Se você é fã de futebol já deve ter visto um atleta correndo em campo de repente ficar parado e botar a mão atrás da coxa. Ou a cena em que jogador pisa em falso, ou sofre uma pancada, para depois cair no gramado com dor no joelho ou no tornozelo. Mas quais são as lesões mais comuns no futebol?
E como preveni-las? Sou André Biernath, da BBC News Brasil em Londres, e neste vídeo vou te contar o que acontece no corpo dos jogadores quando eles vão parar no departamento médico. Pra começar, olha o tamanho do problema causado pelas lesões.
Segundo a CBF, Confederação Brasileira de Futebol, durante a temporada 2019 do Campeonato Brasileiro, por exemplo, foram analisados 645 atletas. Desses, 214 (ou 33% do total) tiveram pelo menos uma lesão ao longo da disputa. Ou seja: um terço dos jogadores que participaram da competição precisou ficar no departamento médico em algum momento.
No registro, as estruturas mais afetadas foram os músculos, com 37% do total. Ah, e vale notar que 62% das lesões aconteceram sem nenhum contato físico com adversários. As partes do corpo mais prejudicadas foram as coxas, a cabeça, os tornozelos e os joelhos.
Mas o que faz esse tipo de problema algo tão comum? O Dr Moisés Cohen, presidente da Comissão Médica da Federação Paulista de Futebol, me explicou que, durante um jogo, o atleta muda de direção e faz movimentos inesperados a cada seis segundos — o que ajuda a entender o risco elevado de problemas em músculos, articulações e ossos. Então, por exemplo, imaginar o indivíduo que joga no ataque.
Então ele está olhando para o seu goleiro, que vai bater o tiro de meta e a bola vai para o lado direito. Ele vira para a direita, ele corre para a direita, a bola foi para a esquerda, ele vira para que? Então, a cada 6 segundos você faz um movimento que é inesperado.
E assim é. O futebol não é um gesto específico para o salto. Abaixa isso, obviamente que predispõe também a lesões com maior porcentagem.
Bom, vamos começar a entender esses problemas a partir dos músculos. Eles nada mais são do que um conjunto de fibras, que se deslizam umas sobre as outras em movimentos de contração e relaxamento. Durante o jogo, eles são essenciais para a corrida, o salto e o movimento da perna que faz o passe ou dá o chute na bola.
Como são exigidos o tempo todo durante a partida ou os treinamentos, os músculos são os principais lugares em que as lesões acontecem. O Dr Mateus Saito, do Vita Ortopedia, do Grupo Fleury, me disse que lesões musculares costumam ocorrer por um esforço muito grande, em que há um desgaste ou uma fadiga. Geralmente, as lesões musculares, são aquelas em que o músculo ali está.
Por exemplo, em um estágio final de alongamento, ele vai fazer um movimento de contração e acaba ficando, acaba romper e muitas vezes isso acontece. O jogador, sozinho não tem contato com o outro atleta, com a lesão, sem contato direto com o atleta e tem vários graus de ruptura, se pode ter uma lesão mais leve, uma alteração funcional do músculo até uma ruptura completa E aqui aparecem alguns jargões típicos, muito comuns durante as transmissões dos jogos. O primeiro deles é a contratura, que acontece quando o músculo contrai de uma maneira inadequada e, depois, não volta ao estado normal de relaxamento.
O segundo é o estiramento. Nele, o músculo se estica mais do que devia, e algumas daquelas fibras até se rompem. Agora, o problema é mais grave quando esse estiramento é maior e acontece uma ruptura parcial total do músculo.
Com o avanço da medicina, hoje os profissionais da área conseguem definir bem o local da lesão — e, enquanto o atleta se recupera, ele até faz exercícios focados em outras partes que não foram afetadas. Analgésicos, fisioterapia, tratamentos com pressão, gelo e calor também são essenciais. Em alguns casos mais graves, é necessário partir para a cirurgia.
Outra parte do corpo muito afetada no futebol são as articulações. Me refiro ao local em que dois ossos se conectam, o que permite movimentos específicos, como ocorre nos joelhos e nos tornozelos. E essas regiões são bem vulneráveis às pancadas de um atleta adversário.
Os choques e encontrões durante a partida podem resultar em lesões bem sérias, como aquelas que afetam os ligamentos, um tipo de tecido fibroso que, como o próprio nome indica, conecta as extremidades de um osso com o outro. Outra fonte de lesões aqui são os buracos em campo ou a forma como os jogadores caem depois de dar um salto: joelhos e tornozelos correm o risco de "girar" de um modo errado, o que certamente pode levar a consequências bem dolorosas. Em situações dessas, os tais ligamentos se esticam além da conta e, nos quadros mais graves, estouram completamente.
Quando um atleta famoso é diagnosticado com um problema desses, é comum que termos como "ligamento colateral", "menisco" ou "ligamento cruzado" ganhem as manchetes. Esses são nomes de algumas das estruturas encontradas na articulação do joelho que acabam lesionadas. A cirurgia vai depender do grau da lesão e do quanto aquele ligamento estirou ou se rompeu Nos casos mais graves, o atleta fica por volta de oito meses fora, até conseguir se recuperar e voltar às atividades.
Para fechar nossa lista, vamos falar um pouquinho sobre os ossos. Eles podem ser acometidos por duas lesões: as fraturas e as luxações. As fraturas ocorrem quando o osso quebra após uma pancada ou uma queda mais violenta.
Nesses casos, a avaliação médica vai indicar o que precisa ser feito para botar os ossos no lugar certo — ou restaurá-los após a fratura. Pode ser necessário partir para a cirurgia, ou passar um tempo com a parte do corpo imobilizada com gesso e ataduras. Sessões de fisioterapia e remédios também ajudam.
E será que dá pra prevenir esse monte de problemas? Ainda que muitas das lesões mais comuns sejam frutos de acidentes, há um consenso entre os especialistas de que é possível evitar a maioria delas — seja no esporte amador ou no profissional. A própria FIFA desenvolveu na última década um programa chamado 11+, que reúne orientações para prevenir esses problemas.
A iniciativa traz uma série de exercícios de aquecimento e alongamento, que ajudam a deixar o corpo mais preparado para a partida. Para quem joga futebol amador, usar equipamentos adequados, como chuteiras de boa qualidade, e evitar encontrões ou choques desnecessários também são boas ideias. Vale também fazer exercícios de fortalecimento muscular e fazer atividade física regular.
Ah, e claro: uma dor que não vai embora depois de 48 horas de uma partida merece avaliação médica. Bom, com isso eu fico por aqui! Espero que as dicas e as informações tenham sido úteis e interessantes.
Um abraço, se cuida e até a próxima!