Você já teve amnésia? Muita gente acha que ela é a mesma coisa que esquecer de uma informação ou outra, mas, como veremos no vídeo de hoje, ela envolve algo mais grave do que isso. Já fizemos um vídeo sobre o esquecimento e você pode encontrar o link dele nos cards.
Eu sou o André, tenho um doutorado em psicologia e hoje, com a ajuda da amiga e psicóloga Bárbara Mello, quero te explicar o que é a amnésia, quais são as suas causas e consequências na vida de alguém, além de explicar o que é a amnésia dissociativa. Se achou interessante o tema de hoje, não deixa de clicar no joinha para nos ajudar, inscreva-se no canal e siga a gente nas redes sociais. A amnésia é a perda total ou parcial da memória, ou seja, da capacidade de relembrar informações.
Ela ocorre quando há uma falha em algum dos sistemas cerebrais responsáveis pela memória. A perda de memória pode resultar de várias coisas, como a partir do consumo crônico de certas substâncias, do envelhecimento, de algum transtorno mental, acidente ou lesão. Os prejuízos na memória se localizam em uma ou mais das etapas do processo de memorização, sendo essas as etapas de codificação, armazenamento e recuperação das informações.
O tipo de prejuízo que alguém sofre varia a depender do tipo de informação a ser lembrada. Uma pessoa pode se lembrar muito bem do que comeu no café da manhã, mas se esquecer do nome da cidade em que nasceu, por exemplo. Ou seja, a amnésia pode se manifestar em diferentes níveis de de intensidade e duração para cada pessoa.
A depender das causas, os prejuízos podem se estender por períodos curtos de tempo ou resultar em danos permanentes e irreversíveis. Muito do que sabemos atualmente sobre a amnésia está ligado ao famoso caso do paciente conhecido como “H. M”.
Nos anos 1950, H. M. , de 27 anos, foi submetido a uma cirurgia cerebral com o objetivo de controlar crises graves de epilepsia.
Depois do procedimento, os médicos notaram que ele havia perdido toda a capacidade de se lembrar dos acontecimentos do dia a dia. Esse tipo de condição é chamado de amnésia anterógrada. Também existe a amnésia retrógrada e ela ocorre quando o indivíduo não se lembra mais de memórias antigas e fatos passados de sua vida, como não saber o próprio nome ou outras informações básicas sobre si próprio que sempre soube.
A partir do caso de H. M. , os cirurgiões concluíram que lesões em áreas específicas do cérebro resultavam em perdas de memória.
Eles descobriram, por exemplo, que o hipocampo, a amígdala e o cerebelo são algumas das partes mais importantes para que sejamos capazes de armazenar informações e isso continua sendo verdadeiro. A amnésia é frequentemente uma das consequências de um acidente vascular cerebral, mais conhecido como AVC, de um traumatismo cranioencefálico ou de doenças neurodegenerativas. Desenvolver a amnésia a partir de alguma dessas condições pode mudar drasticamente a vida de alguém.
Especialmente no caso da amnésia retrógrada, a pessoa pode alterar a sua própria noção de si mesmo, a sua saúde mental, perder relacionamentos, o emprego e viver inúmeras dificuldades até mesmo na execução das tarefas mais corriqueiras. O maiores prejuízos na vida da pessoa dependerão de quais partes da memória se perderam. Após um AVC, a depender do tipo, da região envolvida e da extensão, a amnésia pode ser transitória ou permanente.
Esse tipo de comprometimento cognitivo trazido por um AVC leva muitas pessoas a desenvolverem a demência. O envelhecimento natural também gera comprometimentos cognitivos semelhantes em muitas pessoas, tais como prejuízos na memória e na velocidade de processamento de informações. Embora a amnésia possa ser uma manifestação de diferentes transtornos mentais em alguns casos, ela tem um papel central no transtorno conhecido como amnésia dissociativa, o último dos transtornos dissociativos que faltava abordar aqui no canal.
Você encontrará nos cards e na descrição do vídeo os links para os vídeos sobre os outros transtornos dissociativos. A principal característica da amnésia dissociativa é não conseguir se lembrar de informações autobiográficas que geralmente seriam muito fáceis de se lembrar. Memórias autobiográficas são informações básicas que você guarda sobre a sua própria vida, como o nome do país onde nasceu ou a sua data de nascimento, por exemplo.
A amnésia dissociativa pode envolver uma de 3 formas de amnésia: a localizada, a seletiva ou a generalizada. A mais comum nesse transtorno é a amnésia localizada e nela, a pessoa não consegue se lembrar de um ou mais eventos que ocorreram em um certo período da sua vida. Ja na amnésia seletiva, a pessoa se lembra apenas de alguns eventos ocorridos durante um período da vida, mas não de todos.
A amnésia generalizada é bem rara e envolve a perda total de qualquer memória sobre a história de vida da pessoa. Isso significa que alguém pode esquecer quem é, como se dirige um carro ou como se fala um idioma que dominava antes. Esse tipo de amnésia surge repentinamente, deixando a pessoa confusa e perdida.
Nesses casos, pode ocorrer a fuga dissociativa, que é quando alguém foge de forma súbita, inesperada e intencional por estar vivendo a amnésia dissociativa. Essas pessoas acabam indo parar em delegacias ou hospitais de tão caóticas que ficam. Quem vive a amnésia dissociativa raramente percebe sozinho e de forma totalmente clara a sua dificuldade em se lembrar das coisas.
A pessoa pode até minimizar a importância do que foi esquecido ou se incomodar com alguém que aponte isso. Em muitos casos, quem vive essa condição passa por situações bem estressantes que atrapalham os seus relacionamentos, as suas atividades profissionais e que causam muito sofrimento. Não é à toa que apresentar esse transtorno é um fator de risco para que alguém exiba tentativas de suicídio, comportamentos de risco, sintomas depressivos, disfunções sexuais e autolesões.
De acordo com alguns estudos, é possível que alguns indivíduos vivendo essa condição se recordem gradativamente de memórias que perderam, embora ainda seja um tanto quanto imprevisível dizer quem tem mais chances de passar por isso. À medida em que isso ocorre, alguém pode sofrer muito a depender da carga emocional das lembranças que vão surgindo, especialmente se elas estiverem ligadas à eventos traumáticos. Seja lá qual for a causa da amnésia que um indivíduo está apresentando, é recomendável que ele tenha o acompanhamento de pelo menos um médico e um psicólogo.
Algo que pode ajudar muito no tratamento de alguém que apresentou amnésia após um AVC ou depois de desenvolver uma condição neurológica é a reabilitação neuropsicológica. Ela envolve diferentes tipos de intervenção que ajudarão a pessoa a lidar melhor com os seus défitics e estimularão suas capacidades cognitivas. Essas intervenções não se focam apenas nos aspectos cognitivos que foram alterados, elas também podem ajudar a pessoa a lidar com aspectos emocionais, sociais e comportamentais que esteja apresentando.
Como já explicamos no nosso vídeo sobre neuroplasticidade, o cérebro humano é capaz de se modificar para compensar eventuais prejuízos que tenha sofrido em alguns casos. A reabilitação se aproveita disso aplicando diferentes estímulos que visam recuperar parcialmente ou totalmente a autonomia e a qualidade de vida das pessoas. Nós já fizemos um vídeo no qual demos algumas dicas do que alguém pode fazer para se esquecer menos das coisas e você pode encontrar o link dele nos cards e na descrição do vídeo.
De maneira geral, para se prevenir de uma amnésia, é uma boa ideia adotar um estilo de vída mais saúdável. Como já explicamos em outro vídeo, isso envolve coisas como dormir bem, exercitar-se com regularidade, ter uma alimentação equilibrada e nutrir relacionamentos saudáveis com os outros. É claro que, mesmo com esses cuidados, dificuldades na memória podem ocorrer devido a fatores pouco controláveis, como a idade ou quando alguém sofre um acidente imprevisível.
Se você ou alguém próximo estiver passando por isso, um acompanhamento profissional é extremamente recomendável. Não existe hoje na ciência uma cura conhecida para a amnésia. O que sabemos é que o acompanhamento profissional tende a melhorar a qualidade de vida do indivíduo e de sua família, ajudando assim a reduzir o estrago que a perda de memória costuma trazer.
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Eu falei no livro sobre alguns dos conhecimentos que eu acho mais interessantes na psicologia, então se você não é formado nessa área, mas sempre teve interesse em entender mais sobre o comportamento humano, esse pode ser um ótimo ponto de partida. Muito obrigado a todos vocês que são apoiadores e apoiadoras oficiais do Minutos Psíquicos. Vocês são uma grande motivação para a gente continuar fazendo vídeos aqui no YouTube, e se você gosta do nosso trabalho, mas ainda não é um apoiador, clique em "SEJA MEMBRO" aqui embaixo para saber quais são os benefícios exclusivos que a gente oferece em troca do seu apoio.
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O que você achou do vídeo de hoje? Se gostou, clique no joinha, inscreva-se no canal e clique no sininho. Um vídeo que tem tudo a ver com o tema de hoje e que você pode assistir agora é o que a gente fez sobre como esquecer menos das coisas.