Ela só queria ser valorizada, foi pedir um aumento. Mas o dono da empresa fez outra proposta, uma proposta que não envolvia números, mas sim olhares prolongados, silêncios que queimam e um desejo que nenhum contrato explicaria. Ele era frio, inalcançável.
Mas quando ficaram a sós, ela percebeu que havia algo por trás daquela postura dura, algo que a olhava, como nenhuma planilha jamais faria. E o que deveria ser uma simples negociação virou uma história onde o controle escapa pelas mãos. Você já sentiu que alguém te viu de verdade?
Já se entregou a algo que começou com palavras, mas terminou em pele, em sentimento, em escolha? Então, não saia daqui, aperte o play e sinta o que acontece quando uma proposta profissional se transforma numa proposta de alma. Inscreva-se no canal para não perder nenhuma história como essa, porque algumas propostas mudam tudo.
O som dos saltos de Bianca ecoava pelo corredor envidraçado da Lessa Group, mas o que realmente fazia barulho era seu coração. Ela segurava a planilha com firmeza, os dedos úmidos pelo suor da tensão. tinha ensaiado cada palavra, mas ainda assim sentia que estava prestes a saltar no escuro.
O escritório de Daviessa era logo ali, amplo, elegante e sempre fechado como o próprio dono. Ela respirou fundo antes de bater. Precisava fazer aquilo por si mesma primeira vez.
Davi levantou os olhos do notebook quando ela entrou, mantendo a expressão neutra. Sua presença era imponente até no silêncio. Usava uma camisa branca impecável, sem gravata, mangas dobradas e um relógio sofisticado no pulso esquerdo.
Bianca o cumprimentou com voz firme, mas o olhar dela vacilou ao encontrar os olhos escuros dele, intensos, atentos, quase duros. Preciso conversar com o senhor sobre meu cargo e salário. Ela começou tentando ignorar o frio na barriga.
Ela explicou cada ponto com clareza, mostrando números, entregas, resultados. Os olhos de Davi não desgrudavam dela, mas sem interromper. Quando terminou, esperou segundos que pareciam minutos.
Ele se recostou na cadeira, entrelaçou os dedos e murmurou: "Você sabe o que quer? Isso é bom. Bianca a sentiu confusa, mas foi o que ele disse em seguida, que fez seu estômago revirar.
Mas eu não acho que o que você precisa é só um aumento? Ela piscou sem entender. Como assim?
Questionou, sentindo o chão sair um pouco dos pés. Ele se levantou e caminhou até a janela. Quero te fazer outra proposta.
Uma que exige mais de você, mas que pode mudar tudo. Bianca acompanhou cada passo dele com os olhos, tentando interpretar o que estava por trás daquelas palavras. Davi se virou devagar.
Preciso reorganizar uma das nossas unidades no interior. Quero você ao meu lado, diretamente comigo por 30 dias. A proposta parecia absurda, mas o tom dele era sereno, profundo, sem qualquer ironia.
"Você quer que eu viaje com você por um mês? ", ela repetiu incrédula. "Sim, longe dos escritórios, longe das distrações.
Quero ver como você trabalha. " Sem filtros. O olhar dele segurava o dela com firmeza.
Bianca hesitou. Aquilo não estava nos planos, mas algo nela, talvez o instinto, talvez a curiosidade, disse que havia mais por trás daquela proposta. "Se eu disser não", ela arriscou.
Ele caminhou até sua mesa, pegou um cartão com endereço e pousou à frente dela. Você pode continuar aqui, mas vai passar o resto da vida se perguntando como seria se tivesse aceitado. Bianca pegou o cartão, ainda sem dizer nada.
Seu coração batia forte, mas agora por outro motivo, um frio diferente na espinha. Ela se levantou, agradeceu e saiu. Precisava pensar.
Naquela noite não conseguiu dormir. O rosto dele surgia toda vez que fechava os olhos. Ela tentou racionalizar, era só uma proposta profissional, mas o jeito como ele a olhou, como se a visse pela primeira vez, a perturbava.
O cartão ainda estava na bolsa, mas parecia pesar o dobro. Pensou na mãe, na irmã, nas contas. Pensou em si.
E se for minha chance? ", sussurrou para o teto escuro do quarto. Na manhã seguinte, com o sol aquecendo levemente os lençóis, Bianca tomou uma decisão.
Fez amá sem pensar duas vezes. Escolheu roupas simples, mas que mostravam quem ela era. Profissional, mas mulher, forte, mas sensível.
pegou o cartão, digitou o endereço no GPS e respirou fundo antes de dar partida no carro. A estrada parecia uma metáfora do que viria, longa, silenciosa e cheia de curvas desconhecidas. Quando chegou à casa de campo, ficou alguns segundos parada diante do portão.
Era uma construção elegante, discreta, rodeada por árvores. Não havia porteiro nem recepção, apenas um interfone e a voz grave dele dizendo: "Pode entrar". O portão abriu lentamente e Bianca, com o coração acelerado, cruzou o limite entre o que conhecia e o que estava prestes a sentir.
Ela ainda não sabia, mas aquele pedido por um simples aumento seria o início de algo que tocaria não só sua carreira, mas cada parte do seu corpo e do seu coração. E ali naquela casa afastada de tudo, ela conheceria uma versão de si mesma que jamais imaginou existir. O portão se fechou lentamente atrás de Bianca, como se selasse o início de algo que não teria mais volta.
Ela dirigiu devagar até a entrada da casa, onde Davi já a esperava. Usava jeans escuros e uma camisa azul dobrada nos cotovelos. Os olhos dele a acompanharam o tempo todo, mas não disseram nada.
Bianca saiu do carro tentando parecer firme, mas por dentro era um vendaval. "Bem-vinda", ele disse com a voz baixa, abrindo a porta e se afastando para deixá-la entrar. O interior da casa era amplo, com cheiro de madeira antiga e café fresco.
As janelas deixavam a luz do fim da tarde escorrer pelas paredes brancas e o silêncio era tão intenso que ela podia ouvir sua própria respiração. Davi mostrou-lhe o quarto simples, com cama de casal, uma escrivaninha e vista para o bosque. Bianca agradeceu com um sorriso contido e ele apenas a sentiu.
havia algo nele que a desconscertava, o controle, o jeito de falar pouco, mas dizer tudo com os olhos. Mais tarde, Bianca foi à cozinha em busca de água. Usava uma camiseta de algodão e shorts de tecido leve.
Pensou estar sozinha até notar Davi, sentado à mesa com um copo de vinho nas mãos. Ele a observava em silêncio, como se analisasse mais do que seu rosto. "Você se adaptou rápido", ele comentou.
Ela deu um meio sorriso. "Tenho facilidade com ambientes novos. " Ele levantou uma sobrancelha.
"Veremos. " Aquilo não era só uma conversa casual, era um jogo velado. Na manhã seguinte, Bianca acordou antes do sol, vestiu uma camisa de linho e prendeu o cabelo em um coque leve.
Na cozinha colocou café para passar, cortou frutas e preparou um pão na chapa. Estava distraída a cantar olando, uma música baixa quando ouviu passos lentos atrás de si. sentiu um arrepio.
Quando se virou, Davi estava ali encostado no batente da porta, com as mangas ainda dobradas e os olhos fixos nela. "Você sempre canta quando está relaxada? ", ele perguntou com um leve sorriso nos lábios.
Bianca deu de ombros levemente, sem graça, só quando esqueço que tem alguém por perto. Davi se aproximou devagar, pegou uma caneca e serviu o próprio café. Os movimentos dele eram firmes, quase sensuais de tão naturais.
Sentaram-se frente à frente na mesa de madeira clara. Ela manteve o olhar na xícara, mas sentia o dele queimando sobre sua pele. "Você parece outra pessoa fora do escritório", ele disse, sem rodeios.
"E você parece mais humano longe da sua sala de vidro". A conversa seguiu morna como: "O café, sem formalidade, sem filtros". Davi falava pouco, mas escutava com intensidade.
Bianca, aos poucos, baixava a guarda. Riam de uma lembrança dela na faculdade, quando por instinto, ambos estenderam a mão ao mesmo tempo para pegar o pote de açúcar. Os dedos se tocaram.
Foi breve, mas intenso. Bianca retirou a mão com um pequeno arrepio. Davi não moveu a dele, apenas a encarou.
Ali, naquele toque quase sem intenção, havia algo que nenhum deles podia ignorar. Depois do café, Bianca organizou alguns documentos e Davi apresentou a rotina do dia. Estariam revisando os contratos da filial e ajustando detalhes do novo projeto, mas a tensão pairava no ar, entre planilhas e cafés trocados.
Às vezes os olhos dela se encontravam com os deles sem querer e nenhum dos dois desviava. O ambiente era profissional, mas os corpos contavam outra história. O desejo estava no ar, mesmo sem ser nomeado.
À noite, Bianca saiu até a varanda. O céu estava limpo, a lua iluminava o jardim com suavidade. Ela se sentou na espreguiçadeira e puxou o casaco sobre os ombros.
O vento era leve, mas gelado. Poucos minutos depois, Davi apareceu silencioso, como sempre. Sentou-se ao lado, não muito perto, mas próximo o suficiente para que ela sentisse seu perfume amadeirado, misturado ao cheiro da noite.
"Gosta do silêncio? ", ele perguntou. "Aprendi a gostar", ela respondeu.
Ele revela o que as palavras escondem. Houve uma pausa longa. O som distante de grilos, as respirações se sincronizando sem que percebessem.
Até que Davi se inclinou um pouco, os olhos fixos nela. Você me intriga, Bianca. Ela virou o rosto lentamente em direção ao dele.
Estavam perto, muito perto. Os olhos se encontraram. Havia algo prestes a acontecer, mas ambos pararam ali, como se sentissem que o momento certo ainda viria.
Mesmo assim, a noite não seria esquecida. O silêncio dessa vez falou mais alto que qualquer beijo e foi assim que começou com um café, um toque, um olhar prolongado sob a luz da lua e a certeza de que aquele mês mudaria tudo. A noite parecia ter congelado aquele instante entre Bianca e Davi.
Mesmo sem encostar nela, ele havia tocado algo profundo. Talvez sua coragem, talvez sua carência. Quando ela se recolheu, o perfume dele ainda a acompanhava pelo corredor.
Deitou-se sem sono, ouvindo o som do vento lá fora, a pele ainda quente onde ele havia parado o olhar. Sentia como se algo tivesse começado, mesmo que nada de fato tivesse acontecido. Na manhã seguinte, os dois evitaram falar sobre a noite anterior.
A rotina voltou com a mesma pontualidade. reuniões breves, planilhas compartilhadas, olhares cruzados que falavam mais do que os diálogos. Bianca tentava se manter focada, mas era como andar sobre um campo magnético.
A presença dele a puxava mesmo quando ele não estava na sala. Bastava o som dos passos, o toque dos dedos dele ao passar uma folha e seu corpo reagia. Davi também parecia diferente, mais atento aos detalhes, menos impessoal, um elogio discreto aqui, uma pausa mais longa no olhar ali.
Ao final do expediente, ele a convidou para revisar alguns contratos antigos na biblioteca da casa. O cômodo era forrado de livros e cortinas escuras, com uma lareira acesa que aquecia o ambiente. Ela aceitou, apesar do coração querer correr para longe ou para mais perto, ela não sabia mais.
Enquanto analisavam os documentos, sentados lado a lado no sofá de couro marrom, os joelhos quase se tocavam. A iluminação era baixa, amarelada. O calor da lareira misturava-se ao calor interno que Bianca tentava controlar.
Em determinado momento, ela se inclinou para pegar uma pasta e sua perna roçou na dele. Não foi intencional, mas também não foi recuo. Ele permaneceu imóvel e ela sentiu o olhar dele em sua nuca.
Bianca se virou devagar. Estavam mais próximos do que pareciam. Os olhos de Davi desceram até os lábios dela.
A respiração dos dois ficou visivelmente alterada. Ninguém dizia nada, mas os corpos diziam tudo. Ele passou os dedos levemente sobre o papel, mas era ela quem ele tocava com o olhar.
Você sabe o que está fazendo comigo? Ele sussurrou quase sem voz. Ela não respondeu, apenas olhou de volta, sem desviar.
O silêncio se quebrou com o som de um trovão distante. A chuva começou a cair do lado de fora, trazendo umidade para o ar. Bianca se levantou, indo até a janela, fingindo que precisava de distância.
Mas Davi a seguiu. Ela sentiu quando ele se aproximou por trás, sem encostar, mas tão perto que podia sentir o calor do corpo dele. O reflexo dos dois no vidro mostrava o quanto estavam próximos de algo que não podia mais ser ignorado.
Davi, a voz dela saiu baixa, quase um aviso, quase um pedido. Ele encostou a mão na moldura da janela ao lado do rosto dela, ainda sem tocá-la. "Eu nunca fui bom em manter distância quando quero algo", ele disse com a voz mais rouca que o normal.
Bianca virou o rosto lentamente e encarou os olhos dele. "E o que você quer agora? ", perguntou.
Ele demorou dois segundos para responder, saber se você sente o mesmo. Foi ela quem se moveu primeiro. Um passo, um olhar mais fundo, um silêncio entregue.
Os lábios se encontraram em um beijo lento, sem pressa, como se já tivesse sido ensaiado em outras vidas. Era firme, mas delicado, sem invadir, apenas sentir. As mãos dele subiram até o rosto dela com cuidado, como se ela fosse feita de algo precioso.
O beijo se prolongou com um toque de desejo contido, como se ambos soubessem que aquilo era apenas o começo. Quando se afastaram ofegantes, os olhos continuaram conectados. Ele passou o polegar pelos lábios dela.
Isso muda tudo? Perguntou ainda perto. Bianca respirou fundo, o coração disparado.
Só se você quiser que mude. E naquele instante, o que não foi dito gritou. Naquela noite, Bianca não conseguiu dormir.
Revivia o beijo como um segredo precioso entre lençóis que ainda pareciam carregados com o cheiro dele. A mão no rosto, o toque nos lábios, a respiração quente que ainda aparecia ali. Mas também sentia medo.
Medo do que aquilo significava. medo de que fosse só um impulso, medo de ter se deixado levar por algo que só ela sentia de verdade. Na manhã seguinte, quando desceu para o café, encontrou a mesa posta e a cozinha vazia.
Sentou-se em silêncio, os dedos brincando com a borda da xícara. Minutos depois, Davi entrou. Camisa cinza clara, barba levemente por fazer, olhar mais denso, não disseram nada.
Ele se sentou de frente para ela, pegou o pão, passou manteiga. O silêncio era carregado, não desconfortável, mas cheio de camadas não ditas. Ela se perguntou se ele estava arrependido.
Sobre ontem, ela começou. Ele a interrompeu com um gesto calmo da mão. Não se explique.
A voz dele era firme, mas havia ternura ali. Não há nada para desculpar. Só entender.
Bianca a sentiu, mas não respondeu. Com o canto do olho, viu quando ele estendeu a mão em direção a dela. Os dedos tocaram sua pele devagar, como se testassem a temperatura do momento.
O simples toque fez seu estômago girar. O dia seguiu com tarefas administrativas, mas nenhum deles conseguia se concentrar de verdade. Estavam na biblioteca novamente, lado a lado, os corpos separados apenas por alguns papéis.
Bianca se inclinou para pegar uma caneta. Davi a observava. O decote sutil da blusa de linho, o pescoço delicado, o cheiro suave dela.
Tudo lhe tirava o controle. Quando ela se virou para entregar um documento, os rostos ficaram próximos demais. O ar entre eles tremia.
Davi não hesitou dessa vez. Encostou a palma da mão no rosto dela com firmeza e deslizou os dedos até sua nuca. Bianca se arrepiou inteira.
Os lábios se tocaram novamente com mais intensidade. Não era mais um beijo contido, era um encontro. A boca dele era quente, segura, com um gosto de vinho e desejo.
Ela deixou a pasta escorregar das mãos, enquanto os braços dele envolviam sua cintura com firmeza. Ele a guiou até o sofá, sem pressa, com os olhos fixos nos dela. Bianca sentiu o corpo ceder sem resistência.
Os beijos desciam pelo pescoço, pelas clavículas. As mãos dele descobriram seu corpo com delicadeza e fome ao mesmo tempo. Cada toque era como uma promessa silenciosa.
Ela sentia o mundo do lado de fora desaparecer. Ali só existia o calor da pele, o som das respirações e o ritmo lento de um desejo antigo agora libertado. A camisa dela caiu com suavidade.
As mãos dele percorreram suas costas nuas com cuidado, como se lesse linha, cada cicatriz invisível. Bianca o puxou para perto. Queria senti-lo por inteiro.
O corpo de Davi era firme e acolhedor. E seu olhar não era de conquista, era de entrega. Naquela conexão havia mais que instinto.
Havia vontade de ficar. Os dois sabiam, mesmo sem dizer. Horas depois, ainda juntos, envoltos em lençóis bagunçados, Bianca acariciava os cabelos dele com os dedos.
Davi, de olhos fechados, mantinha a mão sobre a cintura dela, como se quisesse prendê-la ali. Nenhum dos dois queria sair daquele instante. Ela se sentia segura, desejada, inteira.
Ele parecia em paz pela primeira vez em muito tempo. Nenhum deles falava, mas os corpos diziam tudo. Até que ele abriu os olhos e a encarou.
Você é diferente de tudo que eu conheci. Ela sorriu, mas sentiu o coração apertar, porque às vezes, quando algo parece intenso demais, a vida trata de testar. E no silêncio que veio depois, ambos perceberam que o que tinham ali podia não ser simples, nem garantido.
O sol ainda não havia surgido completamente quando Bianca abriu os olhos. A luz suave da manhã entrava pelas fras da cortina, colorindo o quarto com tons dourados. Davi ainda dormia ao seu lado, o peito nu subindo e descendo em uma respiração calma.
Ela o observou em silêncio, traçando com os olhos o contorno de seu rosto sereno. Pela primeira vez em muito tempo, ela sentia algo que não sabia nomear, uma mistura de paz e vertigem. Levantou-se devagar, tentando acordá-lo.
Vestiu a camisa dele ainda com o cheiro da noite anterior, e caminhou até a cozinha. Enquanto preparava o café, lembrava dos detalhes da noite anterior, os beijos profundos, os toques que pareciam atravessar a pele, os sussurros trocados entre um arrepio e outro. Mas havia algo além do desejo, um cuidado, uma conexão que fugia do óbvio, e era exatamente isso que começava a assustá-la.
Davi apareceu minutos depois, com os cabelos bagunçados e um sorriso discreto. "Você dormiu bem? ", perguntou encostando-se à bancada.
Bianca a assentiu, mas desviou o olhar. Ele notou, aproximou-se e passou os braços ao redor da cintura dela, encostando o queixo em seu ombro. "Quer fugir agora?
", ele sussurrou brincando, mas Bianca não riu. "Não sei se estou pronta para o que vem depois. A voz dela saiu baixa, sincera, e ele entendeu: "O resto do dia foi diferente.
Ainda havia toques, olhares cúmplices, mas algo mudara. A naturalidade de antes deu espaço a pequenos silêncios carregados. Enquanto trabalhavam lado a lado no escritório improvisado, Bianca tentava manter a concentração, mas a mente voltava pra cama, pro calor dos braços dele, paraas dúvidas que começavam a surgir.
Davi, por sua vez, parecia mais fechado, como se também estivesse tentando reorganizar seus próprios sentimentos. À tarde, a atenção se fez presente. Enquanto discutiam um ponto do relatório, ele a interrompeu de forma seca.
Você leu errado. Ela parou surpresa. Não era o que ele dizia, era o tom.
Ele se afastou da mesa irritado. "Desculpa, não é com você", disse depois de alguns segundos, mas já era tarde. Bianca se calou, sentindo o chão abrir levemente sob seus pés.
Talvez fosse mesmo cedo demais para confiar. Mais tarde, ela saiu para caminhar sozinha pelo bosque atrás da casa. O ar fresco a ajudava a pensar, mas não trazia respostas.
Relembrava o beijo, a entrega, o olhar dele antes de adormecer e agora aquela distância. Estava confusa. Desejava ficar, mas temia se perder.
Não queria ser só mais uma história, não com ele. Quando voltou, encontrou Davi sentado na varanda com um copo de whisky nas mãos, os olhos perdidos no horizonte. "Você sempre foge quando se assusta?
", ela perguntou parando a porta. Ele virou o rosto devagar. "Não, mas sempre estrago tudo quando começo a sentir.
" A frase atravessou Bianca. Ela se aproximou, sentou-se ao lado dele e pegou sua mão. Então, tenta não estragar isso.
Só dessa vez. Eles ficaram em silêncio, as mãos entrelaçadas, os corpos ainda próximos, mas com as almas em pontos diferentes. Davi beijou os dedos dela com suavidade, como se pedisse desculpas sem palavras.
Bianca encostou a cabeça em seu ombro. Sentia o peito apertado, mas também um desejo profundo de ficar, porque apesar do medo, aquele homem despertava nela algo que ninguém mais havia tocado. Naquela noite não se amaram, apenas dormiram juntos, abraçados, como quem tenta não quebrar o que é frágil.
E talvez esse carinho contido tenha doído mais do que qualquer distância. O amanhecer chegou sem pressa, espalhando uma luz pálida pelo quarto. Bianca abriu os olhos antes de Davi, ainda envolta nos braços dele, mas o abraço parecia mais morno do que na noite anterior, como se ele dormisse, tentando se afastar mesmo estando perto.
Ela respirou fundo, levantou-se devagar, vestiu a própria roupa e desceu para a cozinha. A chaleira apitava quando o som dos passos dele quebrou o silêncio. "Bom dia", ele disse puxando uma cadeira.
A voz estava baixa, neutra. Ela respondeu com um aceno de cabeça, sentindo que algo havia mudado. O café foi tomado em silêncio, nada mais da leveza dos primeiros dias.
Davi parecia ausente, olhando para a janela como se esperasse que o mundo dissesse o que fazer. Bianca por dentro travava uma luta. Queria perguntar o que ele sentia, mas temia ouvir o que não queria.
No meio da manhã, ele chamou para revisar relatórios. Sentaram-se frente à frente na mesa de madeira da sala. O profissionalismo retornou como uma armadura.
As palavras entre eles eram técnicas, pontuais, sem toques, sem olhares longos. A tensão, no entanto, estava ali, cada vez mais visível nas mãos que se evitavam, nos silêncios que antes eram desejo e agora eram distância. Durante a reunião, Bianca tropeçou em um dado e ele corrigiu de forma ríspida.
Esse número está errado. Ela levantou os olhos, surpresa com o tom. Você sempre fala assim quando está fugindo de algo?
Ela soltou sem pensar. Ele a encarou, mas não respondeu. Apenas se levantou e saiu da sala.
O som da porta fechando ecoou como um ponto final, mas para ela soou como uma vírgula, uma pausa incômoda. Horas se passaram. Bianca caminhou pela casa tentando entender o que tinha feito de errado.
Revivia os beijos, os toques, o modo como ele a olhava. Aquilo não tinha sido só físico. Ela sabia, sentira, mas agora era como se ele quisesse apagar tudo.
Subiu até o quarto, sentou-se na cama e olhou para a mala, ainda encostada no canto. Uma parte dela queria refazer as malas, a outra ainda esperava que ele batesse na porta. Ao entardecer, Davi apareceu no batente do quarto, sem bater.
Apenas olhou para ela. Os olhos não tinham raiva, tinham medo. Isso foi um erro, ele disse com a voz rouca, como quem se força a acreditar.
Você merece mais, algo que eu não posso oferecer. Bianca ficou imóvel. A frase perfurou sua pele como agulha fria.
Não respondeu. Só o olhou nos olhos e viu que por trás daquela armadura ele também sangrava. Ela se levantou, passou por ele sem dizer nada.
Desceu, pegou o celular e ligou o GPS. queria ir embora antes que ele mudasse de ideia, porque agora ela também precisava se proteger. Arrumou a mala com mãos trêmulas, cada dobra de roupa carregando as lembranças de noites quentes, risos baixos, promessas não ditas.
A mala fechou com um estalo seco, como o fim de algo que poderia ter sido. Davi a esperava na porta da frente com as mãos nos bolsos. Se um dia você entender que isso não foi só um erro, me procura", ele disse.
Bianca não respondeu, apenas o encarou com os olhos brilhando e entrou no carro. O portão se abriu lentamente e ela cruzou a mesma entrada pela qual chegou, mas com o peito em ruínas. Atrás dela, um homem que queria segurá-la, mas não sabia como.
E enquanto o carro seguia pela estrada, Bianca não chorava. Estava inteira. ferida, mas inteira, porque agora ela sabia, amar não bastava, era preciso coragem para ficar.
A estrada à frente era cinza, longa e silenciosa, como o que restava dentro dela. Bianca mantinha as mãos firmes no volante, mas os olhos marejados denunciavam a dor que lutava para esconder. O rádio estava desligado.
Nem mesmo a música parecia suportável. Cada quilômetro que se afastava da casa era uma despedida não dita, um adeus sem ponto final. Sentia-se vazia, como se parte dela tivesse ficado naquela varanda.
Quando chegou em casa, o apartamento parecia menor. O cheiro familiar, o sofá velho, a cortina encardida, tudo parecia mais frio. Deixou a mala no chão e se jogou na cama sem tirar os sapatos.
O silêncio agora era outro, não carregava tensão ou desejo, era só ausência. Por dias, Bianca evitou falar sobre o assunto, até mesmo consigo mesma. No fundo, esperava que ele aparecesse, que enviasse uma mensagem, que dissesse que havia se arrependido, mas o celular permaneceu mudo.
No trabalho antigo, ela pediu demissão. Precisava recomeçar. Em uma nova empresa, menor, mas com ambiente mais leve, Bianca começou a se reerguer.
Estava mais séria, mais firme. Não queria ser notada por beleza, nem por entrega emocional. queria respeito, mas nas pausas para o café, nos dias mais lentos, o pensamento ainda atraía.
Voltava para aquele beijo na biblioteca, para o toque dele em sua cintura, para a sensação de ser vista. O tempo passou e com ele a saudade deixou de ser fraca e virou cicatriz. Bianca se permitia sorrir de novo, mas algo dentro dela permanecia em silêncio.
Certa noite, ao chegar em casa, encontrou um envelope no chão do corredor, sem remetente. Dentro um bilhete simples escrito à mão. Ainda penso em você.
Dê. O coração acelerou, as mãos tremiam, mas em vez de emoção, sentiu raiva, porque agora aquilo parecia pouco. Jogou o bilhete na gaveta e seguiu.
Não ligaria, não responderia. Davi havia feito a escolha dele e Bianca havia escolhido crescer a partir da dor. Mesmo assim, sonhava com ele algumas noites.
Em outras, o odiava, mas havia algo que permanecia inabalável. a certeza de que havia se entregue de verdade, que amou com coragem e que dessa vez não imploraria para ser amada de volta. Num sábado qualquer, enquanto revisava relatórios em casa, recebeu uma ligação de um número desconhecido.
Bianca Nogueira, falo da empresa RVM Partners. Precisamos de alguém com seu perfil para integrar a equipe de planejamento estratégico. Ela aceitou a entrevista por impulso.
Precisava avançar, abrir portas novas. O endereço chamou sua atenção. Zona empresarial nobre da cidade, um prédio onde grandes investidores circulavam.
Na semana seguinte, subia de elevador com uma pasta nas mãos e o coração leve. Estava preparada. Mas ao entrar na sala de reuniões, o mundo pareceu parar por um segundo.
Sentado à cabeceira da mesa de vidro, Davi, mais elegante do que lembrava, barba bem feita, olhos fixos no material que segurava. Quando levantou o rosto e a viu, por um instante, tudo ao redor desapareceu. Ela sentiu o estômago revirar, mas sustentou o olhar.
Davi não esboçou reação, apenas fechou a pasta, reclinou-se na cadeira e deixou que a reunião começasse. Falou pouco, mas Bianca sabia. Os olhos dele diziam tudo.
Havia fogo ainda ali e talvez um pedido silencioso. Ao final ele não disse nada, mas a esperava no corredor sozinho, encostado na parede como da primeira vez. Ela passou por ele sem parar, mas ele a chamou pelo nome.
A voz grave, contida, vulnerável. Bianca. Ela parou.
sem olhar, o coração acelerou, porque naquele tom havia algo que ela ainda não tinha escutado, arrependimento verdadeiro. Ela ficou de costas por alguns segundos. O nome na voz dele eava diferente agora, sem controle, sem escudo.
Quando finalmente se virou, os olhos de Davi estavam cravados nos dela, como se quisesse dizer tudo de uma vez. Não esperava te encontrar aqui", ele disse com uma serenidade tensa. Bianca respirou fundo.
"Eu também não esperava te reencontrar justo agora quando parei de esperar". O silêncio se estendeu entre eles, carregado de lembranças. O corredor parecia menor, o ar mais denso.
"Preciso de 5 minutos. " "Pode ser? ", Ele pediu como quem implora por um intervalo no tempo.
Bianca assentiu com um gesto contido. Caminharam até o hall do prédio, onde havia uma sala vazia com poltronas de couro. Ele segurou a porta para ela, como se não quisesse perder o hábito de cuidar.
Mas ela entrou sem olhar para trás. Davi sentou-se de frente para ela, as mãos entrelaçadas, os olhos baixos. Desde que você foi embora, tudo perdeu o gosto.
Eu tentei seguir, mas nenhum número me fez esquecer teu cheiro no travesseiro. Bianca sentiu o peito apertar, mas manteve a postura. Você me afastou.
Me fez acreditar que era só mais um erro. A dor nas palavras dela fez Davi piscar mais lento, como quem sente o golpe sem se defender. Eu tive medo, Bianca, de me apegar, de errar de novo, e acabei fazendo pior.
Ele passou a mão pelos cabelos, frustrado consigo mesmo. Mas cada dia longe de você foi uma punição. E mesmo assim eu respeitei teu silêncio.
Bianca abaixou os olhos por um segundo. Respeitar o silêncio. Não te exenta da ausência.
A frase ficou no ar como perfume que não evapora. Ambos sabiam que o que os unia ainda queimava por dentro. Davi se aproximou, sentando-se ao lado dela, mais perto do que o ambiente pedia.
"Você ainda sente alguma coisa por mim? ", ele perguntou sem rodeios. Bianca demorou a responder.
Seus olhos passearam pelo rosto dele, agora mais vulnerável. Sinto, mas não sei se confio. Ele assentiu.
Não peço que confie agora, só que me deixe mostrar quem eu sou quando não fujo. Ela se levantou, caminhou até a janela. A cidade se estendia embaixo, como um mar de luzes indiferentes.
Você ainda tem meu número? Ela perguntou sem virar. Tenho.
Bianca respirou fundo. Então me liga amanhã como se fosse a primeira vez e me convida para sair como um homem que quer fazer tudo diferente. Quando se virou, os olhos dele estavam brilhando.
Eu faço isso agora, se você quiser. Bianca sorriu pequena. Não, eu quero que você espere, como eu esperei por você.
Ele entendeu. Ela saiu da sala com passos firmes e, pela primeira vez, desde a separação, sentiu-se no controle da própria história. Sabia que o amor ainda estava ali, mas agora era ela quem decidia o ritmo, e isso mudava tudo.
Naquela noite, quando deitou, o celular vibrou com uma mensagem curta. Posso te ligar amanhã às 8? Bianca sorriu sozinha no escuro e respondeu: "Sim, mas me surpreenda.
Era o início de algo novo, um amor que renascia não do desejo, mas da escolha. O relógio marcava 19:57 quando o celular de Bianca vibrou sobre a mesa. Ela já estava pronta, embora não quisesse admitir para si mesma que esperava aquela ligação desde o momento em que respondeu a mensagem.
Vestia uma blusa de tecido leve, calça de alfaiataria e os cabelos soltos, naturais. Quando atendeu, a voz dele veio firme, mas carregada de emoção. Boa noite.
Aqui é o homem que deveria ter ligado há muito tempo. Ela sorriu, ainda que o coração estivesse disparado. Boa noite.
Estava começando a achar que você se atrapalhou no fuso horário. Davi riu do outro lado e o som foi como um abraço inesperado. Quero te ver.
Hoje nada de escritório, nada de tensão, só você, eu e talvez um vinho barato mal escolhido por mim. Bianca hesitou por um segundo. Estou pronta.
Onde você quer me encontrar? A resposta veio suave. Te busco em 20 minutos.
Ela se olhou no espelho uma última vez antes de descer. Quando viu o carro dele parado à porta, sentiu um calor subir pelo peito. Davi desceu, abriu a porta para ela e não disse nada, mas o olhar falava, um olhar que misturava respeito, desejo e uma pontinha de arrependimento que ainda pedia perdão.
Durante o trajeto, conversaram sobre trivialidades, música, trânsito, memórias bobas. Era como se precisassem reconstruir o chão com calma antes de pisar outra vez. Chegaram a um restaurante pequeno, acolhedor, com luzes baixas e cheiro de pão assado no ar.
Sentaram-se em uma mesa ao fundo, perto de uma janela que mostrava a rua quase vazia. A conversa fluiu com naturalidade. Davi falava mais do que antes.
Contava sobre a infância, sobre os medos que o fizeram endurecer. Sempre achei que ceder era a fraqueza, mas depois de você entendi que fugir é o que enfraquece. Bianca ouvia atenta, tocada.
Eu também aprendi algumas coisas como o silêncio pode proteger, mas também pode afastar. Davi assentiu, os olhos marejados, pegou a mão dela sobre a mesa com firmeza. Posso ser diferente, Bianca, não perfeito, mas real e presente.
Ela acariciou os dedos dele com os polegares, sentindo os mesmos calafrios da primeira vez que se tocaram. Então me mostra com calma, com verdade. Depois do jantar, caminharam juntos pelas ruas vazias.
O vento leve balançava os cabelos. Dela e Davi, num gesto instintivo, afastou uma mecha de seu rosto. O toque foi delicado, mas carregado de intenção.
Ela não recuou. Pararam diante de uma vitrine fechada, iluminada por uma única lâmpada interna. Ele a olhou como se o tempo tivesse parado.
"Posso te beijar? " "Como se fosse a primeira vez? ", sussurrou.
Bianca não respondeu com palavras, apenas se aproximou. O beijo veio calmo, mas profundo. Os lábios se reconheceram como velhos amantes, que nunca deixaram de se buscar.
Não havia pressa, apenas a certeza de que aquele beijo agora carregava tudo. Mágoa superada, desejo renovado, promessa silenciosa de recomeço. E quando se afastaram, ainda colados pela respiração quente, os olhos dela disseram o que ele esperava ouvir.
Ainda estou aqui. De volta ao carro, o silêncio era leve. Cúmplice.
Davi segurava sua mão enquanto dirigia e Bianca olhava pela janela com um sorriso calmo nos lábios. Não sabiam o que o amanhã traria. Mas naquele instante a estrada parecia certa, e isso já era muito mais do que antes.
O som do carro se misturava ao silêncio confortável entre eles. Davi mantinha a mão entrelaçada a de Bianca, os dedos dançando em movimentos sutis sobre a pele dela. Quando pararam em frente ao prédio dela, o momento parecia pedir mais do que uma despedida rápida.
Bianca olhou para ele com ternura e dúvida. "Quer subir? ", perguntou com voz baixa.
Davi a encarou por dois segundos que pareciam eternos. Só se for para ficar do seu lado, não por impulso, mas por escolha. No apartamento, o clima era acolhedor.
Luzes suaves, um aroma de lavanda vindo de um difusor esquecido na estante. Davi tirou o casaco e caminhou devagar pelo espaço, como se quisesse absorver cada detalhe da vida dela. Bianca observava em silêncio, enquanto tirava os sapatos e se permitia, pela primeira vez em muito tempo, relaxar por completo.
Havia segurança naquela presença, havia paz e havia um desejo que não se perdia, só amadurecia. Ela se aproximou por trás, pousou a mão nas costas dele e o virou de frente com delicadeza. Davi a puxou pela cintura e a colou em seu corpo.
O beijo veio sem pressa, profundo, cheio de intenção. As mãos dele exploravam cada curva com reverência, como se reencontrasse algo sagrado. Bianca respondeu com igual entrega, o corpo se moldando ao dele, como se tivessem sido feitos para caber naquele instante.
Foram até o quarto, guiados por olhares e toques, não por palavras. A roupa foi sendo retirada como camadas de antigas dores. Quando ficaram nus, não houve vergonha.
Só verdade. Davi deitou-se ao lado dela, os olhos fixos nos dela. Dessa vez eu não vou fugir.
Bianca o envolveu com as pernas, os braços, a alma. A entrega foi suave no começo, depois urgente, depois ternamente intensa. Não era apenas sexo, era uma ponte entre dois corações que haviam se perdido e se reencontrado.
A madrugada os acolheu em silêncio. Bianca, deitada sobre o peito dele, ouvindo os batimentos ritmados. Davi acariciava seus cabelos com os olhos fechados, como quem se recusa a dormir para não perder nada daquele momento.
Você me mudou, Bianca, não com cobranças, mas com presença. Ela sorriu contra a pele dele. E você me lembrou que eu não precisava ser forte o tempo todo.
Na manhã seguinte, acordaram entre lençóis amassados e sorrisos calmos. Tomaram café juntos, sentados no chão da sala, entre risos e planos. Davi falou de um novo projeto.
Queria que ela liderasse uma parte. Bianca agora tinha voz e poder de decisão, mas mais do que isso, tinha o olhar dele, um olhar que finalmente dizia: "Eu escolho você hoje, amanhã e de novo, se for preciso". No fim da tarde, ele a levou até a antiga casa de campo.
Queria mostrar algo. Lá dentro, reformada, estava a biblioteca onde se beijaram pela primeira vez. Sobre a mesa, um envelope.
Dentro um contrato simples. Bianca Nogueira, diretora de estratégia Lessa Group. Ela olhou para ele surpresa.
Você já tinha isso? Davi assentiu. Desde antes de tudo, mas preferi perder você do que te oferecer algo sem merecer te ter por completo.
Bianca se emocionou. Agora você me tem? perguntou com um sorriso tímido.
Davi se aproximou, tocou seu rosto com ternura e disse: "Não, agora eu estou com você, porque te ter seria pouco. " E ali, no mesmo lugar onde tudo começou, eles se beijaram com a calma de quem finalmente se encontrou. Naquele beijo havia amor, mas também respeito, desejo, companheirismo.
Havia dois adultos que decidiram não fugir mais e que sabiam que um recomeço verdadeiro não precisa de promessas, só de presença. Meses se passaram desde aquela tarde na biblioteca. O mundo girava lá fora com sua pressa costumeira, mas dentro de Bianca tudo havia desacelerado.
Aprendera que amar não era correr atrás, nem se doar até se perder. Amar, ela descobriu, era escolher. Escolher alguém que ficasse, mesmo quando fosse mais fácil fugir.
E Davi ficou. Mais do que isso, ele construiu ao lado dela com tijolos de verdade e paciência. Agora dividiam o mesmo apartamento e a mesma rotina.
Café da manhã compartilhado entre beijos e pão torrado, reuniões feitas com parceria real, noites em silêncio confortável ou em entrega profunda. Bianca agora era diretora, mas se sentia mais do que isso. Sentia-se inteira porque havia encontrado alguém que havia e que, mesmo conhecendo seus defeitos, continuava escolhendo permanecer.
Numa manhã de domingo, sentados no sofá entre livros espalhados e promessas não ditas, Davi puxou uma caixinha do bolso, sem ajoelhar, sem plateias, apenas ele, ela e a respiração suspensa. "Não é um pedido", disse, abrindo a caixinha. "É só um símbolo de que minha proposta sempre foi você".
Bianca sorriu com os olhos marejados. Não respondeu com palavras, apenas o beijou como quem diz sim de novo e para sempre. O anel não brilhou mais do que o olhar dela.
Porque agora Bianca sabia que o que ela queria no começo, o aumento, o reconhecimento, não era só sobre salário, era sobre ser valorizada. E hoje ela tinha tudo isso, mas não por sorte, por coragem. A coragem de ir embora quando doeu e a coragem maior ainda de voltar quando fez sentido.
Na parede do novo escritório, um quadro discreto com a frase: "Às vezes o que parece um erro é só o início de algo certo demais para ser entendido no começo. " Bianca olhava para ele todos os dias e sorria porque agora ela sabia. Às vezes a vida nos testa com silêncios, distâncias e despedidas, mas o amor, o amor verdadeiro, resiste.
Ele não exige perfeição, exige presença. E quando dois corações decidem ficar, mesmo depois de tudo, eles não apenas vivem uma história, eles transformam uma vida inteira. Espero que você tenha gostado dessa história emocionante.
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M.