Oi gente! Eu sou a Débora Thamine, a professora de literatura. E hoje iremos falar sobre o parnasianismo.
O parnasianismo é uma escola literária que surgiu na França, no século XVIII para XIX. E o curioso é que o parnasianismo fez sucesso verdadeiramente apenas no Brasil. Por que será que isso acontece?
Gente, a burguesia brasileira, ela não buscava texto profundos. Então um tipo de poesia como a parnasiana, que falava de objeto, de vaso chinês, vaso grego, de túmulo era muito fácil dele aprender, compreender e sair por aí. Por exemplo, nos seus locais que ele passeava, nos cafés, etc pegava decorava poesia no jornal, recitava e ficava lá o cultizinho, inteligentão, entendeu?
Então o parnasianismo dava toda essa elegância, essa impressão e fez muito sucesso aqui As características. Retomada de temas da antiguidade clássica, bom os parnasianos vão retomar com a citação de figuras da arte grega, romana, seres da mitologia. O anti-romantismo é uma crítica muito forte do parnasianismo, porque eles criticavam demasiadamente os românticos, porque tinha aquele negócio de "aí eu tô sofrendo, como dói e agora vou escrever", "aí agora que eu tô inspirado porque eu tô sofrendo".
E para eles isso é um absurdo, porque para o parnasiano a pessoa que escreve uma poesia boa é uma pessoa que pensa no que vai escrever, que escreve com palavras perfeitas, tem um trabalho arduo para poder pensar na poesia. Não o negócio me inspirei e inscrevei. Então eles eram anti-romantismo e negava exageros sentimentais do romantismo.
Isso não quer dizer que eles não vão ter poesias que vai tratar de amor, sentimentozinho. Mas sempre de uma maneira bem branda quando acontece. Predominante uma poesia descritiva.
Tem uma poesia do Olavo Bilac chamada "Satânia", que ele vai descrever nos mínimos detalhes o pé da mulher. A pequenina ponta, do pequenino pé macio e branco. É insuportável essa parte.
Então tem muita descrição e inclusive objetividade. Temos que tomar muito cuidado com a palavra objetividade na literatura, porque isso não quer dizer curto. A objetividade na literatura, na poesia, significa ausência de eu lírico.
A maioria das poesias parnasianas não tem eu lírico. Preciosismo vocabular, que é você escolher palavras perfeitas, bem bonitas, eruditas poder colocar na sua poesia. Arte pela arte é o seguinte para o parnasiano não podia misturar arte com temas sociais.
Espera aí que tá acontecendo um problemão aqui no Brasil, as pessoas não tem onde morar, os cortiços sendo queimados. Eu não vou misturar jamais a arte, que tem que ser bonita e pomposa com problemas sociais. Então a arte pela arte.
Preocupação formal. A forma preferida dos parnasianos é o soneto. Normalmente, eles vão escrever com versos decassílabos.
Dez sílabas poéticas do início ao fim. Bom no Brasil, quem foi que representou o parnasianismo? Olha só cada cara mais lindo que o outro.
Alberto de Oliveira, Raimundo Correia, Olavo Bilac. Olavo Bilac era considerado o príncipe da poesia, o mais famoso, de certo modo? E por ironia do destino, certa feita, ele criticou Augusto dos Anjos, dizendo que não é grande coisa.
Mas a poesia de Augusto dos Anjos, que é pré-modernista, é muito mais lida que a poesia dele: parnasiana. Bom, Raimundo Correia, que eu mais gosto é o menos ortodoxo. É o menos parnasiano, ele tem uma pegada até um pouco simbolista.
Ele vai ser o poeta pessimista. Você que sofre por conta de um amor que não foi correspondido, ele vai dizer justamente que o amor que foi embora não vai voltar. Então esqueça.
Ele é bem pessimista. Tem um poema lindo dele chamada "Anoitecer", procure depois, me conte se é bom ou não. Alberto de Oliveira é o mais ortodoxo, é o mais certinho.
Tem ausência de temática. Ele vai escrever sobre objetos, vaso chinês, vaso grego, sobre o artista que faz o vaso, sobre túmulo. Enfim.
. . Imagina lá você posta foto no instagram coloca você lá na praia, com a roupa lá sensual e coloca o texto: vi o vaso casualmente, no mármore luzidio.
Que linda frase, a legenda. Então assim não é um tipo de poesia que a gente pra para poder ler, para poder buscar. Meio que ficou no passado, exceto umas poesias ou outras, certo?
Vamos aqui para exemplos, para vocês entenderem melhor o que eu tô falando de poesia que fala sobre a arte pela arte, ausência de temática. Esse aqui é um trecho do "Vaso Chinês", que é do Alberto de Oliveira, o mais certinho aí dos parnasianos. Estranho mimo aquele vaso!
Vi-o, Casualmente, uma vez de um perfumado; Contador sobre o marmor luzidio; entre o leque e o começo de um bordado. Gente é sobre o objeto. Se você fosse parnasiano, hoje o século 21, qual objeto que você escolheria?
Pense aí. Imagine! E "Profissão de fé" aqui para o Enem é maravilhoso compreender, que o Enem adora trabalhar com metalinguagem, com metapoesia.
Aqui é um trechinho de poesia do Olavo Bilac, "Profissão de fé". Você vê que ele leva tão a sério produzir poesia que olha o nome da poesia. Invejo o ourives quando escrevo; imito o amor com que ele, em ouro, o alto relevo faz de uma flor; imito-o e, pois, nem de carrara; a pedra firo; o alvo cristal, a pedra rara; o onix prefiro.
Ele compara o ato de escrever com o trabalho de ourives, aquele que ajeita o ouro, vai moldando. Aqui nós temos a metalinguagem e a metapoesia porque é um poema que vai falar sobre o fazer poético. Então essa foi a aula sobre o parnasianismo.
Assista os outros vídeos também. Até a próxima!