Se torne membro do canal e ganhe benefícios! Imagina que você acorda em um dia qualquer prepara o seu café, pega o jornal e ali você descobre que você… morreu? Não só esse, como todos os jornais do mundo estão anunciando sua morte e não só isso. Eles ainda estão te criticando, apontando você como uma pessoa ruim. Bom isso pode parecer loucura mas aconteceu em 1888 com ninguém mais ninguém menos que Alfred Nobel o criador do prêmio mais importante de todos os tempos. O que aconteceu de fato foi que seu irmão, Ludvig Nobel havia falecido não ele.
Mas pelo sobrenome um jornal acabou se confundindo e anunciou a morte de um dos maiores cientistas e inventores de todos os tempos. Alfred era chamado de “O Mercador da Morte” e por isso, o jornal anunciou que o “Mercador da Morte” agora está morto. A matéria fazia duras críticas a Nobel principalmente dizendo que ele havia ficado rico matando outros homens. E isso acontece porque a grande invenção de Alfred Nobel foi o dinamite uma ferramenta que revolucionou por completo o mundo da engenharia civil ajudando na abertura de túneis, pontes e estradas mas que também foi muito usada
em guerras causando a morte de milhares de pessoas. Essa, na verdade, não foi a primeira e também não será a última vez que o progresso científico é associado à destruição em massa. Basta lembrar da pólvora, por exemplo. Desenvolvida na China por volta do século IX ela nasceu da busca por elixires de imortalidade na alquimia taoista mas em vez de prolongar a vida, acabou redefinindo as formas de tirá-la. Tudo isso só evidencia a enorme responsabilidade ética ligada a qualquer avanço científico. Foi a partir dessa percepção que Alfred Nobel tomou uma das decisões mais surpreendentes da história
moderna. Em vez de tentar apagar seu passado o cientista resolveu reescrever seu futuro ou melhor, o futuro da sua memória. Imagina você por exemplo como você acha que seria lembrado se, daqui a vários anos, alguém pegasse pra analisar o histórico do seu navegador? Eu imagino que talvez não fosse a melhor imagem do mundo que você passaria. Por isso nós precisamos de navegadores confiáveis como o Opera, um dos parceiros aqui do canal. E eu falo isso principalmente pra você que pensa em entrar em alguma universidade as provas já estão batendo na porta e todos nós sabemos
o quanto é difícil se organizar com tantas informações sendo cobradas e é justamente por isso que o Opera pode ser o navegador ideal pra você. Primeiro, nós temos a Barra Lateral onde você consegue colocar todos os recursos mais importantes pra você ali na lateral do navegador. WhatsApp, Telegram, Spotify, anotações, histórico, favoritos, tudo fica ali sempre ao seu alcance, sem precisar de nenhuma aba extra e com a vantagem de poder fazer uma pausa sem se distrair pegando o celular. Falando em Spotify, inclusive, Os usuários que baixarem o Opera e ainda não tiverem uma conta ganham 3
meses de Spotify grátis. Você pode usar o player de música flutuante do navegador onde dá pra escolher o programa que preferir e rodar um podcast ali na barra lateral, mesmo enquanto organiza suas anotações E ainda dá pra arrastar o player de um lado pro outro e até jogar pra fora do navegador pra não atrapalhar em nada. Isso funciona também com vídeos graças à funcionalidade de pop-out de vídeo. Dá pra rodar uma aula no canto da tela enquanto já anota tudo de importante e ainda usar a tela dividida entre duas guias é só arrastar uma guia
pra baixo e pronto. Sem falar das ilhas de guias que dá para agrupar abas de grupos semelhantes Se você não quiser perder sites de consulta pros seus estudos é só deixar eles guardadinhos ali na ilha e expandir só quando precisar. Tem temas personalizados VPN integrada e bloqueador de anúncios totalmente gratuitos e até rastros de guia que mostram as últimas guias que você abriu, da mais recente pra mais antiga. Quanto mais escuro o sublinhado, mais recente você visitou o site. É bem intuitivo. Se você vai tentar algum vestibular agora ou pensa em fazer futuramente o Opera
é o navegador ideal pra você otimizar seus estudos. É só clicar no primeiro link aqui da descrição ou no comentário fixado pra baixar e testar você mesmo. Enfim, no final de 1895, pouco mais de um ano antes de morrer ele redigiu seu testamento, dizendo ao mundo inteiro o legado que ele gostaria de deixar. Assim, Alfred destinou 94% de toda a riqueza que ele conquistou com a invenção e comercialização da dinamite Para criar um fundo de mais de 30 milhões de coroas suecas que premiaria anualmente as pessoas “que, durante o ano anterior, tenham conferido o maior
benefício à humanidade” nascendo assim o que viria a ficar conhecido como o Prêmio Nobel. Só pra você ter uma noção, esse montante equivaleria a 250 milhões de dólares atuais ou mais de 1,3 bilhão de reais que até hoje são gerenciados e investidos pelo Comitê do Prêmio. E para garantir um reconhecimento justo de todas as áreas da ciência Alfred escolheu cinco campos específicos que, em sua visão sintetizavam o avanço e o progresso humano: o primeiro é a Física, para descobertas que desvendassem os segredos do universo. Depois temos Química, para inovações no entendimento da matéria. Depois Fisiologia
ou Medicina, para avanços que mais salvassem vidas. Depois Literatura, para obras que elevassem o espírito humano. E finalmente o da Paz, para os esforços que aproximassem os povos e desafiassem a lógica da guerra. Essa última categoria, em especial, nasceu da influência da baronesa Bertha von Suttner uma das maiores pacifistas do século XIX que trocava correspondência regularmente com Nobel. Tanto é que, anos depois, Bertha recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1905. E aqui, entra um outro detalhe também que pouca gente conhece: Alfred Nobel não escolheu apenas as áreas mas também as instituições responsáveis por cada
uma: A Real Academia Sueca de Ciências cuidaria dos prêmios de Física e Química. O Instituto Karolinska, referência em medicina escolheria o laureado de Fisiologia. A Academia Sueca, uma das mais antigas instituições literárias da Europa ficaria com o Nobel de Literatura. E, por fim, o Prêmio da Paz seria responsabilidade do Comitê Nobel Norueguês escolhido pelo Parlamento da Noruega. É interessante perceber como essa divisão refletia também o contexto político da época isso porque a Suécia e Noruega ainda estavam unidas sob uma mesma coroa por mais dividido internamente. E mesmo com o fim do reino entre Suécia e
Noruega em 1905 a tradição permaneceu: Até hoje, o Prêmio da Paz é concedido em Oslo, capital da Noruega enquanto os demais são anunciados em Estocolmo, capital da Suécia. Com o passar dos anos, a galera foi percebendo que ficou faltando uma parte bem importante da sociedade e por isso, o Prêmio de Ciências Econômicas foi adicionado ao Nobel. Essa iniciativa, na verdade, não partiu da Fundação Nobel mas sim do Banco Central da Suécia que criou e financiou o prêmio em comemoração ao seu tricentenário sob o nome oficial de Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em
Memória de Alfred Nobel. Mas enfim, um ponto importante a se comentar é que uma coisa é um idoso milionário escrever no testamento que queria premiar mentes brilhantes outra coisa é isso realmente acontecer de forma simples. Ainda mais levando em consideração que ele destinou 94% de sua fortuna pra isso então imagina o que a família do Nobel achou disso. Se meus tios já estão brigando por um terreno no interior de Minas Gerais que vale 25 mil reais, imagina como os caras reagiram perdendo 1 bilhão. Eles tentaram anular o testamento algumas instituições que ele delegou ficou meio
reticente em aceitar a missão de decidir os vencedores e inclusive a própria sociedade sueca ficou meio dividida quanto a essa ideia. Um prêmio criado por um homem só com regras extremamente detalhadas podendo ser concedido internacionalmente para qualquer pessoa e que não seria pago pelo governo mas sim por dinheiro do próprio cara. Não tinha precedentes para isso. Foi só em 1900, depois de longas batalhas jurídicas e negociações diplomáticas que a Fundação Nobel foi formalmente estabelecida. E no ano seguinte, em 1901 os primeiros laureados foram finalmente anunciados e ao longo da história, nós vimos as mais diversas
pessoas serem agraciadas com esses prêmios, que você pode conferir no próprio site do Nobel. Nomes como Albert Einstein e Marie Curie a única pessoa a receber dois prêmios Nobel em disciplinas científicas distintas física e química tornaram-se ícones da ciência e do progresso científico. Martin Luther King Jr., laureado com o Nobel da Paz em 1964 tornou-se um símbolo global da luta por justiça racial e direitos civis. Na Literatura, o prêmio consagrou nomes como Saramago e Bob Dylan reabrindo debates sobre os limites entre poesia, música e tradição escrita. E há também nomes que despertam polêmicas em torno
do prêmio como o de Barack Obama, laureado com o Nobel da Paz em 2009 mesmo com o seu país em guerra com o Afeganistão e com o Iraque. Por isso é muito importante que a gente tenha em mente que o Nobel não é um prêmio perfeito ele é concedido por pessoas, com todos os seus contextos e limitações. Toda essa tensão entre mérito, intenção e impacto é justamente o que torna o prêmio tão fascinante. Mas a pergunta que fica é, como exatamente esses nomes são escolhidos? Afinal de contas, para além da medalha e da quantia de
1 milhão de dólares o que realmente sustenta o prestígio do Nobel é justamente sua estrutura interna. Tudo começa com a nomeação. Ao contrário do que muitos pensam, não é possível se candidatar ao Nobel ninguém “envia um currículo”. Os indicados devem ser sugeridos por pessoas autorizadas como membros das academias responsáveis professores universitários de renome ganhadores anteriores do prêmio e líderes de determinadas organizações internacionais. Essas indicações são confidenciais e, por tradição, mantidas em sigilo absoluto por 50 anos. A partir das indicações, cada comitê inicia uma análise detalhada das contribuições de cada nome de modo que os critérios
variam conforme a área: na física e na medicina, o impacto prático e experimental das descobertas costuma pesar bastante. Já na literatura, o que eles buscam é uma obra que tenha relevância global. E no prêmio da paz, o que é analisado é o esforço concreto pela fraternidade entre os povos e a resolução de conflitos. Outro ponto curioso é o tempo: muitas vezes, o prêmio reconhece feitos realizados décadas antes como forma de garantir que o impacto da contribuição tenha sido testado e reconhecido globalmente. É o caso, por exemplo, de cientistas cujas descobertas só revelaram sua importância muitos
anos depois de publicadas. Um dos maiores exemplos disso foi o do próprio Albert Einstein que publicou sua pesquisa sobre a Teoria da Relatividade Geral em 1915 revolucionando completamente a física moderna mas que só foi receber o Prêmio Nobel em 1921. E não foi nem pelo seu trabalho sobre relatividade mas sim por sua explicação do efeito fotoelétrico um estudo publicado ainda em 1905 que foi fundamental para o nascimento da física quântica. Com tudo isso, Alfred Nobel inaugurou uma tradição e uma ideia poderosa de que o conhecimento, a arte e o esforço humano podiam e deviam ser
celebrados como instrumentos de transformação do mundo. E é em reconhecimento a esse legado que resolvemos reunir uma equipe de peso de especialistas em cada uma das áreas laureadas Para explicar para vocês todas as descobertas celebradas pelo Nobel 2025. Hoje, no Explicando Sapiens Oi, eu sou o Tinôco, essa é uma iniciativa do Tinocando TV e eu fico muito feliz em anunciar para vocês que nós, a partir de hoje vamos cobrir todos os “Nobeis” daqui pra frente sempre com especialistas e muitas curiosidades então vamos para o primeiro anunciado, que sempre é o de Medicina. O Nobel de
medicina é normalmente entregue não só para “pesquisa mais promissora” mas sim para o trabalho que mais impactou diretamente a prática em algumas áreas médicas. Inclusive, o Nobel deste ano já está possibilitando toda uma gama de novos tratamentos. Por isso eu quero convidar aqui a Doutora Elisa França médica geneticista e Doutoranda em Bioinformática pelo hospital Sírio Libanês, para falar um pouco sobre isso. Hoje em dia, acho que sempre foi mas cada vez mais, o prêmio do Nobel da Medicina da Fisiologia. Ele é um prêmio que é concedido para pesquisas de muita seriedade que levaram às vezes
décadas para chegar a realmente alguma resposta. A partir das pequenas observações iniciais muitas vezes os cientistas são meio desacreditados no começo mas eles precisam de muita perseverança e às vezes muitas décadas para realmente conseguir descobrir alguma coisa muito impactante. E dali para frente também, em geral até ganhar o Nobel, a academia que premia eles em geral esperam mais muitos anos também para ver se aquele conhecimento vai solidificar se realmente não vai ter nada para rebater aquilo na comunidade científica. Esse tempo também é uma janela para aquela descubra se provar útil para aplicações mais práticas na
medicina. Então, é um caminho longo e acho que ele representa muito isso o prestígio da persistência que tem que se ter na ciência mesmo. Perfeito doutora, com essa introdução a gente consegue partir pro grande prêmio desse ano de 2025 que laureou os pesquisadores americanos Mary Brunkow e Fred Ramsdell e o japonês Shimon Sakaguchi por descobertas que explicam como o sistema imunológico aprende a distinguir inimigos reais de seus próprios tecidos um equilíbrio delicado que impede o corpo de se voltar contra si mesmo. Já fazia muito tempo que o Sakaguchi vinha desafiando a visão tradicional da medicina
quando ele identificou um novo tipo de célula imunológica conhecida como T reguladoras que atuam basicamente como uma “guardiã” do sistema controlando as reações imunológicas excessivas e prevenindo doenças autoimunes. Elas basicamente falam pro nosso sistema imunológico quais células são nossas e está tudo bem e quais não são e precisam ser eliminadas pra não nos causar problemas. Só que o problema é que a gente não é composto por um único tipo de célula mas sim por centenas de tipos. As células que compõem nosso coração, por exemplo são totalmente diferentes das que compõem nosso cérebro ou nosso estômago,
nosso pulmão e nossa pele. Então, por muito tempo, a gente não tinha a menor ideia de como o nosso sistema imunológico sabia qual célula era realmente nossa qual era externa, qual ele tinha que combater e qual ele tinha que proteger. Pelo menos, até esses três cientistas que eu citei descobrirem as células T-reguladores além do gene específico que formam elas. Mas como eu falei, o Prêmio de Medicina dá muito valor para pesquisas médicas que trazem impactos práticos reais e essa pesquisa, em especial, já mudou tudo que sabemos sobre o tratamento de doenças autoimunes e cancerígenas. Isso
acontece porque esses dois grupos de doenças são basicamente opostos entre si. Do ponto de vista imunológico esses dois grupos são completamente opostos porque o câncer seria algo que a gente queria que o sistema imune reconhecesse como estranho e atacasse mas o câncer, em geral, do ponto de vista imunológico, novamente ele surge porque as células cancerígenas começam a aparecer no corpo e o sistema imune não percebe que tem que atacar aquilo porque talvez seja tolerante demais. Então aquilo segue, as células vão se multiplicando e vira um tumor. Também tem o caso de que a tolerância pode
ser talvez muito permissiva. Mais do que a gente gostaria, que é permitir um tumor aparecer. E no caso das doenças auto-imunes, na verdade, é o oposto. Então, para essas doenças, o nosso corpo não está tolerando coisas que ele tem que tolerar porque se ele não tolera, as doenças aparecem porque é esse ataque ao próprio organismo. Então eu acho que esse é um modelo bem bom para mostrar os dois polos de como essa regulação tem que ser muito refinada e é um sistema complexo. Não é nem tolerar tudo e nem não tolerar tudo também. Isso é
um ponto muito maneiro e ao mesmo tempo muito trágico. O grande problema do câncer é que ele é produzido pelo próprio corpo então o corpo não pega a visão de que aquilo é ruim ele acha que é algo natural. Sabendo disso, nós conseguimos desenvolver remédios específicos para cada tipo de tumor diferente que fazem com que o nosso sistema imunológico deixe De perceber aquele tumor como parte do nosso corpo e passe a perceber como um problema que deve ser combatido. E esse é um cenário onde nós ainda temos muito a evoluir principalmente porque o volume de
investimento em pesquisas para tratamentos de câncer é muito maior e, portanto, existe hoje uma maior variedade de tratamentos contra tumores do que para doenças autoimunes o que mostra a importância de iniciativas como o Prêmio Nobel para dar luz a todo esse conhecimento científico necessário para o desenvolvimento de novas tecnologias que podem e vão impactar a vida de milhões de pessoas ao redor do mundo. Este prêmio foi tão relevante que hoje em dia não existe educação médica, educação sobre imunologia também na biologia, na biomedicina. Não existe imunologia sem falar sobre isso. O impacto é que literalmente
revolucionou a compreensão da imunologia. E agora, nós chegamos no Nobel de Física que, meus amigos, parece mais uma ideia tirada de um filme de ficção científica. O trio laureado é composto pelo britânico John Clarke o francês Michel Devoret e o estadunidense John Martinis que abriram as portas para o futuro da computação e da tecnologia com a observação do túnel quântico em escala macroscópica e a quantização de energia em circuitos elétricos supercondutores. Beleza agora vamos traduzir porque nós somos de humanas pelo amor de Deus. Antes de tudo, a gente precisa entender que as regras do mundo
quântico ou seja, do mundo quando estamos lidando com coisas muito pequenas menores que um átomo não funcionam da mesma forma que o mundo que a gente conhece. E pra te dar um exemplo disso, nós trouxemos aqui um dos maiores divulgadores científicos do Brasil: Felipe Guisoli, físico, professor e criador do canal Universo Narrado. Imagina que isso aqui é um morro, beleza? E isso aqui é uma bolinha. Você joga essa bolinha e, dependendo da velocidade que ela tem ela pode conseguir subir e atravessar o morro. Mas se ela tiver pouca velocidade, pode ser que ela suba, caia
e não consiga atravessar o morro. Mudando o termo agora, eu falei de velocidade mas normalmente em física a gente fala muito de energia. Então, se essa bolinha tiver energia suficiente, ela consegue atravessar essa montanha de um lado para o outro. E se eu lançar ela com pouca energia, talvez não consiga romper essa barreira. Talvez todo mundo acredite que ela só consegue atravessar se eu jogar com energia suficiente. Só que na física quântica isso não acontece. Se isso aqui fosse um elétron, eu poderia jogá ele sem ter energia suficiente para atravessar e ainda assim ele poderia
atravessar. É meio estranho, né? É como se ele furasse o morro. Porque ele não tem energia suficiente para subir e chegar lá mas em algum momento existe uma probabilidade de que ele consiga atravessar. O nome desse fenômeno é tunelamento quântico. É justamente quando eu lanço uma partícula sem energia suficiente para atravessar uma barreira. Então, classicamente, no mundo que a gente conhece se ela não tem energia suficiente para atravessar a barreira ela não vai atravessar a barreira. Mas na física quântica, mesmo sem energia suficiente ela pode atravessar a barreira. O nome disso é tunelamento quântico. Mas
o que esses cientistas que levaram o Nobel de Física desse ano conseguiram mostrar é que esse fenômeno estranho que observamos no mundo quântico de elétrons atravessando barreiras que não deveriam conseguir atravessar também podem acontecer em estruturas maiores. Esses caras perceberam, eles conseguiram detectar esse efeito do tunelamento quântico só que agora não com um elétron, mas com um feixe de elétrons. E um feixe de elétrons já é como se fosse uma corrente elétrica. Então eles pegaram um sistema um pouquinho maior que foi o que eles chamaram de macroscópico. Eles pegaram milhares de elétrons percorrendo um circuito
elétrico e eles perceberam que essa corrente elétrica, esse feixe de elétrons conseguiu atravessar uma certa barreira mesmo sem ter energia suficiente para isso. Eles detectaram justamente, experimentalmente o tunelamento quântico acontecendo mas agora não para uma única partícula quântica mas sim para um feixe de partículas. Então é como se, sei lá, o tunelamento quântico falasse vamos fazer uma analogia, de um único peixe imagina que tem um peixe, né? E agora a gente está falando de um cardume de peixes. Ou seja, quando a corrente elétrica é macroscópica o cardume ele também tem as propriedades que cada peixe
individual teria. Essa foi a ideia, esse foi o experimento que os caras fizeram. Beleza, mas agora você deve estar se perguntando como tudo isso impacta a sua vida. E bom, gente, você é CLT, estudante. Então assim, a única coisa que realmente impacta sua vida é o valor da passagem de ônibus ou do RU. Uma das coisas que isso deve possibilitar é só tipo, quebrar toda a criptografia existente do planeta mas graças a deus você não tem nada pra esconder, né? Isso acontece porque essa descoberta tem um impacto direto no que nós chamamos de computação quântica
que basicamente usa propriedades da física quântica pra conseguir ser infinitamente mais rápida do que a computação comum. Eu estou falando de uma velocidade aqui que vai deixar os maiores supercomputadores do mundo obsoletos e é justamente aí que entra a grande questão. O sistema de criptografia hoje, o sistema de criptografia hoje de quase tudo o que a gente faz a criptografia bancária mesmo, transações bancárias, etc. e tal. O sistema que exige limpeza e segurança. Ele é baseado, essencialmente, na dificuldade de se fazer certos cálculos. No caso, seria fazer a decomposição de números em fatores primos para
ser mais técnico aqui. Mas o fato é, é um problema matemático que dá pra se resolver. Só que ele é tão difícil, tão difícil, bicho que o computador pode ficar rodando anos e anos e anos e anos e não consegue resolver esse problema. Então é por isso que a segurança... Toda segurança bancária, por exemplo, reside nisso. O fato é que eles têm problemas matemáticos que são muito difíceis de serem resolvidos, mesmo computacionalmente. Com a computação quântica, provavelmente a capacidade computacional vai ficar muito, muito maior esses problemas vão conseguir ser resolvidos. Então isso acabaria com o
sistema de criptografia que existe hoje mas viraria um novo sistema de criptografia baseado em leis da mecânica quântica. Provavelmente vai ser um sistema muito mais seguro porque ele não vai depender do quão difícil ou quão fácil é resolver um cálculo. Vai depender de leis da natureza, de leis da mecânica quântica. Então é um negócio bastante mais seguro. Você vai desmontar os sistemas de criptografia atual mas você vai acabar conseguindo montar um que provavelmente vai ser bem mais eficiente. E nós vamos agora para o prêmio da Química onde o destaque de 2025 foram três cientistas que
literalmente criaram um novo espaço dentro dessa matéria sendo eles o japonês Susumu Kitagawa o britânico Richard Robson e o jordaniano Omar M. Yaghi. Eles foram laureados pelo desenvolvimento de estruturas conhecidas como MOFs uma sigla para estruturas metal-orgânicas que vêm sendo apontadas como um dos materiais mais promissores do século XXI. E pra te explicar o que exatamente são esses MOFs e qual a importância desse novo material nós pedimos ajuda do professor Marcelo dos Santos criador do canal Plantão Química e que atua atualmente como químico da Petrobrás. As estruturas organometálicas que eles descobriram eles começaram a esbarrar
com elas nas pesquisas desde 1989. Esses materiais, eles combinam tanto compostos orgânicos de cadeia grande como também metais, íons e eles acabam formando sólidos que têm estruturas únicas. Por exemplo, eu vou trazer algo aqui que vai lembrar um pouquinho do que eles veem mas com uma visão muito menorzinha. Isso aqui é aquela pedrinha que muita gente usa para passar na pele para poder ralar a pele. Aquela pedra pome que todo mundo tem lá na farmácia. É uma pedra que é extremamente porosa e por ela ser porosa, ela consegue absorver umidade ela consegue fazer uma série
de coisas. O que eles fizeram com esse material é que eles têm ali um sólido novo que tem compostos de cadeias orgânicas com sítios metálicos de forma que formam um material que é extremamente poroso que consegue selecionar o que vai entrar nesse pó. Então é como se eu pudesse colocar aqui essa pedra pomes para filtrar o que vai passar por ela em alguns momentos. Isso é uma das aplicações desse material. Eu sei que pode parecer simples mas isso traz aplicações totalmente inacreditáveis. A gente está falando de um material construído sob medida para filtrar o que
você quiser. Você tem noção do quanto isso muda o jogo? Hoje, eles já são estudados para capturar CO₂ em usinas e indústrias ajudando no combate às mudanças climáticas. Filtrar poluentes da água e do ar. Armazenar hidrogênio. Regular o amadurecimento de frutas. Extrair água do ar em regiões mais áridas. E até atuar na fabricação de chips e sensores graças à sua capacidade de conter gases em ambientes controlados. Este é só uma das aplicações. Esse material é tão novo, tão inovador, como os plásticos. Hoje, quando a gente pensa em plástico, você pode pensar no copinho d'água no
canudinho, mas também no seu colchão, no sapato, no amortecedor. Em várias tecnologias hoje tem os plásticos. Esses materiais que eles descobriram já tem mais de 90 mil tipos e tem potencial para ter muito mais ainda. Então, eles estão abrindo um campo novo da ciência. A gente vai descobrir muitos materiais nos próximos anos. E o grande desafio é selecionar esses materiais do melhor possível. Então, é um material que vai existir tanto em produtos grandes mas também em produtos pequenos, com usos específicos. Eu acho, principalmente, que vai ganhar muito com isso as indústrias e os laboratórios. A
gente vai observar que eles vão ajudar a baixar muito o custo de outros produtos que existem hoje. E não para por aqui esses materiais também vão trazer um impacto gigante pra área que conhecemos como “química de superfícies” um ramo da química que estuda tudo o que acontece nas fronteiras entre dois materiais como entre um sólido e um gás ou entre um líquido e um metal. E no caso dos MOFs, eles tem uma propriedade simplesmente absurda. Os mais famosos desses materiais eles conseguem em um centímetro cúbico. Um centímetro cúbico é um ml. Um ml, você pensa
que você pega, pinga 20 gotinhas numa colher. Com esse material, imagina só que você pega isso de água você pode espalhar na sua mão, você talvez molhasse a sua mão toda. Se fosse de óleo, você talvez conseguisse espalhar no braço todo. Mas esse material, ele é tão fininho, ele tem uma superfície tão grande que ele consegue um espaço de 220 mil metros quadrados. Isso dá, tipo, um quarteirão inteiro. Você consegue cobrir só com esse material, com um mililitro desse material. É só coisa de, tipo assim, 5 gramas desse material e você pode ter uma superfície
gigante. Então, pra química de superfície, ele vai trazer muitas coisas novas. Então, química de superfície a gente fala, parte de eletroquímica a parte de catalítica. Então, ele vai ser um material que vai ser muito inovador nos próximos anos. A gente não sabe ainda o tamanho das possibilidades que ele vai trazer. Ele está só no começo. É uma química realmente muito nova pra gente. Então assim, se prepara porque essa descoberta pode ser comparada à descoberta dos plásticos é uma questão de tempo até o uso dos MOFs se tornar cada vez mais comum o que certamente vai
possibilitar toda uma gama nova de tecnologias. Eu acho que esse prêmio Nobel é um grande marco disso. A gente vai pegar esses materiais descobertos e vamos levar agora para as aplicações. Eu acho que é agora que vai ser um marco de pegar esses materiais e serem celebrados como os materiais a serem pesquisados como a próxima revolução nos materiais a serem aplicados na tecnologia mesmo. Esse é, pra mim, uma das partes mais interessantes do Nobel. Alfred percebeu com o tempo que todos esses grandes progressos na ciência vinham acompanhados de muitos perigos e problemas. Por isso, com
o objetivo de lembrar que a humanidade não é feita só de cálculos, fórmulas e experimentos que o próprio Nobel incluiu em seu testamento uma categoria dedicada à arte. A literatura nos obriga a refletir sobre quem somos, o que sentimos e para onde estamos indo. E é por isso que convidei o professor Rafael Duarte doutor em História Social pela UFMG e especialista em distopias literárias para falar sobre o Nobel de Literatura deste ano de 2025 que laureou o escritor húngaro László Krasznahorkai Por aquilo que o comitê descreveu como “uma obra convincente e visionária que, em meio
ao terror apocalíptico, reafirma o poder da arte”. Eu acho que, em termos do terror apocalíptico, isso aponta uma escolha da Academia Sueca que é uma escolha que privilegia bastante temas sociais relevantes. Então, de uma literatura que seja, no mínimo, uma literatura engajada com temáticas que são temáticas fundamentais para a contemporaneidade. Então, crise climática, crise política, os avanços da tecnologia. Então, eu acho que é muito sintomático um escritor de distopia vencer o prêmio agora desse ano. Eu acho que é muito sintomático. Então, afirmar esse terror apocalíptico é uma marca não só dessa literatura que foi laureada
agora mas, sobretudo, também de um compromisso, parece ser, com a Academia Sueca com esses temas com o engajamento de temas mais socialmente relevantes. E você pode até questionar até que ponto uma distopia um mundo decadente ficcional conversa com a nossa realidade mas é justamente aí que mora a beleza da arte principalmente quando estamos falando de literatura. Isso porque, ao ler um livro, nesse caso distópico existe uma projeção muito forte das suas próprias angústias na obra à medida que você preenche aquilo que não é dito explicitamente com as suas próprias experiências. Um autor que é o
Wolfgang Wieser, que é alemão ele elaborou a noção da antropologia literária. E ele diz que a ficção é como se fosse um espelho quebrado que ela não retrata exatamente a realidade mas ela retrata a realidade como se estivesse distorcida pelo filtro do fingimento. Para ele, ficção seria o equivalente a fingimento. E quando a gente finge esse mundo do futuro que é um mundo completamente destruído ele diz alguma coisa sobre o mundo do presente. Eu acho que esse é o papel mais importante da literatura é entender ela como esse espelho que é distorcido, que é quebrado
como diz o Wolfgang Wieser mas que, sobretudo, é muito revelador daquilo que a gente ou tenta esconder seja um pouco mais ingênuo ou a gente só não percebe porque a gente é incapaz de perceber se a gente for mais otimista. E é interessante notar também a importância que um prêmio Nobel em Literatura tem para a visibilidade de um país. Nós brasileiros sabemos bem como é o sentimento de nunca ter ganhado esse prêmio apesar de termos chegado bem perto com nomes como Jorge Amado,Lattes, Chagas, dentre outros E no caso da vitória do escritor húngaro nós podemos
pensar no que isso significa para a literatura de todo o leste europeu conhecida por obras de profunda densidade filosófica como acontece com Tolstói, Dostoiévski e a até própria Svetlana Alexijevich jornalista e escritora bielorrussa autora do livro “Vozes de Chernobyl” e que levou o Nobel de Literatura em 2015. Tudo isso, é claro, intrinsecamente ligado ao contexto histórico e geopolítico daquela região diretamente afetada pelo colapso da União Soviética no pós-Guerra Fria. Se a gente for pensar nisso existe em todos eles uma certa visão desencantada do mundo. É uma visão que me parece muito sintomática de uma certa
ruína do projeto soviético de uma certa ruína do bloco socialista. Esse me parece um tema muito frequente. A grande diferença é que se a gente pegar essa literatura agora vinda da Hungria que ganhou agora o Nobel de Literatura ela me parece olhar mais pra frente do que pra trás. Me parece que até esse momento a literatura... Se a gente pudesse falar de uma literatura do leste europeu, evidente, né? É uma literatura que é quase retrospectiva. Ela tem esse peso. E claro, tem um peso muito traumático. A gente tem que entender isso. São experiências que foram
bastante traumáticas mas ainda assim esteticamente riquíssimas. Isso pra mim é extremamente relevante principalmente quando colocamos em mente a importância que a literatura em especial tem para o mundo de hoje. Essa é provavelmente a arte que mais nos abre portas para diferentes visões de mundo e diferentes culturas. Laurear, uma literatura como essa, é coroar, às vezes, uma certa contribuição que esse escritor tem, quando ela é relevante pode ser que ela é muito relevante, para, de fato, um determinado povo um determinado país. Porque quando um escritor ganha esse prêmio você não divulga necessariamente só a literatura dele
você divulga a literatura do país dele. Então as pessoas vão se interessar, por exemplo por outros escritores do mesmo gênero, que são daquele país. Há, de fato, um convite à descoberta não só da literatura, mas de outras culturas. E isso, para mim, é o mais mágico da literatura, de maneira geral e mais mágico dessa premiação, porque elas se misturam um pouco. Mas o impacto mais positivo, e aí vale para o geral independente de quem for o laureado é entender, de fato, que a literatura, hoje, ela não pode ser um luxo, né? De fato, ela tem
que ser um instrumento de respeito às pessoas de ampliação de consciência do mundo, como serviu para mim. E agora nós chegamos na categoria mais esperada por todos: o Nobel da Paz. Como falei no início desse vídeo esse é o único prêmio concedido em Oslo, capital da Noruega e inclusive o comitê que vota e decide quem será o laureado de cada ano é eleito pelo próprio parlamento norueguês. O que é importante na discussão já que mostra que o Nobel é um prêmio com forte viés político. Muitas vezes acabamos vendo prêmios como esses como neutros ou absolutos
mas uma coisa que precisamos deixar claro antes de qualquer coisa é que todo o prêmio Nobel, especialmente o da Paz é um prêmio político e está muito longe de ser “isento”. E justamente por conta dessa natureza do prêmio nós resolvemos chamar não só um, mas cinco especialistas para comentar sobre o Prêmio Nobel da Paz deste ano que particularmente levantou algumas controvérsias e dividiu opiniões. Para começar, eu queria chamar aqui os professores de geografia e geopolítica Vítor Augusto e João Marcelo Torres do projeto Terra Negra para explicar justamente sobre esse lado mais político do prêmio. Existe
uma carga de interesse político do próprio Comitê do Nobel da Paz em relação a isso. E essa carga, é interessante que ela foi mudando ao longo do tempo. Então, uma prova disso, que possivelmente a gente vai desdobrar bastante ao longo da nossa conversa de hoje é o fato de que no pós-Segunda Guerra temas como a democracia começaram a ser cada vez mais caros dentro do Prêmio Nobel da Paz. É o fato de que no século XXI temáticas como a questão ambiental passaram a ser temáticas muito mais relevantes na agenda do Prêmio Nobel do que eram
no passado. Então, esse prêmio, ele é multifacetado porque atende a diversos interesses e ele também se altera com o passar do tempo. E esse é um ponto interessante. A gente vê exatamente isso num contexto de premiação eurocentrada. A gente tem que lembrar que o Prêmio Nobel da Paz ele é dado, e é o único Prêmio Nobel que acontece isso, em Oslo. Quando a gente fala desse eurocentrismo e dessa visão que acaba sendo uma visão que é formatada pelo campo ideológico a gente imagina, por exemplo, se esse Prêmio Nobel fosse centrado em Pequim. Será que as
figuras que aparecem como premiadas no Prêmio Nobel seriam as mesmas? Ou se ele fosse centrado em Moscou? Ou se ele fosse centrado em Mumbai? Enfim, então a gente percebe que também tem essa conotação. Dito isso, nós enfim partimos para a laureada desse ano: A venezuelana María Corina Machado uma das principais líderes da oposição democrática ao regime de Nicolás Maduro. A escolha do Comitê Norueguês do Nobel reconheceu seus “esforços persistentes em favor da restauração pacífica da democracia e dos direitos humanos na Venezuela” em meio a uma crise política, humanitária e econômica que já dura mais de
uma década no país. Isso mostra como a escolha do comitê está longe de ser aleatória e, na verdade, segue princípios bem definidos. Por isso, eu pedi ajuda ao professor e historiador Daniel Café pra explicar um pouco melhor pra vocês quais seriam esses critérios. O Prêmio Nobel da Paz defende que a Maria Corina merece o prêmio porque ela defende três princípios que, para o Prêmio Nobel, são caros. Ou seja, são três princípios que estão ligados diretamente às ideias do Nobel. E seriam, primeiro, uma união da oposição do seu país em nome da democracia. O segundo fator
seria a resistência à militarização. E o terceiro fator seria um apoio à transição democrática. Isso mostra de forma muito clara como o prêmio relacionou fortemente o ideal de democracia com a noção de paz. É sempre importante associar aos estudos de um sociólogo norueguês que é o Johan Galtung, que ele coloca o seguinte, não existe perspectiva de paz duradoura de uma paz efetiva, se não existir democracia naquele país. A paz, ela não viria, na visão do Johan Galtung apenas de ausência de um conflito armado, o que ele chamava de paz negativa. Se não existe um conflito
armado, existe uma paz negativa. Mas, se não existir ou existirem instituições democráticas sólidas o suficiente não existe paz naquele país. Então, faz muito sentido que a gente entenda que a paz duradoura seja uma associação de ausência de um conflito armado com instituições democráticas mais sólidas. É o sentido que eu quero dizer para o Nobel da Paz. Essa, na verdade, não foi a primeira vez que essa associação foi feita de modo que desde o fim da Segunda Guerra Mundial entende-se, principalmente no Ocidente que a paz só pode ser alcançada quando existem instituições democráticas sólidas que possam
garantir a justiça social. E isso não vem do nada tem um embasamento histórico muito forte para sustentar essa ideia algo que foi inclusive muito bem apontado pelo próximo convidado que quero chamar aqui: o professor Tanguy Baghdadi especialista em relações internacionais e co-fundador do podcast Petit Journal. A gente está falando sobre algo que o pensamento liberal já traz há bastante tempo e que se consolidou internacionalmente, principalmente com o fim da Guerra Fria. A partir da década de 1990, passa a existir essa associação: você só consegue paz no momento em que houver democracia, participação. E, quando a
gente fala em democracia aqui, não estamos falando apenas de eleição mas de uma concepção mais ampla, inclusive democracia econômica. Existe uma corrente de estudos que são estudos de paz estudos de paz, de relações internacionais E é muito interessante, porque o que esses estudos de paz dizem é que você só consegue uma paz duradoura, uma paz consolidada uma paz com bases sólidas a partir do momento em que você tiver uma sensação de justiça. A justiça como algo importante. Não to falando de justiça no sentido de justiça jurídica mas a sensação de que o seu lugar na
sociedade está garantido. A partir do momento em que não tem democracia ou que a democracia é roubada fraudada ou frágil você tem cada vez mais camadas para que as pessoas sintam que o seu lugar na sociedade não é o que deveria ser. Perfeito, agora que essa relação entre paz e democracia pregada pelo Nobel ficou mais clara uma coisa que precisamos falar aqui é que a Venezuela não é a única democracia comprometida do mundo na verdade é muito longe disso. Então uma dúvida natural que pode surgir é porque justamente uma venezuelana foi escolhida como símbolo da
luta pela democracia. E aqui nós temos algumas visões que podem nos ajudar a entender melhor essa escolha. A gente vai ter que levar algumas coisas em consideração para entender esse ponto. A primeira delas é o fato de que a eleição da Venezuela, em 2024, foi caricata. Ninguém tem dúvida de que o que aconteceu ali foi uma fraude foi um avanço do autoritarismo. Houve várias tentativas de pessoas se candidatarem inclusive a própria Maria Corina Machado não conseguiu Não foi autorizada pelas autoridades eleitorais da Venezuela Então, nesse ponto, a gente oferece o Prêmio Nobel da Paz para
alguém que enfrentou uma situação sobre a qual não havia qualquer dúvida. E ela está longe de ser a primeira liderança a enfrentar o chavismo ou o Nicolás Maduro. Por exemplo: por que o Prêmio Nobel da Paz não foi dado em outro momento para o Henrique Capriles que disputou eleições e foi uma liderança da oposição venezuelana durante muito tempo. Por que não foi dado para o Juan Guaidó que se autoproclamou presidente. E que, aliás, foi reconhecido por vários países Inclusive os Estados Unidos inclusive o Brasil naquele momento. Porque a gente teve alternativas criadas mas não foram
simbolicamente tão interessantes quanto a figura da Maria Corina Machado. Se tem uma coragem muito grande da parte dela: Ela foi impedida de concorrer e mesmo assim manteve essa luta. Ofereceu, portanto, como o seu candidato, o Edmundo Gonçales. É como se ela tivesse um currículo perfeito para oferecer esse recado que tem que ser dado. Essa é uma palavra que pode resumir muito bem a escolha desse prêmio: a coragem. O próprio comitê definiu María Corina Machado como “uma das vozes mais corajosas da América Latina” sendo ela, inclusive, a segunda mulher latina-americana a ganhar um Prêmio Nobel da
Paz na história depois apenas de Rigoberta Menchú, da Guatemala, em 1992 o que carrega por si só um grande peso simbólico. O Nobel da Paz ser oferecido para a Maria Corina Machado tem um peso, que é renovar o isolamento em que o governo de Nicolás Maduro já está. E o cuidado que eu quero ter ao analisar o Prêmio Nobel da Paz é o seguinte: Não é que o governo Nicolás Maduro não estava isolado e agora ele passa a estar. Ele já era um governo muito isolado. Qual é o recado que está sendo dado? Aquilo tudo
que a gente viu não passou. Aquilo tudo que a gente viu de fraude eleitoral, de autoritarismo de tudo que a gente já conhece sobre o Prêmio Nobel da Paz sobre a situação venezuelana, segue existindo. Segue aí, tanto é que o Nobel da Paz premiou alguém que estava exatamente contra ele. O ponto é, o Prêmio Nobel da Paz não joga uma luz absolutamente nova sobre a situação venezuelana mas reafirma que esse é um ponto importante. Por um outro lado, porém levanta-se também algumas controvérsias em torno da escolha específica da María Corina, uma venezuelana, para esse prêmio
mesmo com diversos exemplos de democracias em erosão ao redor do mundo. A gente tem primeiro o isolamento. O isolamento vem de uma condenação explícita por parte do Comitê do Prêmio Nobel Comitê Norueguês acusando o Nicolás Maduro a ter um Estado brutal e autoritário. Então, explicitamente, há uma condenação por parte do Prêmio Nobel. E a outra questão é como isso vai ser instrumentalizado pelos Estados Unidos porque aí vem uma crítica que é válida de ser feita Porque o Prêmio Nobel da Paz acaba instrumentalizando os Estados Unidos na luta contra o regime do Maduro. Não que isso
seja ruim mas possivelmente a forma como os Estados Unidos irão se instrumentalizar nisso vai ser muito negativo. A gente tem erosões democráticas em vários países da América do Sul. Nós temos erosões democráticas no Peru nós temos erosões democráticas no Equador nós temos erosões democráticas no Paraguai. E a pergunta é, por que que não se ganha uma dimensão tão forte internacional nesses países? Então, se eu tenho um processo de erosão democrática no Peru por que que ele não tem o mesmo peso da Venezuela? E aí a gente está falando de recurso. Aí a gente está falando,
sim, de geopolítica na veia porque a Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do planeta Terra. E é justamente aqui que caímos em um dos pontos mais controversos de toda essa história, porque a María Corina Machado já escreveu em 2020, por exemplo uma carta ao atual primeiro-ministro de Israel, Benjamín Netanyahu pedindo uma intervenção armada na Venezuela. Claro que a gente está falando de um prêmio que nitidamente escolheu um lado político. É um prêmio que diz o seguinte: “Olha, o regime do Maduro é uma autocracia e diante dessa autocracia do Maduro, dessa ditadura essa ditadura sanguinária,
essa ditadura que cala a oposição a gente tem que apoiar o lado que defende a democracia.” A grande discussão que eu tenho que trazer é a seguinte: Que tipo de democracia? Porque a Maria Corina, tem por exemplo, discursos favoráveis ao boicote norte-americano ao governo do Maduro. Ela tem discursos favoráveis às ações de Israel na Guerra de Gaza. Então, na medida em que você apoia, dá o Prêmio Nobel da Paz para uma figura que está alinhada aos Estados Unidos na luta contra a autocracia do Nicolás Maduro muita gente fala que o Prêmio Nobel da Paz escolheu
um lado. E que o Prêmio Nobel da Paz está legitimando uma possível ação armada norte-americana contra o governo de Caracas. Isso é muito preocupante. Afinal de contas, se você tem uma ação armada contra um governo você não está defendendo a paz. Com isso, nós podemos pensar um pouco sobre o que esse prêmio em especial significa para a América Latina como um todo. E por isso eu quero chamar aqui o professor e historiador Gabriel Félix que é inclusive um dos especialistas que revisa todos os vídeos de história aqui do canal. No caso da América Latina, eu
acho que isso tem dois lados que a gente pode ver por dois lados. Na questão de uma preocupação da comunidade internacional com possíveis instabilidades no continente. E aí o nosso continente é um continente muito acidentado pela instabilidade política por trocas de governo, por golpes e contragolpes. A situação, por exemplo, na Bolívia, já há algum tempo, é um pouco complicada. A situação no Peru tem ficado mais complicada nos últimos anos, né? Isso acende a questão de uma preocupação internacional para que não aconteçam tentativas autoritárias também, sabe? Porque a luta está sendo colocada sobre a América Latina.
Por outro lado, a gente pode entender também ou ter um certo temor de que esse olhar mais ocidentalizado, de um Norte Global, né? Porque isso é o Ocidente, Norte Global. Estamos falando da Noruega. Não estamos falando do Ocidente Mexico, sabe? São olhares diferentes. Então até o perfil das premiações do Comitê Nobel ele não é muito focado no Sul Global, sabe? São poucos exemplos de indígenas ou de sul-americanos que são premiados. Mas pode ser que, pensando na América Latina como impacto os prêmios tenham o significado de a gente parar para começar a prestar atenção em como
o Norte Global entende a América do Sul. Que existe um olhar intervencionista ou não. Que existe um olhar sobre quais são os interesses que talvez possam estar por trás dessa premiação da Maria Corina. A gente tem os dois lados: o olhar legal, a preocupação com os rumos da democracia no continente; Mas pode ser também que a gente tenha que olhar com certo cuidado para qual é o interesse desse olhar. Nesse contexto, é importante lembrarmos que para se alcançar uma democracia plena é muitas vezes necessário uma resistência ativa contra qualquer tipo de autoritarismo como foi o
caso de Martin Luther King, Nelson Mandela ou Malala. Precisamos refletir sobre pacifismo e sobre o que significa o termo pacifismo. Porque a luta armada pela paz é um negócio meio contraditório. Para você alcançar a paz, você precisa de um processo ativo mesmo. Muitas vezes você precisa de enfrentamento. E aí se coloca uma contradição em termos. Porque quando você faz um enfrentamento o próprio Nelson Mandela se a gente pensar nas origens lá do Conselho Nacional Africano e no próprio enfrentamento do Apartheid não foi um enfrentamento essencialmente pacifista. Ele foi um enfrentamento de organização de luta armada
e, por que não, um processo de organização política. Então, a gente precisa entender que o pacifismo não se faz só com o posicionamento do “não” à violência. Essas figuras que foram laureadas, muitas delas, em algum momento utilizaram instrumentos da luta armada ou instrumentos da própria estrutura paramilitar para enfrentamento de regimes autoritários. No caso de King, em especial nós podemos levantar um exemplo claro onde o sistema democrático não necessariamente significou uma sociedade justa. Vou trazer uma reflexão que eu acho que é muito importante. Ele vai premiar o Luther King pela luta pelos direitos civis, certo? Os
negros norte-americanos sofriam com um regime nos Estados Unidos que era um regime de segregação racial. Um regime democrático norte-americano. O regime democrático norte-americano, com tripartição dos poderes com votação para o executivo, indireta mas votação para o executivo nacional é o mesmo regime que sustentou por décadas o regime de segregação racial contra os negros no sul dos Estados Unidos. Ora, era uma democracia. Então isso é uma coisa que a gente tem que refletir. A democracia em si, ela não garante a paz. Porém, o que diferencia esses nomes e os tornam quase como ideais simbólicos do Prêmio
Nobel da Paz é justamente os meios usados por eles em suas respectivas lutas contra o autoritarismo. Nesse caso desses três, Mandela, Luther King, Malala são nomes daqueles que são quase o gabarito do Prêmio Nobel da Paz perfeito. São nomes que a gente vai entender como pessoas que lutaram por mais igualdade mais justiça ou resistência a regimes autocráticos. E, especialmente no caso dessas pessoas, de uma maneira mais específica ainda. Porque a gente não está falando de pessoas que lutaram… No caso do Mandela, até a gente tem ele participando de guerrilha por uma parte da vida e
tal. Mas não são pessoas que estão tanto dentro da democracia pelo viés da luta armada. Eles são pessoas que tiveram a sua trajetória marcada pelo ideal de resistência civil de desobediência civil. De uma luta pela democracia a partir da própria democracia. A coisa da democracia como fim e como meio ao mesmo tempo. Em contrapartida, nós também temos algumas controvérsias que rodeiam alguns nomes já laureados. Então a gente tem o caso, por exemplo, do Henry Kissinger que era diplomata americano participante ativo na construção de todo o processo da guerra do Vietnã e de todo o massacre
que foi feito sobre a população vietnamita e ele é um… é… recebe o Prêmio Nobel da Paz por conta das negociações de paz do Vietnã enquanto a guerra ainda está acontecendo. 2008 é a mesma coisa, Barack Obama é eleito Prêmio Nobel da Paz no momento em que os Estados Unidos ainda estão ocupando uma série de países no mundo todo. No caso de Barack Obama, em particular que autorizou uma série de intervenções militares e operações de drones em países como Paquistão, Iêmen, Somália, Líbia e Afeganistão ao longo de seus dois mandatos foi laureado com o Prêmio
Nobel da Paz ainda 2009 logo no início de seu primeiro mandato dentro de um contexto bem específico no qual ele fez uma série de discursos no Cairo falando sobre a necessidade de união dos povos. O recado que ele estava passando naquele momento ali era um recado extremamente potente. Era um recado que estava pegando exatamente o período no qual os Estados Unidos estavam tentando lidar com o legado de guerra ao terror. Então os Estados Unidos invadem o Afeganistão em 2001 invadem o Iraque no ano de 2003. Você tem uma série de ações ali que estão falando
sobre intervenção no Oriente Médio e tal. Era um momento muito sensível em termos de política internacional por conta dessa ideia de um choque de civilizações. E Obama, ele vai assumir a presidência falando de uma nova forma de ver essa política. Então essa ideia é um discurso muito potente. Só que no momento em que esse Prêmio Nobel da Paz é dado por este motivo a gente acaba tendo que olhar para o todo. Porque não foi aquele discurso que foi laureado, foi o Obama. Assim como o Kissinger, quando é laureado lá atrás ele é laureado por algum
motivo que naquele momento ali talvez tivesse sentido. Tanto é que foi laureado. Uma série de pessoas votaram para que ele fosse laureado. Acaba sendo uma premiação que a gente não tem como tirar do fato de que ela é muito contextual. O contexto no qual aquela premiação é oferecida, ela importa. A posteridade de determinados nomes que naquele momento são muito importantes. Então talvez, talvez, dar o Prêmio Nobel para o Obama naquele momento fosse ok. Olhando a posteriori, talvez a coisa tenha desvirtuado um pouco. Pensando nisso, ao analisarmos o histórico de Prêmios Nobel da Paz nós conseguimos
aprender muito sobre o contexto histórico de cada época, inclusive da nossa. Se a gente for olhar de uma maneira geral, o Prêmio Nobel da Paz ele acaba sendo um pouco o termômetro moral e político e ético de cada tema. A gente vai conseguindo medir, assim, mais ou menos pelo Prêmio Nobel quais são os grandes temas, ou quais são as grandes ideias ou quais são as grandes posturas que vão sendo valorizadas em cada época ao longo desse século XX pra cá, né, início do século XX pra cá. Interessante, assim, a gente ter sempre um olhar um
pouco mais aguçado de que ele é um prêmio que valoriza principalmente aquilo que o Ocidente entende como posturas éticas ou o termômetro moral a ser valorizado, sabe? Porque a gente tende a olhar pro Prêmio Nobel e pra premiações assim como uma coisa muito neutra e na maior parte das vezes elas não são. Então o Prêmio Nobel, ele acaba refletindo muito aquilo que o Ocidente entende como o grande ponto a ser celebrado naquele ano. E muitas vezes, também, pra construir memória você consegue monumentalizar uma pessoa, um indivíduo uma narrativa que está sendo valorizada naquele período. E
tudo isso só evidencia como, no final das contas é muito cedo para dizer qualquer coisa. O que sabemos de fato é que Maria Corina Machado foi laureada especificamente pela sua resistência democrática na Venezuela e todas as possíveis consequências só serão plenamente descobertas ao longo dos próximos anos. Qualquer prêmio só tem a sua grandeza avaliada a posteriori. Essa é uma convicção que eu tenho. Se, daqui a um ano, Maria Corina Machado se associar… Eu estou extrapolando aqui mais uma vez Ela é uma mulher jovem, ela segue com a sua atividade política. Se daqui a um ano,
dois anos, daqui a cinco anos, ela se tornar uma guerrilheira ou então, vamos dizer, que ela seja eleita para o governo E se torne também uma pessoa autoritária a gente vai olhar para essa nomeação agora e vai falar assim: “Caramba, mais uma vez”. Então, a Maria Corina Machado se insere em uma tradição em que olharam para o que ela fez na eleição do ano passado. Ela, de fato, é uma liderança forte. Agora, já consigo colocá-la nesse panteão de Nelson Mandela, Martin Luther King, Malala? Ainda não. Ela segue em atividade, ela segue sendo uma pessoa absolutamente
apta a cometer erros. Ela pode cair no ostracismo, ela pode ser esquecida e a gente sempre vai lembrar dela por causa do Prêmio Nobel da Paz como também pode cometer uma série de erros daqui até o fim da vida que vão ressignificar a escolha de dar o Prêmio Nobel da Paz para ela. Por fim, o ponto que quero chegar é que nós podemos e devemos interpretar a escolha de qualquer Nobel levando em consideração que o comitê do prêmio não é uma instituição isenta e absoluta ele é composto por pessoas inseridas num contexto e numa cultura
específica e, portanto, devem ser sempre questionadas. Afinal, essa é justamente a essência da democracia. Eu sempre acho muito importante a gente não considerar que o Prêmio Nobel da Paz é uma premiação divina que veio de alguém ou de um grupo de pessoas que tem condições de ver tudo. Se esse Prêmio Nobel da Paz tivesse sido escolhido por latino-americanos a decisão seria a mesma? Eu não tenho como saber. Talvez, se ele tivesse sido escolhido por um board que levasse em consideração votos africanos seria Maria Corina Machado? Talvez não. Então é sempre importante a gente ter noção
de que é uma premiação que tem um determinado contexto com determinados eleitores e que isso poderia ser muito diferente se fosse uma composição diferente dessa. Por fim, chegamos à última categoria: o Nobel de Economia. Neste ano, o prêmio reconheceu o trio Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt por seus estudos sobre o crescimento econômico sustentado pela inovação. O que eu quero dizer com isso? Bom, o primeiro, o Mokyr foi premiado por ter conseguido explicar o que é necessário para uma sociedade inovar e por que elas inovam. E pra te explicar melhor o que isso significa
eu chamei aqui o professor e economista Daniel Sousa criador do podcast Petit Journal. Uma coisa é como a coisa funciona. Vou te dar um exemplo. Imagina uma máquina a vapor. Você inventou uma máquina a vapor. Ótimo. Entendi como uma máquina a vapor funciona. Tá, mas pra que ela serve? Pra que eu posso utilizar uma máquina a vapor? Ah, vou colocar uma máquina a vapor num trem e, consequentemente esse trem será movido a vapor. Ou seja, são coisas diferentes. Uma coisa é entender como aquilo funciona. A outra é como operacionalizar aquela inovação como tornar aquela inovação
efetivamente útil para a vida das pessoas e também para o próprio progresso econômico. São dois elementos separados e que, me parece, precisam ser analisados separadamente. Não é incomum você ter inovações em que você descobriu alguma coisa e fica durante muito tempo sem saber como operacionalizar aquilo ou sem saber como utilizar aquilo de forma mais concreta, de forma mais real. E por isso que esse trabalho dos professores me parece importante ao colocar luz sobre essa distinção, sobre essa separação. Com essa explicação está bem claro como esses dois pontos precisam conversar mas a parada que realmente chamou
a atenção, na verdade foi a pesquisa do Aghion e do Howitt já que foram eles quem desenvolveram uma ideia chamada de “teoria da destruição criativa” onde basicamente ele mostra o processo que faz com que as novas tecnologias substituam as antigas. A destruição criativa significa que você teve uma inovação que destruiu o padrão anterior de funcionamento de um mercado ou de funcionamento de um determinado produto. Eu posso dar um exemplo: quando você teve o surgimento da lâmpada elétrica a lâmpada elétrica destruiu a indústria de velas. Ou seja, você teve uma inovação que destruiu um padrão anterior.
A inovação tem essa capacidade. O processo de inovação destrói paradigmas anteriores. Esse conceito, já existe há anos dentro da pesquisa econômica só que o que esses caras fizeram de diferente foi desenvolver formas de medir como exatamente esse conceito abstrato de “destruição criativa” funciona na prática o que dialoga diretamente com a pesquisa do Mokyr sobre como a inovação contribui para um crescimento econômico sustentado. O problema é que toda essa inovação não é um processo neutro ela necessariamente cria ganhadores e perdedores e pode ser bloqueada por interesses políticos e econômicos já consolidados. Tem muita gente que olha
para a destruição criativa e não quer que ela aconteça. Porque, eventualmente, você está consolidado em um determinado mercado você tem uma posição dominante e a destruição criativa pode implodir a sua posição dominante. A destruição criativa, muitas vezes, por exemplo tem a capacidade de inserir concorrência onde não há. Um ótimo exemplo disso é o próprio digital. O digital, no qual a gente se comunica agora, foi implodido. Você tinha ali uma certa centralidade em alguns canais de comunicação e esses canais de comunicação acabaram sendo obrigados a vivenciar um ambiente altamente concorrencial porque a inovação acabou trazendo essa
nova realidade. É justamente por conta disso que o caminho ideal parece ser aquele no qual as inovações venham acompanhadas de políticas públicas que reduzam o desemprego em massa e o aumento na desigualdade social através da qualificação de novos profissionais. Você precisa ter duas coisas principais. A primeira: esse novo ambiente que surgiu precisa ser permeado pela concorrência justamente para que a inovação continue sendo incentivada. E, segundo, as pessoas que foram dispensadas do modelo anterior precisam ser recicladas para serem reintroduzidas em um novo modelo. A gente pode pensar em vários exemplos. Hoje, por exemplo, nós não temos
a indústria gerando aquele caminhão de empregos que gerava no passado. Mas existem outras oportunidades associadas à inteligência artificial associadas ao digital associadas a uma série de novas situações que demandam, necessariamente, uma formação e uma capacitação. Portanto, não adianta a pessoa que perdeu o emprego na indústria achar que ela vai encontrar um novo emprego na indústria porque muitas pessoas não vão encontrar. Mas elas podem encontrar empregos, podem encontrar postos de trabalho em uma série de áreas que são, inclusive, carentes de profissionais. Você tem uma série de áreas, por exemplo, no digital onde as empresas não conseguem
encontrar profissionais qualificados para manter esse crescimento acontecendo através justamente do emprego de trabalhadores que ficaram desempregados no modelo anterior. Dito isso, a gente cai num ponto crucial de todo esse prêmio e que é extremamente relevante pro contexto atual do mundo que é justamente o caso das Inteligências Artificiais. Esse é mais um caso clássico de destruição criativa porém num ritmo de mudança totalmente sem precedentes na história. A inteligência artificial é uma superdestruição criativa. Aliás, ela talvez, se isso ainda é algo que pode se confirmar ou não, é uma hipótese talvez seja a maior destruição criativa que
nós já vivenciamos. Não me parece que a gente tenha algo novo me parece que a gente tem algo muito mais acelerado do que nós tivemos no passado. E, por ser muito mais acelerado do que nós tivemos no passado o desafio se torna muito, muito maior. Eu acho que a gente fala pouco sobre isso como sociedade. Puxa, a inteligência artificial é algo que vai mudar muito vai mudar muito a forma como a economia se organiza como o trabalho se organiza como as empresas se organizam. E, do ponto de vista coletivo, a gente fala pouco. E isso
é um dos motivos de estarmos fazendo esse vídeo aqui pra mostrar pra vocês a relevância de cada uma dessas premiações dando luz aos novos desafios e esperanças que teremos daqui a pra frente. Como um canal educativo, fizemos questão de perguntar ao professor Daniel o impacto disso na educação e como, cada vez mais nós precisamos ensinar as pessoas a aprenderem tendo em vista a velocidade sem igual de mudanças que não param de acontecer. Esse me parece um ponto super importante. Acho que a educação é cada vez mais uma educação de ensinar a aprender de ensinar como
é que você lida com esse novo ambiente. Sim, existe esse risco. Às vezes você está aprendendo uma determinada ferramenta e quando você aprendeu completamente a ferramenta, surgiu outra. Aquela que você tinha se tornou obsoleta. Isso é destruição criativa, na prática. A ferramenta ficou obsoleta porque a inovação destruiu a inovação anterior o modelo anterior. Então, ensinar as pessoas a lidar com isso porque existe método para lidar com isso, me parece algo importante. Com tudo isso, ao longo de mais de um século, o Prêmio Nobel com todos os seus valores e controvérsias, tem servido como termômetro do
nosso tempo, Premiando descobertas científicas, criações literárias além de ideias, valores e visões de mundo que nos ajudam a aprender um pouco mais sobre o mundo que vivemos agora moldado pelas escolhas daqueles que vieram antes de nós e para onde esse mesmo mundo está caminhando. E esse ciclo de reconhecimento ainda não chegou ao fim. A jornada dos Nobéis de 2025 culmina em dezembro quando ocorre a tradicional cerimônia de entrega dos prêmios sempre no dia 10, marcada simbolicamente no aniversário de morte de Alfred Nobel. É nesse momento que Estocolmo e Oslo se transformam em palcos de uma
celebração internacional do conhecimento, da arte e da paz num gesto que reafirma, ano após ano a importância de valorizar quem dedica a vida a melhorar a condição humana. Bom, esse foi o vídeo. Espero que você tenha gostado. Deixe seu like, se inscreve no canal compre nossos moletons se torne membro para ganhar benefícios. E eu preciso falar aqui que esse vídeo foi um recorte. É impossível disponibilizar todo o conteúdo sobre cada uma das áreas do Nobel sem fazer um vídeo de mais de duas horas. Por isso, a gente resolveu disponibilizar todas as entrevistas feitas na íntegra
para vocês no canal de cortes oficial do Tinocando TV. É só clicar no link aqui na descrição para dar uma olhada. Mas é isso. Muito obrigado pelo seu acesso. Até o próximo vídeo. Valeu, um abraço de novo e lembre-se: A existência é passageira. Tchau!