Pronto, coloquei. Ai, agora foi perfeito. Boa noite, gente. Que bom ver vocês de novo. Então, hoje a gente vai começar o curso com o Cléber, que ele já deu um gostinho pra gente na jornada. O Cléber, ele é psicólogo, psicanalista, mestre em psicologia clínica pela USP, tem experiência desde 2009, atuando em psicoterapia psicanalítica com adolescentes, adultos e casais. Atua também como supervisor, palestrante, professor também aqui no ICW, né, nas jornadas do ICW desde 2025. Seus principais interesses de investigação dentro da psicanálise passam pelo estudo de Freud, Bion, transtornos afetivos, testes projetivos, casos difíceis e de
difícil acesso ao inconsciente, cinema e literatura, amor, psicoterapia de casal, pulção de vida, de morte e luto. E hoje a gente vai ouvir o Cléber. Então, Cléber, boas-vindas, fica à vontade e a casa é sua. Obrigada, Amanda. Eh, todo mundo tá me ouvindo bem? Sim. Que bom. Eh, muito obrigado, Amanda, que a Rita não poôde estar, né, porque tá com problema de energia lá, mas sigamos aqui. Tô vendo algumas carinhas aqui já conhecidas. a Marivana, o Luís, né, Dani, Vânia. Que bom. Espero que vocês gostem aí da apresentação. Eh, esse curso aí, como a Amanda
colocou, tá dentro de uma das dos meus interesses, né, de estudo e tal, que é morte, que é o luto, que é fazer da travessia, né? E como eu disse lá na jornada, né, para quem tava presente, é uma travessia muito complexa, muito difícil, mas que também pode ter um pouco de vida no meio desse caminho, né, dessa travessia. Eh, então, [limpando a garganta] nessa primeira aula, a gente vai percorrer um pouquinho algumas teorias da história da psicanálise, de outros teóricos também da filosofia, da sociologia, que vão falar sobre como a gente processa o luto,
né? E o que acontece quando a gente não processa, mas sobretudo vamos pensar nas nuances, né, do que que é passar por um luto que falha, cair na melancolia. E o que quer tá mortificado também. Então eu proponho três posições aqui. Passar por um luto, elaborá-lo, não conseguir falhar, iniciar um processo na melancolia ou três, quando a melancolia já meio que faz parte de uma base, de uma estrutura, né? Eh, e a gente vê isso na na clínica, né? E aí quando a gente vai se deixar dominando aí pela pulsão de morte, pela agressividade e
a gente vai falar do individual e do coletivo também, um sintoma social. Então a gente vai passar também por alguns teóricos um pouco mais social, como Butler, Bman. Serão três aulas, essa vai tratar desses assuntos e na semana que vem, na outra gente vai partir para suicídio, dor psíquica. é um trido assim, né? E como no CW a gente sempre faz, no final a gente tem um espaço aí para comentar, mas durante o meio também, se vocês sentirem eh vontade também podem podem interromper. Eh, é assunto denso, mobiliza, me mobiliza e é bom, espero que
mobilize vocês também. Bom, eh, para começar, eu gostaria de trazer para vocês, eh, mudou o slide para vocês, né? Tá, tá em tela cheia. Tá, tá em tela cheia. Então, tá bom. Eh, vou trazer para vocês um teórico que é um pesquisador do Instituto de Biociências Da USP, que acabou de publicar alguns artigos falando sobre a morte antes da vida. como condição da vida. Eu já tinha terminado essas aulas quando ele lançou. Eu inseri aqui no começo, achei ótimo para começar a conversa, eh, que é uma problemática, né, que ele fala que é uma problemática
essa questão da morte na visão das biociências, né? [roncando] E ele vai dizer: "Poucas palavras despertam tanto o desconforto quanto a morte. talvez porque ela represente a única experiência inevitável da existência humana e ao mesmo tempo a única que jamais poderemos relatar. ele vai falar, né, eh, antes da vida, né, e a gente pensa no desaparecimento de uma pessoa, mas da na verdade, né, o que desaparece é a organização que se mantinha reunida, que que seria uma pessoa, que seria uma árvore, [limpando a garganta] que seria um animal, né, e que quando ela se desfaz
faz, ela vai tomar outras organizações, né? [limpando a garganta] Então ela vai, ele vai dizer que o carbono como que constitui os nossos músculos, ossos, cérebros e todas as demais formas de vida, não nasceu na Terra, foi produzido no interior de Estrelas que desapareceram muito antes do surgimento do sistema solar. Então, o que ele diz é que a forma termina, mas a matéria permanece. Essa é uma ideia bem biocientífica, né? e é válida para todos nós. Ele diz que desde árvores, insetos nós, a vida ela não termina, ela se reorganiza. Ele vai dizer, né, eh,
que nada no nosso corpo permanece o mesmo. as moléculas, as proteínas, tudo que constitui no seu organismo, ele vai sendo substituído o tempo todo, que a vida vai se refazendo, ela não permanece igual eh nem durante a própria vida, ele diz, né? Durante a própria vida a gente vai mudando. Bem, bem, dá pra gente fazer bem essa analogia na psicanálise, né? Ou seja, a morte como condição de vida, que ele diz, né? que é o o segundo ponto dele, né? Se se nada morresse no nosso corpo, ele vai dizer não teria vida, né? Eh, ele
fala do exemplo mais claro num dos artigos, né, que é do câncer, né, do qual, de um modo geral ali, a maioria dos cânceres, as células vão se multiplicando sem parar. E e aí ele fala, né, eh, que no desenvolvimento embrionário já começa a ter morte para se reorganizar a vida da gente. Então, uma coisa de só vida ou só se multiplicar é o contrário de vida. Ele vai dizer que a biologia mostra que para continuar vivo, o organismo precisa então incorporar continualmente os processos de desintegração. Ele vai dizer que uma árvore, ela pode viver
por séculos justamente porque ela aprendeu a conviver com partes mortas em si mesma, eh, com as mudanças ao redor, as folhas vão envelhecendo e quando [limpando a garganta] as folhas caem elas vão servir de nutrientes paraa vida que continua, né? Então, elas caem, se torn adubo, elas se reintegram que essa seria, segundo ele, né, uma lição para todos nós humanos, né? a gente sabe disso, né, que tudo é um ciclo, né, de morte, reintegração, transformação, vida que pulsa, tal. Mas ele vai dizer um pouco além disso, porque ele vai dizer que essa continuidade dos ciclos
materiais não diminui o significado da morte individual. Então, eu trago esse, né, biocientista aqui, né, porque eu acho que ele conversa muito bem do mais orgânico, mais físico com a psicanálise, né? ele vai dizer isso. Não, a gente entende isso, mas isso não vai diminuir o significado de uma morte. Isso não vai diminuir nosso sofrimento. Saber que eh aquilo que a gente ama se desfaz e vai se transformar num outra coisa. Sofremos porque desaparece uma organização única, desaparece uma história, consciência, um conjunto singular de relações que a gente constrói ao longo da nossa vida, né?
Então, a ciência vai descrever o Destino da matéria, mas ela não vai descrever e não vai eliminar a experiência da perda. Dito isso, né, já que a morte faz parte de tudo que existe, que a gente passa por transformações dentro do corpo e ao longo da vida, a gente passa pelas fases da vida, perdendo as pessoas, os sonhos, os afetos, tal, a vida ela precisa se reorganizar, né? E nós também, quando a gente sofre uma morte, a gente tem que se reorganizar depois dessa morte. Isso faz muito sentido pra gente introduzir o Freud, não faz?
Eh, para quem tava eh na jornada, né? Eh, esse essa introdução do Freud que eu vou fazer aqui já tava lá, mas para quem não tava, acho que é essencial colocar, né? É o texto seminal do Freud de 1917, luta e melancolia. Eh, vou começar como eu comecei lá, mas a gente vai ampliar esse texto agora. Eh, é um texto que a gente usa há mais de 100 anos, né, onde ele vai colocar esses tópicos, né, que meu ver eles são super importantes. Ele vai falar de um trabalho, uma ideia de trabalho de um luto
que não existia antes, que exige Uma atividade do sujeito e com uma possibilidade de fracasso. E é um trabalho que vai transitar da pulsão de vida a pulsão de morte, né? E eu e a Rita, a gente até falou lá no jornado, né, que é como se fosse uma outra, o luto fosse uma outra pulsão, né, uma pulsão de luto que vai transitando ali. Hora estamos mais na vida, hora estamos mais na agressividade. E ele vai dizer: "Luto é o mundo que se tornou vazio e na melancolia é o próprio ego." Luto, né? processo que
leva a uma simbolização, a uma integração eh daquilo que morre dentro de nós e a melancolia que deixa a gente, [limpando a garganta] deixa o sujeito naquele conglomerado de emoções paralisantes que tá ligado à regressão, ao narcisismo. A meu ver, o Freud vai fazer uma reflexão radical sobre como nos constituímos a partir da perda de pessoas, de idealizações, de tudo, né? Ele vai investigar nesse artigo tudo que tá em jogo quando a gente perde, né? Pessoas, ideais, sonhos, como que isso deixa na gente eh uma marca, né? A gente é arrancado de alguma coisa, a
gente tem que fazer trabalho, isso nos transforma. E quais as articulações envolvidas nessa perda, que eu acho genial desse texto, porque quando ele articula a a perda, a morte com a vida, ele vai falar de identificação, ele vai falar de ambivalência, ele vai abrir todo um caminho pra gente pensar amor, Destrutividade, identidade. É muito mais do que só uma teoria do sofrimento psíquico, né? Eh, é genial. E fazendo essas aulas, né, eu tinha lido o uma versão que era da da tradução Standard, né? Depois teve uma outra eh que eu li e eh para fazer
a aula eu li o essa versão nova da Ubu, né, que eu super recomendo para vocês, que tá tá lindíssima e tem um um comentário da Maria Rita Kelant. O encontro com a perda rompe com uma organização que havia sido montada na subjetividade. Vocês já pararam para pensar, né, como que a gente precisa se reorganizar para ter um encontro com o outro, né? Eu dei o exemplo na jornada, né, do encontro do amor, né? A gente se apaixona por alguém, a gente vai lá, quer fazer um encontro de isso, né? A gente tem que abrir
mão de todos os nossos controles, da defesa, das previsões. Tem uma ferida narcísica que vai se abrindo pra gente poder ceder, deixar o nosso desejo de lado, porque o outro não encaixa as nossas projeções, nem deve encaixar. A gente aceita a morte de um monte de certeza pra gente tá no encontro com outro. Criamos outras defesas, outros sintomas e quando a gente perde, a gente tem que se reorganizar. Isso vai causar uma dor que vai gerar também uma reorganização dos circuitos da libido. A gente recolhe todo esse libido, a gente integra, a gente faz o
trabalho de luto, reinveste ou um outro caminho, a gente paralisa narcisicamente, a gente regr, a gente se autoflagela, né? Então melhor que a gente consiga fazer o trabalho, por mais trabalhoso que ele seja. Eh, essa é a revisão que eu coloquei lá. Vamos ampliar um pouquinho mais. Agora eh, o Freud vai dizer, né, o do luto como uma reação à perda esperada, na qual se integra a ausência no próprio psiquismo rumo a novos investimentos afetivos. O mundo está vazio. Uma observação importante aqui, né, que o luto é uma reação à perda de uma pessoa amada,
mas eh é como eu disse antes, de um ideal de abstrações, né, eh, da pátria, né, a dentro dos processos políticos, do que seria uma pátria, da liberdade, do que que seria a liberdade. às vezes tem luto da disso, da perda da liberdade dentro de um processo de desenvolvimento social e dos ideais, né, de tudo aquilo que é ideal que a gente tem muita dificuldade de deixar. e a melancolia, que tá mais ligada com conteúdos ali inconscientes de idealizações, projeções, a autoestima Não se preserva e é um processo narcísico, neurose narcísica, com dificuldade desse desinvestimento
gradual. O eu ali está vazio. [limpando a garganta] Então é um estado terrível desse paciente na clínica, né, que é de um ânimo profundamente doloroso, a perda da capacidade de amar, eh eu tenho uma queda da autoestima, algo que vai tomando conta de todo o psiquismo, tem uma inibição. Eh, vocês já devem ter passado por isso, né? Quando a gente vai usar aula da da do sugestionamento, não vai. Qualquer sugestionamento, qualquer via que é de vida, ela não entra. A gente vai falar de depressão nesses casos, mas depressão tá mais ligado a um DCM, um
CID. a gente vai ver que aqui, né, quando a gente fala de melancolia, é algo muito mais nesses termos mesmo da da psicanálise, né, de tristeza, de inibição, de uma paralisação mesmo, né? Eh, é uma perda do interesse pelo mundo, como Fred coloca, né? O eu tá vazio, né? tem uma incapacidade de amar eh tudo que é externo não tem interesse. É empobrecimento desse ego, né, que tá vazio, que é coisa que não tem no luto, né? É diferente, né, do que a psiquiatria fala de depressão, né? Muitas vezes uma pessoa eh que continuará trabalhando
e tendo muitos relacionamentos, mas vai tá numa melancolia, vai tá numa paralisia na sua vida, né? falta de satisfação, faço um monte de coisa, mas é onde tá a satisfação, onde tá o desejo, né? Às vezes é só uma imitação. [roncando] E isso tudo vai remetendo esse empobrecimento do ego, um autoflagelo, uma autocrítica gigantesca, sensação de fracasso, tudo isso que o Freud coloca no eu que tá vazio, né? E a gente tem que prestar atenção nisso, porque aí é o caminho, um dos caminhos pro suicídio. Pode se manifestar como vazio, cansaço, sem causa aparente ou
angústia inonimável, inominável, especialmente em perdas que a cultura não oferece palavras para nomear. Quais são os lutos que a cultura tem dificuldade de oferecer palavras para nomear, né? a gente encontra na clínica, por exemplo, o luto gestacional, que que é isso, né? Às vezes deixar a marca pra vida toda, em vários momentos da vida que essa pessoa chega pra gente e tá com essa perna. depois não de comentar, se vocês quiserem anotar aí o que que vocês mais pensam de outros lutos que são quase assim, não tem nome para eles. E o Freud vai dizer:
"A sombra do objeto caiu sobre o ego, que então pode ser julgado por uma determinada instância como um objeto, como o objeto abandonado." Essa frase é muito conhecida do Freud, muito genial para falar desse sintoma. melancólico, né? O autojulgamento, como se diminui, como ele se coloca numa posição de objeto para para se depreciar, né? Eh, o eu sendo aquele alvo de todo julgamento, de todo julgamento e todo vazio ao mesmo tempo, com muito ódio, muito agressividade, né? que que originalmente pertenceu ali pro outro, eh, por abandono, por falhas do outro e tal, né? É tudo
redirecionado pro eu, não tem uma integração, não cabe aquela ambiguidade do luto, né, que o Freud coloca. Isso gera o que o Freud classifica como um rebaixamento extraordinário da autoestima, naquela com no qual o indivíduo passa a se culpar e se punir por tudo, né? A gente vai ver, né, como o amor narcísico, ele tá na raiz da melancolia, porque é todo tudo o eu, ao mesmo tempo que esse eu tá vazio. É uma contradição gigantesca que a gente vê. Eh, mas a escolha amorosa tem esse fundo narcísico mesmo, né? Então, quando o parceiro se
vai, a relação termina, tal, né? A perda não é só a perda da ausência de alguém que tá lá fora, né? Mas é esse esvaziamento da perda do próprio eu. E no meio desse processo, desinteresse pelo mundo e tudo mais, né? Eh, faz Parte desse processo de tentar se reorganizar o mundo ali dentro. Ele vai dizer ainda que na melancolia o sujeito de fato sabe quem ele perdeu, mas não o que perdeu nele, né? O que perdeu no objeto, né? e que faz pensar aí nesse tópico do luto e internalização, que é diferente, porque no
luto acontece a internalização da pessoa, uma parte dela vem e a gente internaliza e a gente segue a vida com isso. É o que possibilita a gente ter saudade. É o que a gente lembra, né, que a pessoa nos deixou, que nos faz lembrar com alegria. Esse objeto vive em nós, né? O ideal é perdido, mas ele vive em nós. Ele caminha com a gente acrescentando alguma coisa. Isso conversa lá com o professor lá, o biocientista, né, que se transforma, né, essa organização que foi montada nessa forma de vida que é essa pessoa, ela tá
aqui, ela continua, ela tá em nós. Mas para isso a gente precisa fazer um ba trabalho, né? Eh, é uma travessia que dá trabalho, que exige trabalho. Eh, essas sentenças que eu coloquei aqui nesse slide, elas estão em dicionários de psicanálise. Então, super eh indico para vocês, sempre que for pensar num conceito, sempre que Tiver dúvida com alguma coisa, eh, esses dicionários estão aqui atrás de mim, são o do Mijolo, né? Eh, e do Laplanche, são essenciais. cionários de psicanálise. H, então o trabalho de luto, o que que é? Designa um dispêndio de energia efetuado
por um sistema, um organismo, para produzir um efeito, uma transformação. Em psicanálise, entende-se, por trabalho psíquico, toda forma de atividade do aparelho psíquico destinada a tratar licitações pulsionais. muito claro, né? descreve ainda uma série de operações psíquicas consciente e inconscientes, ocasionados pela perda de um objeto afetiva e pulsionalmente investido. Quando esse processo se conclui, o sujeito exposto ao luto consegue progressivamente e num prazo que não é redutível desprender-se do objeto perdido. Aqui nessa definição é muito interessante, né? Porque ele diz que não é redutível, ou seja, não pode ser diminuído, encurtado, não pode ser alterado.
A gente vive numa era da produção, né, que é fácil falar em seis meses para um luto normal. Todo mundo aqui já ouviu isso, né? E aí a referência, né, eh quando a gente voltar pro trabalho e voltar a ser Produtivo ou vai ficar mais NSS, aquela coisa toda, né? [roncando] Às vezes a gente não consegue se meses, né? A gente vê na clínica lutos muito mais arrastados, a gente vê em nós e muitas vezes lutos funcionais, né? melancolias muito profundas que a pessoa segue trabalhando, segue entregando, uma palavra bem contemporânea, né? Performando, né? Tomando
muito remédio também, tentando, quem sabe elaborar, estando ali na clínica, né? O outro dicionário do Laplan, né? Ele vai colocar a definição de trabalho de luto como processo intrapsíquico consecutivo à perda de um objeto de afeição e pelo qual o sujeito consegue progressivamente desapegar-se dele. E para desapegar-se dele passa por esse trabalho de elaboração, que é um trabalho sobretudo do ego, né? eh eh do pensamento. Quando eu falo do ego, é do pensamento, né? Eh, que é uma das das funções do ego, né? Ego como parte cognitiva, né? Que é gerenciada pelo ego, da reflexão,
da nomeação, né? de tentar fazer essas ligações, de tentar fazer essas nomeações mesmo por meio da linguagem, por meio das traduções, todas, desligar a libido de todas as características desse objeto. E aí é que vai surgindo lembranças, esperas, muita ansiedade, a tristeza. E aí é disso que a gente vai tentar sustentar, que vai fazer parte do nosso trabalho quase impossível, né? Ou seja, um trabalho de digestão psíquica e ressignificação que vai ser de auxiliar o paciente nesse desinvestimento gradual da libido, desse objeto que foi perdido, né? E essa libro que ela se torne livre para
novos objetos, para novos investimentos. Então, a gente tem, né, nesse trabalho todo, eh, um luto como um trabalho no qual, eh, o, o mundo ele pode ficar pobre, mas o eu pode continuar inteiro ou o contrário da melancolia, né, o eu ficar ali muito pobre, se atacar. [roncando] O objetivo, né, então nesse processo todo seria de ajudar esse paciente a se reapropriar da sua trajetória, fazer um novo pacto com o desejo de viver e conferir um novo lugar para esse objeto que você perdeu, para isso que você perdeu, né? Para isso, a gente precisa reconhecer
a nossa própria finitude, a nossa própria transformação, a transformação das etapas de vida, né? E muitas vezes a gente eh tem que reconhecer a nossa própria finitude até para se colocar no lugar de potência, não de impotência perante o paciente, mas também não de onipotência. no site da Rita, né, da jornada tinha alguma coisa escrito sobre isso, né, eh, como que a gente para est num encontro com outro, né, a gente tem que elaborar esse narcisismo, né, porque a gente a gente tá ali numa posição de se dispor, de tá com o outro, né? E
para isso [limpando a garganta] a gente tem que resolver eh [risadas] não ter esse desejo de salvação, senão a gente não vai pro pro caminho de fazer todo seu trabalho. Aí eu vou trazer para vocês uma imagem, obra de arte eh aqui para vocês. A Valentina de Milão chora a morte do seu marido. 1802. É um retrato de uma história real. É a Valentina Visconde. Ela viveu no século eh século XV, século X, século XI. Ela foi filha de um de um duque, de uma Duquesa, né, em Milão, eh, irmã de rei, etc. Aquela coisa
toda ali das potências dos do dos reinados da Europa, né? E ela se casou com um duque, o Duque de Orleans, que era irmão também de um rei e tal. aquele retrato, né, daquelas famílias reais que invadiam a Europa, dividiam a Europa entre si, né, se casam, se casavam entre si e tal, acontece que o seu marido morreu de uma morte trágica ali. E nesse império do poder, todas essas famílias, morrer uma pessoa já era toda uma questão, né, de sucessão, eh, muitas vezes por interesse, assassinato, etc. né? Então, conto que ele foi assassinado [roncando]
e o sofrimento dela foi tão intenso que ela morreu um ano depois. Ela morreu com 38 anos de melancolia, talvez, né? consta que foi de febre e ti, mas uma visão romântica, um recorte de gênero, né, que a gente pode até pensar sexista e tal, vai dizer que ela morreu de coração partido porque o marido dela tinha morrido. Pode ter sido, pode ter contribuído ali, né? A Amanda pode comentar depois melhor isso, Né? Porque realmente eh pelos estudos que você faz, né, você vai a gente vai vendo essas narrativas que sempre coloca a mulher nesse
lugar, né? É, mas o fato, né, que o esse pintor, o Fley François Richard, ele no século X, 19 ele mortalizou o sofrimento dela aqui, né, nesse quadro que mostra o luto, nesse sentido de visumbrar, é o luto como uma emoção privada, solitária e de uma esposa sofrida. Então, notem que tem um grande contraste aí, né, de claro, escuro no ambiente. Tem um olhar vazio, né, como se ela esperasse a volta de alguém. Tem uma postura, né, ali que ela joga o corpo pra frente, né, nessa janela, esperando alguma coisa, numa espera, né, e mostra
uma paralisia também. Então, acho que esse quadro é bem bem interessante para mostrar como que às vezes a gente vê a postura melancólica, né? Eh, agora eu vou vou entrar em alguns teóricos pósfadiianos, né? Eu já falei bastante de abre retoroque lá na jornada, né? Então, só para iniciar essa corrente aqui dos teóricos que eu vou elencar, eh vou vou trazer eles de novo aqui, Principalmente para quem não tava no jornado, eh, como que esses teóricos eles vão descrever esse processo na nossa psiquê, né? Então eu abro rentorque e vou falar eh que a melancolia
é uma recusa radical da perda, resultando em uma via de incorporação. Então diferente do Freud, né, que a gente vai fazer um introjetar a perda e aquele ser, aquele objeto, eles vão numa outra linha, tem uma falha no processo de luto e a libido voltaria para o eu numa regressão, uma identificação narcísica. mas que tem aqui uma recusa, incorporação, seria uma falha da introjeção, uma falha de da aceitação dessa perda. Sem elaboração da perda, acontece a criação de uma cripta no eu para sepultar em fantasia o objeto perdido e os seus afetos. uma fixação narcísica,
obsessão, o silêncio, o segredo. Eles falam de uma parede defensiva ao colapso melancólico que vai se criar dentro do eu e negar completamente essa morte. O melancólico do Freud está se o Cléber travou para vocês também? Travou, travou. Vamos esperar. Espera que não tenha acabado a energia lá. Voltou. voltou, deu uma quedinha, né? Eu vou vou retomar aqui. Deixa beleza. Apareceu? Sim. Aí tela cheia, tá? Tá certinho. Então tá. Eh, então o o melancólico do Freud tá se debatendo com essa ambiguidade, tem o conflito pulsional, tem a tem essa regressão, tem o alto flagelo, né?
O melancólico de Abra Toró é um sujeito extremamente defensivo em aceitar perdas de objetos ou ideais que usam de incorporação, não introjeção e se debatem então com esses afetos que estão silenciados por um fantasma transgeracional. Daí a construção de uma cripta e um consequente fantasma que volta para atormentar. Então tem a perda de um objeto, a quebra de um ideal, uma recusa. Não é uma falha, né? É uma recusa e se pensar essa perda. Consequentemente vai se fazer essa incorporação, engolir esse objeto inteiro, vai ser orientado pela fantasia, né? O trauma vai ficar fora do
eu, fora do pensamento. É diferente da introjeção de cabe o pensamento, cabe o O pensar sobre isso e o tentar integrar e que é orientado pela realidade, né? Então é um processo lento, natural que é no luto, que é da elaboração simbólica. E aqui já não cabe isso, né? Então o caminho do luto, né? Ele é muito interessante porque a gente metaboliza a perda, a gente expande o ego, né? Quando a gente aceita uma perda por meio da linguagem, por meio da simbolização e da metáfora. Então esse é um processo, né, que eles vão dizer
que tá marcado por esse fantasma transgeracional. Tem alguma coisa que aconteceu nessa história que que tá marcado por algo inconfessável. por algo de um trauma vergonhoso, algo que vai realmente impedir que se chore essa perda. Daí por isso a construção dessa cripta realmente para esconder tudo isso, deixar isso tudo fora do do pensamento, né? Mas isso tudo que desde Freud a gente sabe, tudo que a gente reprime, recalca, coloca dentro de paredes, ele volta. O que eles vão chamar aqui de um fantasma transgeracional. Eh, nessa nessa imagem, né, que tá aí do lado, é a
o Humlet, né, que exemplifica Muito bem essa dinâmica do fantasma que volta, que é o fantasma do pai dele que volta e dessa família que tem segredos inconfessáveis, né? Ou seja, o Freud fala de um jeito, eles falam de outro. Mas eh o importante a gente diferenciar ali na clínica o que que o nosso paciente tá falando. São processos que a gente vê de pacientes que estão conseguindo fazer a metabolização e outros que não, outros que colocam mesmo muitas muralhas. O tipo de resistência é diferente, de flagela é diferente e o tipo de abordagem que
a gente vos vai usar também é diferente. primeiro luto, essa imagem tão interessante, né, de 1888, eh, na na jornada eu coloquei um estudo de caso meu, né, e o do Humlet aqui. Eu vou vou mostrar de uma outra forma com uma pintura aí do século XIX, né? Essa pintura ela relembra essa história bíblica do início dos tempos ali, né? A história do canone hebraico cristão, né? Primeiro luto. Adão e Eva estão aí diante do filho, o Abel morto pelo seu irmão Caim por inveja, né? Eh, a gente sabe disso, né? O irmão matou o
outro, mas nem sempre a gente pensa, sabe o mito em si, né? Como é interessante, né? Então, Deus Escolheu em algum momento Abel, eh, e a, e, e aí Caim, por inveja, porque Deus tinha escolhido a Abel, apostando, né, na confiança do Abel como irmão, convidou ele para para ir para um campo distante, para uma mata. Então é o o o que tá aí aos pais com o filho morto pelo irmão, né, que foi enganado, levado por uma mata. Então, como simbolizar uma perda assim? Como atravessar essa experiência da ausência, né? Observe na posição curvada
dessa imagem, né? provado de sofrimento, esses tons escuros da noite, da tempestade. Então, é uma imagem que mostra como uma experiência de luto é, apesar de muito singular, ela também é universal e ela pode ser colocada na arte, nas histórias mais antigas, né? O Freud nos ensina desde sempre, a gente tem que voltar pros mitos, né? Tem que voltar para essas histórias que elas revelam. Eh, tá na origem de tudo, né? A vida, o amor e a morte, basicamente, né? Então, aqui tem uma ausência concreta. Como que a gente liga isso com a Abraham em
Tor, né? Tem uma tragédia, tem inveja, tem segredo, tem uma história familiar de quem que é o mais amado, quem que foi o escolhido, quem que foi o renegado, Como que a gente lida com isso do ser do seu escolhido, de ser o renegado e digere, entende isso ou não? E aí a gente vai paraa agressividade e aí a gente mata, né? Ou se mata ou mata o outro. E às vezes é matar o irmão não para atingir o irmão, mas para atingir os pais, né? Quem tem filhos, principalmente mais de um aí sabe dessa
dinâmica na brincadeira desde criança, né? E que [limpando a garganta] é um desafio. Eh, então eu trago trago bastante, né, essas obras de arte, né, para ilustrar, porque isso mostra o quanto que a gente é ser de linguagem, né? a gente tem essa necessidade da gente registrar esses afetos, né? A Amanda também na apresentação dela, na jornada trouxe, né, algumas obras ali. Eh, é muito interessante a gente, que bom que a gente tem a arte para poder sublimar também, né, para poder colocar eh dos melhores destinos da nossa pulsão agressiva, né? Porque sem isso a
gente pode ir direto mesmo ou pra morte do outro, pra morte de si, paraa mortificação. Eh, é algo que vai se esparramando, né? Então, se a gente conseguir criar com isso, vai ser maravilhoso. Continuando aqui nos teóricos, o que que a Kin vai falar sobre o luto, né? Eh, a Partir da psicanálise, a gente tem diversos autores, né? Eu vou colocar aqui um os pontos principais de alguns com a citação dos textos, né? A ideia que não é aprofundar todos eles e a fundo, né? Fazer um curso da CLA, etc., mas eh oferecer para vocês
um uma gama de conhecimento que gere curiosidade, então uma identificação com um autor, com um texto, com uma ideia, né? Eh, e depois vocês vão buscando mais sobre isso, né? né? Vai, busca o texto, busca o autor, fica com esse texto, grifa, pensa nos casos que estão atendendo, né? Eh, que isso é o mais interessante. Então, para pra Cly, né? Eh, [limpando a garganta] eh, antes de falar da teoria dela, né? Eu acho sempre as fotos da Melanie Cly muito interessante, né? Porque o olhar dela é muito profundo, né? Quem conhece a história dela, né?
a depressão, a relação com os filhos, tudo mais, sabe, né? É uma vida também muito muito densa, né? E ela tem um olhar muito profundo, né, na foto e na teoria também dela. Então, para ela, o luto começa no berço, no desmame e atravessa a vida no processo de amadurecimento. O luto reativa sim posições primitivas, experiências infantis e ansiedades ligados à perda do objeto interno. E tá num complexo de afetos, né? culpa e desejo de reparação, integração do objeto bom e mau, ou seja, posição depressiva, se a gente consegue fazer essa integração, né? A não
integração disso é a posição esquisoparico. Eh, então melhor que a gente faça essa integração, vá paraa posição depressiva, né? aquele momento de impacto que a gente percebe que o objeto que a gente ama e que a gente odeia é o mesmo objeto que a gente é chamado, né, esse duro trabalho de integrar ambivalência. É dos trabalhos mais difíceis que a gente tem e é do trabalho não só que a gente tem de dificuldade na clínica, mas da nossa existência. Eh, ou seja, ela coloca o luto como uma reorganização do mundo interno. Eu tô simplificando, resumindo
aqui, né, mas a gente conhece, né, a coluna vertebral da teoria da Cly, né, eh, e de todos os bons teóricos, clínicos e tal, que falo com profundidade, né, a gente sabe como ela estrutura tudo de uma forma como não tem um edifício ruir ali, né? Então, quando ela fala de luto, ela vai tá dentro desse desse coração da teoria dela, das posições, né? A gente passa a vida tentando se equilibrar para entregar, integrar esses afetos, né? Vem a perda. Um trauma que acontece. A gente regr, a gente passa a vida tentando edificar uma coluna
de alguma coisa e aí vem uma perda, a gente regride, a gente tem que se reorganizar, a gente se desorganiza. Então a gente eh na posição com o outro e com o mundo, a gente vai fazendo isso a vida toda. Retoma lá o biocientista que eu coloquei no começo, né? as transformação. Parece que é simples, mas é muito importante a gente entender que aqui, né, tem essa profundidade do pensamento e é bem diferente do Freud, né, porque ela foca uma numa reaber, ele foca numa reabertura de investimentos, né, no no trabalho de de luto, né?
Aqui ela fala de toda uma reorganização interna, [limpando a garganta] né? Então tem tem uma diferença do pensamento que é que é muito interessante, dependendo de como a gente trabalha. Até aqui tá tudo bem? Se tem alguma dúvida? Tá bom. Eh, o Lacan, o Lacan ele vai pegar por outro lugar, ele vai por uma outra porta, né? Tem esse esse texto dele, né? O desejo sua interpretação. Lacan o luto como operação simbólica. É uma perda ligada ao significante e ao lugar do outro. Outro, né, com o outre, né, com o a maiúsculo, né, o grande
outro. Que lugar ocupávamos para o objeto perdido? é a pergunta dele. Então, veja só que interessante essa reflexão. Não é só a tristeza pela perda do objeto, mas sobretudo o foco aqui é que lugar eu ocupava e que eu tinha minha identidade perante esse objeto e agora quem eu sou agora que não tenho mais. Então, qual que é a minha posição no complexo das posições de desejo? É uma questão de posição, né? É [roncando] uma questão do que o outro me dava, né? Ou do que eu fantasiava ou fantasiai, imaginei que o outro me dava,
né? O luto provoca sim a reorganização simbólica do campo do desejo. Como a Cli vai falar de reorganização, né? dele também, mas aqui tem um ponto um pouco diferente porque tem um foco nas posições de objeto perante um grande outro. E isso é um isso já muda um pouco porque a gente vai falar do desejo, a relação com o desejo, né? Se esse que me Investia de algo que eu entendia como desejo, né, que me fazia existir simbolicamente, né, se o meu desejo é o desejo do outro, né, como ele fala, se esse não tá
mais aqui, onde eu estou e quem sou eu perante a vida, perante todos os grandes outros, né? [limpando a garganta] Todo grande outro. Na melancolia, então o sujeito não consegue realizar essa operação simbólica, pois há identificação total com objeto perdido. Ele não perdeu alguém, [limpando a garganta] ele é a perda. Profundo, né? É uma facada assim, né? Eh, eu acho, mas eu acho genial esse pensamento, porque ele agrega, na verdade, os anteriores, os pensamentos eles vão se agregando, né? [roncando] Então, melancolia como paralisia, seja no Freud ou em Abraorque, né, o luto como uma reorganização
desse mundo, mundo interno para Amel Clar, que tem também posições. E aqui uma falha tão grande que nos faz sugerir que a perda é a de si mesmo, né? Porque a gente vai perder um lugar no cenário todo que a gente construiu de Sujeito, objeto quanto ao desejo, né? Ele vai no coração da coisa. A gente é esse esse ser que é guiado por esse desejo, que se posiciona perante [limpando a garganta] perante um objeto de alguma forma e que a gente se vê no olhar do outro e quando esse olhar já não tá mais
ali, né? Que bom que tem pessoas que vão pensar com essas profundidades e que a gente vai ir hoje numa noite de segunda-feira fria e chuvosa para levar essas bordoadas, [risadas] repensar nossas relações, né? Eh, agora vamos entrando um pouquinho mais um campo mais fora da psicanálise, exrapsicanálise, mais pro social. Esse texto, né, no qual eu me baseei, né, o pavor da morte, ele tá nesse livro da imagem que é muito interessante, super recomendo, Medo Líquido. Eh, é uma leitura para quem gosta de estudar o social. Eu acho fundamental, né? O Freud sempre gostou, sempre
valorou muito. Tem os grandes textos sociais do Freud, né? E tem o Balmo, né? E eu trago aqui alguns autores que eu leio, né? Esse especialmente gosto dele do medo líquido, amor líquido, modernidade líquida. São textos que eu acho que são essenciais pra gente no contemporâneo. E eu gosto da fluência do discurso desses autores que eu tô trazendo também, né, do Lacanos, do Lacan menos que o Lacali tinha uns problemas, a meu ver, né, de de com poderia ser mais didático, né, por isso que o único escrito dele lá, os escritos, né, depois foi o
Jaqueler que escreveu os seminários dele, né, que acho que ele descobriu que era difícil para ele escrever, mas mesmo assim ele traz, né, esse esse desafio interessante das fórmulas dele e tudo mais, né? Mas o Balman, Freud, né, são extremamente fluídos, cheios de insites, né? Vamos ver o que o Balman vai dizer. O Balman vai dizer que o pavor da morte é o arquétipo de todos os medos. A consciência inevitável da finitude humana gera uma angústia inata. O que fazemos com isso enquanto civilização? ele vai perguntar o campo da sociologia, né? Ele vai ter muito
que acrescentar paraa gente nessas nesses pontos de reflexões, né? Assim como os textos sociológicos do Freud, eles vão fazer essa ponte, né? Entre a gente indivíduo e um grupo maior, né? Então ele faz essa pergunta. Eh, eu recomendo muito a leitura desse capítulo, "avor da morte", né? Porque eh assim como os dicionários da psicanálise, né, eles vão esclarecendo conceitos, né, que a gente eh se a gente Se instrumentaliza deles, a gente lê o mundo de outra forma, né? E essa pergunta ele vai responder assim, dizendo que a civilização atua como um artifício para tornar essa
certeza tolerável por meio de estratégias. da civilização. E que estratégias que são essas? Ilusão de controle, banalização, negação do fim e o imperativo da produtividade, tá? Tudo que a gente vive aqui, né? Tem um livro de 2008 que ele que a gente vê que é um processo que só foi triturando as subjetividades, né? toda a banelização, a negação do fim, esse imperativo de produtividade, cada vez mais uma ilusão de controle que a gente tem, que a gente fomenta dentro da sociedade, né? Sei que vocês estão pensando em alguns exemplos, talvez, né? Consumo desenfreado, né? De
tudo o tempo todo, né? O que que a gente vê nas redes sociais, né? O banal do absurdo que fica nos distraindo o tempo todo, né? a as notícias de jornal que a gente vê, as catástrofes que a gente vê, né? Eh, mas a gente vê essas catástrofes e depois passa para uma outra aba do celular, que é uma aba de coisinha mais divertida, porque a gente não quer ficar ali, né? A gente vê, passa, isso vai passando. Então isso entra uma banalização e também uma ilusão de controle ali do do das próprias emoções, né?
Eh, é um espetáculo da banalidade mesmo, né? A própria rotina da gente, né? A gente tá aqui agora estudando, tal, aprendendo, conversando. Depois a gente vai jantar, dormir, acordar, vai planejar uma viagem para dezembro daqui a pouco, né? Então, a gente tá produzindo, tá trabalhando, tá comprando, tá gastando, tá gerando alguma coisa, né? [roncando] Eh, mesmo quando a gente tá num evento cultural, num teatro, num cinema, a hoje tem um termo para isso, né? Tem a economia criativa, né? Esse termo péssimo, né? Porque não pode ter entretenimento e criatividade e criação se não se não
tiver economia. É isso. Tem que ser tem que gerar dinheiro, né? [roncando] Eh, [limpando a garganta] tal pessoa morreu, mas a vida tem que continuar, né? Não pode parar, continuar produzindo sempre, né? E é bom trabalhar para se distrair. A gente ouve isso também, né? Que bom, vai trabalhar porque a gente tem que se distrair. Vamos no shopping, vamos comprar, vamos pensar na vida adiante, né? Então, eh, e vê como essa palavra, né, distrair, ela é tão importante, né? Porque do que que a gente tá se distraindo, que a gente não tá dando tempo de
processar diariamente nas nossas vidas, né, de todos os lutos diários que a gente tem. Quando a gente recebe na clínica uma pessoa que acabou de terminar um relacionamento amoroso, a gente recebe uma pessoa diante desse dilema, ela vai trabalhar isso ou ela vai fazer a fila andar ou ela vai consumir, né? a gente tá falando de luto [roncando] e então tem toda uma distração pra gente não fazer o processo que o Freud descreveu, né, cada vez mais. E ele vai dizer também que mesmo assim o pavor se mantém. É o custo psicológico de termos autoconsciência
e racionalidade. Então, mesmo com todas essas estratégias, o pavor se mantém. conversa muito com a psicanálise isso, né? A gente sofre, se angustia porque a gente tem consciência e mesmo tendo consciência e racionalidade e fugas para contornar, para intelectualizar, a gente tem alguma coisa que pulsa, né? Tem um pavor nas profundezas, né? E eh mesmo que a gente não pense sobre isso, Aí o que a psicanálise é falar, né? Isso vem de alguma forma como sintoma, né, que é o que vai chegar pra gente na clínica. Eh, vou só passar rapidamente pela Butler, mas eh
acho muito interessante. Eh, eu nem conseguiria ampliar muito a Butler, não, não, não tá no meu escopo, mas eh esse livro dela é muito importante pra gente pensar aqui, né, o luto, porque ela vai pensar, né, eu fiz um recorte aqui, né, do que que é interessante só pra gente eh na psicanálise, né, ela vai falar do luto atravessado por política e gênero, leva o Freud para o campo social. pergunta: "Quais vidas são passíveis de serem choradas?" Essa é uma frase, uma pergunta que a gente tem que se perguntar sempre que a gente tá vendo
um jornal, né? Ela vai dizer que algumas vidas eh quais vidas que são lutáveis? Parece que tem algumas vidas que não são lutáveis, né? De luto e de luta, né? [roncando] argumenta que a identidade de gênero é formada por um luto melancólico de desejos que a sociedade nos proibiu de ter. A melancolia social ocorre quando a perda de certos grupos como minorias não é reconhecida publicamente, Impedindo o processo de luto. Então ela conclui que existem lutos que a sociedade proíbe lutos políticos, ou seja, né, ela vai na direção daqueles lutos que eu pontuei no começo,
né, não é só na nossa pequena vida individual e nem no nosso pequeno grupo familiar, né, que vai doer. E a gente tem que se debater com com esse vazio, com essa perda, né? Eh, no grande grupo, né? Tem grupos na nossa sociedade sofrendo demais justamente porque o luto é proibido. Além da própria perda, do próprio processo difícil de de integração, ainda tem essa dificuldade de de poder sofrer esse luto, né? Não lutável, luto não lutável, né? Eh, eu vejo que é como se fosse uma teoria ética sobre o luto, né? O que que ela
propõe aqui? A gente tem que dar visibilidade paraas perdas, né? Seja na nossa vida individual, seja no pequeno grupo familiar, seja no grupo da sociedade, né? Principalmente da sociedade no pensamento dela, né? tem que dar visibilidade, que tem algumas que a sociedade a gente ou prefere ou a gente escolhe não olhar. Uma outra autora muito importante, muito interessante para trazer aqui para vocês é a Júlia Cristeva. Tem esse livro de 89, O Sol Negro. Eh, ela é muito importante em várias áreas, né? Isso que eu trouxe ela. Ela é filósofa, é linguista, ela conversa e
fala da psicanálise, né? Ela estuda muito a psicanálise, né? Então, a gente tem que ouvir ela. Ela realiza uma profunda investigação psicanalítica e semiótica sobre o luto e a depressão, apresentando a melancolia não apenas como patologia, mas como um discurso com linguagem própria. Então, ela vai dizer que a melancolia é uma falha na linguagem. Ele é linguista, né? O melancólico é aquele que perdeu o sentido das palavras porque está preso a uma dor que não consegue nomear. Conversa bem com a psicanálise? Sol negro seria esse brilho ofuscante, porém sem luz, que representa a vida obsescorecida
pela ausência de vitalidade e a dor psicológica profunda, ou seja, o vazio existencial. Aqui a gente já vai caminhando para a teoria de uma estrutura melancólica, né? A psicanálise e a arte funcionam como espaços onde o indivíduo pode reimaginar a sua identidade e restaurar a conexão com a linguagem e com o desejo. E ela finaliza dizendo que a arte e a literatura aparecem como formas de transformar esse vazio melancólico em algo que pode ser comunicado, né? Que é o que eu falei antes até da das imagens, das obras de arte, né? como elas nos ajudam
de alguma forma a elaborar, de alguma forma integrar, de alguma forma a sublimar. Ela vai, ela fala bastante de psicanálise obra de arte, né? E ela usa obra de arte para ilustrar, né, como a a criação artística vai servir como um antídoto ou uma forma de dar mais voz à dor, eh, principalmente a dor melancólica, né? Então ela vai dizer que o eh alguns autores, tipo Dostoyevski, eh Marguerite Durá, eles conseguem, né, pela literatura, mas ela vai falar também de de outros de pintores até, esqueci agora o nome deles, ela vai dizer que eles transformam
o vazio. Eles transformam o vazio e transformam o sofrimento e narrativas, né? nesse caso na na literatura, mas também nas artes plásticas, né? E e ela vai falar que todo toda a obra literária, por utilizada essa questão da palavra, Né, ela é um esforço dessa reconciliação com o mundo, dessa perda que nos distancia do mundo e que a gente faz esse esforço para se reconciliar e a arte nos ajuda, né? Eh, é muito bonita essa fala dela, né, esse conceito dela, né? E então a obra dela tá repleta de de obras de arte que ela
vai tá analisando, como por exemplo essa figura, essa figura, o Cristo morto no sepulcro de 1521, né? Eh, ela analisa esse quadro, ele é um quadro, né? Eh, ela vai analisar. E antes de eu falar o que que ela o que que ela pensa, vou perguntar para vocês o que que vocês sentem, né? O que que vocês identificam quando vocês olham nessa imagem? Quem quer falar? Ninguém. ela vai dizer, né, que essa obra ela ela tá dentro desse desse complexo do que ela vai falar, né, de ajudar a nomear, porque ela mostra uma representação do
abandono absoluto. né, do limite da vida, né? Então, ela fala que, eh, se a gente prestar Atenção, ela é uma pintura que o o pintor Has Robin, ele tentou ser o mais realista possível, né? Se vocês forem reparar na cor, nas chagas, né? Eh, a os ossos dele aparecem, né? Tá dentro de um lugar hiper apertado, né? Tem se projetar para estar nesse lugar apertado. Que angústia que seria essa, né? [roncando] Então, veja só, né? Uma imagem que vai transformar um vazio melancólico em algo que pode ser comunicado. É isso que ela vai dizer. essas
e as as obras de arte que ela coloca para ilustrar é nesse sentido, obras que vão comunicar alguma coisa, que vão falar, né, que vai dizer, que é isso que a gente tá falando aqui, que precisa ser dito. Eh, agora depois de passar por esses autores aí ao longo do do mundo, tras através aí dos continentes, vamos voltar aqui pro pro Brasil. o Dunker, né, na USP, ele tem um livro recente de 23, que vai falar desse lutos finitos e infinitos, né, esse lugar ampliado, né, também continuando nessa ideia do ampliado do Individual pro social,
né, e ele vai dizer eh que o desafio é, né, que o é um desafio, né, o mundo quer que a gente tome pílula para parar de sofrer em 15 dias. a gente vê essa pressão dos prazos, né? Já falei anteriormente, né? 6 meses para voltar a trabalhar, né? Só que tem lutos que duram anos, né? Tem uma diferença entre a gente vê um luto que dura anos e uma paralisia, uma paralisia melancólica com autoflagelo, com tudo aquilo que o Freud vai colocar lá. Eh, mais pode durar, né? Em certas perdas o luto não precisa
terminar, especialmente em casos de perdas políticas ou coletivas. Então, ele vai trabalhar com essa ideia de feridas sociais, né? Tem tragédias que a gente não pode esquecer. Os desaparecidos políticos da ditadura. Esse morto vai ficar dentro da história e a gente não ficando na paralisia da melancolia, né? Mas a gente vai para onde, né? O que que a gente vai fazer com isso? Com um corpo que não foi encontrado ou não foi identificado Enquanto família, enquanto nação, o que que a gente vai fazer com isso? Aí a gente faz filma, a gente faz ainda estou
aqui, né? Às vezes a gente pode escrever um livro sobre isso, às vezes fazer um filme. E esse nosso parente que teve um destino trágico com esse livro, com esse filme, eu vou compartilhar com a sociedade isso. Vamos chorar junto essa perda, né? Vamos fazer essa perda ser lutável de alguma forma, né? E e aí a gente passa a pensar melhor a nossa cultura local. através dessa morte, pensa um mundo através dessa morte, né? Tem de alguma forma uma potência na forma como seu sujeito foi apagado na história ou se tentou apagá-lo, mas também tem
algo que resiste. E que bom que esse algo resiste, porque daí ela vai se tornar arte, ela vai se tornar alguma coisa outra e que vai fazer com que a gente continue pensando, né? Isso foi foi transformado de alguma forma. Eh, ele vai dizer luto infinito. Quando a perda se torna parte de quem somos. É uma escolha ética de não esquecer, mas de viver com a memória. É um sintoma social muito forte. Não podemos não podermos enterrar as nossas mortes, né? é um sintoma social muito Forte e ainda a gente ser obrigado a esquecer, né,
não ter memória. E é isso que tá presente na nossa cultura, né, justamente lincando até com o Balma, né, eh, esquecer por conta da velocidade. Por que que a gente vai ficar parado pensando nisso? a gente esquece e a gente segue em frente. A gente vai paraa próxima cena, a gente vai pro próximo episódio da série que a gente tá assistindo na Netflix, a gente vai pro no próximo post no no Instagram, né? E a gente assim, de alguma forma na velocidade atropela, né? Não pensa, não dá tempo. E aí a sociedade vai chegando nesse
ponto que a gente tá, que a gente tem que tá pensando ditadura agora, tá pensando as eleições que tem lá a Alemanha também se debatendo lá com essas questões do passado, né? Então ele vai colocar a diferença entre superar, deixar para trás e integrar, levar adiante. Eu acho linda essa ideia dele, né? Eh, levar adiante, né? A gente honra a perda que a gente tem, né? Que tivemos em nossa vida. Dá para ampliar isso além dos lutos sociais ou de um objeto amoroso e tudo mais, né? nossos ideais mesmo que a gente perde, a gente
tem que fazer velórios muitas vezes, né? O que Que a gente faz com eles, né? A gente pode levar adiante, a gente pode transformar isso e a gente pode ajudar os pacientes a transformarem isso de alguma forma, né, numa ação futura, de impulsionar, de produzir alguma coisa com isso, né? E é num processo sempre de dentro para fora. Tem muitos exemplos aqui de arte, né? Produzir um livro, produzir um filme, né? Levar isso, impulsionar para alguma coisa à frente, para gerar uma luta, para uma ideia, eh algo que dê valor, né, a algo no futuro.
Mas, eh, pode ser qualquer coisa, né? Eh, vocês conhecem, né, essas histórias, né, por exemplo, de uma um determinado remédio ou determinada vacina que foi eh que foi criada, né, por uma iniciativa de uma mãe ou de um pai ou de um irmão que perdeu alguém com aquela doença que não tinha nome, com aquela doença que não tinha tratamento, né? E enquanto aquela pessoa tava sofrendo com aquilo, alguém ali perto falou assim: "Tem, vamos tentar fazer alguma coisa com isso, tentar descobrir, vou falar comos cientistas, vou na universidade, vou na Unicamp, eu vou na USP,
eu vou falar, vou colocar o meu filho, meu irmão, minha mãe ali para [limpando a garganta] se expor a essa essa técnica. A pessoa morre, eu continuo lá, eu quero estar junto, eu quero descobrir e tal. E isso de alguma forma é levado adiante como vida, não mais para aquele que se perdeu, mas para salvar outras vidas, para que outras vidas que estejam ali, que passarem por isso, possam se beneficiar disso de alguma forma, né? Então, eh, como a gente leva leva adiante, né, de alguma forma isso pode levar o sólomo. Alguns de vocês devem
conhecer, né? Eu gosto muito de ouvir o Sólomo, né, porque ele é uma pessoa de estrutura melancólica, né? Quem já ouviu ele falar sabe, né? Ele fala abertamente sobre a melancolia dele. Melancolia na estrutura melancólica, orando em psicanálise, né? Ele vai falar, né, do processo depressivo dele e que ele faz esse trabalho de levar adiante essa dor para algum lugar, né? Então ele escreve livros, ele fala sobre isso e tem esse livro que [limpando a garganta] é muito interessante que é o Demônio do Meio-dia, uma anatomia da depressão. Quem se interessa pelo assunto é do
dos livros mais potentes que a gente tem de falar da depressão de dentro dela, né? Ele coloca ali o relato do suicídio assistido da mãe que sofria de um câncer terminal. Eh, conta como foi reorganizar, né, esses afetos todos. Ele vai falar então dessa experiência, da experiência pessoal dele e também vai colocar pesquisas e entrevistas sobre a melancolia. A morte da mãe, certamente foi um grande trauma catalisador da depressão dele, depressão grave que ele enfrenta. Mas eh essa reorganização que ele vai pensar, né, eh dentro de si, ele vai pensar também da relação familiar, a
relação com essa mãe e tal. E ele vai usar muitas metáforas arquitetônicas e corporais, né? Então, nesse livro ele tem tem assim que ele conta que são muito emblemáticas, né, que ele fala da perda da rigidez, né, do corpo, né, daquele que tá em depressão, mortificado, né, eh, a escuridão, né, ou o colapso das estruturas internas, né, para ilustrar o que que significa ser tragado pela melancolia, né, a melan Oli, ele vai dizer que ela traga o amor, né? E é isso, porque o amor, a porção de vida que liga o amor, que liga as
pessoas, ela é um algo que flui de uma pessoa para outra, né? E que exige esse investimento, né? Então ele fala: "Melancolia traga o amor", né? O amor nos abandona de tempos em tempos e nós abandonamos o amor. Na depressão, a falta de significado de cada empreendimento e de cada emoção, a falta de significado da própria vida se tornam evidentes. O único sentimento que resta nesse estado de espírito de amor é a insignificância. É uma frase terrível, um parágrafo terrível, né? Eh, só com muito aprofundamento assim dentro de si, mergulhando no próprio ser, assim para
elaborar esse depoimento. Mas é muito interessante como esse livro, esses depoimentos ajudam muitas pessoas a entenderem o que passa consigo, né? É até contraditório, porque da impressão assim que você vai dar isso uma pessoa melancólica, ela vai se matar com esse depoimento. Não, mas isso ajuda a dar palavras, ajuda a entender melhor, né? E muitas vezes no consultório a gente vai traduzir esses sentimentos. Ele vai dizer então que o papel vital da vontade e do amor no processo, ele vai falar do papel vital, né, da vontade do amor no processo da recuperação da doença, né?
E você vê, né, que eh se vocês forem buscar, né, apesar da densidade de tudo isso que ele vive, ele não deixa de se colocar, né, todo esse afeto em algo que faça sentido a vida dele, né? Então, ele fala de um tratamento medicamentoso muito forte, que que mantém ele na vida e que mantém ele desejante também, né? Se vocês forem buscar sobre a vida deles, vocês vão encontrar muita pulsão de vida. Apesar disso tudo, ele é escritor, ele é professor, eh não só no sentido de produzir, de trabalhar, mas de criar mesmo, né? Ele
tem uma vida afetiva rica, né? Então ele tem vários filhos com o marido dele. É uma história muito complexa ali, eh, de parcerias de casais, de amigas e tal. né, filho de um, filho do outro. Ele conseguiu construir uma família ampliada, né? Ele até escreve isso no num dos livros dele. Eh, ele construiu uma família, ele coloca muito afeto nessa família ampliada que ele que ele criou, né? Eh, ou seja, ele continua criando eh não apesar do seu universo interno melancólico, mas em conjunto com o seu universo melancólico, né? H, eu gostaria de terminar essa
corrente de teorias e de teóricos aqui com vocês, Com a Maria Rita Kell, que eu comecei falando que ela tá nesse comentando, né, o luta e melancolia do Freud, né, e tem esse livro dela que linca muito bem com solo, né, a questão da depressão, desde 2009, é um livro premiado dela, né, que eu gosto. bastante que fala sobre a atualidade das depressões e ela vai questionar o aumento assombroso de diagnósticos depressão nas sociedades ocidentais, um sintoma, uma doença social. O que tá acontecendo com a nossa civilização? Ela vai questionar lá em 2004, ela vai
publicar esse livro em 2009, mas a gente continua questionando até agora o que que tá acontecendo com a nossa civilização, né? Então, 2004 começa as pesquisas dela para 2009, né? E ela vai colocar alguns pontos, né? Ela vai se perguntar: "A depressão existe mesmo? é uma invenção da da do mercado farmacológico, né? A competitividade na sociedade tá acelerando isso, tem um uma ideais inalcançáveis que estão sendo postos e que tá nublando tudo isso, a subjetividade, né? Tem o discurso capitalista, né? Nessa época acho que era só o discurso capitalista. Hoje a gente tem outros discursos
além do capitalista. né? E ela vai diferenciar ali essa depressão da psiquiatria que tá na psiquiatria e a melancolia que tá na psicanálise, que é o que eu tô falando aqui em vários pontos para vocês, né? a gente sabe disso, onde tá o lugar de uma coisa, onde que tá o lugar da outra, como que a gente como psicanalistas a gente se posiciona perante as questões que chegam pra gente, quais os sintomas e o que que uma pessoa tá passando, o que que é uma pessoa, né, que tá passando por um luto, uma depressão nos
termos de uma reelaboração, que é diferente de uma pessoa que tem uma estrutura melancólica, né, eh, que tá nesse outro lugar de algo que não consegue puxar de dentro de si nenhuma pulsão de vida e que às vezes a gente não vai identificar que perdeu, que é porque perdeu uma pessoa aqui, que é porque perdeu algo ali, é algo que tá numa estrutura melancólica, né? Eh, e aí tem esse tem essa frase dela, esse trecho. Na clínica psicanalítica, recebemos com frequência pessoas que se queixam de não ter jamais experimentado tanto quanto sejam capazes de se
lembrar outro modo de estar no mundo que não seja a depressão, com raros intervalos de alívio passageiro. O tipo de endereçamento transferencial de suas interrogações ante o analista leva a concluir que essas pessoas são neuróticas. Mas o sentimento de vazio que as abate, a lentidão mental e corporal, o abatimento profundo que se encontram, exigem um pouco mais de cautela em sua avaliação. A questão que se coloca é o que acontece na origem de certas entradas na neurose que abate o sujeito de uma forma tão avacaladora desde muito cedo. É profundo, né? uma escrita muito profunda.
Eh, ela tem frases como essa, trechos como esse, né, que a gente tem que ficar na pergunta mesmo, né? Então, o que que acontece na origem de algumas entradas da neurose que abate o sujeito de forma tão avacaladora nesse mundo, tão ceno, né? Bom, eh, percorri aqui todos esses autores, as teorias, paraa gente poder não aprender mais e ter mais conhecimento. também, porque isso também é pulsão de vida, mas também para sentir, né, como que essas falas tocam a gente, como que elas ampliam de alguma forma até o diagnóstico e bagunça um pouco, né, também
a forma como a gente se posiciona perante os sujeitos na clínica, né, sujeitos que nos pedem ajuda. o que que é passar por um lútero para acessar ou cair numa melancolia, ficar paralisado e ter todos esses ter conglomerado de emoções que Aqui que diversos autores tentaram nomear de alguma forma, mas sobretudo o o quando eu termino com a Maria Rita, é para pensar eh o que que além disso de tá no luto processando ou de tá na melancolia paralisado, o que que é o mais difícil de trabalhar na clínica, que é essa mortificação, que é
esse melancólico, né, que é, né, eh, que se deixa dominar pela pulsão de morte, pela agressividade, eh, tanto no individual como no coletivo, o sintoma social, doença social, né, da gente não conseguir mais encontrar força nem eh dentro e nem fora sequer para iniciar um trabalho de luta, sequer para identificar do que que a gente tem que iniciar o trabalho de luto, né? E como que essas coisas ligadas a uma mortificação, uma agressividade, elas no social elas vão ficando muito mais presentes e potentes nesses períodos que a gente tá chegando de eleição, por exemplo. E
aí vai mesco, né, o social com o individual. Eh, acho que todos nós, em algum momento a gente tá vendo notícia ou jornal ou algum site, a gente fala assim: "Ah, não quero ver isso, já vou mudar", né? Porque aquilo começa a incomodar tantas vezes, né? [roncando] Bom, são muitos autores, eh, como eu disse antes, né? não procurem decorar tudo. O mais importante é a gente poder, na nossa prática da psicanálise poder Incorporando, poder, eh, encarar mesmo uma posição questionadora, né, diante da vida, diante disso tudo, se autorizar, tá ali como sujeito potente de alguma
forma para ajudar. Eh, é isso. Toda uma teoria de morte, luto, melancolia, agressividade, pulsão de morte, mas também pulsão de vida. Eu vou só colocar um poema no final para terminar antes de eu de eu ouvir vocês. Poema de Canção sobre a Esperança do Álvaro de Campos. É o Fernando Pessoa, né, na persona do Álvaro de Campos. Dá-me lírios. Lírios e rosas também. Mas se não tens lírios nem rosas a dar-me, tem vontade ou menos de me dar os lírios e também as rosas. Basta-me a vontade que tens, se a tiveres, de me dar os
lírios e as rosas também. E terei os lírios, os melhores lírios e as melhores rosas, sem receber nada. A não ser aprenda da tua vontade de me dares lírios e rosas também. Tudo na vida se faz por recordações. Ama-se por memória. Viver é desencontrar-se consigo mesmo. No fim de tudo, se tiver sono, dormirei. Mas gostava de te encontrar que falássemos. Estou certo que simpatizaríamos um com o outro. Mas se não nos encontrarmos, guardarei o momento em que pensei que nos poderíamos encontrar. Guardo tudo. Guardo as cartas que me escrevem. Guardo até as cartas que não
me escrevem. Santo Deus. A gente guarda tudo mesmo que não queira. Eh, é isso. Quem quiser tirar um print aí da bibliografia, todos esses autores para depois estar buscando aí um ou outro. à vontade e muito obrigado aí pela atenção, por essa 1:40 aí que a gente tá falando sem parar. Agora eu quero ouvir vocês. É isso. Obrigado. Nossa, Cléber, como é bom te escutar. Que poema lindo esse. Mas eh eu vou faz fazer assim o primeiro comentário e aí pessoal segue o o barco também para para comentar. Mas eu fiquei pensando quando você colocou
aquele quadro, né, da Valentina de Milão, né? E aí eu eu fiquei eh me lembrei daquelas as carpideiras, né, que são as mulheres que eram convidadas, né, para chorar, fazer, né, os cortejos fúnebres, né, ali na na Idade Média, mas até hoje isso existe em alguns países, né, na Espanha, em Portugal, né, que se tinha a ideia de que o luto, né, o pranto assim era reservado às mulheres, elas eram eram responsáveis por fazer esse trabalho de luto, né, nas nas sociedades. E e fiquei pensando de quando quando uma mulher perde, né, o o marido,
a vivez assim, o quanto fica essa ideia de um de se permanecer nessa posição de luto, né, numa num luto impossível de ser realizado, nãoé, talvez pela estrutura, né, da pessoa, mas por essa ideia externa, né, de que essa mulher tem que permanecer nesse lugar do luto, né, de perder algum alguma autonomia também, a possibilidade de circular e escolher algumas coisas, porque tudo isso era reservado ao marido, né? Então, quando você foi, né, trouxe aquele quadro e foi falando sobre a questão de gênero no luto, me veio isso assim, né? Fiquei pensando nisso. Ah, perfeito,
perfeito. Que bom, que bom que você comentou, né, que é bem aí os temas que você estuda, né? E e é isso, Né? Como que a a gente tem que olhar para as obras de arte, né? Eh, dá para fazer um grande estudo, né? Se for pegar, né? A mulher representada e nas obras de arte ao longo do tempo e relacionado à perda, né? A a a ao recorte de gênero, né? Tem muita coisa que a gente vai descobrir que tava aí no século XI, no século X, tá? do século XX, tá aqui no XX,
né? Eh, mas a gente pode fazer outras leituras também, né? Então, muito legal. Obrigado pela contribuição. Eu fiquei pensando, Cléber, é interessante, né? Na mesma obra, né, da Valentina, né, você falou emoção privada, solitária e sofrida. E eu fiquei pensando que é o que acontece hoje, porque quando alguém vai pro nosso consultório para falar de luto, eu fico pensando o que acontece, né, que isso não pode ser vivido entre os amigos, com a família. E eu sempre tive histórias, eu sou de Jundiaí, né? Minha mãe sempre contou que quando eu não tinha o velório aqui
municipal, então quando falecia alguém era velado na casa. Então, tinha um pano preto na frente da casa. Minha mãe conta assim que as pessoas ficavam usando o preto durante um tempo. Eu cheguei a ver isso. Você acredita? Eu lembro que meu pai tinha um bar de mercearia e eu lembro que tinha uma senhora que andava de preto e eu falava: "Mãe, por que que ela só anda de preto?" Aí alguém falou: "Ah, ela ela perdeu o marido, né?" né? Então eu fico pensando nessa dificuldade hoje, acho que desse mediatismo, dessa dificuldade de escuta. Eh, recentemente
eu perdi meu pai e foi em novembro, né? E eu eu senti que eu pude viver isso com a minha família, com a Ritinha, com os amigos, né? A gente poder falar disso. Então, sei que é algo que a gente vive no consultório porque chega, né? Isso chega, chega o luto e chega o que é, eu acho que é o, o luto acho que é um trabalho, né? É um trabalho, é algo [limpando a garganta] que dá trabalho. Mas assim, eu acho que o mais difícil é quando você tá diante do paciente melancólico. Quando você
foi falando, eu fiquei pensando em vários pacientes e a dificuldade nesse manejo aí é mais difícil. Essa é a minha experiência, né? Ah, obrigado, Mônica. Oi, só, só um minutinho. Eh, só agradecer, Mônica. É bem isso, né? Eh, isso que você falou da das pessoas andando de preto e tal, né? Que não era uma emoção privada, né? Era uma coisa assim que compartilhava, que o que tá faltando. Esses autores sociais falam disso, né? E é o nosso consultório muitas vezes é o que vai deixar isso menos privado, né? Bom, obrigado pela experiência pessoal também que
você conta e do seu pai. Desculpa até te interrompir, Cléber. É que eu eu também fiquei pensando um pouco nisso que a Mônica pensou. Eu fui até anotando algumas coisas assim, principalmente quando você falou do Bauma, né, que quando a gente vai pensando no luto, nessa perda, né, tem uma perda, né? E eu fico pensando na clínica contemporânea que a gente não tem esse espaço, né? A gente não pode perder tempo, a gente tem que performar, a gente, né? O que eu até notei assim, o que que a gente tem que fazer num luto, inclusive
junto com o paciente, né? Parar, lembrar para uma dissolução, uma elaboração minimamente, né? Repetir, sentir. Foi falando bau, mas foi me angustiando, né? suportar a ausência e é tudo que vai em desencontro assim com que a gente tem vivido, né? A gente não pode perder tempo, a gente não pode parar, a gente não pode, né? E não pode nem sentir, inclusive, e e vai caindo nesse esvaziamento, né? Então, como é que se elabora algo que não se entra em contato? Então, até essa questão, né, muito eh como é que a gente vai vivendo isso em
tempos, né, tão tão tudo muito contemporâneo. Então, deixar algo morrer nem se pode mais, né? Porque não se entra em contato. Então você foi falando Do balma, fui ficando angustiada assim com isso, porque é algo que a gente, o paciente é isso, não posso parar, não posso pensar, tem que amanhã é o trabalho, é isso. Então eu ouço bastante disso, pode perder tempo, né? Pode tudo é performar, tudo. Então me angustei com essa momento do Balma também. Ah, muito legal, Delita. É isso. É o o Ferens, né? Eu falei isso lá na jornada, né? O
Féens ele fala da elasticidade da técnica, né? Que é sobretudo a gente poder sair um pouco de alguma posição ali, eh, de de pressa, né? Ele não fala isso, mas é uma interpretação minha. Enfim, quem estudo férias aí que me corrige, fica à vontade. [risadas] Mas é sair de uma posição do nosso tempo, né? e que muitas vezes vai ser isso que você falou, repetir, né? Eh, a gente sabe disso, né? Os pacientes ficam às vezes por anos repetindo, repetindo, repetindo histórias, histórias, histórias até poder elaborar, né? O Freud fala isso, mas eh nesse processo
de luto é dá esse tempo mesmo, né? Dá essa elasticidade ali na técnica. É o tempo da pessoa, é o tempo desse luto, né? eh o tempo de de dar dar suporte para que isso possa acontecer mesmo, né? E esse lugar do consultório muitas vezes é o que eu percebo, vocês contem das experiências de vocês também, às vezes é muito Frequentemente é o único lugar que a pessoa tem para poder dar conta disso, porque o discurso fora é o discurso da pressa, é o discurso de de produtividade, né? é o prazo do INS, é o
um monte de coisa, né? Eh, e reclamações as pessoas à volta muitas vezes, né, de não entender, de não compreender. Então, como que a gente tem um papel muito importante ali de ajudar a dar essa a não não precisar falar pra pessoa que ela não precisa performar, né? O Cléber, que legal te ouvir. Nossa, eh, que pulsão de vida te ouvir falar sobre morte, falar sobre luto. [risadas][suspirando] Mas é bom esse encontro. Eu tinha algumas coisas para comentar, mas eu queria indicar um texto do, deixa eu pegar o nome dele aqui que eu esqueci, do
Marcelo Henrique. O livro chama Só Fumo quando bebo. Ele é um autor brasileiro, queer, né? E ele é um livro que reúne alguns contos dele e ele escreve de uma forma muito profunda, né? E eu estou bastante mergulhado nesses contos agora. Então ele reúne uma série de contos. Enfim, tem um conto que chama a natureza morta e um conto que chama gata traveca também mia, que é muito bom. Depois eu eu te mando, né? E [roncando] e aí eu queria comentar sobre o que você foi trazendo em relação a Judit Butler, né, de corpos e
vidas que não são possíveis de lutos, né, que não podem ser vividas como luto. [roncando] E e nesses contos fala sobre a vida de homens gays e que chega um determinado momento que os corpos deles não têm mais utilidade. Então eles vão perdendo ah a vida, perdendo a vitalidade, os encontros ali, eh são de fato destinados a uma solidão, né? Então quantos lutos esses corpos não atravessam, né? E aí, fora isso, né, acho que dá pra gente, daria pra gente mergulhar e ficar um tempão falando sobre isso, mas fora isso, lembrei de um, de uma
paciente que eu estou atendendo, que ela passou por um processo de transição, né, e inicialmente tinha se compreendido como travesti e agora ela está questionando a eh o termo travesti, né, e a ela tá se identificando agora, está numa busca aí, mas como uma pessoa NB e como esse luto dela não fica autorizado por conta de um movimento que ela tem nas redes sociais, né? Então ela precisava se identificar para marcar ali e trazer quase com uma certa influência e é uma e é um uma paciente que é artista. E eu achei tão bonito isso
que Você trouxe do Dunker, né? Eh, de integrar, né? levar adiante, porque ela vai fazendo isso em relação à arte dela. E o momento que ela estava muito, muito angustiada por destransicionar, entre aspas, né, perder, passar, passar por mais um luto que era o luto da travestia ideal que ela criou, ela foi trazendo isso pra arte, como essa produção dela, esse contato dela com a arte, não só produção, né, ela também consumiu Camila Sosa Vilada, enfim, foi tendo outros contatos, ela conseguiu inteir tá conseguindo integrar de alguma forma esses lutos, né, Mas enfim, foi isso
que eu fui pensando. Não sei se ficou confuso, se deu para entender, mas adorei te ouvir. Eu tô aqui pensando muita coisa. Nossa, que legal. Eu já marquei aqui. Só fumo quando bebo. Gato atravessa, atravessa também. Eu vou vou querer ler. [risadas] Eh, que profundo isso, né? Você tinha pensado, enquanto você atende esse caso sobre lutos ali, você tinha chegado a pensar sobre essa palavra ali, trabalhar isso com ela? Sim, sim. Nós trabalhamos um tanto essa questão de luto, né? E é muito complexo porque eu vou percebendo uma rede de lutos assim o tempo todo,
né? Porque é o luto da criança viada, que não é mais uma criança viada. né? E e e essa Criança tá passando por vários lutos e depois na adolescência outros lutos. Então a gente foi de alguma forma trabalhando esses lutos e dando palavra para esses lutos, né? Porque eu acho que é esse o trabalho do ego que você falou, da gente conseguir pensar e falar sobre isso, elaboraram tanto isso, né? Sei se elaborar, elaborar, acho que é depois, mas primeiro falar sobre isso. Mas a gente foi trabalhando e acho que é um trabalho quase que
interminável, viu Cléber? Eu não sei, eu queria pensar agora, acho que vai ser pros próximos, paraas próximas aulas, mas até onde eu a o quanto a gente consegue de fato elaborar, o quanto a gente consegue integrar, porque eu fico pensando que o luto para as identidades LGBT que haverem mais, né, para as pessoas LGBTs, ele é um luto que vai sempre se atualizando. Por exemplo, eu lembro quando nós tivemos na nas eleições passadas o momento que o Bolsonaro entrou com vários discursos, né? Os nossos lutos foram reacasendo, foram foram eu não sei se reacendo, mas
as feridas foram sendo abertas, né? Então acho que é um luto que vai sempre precisando de uma elaboração. Acho que eu respondi, né? Acho que até demais. Sim. Perfeito, perfeito. Nossa, é, você vê que você vai, você vai falando, você vai na associação livre, aí você vai lembrando, né, que é vários lutos desde a infância, né? E é justamente essa ideia quando a gente fala de pulsão de Vida, pulsão de morte, fala de lutos, né? como que essa história dessa pessoa realmente tem muitos lutos muito claros e difíceis que tem embate com a família, embate
com a cultura, não tem nome ali ainda para falar sobre essas posições novas, né? Então, muitas vezes os nomes são nomes que são insultos, né? E depois a pessoa vai ter que fazer um trabalho, muitas vezes ela sozinha, buscar outras referências fora da família para se entender. E em algum momento com muita sorte chega no consultório do Luiz que vai ter trabalhado tudo isso e vai ajudar a nomear, né? Então, eh é é um luto, são vários lutos que vão sendo encadeados, né? E que bom que ela é artista, porque é é isso, né? Você
vai tá ajudando ela mais uma vez passar por um uma descoberta, né? Eh, acho que essa posição a gente tem que ter na vida, assim, né? Não sei o que que vocês acham, mas é de querer descobrir sempre algo da gente, né? Tem alguma coisa na gente que tá buscando sempre parar e estabilizar. Eu sou isso. Eu penso assim, eu sou homem, eu sou hétero, eu sou ou sou homo, ou sou e essa é minha identidade, né? Eh, eu tenho um casal de amigos que outro dia a gente tava conversando e tal, né? São são
dois meninos e eles eh um deles Brincando, [limpando a garganta] tava conversando aí um deles falou assim, eles têm 20 e poucos 30 anos, né? Aí um deles falou assim: "Nossa, como será?" Nosso amor, como será que a gente vai est quando a gente tiver 50 anos? Aí o ele esperava uma resposta romântica, né? Aí o outro respondeu assim: "Eu não sei como que eu vou estar comigo quando eu tiver 50 anos, então como que eu vou saber como vou estar com você, né?" Então, uma posição de não saber mesmo, né? Eh, que é interessante
você falando aí, eu lembrei muito do da Laert, né? Aert, que tem essa história tão intensa ali de ser homem, ser hétero, ter um trabalho com outros homens héteros, tal, e ali com, se eu não me engano, 60 anos vai se transformando, brincando com as roupas, com o cabelo e e vai tendo, vai explicando e vai tendo a coragem de [limpando a garganta] fazer isso, vai tendo a possibilidade e explica isso pro pai velhinho, pra mãe, e velhinha, pro filho, pro neto, o neto chama ela de vó e e vai fazendo isso, né? E tem
um documentário que tem uma fala que é tão interessante, porque tem uma cena que tá no aniversário com a mãe da da mãe dela, que já tem 90 anos, alguma coisa assim. E e aí ela tá falando, né, que a eu não vou lembrar se é a Rita ali, eu acho que é a Rita ali, que um dia tava conversando com ela e falou assim: "Eh, agora e que ela falou pra Rita." É a Ritali mesmo. Ela falou pra Ritali que tava pensando se colocava seio, se não colocava seio, mas ela já tinha 70 anos,
tal. Aí Ritali falou para ela assim: "Põe, nada, isso é uma droga, uma droga sei preciso colocar." Mas o interessante é eh pensando ainda, será, né? Eu tô aqui com 70 anos, mas talvez eu queira ter seio, talvez eu não queira ter sei não sei. Vamos vamos pensando, né? [roncando] Vamos descobrindo. Obrigado, Luiz. Eu fiquei pensando nisso que o Luiz trouxe. Eh, eu fui pensando nessas na questão, né, das identidades distentes, assim, desse desse luto que se reatualiza, mas de um luto que é feito também de vínculos vivos, né? que muitas vezes essas pessoas precisam
fazer o luto da família que tá viva, mas de um vínculo que não é possível mais de existir pelo preconceito da família, pelo não acolhimento, né? E aí eu me lembrei de um podcast que eu acho que é um episódio da rádio Novelo, eu posso depois compartilhar, em que conta a história de uma pessoa, de uma travesti que tinha um apartamento num prédio em São Paulo. E esse apartamento ela alugava eh para para outros homens que que para que eles pudessem ir para lá, passar algumas horas juntos, se vestirem, né? Como mulheres e poderem viver
essa identidade ali entre eles por algumas horas para depois eles poderem sair de lá e e continuar vivendo a vida ali com as famílias e tudo mais. E eu fiquei pensando nessa no luto por algum momento também dessa identidade, mas essa pulção de vida de poder ir lá também e tá em alguma em uma comunidade em que eles podem possam viver isso juntos assim, né, juntas. Então, me lembrei dessa história, desse episódio também do podcast, porque vocês falaram da Lert e acho que ela participa desse podcast em algum momento. Depois eu posso compartilhar. Ah, compartilha
sim, compartilha no grupo pra gente. Eh, é essa ideia de um lugar, né? o lugar que é da terapia, que pode ser da família, que pode ser esses outros lugares que as pessoas vão viver mesmo isso juntos, né? A gente atravessa junto. É isso. Muito legal, pessoal. Vamos comentar sem sem vergonha. Eu vou fazer mais um comentário, Cléber, mas daí é meu hiper foco em identidades dissidentes, tá? [risadas] Eu vou eu vou vou indicar o livro As Malditas da Camila Sosa Vilada. Esse eu tenho físico. E aí esse esse livro ela vai contando a história
de mulheres trans e mulheres como que é o nome do livro, Luiz? É as Malditas da Camila Sosa Vilada. Ele agora, pela Companhia das Letras saiu com essa com esse título, mas ele tinha um outro título que era eh O Parque das Irmãs Malditas. Talvez você já deva ter já deve ter escutado por esse [limpando a garganta] nome, né? Enfim. E aí ela vai contando a história de mulheres transmulheres que se prostituem em um parque, né? Eh, na Argentina e a Camila Sosa Vilada, ela é uma mulher trans que argentina, então muito legal ler uma
pessoa translatina. Então, acho já, já acho isso incrível. Ela escreve muito bem, ela é muito profunda. E e aí ela vai trazendo o quanto aquele par que se torna em algum momento movimento de resistência para essas mulheres, né? E depois elas vão para uma casa, né? Elas constróem a casa delas e aí nessa casa acontecem coisas assim fantásticas de com uma certa fantasia mesmo, né? Então elas estão, elas têm meio que um super poder ali, eh, sem ter aquela coisa fantasiosa do poder, né? Enfim. E aí tem um momento, o Cleber, que elas encontram uma
criança jogada numa vala, né? E aí essa criança chama Brilho nos Olhos. Eu acho que esse é o nome da criança. Não sei se é só se é só brilho ou é brilho nos olhos, mas eu falo desse brilho nos olhos. E eu acho que é um tanto disso de esse bebê, essa criança representa porção de vida nesse encontro delas, né? Não só ter encontrado o bebê, mas esse encontro delas como comunidade. Então acho que reforça eh só para complementar isso que a Amanda trouxe, né, de como esse encontro é potente. E aí eu lembrei
de uma outra coisa. Eu estou sofrendo um tanto nas eleições agora, né? E aí eu comentei com a Amanda esses dias o quanto a gente precisa se desconectar nas redes muitas vezes e ter um apoio, tipo comentar com a minha amiga que nossa, que que tá acontecendo, né? Eu acho que isso vai dando alívio. Então é desses encontros, né? O o livro das malditas deveria chamar os Encontros, porque ele é ele fala disso. Só mais uma indicação. Dá para pensar talvez em termos de inconsciente coletivo, nesses momentos de um luto coletivo mesmo, né? Eu me
lembro assim da pandemia, das eleições de 2018, a angústia compartilhada, né, dessa agora assim. Então, eh, como são importantes esses espaços para se falar do luto, para que o luto circule mesmo, Né? Porque senão fica essa ideia do que a Mônica trouxe, né, desse luto individual, né, fechado, que antes era vivido dentro das casas, né, o ritual ele era vivido mesmo assim, né, dentro de casa, o corpo era velado lá. Então, como é importante o ritual, né, a vivência mesmo da do luto, né? E olha que legal isso que a Mônica trouxe do dela observar
uma mulher vestida de preto, né? E como assim, apesar de ser vivido dentro da casa, isso atravessava, né? A Mônica lembra dessa cena. De alguma forma, essa mulher distribuía esse luto dela nas memórias dos outros que ela encontrava, assim, em quem olhava ela e via, nossa, ela está passando por um luto porque de alguma forma era compartilhado, né? Uma tentativa de compartilhar, talvez, mas fui, viajei aqui pensando nesse, nesse olhar da Mônica, essa memória dela. Que que você acha, Mônica? Eu eu ia, vocês estavam falando de luta, tava pensando no encontro, né? Luiz falou tanto
do encontro, ia falar do encontro de que nós vivemos sábado, gente. Eu fiquei fiquei tão feliz e hora que eu tô vendo a carinha de todo mundo aqui, ai por que eu tô tão feliz. Vocês estão com essa sensação boa que a gente com o Cléber, a gente teve um um pouquinho mais. [risadas] Vocês ficaram com isso muito. Para mim a castração tá sendo maravilhoso, porque eu não tô castrando, só tô vivendo. Encontrei de novo. [risadas] É bom. [roncando] Olha todo mundo, né? Olha, a gente encontrou. Encontrei com a Marivana no banheiro. A Marivana falou
uma coisa que eu amei. É o que que ela falou? Você pode compartilhar? Não sei se você pode compartilhar. Tudo [risadas] bem. A falou de dar sentido à vida, né, Mariana? Ai, aí a Mariana falou que ela vai tomar café num lugar. Eu falei: "Ai, fiquei com uma sensação tão gostosa assim, achei tão bonito o jeito que ela falou. Foi a hora que passou. Depois eu falei para ela, Marivana, você aqueceu meu coração". Não é que a Telma tinha falado, né? Eh, de sair. Eu falei, às vezes eu não quero sair, mas às vezes eu
me forço a sair. Então, eu vou, né? E eu vou, eu, eu tenho muito isso, né? Porque a hora que eu chego na rua, a vida tá acontecendo, as coisas é que nem saí num domingo à tarde, né? Esses dias a Telma falou: "Vamos no Sesc domingo à tarde". Falei: "Vamos". Falei: "Nossa, Telma, tem vida domingo à tarde na rua, né? Assim, olha o Sesc cheio de gente, né?" E é isso que nem você trouxe do casal de amigo, né? Clé? Aí eu fiquei aqui pensando, né? aquele filme, o convite, não sei se alguém assistiu,
né, que tem uma parte, não assisti ainda, mas tá tá maravilhoso maravilhoso, que tem uma parte que ele fala, né, como que você se vê, se vê sentado, acho que é mais ou menos isso, eu não vou saber certinho. V sentado a dois ali, o casal numa varanda, se vê sozinho em Paris num café ali, né, flertando, né, ou caminhando na areia assim sozinho mesmo, né, na areia de uma praia sozinho, né? E aí eu eu fiquei pensando desse amigo que já se antecipa, né, no 50 e eu não sei como eu vou estar no
50, mas não cria, né, isso de como que vai ser, né? Não sei se é um medo aí de do luto, na verdade, de não ser a construção daquilo que sonhou, que pensou, né? Mas fiquei que pensando, viajando. É isso. Ah, muito legal. Olha como tudo que vocês estão falando tá se comunicando, né? Eh, que é tudo é o estar com o outro, né? Estar com outro é um encontro que a gente fez lá. A gente tá aqui junto, a gente tá nesse encontro verdadeiro, né? Mas que bom também que a gente pôde estar naquele
encontro lá se abraçar, né, e se ver ali, né, em 3D. [risadas] E e é legal, morivana, né? Porque se forçar sair, né, tal. Eh, não sei se alguns de vocês sabem, né? Mas desde a pandemia só atendendo online, não foi mais para consultório desde a pandemia, né? Até alguns pacientes propus, perguntei e tal. Eu acho que pela dinâmica de São Paulo, né? Eh, ninguém quis, ninguém mais quis voltar pro consultório. Eu também não queria muito. Então, ficamos todo mundo assim. E, e horário é mais fácil, né, de se encontrar para remanejar horário e tudo
mais, né? Mas eh o mesmo assim é importante a gente sair, né, sair desse consultório que é em casa, né, para est nesses encontros, né, uma aula que seja fora, esse encontro que a Rita promove, né, pra gente poder fazer esse movimento, né, eh, e que é isso que vocês compartilharam aí, né, de de poder trocar, né? Então, acho que você que falou, né, Amanda, né, de conversar sobre política ali, né, sair das redes, tal, e conversar com alguém ali, né, o que que tá acontecendo, né? É um encontro ali que não a gente não
vai estar só se inflando dos conteúdos que estão vindo, né, e ficar perguntando, se perguntando e nem dormir à noite. Nossa, como que pode Essa figura, essa figura bizarra ser candidato à presidência? Como é que pode isso? Não, a gente vai falar isso com alguém, alguém vai concordar com a gente, a gente vai eh dali surgir alguma coisa, né, que seja uma ideia de resistência qualquer que seja, né? Eh, eu eu tenho uma paciente que elas desde a pandemia se afeta muito por essa coisa política, né, como todos nós, assim, mas no sentido até de
às vezes ter uma sessão inteira falando sobre essa insatisfação política ali, né? E [risadas] e ainda mais porque a gente foi entendendo que é uma pessoa que tá dentro de uma família que é totalmente extrema à direita, que não tem espaço, que não tem, não pode circular nada ali, né? E qualquer coisa que ela vai circular sobre isso, vem ataques e mais ataques e bloqueios, uma coisa horrível. Eh, a gente foi percebendo isso e essa pessoa foi transferindo também essa fala para outros espaços. Então, foi procurando grupos, eh, foi se procurando partidos políticos, um lugar
onde cabe uma ideia feminista, foi conhecendo os feminismos, foi fazendo cursos primeiro online com com com mais timidez, depois mais presencial e foi e hoje tá filiado a um partido, ao pessoal, né? Eh, tá se entendendo ainda que um partido político, por mais de esquerda que seja, que é alinhado com o Que ela pensa, tem suas suas contradições também. Ou seja, tá dando um destino isso de pensar, será que é aqui mesmo? Será que não é outro lugar? Para onde que eu vou? Eu sei que eu não posso ficar só eu aqui na minha murada
tentando elaborar isso. Essas o consultório também não vai ser esse lugar o que vai dar conta de tudo isso. Então eu vou ali para fora, vou conversar, né, e vou nesse processo fazendo lutos, né, o luto que esse lugar da família que me ensinaram que é ideal, que tem que tá todo mundo junto e que tem que tá todo mundo eh eh comemorando e todo mundo feliz o tempo todo. Vai ser em alguns momentos, mas em outros, infelizmente, a gente vai bater de frente. E como que a gente pode fazer no luto? quem sabe continuar
até convivendo, né? [roncando] O luto do ideal, né, da idealização. E aí parte para um outro mecanismo assim, né, que é uma isso que você tá falando, bonito até, né, sublimar e dar outros caminhos, né, Cléber? Uhum. Isso. Sublimar, eh, que tá vai ser sempre em contato com o outro. Eu entendo que ele tá sempre em contato com o outro, porque quando a gente vai fala de sublimação como arte mesmo, a gente vai fazer direcionado, né? Vai ser para colocar ali de alguma forma para um outro, né? Para um outro ver, para um outro ler,
para um outro assistir, né? Eh, eu vi que você postou ali, né, Luiz, essa foto, né, da do quadro, né, para mostrar as cores, né? É bem isso, né? Acho que a minha figura tava um pouco mais escura ali, não definida, mas realmente essa foto mostra exatamente isso, né? Como eh ali tá presente todos esses afetos, né? Toda essa dura, né? Toda essa o terror da da morte de não conseguir dar conta para isso que é tão indisível, né? Com esse céu fechado, essas cores eh escuras ali, né? Essa sombra, né? uma sombra que se
abate mesmo, né? E e aí a gente vai precisar se encontrar pra gente debater isso, né? E fazer fazer memória, né? Eh, isso que você falou, né, Luiz, sobre o sobre a Mônica, né? Eh, é muito potente isso, né? Que que Mônica que você traz, né? Porque realmente aquele aquele aqueles lutos que você presenciou ali, aqueles trajes pretos e tudo mais, eles eles perpassaram aí gerações e tal. Você tá trazendo isso aqui hoje, né? Isso. Mesmo que você não lembre nem de quem que é, quem eram aquelas pessoas, mas você guarda dentro de você uma
ideia de que tem uma finitude e que tem pessoas que depois daquele que se foi estão ali fazendo alguma coisa para poder dar conta de lembrar, para poder dar conta de simbolizar essa perda, de colocar em outro lugar, né, de simbolizar e tal. Isso fica dentro de você com sem você perceber com uma noção de que a a vida Tem uma afinitude, mas cada vida tem um tem um valor que ela precisa, ela pode ser homenageada, né? Então o você vai tratar seus mortos de uma outra forma, né? Você falou do seu pai, né? Você
vai tratar de outra forma, não vai ser na na banalidade, né? Isso é muito interessante, né? Eh, Flávia, eh, então eu queria compartilhar com vocês essa eh essa fala da Mônica, né, do luto mesmo como a morte de alguém. Eu de quinta-feira eu participo do grupo de paliativos aqui do Hospital São Vicente em Jundiaí. E assim, né, quase toda semana a gente lida diretamente com a morte, com a perda mesmo assim da morte, né? E aí a gente tem muita experiência dessa com as pessoas da dor, da perda em si, né, da dessa dor. Mas
o que eu queria compartilhar, na verdade, tirando, né, com tudo isso que vocês já falaram, eh, e também dessa, desse lugar da dor, da perda em si de alguém, eu falo, eu penso assim de tudo que tava tava me movendo assim, me mexendo muito com o meu sentimento, dizendo assim que a gente perde alguma coisa todo dia, né? A gente sofre um luto todo dia. E agora um depoimento que o meu maior luto foi quando eu fiz 50 anos. Quando eu fiz 50 anos, eu, gente, eu sofri um luto que eu não imaginava quando aquela
pessoa falou assim: "Nossa, como eu vou estar com 50 anos? Por isso que isso me despertou". Eu falei, quando eu fiz 50 anos, eu sofri um luto e eu ainda tô digerindo esse luto, porque eu já fiz 51 e eu ainda não passei pelo luto. Eu ainda tô E eu tô pensando, gente, como como é é um é e dói dói você pensar, cheguei na metade da vida, né? Será que é a metade também? Não sei se eu vou viver 100 anos, mas eu cheguei num auge que a minha vida inteira eu eu vi as
pessoas falando, meus pais, nossa, né? E eu pensava: "Meu Deus, 50. Nossa, quando eu tiver e eu e quando eu me deparei e aí vieram também questões, né, de saúde, questões da vida que a gente vai perdendo. E aí eu vi que é um luto forte isso. E mais uma coisa que que eu acho legal também de colocar que assim, eu tô atendendo mulheres da minha faixa etária que estão passando também por isso, porque agora entra num período de menopausa e a menopausa traz uma sucessão de lutos que parece que não tem fim, né? [limpando
a garganta][risadas] Elas podem dar risada aqui. Mas gente, e e assim, eu sei que às vezes parece cômico, mas é um fato e a gente vive esse luto diariamente. E essa porque assim, eh, né, desde que a gente começa a pensar sobre o luto, a gente fica Muito preso aos lutos das perdas clássicas, né? Eh, perda de um de um ente querido, perda de, né, de de uma situação, eh, um filho que parte, né, vai estudar longe, uma mãe que falece, sei lá, alguma coisa assim que uma perda sua, um namorado que acaba, um casamento
que acaba, coisas assim. E a gente não sei lá, não passa meio desapercebido esses pequenos lutos diários que a gente vai vivendo e que eu acho que prende tanto a gente em tantas, tantos moldes e tantas situações da vida e como é difícil. Então, sei lá, é mais um desaba para compartilhar, mas eu achei que era que era interessante porque eu fiquei muito tocada com tudo isso e foi mexendo num lugar que eu falei: "Meu Deus, eu preciso falar é isso". Ai, que bonito, Flávia, muito obrigado aí pela partilha, pela coragem de se expor até,
né, nesse lugar seguro aqui. Eh, é isso. É, pegou. Eh, que bom que você se tocou, né? Vocês todos estão comentando aqui, né? Que bom que vocês se tocaram, né, por essas falas, né, que eu coloquei aqui, porque é isso, é essa a ideia. lutos diários e menopausa, 50 anos, tal, né? Eh, muitas vezes, se a gente não cuida, né, ela vai ser vai ser algo que mexe com a identidade, né? Então, ao mesmo tempo que a gente tem que ter essa abertura, né, que eu falei que eu vejo como muito positiva de uma abertura
de o que que vai ser, quem que eu vou ser, né, de tá Se transformando assim, uma identidade muito fixa, mas ao mesmo tempo eh às vezes tem uns cortes, né, como idade, como menopausa, eh, que questiona-se, né, quem sou eu enquanto pessoa? Quem sou eu enquanto homem? Quem sou eu enquanto mulher? Eh, esse paciente do Luís, né? Eh, eh, eu pensei que era uma coisa, mas agora tô vendo que tem outras camadas aqui, tô descobrindo, né? Aí é que vai esse poder de reinvenção, né? Então, é isso que eu coloquei, né? ou a gente
faz o luto, se reinventa aí de alguma outra forma, você não é mais essa mulher que você se via como antes, com a menopausa gera um determinado corte, é uma outra coisa. Mas eh pensando nos outras coisas da sua vida, como que isso influencia na sua relação, nas suas relações de de modo geral e na vida, né, com os objetos da vida. eh, e elaborando isso e criando para não cair numa melancolia, né, para não deixar que isso aconteça, né, eh, ao mesmo tempo que se a gente vê que se a gente tá podendo fazer
essas perguntas, tá refletindo sobre isso, tá podendo falar, a gente já tá superando uma queda numa estrutura melancólica, né, numa mortificação, porque a gente já tá mudando palavra para isso, né? Então, já estamos no caminho, mesmo que isso às Vezes dure muito tempo, né? A menopausa é uma coisa muito interessante assim, né? Porque eh tem tem mulheres que passam mais rápido, tem mulheres que alongam muitos anos, é uma coisa compartilhada entre entre as mulheres, né? mas que às vezes vai ter até eh vai ter diferenças gritantes assim que às vezes nenhuma outra mulher vai entender
muito bem, né? Como assim que você tá 5 anos para esse calorão? Fiquei só seis meses, já terminou, já passou, tal, né? Vocês já ouviram isso, né? Então, [roncando] como que é importante ter espaços cada vez melhores, de qualidade, maiores também para poder falar sobre tudo isso que você sente, né? [roncando] É isso. Bom, gente, é só uma coisinha, só para terminar, desculpa. Eh, o mais interessante disso, Cléber, que eu acho que eu que eu achei interessante trazer, porque eu atendo mulheres da minha idade, como eu falei, e tão passando por essas questões e elas
mesm trazem para mim que às vezes elas não se reconhecem, que elas falam: "Eu não sei mais quem eu sou". Então, é o luto da perda de quem eu era, né? Daquela daquela pessoa que eu acreditava ser ou de que eu me via. E agora eu tô me vendo outra pessoa, eu tô tentando me descobrir como outra pessoa, porque a transformação é grande, né? Uma Transformação eh fisiológica, né? Que a gente é que que a gente é acometida, né? Não tem não tem como escapar. E eu vejo isso em pacientes que vêm e falam muito
sobre isso, né? Então achei muito interessante porque é um luto mesmo de quem você era, né? para quem você tá. E aí você começa a ser uma nova pessoa dentro de tudo isso, né? Buscar um novo eu, um novo ser ali dentro de toda essa essa loucura que acontece. Então, achei interessante me tocou muito isso. Só um comentário, Flávia, eu tô na menopausa também e a minha sorte que a minha companheira também tá. [risadas] Então, estamos nós duas a menopausa, gente, se entende bem. Uhum. Ó, já tem uma partilha, uma possibilidade de elaboração já dentro
aí do casal. Isso é maravilhoso. Ô, Cléber, você usou uma frase, você falou assim: "O novo pacto com o desejo, com o desejo, com o desejo de viver", né? Diante do Sabia que eu tinha falado isso. É. E eu fui escrever novo pacto, eu coloquei novo impacto. [risadas] E agora a Flávia, eu vou escrever pacto, eu coloquei o novo impacto, porque eu eu fui colocar pacto, coloquei novo. É, e realmente, né, diante das perdas, como a Flávia disse, né, diárias, né, e nós mulheres quando vivemos isso, né, que a está falando também tem o pacto
com o desejo de viver diante desse impacto, né, e cada um vai viver de um jeito, né, Flávia? Eh, nossa, ó, algumas palavras revelam, ó. Obrigado por recuperar essa frase que eu nem sabia que eu tinha falado isso. [risadas] O outro que fala pra gente, né, quem que a gente é isso aí. Eh, atos falhos, né, que vão revelando e você fez poesia com isso. Pronto. Ó, tem uma criança ali, né, de line, né? [risadas] É, ela invadiu aqui, ó. Vou ter que fazer um urso do meu momento de aluna. [risadas] Legal. Eh, bom, acho
que é isso, né? Acho que a semana que vem a gente continua, né? Deixar a Amanda encerrar aí, mas só para falar, né? Muito obrigado pela pelos comentários aí de vocês todos, né? Eu desenhei essas três aulas justamente para deixar pelo menos meia hora ali no final. a gente estendeu para 50 para comentar, né, para falar, para fazer essa troca, né, porque é aí que a gente aprende melhor, né, a gente absorve todos esses conteúdos, né? Então, semana que vem a gente parte para suicídio, acting out, eh, pensamentos, tal, e na última com o inicot
semana que vem eh começa o tema do suicídio que termina com a dor e com a angústia e com winot na terceira semana. E é isso. Gostei muito de abraçá-los no sábado, quem tava lá. E vamos continuar aqui então mais duas semanas. É isso. Obrigado. Obrigado, Luiz. Obrigada, viu, Cléber? Queria te agradecer em nome do CW, em nome da Rita também que ela pediu para eu te agradecer também. Essa Amanda tá demais, né, gente? Oi, que linda. Ela tá demais. Ai, Mônica, como foi bom te abraçar, viu? Ai, como ela tá. [risadas] E aí a
gente se vê semana que vem, na próxima aula que a Ritinha vai est também. E aí a gente continua esse papo que a aula estendeu porque tava muito bom, né? [risadas] Que bom. Obrigada por todo mundo que participou, gente. Beijo. Obrigada. Boa noite. Tchau. Tchau. Obrigada. Beijo. Eh, a gravação você que encerra aí, man. É, eu vou encerrar aqui e aí já fica gravado na nuvem. Boa noite, Cléber.