Em uma noite de fevereiro de 1784, nas sombras de um castelo esquecido na fronteira entre a Alemanha e a França, um homem que já deveria estar morto segurava uma pena de ouro sobre páginas em branco. Suas mãos não tremiam. Seus olhos, diziam os que os viram, brilhavam com a luz de quem havia atravessado o véu entre os mundos.
Ele sabia que estava escrevendo sua própria sentença de morte ou talvez sua última prova de imortalidade. O Conde de Saint-Germain molhou a pena em uma tinta que ninguém jamais conseguiu replicar, uma substância que mudava de cor sob a luz da lua, que resistia ao fogo, que parecia viva, e começou a escrever o que nunca deveria ter sido revelado, 140 páginas, cada uma delas uma confissão, cada palavra um segredo guardado por milênios. Quando o manuscrito foi encontrado três meses depois, o corpo de Saint-Germain havia desaparecido.
Oficialmente, ele morreu em 27 de fevereiro daquele ano, mas nenhum cadáver foi enterrado, nenhum funeral foi realizado.