Você acorda de manhã e toma um café, escova os dentes, vai ao supermercado e compra comida. Volta para casa, assiste TV enquanto toma uma cerveja gelada. Um dia comum, certo?
Errado. Sem perceber, você acabou de dar dinheiro para as mesmas cinco empresas. Cinco gigantes que controlam praticamente tudo que você consome.
Elas escolhem o que você compra, o que você come, o que você usa para limpar sua casa. Petrobras, Itaú, Vale, Ambev e Veg estão entre as maiores empresas por valor de mercado no Brasil, mas existem conglomerados ainda mais presentes na sua vida diária que você nem imagina. Hoje você vai descobrir os verdadeiros donos do Brasil e vai entender como eles construíram impérios tão grandes que é quase impossível escapar deles.
Vamos começar com a mais óbvia. Você acha que conhece a Ambev? Pense de novo, a controla aproximadamente 69% do mercado brasileiro de cerveja.
Isso mesmo, sete em cada 10 cervejas que você bebe no Brasil vem da mesma empresa. A história começa em 1999, quando as centenárias Cervejaria Brama e Companhia Antártica se unem para criar a maior potência de bebidas das Américas. Duas rivais históricas que dominavam o mercado brasileiro decidiram parar de competir e simplesmente se fundir.
Foi uma jogada de mestre, mas a não é só cerveja. Longe disso, quando você pega uma SOL, Brama, Antártica, Budweiser, Estela Artuis, Corona, Boêmia ou qualquer uma das mais de 50 marcas de cerveja, todas são? Ah, você não bebe cerveja?
Tudo bem. Que tal um guaraná Antártica? Bev, uma Pepsi.
A companhia é uma das maiores engarrafadoras independentes da Pepsi com no mundo. Gatoradev, H2O, Água Crystal, E sabe quem está por trás dessa máquina de fazer dinheiro? George Paulo Leman, que detém uma fortuna avaliada em 15 bilhões de dólares junto com Marcel Teles e Carlos Sicupira, o trio conhecido como 3G Capital.
Eles não apenas criaram a Bev. Em 2004, a Bev se fundiu com a cervejaria belga Interbrew, formando a InBev. 4 anos depois, compraram a Aniser Bush, dona da Budweiser, criando a AB Inv, a maior cervejaria do mundo.
Mas a história da Ambev vai além de bebidas. Eles revolucionaram a gestão empresarial no Brasil. criaram uma cultura de metas agressivas, eficiência extrema e resultados a qualquer custo.
O lucro líquido da empresa saltou de R$ 470 milhões deais em 2000 para R$ 11,3 bilhões deais em 2018. Toda vez que você vai ao bar, ao churrasco, ao supermercado, há uma chance enorme de estar alimentando esse império. Agora vamos falar de carne.
O grupo foi fundado há mais de 70 anos com a JBS, líder global na produção de proteína. Mas a história começa de forma bem mais humilde. José Batista Sobrinho, conhecido como Zé Mineiro, iniciou sua trajetória em 1953, quando abriu a casa de carnes mineira em Anápolis, Goiás, ao lado de seu irmão.
Era apenas um pequeno açoug. 70 anos depois, a JBS é a maior empresa de alimentos do mundo. A JBS atua em mais de 20 países, com vendas e produtos em mais de 180 países em todos os cinco continentes.
Conta com aproximadamente 280. 000 funcionários e 500 unidades entre fábricas e escritórios. Mas o que a JBS realmente controla?
Freeby, a marca de carne bovina mais exportada do Brasil. Seara, gigante em frango, suínos e alimentos prontos, como nuggets e lasanhas. Swift, referência em carnes congeladas.
Doriana, a margarina que está na mesa dos brasileiros há décadas. Mas não para por aí. Você compra linguiça enlatada da Bordon, JBS?
Come presunto, provavelmente seara. Compra hambúrguer congelado. Há grandes chances de ser JBS.
A companhia opera no processamento de carnes bovina, suína, ovina, de frango, de peixe e plantased. Isso mesmo, até a carne vegetal que você compra pensando que está boicotando a indústria da carne. Pode ser JBS também.
A JBS faz parte do grupo JF, controlado pelos irmãos Josley e Wesley Batista. Atualmente, a JF é dona de mais de 50 marcas. Além da JBS, o grupo controla a Flora, maior empresa de higiene e limpeza da América Latina.
Sabe aqueles produtos de limpeza, desodorantes Neutrox, Francis, tudo J e F? E doado Brasil, uma das maiores fábricas de celulose do mundo. Canal Rural, principal canal de agronegócio do país.
Banco original, PicPay. Sim, o aplicativo de pagamentos que você usa é do mesmo grupo que produz a carne que você come. O grupo soma hoje 36.
000 colaboradores espalhados por 400 operações em mais de 20 países, com receita líquida de R$ 434 bilhões deais em 2024. Quando você vai ao supermercado e coloca carne, frango, linguiça, presunto, margarina e produtos de limpeza no carrinho, há uma chance muito grande de tudo vir da mesma família. Agora, prepare-se para conhecer um império que está literalmente em tudo, mas você provavelmente nunca ouviu falar dele.
Votorantim. A Votorantin é uma empresa multinacional brasileira de controle familiar com presença global, atuando em 19 países com investimentos nos setores de mineração, cimento, energia, finanças, investimentos imobiliários e produção de suco de laranja concentrado. A história começa em 1918.
Um imigrante português chamado Antônio Pereira Inácio compra uma fábrica têxtil em Sorocaba, no bairro Votorantim. Daí vem o nome. Mas o verdadeiro fundador do império foi José Hermírio de Morais, engenheiro formado no Colorado, que casou com a filha de Antônio.
Ele tinha uma visão: diversificar, construir um império que nunca dependesse de um único setor. E foi o que ele fez. Hoje a Votorantin tem portfólio composto de companhias relevantes em seus setores de atuação, materiais de construção, financeiro, energia renovável.
Infraestrutura, mineração e metalurgia, suco de laranja, alumínio, aços longos, imobiliário, investimentos, gestão ambiental e farmacêutico. Vamos traduzir isso pro seu dia a dia. O cimento que construiu sua casa, provavelmente votorantin cimentos, uma das maiores companhias de cimento do mundo.
O alumínio da sua janela, da latinha de refrigerante. Companhia brasileira de alumínio. CBA do grupo Votorantim.
A energia elétrica que chega na sua casa. O grupo tem sob sua gestão 33 hidrelétricas através da Aura em Energia. Você tem conta no banco BV?
Votorantim. Aquele financiamento do seu carro pode ser do BV. Você bebe suco de laranja?
O Brasil é o maior produtor mundial e a Votorantin controla a Citroco, maior produtora de suco de laranja concentrado do mundo. Se somadas as empresas investidas, o Instituto Votorantim e o Centro de Excelência são aproximadamente 61. 000 funcionários diretos e indiretos em mais de 545 unidades operacionais.
A família Hermírio de Morais construiu um império totalmente diversificado. Quando um setor está em crise, outro compensa. É a estratégia perfeita de sobrevivência empresarial e você provavelmente nunca pensou neles enquanto consumia seus produtos todos os dias.
Agora vamos falar do império que está literalmente em cada cômodo da sua casa. Unilever, uma multinacional anglo-holandesa que possui mais de 400 marcas e está presente em cerca de 190 países. No Brasil, a história começa em 1929, quando a empresa chegou com o sabão Sunlight, mas o nome que ficou famoso foi Gess Lever.
Sim, aquele sabão homo que sua avó usava. Hoje a Unilever controla um império tão vasto que é praticamente impossível passar um dia sem usar um produto deles. Você acorda de manhã e toma banho.
O sabonete Dove foi a marca mais lembrada pelos consumidores quando perguntado sobre a categoria de sabonetes. O shampoo e condicionador seda, Clé, tressemé, Dove, todos unilever. Sai do banho e passa desodorante.
Rexona dove axe unilever. Vai escovar os dentes. Close up unilever.
Agora você vai lavar roupa. Homo se destaca não apenas por campanhas marcantes, mas por sua sustentabilidade. E o amaciante Comfort foi reconhecida como a marca mais lembrada na categoria de amaciantes.
Vai limpar a casa. Homo CF brilhante. Tudo unilever.
Preparar o almoço. A Unilever é a maior produtora de alimentos untáveis do mundo, como a margarina, Doriana, Beel, Quali, todas Unilever. A maionese.
Helmans foi a maionese mais lembrada pelos consumidores. O tempero da comida. Knor e arisco.
Unilever. A maisena da sobremesa. Unilever.
Depois do almoço, um sorvete. Que bom. O império de sorvetes brasileiro pertence a Unilever desde 1997.
À noite você faz um chá Lipton, Unilever. A Unilever não está apenas na sua casa. Ela está em cada momento do seu dia, do banho ao jantar, da limpeza ao lanche.
Em 2012, foi a terceira maior empresa de bens de consumo do mundo, medida em receita após Proctor and Gamball e Nestley. O mais fascinante, a maioria das pessoas não tem ideia. Elas acham que estão escolhendo entre dezenas de marcas diferentes, mas na verdade estão apenas escolhendo entre produtos do mesmo dono.
E finalmente vamos falar do conglomerado mais diversificado e surpreendente do Brasil. Itaúza. Criada em 1966, o conglomerado é o segundo maior grupo privado do país.
É controlado pelas famílias Setubal e Vilela, ligadas ao Banco Itaú. Você conhece o Itaú? É claro.
O Itaú é um dos principais protagonistas do setor bancário no Brasil, com valor de mercado de R61 bilhões deais, mas a Itaúza controla muito mais do que um banco. Duratex, líder em painéis de madeira, louças e metais sanitários. Aquela pia da sua cozinha, o box do banheiro, os painéis de MDF dos seus móveis, grandes chances de serem Duratex.
Mas aqui vem a surpresa. Até 2017, a Itaúza controlava a Alpargatas. Alpargatas é a dona das Havaianas, o chinelo mais icônico do Brasil.
Também controla as marcas Top, Mizu no Brasil e outras. Apartas foi fundada em 1907 e foi adquirida pela família Moreira Sales em 2017, do seu banco ao seu chinelo, do seu cartão de crédito ao piso da sua casa. Isso é o poder de um conglomerado diversificado.
Eles não querem apenas dominar um setor. Eles querem estar em vários setores ao mesmo tempo, espalhando o risco e multiplicando o lucro. As famílias por trás desses grupos, Setubal, Vilela, Moreira Sales, estão entre as mais ricas e influentes do Brasil.
Eles controlam não apenas empresas, mas também fundações culturais, museus, instituições de arte. São dinastias empresariais que atravessam gerações, acumulando poder e influência de forma discreta, longe dos holofotes. Cinco grupos, centenas de marcas, bilhões de reais em faturamento.
EV controla o que você bebe. JBS controla o que você come. Votorantin controla a infraestrutura ao seu redor.
Unilever controla o que você usa para se cuidar e limpar sua casa. E grupos como Itaúza controlam desde seu banco até seu chinelo. Juntos, esses conglomerados empregam centenas de milhares de brasileiros, movimentam trilhões na economia e estão presentes em praticamente cada aspecto da sua vida.
Mas aqui está a questão, isso é bom ou ruim? Por um lado, esses grupos trouxeram eficiência, escala, empregos e produtos de qualidade para milhões de brasileiros. construíram empresas globais que competem no mundo inteiro.
Por outro lado, essa concentração de poder econômico significa menos escolhas reais, menos competição e mais controle nas mãos de poucos. A próxima vez que você for ao supermercado, olhe as embalagens. Veja quem fabrica seus produtos.
Você vai se surpreender ao descobrir quantas marcas, aparentemente diferentes pertencem aos mesmos donos. Este é o Brasil real. Não o Brasil dos discursos políticos ou das manchetes sensacionalistas.
É o Brasil dos conglomerados invisíveis que controlam sua vida cotidiana. Mesmo que você nunca tenha ouvido falar da maioria deles, bem-vindo à verdadeira estrutura de poder do país.