Há um jeito de transformar o oceano numa fonte ilimitada de energia. Você só precisa de algo assim. .
. de água bem quente e água bem fria. Assim, é possível produzir energia renovável 24 horas por dia.
E o princípio básico já é conhecido há mais de 100 anos. Mas será que isso pode satisfazer nossa sede de energia renovável? Esta tecnologia promissora é chamada de Conversão de Energia Térmica Oceânica.
OTEC, na versão curta. Térmico significa que o processo aproveita a diferença de temperatura entre água quente e fria. A água da superfície do oceano pode ser bem quente, porque é aquecida pelo sol.
Em zonas tropicais, a temperatura pode ter até cerca 26 graus celsius. Mas, quanto mais fundo você vai – e todo mundo que nada num lago ou mergulha no mar passa por isso – a água vai ficando mais fria. A mil metros de profundidade, a temperatura chega a uns 4 ºC.
E é essa diferença de temperatura que a Conversão de Energia Térmica Oceânica utiliza. Mas, como gerar energia a partir disso? O processo é simples.
Você precisa de um permutador de calor. A água quente da superfície aquece um fluido que tenha um ponto de ebulição baixo. Normalmente é amônio.
O líquido evapora, criando vapor, e esse vapor aciona uma turbina, gerando eletricidade – parecido com uma máquina a vapor comum. Em seguida, o vapor é resfriado pela água do mar profundo, voltando ao estado líquido, e o ciclo se repete. O processo pode funcionar por 24 horas, 7 dias por semana, ao contrário de outras fontes de energia renovável como a eólica ou solar.
E quando se tem uma grande diferença de temperatura, com água bem quente, o processo pode funcionar mais rápido e produzir ainda mais energia. As bases para essa tecnologia foram estabelecidas em 1881 pelo físico francês Jacques d’Arsonval. O aluno dele Georges Claude foi quem construiu a primeira usina OTEC, em Cuba, em 1930, mas sem sucesso.
Mais tarde, o interesse pela OTEC aumentou quando os preços de combustível explodiram com a crise do petróleo. Em 1980, o presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, assinou uma lei para garantir a produção de 10. 000 megawatts de eletricidade com tecnologia OTEC nas duas décadas seguintes.
O problema aqui é que é necessário trazer a água fria do fundo do mar até a superfície ou terra firme, onde fica o permutador de calor. E isso é feito através de tubos com mais de dois quilômetros de extensão. Atualmente existem duas usinas de pesquisa em terra firme.
Uma na Ilha de Kume, no Japão, com 100 quilowatts. E outra no Havaí, nos Estados Unidos, com 105 quilowatts. Especialistas franceses planejavam inaugurar uma central de 16 megawatts em 2020, na Martinica, mas o projeto foi arquivado devido a dificuldades técnicas.
Existiram outras centrais de pesquisa em vários lugares, mas não por muito tempo. Isso também significa que, até agora, a produção contínua de energia OTEC é mínima ou quase inexistente. Só para comparar, em relação à usina-piloto de 100 quilowatts que falamos antes, uma única turbina eólica offshore tem uma capacidade 100 vezes maior.
Apesar de não ser uma ideia nova, essa tecnologia ainda está engatinhando. A maioria das usinas-piloto estão em terra firme. Este é Hermann Kuegler, da Makai Ocean Engineering.
A companhia vem desenvolvendo peças para a tecnologia OTEC no Havaí desde 1979. Indo mar adentro, é possível instalar múltiplas plataformas OTEC, próximas umas das outras - como nos parques eólicos em alto-mar. Este é Benjamin Martin.
Ele trabalha na usina OTEC do Japão. Mesmo com vários fluxos de receita, os custos ainda são mais do que o dobro do preço de outras energias renováveis. A construção complicada de tubulações submarinas afasta até grandes investidores.
Mas, antes de entrar nisso. . .
…vamos ver onde esta tecnologia pode ser aplicada. O principal fator limitante é a necessidade de uma grande diferença de temperatura entre a água do mar superficial e profunda. Águas superficiais quentes estão disponíveis o ano inteiro na zona equatorial tropical.
Isso é fundamental, porque uma menor diferença de temperatura significa uma menor produção de energia. Este é Dan Grech. A empresa dele pretende construir a maior plataforma OTEC até agora, uma central de 1,5 megawatt, em São Tomé e Príncipe.
Muitas destas ilhas próximas ao Equador dependem de energia gerada a diesel. A OTEC mudaria isso. Estudos mais antigos estimam que, desconsiderando os obstáculos práticos e financeiros, a OTEC poderia suprir toda a demanda energética do mundo.
Hipoteticamente. Mas antes que a OTEC possa produzir pelo menos uma fração de terawatt-hora, deve superar grandes obstáculos. O preço potencialmente enorme e difícil de calcular é o primeiro.
Hoje, estimativas de custo para uma usina OTEC de 100 megawatts podem variar de US$ 780 milhões a US$ 1,5 bilhão. E uma das maiores incógnitas é. .
. Hoje em dia, canos de plástico rígido com dois a três metros de diâmetro são muito comuns. Mas para uma usina de 100 megawatts, eles precisam ser pelo menos quatro vezes maiores.
E canos dessa dimensão ainda não existem na indústria. É complicado porque o tubo precisa ser estável e flexível ao mesmo tempo, para não partir quando for atingido por ondas ou correntes. A prova dessa dificuldade é que uma central OTEC flutuante perto de Tamil Nadu, na Índia, fracassou também por causa de falhas na tubulação de água fria.
E ainda que a central funcione perfeitamente, tempestades podem destruir tudo. Foi o que aconteceu com uma das primeiras usinas-piloto, em 1930. Essa incerteza afastou até mesmo empresas com receitas superiores a US$ 40 bilhões.
Lockheed Martin ia desenvolver na China a maior usina OTEC até hoje, mas abandonou o projeto devido aos custos. Mas há margem para melhorias. Por exemplo, os permutadores de calor.
Outra questão é o efeito sobre o meio ambiente. Pois o processo movimenta quantidades absurdas de água do oceano. Estamos falando de 4,3 bilhões de quilos de água quente e de 2,2 bilhões quilos de água fria por dia, para uma usina de pequeno porte.
Isso equivale a 16 milhões de banheiras cheias de água. Há muitas dúvidas sobre a tecnologia OTEC: aspectos econômicos, impactos ambientais, tubulações para água fria. As usinas atuais são efetivamente pequenas demais para esclarecer algumas dessas questões.
Além disso, muito pouco aconteceu nos últimos dez anos. Então, enquanto não houver um investimento sério, com muito dinheiro, a tecnologia OTEC não deve decolar tão cedo. Se você gostou do vídeo, comente, curta, compartilhe e se inscreva em nosso canal.
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