Então o questionamento é, existe um problema? Ninguém tá negando o problema. Nós sabemos que existem pessoas que passam por necessidades extremas.
Nós sabemos que outros têm graus diferentes de necessidades, mas não dá para negar que a pobreza é uma realidade. Então, não vou nem me atrever a falar algo diferente, seria insensato. No entanto, o meu objetivo é tentar levar você a refletir sobre a maneira como alguns cristãos têm procurado pensar esse problema, tá?
Ah, quando a gente fala de progressistas cristãos, não é um movimento organizado. Raramente eu vejo alguém se identificando como um progressista. Nem é um título que a maioria das pessoas gosta de dar para si mesmo.
Eles acham que eles são os cristãos que entendem de verdade, ó, horas, não é? Mas esse nome tem sido dado pra gente que às vezes rompe com alguns paradigmas mais tradicionais da fé cristã. Então, eu vou aproveitar e vou falar de um guarda-chuva mais amplo, mas eu não vou entrar na amplitude desse guarda-chuva.
Eu vou tentar focar mais em desigualdades socioeconômicas, porque é o tema que me foi passado. Mas hoje a bola da vez ou o termo mais abrangente é justiça social, que inclui uma série de coisas, tá? Eh, vários tipos de opressão, por assim dizer.
questões ligadas a racismo, a eh religiosidade não muito aceita no Ocidente, tipo islamismo, ou a questões ligadas a deficiências a de caráter físico ou psíquico, ah, também relacionados à sua imagem, a quanto de peso você tem, a forma do seu corpo, coisas relacionadas a gênero e a opção sexual e coisas desse tipo. Então, justiça social tem sido um guarda-chuva que fala de muita coisa. Eu não vou entrar nesses temas, mas eu quero dizer a vocês que muito do que eu vou falar hoje sobre a leitura que se tem da questão socioeconômica também se aplica a outras áreas que a gente não vai entrar, mas que também tem a uma leitura bem parecida.
Então, quando eu falo de justiça social, eu sei que esse termo engloba várias preocupações, como eu já falei aqui, de racismo, de inclusão, de desigualdades sociais. E tem cativado o interesse de muitos cristãos. Por quê?
Porque ele obviamente toca em questões com as quais os cristãos sempre estiveram preocupados. Cristão sempre esteve preocupado com a prática da justiça. Cristão sempre esteve preocupado com o bem da comunidade.
A gente sempre aprendeu na escritura a amar não apenas de língua, mas de fato de verdade, como diz o apóstolo João. Então esse não é um assunto que bate no cristão. Ele diz: "Ah, tem nada a ver com a gente".
Pelo contrário, a razão pela qual ele cativa o interesse de muito cristão é porque ele fala de temas que nós nos interessamos. tem a ver com vida cristã. Se não tivesse a ver, não era cativante.
É cativante porque tem a ver com preocupações que nós temos, tá? Então, o meu desejo é tentar vasculhar um pouco das preocupações sociais que são predominantes na sociedade e analisar as suas premissas à luz da Escritura, pra gente enxergar se existem elementos de verdade e que justifiquem a incorporação, a sua incorporação à prática cristã. Então, a minha palestra tem três partes e eu vou prosseguir nisso para ajudar você que gosta de anotar a ordenar aqui onde é que eu tô na minha argumentação.
Eu quero começar analisando a cosmovisão desse movimento denominado progressista cristão e qual é a teologia que eles constróem a partir dessa cosmovisão. Isto é, como é que eles enxergam uma série de temas da escritura? Então, a gente vai primeiro fazer uma análise e eu vou mostrar que nesse sentido eles são um contraponto a muito da teologia tradicional, mas eu vou explicar isso ponto a ponto.
Depois a gente vai olhar para alguns textos bíblicos que são favoritos desses defensores da justiça social dentro da igreja, é claro, e olhar para ver se de fato esses textos sustentam as premissas deles. E eu vou tentar mostrar como esses textos têm que ser lido com muito cuidado pra gente não fazê-los dizer o que eles não dizem. Essa vai ser a segunda parte e a terceira e última eu vou terminar refletindo sobre a alternativa que eu quero oferecer em relação ao problema da pobreza.
Não é uma solução dos males, inclusive isso é parte da resposta, tá? Mas é como é que o cristão deve à luz das orientações do nosso Senhor Jesus, das orientações dos apóstolos, eh eh agir em relação ao problema da pobreza. Então, a gente tem três partes: cosmovisão e teologia do movimento, depois alguns textos bíblicos chave e por último, então o que que a gente faz, tá?
Então vamos lá, vamos começar com a cosmovisão e a teologia resultante que predomina nesse movimento. Existe uma cosmovisão dominante para explicar as coisas como elas são. E não é incomum vários dos defensores de justiça social reconhecerem que tem bases, por exemplo, marxistas para sua leitura da realidade.
Alguns defendem isso abertamente, onde a desigualdade socioeconômica presente é resultado da opressão de classes mais fortes, às vezes chamad de burguesas, proletariado, aí aí os nomes variam, não é? Mas olha que interessante isso a gente poderia chamar, independente de você gostar ou não da maneira como tô começando a palestra, eu não não me importo. Quero que você entenda assim, todo mundo tem uma percepção de que o mundo não é o que deveria ser.
Isto é, ele tem uma noção da de como esse mundo é fraturado usando linguagem teológica, ele tem uma noção de queda, tá? A leitura dele pode ser diferente da nossa, mas ele tem uma noção de queda. Esse mundo é fraturado.
Não é o que deveria ser. H, como é que esse problema deve ser resolvido? os mais eh ricos devem ser mais altamente taxados pelo governo para promover mais recursos aos menos favorecidos na sociedade.
Essa é uma proposta de solução. Quando alguém defende a ideia de que a gente deveria ter taxas diferentes de acordo com o nível socioeconômico de alguém, ele tá propondo uma solução para desigualdades econômicas. Eu poderia dizer em linguagem teológica que é uma espécie de redenção política.
Ou eles devem ser forçosamente privados de suas terras ou imóveis que eles têm excesso mediante invasão e melhor utilização de recurso. Então, quando alguns defensores de reforma agrária ou invasão de terra ou redistribuição de imóveis, não é, em geral, eles estão propondo uma redenção mediante revolução. Eu tô usando a palavra religiosa porque eu quero que você entenda que mesmo quem não é religioso, mas pensa assim, ele sempre anseia por solução dos males este mundo.
Em outras palavras, até quem é discrente quer redenção. Não em Jesus, mas ele quer redenção. Então ele tem uma cosmovisão.
Ele sabe que tem um mundo ideal que não é o que a gente vê. Ele tem uma explicação do por que esse mundo tá quebrado. E ele tem uma proposta de como é que a gente pode solucionar os problemas deste mundo.
Isso é, em outras palavras, criação, queda e redenção, tá? E é claro que o grande anseio dele é atingir aquilo que muitos chamam de uma utopia nas nos quais na qual todos teremos uma sociedade não apenas de direitos e oportunidades iguais, mas inclusive de resultados iguais. Isso a gente poderia traduzir como uma consumação.
Então isso aqui é uma cosmovisão completa, criação, queda, redenção e consumação, tá? Quando alguém argumenta assim com, né, nós sonhamos com uma sociedade ideal, pensa assim num discurso lá, Martim Luther King, eu tenho um sonho, né, de que um dia ele tá imaginando consumação, ele tá imaginando redenção completa. Então, olha que interessante, quando a gente fala desses pilares, a gente tá ensinando as pessoas a pensar que há um jeito normal do qual a gente não escapa de ler o mundo.
As premissas podem ser diferentes, mas a estrutura é semelhante. Essa cosmovisão, ela produz uma teologia. E eu quero mostrar o que os defensores da do movimento da justiça social, que tipo de teologia eles têm formulado?
Então, presta atenção que agora a gente vai fazer um panorama de teologia sistemática. Para quem gosta, eu vou falar assim de diferentes doutrinas e vou explicar como é que eles enxergam cada doutrina. Claro que eu não vou não vou ser exaustivo aqui, eu tô sendo seletivo para você compreender como eles entendem cada doutrina, tá?
Então eu vou começar com aquilo que em teologia a gente chama de prolegômenos. é a introdução do estudo científico. E em filosofia, eu poderia dizer que é equivalente à epistemologia.
Como é que a gente sabe alguma coisa? Como é que a gente chega ao conhecimento de alguma coisa? E qual é a epistemologia desse movimento?
É de que tem certas pessoas ou certas áreas de estudo acadêmico que atingiram o nível de entendimento da sociedade que você não conseguiria ter só pela Bíblia. Por isso que é muito comum crentes empolgados com esse assunto mergulharem em estudos sociais. Estudos sociais viraram a ferramenta que faz a gente entender a sociedade de verdade, como quem diz, complementando e abrangendo a compreensão da sociedade que você poderia obter de um livro religioso como a Bíblia.
Os cristãos não tão dizendo que a Bíblia não presta, não é isso. Eles só tão tentando ser mais rebuscados ao ancorar o seu pensamento muito mais em estudos sociológicos do que em estudo do texto sagrado. Isto é, invés de exegese da escritura, né?
Extrair verdades da Escritura. Além desse elemento de estudos sociais serem mais eh informativos da realidade sociológica, existe também uma superioridade epistemológica dos grupos marginalizados. Hoje em dia, é muito comum as pessoas dizerem assim: "Você não entende, você não faz parte do grupo oprimido".
Você tem que tá lá para entender. Então, o problema pode ser na área de racismo, o problema pode ser na área de gênero, não é? A problema pode ser na área de pobreza, mas a premissa epistemológica é a mesma.
Você não tem como entender se você não faz parte do grupo. Só quem sofre é entende. Veja, eu quero parar e pensar com você sobre esse primeiro ponto teológico/rafilosófico.
Não dá para negar que quem sofre marginalizações tem percepções diferentes de quem marginaliza. É claro, isso é verdade. Isso é verdade.
A gente não pode negar isso. Alguém que passou por angústias muito marcantes na sua história pessoal, tem noção e sensibilidade para algumas coisas que outro que nunca passou por isso não vai ter. A gente sabe disso, não precisamos negar isso.
Porém, às vezes essas percepções são corretas e às vezes elas são equivocadas. Imagina uma mulher que tenha sido muito frustrada nos seus relacionamentos amorosos e aí ela conclui alguma coisa assim: "Homem é tudo igual, não presta". Você não pode dizer que porque ela sofreu, ela entende melhor.
O juízo dela pode estar equivocado. Isso não é em comum com outras realidades. O nosso juízo é feito baseado nas feridas que nós sentimos.
Mas nem sempre ele é um juízo correto. Então não é verdade dizer que quem sofre é quem entende melhor. Às vezes faz juízo equivocado por causa das marcas que deixam nele ou nela, tá?
Então a gente não pode assumir que porque ele passou ele fala bem. Não é verdade. E eu dei um exemplo fácil de você entender.
Pessoas que passam por sofrimentos amorosos nem sempre falam sabiamente sobre relacionamentos. Tá? Então, o ponto que eu quero dizer é o seguinte.
Quando a gente quer falar de epistemologia, não adianta eu convencer os outros através de sentimentos, através de percepções que só eu tenho você não tem. Eu tenho que convencer o outro mediante evidências concretas e objetivas. Eu tenho que dizer: "Olha, isso é assim, assim, porque veja, a gente tem dados.
Você consegue olhar pros dados e dizer: "Não, é verdade, Éber, você tem razão. Porque se é algo que só eu entendo, você não entende, eu não tô convencendo você, eu tô dominando você. Você fala alguma coisa, fala: "Fica quieta, você não sabe o que você tá falando".
Entendeu? Isso é dominação. Isso não é persuasão.
Você quer persuadir alguém, você mostra coisas que ele também pode entender e dizer: "Você tem razão". Tá? Então, a primeira coisa é que a epistemologia desse movimento costuma ser bastante exclusivista, principalmente quando o assunto é só quem sofreu sabe, tá?
Segundo ponto teológico é a sua antropologia, isto é, o estudo do ser humano. Como é que esse movimento entende a humanidade? Frequentemente, quem é adepto da justiça social usa a linguagem de uma humanidade dividida em opressores e vítimas.
E essa é uma perspectiva antiga desde a versão 1. 0 do marxismo. Hoje já tem versões 2.
0, 3. 0 e inovações, né? Mas a ideia de que você está constantemente sendo oprimido é é uma leitura da humanidade e ela é muito problemática porque ela geraiseração, dó de si mesmo.
Você fala: "É verdade, não é? É verdade. Como a gente tem sofrido, aí a gente fica com dó de si.
E quem tá com a senso de autocomiseração, aqui vem uma parte chocante, mas a gente aprende isso nas escrituras. Não é gente humilde, é gente que se ensoberbece. Quem tem autocomiseração não é humilde.
Inclusive é um mau uso que a gente faz de uma palavra bíblica para quem tem pouco dinheiro. Eu pergunto assim: "O fulano, como é que é? " Ah, fulano é muito humilde, né, pastor?
Uma casinha simples assim. Eu não perguntei da do dinheiro dele, perguntei assim, moralmente falando, ele se curva diante de outras pessoas? Ele considera os outros superiores a si mesmo, como Paulo fala em Filipenses 2, ou ele fica mordido quando os outros se colocam acima dele?
Isso não é ser humilde, isso é ser soberbo, entende? Então, quando a gente divide sociedade entre opressores e vítimas, a gente cria espaço para soberba, o que é inadmissível para quem é do povo de Deus. E quem se sente oprimido não reconhece as suas próprias faltas.
É muito comum que a vitimização jogue a culpa para apenas um dos lados e fomenta o direito de apenas um dos lados. Veja, a gente sabe fazer isso desde pequenininho, desde o jardim. É que Adão fala assim: "Mulher que tu me deste".
E a mulher fala: "Foi a serpente". E os nossos meninos falam igual, nunca são eles. Inclusive eu me surpreendi quando eu li um autor que disse assim: "Você já percebeu como às vezes quando crianças erram, eles vão explicar a história e o sujeito está oculto?
" Caiu o vaso e quebrou. Quem fez isso aí? O moleque fala assim: "Quebrou, mamãe".
Mas não tem quem quebrou, só quebrou. Aham. Eu tô vendo que quebrou.
Tô perguntando quem quebrou. Quebrou. Vai saber, né?
A gente sabe fazer isso desde pequeno. Culpa outro, se eximir de culpa. E é muito complicado nós, como povo de Deus assumirmos isso.
Ah, inclusive uma outra forma de da de entender antropologia que esse movimento defende que é muito negativo, é dizer que as pessoas são definidas pelo grupo social ao qual elas pertencem, a ao qual ela pertence, melhor dizendo. Isto é, você é definido pelo grupo social no qual você se encaixa. Então, se você é negro, não pode falar contra causas de negro.
Se você é pobre, não pode falar contra pobre. Se você é de ideologia e LGBT, não pode falar contra práticas de quem? Porque você é definido pelo grupo ao qual você pertence.
Qual é o problema desse tipo de antropologia? É que a gente sabe que os grupos eles têm alguma influência sobre nós. Eles nos moldam.
Eu não tô negando isso. Nós somos seres profundamente impactados pelas nossas famílias, pelas nossas culturas, pelas nossas histórias, pela pelo país onde a gente cresceu. É claro que sim.
O que eu tô dizendo é que a eles não nos definem. O cristão diz que a sua identidade é marcado por aquilo que Deus diz sobre nós, não o que os grupos dizem acerca de si mesmos. Quando a escritura começa a falar de nós, ela diz assim: "Deus criou o homem a sua imagem e semelhança".
Essa é a definição bíblica. Essa é a definição bíblica, tá? Então, ah, nós precisamos lembrar como é que a obra de Cristo por nós também nos dá senso de identidade.
Em Cristo, Paulo vai dizer em Gálatas 3, não há homem, nem mulher, nem escravo, nem livre. Paulo não tá dizendo que todas as distinções sociais acabaram. Ele não tá dizendo assim, ó, não tenho mais escravidão.
Não é isso que ele tá dizendo. Continua tendo. Ele não tá dizendo que não existe mais diferença de gênero masculino e feminino.
Continua tendo. O que ele quer dizer é que não existem mais barreiras. Todos nós somos identificados por aquilo que nós somos em Cristo.
Então, é muito ruim, muito ruim quando a gente define a humanidade como sendo marcada pelos opressores e oprimidos e com esse senso de vitimismo dizer que eu sou definido pelo grupo social ao qual eu pertenço. Isso não é bom. A beleza da igreja de Cristo é que ela não é um grupo social.
Vocês são tudo diferente uns dos outros. E eu garanto que a maioria de vocês não seria amigo do outro se não fosse crente, porque Cristo Jesus faz isso. Ele junta gente diferente no mesmo povo, tá?
Então, a gente não tá aqui por mera afinidade. A gente tá aqui porque nós somos alcançados pelo mesmo sangue. Terceiro ponto de teologia, aquilo que a gente chama de doutrina do pecado, amartiologia.
Como é que esse movimento de justiça social que luta em prol da pobreza, como é que eles falam de pecado, de males? Fala-se muito sobre estruturas de poder, instituições e sistemas opressivos. Ah, a injustiça, ela não é mais tratada como um problema moral, ela é tratada frequentemente como um problema estrutural.
Quando eles estão falando estrutural, eu entendo que tem um elemento de verdade aqui, é dizer o mal é abrangente, é verdade. Se a gente for falar sobre corrupção no povo brasileiro, não adianta a gente olhar paraa Brasília e dizer: "É, Brasília é fogo, né? " Seria um preconceito e uma cegueira enorme, porque níveis diferentes de corrupção acontecem no nosso país inteiro e não é só entre políticos, entre o povo liderado também.
Então, eu sei que pecado e certos males sociais são abrangentes, tá? Todavia, definir o mal de acordo com essa linguagem estrutural sistêmica, eu acho que ela gera uma ela tem consequências muito negativas e é uma linguagem típica da cosmovisão desse movimento. Por que que ela é ruim?
Primeiro problema é que ela ignora que o nosso maior problema não é externo. Nosso maior problema é interno. Jeremias diz: "Enganoso é o coração mais do que todas as coisas e desesperadamente corrupto.
Quem o conhecerá? Ele é enganoso. Ele coloca o nosso problema dentro.
Quando é quando Jesus confrontou a preocupação com limpeza externa por parte dos fariseus, ele disse assim: "O que contamina é o que vem de dentro". Jesus tá mostrando a mesma tônica do profeta Jeremias, dizendo que o nosso maior problema é interno. Por isso que a gente fala no cristianismo da doutrina do pecado original.
Ela humilha a todos os que tendem a colocar a culpa no outro. Davi, muito quebrantado pelo Espírito de Deus, diz assim: "Eu nasci na iniquidade e em pecado me concebeu minha mãe". Salmo 51:5, ele quer dizer, eu peco desde que eu me conheço por gente, porque tá entranhado no meu íntimo?
Então, a essa leitura bíblica, ela vai contra a ideia de que o mal é prioritariamente externo. Quando a gente fala que ele é estrutural, que ele é sistêmico, a gente está dizendo que ele é primeiro externo antes do que interno. Segundo problema dessa leitura de mal estrutural é que mal social a o chamá-lo de um problema do sistema é culpar alguma coisa que não é gente.
Você despersonaliza a responsabilidade. Eu quero dizer o seguinte, é muito fácil dizer assim: "Tá funcionando o evento aqui? " Não, pastor, mas você sabe como é que é o sistema, né?
O sistema não funciona. O sistema é ótimo porque não culpa ninguém. Ninguém é culpado quando o problema é o sistema, problema é o sistema.
Sistema não vai paraa cadeia. Sistema não é autuado. Sistema não é não passa pelo juízo final.
Observa como a escritura trata de pecado. Ela sempre responsabiliza pessoas. Mas quando a nossa linguagem usa mais sistemas, a gente erroneamente absorveu outra cosmovisão que não da escritura.
Quando você fala assim, o problema é o sistema, você tá despersonalizando responsabilidade. Na escritura, ah, o mal não pode ser sistêmico, porque se fosse sistêmico, você teria que ter um antídoto sistêmico, que é exatamente a proposta da ah do movimento de justiça social. Mas a escritura nunca dá soluções sistêmicas pros males deste mundo.
Deus se faz pessoa, é maltratado por pessoas, é julgado por pessoas e paga por pecado de pessoas. O mal ele é, o mal moral ele é essencialmente pessoal. Então, a gente não pode ter uma leitura de males como sendo prioritariamente sistêmicos ou estruturais.
Qual é a soteriologia desse movimento? Soterologia, a doutrina da salvação. Os revolucionários falam muito de subverter o sistema, desconstruir o sistema cultural e institucional que julgam perpetuar opressões.
É por isso que alguns mais radicais falam de subverter a igreja, a família. Em alguns casos mais radicais, até o estado. Ah, pessoas que querem culpar o estado por ter feito coisas erradas, vão cobrar do Estado uma espécie de compensação pelos erros cometidos.
Então, o que é irônico no movimento é que frequentemente culpa certas instituições como sendo as vilãs e depois joga a responsabilidade para elas serem os heróis. Você já viu algum filme da Marvel em que o vilão virou o herói? É esquisito pensar assim, mas é isso que esse mundo errado faz.
Nosso Salvador não era um vilão que virou herói, ele é o Deus encarnado. Mas quando as instituições e as e os grupos opressores são culpados, é para jogar sobre eles a responsabilidade de resolver o problema. Quer dizer, vilão agora virou herói.
Pera aí, que inconsistência é essa? Na escritura, o máximo que acontece é Deus ter misericórdia de vilão, mas ele nunca vira salvador. Entendeu?
Então, a soteriologia, a doutrina da salvação é diferente daquilo que a igreja normalmente ensina. Qual é a sua doutrina da igreja? Eclesiologia.
A igreja deve resolver problemas da sociedade. Do contrário, ela não é relevante. Você não ouviu isso já várias vezes?
Sua igreja tá fazendo o quê? Pra sua bairro? Ah, não é relevante.
Próximo. E a sua também não é relevante. Tipo assim, se você não fizer a não resolver problemas da sociedade, sua igreja não é relevante.
Qual é o problema disso? É que confunde a missão da igreja. Presta atenção.
Presta atenção. Se a comunidade espírita tá fazendo o que o defensor da justiça social tá cobrando a igreja de não fazer, então ele fez a missão da igreja. Mas que missão é essa que a Te espírita pode fazer?
Não tá certo isso. Jesus disse que fazer a missão é fazer discípulos de Jesus para fazer caridade. Socorrer pessoas necessitadas, como a gente vai falar no no final da palestra, é resultado de ser alcançado pela graça de Deus.
Mas não é a missão. A missão é fazer discípulos de Jesus. É isso que só a igreja faz e faz dela distinta de qualquer ONG, de qualquer ONG, de qualquer instituição governamental ou não governamental de socorro a necessidades.
Então, perceba que quando a nossa doutrina da igreja é ruim, a gente acaba pedindo dela aquilo que não faz dela ser o que ela é de verdade. Por último, qual é a escatologia desse movimento? As nações mais ricas devem resolver o problema econômico de nações mais pobres.
Eu já vi essa aplicação baseado no ano de jubileu Levítico 25. Tá em livros isso de que nações mais ricas devem solucionar o problema de nações mais pobres. Qual é o problema disso?
Israel nunca foi exigido socorrer as nações vizinhas com respeito aos seus problemas econômicos. Não tem nenhum profeta dizendo assim: "Israel, que não cuidais dos de de Moabe ou de Amon". Em nenhum momento ele diz isso.
O que que Israel fazia, que era muito belo? Ele socorria estrangeiros quando passava pela terra para que as pessoas entendessem que a terra de Israel era abençoada pelo Senhor. Era isso que acontecia.
Mas ninguém tinha que ir para Moabe para fazer socorro social. Ninguém tinha que ir para Amon, para Síria, para Etiópia, para quem eh onde quer que seja a a país ao redor de Israel. Então, a a quando a gente pensa em Israel, a gente não deve fazer paralelo com eh políticas nacionais, como eu vou mostrar daqui a pouco.
O melhor paralelo de Israel é com a benevolência que acontece na igreja. Então, quando a gente olhar para textos bíblicos que falam de benevolência, a gente tem que pensar na igreja. Problema é que as pessoas acham que nós temos uma participação em construir um mundo melhor.
Eu já ouvi pregador dizendo que quando a gente faz boas obras, nós estamos participando da obra de Deus, de construir o seu reino, de fazer novos céus e nova terra. O problema é que se você participa da construção do reino, então você rouba a glória do rei. E na Bíblia você nunca participa da criação de novos céus e nova terra.
Deus fala assim: "Eis que eu crio novos céus e nova terra". Novos céus e nova terra é a exclusividade do Senhor. É o que ele faz no começo, quando ele cria e o que ele faz no final quando ele restaura.
Então, perceba que quando eu uso uma linguagem bonitinha, do tipo assim, todas as vezes que a gente abre uma creche ou um hospital ou cria classes de assistência a alunos que têm dificuldade de aprendizagem, nós estamos construindo novos céus e nova terra. Parece bonitinho, mas rouba a glória do Senhor. O Senhor não disse que essas coisas são criação de novos céus e nova terra.
Essa é exclusividade dele. Então, a escatologia também é bem complicada. Tudo isso para mostrar que o movimento tem uma série de problemas.
Eu vou tentar ser sucinto agora em analisar alguns textos na parte dois para eu poder correr paraa parte três, que eu acho que é a mais importante. Então, abra a sua Bíblia em Levítico 19. Agora, na parte dois, eu quero mostrar textos da escritura que parecem em algum momento favorecer aquilo que a o movimento de justiça social tem dito sobre desigualdades socioeconômicas, mas eu quero mostrar que não é exatamente o que eles dizem.
Levítico 19, a partir do versículo 9, eu quero ler e fazer rápidas observações. Verso 9 diz assim: "Quando também cegares a messe das tua terra, o canto do teu campo, não segarás totalmente nem as espigas caídas. Colherás da tua messe.
Não rebuscarás a tua vinha, nem colherás os bagos caídos da tua vinha. Deixá-lo usá ao pobre e o estrangeiro. Eu sou o Senhor, vosso Deus.
" Esse texto que eu comecei lendo fala algo muito bonito da lei civil de Israel. Ah, um dono de terra não podia colher tudo que era dele. Por quê?
Porque na verdade a terra era do Senhor, tá? Isso tá em Levítico 25. E você é só um inquilino para quem eu emprestei a terra.
Então, quando você plantar e ela der fruto e essa é bênção minha, lembre-se que tudo que tá lá nessa terra não é seu. Deixa para quem não tem. Então essa era uma lei muito bela de socorro aos necessitados, não só de Israel, mas os estrangeiros que passassem por Israel, por aquela razão que eu falei, porque a ideia de que Israel era uma terra abençoada pelo Senhor.
Continuando o texto, não furtareis, nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo, nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanareis o nome do nosso do vosso Deus. Eu sou o Senhor. Observe que logo depois de falar de deixar a socorro para necessitados, fala de integridade.
O que é bastante importante como cristãos nós defendermos integridade, porque hoje há muita gente que defende justiça social sendo moralmente poluída, moralmente pervertida. O texto na sequência diz: "Seja justo, seja reto, não furta, não, não furte, não minta, não use de falsidade, não jure falsamente para falar de integridade. " Sequência, na sequência 13, não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás.
A paga do jornaleiro não ficará contigo até pela manhã. Não amaldiçoarás o surdo, nem porás tropeço diante do cego, mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor.
Olha só que outras regras também que dão a ideia de cuidar do menos favorecido. Porque a ideia de não oprimir o próximo é em que sentido? Aqui a paga do jornaleiro é o jornaleiro aqui é a ilustração, é traduz aquilo que a gente chamaria de um diarista.
é a pessoa que trabalha pro dinheiro do dia, porque ela vai comer amanhã com que ela ganhar hoje. Se você deixar para pagar o salário dela ou dele no outro dia, ela não tem o que comer amanhã. Então aqui a ilustração da lei eh de Moisés, essa lei vinda de Deus pro bom cuidado da nação de Israel era não prive as pessoas de receberem aquilo que é justo.
Se ela trabalhou hoje, você paga hoje, ela vai comer com isso. Não oprima quem não tem condições a ah de obter o seu sustento com facilidade. Cita o surdo, o cegoo, no versículo 14.
Até aqui, boa parte dos versos que eu li tem tudo a ver com a defesa do movimento de justiça social. Imagina você deixar parte da sua renda para outra pessoa que não plantou, você a não oprimir classes mais pobres e você de alguma maneira ajudar os deficientes físicos. Tá tudo maravilhoso.
Mas a escritura não diz exatamente o que eles querem que diga. E o versículo 15 é um exemplo disso. Não farás injustiça no juízo, nem favorecendo o pobre, nem comprazendo ao grande.
Com justiça julgarás o teu próximo. Sabe porque eu acho esse texto extraordinário? É porque Moisés sabe que é possível ser injusto tanto para um lado quanto pro outro.
Opressão não é aquilo que rico faz para com ou injustiça não é aquilo que rico faz para com pobre apenas, que é chamado de opressão. Então o texto deixa bem claro, nem favorecendo o pobre. O que que esse texto tá nos ensinando?
que a gente não pode ter mentalidade de Robin Hood, de roubar do rico para dar pro mais pobre, como se fosse, como se justiça tivesse um caráter compensatório. Isso não é justiça. Eu quero que você entenda isso.
Isso não é justiça. Esse fator compensatório não é chamado de justiça, é chamado de injustiça. Então, seria mais ou menos assim: magistrados não têm direito de favorecer os as partes mais fracas num determinado processo como tentativa de reparar as desigualdades sociais do Brasil, o que vai contra o que muita gente gostaria de fazer, isto é, de alguma maneira compensar as desigualdades.
Você percebe como não vai na mesma linha daquilo que tem sido defendido por alguns. Eu vou pular uma parte, eu quero mostrar um outro texto. Vamos ler um texto do Novo Testamento.
Vá para Mateus 25. Mateus 25 é um outro texto que dá para ser entendido eh como favorecendo o movimento de justiça social, mas eu quero mostrar como ele não tá falando disso. Sabe aquele texto a partir do versículo 35, Mateus 25, a partir do 35, diz assim: "Tive fome, me destes de comer, tive sede, me deste de beber, era forasteiro e me hospedastes?
Estava nu e me vestistes, enfermo e me visitastes, preso e fostes ver-me. Aí eles perguntam assim: "Senhor, quando foi que te vimos com fome, te demos de comer ou com te demos de beber? Quando te vimos forasteiro, te hospedamos ou não te vestimos?
Quando te visitamos enfermo ou preso te vamos visitar? " E aí o rei, que aqui é a figura do Senhor Jesus, ele responde como: "Em verdade vos afirmo que sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. " Esse é um texto que comumente é usado ah nas igrejas como para dizer assim: "Irmãos, a gente precisa de fazer mais ação social e ok, a gente precisa fazer, isto é, socorro a pessoas necessitadas.
Mas se a gente entende esse texto como sendo fazer ação social, vou voltar de novo nos espíritas, eles estão melhor que nós. E aí, olha o absurdo. O rei no dia do juízo final fala para eles: "Fiquem à minha direita.
Sejam bem-vindos, ó benditos de meu pai". Mas espera aí, eles não creem em Jesus como Deus, homem, Senhor e Salvador. Você entende?
Então, Mateus 25 não tem a ver com obras de caridade. E por que não, pastor Éber? Presta atenção.
O versículo 40 diz: "Todas as vezes, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. " O Evangelho de Mateus costuma usar a linguagem pequeninos para o povo de Deus. Isso aparece no capítulo 10.
Volta lá na sua Bíblia. Mateus 10 versículo 42. Mateus 10:42 diz assim: "E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.
" Pequeninos em Mateus é uma referência ao povo de Deus, não é uma referência ao pobre e em qualquer sentido. Então, o que que Jesus tá ensinando sobre o juízo final? Você vai ser julgado pela maneira como você acolhe quem é amado por Jesus.
É bem diferente de caridade, entendeu? Você vai ser julgado pela maneira como você acolhe os amados de Jesus. É isso que ele tá dizendo.
Todas as vezes que você socorreu os amados de Jesus, é como se você tivesse me socorrendo. Seja bem-vindo. Então isso muda a nossa ótica quando a gente entende a escritura no seu verdadeiro contexto.
Eu preciso terminar que eu só tenho 8 minutos aqui no meu tempinho e eu tinha uma parte inteira para falar, mas eu vou tentar voar aqui. Então eu pastor Eberin 2. 0, tá?
Engatei a quinta. Escutem bem rápido. Quero dar três orientações bem rápidas sobre então, pastor, o que que a gente faz?
Porque eu passei boa parte da minha palestra desconstruindo uma visão de mundo e uma teologia que não combina com a escritura. Então, a gente não faz nada, pastor. Claro que faz.
Então, vamos tentar mostrar o que que a gente faz. Três sugestões que eu quero dar e para você pensar. Primeira delas, nós devemos ser zelosos por justiça.
O que eu quero dizer é o seguinte: se a escritura diz que nós devemos ter fome e sede de justiça, isso tem que significar não só vida limpa, justiça pessoal, mas pública também. A gente deve se preocupar com aquilo que é justo. Isso significa nós cobrarmos nossas autoridades de fazer aquilo que é justo.
Romanos 13 diz que elas foram colocadas por Deus para recompensar aqueles que são bons e castigar, punir aqueles que são maus. Então, a primeira coisa é nós devemos ser gente zelosa por justiça. Nós não podemos tolerar essas coisas com apatia, como quem diz.
Ah, fazer o quê, né? Não dá para fazer nada. O Brasil é assim mesmo.
Essa não é uma atitude que combina com quem é cristão. Portanto, zelosos por justiça. Esse é o meu primeiro ponto.
Segundo ponto, nós devemos ser uma comunidade de socorro e acolhimento. Agora eu tô falando da igreja. A igreja deve ser uma comunidade de socorro e acolhimento.
A vida cristã, ela tem que ser marcada por socorro em vários níveis, inclusive material. Nós não só aconselhamos pessoas, não só as levamos ao conhecimento salvador de Jesus, mas a gente cuida das suas necessidades também. O evangelho de Lucas é o dos quatro é conhecido por ter a maior ênfase na benevolência para com os vulneráveis, tá?
Jesus abraça os excluídos da sociedade quando ele fala de graça divina sobre outros povos. Ele recebe uma mulher imoral. Ele exalta os samaritanos na famosa parábola do bom samaritano.
Ele ah redime cobrador de impostos, como é o caso de Zaqueu. Tá tudo no evangelho de Lucas, tá? É dito que ele veio trazer boas novas aos pobres.
Então assim, tem muita coisa voltada para os necessitados. Porém, Lucas não tá dizendo que Deus é a favor dos pobres e contra os ricos. Porque o mesmo evangelho de Lucas coloca a história do jovem rico do lado da história de Zaqueu.
O primeiro rico não é salvo, mas o segundo é. Os dois são ricos, muito ricos. E Jesus também é assistido por mulheres que têm bens suficientes para patrocinar o ministério dele.
Está lá no início de do capítulo 8 de Lucas. Então, eu não quero que você tenha uma leitura que divide a sociedade em castas socioeconômicas, dizendo que Jesus é a favor de pobre e contra rico. Não é verdade isso.
Os evangelhos não permitem esse tipo de conclusão. Jesus é favorável a quem é contrito e arrependido, tá? É a esses que ele socorre.
Então, como igreja, atenção, nós devemos socorrer o necessitado dentro das nossas possibilidades, mas a questão não é sanar todos os males que existem aí fora, é mostrar que aqui dentro os nossos não passam por aperto. As pessoas têm que ter dentro da igreja uma impressão parecida com o que acontecia quando passavam por Israel. Nessa terra eu sou abençoado.
Entendeu? Quando eles passam pela comunidade de fé, eles têm que dizer: "Lá eles cuidam dos deles, lá eles socorrem os deles. " Esse é o nosso dever.
A igreja primitiva socorria primordialmente os seus nos dias dos apóstolos. Foi assim que nasceu o diaconato lá em Atos capítulo 6. Era para socorrer as viúvas deles.
A comunidade eh eh conhecia que tinha cristãos ali. Eles tinham medo de se aproximar, porque se você mentisse um pouquinho, você caía morto na porta da igreja. Lembra da história de Ananias Safira?
Então eles tinham medo de aproximar, mas eles tinham respeito. Por quê? Porque havia socorro dos seus.
Quando Atos 4 fala assim: "E tinham tudo em comum". Não traduza isso por comunismo. É dizer que dentro da igreja de Cristo ninguém passa perto.
É assim que tem que ser, tá? Dentro da igreja de Cristo, nós temos uma comunidade diferente. Por quê?
É assim que a gente testifica os de fora que a gente faz parte. Nós somos uma embaixada do reino. Eu gosto muito dessa analogia, porque quando alguém tá num país perigoso, para onde ele vai?
Para ter proteção, paraa embaixada. Quando ele tá em meio a apertos políticos, sociais, ele corre paraa embaixada. É o lugar de refúgio.
A gente tem que ser assim embaixada. Vem para cá. Aqui é lugar de refúgio.
Aqui você vai ser acolhido. Aqui você não vai ser destroçado como lá fora. É assim que a igreja de Cristo tem que fazer em relação a pessoas assim.
Último ponto. Eu tô voando. É uma pena que cada um desses dava bastante vários minutos.
Vamos lá. Último ponto e esse aqui eu creio que é o mais incomum de se ouvir. Eu tive oportunidade de escrever um pouquinho sobre isso no meu livro Amando a Deus no Mundo.
Vamos depois, se você quiser, procura lá no final do livro, no último capítulo, eu falo sobre isso. Eu nós temos que aprender a distinguir justiça de misericórdia. Vou repetir.
A gente tem que aprender a distinguir justiça de misericórdia. Como comunidade cristã, nós devemos nos preocupar mais em agir com misericórdia do que agir com justiça. E muitos escritores que falam coisas boas no sentido de socorro a necessitados, não fazem essa distinção, colocam tudo debaixo do guarda-chuva justiça.
Eu acho isso problemático. Vou explicar. Esse estilo de vida que doua ao necessitado não é justiça no sentido de dar ao pobre aquilo que ele merece ou que é direito dele.
Isso é justiça. Justiça é você exigir aquilo que você tem direito de que é devido a você. Mas não é verdade que recurso pelo qual ele não trabalhou, ele tem o direito.
Paulo vai ensinar que Abraão foi salvo pela fé, não por obra. Se fosse por obra, seria salário, teria direito, mas não foi. Foi por fé.
Por quê? Porque ele não tinha direito, ele não merecia. Então, a gente tem que entender que todas as vezes que a gente socorre alguém, isso não é justiça no sentido a escrito, é justiça no sentido de retidão.
A gente age retamente. A escritura usa justiça nesse sentido, mas é uma retidão que provém do evangelho. Então, o que eu quero que você compreenda é que a igreja de Cristo, quando ela socorre os que estão necessitados, ela não faz justiça social, ela faz misericórdia social.
E fazer misericórdia significa que a pessoa ajudado é ajudada é miserável. Fazer justiça dá um senso de pertencimento, entendeu? exige justiça, ela inflou o peito.
Mas quando ela pede misericórdia, ela faz assim, ó. Porque quem pede misericórdia é miserável. E é assim que o evangelho faz com a gente.
Então, quando nós socorremos pessoas, a gente não faz justiça social, a gente faz misericórdia social. Nós não estamos dando a elas o que elas merecem. Nós estamos tratando de miseráveis por causa da maneira como nós fomos tratados quando nós éramos miseráveis.
Entendeu? Como o nosso amor brota de termos sido resgatados no meio da miséria. Irmãos, é isso que eu quero que você aprenda a distinguir.
Misericórdia social me parece um conceito eminentemente cristão. Eminentemente cristão, porque pressupõe a miséria do ser humano algo que é humilhante. As pessoas não gostam de ser chamadas de miseráveis, mas é isso que nós somos.
Ah, pastor, e justiça a gente não deve ah lutar por justiça, a gente deve falar da necessidade dela. Mas Pedro ensinou que nós aguardamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça. Lá sim, as coisas vão andar no seu devido lugar.
Então nós como crentes, nós minimizamos os efeitos do mal para que a gente aguarde um dia em que esse mal será estipado não por nós, mas pelo Senhor Jesus. Eu quero orar por você, por mim, para que Deus nos livre de pensarmos de maneira contrária à visão bíblica do mundo. E não é difícil, hein, a gente ser influenciado por isso.
Eu tenho quase certeza que você já usou alguma vez na sua vida. O problema no Brasil é o sistema, pastor. A gente absorve parte da linguagem.