Começa agora inédita pamonha por instantes felizes, virginais e irrepetíveis. [música] Senhoras e senhores, estamos no ar. Este é o nosso inédita pamonha.
Oferecimento da Eastman Chemical do Brasil e da Insider. A Insider, a roupa que te veste bem. Nós estamos cuidando do pensamento de Jesus.
Estamos tratando das suas parábolas e hoje vamos abordar a parábola dos talentos. A parábola dos talentos é de todas as parábolas aquela que desde sempre mais me chamou atenção. Parábola dos talentos poderia merecer só a ela um livro.
A parábola dos talentos nos ajuda a entender o modo como o pensamento de Jesus se posiciona em relação ao pensamento grego dominante da sua época. A parábola dos talentos, portanto, tem um valor filosófico extraordinário. Para além do que Jesus ensina como filosofia de vida, a parábola dos talentos, ela tem o mérito de esclarecer.
poderíamos dizer o o paradigma a partir do qual Jesus reflete e porque então ele chega a conclusões bastante particulares em relação ao pensamento vigente na época. Então eu queria que você viesse comigo, me desse a sua mão, porque a gente tem muita coisa bonita para dizer. Antes de mais nada, eu gostaria de deixar claro que sobre a parábola dos talentos poderiam ser ditas muitas outras coisas também.
E, portanto, esse aqui é o meu olhar, ou seja, aquilo que eu gostaria de insistir com você, aquilo que eu gostaria de chamar sua atenção, né? E, portanto, isso não significa que aquilo que não for dito aqui esteja errado ou seja impertinente. Muito pelo contrário, né?
Há interpretações belíssimas da parábola dos talentos que não constarão aqui dessa nossa apresentação, [música] mas que podem merecer a sua atenção e a e a sua confiança. Bom, estamos falando de um senhor que chama três servidores antes de partir em viagem. Então você imagina o camarada malas prontas, deixando o seu palácio.
Nós estamos falando de alguém com muitos recursos, muitos recursos, né? E esse cidadão, então, ele ele chama esses três servidores. Não vem ao caso aqui discutir porque esses e não outros.
Importa mais saber a diferença, digamos, entre eles. Ao primeiro servidor, ele entrega cinco talentos. É importante que você saiba que isso é muito dinheiro.
É claro que os historiadores vão fuçar e eles fazem muito bem de fazer isso para nos ajudar. E alguns chegam a propor que é uma quantidade de dinheiro suficiente para manter uma família simples por 30 anos. Então é é dinheiro, certo?
É bastante dinheiro e isso acho que basta para nós, né? Ou seja, poderíamos dizer que é uma quantidade de dinheiro que um trabalhador, um trabalhador poderia ganhar ao longo de toda a sua vida, né? Eu acho que isso dá uma ideia para você do quanto o evento era significativo.
Acho que isso que importa, né? Então, ao primeiro servidor ele entrega cinco dinheiros, ao segundo servidor ele entrega dois dinheiros e ao terceiro servidor ele entrega um eu disse dinheiro, mas é talento, né? Um talento.
Então, cinco talentos para o primeiro, dois para o segundo, três para o ter um para o terceiro. Que fique claro, a palavra talento aqui, ela é usada no significado de dinheiro mesmo, né? eh eh poderíamos equivaleria aí a dólar, a real, etc.
, né? Então, muito bem. Então, é preciso destacar que esta distribuição foi feita, segundo o Evangelho de Mateus, segundo a capacidade de cada um.
Então, este senhor entregou mais dinheiro na mão do mais capacitado, entregou menos na mão do menos e pouco na mão do do ainda menos capacitado. Ou seja, a distribuição ela foi, digamos, diretamente proporcional à capacidade de cada um dos servidores, ao mais qualificado, mais dinheiro. Quando o senhor volta, ele pede, eh, digamos, prestação de contas, né?
Prestação de contas. E o primeiro servidor, ele ele fica muito feliz em prestar contas, né? E ele devolve ao senhor o dobro do que ele recebeu.
O senhor me deu cinco talentos e eu estou devolvendo 10. Então, é claro que o Senhor o felicita assim calorosamente. Bom servidor, entre na alegria do teu Senhor, né?
Compartilhe da alegria do teu Senhor. Você é causa da alegria do teu Senhor. O segundo servidor que também fez, digamos, prosperar, né, o dinheiro recebido, ele também dobrou.
E, portanto, tendo recebido dois, ele devolve quatro. e também foi igualmente saudado e elogiado. O terceiro servidor, por outro lado, e aqui há uma mudança de comportamento radical, diz que teve medo.
Diz que teve medo, que o senhor é muito severo. Ele teve [música] medo de perder o dinheiro que recebeu. Então o que ele fez foi enterrar o dinheiro recebido de tal maneira que ele estava devolvendo exatamente aquilo que recebeu.
Pelo menos ele não tinha perdido. Então o senhor bastante severo, bastante severo no sentido de de agressivo mesmo, né? bastante cruel, até poderíamos dizer, com esse terceiro servidor.
E ele o insulta, né? E ele o o expulsa do palácio, ele o demite, ele o desliga, como quiserem [música] considerar. Ora, o que é que essa história nos ensina?
Eu diria em primeiro lugar, em primeiro lugar, ela aponta para uma mudança de modo de pensar em relação ao mundo aristocrático grego. ela mostra ou ela eh anuncia, né, o desmoronamento do jeito grego de pensar, do jeito aristocrático grego de pensar. E por quê?
Diferentemente do que pode propor a visão moral aristocrática, o valor, né, o valor de uma pessoa, o valor da vida de uma pessoa, o valor da ação de uma pessoa, o valor da iniciativa de uma pessoa, né, o valor de dignidade de uma pessoa não depende do quanto ela recebeu. não depende dos talentos recebidos ao nascer. E aqui a gente escorrega do talento dinheiro para o talento vocação, para o talento aptidão, né?
Em outras palavras, se para os gregos uma pessoa naturalmente talentosa, ela era hierarquicamente superior a uma pessoa naturalmente menos talentosa ou desprovida de talento. A parábola dos talentos anuncia uma mudança, porque o que importa a partir de agora, o que passa a importar não é o quanto você recebeu ao nascer enquanto disposição genética, enquanto cromossomos, enquanto eh, né, aptidões, facilitações oferecidas pela natureza. O que importa é o que você vai fazer com isso.
Portanto, o que importa não é mais o dom, mas a liberdade e a vontade que essa liberdade permite, independentemente do quanto você tenha de talento ao nascer. Então, veja que importante mudança, né? Enquanto, enquanto você, para os gregos, vale, porque nasceu apetrechado, dotado, nasceu punjante por natureza, Jesus anuncia um deslocamento do eixo de valoração do ser humano, que deixa de valer pelo que a natureza lhe deu e passa a valer pela sua iniciativa.
passa a valer pela sua vontade, passa a valer pelas suas decisões. Perceba que nesse jeito novo de pensar, você não nega uma diferença inicial de natureza. Você não nega que o Janequini é mais bonito do que eu?
Você não nega que Einstein é mais inteligente do que eu, tipo zilhões de vezes. Você não nega essa essa discrepância na dotação inicial. Você não nega.
O que você propõe é que isto não é o que importa. O que você propõe é que o que passa a importar é o que você fará daqui paraa frente com o que recebeu. Então, a distribuição desigual de talentos pela natureza é um fato.
É um fato. Assim como é um fato que o primeiro servidor ganhou cinco, o segundo ganhou dois e o terceiro ganhou um. Ora, o que importa isso do ponto de vista de valor da pessoa, segundo esse novo jeito de pensar?
Nada. Nada. O que ganhou cinco e o que ganhou dois e o que ganhou um, os três estão em pé de igualdade.
E por quê? Porque é a partir de agora que eles vão se distinguir, é a partir de agora que eles vão passar a valer mais ou menos. É a porque o que vai valer é o que decidem fazer com o que tem na mão.
Portanto, é o trabalho que permite a atribuição de valor ao humano, não a natureza. Não a natureza que antes lhes lhes tornava dignos desde o primeiro choro, né? Não a natureza que lhes tornava superiores pela dotação inicial genética, né?
Mas o que confere dignidade ao humano é o que o humano faz com o que tem na mão. Seja do ponto de vista dos recursos naturais seus, seja do ponto de vista do que tem à disposição no mundo para [música] trabalhar. Olá, eu sou Cloves de Barros e venho aqui propor a você nos apoiar a manter vivos os nossos conteúdos de filosofia na internet.
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Você propor que o que importa é o que vai acontecer depois, isso significa uma verdadeira revolução do modo de pensar. Porque o cara que tem um jeito aristocrático de pensar, acha que já nasceu superior, é só olhar para ele, né? É só olhar pro seu, paraa sua postura, é só olhar para, para o seu talento, é só olhar paraa sua beleza, é só olhar pra sua, pra sua exuberância, né?
Jesus então vai propor que o buraco é mais embaixo, que as coisas não são bem assim. E o que importa na verdade não é nada disso que você recebeu pela natureza, mas é o que você, enquanto ser livre e cheio de vontade decidiu fazer da própria vida. Então, perceba que existe aqui uma consequência direta desse novo jeito de pensar, que é a propositura de uma igualdade que se impõe, eu diria, por cima da desigualdade da natureza.
Ou seja, esse novo jeito de pensar restabelece uma igualdade, uma igualdade posterior que se impõe à desigualdade de natureza inicial. E por que igualdade? Porque todos temos uma chance de dar à nossa vida uma destinação digna.
Todos temos a mesma chance, independentemente dos talentos que tenhamos recebido ao nascer. OK? Então, veja, eh, eu queria muito que você percebesse o quanto esse novo jeito de pensar ele participa da nossa cultura, da nossa cultura ocidental.
E aí você poderia perguntar, mas de acordo com a parábola dos talentos, né, esse essa vontade, essa liberdade, né, essa disposição é caracterizada pelo que exatamente, né? Já que o que conta é o que eu vou fazer com a minha vida, né? O que que tá sendo enfatizado na parábola dos talentos?
Bom, antes de mais nada, o que tá sendo enfatizado é que você está convidado a agir no mundo. Aquele que é mal avaliado, o terceiro servidor, é mal avaliado antes de mais nada por não ter feito nada, por ter enterrado o talento. É mal avaliado pela sua omissão.
Isso significa que a lição é clara. A vida é ativa, ela é criativa, ela é cheia de iniciativa e que isso deve ser assim. Ora, o que poderia obstar essa política existencial de iniciativa?
O medo? Portanto, a parábola dos talentos vincula a dignidade humana a uma certa coragem, a uma certa coragem empreendedora, né? uma certa coragem de iniciativa.
O que é castigado, o que é mal avaliado é a vitória do medo que congela, do medo que e retira a força motriz da ação. Hum. Então, nesse sentido, convida-se a um preparo virtuoso de coragem, de enfrentamento dos medos, em nome de uma iniciativa que pressupõe, como sempre, um certo risco.
O medo vem da possibilidade de dar errado, o medo vem da cogitação de dar errado. E, portanto, eh, esse essa cogitação de dar errado, ela vem da constatação de um risco, né? constatação de que pode dar errado.
Portanto, existe aqui uma lição de vida que é a lição do enfrentamento do risco. E por que há risco, sempre haverá risco. Por quê?
Porque o resultado final da iniciativa não depende só da iniciativa. O resultado final da iniciativa sempre [música] dependerá de variáveis não controladas por quem tem essa iniciativa. E, portanto, por mais que possamos eh prever, estudar, mapear, diminuir os riscos e propor soluções eh de cautela prévia, etc, etc, sempre pode dar errado.
Portanto, aquele que se arrisca assume o risco de eh dar com os burros na água ou se você preferir, no caso, de perder o talento que lhe foi entregue pelo Senhor inicialmente. Então, é claro que aqui o convite é um convite a uma certa coragem, mas não a uma coragem irresponsável. uma coragem responsável no sentido de que a iniciativa deve estar circunscrita dentro de um orbital de plausibilidade, de sucesso possível, de sucesso até eh provável.
E é e é disso que estamos falando. Não se trata [música] do desvairio absoluto. Agora, nesse sentido, a pergunta que eu faria para para concluir aqui a nossa reflexão é a seguinte, né?
Como teria reagido o senhor se o terceiro servidor [música] tivesse arriscado como os dois primeiros e perdido o seu talento? Outra pergunta, como teria reagido o servidor se os três tivessem arriscado e os três tivessem perdido tudo? Porque veja, se você condena, se você avalia mal por conta da falta de iniciativa, por conta do medo, por conta da falta de coragem, ora, não faz sentido você se posicionar do mesmo modo diante daquele que arriscou, daquele que enfrentou, daquele que teve coragem, daquele que O problema é que nos dois primeiros casos fica fácil, afinal de contas, eles correr correram um risco e deu tudo certo.
Mas a pergunta que a parábola não esclarece é: o que diria o senhor caso tudo tivesse dado completamente errado? Porque bem ou mal, veja só, se o primeiro recebeu cinco e devolveu 10, o segundo recebeu dois e devolveu quatro, nós estamos aí com um senhor que entregou sete e recebeu 14. O último devolveu o que tinha recebido.
Portanto, é um senhor que entregou oito, 5, 2 e 1 e recebeu 15 de volta e ainda terminou zangado. E se tivesse entregue oito e recebido zero por conta dos três terem tido iniciativa, coragem, empenho, mas que por uma razão de força maior, por exemplo, tivessem perdido tudo. Bem, eu juro que eu não sei o que este senhor aí teria dito.
Eu, por outro lado, sei bem o que outros senhores que cobram inovação, que cobram iniciativa, que cobram arrojo, que cobram destemor, que cobram empoderamento, que cobram espírito de dono, costumam dizer quando perdem capital. [música] >> [música] >> Este foi o nosso inédita pamonha de hoje. Oferecimento da Eastman Chemical do Brasil e da Insider.
Esta foi a nossa reflexão de hoje. Se você gostou, eu espero que você compartilhe. E se você [música] gostou, muito mesmo, né?
Pense a respeito. Pense a respeito, porque é muito interessante a atualidade da parábola. Não é nada absurdo tomá-la por uma história completamente atual e, portanto, que pode nos ajudar a refletir demais da conta sobre a nossa própria vida, segundo a lição de Jesus de Nazaré.
Tomara que você tenha gostado. Um beijo grande e até quinta-feira [música] que vem. Valeu.
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