[Música] [Aplausos] [Música] [Aplausos] bem-vindos todos e todas essa é uma aula do curso desafios e soluções para o desenvolvimento Nacional reconstrução e transformação da fundação per Abramo e eu sou plane professor do Instituto de Economia da Unicamp eh vou ministrar a aula de hoje sobre o tema soberania e inserção internacional tema não poderia ser mais atual né Eh o mundo passa por um período extremamente conturbado eh o Brasil tenta assumir um papel ativo io focando sempre no diálogo na solução de conflitos mas é preciso a gente se perguntar eh O que que está acontecendo na
ordem internacional para onde que esses essas mudanças essas transformações nos levam e apreciar de que maneira Isto pode eh contribuir desde que o Brasil se Coloque numa uma posição adequada e para o desenvolvimento Nacional sem dúvida a situação internacional atual representa um desafio mais um desafio para o nosso desenvolvimento né Eh mas começando Então por uma tentativa de entender qual é a origem né entender eh de onde vem essa instabilidade essas tensões que nós percebem na na Esfera internacional Hum E eu acho que se a gente fizer uma uma lista in completa apenas ilustrativa de
alguns eventos importantes que fizeram diferença eh na situação mundial e que nos trouxeram até aqui e talvez a gente comece a se aproximar da da da explicação ou da compreensão que a gente procura então vej estamos em 2 quatro já completando o primeiro semestre né entrando no segundo e Eh vamos lembrar 25 anos atrás em 2001 aproximadamente 25 anos atrás em 2001 a China foi aceita na Organização Mundial de comércio foi aceita universalmente ou pelo menos pela organização como uma economia de mercado eh se a gente avançar um pouquinho no tempo em 2003 20 anos
atrás 20 anos atrás o Lula assumia eh seu primeiro mandato como eh Presidente da República Já se passaram 20 anos eh D7 anos atrás ou seja em 2 eh 7 eh Putin anuncia na conferência de segurança europeia Munique que a Rússia não toleraria não aceitaria mais ser atropelada pelo ocidente né cobra deles países que estavam presentes países europeos europeus uma uma uma o cumprimento da Promessa de não mudar as fronteiras da otan logo depois em 2008 uma an depois anos ATRS é a ecl da crise Global a crise finance Global cujas consci sofremos sofre economia
Mundi e por conscia também o Brasil Desde então até hoje se passou década praticamente da sinatura do acordo de Paris na eh cop21 Isso foi em 2015 e 4 anos atrás eclodia em 2020 a pandemia Estamos chegando já perto do presente e 2 anos atrás 2022 estourava a guerra na Ucrânia ou seja essa lista de de eventos críticos de diversa natureza mostra que a instabilidade que nós e as mudanças que nós experimentamos hoje na no ambiente internacional eh começaram faz tempo na verdade são eu só fiz uma uma uma lista incompleta de coisas que aconteceram
todas no século XX não não não precisa voltar ao século passado para para compor essa lista de eventos anômalos né Eh bom que que tem em comum o qual é a eh o o denominador comum que a gente pode encontrar por trás de todos os eventos e que impactam ou que dão dão origem alimentam essas Profundas transformações e a instabilidade que experimentamos hoje nós temos três componentes tensões geopolíticas e eventualmente conflitos armados que decorrem deles aí temos a guerra na Ucrânia e na e na Palestina hum nós temos também o impacto das mudanças climáticas Hum
e não menos importante Vivemos um período de também intensas mudanças nas tecnologias que afeta nosso nossa vida cotidiana para bem e para mal eh se a gente bem no início do século XX no final do século XX tentasse antecipar o quadro que vemos hoje eh teria sido muito difícil imaginar a situação atual provavelmente quem arriscasse que estávamos caminhando Logo no início no primeiro quarto do do Século XXI para a situação que vivemos hoje teria sido considerado um catastrofista teria sido acusado de catastrofismo certamente entretanto Aqui estamos Vejam Só que paradoxo n Eu mencionei a a
entrada da China na na OMC em 2001 né na Organização Mundial de comércio em 2001 aquilo parecia a consolidação definitiva do processo de globalização financeira financeira que tinha se iniciado nos anos 80 com as reformas neoliberais no Reino Unido Margaret tcher nos Estados Unidos Ronald Reagan teve sequência inclusive em ritmo mais acelerado ainda depois da quea do Muro né e da eh do do do o caso do do fim da desaparição da União Soviética em 91 né o muro cai em 89 a União Soviética eh se desfaz em 2001 e e ainda todos esses eventos
os dois ventos né o muro e a eh União fim da União Soviética deram origem à aquela expressão famosa do fukuyama do fim da história né a história tinha acabado e tinha um Vencedor n que seria os Estados Unidos né mas enfim ainda o a globalização teve um momento de glória quando mais de uma centena de países assina os acordos da eh rodada do do encerramento da rodada do gat e no Uruguai em 94 então no fim do século XX no início de 2021 e do século XX a a a globalização parecia avançar a Passos
largos não é e são alguns desses eventos que eu eh enumerei elenquei a pouco que foram mostrando que a globalização estava longe de ser de estar consolidada não pelo contrário ela trouxe para a economia para a vida dos países para a vida política do país consequ dos países consequências é muito dramáticas e não demorou muito né a crise que nós vivemos hoje é antes mais nada a crise da globalização financeira e a crise da hegemonia dos Estados Unidos eh e talvez o momento o evento mais marcante da lista que eu fiz de de fatos né
seja a crise Global crise financeira global de 2008 porque avalou profundamente a capacidade dos Estados Unidos de continuar eh se mantendo como poder hegemônico né Eh sem entrar em detalhes eh mas é evidente que a partir desse momento ou a hegemonia norte-americana o mundo unipolar do Estados Unidos começou a ser eh explicitamente contestado tanto pela Rússia e o Putin já tinha dito isso Munique como pela China né lembrem que eh no início do governo Obama o próprio Obama já reconhecia na China um adversário né um concorrente de respeito Não então Eh vai se explicitando que
nem todo mundo aceita a globaliza ação pelo menos não nos termos que os Estados Unidos propunham né como eh eh um sistema unipolar hierárquico onde os Estados Unidos impunham as regras né e definiam o que que eram boas políticas e o que que não eram boas políticas né Eh então este é um elemento que embora alguns antecipasse que haveria uma crise financeira a escala que ela assumiu e as dificuldades dos Estados Unidos para reagir assim como a agilidade e a eficiência com que outros países por exemplo a China reagiram né erodir Essa essa hegemonia que
os americanos tinham tinham conquistado no menos dramático e também influencia muito a situação atual a constatação de que eh a mudança climática eh que era antecipada e anunciada Fazia tempo e e reconhecida pela cop 21 acordo de Paris ao que eu me referia H pouco como uma um uma uma ameaça crível e urgente iminente não é a mudança climática efetivamente eh aconteceu né então quer dizer que o diagnóstico que serviu de base para o acordo de Paris né Eh tava certo né muitos eh negacionistas dizeram que aquilo é um exagero que não existiu o problema
que os problema estava sendo exagerado que a urgência não era tal mas nós vivemos nesses últimos 2 anos no mínimo 2 anos eventos climáticos extremos hum até agora recentemente no Brasil hum no Rio Grande do Sul que mostram que a mudança climática impacta fortemente a vida de centenas de milhões de pessoas no Planet né Eh menos de 10 anos após o o acordo de Paris nós já vivemos né algumas das eh das das situações dos problemas que se antecipavam naquela época foi até mais rápido do que se imaginava bom e por último como eu já
mencionei além das tensões geopolíticas que às vezes se transformam em conflitos armados abertos né como no caso da pal China e da e da Ucrânia né e além dos efeitos deletérios da mudança climática eh nós temos um processo contínuo contínuo de transformações nas eh nas tecnologias que vão mudando nossos padrões nossos estilos de consumo nossas maneiras de produzir vão criando formas de sociabilidade e destruindo outras não é então e nos últimos anos nós temos visto surgimento de expressões e e e e produtos e serviços Associados a coisas como Inteligência Artificial redes de alta velocidade eh
novas fontes de energia novas formas de mobilidade novas técnicas de bioin nanotecnologia né Eh redes sociais computação quântica esse conjunto de novidades técnicas acabam chegando na nossa vida na forma de Novos Produtos novos serviços novas formas de processar informação e de se comunicar né isto impacta fortemente a vida das Comunidades das empresas né e o mundo do trabalho sem dúvida nenhuma Então veja nós vivemos um mundo instável porque o ritmo das transformações é muito intenso e essas transformações ocorrem simultaneamente em várias dimensões né É claro que isso gera instabilidade isso gera instabilidade e obviamente alimenta
disputas disputas entre entre atores empresas entre grupos sociais e obviamente também entre países não é eh e tensões em Aumento tensões em Aumento hum eh este o presente Este é o contexto Internacional e este o e digamos o o mundo no qual a soberania eh tem que ser eh questionada tem que ser alimentada fortalecida por todos inclusive obviamente pelo Brasil vou dar alguns exemplos desses conflitos dessas eh tensões bem ilustrativos para que para que a gente tenha uma uma dimensão mais concreta do que que eu tô falando aqui né então e e vou me referir
a conflitos basicamente comer problemas de negócios né de dinheiro eh mas que acabam impactando para além do mundo das empresas e dos trabalhadores acabam impactando e também os as políticas públicas e acabam engajando os estados nacionais então primeiro exemplo no campo da energia né E estávamos falando de mudança climática e inovações tecnológicas é claro que as duas se realimentam não é e às vezes criam mercados novos então Eh além de de se estruturar mercados já existentes às vezes cria novos mercados Este é o caso por exemplo da energia renovável o uso de fontes renováveis de
energia eh por exemplo energia solar energia eólica cria um enorme mercado que as empresas tentam eh eh conquistar para painéis Solares para eh turbinas elétricas para geradoras né de energia e para Baterias São mercados de grandes dimensões alimentados por políticas que pretendem eh mitigar o impacto da mudança climática então tem uma demanda gigantesca e uma expansão um ritmo de expansão muito rápido então é claro que são mercados almejados começados por empresas e por países também não é eh agora isto foi percebido né isso foi percebido por governos e empresas alguns anos atrás né e as
empresas mobilizaram seus próprios recursos recursos privados e os estados mobilizaram recursos fiscais também para tentar se posicionar em condições favoráveis nesses mercados né e tanto na Europa como os Estados Unidos enxergavam negócios muito valiosos geração de emprego e renda paraas suas economias para suas empresas e se movimentar na direção de capturar esses essas oportunidades ocupar fatias desse mercado se não pudesse ser o mercado todo pelo menos uma parte o que que aconteceu alguns anos mais tarde concretamente agora nesses últimas nessas últimas semanas nesses últimos dois meses está claro que essa corrida teve vencedores e vencidos
né teve vencedores e derrotados né vencedores e perdedores né e eh e as guerras comerciais que nós Eh estamos eh observando dia a dia na na mídia na imprensa né E são tentativas daqueles que perderam a corrida daqueles que perderam a disputa para reverter ou mitigar pelo menos em parte sua derrota não é as empresas chinesas foram muito bem sucedidas conquistaram vantagens de custo e de qualidade em painéis Solares em eh turbinas geradoras de eletricidade né e também em baterias né Então as empresas norte-americanas e europeias e os respectivos governos que fizeram apostas nesses mercados
nesses nichos de mercado eh saíram derrotados então para reverter o mitigar recorrem a impostos sanções comerciais e outro tipo de medidas administra ativa de política econômica né para compensar o fracasso de suas políticas industriais e das estratégias das suas empresas é um exemplo não é é um exemplo mas não é o único não vamos pegar outro caso também muito contemporâneo das últimas semanas dos últimos meses né que é o caso dos e das novas formas de mobilidade urbana principalmente não é a redução das emissões de carbono impactou eh fortemente a a indústria automotiva estamos falando
aqui não é de uma nova indústria não é de um novo mercado é uma indústria Centenária né for até do início do século XX estamos eh h mais de um século de distância né então esta é uma indústria fortemente estruturada so a hegemonia Sobre o domínio né Eh dos eh inicialmente das montadoras europeias depois da segunda guerra mundial eh as Americanas conquistaram não só o mercado interno que já tinha mas também se expandiram para Europa esse domínio foi eh depois ameaçado pelas montadoras japonesas a partir dos anos 70 né e finalmente nos 90 início do
século XX apareceram também as grandes montadoras coreanas Hyundai por exemplo né bom essa indústria que tinha passado por todas essas transformações mas que parecia finalmente estruturada e que era objeto também de iniciativas públicas e privadas para capturar novas oportunidades toda ela se movimentou na direção da substituição do motor de combustão interna por veículos movidos a motores ou elétricos ou a motores híbridos na combinação dos dois né Isto foi visto também pelas autoridades na Europa principalmente pelo governo alemão né que lançou a iniciativa da da transição energética e que eh orientou as montadoras e ajudou suas
montadoras são empresas enormes a mercedes-benz a BMW né Eh a a própria Volkswagen a desenvolver modelos elétricos né Eh e também foi visto pelo governo e as empresas norte-americanas os Estados Unidos colocaram centenas de Milhões de Dólares de subsídios na Tesla né e obviamente tanto a general motos como a Ford seguiram seguiram o o mesmo caminho né mas mais uma vez né Essa aposta das empresas europeias e americanas foi também feita por empresas chinesas só que as empresas chinesas e o governo chinês mais uma vez foram melhores na disputa né desenvolveram produtos com vantagens de
custo e vantagens de qualidade eh que os americanos os europeus realmente não esperava mais uma vez todos os recursos públicos e privados das empresas e dos governos dos países líderes Se mostraram insuficientes e as estratégias das empresas e as políticas industriais dos Estados Unidos e da Europa fracassaram posta a mesma de sempre Barreiras comerciais né quando a política Industrial fracassa recorre-se à políticas comerciais Barreiras ao comércio restrições ao comércio para evitar né a invasão de pol de produtos importados né então mais um exemplo né não preciso eh aborrecer vocês como número excessivo mas vou lembrar
apenas do caso das telecomunicações né ou a sede explícito do Governo dos Estados Unidos a empresa chinesa de comunicações de de equipamentos de telecomunicações a a Huawei né chegaram até a prender uma alta executiva filha de um dos donos ou do dono da Huawei eh no Canadá porque por uma questão fiscal né a pressionar os países da Europa e outros aliados dos Estados Unidos para não comprar os equipamentos 5g da Huawei que é eram os mais baratos e os melhores hum não sei se vocês tiveram oportunidade de ler mas se não leram eu recomendaria a
leitura do livro A Guerra dos chips n eh que relata também como os americanos eles e os europeus só prão dos Americanos insistentemente vem tentando eh cercear o desenvolvimento da indústria eh da ch indústria chinesa n eletrônica tentando restringir o acesso à tecnologia equipamentos para produção equipamentos para desenvolvimento e mais recentemente até software para desenvolvimento para o projeto de chips e tem outros exemplos tem exemplos na área de saúde de vacinas etc etc etc o que que todos esses exemplos mostram eu tentei enfatizar isso aqui most a distância entre ia o discurso globalizante dos anos
90 hum da primeira década do Século XX e a realidade né A Realidade Atual né Eh revelam que eh eh se considera natural inevitável até desejável aliança aliança entre os estados nacionais e os campeões nacionais eh para conquistar as melhores oportunidades de negócios nos novos mercados nos mercados que estão se reestruturando né o discurso do mercado autorregulado que era a a retórica né era o Pai Nosso da da globalização é substituído por um discurso de intervenção estatal em defesa dos interesses ditos nacionais que embora sejam também interesse das empresas desses países né Eh isto é
uma coisa eh interessante porque nos traz revolta ao tema da soberania né porque veja eh não discurso da globalização no discurso dos anos 90 eh na retórica né do Banco Mundial do Fundo monetário de todas ess agências multilaterais das delegações dos governos que estavam aqui a periferia né Eh AD doutrinando nossas elites e nossos governos né Eh soberano era o mercado a soberania era um atributo do mercado o mercado as forças do mercado deviam reinar soberanas sobre qualquer outra força sobre qualquer outro interesse qualquer outra eh prioridade como Como eu disse Vivemos um tempo onde
a crise da globalização financeira é explícita É só ler os jornais e só ouvir o que falam as empresas E os políticos no Brasil Às vezes a gente ouve coisas eh um pouco fora de época não é eu digo que em alguns países e o Brasil e outros países aqui da América do Sul né Eh são os últimos refúgios né onde eh circulam os neoliberais em estado selvagem não é porque depois da crise de 2008 para cá a realidade domesticou muito deles muitos muitos deles eh mas nós Ainda temos nossos nossos fundamentalistas do liberalismo n
que não parece que não tomaram eh em conta que o mundo mudou né Muito bem mas se soberania volta cena sai mercado volta interesses nacionais volta a soberania não é eh e é curioso porque algum desses países Estados Unidos na Europa a soberania não é só não muda apenas as narrativas e econômicas não é a direita conservadora uma direita de vários tipos na Europa nos Estados Unidos o eleitorado do trump também demanda soberania não é querem fechar a fronteira com o México querem fechar Europa os imigrantes eh africanos e do mundo árabe né Então aí
aí a soberania contra o Imigrantes né contra o o outro mas de qualquer maneira eles tão pedindo o quê algum grau de autonomia né e certamente alguma coisa que o mercado não pode oferecer porque se depender do mercado se depender do mercado que quer mão de obra barata né os imigrantes vão continuar cruzando a fronteira do do México paraos Estados Unidos e o mediterrâneo nem que seja nadando de canona de caiaque hum ou o Canal da Mancha também né do continente da França para para a Inglaterra então estão pedindo coisas que o mercado não pode
entregar né Eh vejam como é que aquele aquele discurso se mostrou falacioso né Como que o mercado não resolve todos os problemas pelo contrário até Cria como neste caso cria né e e a direita quer resolver da pior maneira possível mas vamos em frente né já que a soberania volta a estar eh em Pauta aí o Brasil tem que se perguntar tudo bem se todo mundo defende os interesses nacionais eh e os nossos Quais são os nossos né Qual é o sentido da defesa da soberania no Brasil né bom eu diria para ser coerente com
o que eu falei do que está acontecendo no mundo que é eh a soberania faz sentido como eh entendida como a capacidade de ter algum grau de autonomia se não for Total pelo menos relativa se não for absoluto pelo menos relativo né para levar adiante ações iniciativas que permitam que o Brasil Aproveite as oportunidades que essas transformações do mundo que essas mutações possam eventualmente gerar e também se proteja das ameaças né neutralize as ameaças Isto é o sentido da soberania no mundo instável tenso tensionado que a gente vive né isto é soberania eh sinônimo de
graus de liberdade sinônimo de autonomia nem que seja relativa ou seja tô querendo dizer com isto que soberania é mais do que a defesa do território claro que se o território nacional é ameaçado tem que ser defendido mas muito antes do território ser ameaçado muito antes da ameaça ao nosso território o Brasil como um país que tenta há muito tempo completar seu caminho do desenvolvimento né enfrenta outras ameaças né então a a soberania no momento atual significa também ser capaz de nos defender dessas outras ameaças né neutralizar interferências externas venham elas de atores públicos ou
privados e tomar as medidas necessárias mas Para quê Para dar a nossa população os brasileiros segurança sanitária a importância disso se viu na pandemia segurança energética seg Olha o caso do Equador há poucas semanas Um Apagão Nacional hum eh isso poderia acontecer Não nessa escala no Brasil mas e problemas energéticos nós temos tivemos em São Paulo muito tempo atrás cor de energia nós precisamos também segurança nós precisamos encontrar maneiras de ser resilientes ante para enfrentar eventos climáticos extremos Olha o Castro do Rio Grande do Sul olha essas ondas de calor nós precisamos dar a população
segurança alimentar a fome foi embora e voltou e a gente tem que mandar ela embora de novo e também Segurança Pública para todo mundo não só para quem mora dentro de domínios fechados né com segurança particular com carro brindado Segurança Pública para todos eh para isso para isto conseguir isto né é preciso desenvolver o país então Sania e desenvolvimento e é um tema que a gente precisa olhar como parte do mesmo desafio não é eh no Brasil de hoje e eu acho que irá ainda por muito tempo a soberania é a capacidade de manter o
país no caminho do desenvolvimento a despeito das restrições ou contornando ou fazendo frente à restrições que outros atores outros países outras empresas instituições multilaterais quem for queira colocar obstáculos que possam ser colocados na nossa frente nós precisamos ser capazes de nos desenvolver tomando as iniciativas as ações né Eh independente da das restrições que querem nos eh colocar bom mas como é que faz isto como é que faz ISO bom e é evidente que tanto para manter defender sustentar fortalecer a soberania como para avançar no desenvolvimento Nacional a gente precisa acumular né Precisa acumular capital todas
as formas capital físico hum infraestrutura equipamentos instalações eh e também capital financeiro né uma coisa e a outra as duas estão muito ligadas né e precisamos acumular recursos humanos gente gente eh com em quantidade e qualidade né que possa nos ajudar eh nós precisamos acumular conhecimento fortalecer nossa capacidade de gerar conhecimento aproveitar conhecimento para gerar bem-estar né e resolver nossos problemas obter segurança em todas essas formas que Eu mencionei anteriormente nós precisamos acumular capacidade institucional nós precisamos ter instituições que funcionem que funcionem com agilidade que funcionem com eficiência em todos os campos na saúde na
educação na gestão da infraestrutura no planejamento precisamos aprender a planejar e a executar ações que gerem segurança né Eh ações soberanas que nos ajudem a avançar no desenvolvimento e é preciso em outras palavras ter recursos suficientes para sustentar a autonomia no desenho e na execução das políticas públicas né Vejam Só acabo acabo de dizer de uma maneira mais mais simples possível que soberania e e desenvolvimento se realimenta mutuamente né Há uma relação virtuosa né entre e desenvolvimento isto é uma coisa que preciso ter Claro a gente associa normalmente soberania à defesa do território nacional a
equipamentos bélicos tudo isso faz parte né da soberania e diz respeito à defesa do território dos recursos nacionais mas o país nesse movimento precisa precisa pensar precisa se eh mentalizar conscientizar de que a soberania envolve dimensões muito mais amplas né Eh quanto mais você se desenvolve mais condições T de exercer a soberania mais autonomia você ganha não é quanto mais soberano você é com essa autonomia você consegue tomar as iniciativas pro desenvolvimento que eh são necessárias né bom agora dito isto dito isto é preciso reconhecer que eh o caminho é longo e difícil né Por
que que é longo e difícil né avançar no desenvolvimento nacional e e e e fortalecer na soberania eh é um desafio para fazer justo a nome do nosso curso aqui nãoé eh é um desafio por quê Porque porque a gente parte parte de uma situação eh de fragilidade não são as condições ideais né Eh mas são as condições das quais partimos então aqui que me que tô me referindo ao qu bom tô me referindo em primeiro lugar a fato de que no período da globalização essa cuja crise vivemos agora né Essa que entrou em crise
e nos envolve eh nós consolidamos uma inserção internacional título também da aula de hoje inserção Internacional e como fornecedores de produtos intensivos sem recursos naturais houve nos últimos pelo menos 25 anos ao longo do século XX e certamente um pouquinho antes também já desde os anos 90 uma acumulação enorme de recursos públicos e privados né na expansão da produção de commodities basicamente no agronegócio e na mineração Hum e Soja e outros produtos do agronegócio é pasta de celulose e eh petróleo é mineiro de ferro ou seja eh de alguma maneira as mudanças na economia mundial
a emergência surgimento da China como uma grande potência né que demandava quantidades gigantescas de commodities né de recursos naturais empurrou o Brasil nessa direção né atividades muito rentáveis o setor privado foi né direcionou sua capacidade de acumulação nessa direção isso nos colocou numa posição Como eu disse relativamente frágil por quê Porque nós deixamos de produzir bens industriais principalmente da indústria de transformação né fica ficamos com uma indústria mais especializada menos integrada uma indústria que se desnacionalizar os produtos porque hoje são produzidos com equipamentos importados e incorporam insumos importados numa escala e inimaginável 40 anos atrás
inimaginável né isto torna Nossa indústria mais frágil né Ela é sendo menos integrada ela perde capacidade de ser de realimentar a produção industrial através dos mercados intra industriais intras setoriais e nós também por questões da nossa macroeconomia câmbio e a falta também de investimentos na indústria não conseguimos salvo eh eh valiosíssimas exceções ter uma inserção eh via exportações de mercados de outros países claro que há exceções né Eh mas de modo geral Nós não somos um país exportador de manufaturados e muito menos de manufaturados de alta complexidade tecnológica fora essas exceções n é Então isto
nos fragiliza nos fragiliza também o fato de que ou digamos uma consequência que ilustra essa fragilidade é que o imenso super hábit comercial que não temos anualmente com exposição com com exportação de commodities né a despeito da importação de máquinas e insumos industriais acaba tendo como espelho o enorme déficit de conta corrente né associado às remessas de lucros dividendos eh vários tipos de renda eh serviços de assistência técnica etc etc né então eh isto é uma uma fragilidade porque o o desenvolvimento exige Como eu disse antes acumulação né E nós precisaríamos ter um processo de
acumulação que diversificar e aumentar-se a eficiência da nossa estrutura produtiva mas isso envolveria que o setor privado Red direcionasse recursos que hoje são destinados prioritariamente para a acumulação para para expansão da produção de commodities ou para aplicações financeiras ou para concessões públicas ou para serviços privados de saúde e educação que estão relativamente protegidos da concorrência externa seria preciso que o setor privado redirecionar esses recursos para atividades que diversificarem na estrutura produtiva e que expandissem e modernizasse rapidamente toda a infraestrutura de transportes energia toda a logística né que daria sustento a uma expansão Econômica eh virtuosa
com aumento de produtividade com aumento de eficiência etc etc agora é muito difícil fazer eh convencer o setor privado de de redirecionar seu processo de acumulação em primeiro lugar porque o processo de acumulação que eles praticam Atualmente é muito rentável rende muito né O Retorno muito alto todas as atividades que eu acabei de listar né A começar pela pela pelos juros que a divida pública paga né É muito difícil muito muito difícil você eh fazer com que espontaneamente o setor privado colabore desta forma que eu tô descrevendo na diversificação da estrutura produtiva muito difícil bom
isso nos leva a examinar a possibilidade do Estado assumir esse papel como assumiu em outras etapas da industrialização do desenvolvimento Nacional né e o estado fez uma boa parte da industrialização pesada direta ou indiretamente né tudo que depois foi privatizado foi a acumulação de Capital através de decisões do poder público com suas virtudes e defeitos né mas né essa capacidade de mobilização e acumulação de recursos hoje não existe ela podia ser reconstruída a capacidade do Estado fazer esse trabalho com esse esforço com recursos públicos extremamente restrita por vários motivos em primeiro lugar por um sistema
tributário que concede isenções e benefícios às atividades Mais rentáveis né e aos grupos sociais de renda mais alta então é é é um é um sistema tributário curioso né e quem poderia e deveria pagar não paga e quem não pode e não deveria paga né em segundo lugar Acabei de fazer referência o elevado custo da rolagem da dívida pública n não é só o volume da dívida pública é o custo é a taxa de juros que o banco central nos nos presenteia periodicamente né isso absorve uma quantidade enorme de recursos públicos enorme enorme né e
o mercado principalmente o mercado financeiro reclama de que o setor público devia gastar menos né devia gastar menos para poder gastar mais em juros né ele sempre e omitem a segunda metade da frase né tem que cortar saúde educação para poder pagar mais juros bom isso este é um problema nosso e Finalmente né Eh o Estado tem uma responsabilidade num país tão desigual como o Brasil né o estado tem a responsabilidade moral é política de oferecer aos grupos mais vulneráveis condições mínimas de dignidade né Eh seja na forma de transferências seja na forma de serviços
essenciais gratuitos né e deveria ser com qualidade também n eh então se nós não podemos contar facilmente com a boa vontade do setor privado do Capital privado e o capital público eh não é suficiente para para assumir na escala que deveria ter para mudar dar estruturalmente a o país dar um salto do desenvolvimento então Eh nós temos um caminho longo pela frente nós precisamos acumular forças para poder acumular recursos nós não acumulamos para fazer o que precisamos fazer porque não temos força não temos força política não temos força na sociedade os obstáculos São enormes Então
precisamos acumular força para poder depois acumular recursos e com essa acumulação desenvolver o país hum agora o Brasil tem tem pontos favoráveis pode contar com várias variáveis positivas né eu vou fazer referência aqui eh a uma coisa que é um lugar comum mas que não deixa de ser verdade nós temos uma uma variedade e quantidade de recursos naturais extremamente valiosos Neste período de transição e de enfrentamento de eh mudanças climáticas né Nós temos a matriz energética mais limpa e poderá ser ainda mais podemos né gerar energia renovável em quantidade em escala muito importante nós temos
um mercado interno razoável de dimensões razoáveis Não não é a China nem a Índia adem maisis de um bim mas é um mercado né quando ele não está submetido a condições rigorosas restritivas de recessão e de queda do salário real nosso mercado de massas é um mercado de consumo que poderia servir como gatilho do investimento se os juros permitissem né se o nível de renda das famílias permitisse se o nível de endividamento das famílias permitisse e por último nós temos um ativo neste tema que estamos conversando aqui da inserção internacional que não é menor né
e é a eh o posicionamento internacional do Brasil em favor do diálogo para a solução de conflitos o país tenta eh uma e outra vez manter essa ção manter uma posição em relação aos conflitos Isto é um ativo em períodos de tensão e Internacional como que a gente vive é um ativo importante bom veja nós com com esses ativos e com muita paciência esforço mobilização acumulação de força inteligência política eh temos que percorrer esse longo caminho ao que eu me referi anteriormente né então são várias tarefas são várias que devemos exercer soberanamente e que seguramente
vão melhorar nossa inserção internacional né Nós precisamos recompor e fortalecer as instituições públicas nós precisamos resgatar a política como uma atividade Nobre de compromisso com o futuro do país e e e do povo brasileiro nós precisamos recuperar a capacidade de financiamento do estado para poder diversificar o sistema produtivo para fortalecer a capacidade de gerar conhecimento Educação Ciência Tecnologia nós precisamos promover o crescimento sustentado que inclua no lugar de excluir que diminua a desigualdade no lugar de aumentado e nós precisamos como eu já disse antes proteger os setores mais vulneráveis ao longo desse caminho ao longo
desse caminho precisamos avançar o que for possível aos p n nós não devemos desanimar pelo fato de termos retrocessos periódicos Eu mencionei H pouco acaba com a fome volta a fome acaba com a fome volta Isto é parte do processo de acumulação né não acontece só no Brasil é só olhar em volta e aqui na nossa região para ver que isto é periódico é que nós não não estamos sozinhos também não estamos sozinhos na busca de soluções não o Bras tem eh Aliados fiéis e em outros países que também buscam melhorar sua inserção internacional ganhar
autonomia exercer soberania em níveis mais altos do que tem conseguido até agora né e e e procura um lugar no mundo multipolar que tá em construção não é eh como o mundo que vem sendo construído o mundo que tá se gestando nesse período da pós globalização financeira né e não tô não tô eh falando coisas abstratas não tô me referindo concretamente aos Bricks né os Bricks são um espaço em expansão que tem muita maior aderência eh ao peso relativo que as economias desses países ocupam eh no mundo eh e e que pleiteiam e se comportam
eh à altura do que eles representam em termos de população os cinco países originários dos Bricks têm 40% da população mundial 1 quarto do PIB mundial 1/3 da Ciência e Tecnologia que se gera no mundo não é pouca coisa com a recente ampliação o o conjunto dos Bricks tem um peso maior na economia mundial que o G7 Que estava reunido H pouco lá na na Itália né então Eh é um é um espaço de construção um espaço onde o Brasil pode colaborar na eh construção de um mundo multipolar de uma ordem mundial mais estável menos
tensa da que nós estamos vivendo Neste período de transição nós temos também uma inserção histórica construída e que devemos defender na América Latina eh e no Mercosul a despeito das Diferenças ideológicas né o Brasil pode e deve contribuir tanto na região como no mundo né com essa política construtiva exercendo sua soberania com diálogo com com com convicção com firmeza mas com diálogo né Eh porque o caminho do desenvolvimento é o caminho do desenvolvimento né Eh soberania desse movimento Como eu disse no início se realimenta virtuosamente e e e essa é a mensagem da da aula
de hoje eh obrigado espero que vocês tenham gostado eh e com à disposição para eh responder consultas perguntas que possam surgir depois de ter assistido essa aula [Música] [Aplausos]