritos, né? Sim. Então, a história está vinculada com a necessidade do documento escrito. Isso é uma visão também eurocêntrica. E e a e a escrita ela se desenvolve pelo menos
eh que é mundialmente aceito, na Suméria, na Mesopotâmia, mais ou menos 3.000 anos antes de Cristo. Os primeiros documentos Escritos, tal como a Europa considera escrito, né? Escrita, tá? Porque, por exemplo, você tem muitos povos aqui da América, andinos, que desenvolveram formas também de comunicação e de contabilidade, que, cara, é a escrita que eles entenderam que era viável para eles. Quer dizer, que aquela cultura entendeu como sendo necessária para eles, mas que o europeu considera não. O que o sumério, a escrita cuneiforme suméria ou ah os Hieróglifos egípcios egípcios ali, o europeu ele ah não,
isso isso é escrita, entendeu? Então tem essa visão também de eurocêntrica, mas a gente usa porque todo mundo, eu não posso romper com isso, todo mundo conhece esse conceito de pré-história, todo mundo conhece esse conceito de de história. Eu não posso romper com isso. Eu mantenho, mas eu vou adicionando coisas novas. Mas depois que o homem eh eh passa deixa de ser eh caçador, Coletor, ele começa a se fixar principalmente nos vales dos grandes rios. quando a gente fala aqui do oriente próximo, mas isso não acontece, por exemplo, na América. Na América, o homem ele
se adapta, por exemplo, nos altiplanos, se adapta na selva tropical, tá? Mas quando falando do oriente próximo, são os vales dos grandes rios, vale do rio Nilo, ali se desenvolve a civilização egípcia, a Mesopotâmia, né, o Tigres e o Eufrates. Eh, por quê? Porque ali havia a abundância de água, mesmo sendo locais secos, com o transbordamento desses rios. Quer dizer, aquelas áreas eram alagadas. Isso facilitava a a agricultura, sim. A possibilidade da agricultura. Então, eh, por exemplo, o rio Indo, o rio Amarelo, né, Paquistão, a China, nesses vales desses grandes rios, a os grupamentos humanos,
eles foram se estabelecendo e foram se desenvolvendo Enquanto civilizações. E aí nós tivemos essas grandes civilizaçõ civilizações ditas históricas, porque desenvolveram formas de escrita, documentos escritos. H, e aí a gente volta para para a arte europeia, né, para para a história europeia, quando você tem, por exemplo, a a civilização grega ou helênica, porque na verdade a gente chama os o os gregos, mas eles se autointitulam de Helenos, né, a civilização helênica, né, mas eh há esse contato dos dos gregos eh com os egípcios, eh com o Oriente próximo, depois Alexandre Grande, né? Ele faz um
um uma conquista militar eh eh enorme e conquista norte da África, conquista, enfim, toda aquela a a Macedônia e vai até quase chega até o Oriente, levando a cultura grega para para esses locais. Depois o a civilação romana conquista a Grécia antiga e aí Nós temos o o Império Romano e e que vai absorver esse legado cultural eh principalmente dos gregos. E aí nós temos o que a gente chama de eh eh a antiguidade ah antiguidade são as grandes civilizações, né? a civilização mesopotâmica, eh, egípcia, depois a civilização clássica, eh, greco, civilização grega, civilização romana.
E e os romanos eles vão conquistar boa parte da Europa também, o norte da África. E, enfim, a gente entende a Produção artística e entende a a história como esse desenvolvimento dessas dessas grandes civilizações. Sim. Entendeu? E e aí por eu ter esse esse olhar, digamos assim, antropológico que eu tive com o meu o meu orientador, né, que era do Museu Nacional, mas dava aula também lá no programa de pós-graduação, o que a gente, o que eu entendi é que a arte é do homem. A arte é uma manifestação artística que vem do homem, Que
o homem é um é um ser simbólico e não necessariamente o homem é ah o artista, melhor dizendo, ele é alguém que estuda numa academia, que que aprende latim, que aprende a mitologia greco-romana, que aprende a eh textos bíblicos, né? A arte tá em todos os lugares, né? arte é do homem. Só que aí é que é uma questão também que eu que eu gosto sempre de colocar. Eh, as pessoas, estamos em 2024, estamos no século XX, mas as pessoas até hoje entendem a arte Como o Renascimento definiu como arte. Sim, até hoje as pessoas
entendem como arte, vem a imagem como o renascimento definiu, que é isso que eu tô colocando aqui, que é aquele artista renascentista, eh, como da Vin como Michelâelo, mas aquilo é um tipo de artista, né? Mas existem várias formas de arte, várias for a arte é produto da cultura e existe cultura Onde existe ser humano. Sim. onde existe ser humano. Faz sentido, cara. Isso explica porque às vezes quando a gente vê um, sei lá, uma um insight, sei lá, de um Einstein da vida, uma coisa que não tem nada a ver com arte, assim, qualquer
coisa do tipo, a gente olha aquilo com um olhar, parece que a gente tá olhando realmente uma obra, né? Uma obra de arte assim. Uhum. A gente se impacta com aquilo de uma forma parecida que a gente se impactaria vendo um quadro que impacta a gente ou ouvindo uma música que impacta a gente, né? mesmo quando a gente vê, sei lá, uma, eu que gosto de audiovisual, um tripé bem feito, sabe? Uhum. Não era, não foi feito para ser arte, mas impacta a gente de uma forma, caramba, que legal isso que o cara fezário, né?
Por isso que você tem artes marciais, Artes eh, da oficina, artes não sei o quê. Tudo que você faz, você desenvolve uma técnica e faz com maestria, é uma arte, sim. Entendeu? Então assim, ao pé da letra arte é isso, né? você, qualquer coisa que você desenvolva com uma técnica elaborada, com uma maestria, é uma, você transforma em arte. Mas a arte que nós estamos aqui comentando é, primeira coisa, é uma uma manifestação Do homem em todas as épocas, ah, em todas as culturas, né? desde que o homem começa a desenvolver a sua consciência. E
ao mesmo tempo você tem essa outra definição que é a definição ocidental que foi feita a partir do renascimento, que é uma definição europeia e que eu mostro, eu tô mostrando aqui, mas que eu procuro mostrar um outro lado também, não é só essa definição, porque as pessoas até hoje entendem arte como renascimento e Entendem imagem até hoje como o renascimento definiu, cara. Mas sendo um pouco o advogado do diabo aqui. Aham. Eh, será que é porque isso também é o que mais impacta a gente de alguma forma? Por exemplo, quando a gente vê uma
pessoa que dedicou a vida inteira para desenvolver uma técnica suprema de arte, o cara, ah, é um, realmente consegue eh trans eh criar uma obra ali Que deu trabalho mesmo, às vezes ficou anos ali fazendo uma obra, sei lá, uma escultura, um coisa do tipo. Será que a gente não enxerga isso com mais valor do que, por exemplo, um cara que vai lá e taca um balde no quadro? Sim, sim. Será que também tem essa coisa do tipo, o ser humano veio, putz, aquele cara não não teve muito trabalho para fazer aquilo, sabe? Pois é,
isso é uma questão muito contemporânea e eu vou vou voltar a ela, Tá? Antes eu só queria colocar, portanto, o meu método. Boa, cara, que fala o nome primeiro pra gente. Então, é o método dos quatro olhares, tá? Então, cara, a arte como ela pode ser, como ela é múltipla? Arte é o que eu e você chamamos arte. né? Como eu acabei de falar, que é um livro do Federico Moraes. Eh, o que eu quero dizer é o seguinte, primeiro, o primeiro passo é que nós temos que ter olhares, olhares em relação à arte, olhares,
cara. Olhares, ol, você não pode olhar uma arte pré-histórica com o mesmo olhar de uma arte contemporânea, ainda que ambas sejam arte, tá? Perfeito. Mas você tem que ter um outro olhar, cara. Entendeu? Você tem que ter um outro olhar. Então assim, qual o meu qual o primeiro passo que eu sempre coloco que vem do meu mestrado, que vem do meu da minha convivência com o meu orientador que que era antropólogo, já falecido, nós temos que ter, temos que ter um olhar antropológico. Esse é o primeiro olhar. Por quê? A arte, ela é resultado do
homem, ou seja, Do ser humano. Ela é um produto do ser humano. Nós somos animais simbólicos, até mais do que animais racionais. Somos animais simbólicos, cara. Somos animais homoossimbólicos, né? Somos animais simbólicos. Então, se nós entendermos que a arte ela é produto do homem, que ela é produto de uma cultura e a cultura é um conceito antropológico, inclusive é um é um livro que eu recomendo, Roque de Barros Laraia, Cultura é um conceito Antropológico, é um livro fininho, bem legal. Eh, a arte é um produto da cultura. Então, o olhar antropológico é esse. Nós temos
que entender a arte como produto de uma cultura. Ou seja, nós temos que que entender. Aí eu divido, por exemplo, no meu curso, eh, as várias regiões do mundo. Então, eu tô até com uma imagem aqui, eu vou abrir aqui, tá? Não tô. É o primeiro módulo. Você tá vendo aí a o bucho da daite. Boa. Olhar antropológico. O olhar o olhar antropológico. Tá. Então, por exemplo, você eh eu relaciono muito a arte sendo produto de uma cultura ou de uma civilização. Então, por exemplo, a arte produzida na China, ela é produto da civilização chinesa.
A arte produzida no Japão é o produto daquela civilização na Índia, das culturas subsaarianas, né? Arte chamada Arte negra, é produto daquelas culturas sub-saarianas. arte da América dita pré-colombiana é produto daquelas culturas que se desenvolveram, que vieram, né, do do homem que sai, que migra, que chega aqui na América e vai chegando na nas nos vários cantos da América, no alteplano, na floresta tropical, no litoral aqui do do que nós chamamos de Brasil hoje em dia. Quer dizer, o homem vai se vai se vai se adaptando a essas regiões e vai Produzindo cultura, vai produzindo
os seus artefatos, né, artísticos. Então é esse primeiro passo que é o olhar antropológico. Pessoal, aquela pessoa nasceu numa cidade específica ali da Índia, que tem uma cultura específica, a a arte dela vai ser um um produto de tudo aquilo que ela viveu naquela cultura, né, cara? Sim. Sim. Sim. Então, por isso que a gente não pode ter sempre o olhar eh um olhar só definido, né? Que é a questão do preconceito. Eu eu digo sempre digo o seguinte, interessante, cara. Olha só, eh gosto não se discute, mas preconceito sim. Você pode gostar, cara, do
barroco, você pode gostar da arte hindu, você pode gostar de grafite, entendeu? Mas cara, o preconceito, a gente pode discutir o preconceito, porque de repente você vencendo algumas barreiras que você tem Na sua mente, você passa a gostar de, pode passar a gostar de coisas que você nunca imaginou. Sim. Eu, eu, por exemplo, cara, eu era o cara que falava: "Não, arte é abstrata, isso nem é arte, o negócio nada a ver e tudo mais". Sim. Só que eu gosto, cara, eu não entendo muito, não entendo [ __ ] nenhuma, na verdade, mas eu quando
vejo algumas artes abstraças, quando eu Vejo eh vídeos no YouTube de pessoas analisando ou tentando entender, explicando muitas vezes o que como que é a vida daquele artista e tudo mais, todas asas coisas, eu gosto, cara. Eu acho interessante. Eu acho um modelo interessante de criação, sabe? Uhum. Coisa que antes eu não era assim. E aí eu entendi, cara, dá para você eh encontrar valor em qualquer coisa, você souber Olhar da forma certa, sabe? Uhum. Então essa questão do olhar. Você muda o seu olhar, aí você pode chegar à conclusão que aquilo não é para
você. Não gosto mesmo. Então ótimo, tudo bem. Mas você questionou o seu preconceito, você venceu o seu preconceito até mesmo você chegando na conclusão que não é aquilo, não é para você, não, não gostei não, não é a minha, tudo bem, mas a questão do preconceito é a barreira. É sim, você se distancia, o cara não se dá nem a oportunidade de tentar entender aquilo. Sim. É. E não é a barreira que eu falei no início, né, do nosso papo do distanciamento crítico. É a barreira da rejeição. Você vira as costas, né? você não tá
ali olhando, contemplando com distanciamento crítico, você tá virando as costas, né? Você tá se distanciando mesmo. Então, Eh, então eu discuto muito isso, entendeu? A gente tem que vencer os nossos preconceitos e você vence os preconceitos através da mudança do olhar. Então, eu parto do princípio que a arte é produto do homem. Então você tem que, primeiramente ter um olhar antropológico para abordar a manifestação artística, porque você tem que entender que ele é produto de um contexto, de uma época, de uma cultura. Esse é o pontapé inicial. E Aí, nesse módulo do meu curso, eu
falo de todas essas civilizações, Egito Antigo, Mesopotâmia, Índia, África sub-saariana, América pré-colombiana e etc, etc. Vou falando dessa e falo também, vai desde a pré-história que até mais ou menos. Vou até, cara, vou até a idade, até a idade média. Até a idade média, entendeu? Que por sua vez, interessante, cara, Que por sua vez ela, a a a definição Idade Média também é preconceituosa. Sim. Por que que é Idade Média? A idade do meio. Como assim? Ela que que ela tá no meio de quê? ela tá entre a antiguidade clássica e o renascimento que revive
a arte dessa antiguidade clássica. Sim, né? Então ela é um intervalo. Ela é um intervalo. E quem criou essa definição eh foi o historiador, Foi um historiador que tinha como, nível mais elevado de arte a arte clássica. Aham. Tá certo? Então para ele, se o ápice da arte é o clássico, nós temos a antiguidade o renascimento que revive o clássico, esse intervalo que o clássico ficou um pouco mais afastado, nem tão afastado assim, porque tem um românico que de certa maneira também foi uma um revival do da arte Romana antiga, tá? Mas tudo bem. Eh,
é uma arte teocêntrica, é uma arte que que a religião, a religiosidade católica se impõe. Sim, mas aqueles ideais clássicos da antiguidade são afastados. Aí o historiador ele fala: "Então é a idade do meio, é o intervalo, né? Aí também chamam de idade das trevas". Então, e não, e cara, e só existe renascimento por causa da Idade Média, porque coisas Aconteceram ao longo da da dita Idade Média que fizeram com que as coisas mudassem no século XV, que depois foi chamado de renascimento. Então, eh, a própria definição do momento histórico tem um preconceito, tá certo?
Então, olha como é que a gente tem que eh não é fácil, né? Você tem que ensinar algo que está consolidado, historicamente falando, que as pessoas conhecem os conceitos, conhecem o termo. Eu não posso me afastar completamente desses Termos porque as pessoas foram ensinadas assim, mas ao mesmo tempo eu tento problematizar esses termos, entendeu? Então, cara, nesse primeiro módulo é o olhar antropológico. É o olhar antropológico. Por exemplo, a arte, vamos falar de arte medieval. arte medieval, ainda que seja uma manifestação muito distante da gente hoje no século XX, uma arte cristã, eh, ela tem
uma ligação porque a grande parte do, por exemplo, do povo Brasileiro é de religião cristã, seja ela católica, seja hoje protestante. Então, existe ainda alguma identificação com essas manifestações artísticas pelo tema, pela temática, tá certo? Mas outras manifestações que aconteceram nesse momento da chamada eh idade média, por exemplo, podem ser muito completamente incompreensíveis para as pessoas de hoje, porque não há nenhum ponto de ligação, não há nenhum nenhuma Identificação. Mas aí é que a gente vem com olhar antropológico para mostrar, mas isso também é importante. Por quê? Porque é produto de uma cultura. Porque naquela
época as coisas funcionavam de tal forma, as pessoas se sentiam de tal forma. Sim. O cara que fez essa arte, ele era tal pessoa que, sei lá, era filho de não sei quem. Sim, sim, sim. Tipo isso. É, eu tava, cara, você gosta de Filosofia, né, G? Cara, essa semana eu tava pensando naquela máxima do Ortega e HC. Eu sou eu e a minha circunstância total, né? E eu pensei, pô, cara, isso e vai muito ao encontro do da minha maneira de ver a arte, né? Quer dizer, o como a arte é produto da da
de uma cultura, ela é produto de uma circunstância. Então não existe eu. Existe eu e a minha circunstância, eu e o meu contexto. Total. É o que a neurociência acredita hoje, né? Você é um produto do seu ambiente. Sim. Todo mundo Sim. E a gente eh tem que saber lidar com esse ambiente, né? Saber lidar. E por isso que a gente tem essa hoje também, né? A gente desenvolve o autoconhecimento, né? a a gente cada vez tenta se alimentar de maneira eh melhor, a gente tenta produzir de uma maneira Mais saudável, produzir mais de maneira
mais saudável, enfim, isso isso é um é um caminho que a gente tá, pelo menos alguns estão tentando seguir, né? É produto desse desse nosso momento que nós estamos vivendo. Então, cara, é isso. O primeiro passo é o horário antropológico. O horário antropológico. Agora, me co se eu tiver errado, vou tentar sim traduzir de alguma forma. olhar antropológico, a ideia é separar as Culturas e quando a gente for analisar a ar a arte, a x arte ou xã estilo artístico, a gente tem que analisar com os olhares daquela cultura em si e não o olhar
que a gente criou na época da, sei lá, com os europeus lá depois ou mesmo com o olhar de hoje também, né? Exato. A gente tem que colocar uma lente e falar assim: "Tá, qual que era o aquele momento cultural?" E essa foi a arte que eles produziram. É isso. É isso aí. É um exercício de alteridade, ou seja, é um exercício de tentar se colocar no lugar do outro. Legal demais, cara. Maneiro demais. Nossa, muito [ __ ] E eu acho que talvez seja o que mais falta nos dias de hoje, né? A alteridade.
Sem dúvida, né? a alteridade, né? Tentar se colocar no lugar do outro. E isso a antropologia me ajudou muito, me ajudou muito, porque Nada acontece por acaso, né? Se nós pensarmos o outro como alguém que nos complementa, né? Eh, a identidade não é só olhar para para dentro de nós mesmos, é olhar para o outro, ver como é que o outro nos complementa. Eh, não só o outro, mas as outras situações também nos complementam. Eh, só fazendo aqui uma parte que me veio aqui na cabeça. Ah, o humor hoje em dia tá tá muito em
crise, né? O que que É engraçado hoje em dia? Eh, muitas piedadas perderam a graça e e e com razão de ser, né? Porque realmente muitas coisas hoje não tem mais graça. Mas tem um certo humor, cara, que eu tenho visto no YouTube, que é o que eu chamo de humor antropológico. Cara, tem muitos estrangeiros que fazem piada comparando a cultura que eles estão vivenciando no Brasil com a cultura local deles, cara. Verdade. Verdade. Entendeu? Eh, tem um cara até a forma, por exemplo, Rafinha Abasso quando ele foi saiu aqui do Brasil para ele tá
nos Estados Unidos, né? Ele tava no Brasil de novo, acho que agora não sei se ele voltou, tal, mas a história é que ele era, ficou famoso aqui no Brasil e tal, foi paraos Estados Unidos, começou do zero lá. A, os shows dele lá eram shows Falando sobre a cultura brasileira, sabe? Falando como que é o estilo de vida, como que ele não se adaptou lá em alguma forma, sabe? Engraçado isso, né? Tipo, comparando as duas culturas, isso que as pessoas riam lá. Sim. Massa demais, cara. É um humor antropológico. Verdade. Uma das bases da
uma das bases da antropologia, do método antropológico, é Um método comparativo, tá? É um método comparativo. É por isso que o meu orientador falou que eu que no meu mestrado eu fiz uma história antropológica da arte, porque o meu objeto de estudo era a cartografia portuguesa do Brasil. Quer dizer, os portugueses cartografando o Brasil do século X e X7. E como é que foi meu método? Eu eu estudava aqueles mapas portugueses comparando com os mapas holandeses, os mapas ingleses, os mapas Espanhóis, os mapas franceses. E o meu e o meu resultado final da minha dissertação
foi eh comparar as semelhanças e as diferenças Uhum entre as manifestações de cada cultura, entendeu? Então ele falou: "Você fez uma história antropológica da arte". Por quê? O método comparativo, ele é a essência do trabalho do antropólogo, é fazer comparações. Perfeito. Tá? Então eu eu brinco e hoje, né, que o humor ele tá se reinventando por esse viés antropológico de comparar a minha cultura com a cultura do outro. Perfeito. Tá. E aí é interessante, né? Porque muito do que se considerava engraçado no passado era você eh inferiorizar ou sacanear o diferente. E isso já não
é mais legal. Agora o legal, o interessante, o engraçado é Você comparar com o diferente, entendeu? Poxa, isso isso é muito interessante, cara. Verdade. Eu acho que a gente tá dando um passo a mais, né? dando um passo a mais. E e portanto, cara, a antropologia me ajudou muito, esse olhar antropológico me ajuda muito. E eu acho que a antropologia ela ajuda muito também para tentar a gente superar esse momento de polarização, de brigas, de separ de Separatismos, entendeu? Vamos entender o outro, vamos nos colocar, vamos ter mais alteridade. Isso é uma das coisas que
me incomoda bastante, cara. Vamos ter mais alteridade, né? Que que a gente não tá junto nessa, né? Pois é, porque não tem que escolher um time. Pois é. E é e brigar entre nós. E é um combo, né, cara? É um combo. Quando você escolhe, entre aspas, escolhe um time, você escolhe um combo, cara. Você tem todo, um, né, um um um conjunto de atitudes, de pensamentos que é tudo igual, né, tanto de um lado quanto do outro. E e eu procuro o equilíbrio, sabe? Eu procuro o equilíbrio. Nisso eu sou talvez um pouco parecido
com os antigos, os gregos antigos, né? A justa medida é tentar achar uma justa medida. Esse é sempre o caminho, cara, Né? E não os extremos, né? A justa medida. Eh, e eu acho que até para você analisar a arte, talvez você tenha que encontrar uma justa medida. E eu procuro, nesse sentido, dar essa minha contribuição através desses olhares, né, cara? Perfeito, cara. Primeiro passo é o olhar antropológico. Ah, e outra coisa, o olhar antropológico eu quando eu eu separo o olhar antropológico no meu curso, eu falo Dessas civilizações da pré-história até a Idade Média.
Cara, mas o olhar antropológico ele serve para tudo, serve para todos os momentos, né? Sim, para qualquer momento, pro grafite, né? Poxa, eu quero analisar o grafite. Qual é a origem do grafite? Quem faz o grafite? Qual é a intenção do grafiteiro? Entendeu? Total, cara. Eh, qual é a intenção do pintor abstrato, porque sabe, você pode ter um olhar antropológico para tudo. Total. É muito engraçado isso, né? Né? Para tudo, cara. Não, só mas eu recortei para esse momento da da história da arte, mas é para tudo. Se pegar, por exemplo, a [ __ ]
você falou um negócio interessante que até tava me peguei esses dias vendo uns vídeos sobre isso, sobre a pichação, por exemplo, né? Não tanto o grafite, mas os o picho mesmo, né? Uhum. eh, que o pessoal odeia muito, xinga Muito. Eu também não gosto, acho feio para [ __ ] mas eh a questão é incomoda, né? Tipo assim, você tem que entender, você pode, se você não pode falar que não é arte porque aquilo te impacta de uma maneira, sabe? E a pessoa tinha uma intenção com aquilo e a intenção foi cumprida. Então é arte,
pode você pode não gostar, pode achar feio como eu acho, mas eu não consigo falar que não é arte ou que não é impactante ou que não é Uma e eh exploração de alguma coisa que tava dentro daquela pessoa, sabe? E é uma performance. Porque o cara picha nos lugares mais altos, nos lugares mais difíceis, é uma performance. Cara, tem um vídeo que eu gosto muito no YouTube, que é os pichadores entrando, eu não sei se vai me odiar por causa disso ou não, mas entrando naquela uma faculdade de arte bem famosa aqui de São
Paulo. Acho que é. Os caras entram lá e começam a pichar Tudo. Você já viu isso, cara? E é uma, é meio polêmico esse vídeo. Eu não sei se é isso que você tá falando, mas houve uma Bienal, houve uma Bienal aqui de São Paulo que eles resolveram deixar um andar completamente branco e aí os caras entraram e e picharam, entendeu? Não sei se foi isso. Não, não foi isso, cara. Foi uma faculdade, tipo assim, eu não sei qual que é exatamente, mas vou falar aqui a Belas Artes aqui de São Paulo, só paraum depois
vocês procuram aí no YouTube que eles eh houve algum algum relato de algum dos reitores lá, alguém assim [ __ ] ali na faculdade que diminuiu assim a pichação e tal e os pichadores foram lá, invadiram a faculdade e pô, você pode deixar isso errado, tudo mais, é realmente errado. Mas eu achei é interessante, cara, que eles foram lá, começaram a phar tudo, picharam em cima De obras de arte, o que é [ __ ] também. Eu sei que é [ __ ] mas também é interessante em algum nível. Começaram a pichar em cima das
obras de arte que tinham lá, é, dos alunos, trabalho do aluno. Ah, então é, foi outra coisa. É, e o aluno, os alunos chorando assim e tal, mas eu eh me impactou muito esse vídeo, cara. Tipo assim, caramba, é um é Uma arte agressiva, assim, é um negócio agressivo, não foi feito para agradar mesmo, sabe? Não é feito para ser bonito. Uhum. Para te incomodar. Eles estavam ali. Uhum. Não só eles não estavam ali para, eu não sinto que eles estavam ali para atrapalhar ou [ __ ] a vida da outra pessoa. Pode ser que
eles tenham [ __ ] o trabalho de alguém, Sei lá, ter dado trabalho para pintar de novo a escola. Enfim, com certeza. Eh, fizeram isso, mas eles também eh passaram a mensagem que eles queiram passar, sabe? Isso é muito maneiro, cara. Pelo menos é uma é uma performance, né, cara? É muito difícil. É, então é muito difícil não ser dual, né, nesse caso assim, ah, é ou é certo ou é errado. Saber o que é certo, que é errado, sabe? Sim, sim. Mas enfim, é, é uma manifestação, é uma manifestação que tem uma origem, que
tem que tem um porquê. Talvez os psicólogos, psicanalistas tenham até mais respostas do que meramente você classificar como uma manifestação artística, mas é uma manifestação do do homem que está com alguma questão, com alguma ele ele se manifesta daquela maneira porque ele tem uma questão. E é engraçado que o Picho, né, ele ele é muito assinatura, ele é Muito logotipo, ele tem muita da assinatura da pessoa. Verdade. Enfim, tem várias questões aí que vão pro lado muito da psicologia, da psicanálise. Aliás, eu eu costumo tenho costumado falar ultimamente que as ciências humanas, na minha opinião,
estão chegando num num topo, num teto que dali pra frente tem que a gente só consegue explicar os fenômenos pela psicologia. Quer dizer, ciências humanas chegam no chegaram no topo, dali pra Frente é só psicologia para entender os fenômenos sociais. Faz sentido, né? Entendeu? Eh, a psicologia tem que tem que tá embricada com a sociologia, sem dúvida, entendeu? Aliás, a a interdisciplinaridade cada vez mais cada vez mais, porque essa visão de você analisar a as as matérias, as disciplinas separadamente, é uma visão do século XIX, é uma visão positivista, né, de você pensar de em
categorias estanques. É, né? Eh, e essa é a nossa tradição acadêmica, né? Você, e você tem isso na escola, né? até hoje é a geografia, é a história, é a matemática. Sai um professor, entra outro, cada um fala uma coisa e mas hoje isso tá começando a tentar mudar, né? né? Quer dizer, você tem que ter eh cruzamentos de de até na Escola do nossos filhos, né, tem matérias chamadas projeto. O projeto é justamente você bola alguma coisa e tem várias disciplinas conversando para tentar fugir dessa desse pensamento separadamente, que no fundo no fundo, cara,
é aquele pensamento antigo, né, do objeto, né, eu analiso o objeto, né, é a visão de que é importante, tá? é importante, mas você analisa como um objeto, você e e com distanciamento crítico, Né? Mas agora você tem que também ter essa interdisciplinariedade. De repente aquele objeto, ele se relaciona com outros objetos. Ah, sempre, né? Né? Então, por que que você só vê como um objeto? Você pode ver como vários, né? E e dar a volta, né? não vê com um ponto de vista só dá a volta no objeto. Enfim, tem tem muitas coisas que
a gente pode mudar na maneira de de analisar, de pensar cientificamente, Metodologicamente. Antes da gente entrar no próximo olhar aqui de quatro que a gente vai entrar hoje sobre a história da arte, sobre a arte, tem mais um presente para você. Opa, a Insider mandou para você aí uma caminhada. Qual que é a ideia? Não sei se você conhece da Insider, mas a ideia é que eles eles possuam um tecido mais tecnológico, Né? Então eles têm algumas, o tecido deles tem algumas coisas que camisetas normais comuns ali, eh, não vão ter. Então, por exemplo, uma
camiseta que você não precisa passar, então se você tirou ali da mochila ou tirou da sua gaveta e ela tá amassada, você coloca ali no corpo que dá é 15 minutinhos ali, o negócio já desamassa sozinho. Que legal. Ela tem um sistema muito bom de de regulagem de temperatura também. Então Essa é preta, eu só uso preto e saio num dia de sol, por exemplo, ela não esquenta como caleta de algodão esquentaria. Uhum. Ela tem um sistema antiodor também muito interessante. Hoje eu, por exemplo, hoje eu fui treinar de manhã, não deu tempo de eu
trocar de roupa de tomar. É, tá seca, eu sou pr caramba, tá seca e tá, enfim, não tá fedendo, não tá nada, sabe? É uma camiseta, a ideia dela é ser prática, eh, ser uma e Tecnológica, né? E, e ajudar a gente a, enfim, economizar nosso tempo, no nosso dia a dia e também economizar dinheiro de alguma forma, né, né? Tem algumas pessoas que falam: "Ah, não, mas com o preço que eu compro uma insider, eu compro camisetas básicas aí, três camisetas eh de algodão, né? Mas se você olhar o custo por uso, né, uma
das coisas legais da da Insider é que ã a camiseta não desbota, né? Ela não desgasta como a camiseta Normal também. Então se olhar o custo por uso, que você pega uma camiseta normal de algodão preta, por exemplo, você lava quatro, cinco vezes, ela já tá cinza, ela já mudou de cor, ela já desbotou, ela vai esgarçando, né? Insider não tem esse problema. Hoje essa aqui é mais nova, mas o episódio que eu gravei ontem tava com camiseta que eu já que eu já tenho ela há dois anos, tá? Insider, a minha primeira que eles
mandaram e tava novinha, cara. Dois anos Depois. Enquanto se eu pegar uma de 2 anos assim, até antes, uma camiseta que eu peguei, sei lá, três meses, é de algodão normal, é, já tá toda desbotada, já tá escrita, já dá para ver que não é uma camiseta nova, sabe? Quant insider tá sempre nova. Então, para quem quiser experimentar aí na descrição tem um site da Insider também. E lá dentro vocês vão encontrar uma série de peças diferentes, mas o que eu sempre recomendo para quem não conhece e quer experimentar é a Tech T-shirt, que essa
aqui que eu tô usando agora, é a que você ganhou, é a clássica deles que não tem erro, mas eles tm a oversized também que é que é parecida com essa, mas ela é um pouco mais grossa e também ela tem um corte um pouco mais largo para quem gosta de camiseta mais larga e tudo mais. É bem interessante também. Enfim, tem bermuda, tem eh calça, tem tudo que vocês imagináriem, roupa íntima, tem os kits também lá que vem três camisetas, Seis camisetas, kit com cueca meia tem a versão feminina disso também e de todos
os tamanhos vocês imaginarem, tá bom? Utilizando cupom loots 15, às vezes tem 15% de desconto em todo o site, tá bom? Então, quando você clicar aí no link da descrição, a teoria é que o cupom já aplica sozinho, mas confere, cara, porque às vezes ele tá aplicando com cupom o nosso cupom antigo. Então vai lá, dá uma olhada, vê se aplicou com o loot 15, se escreve lá luz 15 e você Consegue 15% de desconto em todo o site. Fechado? Tudo que você colocar lá no teu carrinho terá 15% de desconto. Além desses descontos, é
legal olhar algumas abas ali da Insider, que tem algumas peças em promoção e quando você pega essas essas peças, o nosso desconto ainda soma com isso. Então fica ainda mais interessante. Fechado? É o primeiro link da descrição. Insider.br/luts também. Espero que você goste, cara. É realmente É a única roupa que eu consigo usar hoje que é muito que eu posso colocar. Pode deixar, pode deixar aqui para compor aqui o cenário. Boa. Tava falando para ele, né? Nunca vi o cenário com tanta coisa aqui. Tem muito patrocinador agora, meu braço articulado quebrou e eu tô tendo
que deixar um livro aqui para aprender. Então a gente vai, a gente Continua, não pode parar, cara. Então vamos pro passamos pelo primeiro olhar, né? Primeiro olhar ali sobre a forma que você enxerga a história da arte, a arte. E agora a gente vai pro segundo, que é o olhar mimético. Sim. Me conta um pouco disso, cara. E o que que significa ser mimético? pelo seguinte, primeiro lugar, eh esse esse segundo olhar que eu coloco, ele já está Relacionado à nossa tradição ocidental. Primeira coisa, né? Então, se por um lado eu me afasto um pouco
da maneira tradicional de de estudo da história da arte, aquela visão que eu falei dos estilos, né, da da sequência de estilos, eh, falando do olhar antropológico, agora no olhar mimético, eu volto a ficar mais próximo dessa metodologia. Quer dizer, eu não me afasto completamente, não faço uma um rompimento. E por que olhar mimético? Porque voltando lá paraa antiguidade greco-romana, a um um elemento fundamental para compreender a arte na antiguidade é a mímese, que é que a gente costuma a chamar de imitação, tá certo? Imitação. Eh, se você for, por exemplo, ler Aristóteles na sua
poética, ele fala da da míbeseises, né? Ele fala Da imitação. Fala que o ser humano eh, ele gosta de imitar. Uhum. Não só em termos artísticos, né? Mas o próprio filho imita o pai. Quer dizer, a imitação é do ser humano e e a imitação é você imitar a natureza, trazer para a arte a imitação do mundo visível, a representação do mundo visível. E esse conceito ele transcendia as artes visuais, ele usava esse conceito para o teatro, eh para vários Aspectos da vida. E ele fala isso na poética, na sua obra poética. E e como
acontece no renascimento, muitos desses conceitos, muito desse pensamento, ele é retomado no nesse momento do século XV, do século X, com a chegada do humanismo. essa transição que acontece da Idade Média para o Renascimento de um de uma sociedade teocêntrica, né, que Deus é o centro do universo e o homem passa a ser O centro daquele universo, uma uma sociedade antropocêntrica. Ah, e aí esse conceito de mímese volta a a vigorar, não só no renascimento, mas ele passa a a ser muito importante nessa arte que vai do renascimento até o século XIX. Então, se nós
olharmos, por exemplo, as manifestações artísticas, religiosas, cristãs, medievais, como é que os santos eles são representados? Eh, vou dar um exemplo. É muito comum os Santos serem representados com o fundo dourado. Uhum. Isso é uma uma inspiração muito da arte bizantina. Esse fundo dourado, ele santificava o personagem representado. Aham. Já o santo representado no Renascimento, o a figura sacra está em primeiro plano. O que que tá no no plano de fundo? Uma paisagem. Então você traz aquele personagem do ambiente sagrado para o ambiente terreno, tá certo? Então, ah, você traz para o ambiente comum. E
é muito engraçado que é muito comum você perceber certos artistas, por exemplo, um artista suíço, como é que ele vai representar Cristo andando num lago com um pico nevado atrás? Aham. Sabe assim como um um italiano, ele vai representar um santo Ah com uma paisagem arquitetônica da da Toscana atrás. Quer dizer, ele vai trazer para o seu cotidiano, ele vai trazer aquela figura sacra para para o seu dia a dia, né? Então ele vai ter essa necessidade de trazer o meio ambiente, a imitação da natureza, do seu entorno para a representação sacra. Além disso, ele
vai trazer também a inspiração dos temas mitológicos da mitologia greco-romana e que é, de certa maneira, um salvo Conduto para pintar o nu. Porque o culto ao corpo belo na antiguidade, ele vai ser rompido na na Idade Média, porque na Idade Média o corpo é corrupto, então ele tem que ser coberto. Sim. Então o corpo, o culto ao corpo belo vai voltar no renascimento e as represent e como há um uma retomada dos textos clássicos, a as pinturas de temas clássicos, de temas mitológicos, vai ser de certa maneira uma abertura para pro Nu, né? Então
tem aquelas esculturas lá dos caras com o bilaluzinho pequenininho. É total é a contemplação do corpo, é o corpo belo. O corpo belo volta a estar em voga. E ama coisa eh interessante que eu tô vivendo agora, que eu tô com uma certa dificuldade de postar obras de arte de nu. Eu tô recebendo notificação. Nossa, que merda, cara. Entendeu? Aí agora, eh, a gente tá chegando num consenso que Não pode mais, ou então no corta a parte do do Nu, né, das partes íntimas, porque o Instagram tá Será que estamos voltando pro corpo corrupto, entendeu?
É, pois é. Então, eh, estamos com só que engraçado que no estatuto deles eles falam: "Obra de arte pode, mas aí o tal do algoritmo barra, cara. É isso é [ __ ] entendeu? Aí para não para não arrumar confusão, eu tô tentando evitar de Colocar enfim, n, entendeu? Mas imagina temas mitológicos, né? Então, aí o que o que assim dá pra gente trazer como essa era assim do segundo olhar, o principal era essa questão de imitar mesmo assim de eh representar o mundo visível, o mundo visível, o homem como ele é, a natureza como
ela é. Sim. E isso, o renascimento traz isso inspirado na antiguidade. Eh, mas qual é a diferença, né? A antiguidade ela representava o corpo nu. Ah, e qual era A religião? Era o paganismo, né? que a gente fala assim de uma maneira genérica é o paganismo. Ah, e o que que no o que que o renascimento faz? A religiosidade do renascimento é a religiosidade cristã. Sim. Então ele faz um sincretismo, né? A temática é cristã, mas a forma de representar é inspirada na antiguidade. Então existe ali um sincretismo. Eu costumo dizer que A cultura ocidental
ela é um sincretismo da tradição judaico-cristã com a tradição helenística. A nossa cultura ocidental nada mais é do que uma cultura judaico-cristã helenística. Essa mistura, essa esse sincretismo, tá? Por exemplo, né? Aí a a a própria capa do nosso eh módulo dois, né? O olhar mimético, quem eu coloco? O Davi, Davi de Michelângelo. Davi é um personagem do Velho Testamento, total, mas ele tá representado como um deus grego. Total, ou seja, é um sincretismo todo cheipado, né? É, é um sincretismo. É um é um é um encontro de culturas. É muito interessante isso. É um
encontro de culturas. E eles tinham também, me corrig, me Corrijo aqui se eu tiver errado, mas eles tinham uma uma um certo como como tá vindo a palavra na minha cabeça, mas um uma um amor assim ao ao que é belo maior do que antes, né, também ou não? Tipo assim, eles eles tentavam os corpos eram sempre representados de uma forma atlética. as pessoas sempre de formas bonitas, né, em geral. Enfim, Sim. Bom, aí a gente tem que voltar também para antiguidade, né, porque o corpo nu é o corpo belo, assim como na Idade Média,
o corpo é corrupto, ele tem que estar vestido. E a gente não pode esquecer que a forma está relacionada também com o conceito moral. Então, o belo é também o bom. Sim. Tá. A, o belo está relacionado com o bom e o feio com o mau, né? Ah, Na Idade Média, por exemplo, né? As bruxas, né, são as são representadas como mulheres feias e muitas vezes velhas. Sim. Quer dizer, o feio é o mau, é o ruim e o belo é o bom. Então, a arte ela é moralizante, então é um olhar moral também. É
um olhar moral, faz todo sentido, tá? É um olhar moral. E e É interessante nós pensarmos arte e moralidade, porque justamente na modernidade o que que acontece? A arte deixa de ser moral. Ela fica amoral. Não é imoral, ela fica amoral. total, tá certo? E e aí você deixa de ter uma arte voltada para a representação imagética com o intuito de passar conceitos morais e passa a ser uma arte cujas Representações, enquanto amorais elas se voltam muito mais para quem? Para o interior da subjetividade do próprio artista. Isso já é o terceiro olhar que eu
vou falar daqui a pouco, tá certo? Mas eu falei isso porque a moralidade ela tá muito tá muito relacionada com a nossa tradição ocidental. A arte tem um objetivo moralizante, moral, e também ela tá ligada ao poder. Ela tá ligada ao poder. Quem é que Patrocinava a arte? Sim. Eram os ricos. Era claro os reis. Os reis. A igreja. Quem eram quem eram os messenas, né? a Igreja Católica, os papas, os poderosos, a a as cortes, né? As cortes elas estavam eh você imagina, por exemplo, eh, a Itália, que não não se chamava de Itália,
né? A gente fala Itália de uma Maneira genérica, mas era a Florença, eh, Roma, quer dizer, eram as regiões, né? eh aquelas pequenas cortes que lá viviam e que enriqueciam por causa justamente do desenvolvimento do capitalismo, o desenvolvimento do sistema bancário. Sim. O empréstimo de dinheiro. Inclusive na época os o o início do dos bancos, né, dos banqueiros, eh eles eram chamados de usurários, porque eles eram eles Praticavam a usura, que eles queriam enriquecer muito, né? E aí, eh, e inclusive eles eram criticados porque eles, eles, eles lidavam com a questão do tempo. Quer dizer,
ele te emprestavam dinheiro para você pagar depois com juros, entendeu? Ele te emprestava dando o eh controlando o tempo. Aham. E ele enriquecia com isso. Aí, que que o o o Banqueiro fazia, né? ele eh encomendava obras de arte religiosas para tentar se salvar, né? Então, por exemplo, lá em Pádua, né, a Capela Arena ou Capela Scrovene, eh, é uma encomenda feita pelo Scroven, pela família Scrovia, para o Dioto. E aquela decoração daquela igreja toda, na verdade, é uma forma dele buscar sua salvação. E no altar mor ele faz uma representação Dele próprio, entregando a
uma representação da capela, né? Estou aqui entregando essa capela, essa representação, né? Com o intuito de de escapar do do ju no juízo final. Quer dizer, então existe essa culpa também, né? as pessoas enriqueciam, mas também tinham a culpa por estarem enriquecendo. Então, a a a arte tanto servia para que ele tentasse eh salvar a sua própria alma fazendo aquilo tudo. E também a arte servia para representar A o seu poder, né? Então, a arte era totalmente ligada aos poderosos, entendeu? E as academias foram muito importantes porque elas formavam esses profissionais liberais capazes de eh
prestar serviços para essa demanda que existia naquela sociedade naquele momento, entendeu? Então foi um conjunto de acontecimentos que aconteceram em conjunto. E que características que a gente pode ver nessa arte? É uma arte mimética, é uma arte que representa o Mundo visível. que tem essa ligação com o meio ambiente, que usa a perspectiva linear, eh, e a perspectiva linear também ela tá, o desenvolvimento da perspectiva linear, ela também tá relacionada com o próprio desenvolvimento da sociedade no sentido de eh conquista da paisagem, conquista do mundo. Então, a o desenvolvimento da perspectiva, isso eu falo na
minha dissertação de mestrado, ela tá ela tá vinculada às grandes navegações, por Exemplo, ao ao âmbito das grandes navegações. Eh, o homem medieval muitas vezes nascia e morria na sua própria aldeia. Uhum. Tá. E o homem renascentista, pelo menos parte dessa humanidade, ela começa a viajar, a sair da sua própria aldeia. Ela ela migra para outras cidades, para cidades maiores. Ele começa a viajar entre o próprio continente ou às vezes fazer viagens intercontinentais. Quer Dizer, ele está conquistando o ambiente, ele está saindo da sua caixinha, entendeu? E isso facilita, possibilita um outro olhar do mundo,
que não é aquele olhar eh limitado pela religião, limitado pela força da da da Igreja Católica, né? Então ele começa a olhar o mundo com outros com outro olhar, com outra forma de ah de encarar a vida. Aham. Entendeu? Então, cara, é tudo um contexto, né? É o humanismo, são as Grandes navegações, é o uso da matemática, é a arte tá muito vinculada à ciência. Da 20, por exemplo, né? o homem vitruviano, eh, as proporções humanas, as proporções idealizadas, quer dizer, e a ciência e a arte eh elas estão imbricadas nesse momento com esse intuito
de trazer a natureza, trazer o mundo visível para a pintura, para a escultura. Cara, toda a pegada ali do Dav 20, né, que ele ficava observando Como a natureza agia, funcionava, se comportava e trazia aquilo pras pinturas dele. Sim. é o que a gente chama, é o políata, né? É o homem que não é só ele fazia armas, ele fazia eh sistemas de de drenagem, enfim. Eh, há eh eh isso é uma isso essa essa questão do políata assim, ele é uma uma coisa meio eh exclusiva do Dinquela época ou era era um era um
era algo comum entre os Artistas? Olha isso. É, você vê um um Durer, por exemplo, ele, o Direr, né, o um importante artista alemão. Eh, ele também eh não só pintava, como ele também escrevia tratados teóricos. Quer dizer, é um intelectual, né? É um intelectual. Talvez o Davin ele tenha sido, inclusive você tem a biografia do Davin ali que eu que eu já olhei, né? Do Jacobson, né? Eh, Do Isackson é Isaacson. É, então ele ele é um cara meio fora da que transcende, né? Ele ele é ah engenheiro, ele sabe. Mas o que eu
quero dizer é que o o homem daquela época ele tinha vários interesses. Ele tinha vários interesses e que transcendiam a própria arte. E a questão da técnica que você falou, né? O cara vai a fundo na técnica, o Aprendizado da técnica maestria, né, cara? É da maestria mesmo. E a o transa palavra, o translacionamento, sei se existe isso, entre as disciplinas ali, né? Porque o que o Davin aprendia ou outros artistas ali para poder pintar, ele conseguia utilizar aquele conhecimento de em algum nível para fazer um canhão lá, por exemplo, né? Sim, Cara. A interdisciplinariedade,
né? Que a gente tava falando há pouco, né? de a gente pensa em caixinha nessa época era tudo conectado. Ele ele ele lincava uma coisa na outra. Tem algum algum livro que você pode me recomendar sobre essa época ou sobre como as pessoas eram? Sobre como era vista essa questão da educação essa época? Ai cara, tem muitos livros, né? Eu eu sempre recomendo um livro de História da Arte que eu acho básico, que que é o História da Arte do Ernest Gombr, né? que ele fala também da pré-história até o século XX, entendeu? Ele ele,
enfim, fala todos os o as épocas. Então, pelo menos um é um livro assim, é um livro de consulta, não é para você ler ele todo, você precisa ler ler em partes. Então, é essa aí é um ponto um pontapé inicial. Legal. Entendeu? E esse livro, por exemplo, da biografia do do Dain, ele é muito legal, ele fala do contexto, muito fala demais. do contexto da época. Esse livro é muito bom, velho. Todo mundo deveria ler. Eu li ele duas vezes já. E enfim, tem muita coisa interessante. Esse biógrafo é muito bom, inclusive Walter Isackson,
ele fez biografia de outras pessoas que também eram Políatos, né, em algum nível. Aham. Bem massa. Mas enfim, portanto, esse momento é tão importante, cara. ele é tão marcante e e essa forma de arte que depois é incorporada pelas academias, ela vai se disseminar pela pela Europa, pelo mundo ocidental, eh que eu considero que ela é tão forte que ela se tornou como as pessoas entendem Arte até hoje. É exato. É isso que eu ia falar. Tipo, o que tá aqui, olhar mimé, eh, renascimento, o realismo, todas essas coisas. É o que a gente quando
a gente romantismo que quando você fala arte é o que tum da 20. Exato. Monalismo. É. É isso. Entendeu? É como o Renascimento nos ensinou a ver esse olhar e que é o olhar mimético, né? Entendo, eu entendo a arte como representação da natureza, pidedigna da natureza, eh, esmiuçada da natureza, né? E aí, então, o olhar formal chega para quebrar isso, né? Pois é, cara. o que acontece, eh, esse olhar vigora até o século XIX, que é o momento 18, 19, é o momento assim da maior força das academias, né? A, Principalmente a academia francesa.
Academia francesa, ela vai criar um modelo que vai se replicar em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, né? A a eu estudei na Escola de Belas Artes da UFRJ, que vem da Academia Imperial de Belas Artes, que foi fundada por decreto de Dom João VI, quando veio para cá, né? Em 1808 vem a família real portuguesa fugindo das invasões napoleônicas e Dom João VI e E decreta, né, a fundação de uma escola para formar artistas. H, que veio depois a ser a Academia Imperial de Belas Artes, quando o Brasil eh se tornou independente, se
tornou um império, depois ela passou a se tornar Escola Nacional de Belas Artes e hoje escola de Belas Artes da UFRJ. E quem é que que que estrutura basicamente essa escola? Os franceses que vieram na missão artística francesa, entendeu? que trouxeram essa expertise e trouxeram Esse legado da Academia Francesa para o Brasil, que esse mesmo ensino que eu falei, esse ensino técnico, esse ensino eh humanista Uhum. Entendeu? De você aprender temas bíblicos, temas mitológicos, eh anatomia, as pessoas aprendiam anatomia para fazer modelo vivo, as pessoas, né? Eu eu estudei modelo vivo na na minha graduação,
cara. desenhava com carvão, com lápis sanguínea, modelo vivo, entendeu? Quer dizer, isso vem lá do do Do academicismo francês, entendeu? Quer dizer, uma tradição que ainda permanece a hoje, se você for lá na FJ, você vai ver o modelo vivo, gente fazendo modelo vivo, entendeu? Então, quer dizer, é uma coisa que permanece até hoje. Mas o que que acontece? Eh, então o renascimento, o chamado barroco, o rococó, o neoclassicismo são eh estilos artísticos vinculados a Essa maneira que eu chamo de ver a arte de de olhar mimético, tá? Tá certo? O que que acontece então
a partir do final do século XVI e o século XIX? acontecem grandes mudanças estruturais no mundo ocidental, como, por exemplo, mudanças a Revolução Francesa, a Revolução Industrial, quer dizer, mudanças sociais, políticas, econômicas, a independência das colônias americanas, Quer dizer, e o Brasil, 1822, mas também a América espanhola, o Brasil se torna um império, mas as outras eh os outros países são repúblicas, né? Então, há essa esse essa onda de independência, a independência dos Estados Unidos, que foi antes. Então, todo esse processo de independência, a revolução industrial, a revolução francesa, quer dizer, todas essas grandes revoluções
mudaram o mundo e, obviamente, vão mudar a maneira do artista ver o mundo e se Relacionar com a arte. E também tem uma invenção que foi fundamental, que é a fotografia. Um uma uma técnica. Faz sentido, cara. A, entendeu? A criação da fotografia, ela vem de uma de um desenvolvimento do saber químico e físico que se verdade encontram lá no princípio do século XIX. O conhecimento físico vinha de vem da da câmera obscura, da câmera escura, né? Que aquela caixinha fechada com furo, a imagem entra pela caixinha e é projetada no fundo da caixinha invertida.
Até hoje você faz, você conhece pinhole, aquelas eh fotografias que você faz com caixinha, não? Então é o princípio da câmera escura, né? Você faz um furinho, coloca um papel fotográfico lá, cara, o pessoal faz com latinha, faz com, é o mesmo princípio, uma uma câmera fechada com buraquinho, Que a imagem penetra por aquele buraquinho e é projetada no fundo. Aí você bota um, enfim, alguma superfície lá e sensível à imagem, a imagem se fixa lá, falando assim, muito grosseiramente. É um princípio que eh já se conhecia séculos e séculos antes, o princípio da câmera
escura. E os artistas usavam isso, né? Eh, o que acontece no século XVI, o desenvolvimento da química, principalmente com a litograva, né? E aí Esses conhecimentos químicos vão se juntar os conhecimentos físicos e eles vão desenvolver uma um aparelho que fixa a imagem da câmera escura, que é nada mais é do que é a fotografia. E aí isso meio que mata o realismo ali, né, entre aspas. Pois é. Então, o objetivo da arte, que é a mímese, que é a imitação, você vai ter um aparelho que faz aquilo ali que o Fox Tbot, que foi
um dos pioneiros Da fotografia, chamava o lápis da natureza. Quer dizer, a imagem ela se formava sem nenhuma intervenção humana, sem nenhum lápis do artista, apenas com o lápis da natureza, tá? Então, houve ali uma crise, né? Houve uma crise. Porque a, qual é o, qual é o paradigma? É produzir uma arte mimética que a, ou seja, que nós identifiquemos a natureza ali naquela representação. É uma arte representativa, tá certo? Então, há uma crise. E aí, eh, Grupos de artistas, como por exemplo, o os impressionistas, né? Eh, ou antes disso, os românticos eles já começam
a pensar o seguinte: "Poxa, eu vou deixar o atelier e vou pintar ao ar livre, porque a pintura ela não é mais algo produzido num ambiente fechado, hermeticamente controlado. Eu tenho que ir à natureza porque a natureza é que vai me fornecer a inspiração. Eu tenho que representar o que os meus olhos estão vendo ali no Contato direto com a natureza. Daí você começa a desenvolver uma técnica de pintar cada vez mais rápido e com pinturas e com pinceladas mais curtas e distintas. Vangog é o Vanog é depois. Depois ainda é depois, mas eu tô
falando ainda do dos dos iniciantes. Eu tô falando lá do Monet, daquele pessoal. Quer dizer, o artista ele vai pintar as sensações visuais. Então ele passa a fazer uma Mera representação do que ele tá vendo, mas ele passa a pintar uma impressão, entendeu? A impressão que ele está tendo, a sensação que ele está tendo e não uma representação. Eu não quero pintar essa garrafa novamente. Eu quero pintar a impressão que eu tô tendo da luz que tá incidindo sobre essa garrafa aqui. Aham. Tá certo? Porque se eu tô vendo essa garrafa com essa luz, se
eu for ali naquele cantinho que tem a sombra, a Impressão vai ser diferente. Se eu for lá fora, a impressão vai ser diferente. Então não existe uma garrafa. Se com sede, a impressão vai ser diferente. Claro. Entendeu? A o que eu o que eu tô vendo tem a ver com a minha sensação visual de acordo com o ambiente que eu estou. Isso, né? E aí traz aquela sensação quando você vê uma pintura dessas que é é mais intensa, né, de alguma forma. É, Ela ela é cintilante, né? Ela é brilhante, né? Entendeu? Então é uma
é um outro olhar. É um outro olhar e cada vez mais o artista ele deixa de pensar a pintura como representação. Eu não quero representar o a garrafa, eu quero representar minha sensação visual. E aí o Vangog, como você citou o Vangog, ele dá um passo além, porque ele também coloca muito a sua energia, a sua subjetividade. Ele passa a pintar com Emoção, né? Então o que acontece a partir do Ele ele não considera impressionismo o Vanangog? Considera ele ele assim, vamos dizer assim, ele é classificado como pós-ionista. Ah, tá. E ao mesmo tempo, muitos
o consideram como expressionista, como um pai do expressionismo. Tem várias formas de você pensar o Vanangog, né, de classificar o o Vanangog. Mas o que acontece é que é um outro paradigma que Tá se construindo, que tem a ver com a modernidade. A modernidade é um é o que nós chamamos de modernidade. Existe a idade moderna naquela classificação escolar da história, que é pré-história, antiguidade, eh idade média, idade moderna e idade contemporânea. Mas existe também um conceito de modernidade, que é um momento da história do mundo e e principalmente ocidental que vai do século XVI,
X até Anos 70, que é a pós-modernidade, que eu vou falar daqui a pouco também. Então, a modernidade é resultado daquelas revoluções todas que eu falei, francesa, industrial, independência das colônias, que mudou o mundo, mudou o mundo ocidental, mudou o mundo e mudou o artista, porque o artista é o artista na sua eh circunstância, no seu contexto. Bem, então o que acontece é que o Os impressionistas eles já vão começar, por isso que eu chamo assim a revolução dos impressionistas, porque eles eles são revolucionários nesse sentido, né? Eles vão rompendo com a técnica de pintura
acadêmica, eles vão trazendo um novo olhar, Vanangog, Gogan, eles vão trazendo a emoção. Então ali eles já são pós-impressionistas, porque a cor não necessariamente é o que ele tá vendo, mas o que ele está sentindo. Aham. Os românticos antes, eles já vão colocar a questão da subjetividade na na obra de arte, entendeu? Então, a arte ela deixa de ser moral, feita para uma classe eh dominante, poderosa, e passa a ser produzida pelo indivíduo que demonstra as suas sensações visuais que ele está presenciando no mundo que que ele tá vivendo, as suas emoções que ele tá
sentindo. Então, a a arte passa a ser amoral E passa a ser cada vez mais subjetiva. Uhum. E aí, cara, começa o dilema do artista que chega até a contemporaneidade. Ele deixa de ter um lugar especificamente criado para ele, que a academia o formava. Ele tinha um os mecenas para quem ele trabalhava. E aí o artista ele passa a buscar a arte pela arte. Eu quero fazer a arte que eu quero fazer, entendeu? E aí depois que comprem o que eu faço, Muda o paradigma, entendeu? O cara passa a produzir e aí eh, a pessoa
vai comprar a arte que ele produziu por eu gostar do que ele faz, por eu me identificar total, que ele fez, né? Total. Ele deixa de fazer uma coisa encomendada, ele ele passa a fazer algo para vender. O que tá ao invés de pegar o que o que alguém pediu para ele, que tava dentro daquela pessoa, ele agora traz o que tá Dentro dele. Sim. É uma inovação. Não que ainda não existam encomendas, as encomendas existem, mas passa a ter uma um um uma nova forma de se produzir arte, de se pensar arte, que tem
a ver com a subjetividade. A a modernidade ela traz a questão da subjetividade, né? Não é toa que a psicanálise ela vem com a modernidade, né? A psicanálise é um produto da modernidade, né? O desenvolvimento da psicologia, tudo isso Vem por causa do da necessidade do do entendimento do sujeito, né? Quem é o sujeito, quem somos nós, né? De você entender a mente humana. Eh, tudo isso faz parte de um de um desenvolvimento social, cultural, tá? E e aí, cara, o impressionismo ele desemboca na nas vanguardas, que já estamos falando do século XX. E aí
a era dos ismos é impressionismo, depois pós pós-impressionismo, Simbolismo, aí tem as as chamadas vanguardas, né? Fovismo, cubismo, futurismo. Cara, é a era dos. Aí que aí que a galera pira. Aí que a galera pira. E e aí existem vários caminhos diferentes, né? vários caminhos, não é mais uma coisinha parecida com a outra, né, cara? Não, você tem várias vertentes artísticas. Aí que aí que é a grande dificuldade das pessoas, porque são Muitos estilos, são muitos movimentos. Aí as pessoas ficam assim: "Pô, mas eu não vou conseguir, não vou conseguir compreender, decorar". Falei, gente, vocês
têm que entender que isso é fruto de um de um contexto e de um novo olhar. E e dessas ramificações todas, desses ismos todos, eh a as a pintura, as imagens, a arte, elas vão cada vez mais se separando da necessidade de representar o mundo visível. começa a ser uma necessidade de Representar o interior, o íntimo de cada artista até chegar no momento em que a pintura ela se torna totalmente dissociada da figura, que é o que chamamos de abstração, que é o não figurativo. Ou seja, a arte ela vai se desconstruindo, desconstruindo, desconstruindo até
chegar, cara, é muito louco isso, no momento em que acaba a figura. É muito louco isso, né? É uma necessidade humana. É uma necessidade humana. É um processo. É um processo que o homem vivenciou. Que doideira, cara. É. Aí viu quem não gosta de arte abstrato, essas coisas assim, entende o por que ela surgiu, pelo menos. Sim. Sim. E como é que é o nome que eu dou para esse momento? O próximo que é o que é o momento três. O três. Formal. Olhar formal. Por que formal? O que que é a forma? Forma. Não
entendi. O que que é a forma? Tá entendendo formal como certinho, mas não forma. A forma nada mais é do que a do que os elementos visíveis. Sim, os elementos visíveis. Então, o que que Você busca na época do do olhar mimético? A representação fidedigna da natureza, a mímese, a maestria e também a maestria técnica, né? Nesse momento ainda ainda podemos falar de maestria técnica, mas é uma outra técnica ou outras técnicas. Mas o que que acontece? O olhar eh formal eh o que que qual é o objetivo dos artistas? É quando eles chegam na
Abstração, eles só representam forma. É um círculo, é um triângulo, é o azul, é o amarelo, é uma textura, é uma pincelada, é uma mancha. Tá certo? Então o que você vai procurar na obra de arte não é mais a mímese, é a forma. Então a pintura, a imagem, ela deixa de ser uma representação e ela passa a ser uma apresentação. Ela é apenas uma apresentação. E você tem que ter, como é que você tem que ter o embate com aquela obra? como é Buscar justamente ela é uma apresentação. O que que eu vejo na
minha frente? Forma é você e eh admirar ou não aquilo pelo que ela é. É apenas uma apresentação de formas. Então eu tenho que ter um olhar formal para essa arte, para essa manifestação que tá na minha frente, entendeu? Esquece a figuração. A figuração ficou em outro momento, ainda que as vanguardas do século 20 retomem a figuração, como, por exemplo, o Surrealismo, mas não é aquela figuração como era antigamente. Sim, é uma figuração que quer transcender as limitações eh da nossa cultura repressiva, por exemplo, né? é você colocar na imagem, através da figuração, o nosso
inconsciente. É o estilo que eu mais gosto, nossos sonhos, entendeu? Talvez porque o una meio que une, né, os dois mundos ali, né, o mundo do realismo, da coisa lá e o mundo, mas não é bem o real, sim, é o surreal. Ele está além da realidade. Ele é ele tá Ele vai para a surrealidade. Ele está além do real, do sonho, né? Parece um sonho. Sim. É o o surrealismo tá muito calcado na na na obra do Freud, né? Experiência do Freud. Entendeu? Então, então veja, a figuração Ela não é à toa, ela tá
ali para para trazer as questões dos sonhos, entendeu? É uma matériapra que eles utilizam para representar sonhos, entendeu? Eh, então esse olhar é o olhar da modernidade, é o olhar formal. Daí é que é que através desse processo e eu quero mostrar pras pessoas a que não é simplesmente ah eu é um azul, é um amarelo, é um vermelho. Cara, esse eu tô pensando no Candinsk, né, que gostava de fazer o pintor russo, Né, eh, o azul, o amarelo e o vermelho para ele tinha tinham significados. Tem, né, pra gente quando a gente pega uma,
se a gente, vamos tentar imaginar uma pintura abstrata com toda rabiscada de preto, vermelho, cinza, um monte de loucura assim, você sente uma coisa diferente quando você vê, por exemplo, um um círculo amarelo num fundo azul, né? Sim. São só formas, mas você sente coisas diferentes. Você, aquilo te traz uma memória diferente, uma sensação diferente, né? Sim. Sim. Mas o que eu quero eh dizer é o seguinte: "Ah, ele pintou um círculo, um círculo, um retângulo, sei lá, com amarelo." Isso eu faço. Sim. Mas não é essa a pergunta que você tem que fazer. Você
tem que simplesmente ver Aquilo como forma, não é como dificuldade técnica, entendeu? É como forma. Como forma, entendeu? Então, é um outro olhar. É, por isso é que eu digo, a arte necessita de ter olhares diferentes para manifestações diferentes, entendeu? Então, a arte moderna, por que que ela se chama arte moderna? Porque ela é nova. Ela é nova em relação à tradição. A tradição é esse momento da arte Ocidental que vai do renascimento ao século XIX, onde impera uma arte de representação mimética e que o olhar que nós temos para ela, o olhar mimético. Uhum.
E o que que é a arte da modernidade? O que impera é a forma. Portanto, temos que ter um olhar formal para para essa arte e entender como é que a arte ela bifurca em várias em várias possibilidades. Então a gente também deixa de ter aquela visão do estilo de Época, como existia na idade média, como existia no Renascimento, eh, românico, gótico, renascimento, para os estilos artísticos, os movimentos que vão acontecer de forma concomitante, paralelos, que tem a ver, cara, com a pulsação da modernidade, a velocidade da modernidade, a diversidade. Modernidade, eu brinco o seguinte,
modernidade é diversidade, entendeu? Diversidade, cara, é diversidade. Tem uma série de estilos ali, uma série de coisas diferentes. Sim. Muitas vezes não tem eh não tem nada a ver com a outra, porque tem toda essa questão da forma, né? Mas desconectada um do estilo do outro, né? Diferente talvez a gente pegar na época mimética que era mais ou menos a mesma coisa, tentava buscar a mesma coisa. Cara, tem algumas diferenças, mas o código visual é o mesmo. Sim. A diferença é o seguinte. Na tradição você tem o mesmo código visual, que é, por exemplo, na
pintura, a pintura de perspectiva. Tudo era feito baseado com a com a pintura de perspectiva. Mas, por exemplo, a pintura renascentista, a luz representada nas pinturas renascentistas, é os santos são representados, por exemplo, num num ambiente ah de céu aberto, de urno, e, e com a luz do sol batendo. A pintura barroca é representada em cenas num quarto fechado, escuro, com luzes incidindo. É, sim. Mas ali tem a perspectiva. O código de representação é o mesmo. Entendi. É um código com diferenças, com algumas diferenças, mas dentro desse código. Na modernidade, o que que você o
que que você vai ter? A proliferação de vários códigos. Entendi. Vários códigos, entendeu? Vários códigos. Cada vanguarda ela determina um código de de de expressão, de manifestação. E aí quando a gente chega no E aí é que pira a cabeça das pessoas, cara. Pira a cabeça das pessoas. E depois quando a gente vai pra pro próximo olhar conceitual, sim. O que que faz a gente ir para se olhar e qual que são características? Pois é. Aí eu falo da arte contemporânea, que cara, se a arte moderna já é difícil pra grande maioria das pessoas, a
arte contemporânea, então é quase a impossibilidade de de se conectar com com a arte, né? Os bloqueios, as barreiras se tornam ainda mais difíceis ainda. Primeiro lugar, a gente tem que entender a arte contemporânea. Ela tem duas maneiras de você, que que é contemp que que é Contemporâneo? A arte do presente, tá? Eh, a gente entende como presente, até a antropologia fala isso, né? 1950 é considerado ou pós-guerra é considerado o presente. Então, a gente eh antropologicamente falando, você não fala assim: "Ah, é uma representação de 1000 anos antes de Cristo". A gente fala isso
até para as pessoas entenderem melhor. Mas o que que você fala? Você fala assim: "1000 anos a P, 1000 anos antes do presente, que é 1000 anos antes de 1950. Uhum. Então, o contemporâneo tanto pode significar a arte de 1950 para cá, a arte do presente para cá, isso cronologicamente falando, como também pode significar um tipo de arte que faz uma desconstrução ainda mais profunda em relação à tradição que vigora do do século X ao século XIX. Se a arte moderna ela desconstrói A tradição ocidental, a arte contemporânea ela desconstrói a ideia de arte. Interessante.
Então a desconstrução, ela ainda é mais profunda. E como é que você entende isso? Por exemplo, na pintura. Eu gosto muito de pintura porque eu venho da venho da programação, venho do design gráfico, né? Então eu lido muito com imagem. Se nós temos na arte da tradição a Pintura figurativa, como é que você desconstrói esse tipo de pintura na modernidade? Você passa do figurativo para o abstrato, por exemplo, você desconstrói a maneira de representar na pintura. É uma desconstrução. E na arte contemporânea, como é que você desconstrói? Como você desconstrói a ideia de pintura, você
Faz a pintura sair do quadro. Uhum. Tá certo? Ou você, por exemplo, eh, pinta no verso do quadro, ou você esfaqueia o quadro, sabe? Aham. Você pinta a moldura, você vai pro tridimensional, você vai para você vai paraa instalação, você dialoga com arquitetura, com ambiente. Entendi. Então, literalmente sai do quadro, né? Exatamente. Às vezes você pode construir uma obra de arte. A sua obra de arte pode ser um prédio, por exemplo. Então, sua pintura pode ser um prédio. É, cara. Então, você desconstrói a ideia de pintura. Entendi. Você desconstrói a ideia de arquitetura, ou melhor,
a ideia de de escultura. Tá certo? Você transcende A o meio, a técnica, entendeu? Então a desconstrução ela é mais profunda. Você desconstrói a ideia de pintura, a ideia de escultura, tá certo? Por isso é que você também tem que ter um novo olhar para esse tipo de arte. O olhar formal ele é bom, ele ele ele é importante, mas cara, para você ter o embate com a arte contemporânea, você tem que ter o olhar conceitual, porque o mais importante agora É a ideia. E aí vem a questão da técnica que você falou no início
do nosso papo. Ah, porque eu penso muito a arte como maestria técnica e tal. Sim. É, mas o artista contemporâneo, como ele desconstrói a a ideia da pintura, da escultura e tudo mais, eh, a técnica para ele, ela vem em segundo lugar, ou seja, eu quero produzir uma forma, eu quero eu quero produzir uma obra. Uhum. Tá certo? E eu tenho uma ideia para essa obra. Como é que eu vou colocar essa essa ideia em prática, cara? Essa essa ideia para ser colocada em prática, de repente eu vou usar a fotografia. Eu posso usar, por
exemplo, a física, eu posso usar a arte digital, eu posso usar até a própria pintura de cavalete em Algum sentido, eu posso usar a performance. Uhum. Eu posso usar o meu próprio corpo. Uhum. Entendeu? Então a técnica ela vem como consequência de uma ideia inicial que você teve, entendeu? A técnica não é o princípio, a técnica ela é o meio. Por isso que hoje em dia, ainda que existam na na academia, né, na escola, existe assim curso de pintura, existe o curso De eh escultura, de gravura, né? Ainda existe esse tipo de curso. Se forma
em pintura, gravura. Mas hoje, cara, você não é mais um pintor, você não é mais um escultor, você não é mais um gravorista, você é um artista. Sim. E que você pode ao longo da sua carreira usar da gravura. Sim, cara. Usar da pintura, usar da fotografia para fazer a sua arte, entendeu? Então, por isso Que você tem que ter um olhar conceitual, porque se você tem um olhar conceitual, você compreende qual é a ideia do artista, qual é o projeto que o artista tem, eh, que deu como resultado o objeto de arte. Interessante, cara.
É um outro olhar, cara. Se eu fui falando isso assim, eu fui lembrando de um artista que eu gosto muito, músico, Kurt Coben, do Nirvana. E aí eu você vendo assim a história Dele, a relação dele com a as criações dele e tudo mais, ele começou pintando, sabe? Ele começou pintando, desenhando umas coisas assim que se você eh olhar assim, é muito a as pinturas dele transmitem algo muito parecido com a que a música dele transmite, sabe? Uhum. Doido. Isso. Então é, ele tá expressando a mesma coisa que tá dentro dele, só que usando instrumentos
diferentes, né? Técnicas diferentes. Muito interessante, cara. Você foi falando, eu fui linkcando isso. Uhum. E eu vou eu vou dar alguns exemplos para você eh de obras contemporâneas, de obras de arte contemporânea, por exemplo. Ah, eu gosto muito de de Inhotim, que é um centro de arte contemporânea, fica em Minas Gerais, em Brumadinho. Não sei se vocês conhecem, mas se não conhece, vá, que é incrível. Eh, e lá eu entendi o que é arte contemporânea. Eu sempre falo, né? Lá eu entendi o que é arte contemporânea e, por exemplo, Sildo Merelles é um dos grandes
nomes da arte contemporânea brasileira. Oitica, por quê? Varejão. Tão lá, tão lá em Otim. Mas eu vou começar a falar do Sildo Meeles, que é um cara que teve muita importância nos anos 60, 70. Eh, quando você visita uma galeria que tem lá em Otim do Sil Meerelles, por Exemplo, eh, você vê instalações que ele fez, cara, e a instalação, por exemplo, desvio para o vermelho, né, é uma instalação muito muito conhecida dele que ele ele ele constrói um ambiente só com peças vermelhas. Então, quando você entra no ambiente, tá tudo vermelho, uma geladeira vermelha,
uma mesa vermelha, uma luminária vermelha. Eh, então chama-se desvio para o vermelho, né? E eu conheci essa instalação dele há Anos atrás no Man, tá certo? Ou seja, aquilo ali é uma ideia, é um conceito que ele transformou numa instalação, num ambiente e ele montou aquilo há anos atrás no Mã e que agora montaram de forma definitiva lá em Otim e que podem depois montar isso lá em Londres, na Tate Gallery, podem montar em Nova York, no MOMA. Ou seja, cara, a ideia que ele teve é um projeto arquitetônico de uma instalação Que pode ser
replicada em vários lugares e montada inclusive por outras pessoas. Não necessariamente ele precisa estar lá montando. O Lotsica, por exemplo, tem uma galeria lá em Otim chamada Cosmococa. Essa galeria, ela foi pensada há muitos anos atrás. Uma é um é um projeto do doic neví de Almeida. Então essa galeria ela foi é uma ideia, ele faleceu já há muito tempo atrás e, ou seja, aquilo foi montado depois inclusive dele falecido. Uhum. A partir o quê? Dos escritos, dos estudos, enfim, dos projetos que ele deixou. Isso eu eu uso como esses exemplos para mostrar como a
arte contemporânea ela é conceitual. O importante é a ideia, é a ideia do cara. Ou seja, aquela aquela instalação, aquela galeria que foi que foi montada, pode ser montada em Otim, em outros lugares do mundo, porque o importante é a ideia que ele teve, Legal, e que se replica em outros lugares. Importante é o conceito, portanto, importante é a ideia, legal isso, entendeu? Portanto, qual é o quarto olhar? O olhar conceitual, entendeu? Então, eh, e a arte, cara, contemporânea, ela tem também uma questão, eh, inclusive, a arte contemporânea, ela Ela possibilita que cada artista traga
suas questões pessoais, entendeu? as suas questões. Então, eh, a Adriana Varejão, por exemplo, que é uma grande artista brasileira, ela um, em um momento ela tava fazendo vários cursos, ela foi para Minas Gerais, ela entrou numa numa igreja em Ouro Preto, ela viu aquelas eh manifestações do Barroco, né, a a talha dourada. Aí, cara, ela teve uma visão, ela falou: "Poxa, eu vou usar isso como Uma inspiração paraa minha arte, né?" Eh, aliás, uma coisa importante da arte contemporânea é é entender que muitas vezes o importante é o modo como o artista faz, a gente
chama de poética, né? É a maneira como o artista produz a obra de arte, não só a estética, mas também a poética. Então, total, cara, é o modo de fazer, né? Então, a a a Adriana Varejão, ela usa o Barroco como inspiração, cara. E aí o que que ela Faz? O tema do Barroco, ela ele vai se repetindo, cara. Ele vai ele vai se desmembrando, né? Se desdobrando em várias obras, em várias obras. Ela vai retomando esse, sabe? Então, por exemplo, ela gosta muito de fazer obras eh trazendo o o azulejo, que é uma arte
eh luso brasileira, né? muito importante. Então, cara, as instalações dela sempre ela toca no azulejo ou ela faz azulejos mesmo, pinta, ou, por exemplo, ela ela representa os azulejos Em painéis, entendeu? E, ou seja, ela ela sempre tá usando o azulejo como um elemento recorrente, cara, como um desdobramento desse trabalho dela. E e foi a partir de uma visão que ela teve de uma igreja barroca, por exemplo, né? Que é isso, faz parte da poética dela. E ela gosta também de fazer uma coisa que é o seguinte, ela coloca paredes azulejadas, quebradas e em vez
de você ver o o o tijolo da parede, ela coloca víceras. Representações de víceras, entendeu? E a minha interpretação para isso, e isso também é uma coisa interessante, a questão da interpretação. As pessoas elas quando me perguntam assim: "Mas o que que isso me explica essa obra? Qual é o significado dessa obra?" E eu digo o seguinte, cara, a obra de arte contemporânea, ela não é um ponto de chegada, ela é um ponto de partida. Ela não tem explicação, ela tem interpretações, entendeu? Eh, uma pintura do renascimento, ela tem uma mensagem contida e ela quer
comunicar com o grande público, ou seja, ela é um ponto de chegada. Inclusive, como eu tava falando, né, uma pintura eh cristã contemporânea e uma pintura medieval, apesar delas estarem separadas cronologicamente, tematicamente elas estão próximas, porque se a pessoa é Cristã, ela vai identificar aquele tema lá na Idade Média. Uhum. Então, ela vai se identificar. Mas a a na arte contemporânea eh existe essa questão da da interpretação. Ela é ela é uma obra livre. Então as pessoas muitas vezes têm medo, tem reservas da arte contemporânea, porque elas acham que assim como a arte da tradição
tem um significado, a arte contemporânea também teria um Significado só. Mas não, cara, ela é uma possibilidade de interpretações de significados. ela é um ponto de partida. E a Adrana Varejão, por exemplo, ela coloca aquela representação de víceras no interior das suas e do das suas instalações de paredes, né? Ela coloca assim eh os azulejos, né? muitas vezes representação de azulejos e representação de víceras no interior das paredes. Aí, eh, eu interpreto, por Exemplo, e da seguinte forma, o, o Darc Ribeiro, né, grande antropólogo no livro Povo Brasileiro, ele fala que o Brasil, falando da
questão do trabalho no período colonial, é um moinho de gastar gente, porque as os escravizados vinham para trabalhar até morrer, né? E aí você botava outro no lugar que trabalhava até morrer, ou seja, um moinho de gastar gente. Então toda a beleza colonial das igrejas, das casas, eh das ruas, quer dizer, das cidades coloniais, ela foi Construída a partir do sangue, eh, e da morte daquelas pessoas que ficaram invisibilizadas historicamente. Então eu interpreto da seguinte maneira, ela faz aquela parede de azuleiros maravilhosa, cuja estrutura, cujo miolo são víceras. São as víceras daquelas pessoas que viraram,
que foram gastas pelo moinho, que foi o Brasil colonial, né? Interessante. Por aquelas víceras, entendeu? Então ela Mostra o seguinte: a beleza é uma casca, mas a tristeza, a violência está nas entranhas dessas construções, entendeu? Então ela trata o barroco não só pela aparência externa, mas pelo pelas entranhas. Ela tá mostrando as entranhas da nossa arte nacional, que é a arte barroca, entendeu? Então eu vejo essas víceras com esse sentido de mostrar o lado que a gente não vê do nosso passado violento colonial. Cara, isso é uma ideia. Isso é uma ideia. Isso é um
conceito, cara. Perfeito. Isso é um conceito, entendeu? E que eu tive essa interpretação, de repente você vai ter outra, cara. Eu Mas assim, de qualquer maneira, eu duvido que você vendo uma obra dela, você vai passar batido. Sim. Entendeu? Você vai ficar com uma com um sentimento de de estranheza, com algum sentimento eh de inquietação. E a arte contemporânea, cara, ela é provocadora mesmo, entendeu? Ela tem que te tirar do teu do teu campo de eh equilíbrio. É, de equilíbrio e de e de conforto, cara. da sua zona de conforto. Ela tem que te tirar
da sua zona de conforto, Entendeu? E eu gosto da da arte contemporânea por isso, porque ela mexe com você, ela te toca, ela te fere, né? Para mim, assim, o que mais me impacta assim na na arte como um todo, não seja na música, na pintura ou na ou na ou no cinema, sei lá o quê, é quando aquilo me me tira do da homeostá assim, sabe? me deixa tipo, opa, calma aí, que que é isso que tá acontecendo aqui? Sabe? E às vezes isso é um para um lado mais positivo, ah, de êxtase legal.
Uhum. Isso é pro, nossa, que coisa horrível. Uhum. Sabe? Mas ainda assim me impacta, me prende atenção, né? Uhum. Uhum. E e uma coisa que eu me que eu me questiono muito é o momento que nós estamos vivendo agora e que tem a ver com a pós-modernidade, né? eh, que é um momento de de muita incerteza, né? Eh, como o Balman, né? O Zigm Balman fala, né? O mundo líquido, né? Eh, os amores líquidos, o o modo de trabalhar é líquido, tudo escapa, sim. Tudo é superficial. Sim. Isso causa nas pessoas um medo, causa nas
pessoas uma incerteza muito grande, né? um medo. Então, o que eu vejo nesse mundo que vivemos hoje é uma muito assim Uma busca pelas pessoas de encontrar um porto seguro, de certa forma, de se agarrar num porto seguro, de se agarrar em verdades perfeitas, de se agarrar em em explicações simplistas, né? Verdade. Eh, que é uma verdade, cara, que é uma consequência de um de um mal-estar da pós-modernidade e que faz até sentido, né? Se é um negócio de que veio depois da guerra, né? A gente ter até essa sensação quase Que nosso subconsciente, né?
Se acontecer uma coisa horrível, a qualquer momento pode acontecer uma coisa horrível, né? Pois é. E se e depois que teve a pandemia, por exemplo, deve ter agravado ainda mais, cara. Se o homem moderno ele tem um mal-estar em relação à opressão das grandes instituições, a opressão do Estado, a pressão da igreja, quer dizer, dessas grandes instituições seculares, Né, que estão ali me pressionando, né, a modernidade e essa diversificação da da obra de arte na modernidade vem de um mal-estar do homem, do artista perante essa opressão dessas grandes instituições. É, e eu acho que a
arte contemporânea é um desdobramento disso, né? O artista cada vez mais ele se questiona mais, ele ele busca essa desconstrução, eh, esse questionamento, né, do status qu. Mas o público, eh, eu vejo que o público ele Cada vez mais ele tá buscando o contrário, cara. Ele tá buscando o porto seguro. Por isso que eu acho que a pós-modernidade, pelo menos agora no século XX, ele tá se configurando muito na busca das pessoas, por exemplo, à volta da religião ou da religiosidade, busca por respostas, sim. Entendeu? E e por e por isso a gente vê também,
por exemplo, muitos muitas reações, muito reacionarismo no mundo de Hoje, né? E muito oportunismo, né? Muitas pessoas se aproveitam dessa carência, dessa dessa necessidade das pessoas buscarem respostas e e respostas prontas. Os oportunistas vão lá e falam o seguinte: "Olha, a resposta é essa". Ah, então tá. Então a gente vê essa busca por religião eh eh e por acabam não é nem religião, é seita, né? As pessoas vão atar de seitas religiosas, entendeu? E pode ser uma seita religiosa mesmo, Assim, pode ser um coach que você segue, pode ser qualquer coisa que te traga um
conjunto de ideias. Sim. que te que te trazem a ilusão de de que tá tudo bem, né? Sim. Sim. Então, o que eu assim o o o que eu sinto é que se a arte contemporânea ela traz essas provocações, a gente tem em boa parte do público não só a rejeição por não entenderem tudo isso que a gente tá falando aqui agora, mas por essa busca por coisas prontas, eh, fáceis, Respostas simples, objetivas, entendeu? Sim. Então, eh, mas eu acho que é o contrário, cara. Eu acho que que essa e esse desconforto existe para mim,
existe para você, existe para todo mundo, porque nós vivemos o mesmo contexto. Mas eu acho que a arte pode ser um caminho para justamente as pessoas lidarem com essas frustrações e com essa busca de entendimento, entendeu? A filosofia, a arte. Quer dizer, você tem que trazer a A o pensamento, o questionamento para a ajuda no entendimento desse mundo e não paraas respostas simples, verdade, e e e prontas, entendeu? O mundo é complexo. São dois caminhos de expressão que o o homem pode seguir, né, que o ser humano pode seguir. Ou ele pode se expressar de
uma forma trazendo as respostas. Sim. Ou ele traz as perguntas e questiona, Né? Sim. Sim. trazer as respostas é o que o público quer nesse certo momento, é o que ele tá ansiando por conta desse mal-estar, mas o certo mesmo seria as perguntas, né? Sim. Questionamento, enfim. E e eu quero deixar claro, eu não tô questionando a religiosidade, nem a religião, ela é essencial ao homem. Como Eu falei no início, cara, o homem é simbólico. O homem é simbólico. Ele produz eh eh formas, objetos significativos simbólicos, porque ele é simbólico. A religião é uma forma
de de se expressar simbolicamente. A religião é uma necessidade do homem, a religiosidade. O problema é você se muitas vezes ir para eh um caminho que você vai se enganar e não vai exercer eh eh profundamente a sua religiosidade. você vai exercer de repente um um Caminho que muitas vezes vai te cegar e não vai abrir ah a sua mente. O o tem um filósofo, lembrei agora de uma citação de um filósofo que eu gosto muito, que é o Flucer, que é um filósofo teco, que lecionou no Brasil muitos anos e ele fala o seguinte:
"A imagem ela tem que ser uma janela e não um biombo". Entendeu? Então eu penso assim da arte, né? A arte ela tem que ser uma janela para o mundo e não um biombo do mundo. Ela não tem que te deixar fechado no Mundo, ela tem que abrir sua perspectiva. Exatamente. Então, se você hoje tem carências, tem um mal-estar nesse mundo fluido, como Bman coloca muito bem, eh, não é buscando caminhos que vão fechar o seu mundo, que eu acho que você vai encontrar respostas, talvez você ou ou perguntas, né? tal. Você tem que buscar
eh o caminho da janela, cara, sempre da janela, das luzes, que é o nosso legado ocidental, cara, o nosso legado Iluminista, que não é a resposta única para todas as nossas questões, né? Porque a gente tá vivendo a crise climática. Quer dizer, o Iluminismo, racionalismo, ele não resolve tudo. A gente não é pelo racionalismo apenas que vamos lidar com todas as questões que nós vivemos hoje. A gente tem que encontrar um caminho que o racionalismo e também o o a sensibilidade possam se unir. Cara, é um neoracionalismo que eu proponho, Entendeu, pro mundo contemporâneo. um
neorracionalismo que possa fazer essa junção da sensibilidade com a racionalidade, né, que e que eh de certa maneira repense aquela visão que é uma visão da nossa tradição ocidental do objeto do distanciamento, né? A gente tem que ter um distanciamento crítico, mas também saber como também se aproximar das coisas que a gente estuda e lincar com outras disciplinas. Quer dizer, eh, são Muitos desafios. Nós temos esse mal-estar na nesse mundo contemporâneo que a gente vive. E, cara, o caminho que eu ofereço às pessoas, que eu sigo, é o caminho da arte. É isso. Simples assim.
Muito obrigado, irmão. [ __ ] que papo legal, cara. Nossa, eu gostei muito, cara. É isso aí. E fica o meu e fica o meu convite. Vá um machp, cara. Ob. Vou aí, cara. Nossa. É, é. Eu sou E vai em Otim também. Você já foi ou não foi? Não, nunca foi. Vaiá em Otim, cara. Mas vá com enfim, lembrando desse nosso papo. É um negócio, pior que é um negócio que eu gosto pra caramba. Aham. E sei lá, você não vai porque você porque eu sou um merda mesmo. É igual é igual o carioca
que não vai o pão de Açúcar. É isso mesmo. O carioca que não vai o corcovado, né? É tipo isso, né? Meu filho, cara, outro dia falou: "Pô, pai, você nunca me levou no Pão de Açúcar". Eu falei: "Cara, pior que é". Aí sabe o que aconteceu? A gente, eu, eu e a Alice, minha esposa, viajamos. Aí ele pediu paraa minha sogra, né, levar ele, pra avó dele levar ele. Aí ele foi no Pão de Açúcar, fez aquela foto de turista, né, com o Pão de Açúcar Atrás. Aí hoje tá lá na na bancada dele,
a fotinha dele da avó com pão de açúcar. Ele pediu pra avó levar ele. Já que vocês não me leva, que doideira. Vocês não me levam? Ele pediu para levar. Doideira, entendeu? Então é, cara, a gente a gente mora nos lugares, mas às vezes a gente não não visita, né, os nossos pontos turísticos, né, tal, cara. Verdade. Eu preciso fazer isso mais, cara. Ô, André, vá nop. Vou, vou. Qual qual a melhor forma de acompanhar seu trabalho e seru aluno? Cara, me acompanhando pelas redes sociais, eu tenho o perfil no Instagram. Hoje somos 200.000 seguidores
lá, né? São 200.000 seguidores no Instagram. Eh, eu tenho também canal no YouTube. Eu faço lives semanais às quintas-feiras, quase todas as quintas-feiras. Ontem eu fiz fiz sobre românico e gótico. Eh, quem quiser, Enfim, ter esse contato é dessa maneira. Ah, e os meus cursos, cara, meus cursos estão disponíveis. Eu tenho curso de História da Arte, que foi esse nosso papo de hoje. É o curso de é um é um curso panorâmico de história da arte. Inclusive o nome do curso é História da Arte. A, caraca, como é que transformação do olhar, né? História d'Ate,
a transformação do olhar, que é justamente esse papo de você entender a Arte não como uma mera sucessão de estilos, mas como uma outra forma de ver o mundo e de ver a arte. Eh, temos temos um curso de arte no Brasil, chama Descobrindo a Arte Brasileira. Eh, e temos vários pequenos cursos também, cursos sobre impressionismo, enfim, vários. Tem curso sobre fotografia. Legal. Fotografia e filosofia. Fot filosofia Dos fotógrafos. Cara, eu vi lá. Você tem muito curso. É muito doido. Eu vi cursos pequenos, cursos maiores. Eu vi lá o teu. Vale a pena qualquer pessoa
que tem interesse por esses assuntos assim, dá uma olhada lá. Se encontra alguma coisa específica ali que faz sentido para você. Pois é. Pois é. Legal. E e cara, eu tô nas redes sociais porque Eh antigamente, né, a gente a gente tinha aquele ditado popular que é cresça e apareça, né? Hoje, cara, você tem que aparecer se você quiser crescer. Total. É, então, cara, eu saí da redoma da academia e tô me lançando aí desde 2017 nesse mundo digital, que também você tá aí navegando, né? Você tá aí lutando e e a gente aprende fazendo,
cara. A Gente aprende fazendo. E qualis ser quais serão os tipos de arte que vão surgir nesse mundo digital? Cara, não sei. Não sei. Será que os memes são arte? Um meme eu acho que sim, né? Eu também acho. Você já sabe que existe museu de meme? Eu já ouvi falar nisso. É, existe um museu dos memes. Cara, meme é um negócio que eu gosto para caramba, cara. Porque você consegue Transmitir um monte de coisa em uma imagem, uma coisa simples assim, um trecho de uma fala. É muito doido como isso afeta as pessoas e
aquilo gera um uma comunicação instantânea, poderosa, poderosa, né, cara? Aquilo te transmite algo muito rápido e para muitas pessoas em comum, né? Sim. Porque se um meme é viral, é porque aquilo impactou muita gente. Sim. Sim. Enfim, cara, que bom que você gostou. Que bom. demais, cara. [ __ ] fazia tempo que eu queria fazer um papo desse. Quero agradecer aí ter vindo até aqui, sair lá. Poxa, eu que eu que agradeço pela oportunidade, né? E também uma maneira de falar um pouco, né, de de si mesmo, né? Porque quando eu falo, quando eu faço
as minhas lives, eu sempre tô falando de outra Coisa, né? Tô falando eh desconectado, né? É, mas aqui eu falo um pouco, falei um pouco de mim, falei um pouco da minha trajetória e, cara, o que eu entendo de arte é a minha trajetória, né? É a minha circunstância, né? Claro, é a minha circunstância. Mas, cara, e cara, eu eu saí ali da do circuitinho fechado da academia. Eu eu acho que uma maneira de você lidar com essa cacofonia da da rede são os Acadêmicos tentarem essa essa travessia para o mundo digital. Exatamente. Eu tenho
muitos amigos, eu te falei em off, né, que são eh doutores, professores e tal, muitos deles estão vindo pro digital. Tem que vir, cara. É um é uma necessidade, cara. Porque senão ela acaba, esse meio acaba sendo colonizado por gente não tão legal assim, né, cara? Exato, cara. concordo. Que vão levar o pensamento para aquelas verdades fechadas, perfeitas, os caminhos mais rápidos paraas seitas, entendeu? Os cara é o mundo a se colonizar. E poxa, se você tem um um caminho, um estofo, um legado, por que não você trazer isso, tirar do seu mundo eh mais
fechado, né? E eu aprendi isso, cara. Eu comecei a dar aula para não artistas, para pessoas que não tiveram a oportunidade de fazer um Curso de arte e o resultado cada vez é mais interessante, cada vez mais instigante, né? Como as p o talvez o meu próximo aluno nunca tenha pensado em estudar a história da arte, entendeu? Esse talvez seja o meu próximo aluno, mas como ele quando ele me conhece, quando ele conhece meus conteúdos, ele fala: "Cara, gostei disso, vou estudar, vou aprender entendeu?" Por isso é que a gente tem Que formar público também.
Pois é, né? A formação de público é um trabalho que todos eh tem eh importância, né? Como como se diz, né? O artista tem que ironde o povo está, o professor tem que ir aonde o aluno está. Concordo, cara. Bom, obrigado mais uma vez. Obrigado todo mundo que acompanha a gente até aqui. Vou deixar todos os links do André aí na descrição. Então vamos lá, acompanhe ele. Se fizer Sentido para você dar uma olhada nos cursos, ver o que que Sim é legal para você. Eu, pelo que eu vi aqui, eu achei muito interessante o
dos quatro olhares lá. Acho que vale muito a pena se aprofundar nisso. Vão lá, comprem. Transformação do olhar. Boa. Transformação do olhar. E é isso, gente. Obrigado pela sua audiência. Até a próxima e tá bom. Ciao