coitados aqui ainda uma fala né Depois desses três dias maravilhosos mas bom primeiro eh eu quero agradecer imensamente aos organizadores por ter me convidado a esse desafio extremamente difícil de fazer uma fala final e aproveitar vou tentar provar por esse encontro foi tão excepcional na minha fala mas já de cara dizer que eu acho que é um sucesso foi um sucesso extremamente importante novo marcado pela riqueza pela beleza pela alegria e também pela tristeza algumas coisas e questões muito tristes também foram colocadas não existe a beleza sem a tristeza que eu acho que é uma
das coisas que aprendemos aqui também o cuidado assim que os organizadores da Faculdade de Educação eh tiveram com todos os detalhes de microfone que circula os cuidados com a gente com a comida tudo isso foi maravilhoso eu vou tentar ser eh breve mas não garanto e eu quero já de antemão me desculpar pelo cansaço e quando a gente fica cansado não consegue muito organizar Mas é isso eu pensei em falar de três pontos para incentivar a continuidade desse tipo de encontro e potencializar o sucesso desse encontro vou falar do formato do encontro e por foi
tão bem sucedido e nesse formato eu quero dar muita importância à diversidade dos modos de fazer as apresentações em termos de modos de dizer de forma de expressão do jeito de fazer o relato das experiências aí uma segunda parte que seria talvez o que os organizadores que me convidaram esperavam é que eu fizesse uma grande síntese porém não vou fazer porque acharia isso eh um contrasenso não tem como resumir ou fazer uma síntese de tantas experiências tão diferentes e tão bonitas mas vou tentar colocar algumas constantes dos aprendizados comuns dos modos indígenas de cuidar do
corpo através da alimentação mas não só e depois Vou sugerir alguns problemas para discutirmos à frente para aprofundar e renovar outro encontros como esses e aprofundar diálogos e interlocuções sobre modos de aprender aprendermos juntos e para isso eu pensei fazer uma pergunta do tipo Para que serve a antropologia então formato do encontro antropologia educação Pensei quando vi o papel como é mas e olhando os nomes eh então legal então vou interpretar assim tem os antropólogos que são os etnólogos das duplas e os eh conhecedores e professores indíos pesquisadores indíos são os educadores mas Além disso
estamos numa faculdade de educação que forma educadores indígen no nosso sistema então tem uma ambiguidade ali que eu acho que é interessante mas de uma certa maneira eu prefiro pensar agora que as duplas que foram convidadas eram de professores seus alunos educadores pesquisadores indígenas conhecedores e professores indígenas que ensinaram os etnólogos [Música] eh comida por outro lado encontro de Antropologia educação comer como gente e também falar como gente também um modo de aprender e um modo de ensinar Então faz todo sentido tá ter sido eh proposto por um grupo de educadores e de professores aqui
da faculdade de educação tão preocupados em garantir uma qualidade na formação acadêmica de professores indígenas e é por isso que me sinto honrada de falar aqui mas com também triste porque eu gostaria poder dizer as coisas que eu vou dizer na faculdade de pedagogia por exemplo do Amapá que forma professores indígenas de 11 etnias lá sem cuidado e que Por conseguinte não convidam os antropólogos para falar em duplas com os seus professores indígenas portanto perceber que comida é um modo de aprender é também algo muito relevante nesse encontro que a gente está fechando agora eh
extremamente desafiador e todos me falaram isso que fui investigando eh falar ao lado eh dos conhecedores do pesquisadores indígenas e para eles é desafiante lá ao lado dos antropólogos é difícil e gera muitos me falaram um tipo de uma vergonha se falou muito de vergonha aqui não é fácil disseram os antropólogos não é fácil disseram os índios Esse é um encontro sim entre antropólogos e educação não né E a questão da alimentação me parece que é o assunto dos modos indí Ender de ensinar e por isso né Sem dúvida as contribuições dos índios foram tão
Claras claríssimas evidenciando Que comida não é só comida e que é um modo de ensinar e portanto de aprender e todos vocês perceberam falaram com muito cuidado do jeito como Cada um eles mesmos aprenderam a comer como gente uma convergência absolutamente Clara da conexão entre conhecimento questões de conhecimento e aprendizagem eu o formato é muito promissor e eh uma das provas disso eu a quantidade animada de perguntas que os participantes indígenas fizeram aos seus parentes e também aos antropólogos eh foram muito importantes foram perguntas absolutamente importantes e eu acho que eu senti também já que
eu posso que eles encontraram algumas continuidades e as descontinuidades não foram percebidas tanto em termos com aquele nome que se usa na nas outras áreas de de atuação né Secret ias saúde etc políticas públicas etnias né eles se reencontraram apesar das Tais diferenças de etnias e as diferenças foram percebidas sobre as transformações mas não foram evidenciadas de uma maneira eh agressiva ou tal Ah não Caiapó é diferente Noam não teve esse tipo de e abordagem e isso extremamente significativo no meu entender as diferenças de experiência de interlocução entre eh pesquisadores conhecedores indígenas professores indígenas né
e antropólogos as duplas foi um também uma das riquezas maiores desse encontro porque eles elas evidenciaram essa diversidade eh por isso eu não penso que a gente deve dizer ah essa é uma pesquisação essa é uma colaboração e a outra não é por definição da própria disciplina os antropólogos trabalham em diálogo interlocução e colaboração fazer etnografia aprender é uma colaboração mas como se faz isso depende e falando aos pesquisadores indígenas eu acho que uma das coisas importantes que vocês viram aqui é que os antropólogos são tão diferentes entre si quanto os povos são diferentes entre
si Porque os índios educam e formam aqueles antropólogos de diferentes maneiras é a formação que os índios dão aos antropólogos que querem ser educados para respeitar conhecer os conhecimentos e práticas de cada grupo e esses jeitos muito variados de Educar são extremamente importantes no entanto tem uma questão eh que eu quero ressaltar aqui é que como os antropólogos aprendem né E qual é a diferença do da forma de aprendizado dos antropólogos os antropólogos se dispõem a aprender eh localmente eles vão lá nas aldeias vão fazer pesquisa de campo como se diz vão aprender a caminhar
vou aprender a comer vou aprender a língua vão eh aprender do jeito que né os seus professores lhes demandam muitas vezes e a min aconteceu eu queri ir muito rápida e me falaram assim peraí calma né né per aí calma depois você sabe me des eh o jeito dos antropólogos dialogar nas aldeias em campo com os conhecedores é um jeito muito particular em relação aos outros profissionais eu quero insistir nisso os antropólogos aprendem mais do que ensinam e os antropólogos T uma dificuldade em ensinar porque os antropólogos não querem ensinar de um jeito que seja
um formato que não seja aquele formato que ele estão aprendendo a respeitar Por isso os antropólogos aprendem nas aldeias mas não são educadores e essa é uma diferença que eu acho fundamental podem descordar comigo mas os antropólogos também aprendem com outros antropólogos a gente não aprende Só indo n uma aldeia a gente aprende lendo todos esses trabalhos que os nossos colegas fazem então eu nunca fui paraos caxinauá mas eu li muita coisa sobre os caxinauá nunca fui paraos Caiapó mas eu li muita coisa sobre os Caiapó Por isso os antropólogos desenvolveram uma linguagem para falar
entre eles que é muito diferente da linguagem que eles usam para falar aprender a falar do jeito adequado com seus interlocutores e professores indem dias e sim os antropólogos têm então esses dois lugares para aprender e falar e os antropólogos como outros profissionais tem uma linguagem difícil que me foi muito reportada aqui antropólogo fala de difícil quando eles falam entre eles os antropólogos T uma língua deles como os profissionais do direito eu não entendo ou um advogado um procurador falando preciso que ele fale PR mim que ele me eduque naquela linguagem os profissionais da Saúde
também precisa ser traduzido e essa é uma das questões que me parece importante an no futuro desses encontros todos sabemos disso e por isso foi muito bom ver o quantos antropólogos aqui se esforçaram e eh fazer traduções sair da linguagem especial deles para poder apresentar suas falas e eu insisto nisso para dizer que os antropólogos em geral não falam de Antropologia com seus professores indígenas eles aprendem outras antropologias Poderíamos dizer assim eles aprende o jeito né as formas do pensamento e dos jeitos de dizer dos seus eh interlocutores e professores bom mesmo assim vocês viram
o quanto foi rica a apresentação também dos antropólogos eu não tô dizendo que as apresentações dos conhecedores e professores in não foi RIC não mas para nós é extremamente desafiador ousar falar diante dos pessoas que nos ensinaram a rza no entanto dessas e apresentações todas é que nós confirmamos algumas coisas que aprendemos juntos aqui e também lá cada um dos antropólogos com o grupo com quem ele trabalha cada lugar cada povo tem suas culturas como foi dito aqui muito diferentes específicas mas a gente aprendeu a reconhecer que algumas questões Pilares muito importantes todos gostamos de
caxiri para ficar alegres animados todos deixaram que e claro que comida boa é uma riqueza que tem que ser cuidada porque significa falar noos índios saúde beleza sabedoria todos deixaram claro que comida não é apenas nutriente proteína sabor é um jeito de preparar formar corpo e voltando ao aprendizado comida boa comida certa na hora certa na época certa servido do jeito certo pela pessoa certa é para formar uma pessoa completa e com conhecimento aprendi isso quando fui ensinada pelos povos indígenos com que eu trabalhei os guios zoé caripuna e aprendi também com meus orientandos meus
alunos que vão fazer pesquisa em outros lugares aprendi e isso por exemplo os caxinauá né falam muito disso mas também aqui foi falado várias vezes né que para uma pesquisa sobre comer por comer é tão importante porque precisa o corpo precisa ser preparado para aprender Portanto o que o corpo ingere Vai facilitar ou não a aquisição de certos conhecimentos e tem que preparar o corpo para aprender tem que selecionar os alimentos certos tem que preparar os alimentos do jeito certo aprender a reconhecer identificar sabores amargo doce fraco forte classificar as comidas como foi colocado aqui
mas não é só de alimento então que estamos falando né Precisa preparar o corpo espírito chama isso de alma espírito sabedoria precisa dizer as palavras certas por isso que é comer como gente e falar como gente tem que aprender a sentir dor Pimenta chicote formigas Vespas marimbondos tem que aprender a passar fome tem que aprender a ficar sentadinho três dias aqui nessa sala tem de aprender a controlar o desejo a raiva o ciúme são aprendizados muito longos muito difíceis aprender a ser gente e sabedoria não é só juntar conhecimento e é isso que o grande
risco de pensar que o aprender e o conhecimento é na escola ou é na universidade por isso que a cidade que cuida da formação de professores indígenas tem que absolutamente continuar pensando que comer é um jeito de aprender de ensinar para ser gente sair né eu tenho assim agora saindo um pouquinho um pouco de medo sempre que tudo seja levado pra escola eu acho eu pessoalmente sou uma pessoa que luto para desmontar a escola né ao longo da minha vida porque eu não tive uma a chance de trabalhar com povos indígen que tivesse uma boa
Secretaria de Educação que fizesse uma bom trabalho né não é muito triste o que se faz lá então eu procuro né ajudar a tirar a cultura da escola e colocá-la de volta no pátio das Aldeias porque conhecimento não é juntar conhecimento é fazer corpo um corpo cheio de saberes no lugar e nos tempos certos as palavras certas as rezas o controle das emoções saber partilhar oferecer receber as pessoas certas a pessoa que serve é tão importante enquanto a pessoa que preparou a comida tudo isso nos foi dito aqui muitas vezes e usamos as palavras em
português diferentes mas que todos acabamos usando resguardo reza vencimento cuidado na preparação distribuir no jeito certo há outro conjunto de saberes e eu separei de propósito mas eles não são separados como nos ensinaram os conhecedores indígenas há um outro conjunto de saberes que às vezes fica um pouco mais escondido mas que apareceu aqui aqui e foi muito importante que ele aparecesse a comida não é só tem que radicalizar isso a comida não é só alimentar por isso é muito importante pensar que não é só nutrição é modos de capacitar as pessoas a serem boas sabedoras
mas a comida também é perigosa e foi dito mas tem alguns perigos que às vezes tem dificuldade de serem ditos são boas talvez me parece interpretando o que foi dito é que elas são boas porque elas são perigosas porque comidas vivas são necessariamente perigosas não foi dito isso espíritos são perigosos e precisam ser alimentados Ficou claro por exemplo na discussão após o filme com ontem que a comida é perigosa assim de certa forma quem deseja comida né Eh vai enfrentar perigos Quem prepara comida também é perigosa porque é comida viva tem dono precisa usar esse
alimento de forma comedida sabendo que pode desencadear ciúme raiva Vingança Pajé como se explicou aqui sabe curar identificar o problema sabe separar reparar mas não é só curar não dá para separar a ideia de que o pajé cura mas o pajé também agride porque o pajé cura porque ele mata então É nesse ponto que há Talvez um pouco de dificuldade de falar e eu vou tentar entender por se né muitas vezes se fala ah o pajé é como um médico eu responderia não Pajé não é um médico né Pajé é muito mais do que isso
só se disser que o médico cura mas também mata aí tem coragem de explicar né que uma coisa não tá separada da outra o remédio é remédio mas é também veneno nós falamos disso aqui Vida morte estão sempre juntos às vezes e foi muito importante dos Guarani eh eh Professor Guarani está por aqui eu achei muito importante quando ele disse bom comida morta industrializada é perigosa mas Pedro insistiu em dizer que se preparada do jeito certo distribuída do jeito certo é ela pode ser comida com cuidado ou seja isso é uma maneira de dizer que
esses conhecedores indígenas educadores indígenas como eles se apresentam tem essa habilidade de né criar novas condições em função das condições que eles estão vivendo eu conheço o Jaraguá não tem caça lá tem que comer comida morta e vocês têm a sabedoria de saber como Pode preparar essa comida morta para que ela como você diz preparada por um Guarani ela possa ser uma boa comida para alimentar o corpo e o Espírito sabemos né de todas essas capacidades das populações dos povos indígenas em eh criar novas AJ né novos mecanismos de Resistir como ele falou agora as
coisas fortes no entanto torna a pessoa saudade cheirosa bonita inteligente mas não é a comida em si é o jeito de servir de preparar como a gente aprendeu é por isso que também existem e se fazem feitiços que podem matar e separar alguns conhecedores indígen mencionaram isso mas foi a Marina a antropóloga que falou disso com cuidado tanha também nos explicou que tomar cachiri também acirra raiva e isso eu sei eu vivo com um povo que faz uma festa com quatro cinco Canoas e caxiri três dias e banquinho voando né né então então né Então
na verdade a gente sabe né eh talvez nem todos os pesquisadores indígenas tenham falado disso de feitiço de Vingança por pudor porque são assuntos que não Eles não estão acostumados a falar aqui nesses ambientes da educação ou da Saúde mas com certeza se fala disso o tempo todo nas aldeias em casa da mesma forma eu não estava infelizmente mas eu li o apresentação da Aparecida Eu amei a maneira como Ela explicou o canibalismo né e eu tenho certeza que muitos não só osari ou os palmari mas pelo que eu conheço muitos povos podem ter entendido
isso muito bem Eu trabalho com um povo que fala de canibalismo o tempo inteiro por né trata as pessoas e separa as pessoas entre né os jeitos de comer né então muita gente só que não usa essa palavra de Canibal Mas se for falar na língua essa palavra está ali talvez ainda faltem as oportunidades para falar desses assuntos em seminários se acostumar falar disso comida também é perigosa comer e também separar pessoas e não só juntar vivos no caso do antigo canibalismo á de muitos outros povos indí pelas Américas comer é também separar pessoas os
vivos juntos comem o morto que não é mais uma pessoa deles ou então vive é junto como mostra parecido como o inimigo para se diferenciar né aprendemos juntos lá na pesquisa que a gente faz com vocês nas aldeias a gente aprende a falar disso do jeito de vocês mas quando vem volta para para antropologia isso vem com outras palavras que talvez assustam e como a gente não fala de Antropologia com os nossos interlocutores indígenas fica muito difícil há um certo pudor uma reserva por vários motivos eh e eu queria Então passar para essa pergunta né
Por que será que que ficou tão Clara a diferença entre as falas dos antropólogos e as falas dos pesquisadores indígenas não tem nada a ver com conhecer o português ou não nada a ver todos vocês falam português muito bem e eu sei que em geral os os professores indígenas especialmente submetidos vamos dizer a a um tipo de escola que é preconceituosa sempre tá dizendo Ah eu não falo bem português ah eu não falo bem português ué mas a gente aqui tá se comunicando né E nós então que falamos muito mal as línguas de vocês né
então e amos falar é muito rica também a diferença entre as falas dos antropólogos e dos índios é muito difícil falar do lado dos nossos professores indígenas né o português através do qual os íos aprenderam a falar de sua cultura não foi aprendido com os antropólogos foi aprendido com agentes das políticas públicas da Saúde da escola não da dessa aqui super faculdade de educação da UFMG mas lá na escola da ondeia da secretaria lá da do município de de Pedra Branca vou fazer muitas referências ao Amapá porque é né que são pessoas que como foi
dito aqui não sabem comer não sabem falar tem nojo de índio né mas o português que ensinar nas escolas é o português daquelas pessoas a oportunidade de falar que a comida não é só comida alimento que é muito mais que é um jeito de aprender Que comida é perigosa que precisa entar os espíritos que é também perigoso pegar uma Coia de caxiri porque pode ter envenenamento porque pode ter feitiço que os outros são canibais tudo isso como é que se fala disso com pessoas que não sabem disso não sabem e não querem saber é por
isso que eh me parece que os profissionais das áreas que ensinam o português de reunião o português da Saúde o português da escola o português do meio ambiente para os índios são muito diferentes aprendem sobre índios de um modo muito diferente dos antropólogos e eu costumo dizer que os o muito as pessoas no Brasil já sabem o que é índio né já sabe então não precisa aprender já sabe aí o índio É próximo da natureza ele tem cultura ele faz artesanato E aí vai ajudar esses hos a falar dessas coisas mas não de outra coisa
então vou dar um exemplo eu tentei várias uma vez enfim com com zoi é o contrário eu a aprendi eles falavam não falavam português portanto eu tive a oportunidade que meus Orient anos agora não t mais que eu de ter que me virar aprender porque senão eu não comia não sabia enfim bom né Eh eh mas no zoé quando eu comecei era diferente e eles queriam que eu ensinasse português mas não deu certo porque quando eu ensinava umas palavras eles falavam não não isso não é f Funai não fala e isso não então eu tava
tentando ensinar algumas palavras um pouco mais né elaboradas e tal não funino fala não quero saber desse teu português né de como ele poderia traduzir né alguma coisa né então é isso o jeito de se falar para essas outras instituições é também como foi dito pelo pesquisador palmari é também aceitar uma dominação E isso está por toda parte né as ONGs eu faço parte de ONGs Mas trabalhei em ongos minha vida toda mas a ongos são as campeões dessa redução né Por exemplo as ONGs dizem vocês tê conhecimento sobre mudança climática e lá vai embutir
o conhecimento dos índios dentro da caixinha da mudança climática você eles fazem etno zoneamento e lá vai fazer então eles já sabem o que os índios tem a dizer e eles vão procurar aquele pedacinho que tá lá e é por isso que eu acho que o trabalho dos antropólogos é tão diferente porque ao contrário a gente tem pavor das caixinhas prontas e eh [Música] o risco de só aprender a falar da sua cultura com as políticas públicas que já sabem o que é a cultura indígena sem saber nada na verdade ou fazer uma generalização muito
forte é que Isso facilita vamos dizer como foi dito a vergonha de falar de si mesmo eu vou dar um exemplo do Zoi assim que é muito forte até hoje há anos eu tô tentando dizer aos jovens que depois tem problemas viram Panema tem trilhões de coisas que eles têm que ter coragem de dizer de perguntar paraa técnica de saúde que dá o remédio da malária para ela você tá menstruar ou não se você tá menstruada eu não posso pegar esse remédio da tua mão e eles tem vergonha alguns pegam o remédio e não tomam
alguns tomam aí depois vão para casa os homens aí Panema II como se diz problemas mas não enfrentam de fazer a pergunta só os velhos tentam dizer Queremos só homens tem vergonha de dizer que o sangue menstrual gera problema para um jovem Caçador não osam dizer então isso é a linguagem Saúde Com saúde Só se fala de um assunto com com meio ambiente que é a loucura do momento né dos etnos essas coisas terríveis que estão querendo impor né GPS resolve tudo Tod essas coisas né aí tem uma linguagem meio ambiente aí tem uma linguagem
saúde tem uma linguagem escola e vocês percebem que não tem uma linguagem antropóloga Então é isso eu pergunto para que servem os antropólogos os antropólogos estão numa sinuca porque na verdade eles estão entre essas duas coisas os antropólogos aprendem com seus interlocutores indígenas e aprendem no corpo também né Não adianta eu sei que tem antropólogo de todo tipo comecei a falar disso mas assim uma boa parte das pessoas que estão aqui né aprende eu aprendi não só a beber quantidades que né como foi com a Tânia foi muito difícil para mim aprender a beber e
caxiri muito difícil eh mas também aprendi a caminhar C dias né porque ospia andam e voam não é que andam voam né né e eu tinha que andar de repente levanto acampamento não Todo mundo foi embora vai né só aliás para dizer as 81 Aldeias que tem para 1200 pessoas é que por exemplo a Nazaré tem três aldeias quando ela diz que ela vai para limite quer dizer que ela sai de um lugar anda CCO dias vai pro outro anda três dias eles estão em constante movimento não é que são aeas fixas então e eh
então eu tive que acompanhar o movimento do zo que caminhar caminhar caminhar ela não tem Canoa tem dois duas dois riozinhos com uma canoinha da FUNAI que sempre tá quebrado o resto é caminhada e montanha zoé então só montanha tipo Ian mame ali né as montanhas Então aprendi também no meu corpo a fazer essas coisas mas aprendi e numa certa altura da minha vida eu percebi que todo mundo ensinava pros pros indos ensinava coisas que eles achavam que era o conhecimento dos índios Então vai ensinar pros índios O que é mudança climática p utiva ensinar
para eles O que é sustentabilidade vai ensinar para eles e os antropólogos estão ali ou aprende ou falam antropologis entre eles né com palavras difícil que são muito importantes gente então primeira coisa antropologia serve para comparar não existe antropologia Se Não compara a linguagem que os antropólogos US que é muito difícil é uma linguagem que a gente cria para o que um antropólogo aprendeu com pal Mari o que o outro aprendeu com zoi que aprendeu o outro que aprendeu com os Caiapó e a gente sempre tá se questionando se o jeito que a gente tá
traduzindo e comparando é correto é uma pesquisa permanente mas a gente tá lá aprendendo as aldeias ou tá lá falando entre nós por isso que eu pergunto os antropólogos servem para queê Será que serve só para ajudar na demarcação de terras eu acho que a gente já fez isso muito posso dizer assim O Roger tá me lembrando isso agora e aí eu agradeço me lembrar não tem uma área indí que não foi demarcada por pelo apoio com o antropólogo lá naquele tempo mas isso já foi agora tem outras coisas e essas outras coisas são esses
perigos que de vocês serem capturados pela dominação da linguagem que vocês aprendem só com aqueles políticas públicas que separam o que vocês mostraram que não dá para separar parentesco não separa de comida não separa remédio de veneno não separa vida de morte não separa né tudo isso está junto Vocês mostraram que tudo isso tá junto só que como o conhecimento nós é tudo separado aí vocês vão aprendendo a separar daqui a pouco e aconteceu com ZP para voltar pro exemplo da da técnica que os jovem os velhos pergunto você tá menstruada tá não então eh
não vou tomar nem o copo de água de você né porque não foi desintoxicada a menstruação dela mas os jovens vão mais longe fazem testes e os missionários das novas tribos diz tá vendo minha mulher aí tá tomando banho tá menstruada não tá acontecendo nada com ela então esse tipo de teste é feito pelas pessoas que não conhecem a riqueza das conexões que vocês fazem entre todas essas coisas que não podem ser separadas não dá para eu acho que muitos grupos pelo menos naquela região que eu trabalho receber comida de uma mulher menstruada é muito
perigosa para um jovem Caçador vocês concordam Então por que que isso não é dito paraas pessoas que vergonha é essa Por que que as pessoas não dizem muitos me falaram aqui alguns e lá os íos com quem eu trabalho a gente não tem palavras para dizer isso a gente não sabe dizer isso em português a gente não aprendeu isso aí que tá então os antropólogos poderiam ajudar a fazer belas traduções por exemplo eu vou pegar você falou muito de resguardo aqui eu fico tentado vou dizer legal resguardo porque juntou todo mundo pode falar em português
de coisas que apareceram muito eh semelhantes apesar das Diferenças Mas se a gente tivesse a oportunidade de ajudar os pesquisadores indias a fazer traduções detalhadas sofisticadas seria tão bom eles né porque eles deixam toda a riqueza que tá na língua sumir dentro de uma palavra resguardo aaco e o anpi ai né para mim conhecimento da existência eu aprendo para saber existir para mim isso é resguardar e eu me concentro né eu cuido né de mim a ou então eu vou dependendo do pronome né cuidar da existência daquele recém-nascido etc então antropólogo serve para isso para
poder explicar isso porque como os brancos já sabe o que resguarda a técnica de saúde preguiçoso ag gente de saúde eu não vim hoje porque eu tô de resguardo ah preguiçoso Como assim você tá de resguardo não meu filho nasceu ontem não mas deixa tua mulher lá vem trabalhar né então tem que ter palavras e a coragem de traduzir detalhadamente o que são todos esses conhecimentos e eu acho que os antropólogos estão aqui para isso E aí vocês vão perceber também pesquisadores íes que os antropólogos não usam muito as palavras que vocês usam a gente
não usa muito assim cultura não a gente não usa Resgate muita gente não usa como foi mostrado aqui ritual separado de cotidiano e assim posso dizer para vocês trilhões de coisas que a gente não usa e a gente poderia explicar para vocês Por que não usa isso né Isso é coisa das políticas públicas eu trabalhei muito com o patrimônio tem uma palavra do ifan que é revitalizar não existe ISO Você já viu alguém morto viver de novo assim quer dizer né não faz muito sentido né então isso eles usam para os outros não para si
né então no não faz muito sentido a gente prefere dizer valorizar transformar as coisas sempre estão mudando a gente poderia os antropólogos falar para vocês de conhecimento eu ouvi dizer agora precisamos da educação e eu quero aqui enquanto antropólogo dizer Vocês precisam dos antropólogos quem pode ajudar vocês a a a comparar conhecimentos é muito os antropólogos que fazem isso o tempo inteiro de comparar conhecimento eh e de poder fazer essas eh essas eh conexões essas explicações muito detalhadas com a riqueza que vocês apresentaram hoje aí depois é com vocês né ter a coragem de enfrentar
a técnica enagem a mulher da secretaria de educação tal mas pensem não tô desculpando essas pessoas essas pessoas não sabem e elas não tiveram a chance de aprender como Nós antropólogos aprendemos com vocês essas pessoas vocês criticaram Ah não come a comida da gente não sei o quê vocês não imaginam essas né e elas não são elas têm uma sabedoria sobre conhecimento que é muito diferente da sabedoria dos antropólogos que aprendeu tanta coisa com vocês sobre o que é conhecimento então por exemplo eu tenho uma guerra pessoal com secretaria de educação lá no Amapá porque
eles eh me criticam muito porque eles diz que eu quero deixar os WP primitivos que eles não vão se desenvolver que não sei o quê Porque a educação diferenciada das primeiras etapas não ensina o que eles chamam de conhecimento Universal então professores indígenas Será que existe conhecimento Universal vocês vê que mais uma forma de dominação o conhecimento Universal que aquele pessoal da secretaria do Amapá quer ensinar é o conhecimento dos brancos assim generalizando das escolas não existe Então é isso que eu acho que os antropólogos podem fazer eles têm que ajudar vocês a explicar detalhadamente
a diferença dos modos de vocês fazerem conexões de juntar as coisas e vocês resistir ao modo como as políticas públicas querem separar então a meio ambiente é isso é não sei o qu aqui vocês T que impor o jeito de vocês que é de juntar e eu acho que os antropólogos podem servir para isso né me parece e fazer boas traduções então eu não vou me alongar muito mas dizer que eu posso poderia falar horas agora o cansaço passou em que eu tenho assim só por que que eu falo isso e porque eh eu fui
uma pesquisadora durante muito tempo e aí agora eu inventei um programa que chama formação de pesquisadores Amp mas não tem nada a ver com a escola porque você sab que eu já falei que eu desmonto escola eu não monto escola então eles são pesquisadores para atuar nas aldeias nas suas aldeias né na interlocução com os conhecedores mas não tem nada a ver com levar eh as narrativas das experiências dos antigos na escola nada disso eu às vezes vou ser muito forte eu acho que quando esses conhecimentos índios entram mal na escola eles são é pior
é melhor que aprender só em português então Eh que que eu que que é a formação Será que eu dou aula de Antropologia para dizer assim tem um cara lá que chama malinovski o outro que chama l vistoso tem outro não a a a única aula de Antropologia que eu faço é ajudá-los a fazer comparações foi isso Então como comparar o conhe as formas de conhecimento diferentes entre eles dos vários grupos como perceber que não existe um conhecimento branco como perceber que o conhecimento da técnica do cara do Parque é tudo são conhecimentos diferentes não
existe o conhecimento dos brancos né E como explicar detalhadamente Como é o conhecimento deles para cada um desses diferentes setores E por que que isso funciona bem porque eu acho que os índios têm uma vantagem sobre os antropólogos e que eles sabem falar certo do jeito certo com a pessoa certa nós temos um pouco de dificuldade de sair do nosso lugar de antropólogo eles sabem justamente e falar correto O que se deve falar com a Funai O que se deve o outro jeito de falar é com ele os índios se acostumam a falar de um
jeito certo para cada um dos diferentes agentes com quem eles têm eles estão no mundo os antropólogos ou estão lá na aldeia ou estão entre eles tem uma dificuldade de encarar de falar com a saúde de encarar de falar com né É difíc isso e a gente pode aprender com vocês aprender mais coisas com vocês de circular vocês estão no mundo enfrentando tudo a gente tá lá protegido cuidados por você numa aldeia ou então a gente tá lá protegido quando a gente fala entre antropólogos a gente tem que se lançar no mundo e tem que
enfrentar eu há um certo tempo que eu enfrento Secretaria de Saúde é meu meu bicho papão n de educação né Por causa dessa história dos conhecimentos universais então tudo que eles falam eu desmonto na formação de pesquisadores o tempo inteiro Então é isso eu acho que a gente pode pela experiência desse seminário por outras experiências que estão aqui a gente pode continuar eh essas maravilhosas experiências de encontro E aí Espero ter ajudado a explicar para que serve os [Aplausos] antropólogos bom gente como vocês viram diz a domin que ela achava que ia nos decepcionar né
então eu acho que sem comentários Paulinho estava dizendo aqui sem comentários Nós não precisamos comentar mais nada eh só vamos reforçar a ideia que essa sua fala final eh nos diz que a gente deve produzir um livro sobre Esse seminário eh porque a gente quer fazer circular essas ideias quer fazer circular essas reflexões eh domínico te agradecer muito que eu sei que você tá cansada assim você tá com expressão inclusive né mas que eu acho que você realmente captou né o o o exercício né a a experiência né e e e acho que a gente
criou aquilo que a Tânia lembrou no início viu Tânia no movimento que a Isabel stenger falou a gente criou um interstício a gente suspendeu o movimento e deu uma parada para pensar né que tem alguma coisa mais importante que nós juntos estamos tentando entender e eu acho que foi brilhante o modo como ela nos ajudou a a fechar esse momento né Eu acho que é isso gente né Eh o o encontro acho que nos deixou a todos não só exaustos mas muito satisfeitos acho que uma exaustão de satisfação se a gente pode dizer assim eh
eu queria só nesse momento final chamar assim a equipe que nos propiciou isso Dominic tem razão muitos cuidados né muitos começando pela Silvia eu pedi que a Silvia estivesse presente o problema é que a Silvia já dá para levar alguém já que o pessoal começou é a Silvia Clarice a Cláudia Marina ca Oi o Guilherme Artur Pois é o povo tá trabalhando mas eu queria só fazer isso muito presente vocês viram que a gente tem uma equipe Júnior vocês querem vir PR frente ou não quer ficar escondidinhos aí os bolsistas Artur Eon o Pedro Aí
lá do [Aplausos] fund apoio pra greve dos funcionários da UFMG e o Tiago aqui com a gente esse tempo todo né É isso [Aplausos] aí é isso aí gente acho que Paulo Carina Então pronto organizadores tamb [Aplausos] ni