quando o Bá fala não se nasce mulher torna-se mulher é isso que ela tá falando quando a mulher tá grávida A gente já pergunta é Menin ou menina Ah é menina quarto rosa fogão geladeira é menino bola quarto Azul a gente já cria um destino antes da criança nascer então quando a gente nasce a gente sequer a gente não não tem o direito de ser liberdade Aquilo é imposto pra gente na chuva de confess deixo a minha dor na avenida de chear a pele preta e a minha voz na avenida de chea a minha fala
minha opinião a minha casa minha solidão joguei do Alto do terceiro andar quebrei a cara e me livrei do rest dessa vida na Avenida dura até o fim mulher do fim do mundo eu sou e vou até o fim cantar [Música] meu nome é doil de Melo eu sou astrofísica eu era uma menina muito curiosa queria responder todas as perguntas que eu tinha sobre o universo bom eu sempre gostei de futebol porque criança geralmente ela vai escolhendo várias coisas né vou fazer isso daqui a pouco ela muda de então comigo não era somente o [Música]
futebola Eu tenho dois irmãos quando a gente ia brincar a gente fazia dois a um eu sempre perdia então eu joguei muito futebol mas eu não era goleira eu era atacante porque eu quando eu entro qualquer coisa que eu faço na vida é com muita energia bom eu sou ma tenho quase 48 anos né e Class média Branca em Curitiba menina né Então tinha todas as qualificações possíveis né que eu tinha um sonho de trabalhar dentro do corporativo eu não consegui inserção desse dentro desse corporativo eu não tinha ainda trocado de nome na época porque
não era tão fácil quanto é hoje que as pessoas não precisam nem de laudo vão lá e falam eu sou trans tem um estudo que mostra que as meninas começam a ter consciência de gênero dos quatro aos 6 anos é quando elas percebem que existe um mundo de meninas e um mundo de meninos quando elas percebem que as pessoas só elogiam as meninas pela beleza só chama de princesa que linda que roupa linda como você tá fofa a minha princesa porque são todos elogios parece uma coisa muito boba mas são todos elogios ligados à beleza
e nunca a inteligência a força a vontade né o quanto ela tá indo pra frente as bonecas que eu ganhava eu arrancava a cabeça porque eu queria uma bola eu queria fazer as pessoas entenderem Olha eu quero uma bola eu não quero uma boneca meu irmão enquanto ele ia pra escolinha de de terra Acho que uns 4 5 anos enfim eu ia atrás dele e sempre entrava no campo e todo mundo falava pra minha mãe Ah essa menina vai ser jogador e minha mãe não não vai porque né aquela época era complicado a aceitação de
de uma menina tá jogando futebol no meio dos meninos e eu decidi que eu queria ser astr que eu queria ser cientista eu tinha mais ou menos a idade que a Anne Grazielle tem eu queria entender como que funcionava essa história de nave espacial de NASA e que que a gente recebia essas imagens de outros planetas que que era isso eu queria entender melhor e eu ia estudar isso para entender e foi o que eu fiz quantos talentos né já foram desperdiçados porque a mulher não teve essa oportunidade e quantas coisas já poderiam ter sido
resolvidas porque se a mulher tem tanta capacidade com o homem muitas coisas muitos avanços tecnoló lógico Já poderiam ter acontecido se as mulheres também estivessem utilizando a capacidade delas de resolver problemas né porque a ciência é resolver problemas a gente foi colocada nesse lugar para ser o outro né do homem que que é o outro do homem é sempre em oposição né O homem é racional a gente é emocional o homem né Então essas construções fazem com que a gente chegue num curso de Filosofia e os homens duvidem da nossa capacidade né né de estar
ali e entender [Música] C eu vim de um lugar que foi construído para Alexandre né que foi o que eu fui criada durante 17 anos da minha vida então eu conheci esse lugar do que é ser homem ou o que esperavam de ser homem eu construí essa Maitê dentro do lugar do que é ser mulher do que as pessoas acreditam ser mulher e hoje eu tenho lugar que eu não sei o gên é um conceito recente né H que vai fazendo uma distinção entre a forma como o sujeito nasceu a forma sexuada como o sujeito
nasceu aquilo que é de origem biológica é uma coisa que tá dada de saída né Depois você tem uma identificação do sujeito com o gênero que seria atualmente a gente pensa em termos binários homem e mulher mulher Então as pessoas se identificam com uma certa uma certa amostragem aí de comportamentos com qual o sujeito se identifica como homem ou mulher independentemente do sexo de nascimento além disso a gente tem não pode deixar de falar da orientação sexual porque o gênero ele não tá associado diretamente a uma orientação sexual você pode ter nascido mulher se identificar
com o gênero feminino e gostar de homens ou mulheres Então essa Tríade é importante para ser pensada pra gente implodir um pouco essa ideia de que você nasce mulher se sente mulher e gosta de homens essas coisas nem sempre estão [Música] ligadas era muito complicado você criança falar não você não pode aquilo ah por porque a coisa de menino ah mas eu sei fazer aquilo dali Qual o problema vai você tá mais forte O dinamômetro vai falar isso pra gente sem perder isso aqui ó só isso e eu era a única menina na época era
a única menina no meio de sei lá quantos meninos apanhei bastante porque os meninos não aceitavam tomar drible era menina então ai você não tem que estar aqui você é menina tá no lugar errado quando engravidei da tulani eu fiquei ai é menina eu não me sentia pronta para ser mãe de um menino interessante porque eu achava que seria mais difícil eu criar um menino numa sociedade machista para não ser um machista hoje eu me sinto tranquilamente preparada se eu fosse se eu quisesse ser mãe de novo eu me sinto preparada mas a época eu
falava não eu quero ser mãe de uma menina a gente discute em casa por exemplo o trabalho doméstico meus filhos fazem em casa tudo que eu faço eles fazem de acordo com a capacidade física deles por conta da idade mas tem uma que é isso das relações né uma forma que a sociedade ensina sobre a o corpo da mulher sobre ser mulher que às vezes isso me escapa Porque por mais que eles vejam por exemplo que eu não sou uma coisa um objeto porque eu sou mulher às vezes eles se xingam ah mulherzinha E aí
eu ten que dizer Tá mas desde quando ser mulher é ofensa porque senão eu sou uma ofensa ambulante em casa todo mundo era tratado igual a gente e arrumava casa então todo mundo arrumava casa todo mundo lavava louça e todo mundo cozinhava e acho que um pouco desse do que eu sou hoje certamente vem desses valores né Que honra que emoção est com vocês hoje nesse momento tão especial no maior evento de inovação negócios e tecnologia da América Latina então quando a gente pensa em termos de educação eh a gente não tem que tomar muito
cuidado para não não ficar perseguindo as crianças com modelos que a gente supõe que a menina não pode brincar de princesaa Pode claro que ela pode brincar de princesa é claro que o menino pode brincar de príncipe A questão é se a princesa vai ter que se submeter ao príncipe se só o príncipe pode pegar na espada se eles podem trocar e aí ela brinca de príncipe ele brinca de princesa e depois os dois brincam de cavalo importa entendeu quer dizer que as crianças possam brincar com todos esses elementos que a gente oferece para elas
sem que isso tenha um julgamento de valor quem manda em qu ou uma hierarquia de poder para mim J é uma construção social né gênero é uma construção social que também perpassa relações de poder por isso que cada vez mais Eu Tenho pensado que feminismo negro ele é muito assertivo por exemplo quando Angela Davis propõe que a gente precisa repensar as relações repensar a forma porque tudo é pautado pela violência o controle A Dominação e gênero também é uma forma de controle e dominação de categorização então é aquela mulher indígena que ela não não tá
só na no no Imaginário do sabe da de um passado E desde da colonização ela tá ainda vivo que é uma que é uma mulher que é pega no laço pega de cachorro que é a história das nossas bisavós né eu eu agradeço os Encantados de luz que eu pude viver com a minha avó então ela não passou por isso mas a maioria do Brasil tem sangue dessa mulher indígena que foi estuprada violada e roubada da família então primeiro quando a gente chega na cidade é esse Impacto Mas você é indígena você tá fantasiado você
usa roupa Você tem celular esses Espantos que a gente pensa assim que nem é possível de ter e na cidade não era diferente não então eu chegava então às vezes estava com rosto pintado dependendo da situação a gente nega mesmo a nossa identidade para poder se proteger tá tudo dominado ó a gente já pode sentar cadeiras na frente atrás então a gente criou 5 anos atrás no ano de 2013 final de 2013 a gente cria um braço dentro da brate da Associação Brasileira de transgêneros que é a transem e nós somos hoje aqui dentro trans
nós somos 14 homens trans quatro pessoas não binárias três pessoas que se identificam como que e três traves um Banco de Talentos de currículos de pessoas que eram não gêner que não estavam adaptadas de algum jeito as normativas de binar de ser homem ae desse jeito e ser mulher a daquele outro porque pra gente ser trans não tá dentro de algum tipo de Norma né não tá enquadrada dentro de um tipo de binarismo que é cruel né inclusive para próprio pros próprios homens né que não pode chorar não pode mostrar fragilidade não podem ser doces
não podem gostar de rosa né coisas desse tipo vou voltar C Angela Davis Ela diz que a gente precisa superar binaridade hétero e homo Sis e trans homem e mulher negro e branco porque essa Bin binaridade que leva pra dualidade pro confronto então a gente precisa avançar sobre isso mas eu acho que ISO a gente tá muito longe ainda de conseguir se despi porque é histórico né cultural faz parte das nossas experiências das nossas lembranças das nossas memórias mesmo Enquanto povo enquanto ser humano eu começar a pensar na implosão das categorias de gênero como Homem
e Mulher assusta profundamente porque são como taxinhas no mapa davam uma certa organizada assim desde a gestação você sabia se era homem ou mulher e aquilo te organizava Vamos fazer um quarto rosa Vamos né e você ia já imaginando um sujeito ali quando a gente perde essas referências é muito assustador Porque tudo que é Libertador é assustador né então a gente tem que começar a se acostumar com a ideia que nem nem todo mundo vai se organizar desta forma eu tinha um medo dentro de mim será que a marca alguma marca grande de material esportivo
Vai querendo Patrocinar porque eu sou lésbico e acho que é melhor eu não expor tanto minha vida isso quando eu era mais nova né porque você você vai se retraindo com algumas coisas você não se expõe tanto você acaba mentindo PR as pessoas Ah você não tem namorado ah não não tenho namorado e você fica com aquela sensação ruim só que chegou uma hora que eu falei quer saber meu tem que olhar para mim pelo talento que eu tenho pelo meu lado profissional pela pessoa com eu meu sou eu comecei a meio que botar para
fora mesmo né expor mais em rede social porque eu pensar eu acho que eu tô fazendo isso eu tô mostrando para outras meninas que passam pela mesma coisa que ela pode vencer na vida ela pode conseguir jogar futebol ou qualquer coisa que seja se ela for lésbica eu conhecia várias pessoas com várias competências com graduações mestrados doutorados e que não conseguiam inserção no mercado de trabalho por conta né que hoje tem o nome de vieses inconscientes ou de filtros seletivos não tão abrangentes né que a gente Tenta abrir hoje em dia mas que para mim
era preconceito era discriminação e era bem duído ver pessoas que tinham imagina feito dois doutorados imagina tanto de tempo que a pessoa estudou para tá se dedicando naquilo e querer ter uma vida Envolvida com aquilo que ela tinha estudado e não conseguir por conta de ser trans esse machismo esse ódio essa misoginia cresceu junto com esse crescimento desse desse dessa catequese em que a mulher sempre inferior e que a mulher tem que calar a boca para homem falar e que a mulher não pode isso não pode aquilo porque a Bíblia diz tudo que foi imagem
semelhança de feminino eles querem destruir e massacrar porque eles não dão conta do feminino eles não dão conta do que nós representamos então mesmo uma mulher trans mesmo um travesti o que for feminino né um homem mais afeminado também é é objeto de ódio porque eles não dão conta do que ser mulher em toda diversidade Nossa traz agora eu queria pedir que todo mundo queer empresa fosse ó a minha conversa Vera só com as pessoas Transit é o seguinte gente Então nesse começo pode ser que vocês aqui dentro e amanhã vocês vão conhecer e por
isso que eu tô falando com vocês 35 RH de empresas a primeira coisa que vocês tem que botar na cabeça não é qualquer vaga vocês não têm que servir de massa de manobra quando você se senti incomodados tem que realmente falar isso está me incomodando eu não vou mudar porque isso não é tem a ver com a minha identidade com a minha personalidade não vou mudar a pessoa não vai usar a faixa porque isso está fazendo mal pra saúde é um direito dela então as pessoas vão ter que se acostumar com essa diversidade aceitar essa
diversidade não o contrário entende uma camisa pessoal gente ó são perspectivas que a gente criou para esses gêneros né ah o gênero Azul tem o papel tal o gênero Rosa tem o papel tal tem a a as atividades que T que ser feitas por cada um desses gêneros que a gente não se permite ser outra coisa e quando a gente tá num lugar que eles são historicamente ocupados pelo outro gênero às vezes a gente tem essa sensação de se obrigar a ser o que se espera daquele gênero né algumas mulheres relatam muito isso quando elas
estão no Exercício desses cargos de poder que elas se endurecem para se fazerem serem ouvidas como se fosse do gênero Azul a responsabilidade de ser duro de ser brusco como se todos nós não pudéssemos ser duros e bruscos né afetuosos generosos carinhosos né eu me vi uma pessoa assim que eu não me enxergava com meu medo mesma eu me enxergava como eu tava ali um personagem de terninho tanto que a primeira coisa que eu fiz quando eu pedi demissão passou um mês eu peguei todos os terninhos que eu tinha no guarda-roupa juntei todos botei numa
mala e falei eu quero doar para alguém eu falei não sou eu essa pessoa de terninho com essas roupas assim não sou eu e eu vejo muito a minha geração como uma geração que achava que eu tenho que trabalhar exatamente como um homem eu a gente não não conseguia visualizar que o nosso trabalho sendo mulher podia ser tão bom quanto ou melhor porque não tinha espaço para essa diferença não se discutia essa diferença Olá boa tarde obrigada por vocês estarem com a gente a gente falava a inclusão feminina mas todo mundo tinha que ser que
nem homem tinha que usar o mesmo terninho azul marinho né falar da mesma forma ser brava para mostrar o respeito então você que todo mundo tinha que ser essa caixinha aqui homens e mulheres e e agora eu vejo muitos homens que estão também vindo para essa caixinha hoje a gente pode ter conversas de homens e mulheres eu vejo muitos homens tendo conversas sobre diversidade empatia o cuidar que há 35 anos atrás eram impensáveis sento mais probabilidade de ter uma mulher em um cargo de liderança na empresa Às vezes a gente fica um pouco desesperado achando
que nada vai mudar mas as coisas estão mudando sim é um processo que vai indo heterogêneo mas vai indo a gente tem que apostar nisso cada gesto cada apagem cada filme cada professor dentro de sala de aula cada mãe vai fazer diferença e vai se infiltrando que nem água né quando você vai ver todo mundo tá um pouco encharcado eu acho que meu trabalho hoje em dia é o de trabalho de humanização entende de inclusive de humanizar a inteligência artificiais entende de fazer refletir que que a gente não precisa ter medo do outro entende que
o outro ser uma super potência ele é da NASA lá onde eu eu trabalho né a Godard Space flight Center Opa tem menos mulher nas ciências e na tecnologia Então as meninas T menos mulheres para se espelharem para seguir a carreira então a ideia da associação mulher das Estrelas é mesmo achar as meninas que querem fazer ciência e e motivá-las né Eu acho que só elas terem esse contato com a mulher cientista já é assim transformador né que eu falo que a gente sempre tem que plantar as coisas para elas eu vejo as meninas hoje
eu sei o quanto os olhinhos delas brilham quando encontra com a gente quando vê a gente Jogando e você fala meu eu era assim e hoje nós representamos essas meninas nós somos a alegria dessas meninas Nós somos as pessoas que inspiram que elas vão poder sonhar a gente tem que dar o nosso melhor aqui porque somos nós que vamos ficar na história de jogado uma final de Campeonato Paulista dentro do Morumbi espelhar eu acho muito importante conforme a gente vai conversando com as mulheres do universo corporativo é interessante todas elas vão apontando um universo de
possibilidade você vê que uma mulher estar ali e você saber que você consegue chegar ali porque aquela mulher está ali A gente é o que a gente vê se você não vê a mulher fazendo aquilo você não vai fazer aquilo esses lugares que as mulheres indígenas não poderiam agora a gente tá e a gente não tá por poder a nossa luta é por liberdade a gente est livre a mã também tá [Música] livre eu penso que no Mundo Ideal igualdade de gênero é superar a binaridade Mas nos dias de hoje igualdade de gênero é conseguir
criar uma perspectiva aonde essa identidade não seja um limitador a gente fala de diversidade eu sempre vejo que a gente tem um grande problema porque a gente nunca diversidade é a gente né diversidade é sempre um grupo né então diversidade LGBT que mais diversidade é etnia e Raça diversidade é pcd diversidade é tudo menos a gente né e a coisa não vai funcionar enquanto diversidade não for a gente a diversidade entrou muito cedo na minha vida né porque é a sociedade pinara do jeito que é de tipo ah menina assim Menina assado e posições cor
de eu que par essaa que na frente de vocês hoje né eu vou dizer PR vocês que não é fácil você par esse ser humano Independente de qual seja não t falando que é só porque eu sou [Música] trans atou m [Música] mundo de fora para dentro não de dentro para fora a gente tem que ver que a gente é um planetinha no meio de um sistema solar no meio de uma galáxia no meio de universo né E aí a gente começa a tomar conta do planeta e a cuidar do planeta né acho que pra
gente ser livre a gente cura as feridas do passado cura a raiz pra árvore inteira ficar curada então é é esse processo de resgate da nossa identidade nossos valores mais sagrados até o diversidade é você ter raiz no coração e ASA no pé né diversidade é você poder ir aonde você quiser e saber que tudo que é ter tá dentro de você diversidade é saber que você não tá sozinha porque não que você se basta Mas porque você faz parte de alguma coisa eu quero cantar eu quero cantar eu vou cantar até o fim [Aplausos]
liberdade a gente é ser a gente do jeito que a gente é podendo usar blusa ou não usar blusa usar o cocar ou não usar cocar falar língua mãe ou não falar língua mãe a gente poder ser a essência de quem nós somos de [Música] fato tudo pode só não pode qualquer coisa ou qualquer coisa não ser a gente fora isso tudo pode né é isso s [Música] k k [Música] k [Música] w