Se você, assim como eu, também acha que Breaking Bad é uma série maravilhosa, já deve ter ouvido falar bastante sobre a metanfetamina. As anfetaminas são um tipo de droga parecida e elas serão o foco do nosso vídeo de hoje. Eu sou o André, tenho um doutorado em psicologia e hoje, com a ajuda do amigo e psicólogo Victor Keller, quero te explicar o que são as anfetaminas, quais são os seus efeitos, como elas podem ser usadas no tratamento de algumas condições e o quão perigosas elas são.
Se você achou interessante o tema de hoje, deixa aquele like maroto, já se inscreve no canal e aproveita para se inscrever no nosso canal de vídeos curtos, o Segundos Psíquicos! Você encontra o link dele aqui embaixo, na descrição do vídeo. As anfetaminas são um grupo de substâncias sintéticas que, quando consumidas por alguém, são capazes de acelerar o funcionamento do sistema nervoso central.
Por isso, é comum dizer que elas têm um efeito estimulante. A primeira anfetamina foi sintetizada em 1887, mas foi durante a segunda guerra mundial que ela passou a ser usada em maior escala. Os soldados que a consumiam demonstravam menos cansaço, apetite e sono, o que era uma vantagem no meio de uma guerra.
O consumo de anfetaminas pode provocar um aumento nos batimentos cardíacos, na pressão arterial e na temperatura corporal. Também é comum que a pessoa se sinta mais alerta, focada, eufórica, confiante, extrovertida e agressiva. Além disso, muitos relatam um aumento na libido e uma redução tanto no sono quanto no apetite.
Esses efeitos podem surgir rapidamente ou em cerca de 30 minutos a depender do método de ingestão, podendo durar por horas depois que a pessoa interrompeu o consumo. Quais efeitos alguém irá sentir depende de alguns fatores, como a altura da pessoa, o seu peso, o seu histórico prévio de consumo da substância, a dose consumida e o método de ingestão, por exemplo. Quanto ao método de ingestão, os principais são o intravenoso, as cápsulas e a inalação, sendo que o intravenoso causa efeitos mais rápidos.
Os efeitos também podem ser mais intensos e variados caso a pessoa consuma outras substâncias na mesma ocasião. Um problema com as anfetaminas é que elas têm um grande potencial de gerar um vício. Esse tipo de substância pode estimular de forma relativamente rápida a tolerância e sintomas de abstinência.
Isso significa que, para conseguir o mesmo "barato", a pessoa precisa rapidamente começar a tomar doses cada vez maiores e períodos mais prolongados sem o consumo da substância podem deixar a pessoa muito mal e motivá-la a consumí-la novamente. Além dos problemas que qualquer vício costuma trazer para a vida de alguém, o abuso de anfetaminas também pode trazer outros problemas de saúde. Alguns exemplos disso são um risco mais elevado de desenvolver problemas como a arritmia, a hipertensão, o AVC e dificuldades no sistema nervoso central, como confusão, agitação, tremores e sintomas psicóticos.
Pode ocorrer a hiperpirexia, que é a elevação extrema da temperatura corporal e isso pode até levar a danos neurais. Quando a pessoa utiliza uma seringa para inserir a substância na sua corrente sanguínea, existe um risco maior dela desenvolver uma infecção, o tétano ou danos em vasos sanguíneos. Se a seringa for compartilhada, também há um maior risco de contrair a hepatite B, C ou o HIV.
O risco de complicações ou de overdose depende principalmente da dose e do método de ingestão. O mais arriscado é o intravenoso, ou seja, quando a pessoa dissolve a droga em um líquido e o injeta em si através de uma seringa. Esse método é mais perigoso porque, através dele, a substância alcança a corrente sanguínea e o cérebro de maneira mais rápida e intensa.
Quando consumidas de forma excessiva, crônica, intravenosa e em conjunto com outras drogas, as anfetaminas podem induzir alguém ao coma ou até à morte, só que mesmo sendo uma substância tão potencialmente danosa, hoje sabemos que ela também pode ter usos terapêuticos. Afinal de contas, alguns dos efeitos das anfetaminas se relacionam com sintomas presentes em algumas condições, como a pressão baixa, a dor crônica, a narcolepsia e o TDAH, por exemplo. Diversos estudos já demonstraram que consumir anfetaminas sob certas condições pode de fato ajudar pessoas vivendo esses transtornos sem causar os prejuízos que mencionamos antes.
Em grande parte, isso é possível porque o uso terapêutico das anfetaminas costuma envolver a administração de doses regradas e bem baixas da substância aos indivíduos. Não é como se os participantes dessas pesquisas estivessem liberados para consumir anfetminas como bem entendessem. Eles precisam consumir uma quantidade exata por dia e durante um período pré-estabelecido.
Só para você ter uma noção, as doses usadas por quem consome anfetaminas de forma recreativa e ilegal podem ser de 10 a 100 vezes maiores do que as usadas nos estudos sobre os usos terapêuticos delas. Consumir doses tão elevadas assim obviamente aumenta muito as chances de alguém vivenciar problemas de saúde. Uma das condições cujo tratamento pode se beneficiar das anfetaminas é a narcolepsia.
Ela é um transtorno no qual os ciclos do sono ficam muito desregulados e a pessoa passa a se sentir sonolenta com muito mais frequência e intensidade. Esse sono arrebatador pode surgir em momentos perigosos, como enquanto a pessoa dirige, por exemplo. As anfetaminas são capazes de manter alguém acordado por mais tempo, o que pode ajudar a pessoa a regularizar o seu sono.
Alguns estudos sugerem que elas também podem ser úteis no tratamento do TDAH. Como falei antes, as anfetaminas são capazes de deixar alguém mais alerta e focado, além de melhorar o raciocínio e a memória. Alguém com TDAH que consiga se concentrar com maior facilidade pode vivenciar muitas melhorias na sua vida.
Não é à toa que, hoje em dia, além da Ritalina, outro medicamento muito utilizado no tratamento do TDAH é o dimesilato de lisdexanfetamina. Presta atenção nesse nome: dimesilato de lisdexanfetamina, mais conhecido como Venvanse, entre outros nomes comerciais. Esse medicamento é um tipo de anfetamina.
Embora o principal composto químico presente na Ritalina seja o metilfenidato e ele não seja uma anfetamina, esses dois compostos químicos possuem muitas semelhanças. Uma substância na qual muitos pensam quando ouvem falar de anfetaminas é a metanfetamina. Ambas possuem estruturas químicas parecidas e efeitos estimulantes no sistema nervoso, mas existem diferenças entre elas.
A metanfetamina é uma droga derivada das anfetaminas e é bem mais perigosa, já que ela tem um potencial muito maior de dar início a um vício e a sua ação é mais intensa do que as outras anfetaminas. Uma pequena dose de metanfetamina é capaz de produzir efeitos mais fortes do que uma dose comparativamente maior de anfetamina em uma mesma pessoa. Como consequência, ela pode gerar danos mais graves e duradouros na vida de alguém.
Por isso, diferente das anfetaminas, a metanfetamina raramente é usada para fins terapêuticos. Aqui no Brasil, o uso de anfetaminas e de outros estimulantes é permitido apenas com prescrição médica. Isso por que o médico deve avaliar se a inclusão dessa substância tem potencial de trazer mais benefícios do que riscos para cada pessoa.
Por isso, mesmo alguém com narcolepsia ou TDAH só deveria utilizá-las como parte do tratamento se um médico recomendar. Por conta dos seus efeitos, as anfetaminas também são usadas ilegalmente de forma recreativa ou para aumentar a performance. Muitas pessoas têm buscado medicamentos sem orientação médica para melhorar o seu desempenho nos estudos, por exemplo, já que sentem uma melhora na concentração e no raciocínio depois de consumí-los.
Fazer isso sem orientação médica não é recomendável, já que os efeitos de alguns medicamentos só serão realmente visíveis em pessoas que possuem déficits consideráveis, como alguém com TDAH. Além disso, fazer isso pode prejudicar a saúde e a performance nos estudos por conta de efeitos colaterais indesejáveis que podem resultar do uso inadequado do medicamento. Apesar do uso terapêutico envolver baixos riscos de complicações graves, muitos vivenciam efeitos colaterais passageiros.
Por exemplo, algumas pessoas relatam um nívelde agitação maior do que o normal ou batimentos cardíacos mais acelerados. Se esse for o seu caso, fale com o seu médico sobre isso. As anfetaminas têm um grande potencial para ajudar pessoas que vivem diferentes problemas de saúde, só que quando usadas de forma recreativa ou sem a orientação médica, elas representam sim um grande risco à saúde.
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