Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos e irmãs, com grande alegria nós celebramos a solenidade de São José, Padroeiro da Igreja Universal, nosso grande protetor.
Vejam, celebrar São José no meio da Quaresma é uma grande alegria, é uma espécie de parêntese no nosso tempo de penitência e de austeridade, mas sobretudo, celebrar São José neste ano da misericórdia é, para nós, olhar para a grande bondade de Deus que nos dá protetores tão bons e tão santos, como a Virgem Maria e como São José. Vejam, depois da Virgem Santíssima, não existe pessoa humana mais santa do que São José e isto é muito fácil de demonstrar, ou seja, veja, como é que uma pessoa alcança a santidade? A pessoa alcança a santidade através do contato com o Cristo que é o Verbo Eterno, que é a Palavra de Deus Encarnada, então, Jesus vivia com José, mas não é que vivia com José do mesmo jeito que Ele vivia com aquele povo de Nazaré, nada disso, nós sabemos, a própria Sagrada Escritura nos atesta que São José era justo, agora, pense comigo, como é possível que um justo, um homem justo e santo, conviva no dia a dia, na mesma casa, debaixo do mesmo teto com o Verbo Eterno que se fez carne e não se santifique e não vá progredindo na santidade até alcançar uma santidade estonteante, uma santidade inigualável, porque é como se ele tivesse a comunhão, a Eucaristia o tempo todo.
E a intimidade de Jesus com São José? A intimidade de Jesus com aquele que Ele chamava de pai, sim, nós sabemos disso, sabemos que Jesus chamava São José de Pai, embora soubesse perfeitamente que José não era o seu pai biológico, quando Jesus se perde e é reencontrado no Templo entre os doutores, a Virgem Santíssima olha para Jesus e diz: "Teu pai e eu te procurávamos", teu pai e eu, era com José que Jesus convivia na carpintaria, no dia a dia, num convívio e numa harmonia, numa sintonia de coração, por isso que o culto a São José não é um culto igual aquele dos outros santos. A Igreja ao longo dos séculos foi aumentando esta consciência, é interessante como a consciência da Igreja progride, ou seja, o depósito da fé, a nossa fé é a mesma desde o tempo dos apóstolos, mas a Igreja vai tomando consciência de sua própria fé conforme o amadurecer dos tempos, o Espírito Santo não deixa de agir dentro da Igreja, por isso que Jesus diz que o Reino dos céus é como um homem que tira do seu tesouro coisas novas e velhas, naquele tesouro da Igreja, a Igreja vai tomando consciência das coisas, por exemplo, levou 20 séculos para a Igreja amadurecer a convicção inabalável de que a Virgem Santíssima tinha subido aos céus, o dogma que foi declarado em 1950, a Igreja creu nisso a dois mil anos, não há interrupção, a Igreja cria, mas a Igreja vai aumentando crendo e aumentando o grau de consciência da sua fé.
Uma coisa é crer, outra coisa é aumentar o grau de consciência da fé, pois bem, a mesma coisa se dá com São José, ou seja, o grau de consciência do que a Igreja cria com Jesus foi aumentando, aumentando, os primeiros concílios trataram de Jesus, depois, ao longo dos séculos, foi aumentando a consciência com relação à Virgem Maria, agora nós estamos vivendo o tempo de São José, nós estamos vivendo um tempo em que os teólogos e a Igreja vai aumentando a consciência da grandeza deste homem que no evangelho discretamente e tão silenciosamente. Nós costumamos chamar a Virgem Maria de Virgem do Silêncio, na verdade, é São José, o silencioso, não existe nenhuma palavra da Bíblia que diga assim: E então José disse, dois pontos, abre aspas e uma frase que nós sabemos que saiu da boca de São José, isso não existe, ele silenciosamente estava lá, mas esse silêncio vai se rompendo com os séculos e nós vamos começando a enxergar a grandeza, a dignidade de José, a grandeza de sua missão de proteger o Filho de Deus e, portanto, o grande poder que São José tem contra os demônios, a santidade e a pureza de José que convivia com a Virgem Santíssima e Castíssima e pôde tocar no Corpo Santíssimo de Nosso Senhor Jesus Cristo, o quanto ele, como pai, pôde ter intimidade e foi sendo santificado, como as graças atuais eram abundantíssimas na vida de São José por estar ali convivendo no dia a dia com o Verbo Eterno. É por isso, então, que a Igreja têm nomes especiais para as coisas, para mostrar a grandeza de São José, culto que nós prestamos a Deus chama-se adoração, o culto que nós prestamos aos santos chama-se dulia, esta linguagem é universal, mas se você quiser distinguir, já que nem todos os santos estão no mesmo nível, nós podemos dizer que o culto à Virgem Maria é uma hiperdulia porque a Virgem Maria tem uma santidade incomensurável, maior do que todos os santos juntos, mas de todos os santos, o primeiro depois da Virgem Maria é São José e nós podemos então usar a palavra proto-dulia e dizer que São José é o primeiro a quem nós devemos venerar.
Vamos então renovar a nossa devoção a São José, que o nosso coração se alegre e que no meio desta Solenidade, dessa grande alegria, nós peçamos a Deus as graças de termos São José do nosso lado. Santa Teresa d'Ávila, que tinha grande devoção a São José, disse assim que ela não se cansava de recomendar às suas filhas grande devoção a São José e no Livro da Vida ela diz: "São muitas as graças que eu alcancei através da intercessão desse Santo Patriarca". São José, nosso pai e senhor, sim, pai e senhor, porque Jesus o chamava de pai e porque Jesus obedecia a ele, portanto, senhor.
Podemos dizer, São José é pai e senhor, ele cuide de nós, vele por nós, já que ele cuidou da Igreja nascente, do Cristo e da Virgem Maria, continue cuidando agora da Igreja que, militante, luta e luta neste mundo para se manter fiel a Deus. Deus abençoe você. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.