e é muito difícil nós temos uma experiência estética da lira do passado se vivemos num mundo pós guitarra elétrico a nossa noção do que é suave e o que é tenso é muito diferente do que poderia ser de um ouvido de um grego na áfrica é muito diferente do que poderia ser a de um romano o que olá meu nome é guilherme gontijo flores eu sou professor da ufpr universidade federal do paraná do aula no curso de letras lá na cadeira de latim e tem uma trajetória sempre vinculado ao com a tradução poética no caso
eu fiz um mestrado sobre as energias de sexto protesto e apresentando uma tradução integral poética e depois foi publicada em livro e no meu doutorado eu traduzir as ordens de horácio e permanecem inéditos em livro depois disso eu já publiquei os fragmentos complexos de safo tudo que não chegou até o momento e também o sepe gramas de cá lima e participei como organizador e tradutor da antologia o que calar nossos amores poesia erótica romano o que eu pretendo fazer aqui hoje é conversar com vocês sobre a experiência de performance de poesia antiga a primeira eu
quero conversar com vocês é a possibilidade de pensar os múltiplos usos da tradução de poesia antiga ou não só depois antiga mas a literatura antiga como um todo a função que prevalece no ambiente acadêmico a no último século é a que a gente chama de tradução de estudo uma tradução com o maior rigor filológico e semântico possível de modo a passar para os colegas o seu entendimento do conteúdo do texto e se algum aspecto formal foi considerado relevante ele geralmente a explícito através de uma nota ou de uma explicação do procedimento essa tradução de estudo
ela também é feita muitas vezes para auxiliar os alunos que estão em processo de formação ela serve por um lado para auxiliar o aluno que ainda não é capaz de ler sozinho então é uma possibilidade de uma muleta por outro esse é um modo de dar uma versão crítica do entendimento desse texto ela visa a expor o que a gente poderia chamar de tradição de leitura isso me parece muito importante quer dizer os textos antigos eles não são simplesmente legíveis eles também tem uma história de elegibilidade que são os modos decodificação para que esse extenso
sejam compreendidos hoje dado a pretensão acadêmica e esperada da academia de que se faça um trabalho com maior rigor de saber possível essa é a tradução que impera porque ela nos garante uma certa promessa de vínculo com o texto original e esse vínculo é pautado muitas vezes pela noção de fidelidade semântica essa experiência da expectativa de uma fidelidade de semântica muitas vezes nos leva a confundir o que é um parâmetro honesto e sério de tradução com o suposto objetivo é ou e principalmente com uma objetividade dessa tradução como se uma tradução de estudo fosse a
tradução mais próxima do texto a prova de que não se trata disso é que dois tradutores que façam suas traduções você respectivas traduções de estudo não realizam duas tradições idênticas para uma mesma língua nem quando eles traduzem numa época muito próxima portanto não contexto linguístico muito próximo à condução dois membros uma academia muitas vezes de um mesmo estado até de uma mesma cidade vamos fazer uma tradição com o mesmo pressuposto elas realizam resultados bem diversos isso porque por mais que se possa pregar alguma certa fidelidade semântica todo texto prolifera de sentidos e demanda escolhas no
tradutor escolhas críticas e essas coisas críticas são trabalho a do estudioso isso quer dizer o quê que a tradução assim entendo ela não apenas desdobra o o passado no presente mas ela busca ressignificar as possibilidades do texto no passado e a cada vez que se estuda o se traduz um texto ele é ganha camadas de legibilidade para o público posterior posso dar um exemplo que não é exatamente tradutório mas que seria a compreensível para a maioria dos interessados na poesia antiga é praticamente impossível pensar que a legibilidade de homero hoje não passe pela história da
época posterior ao mero é preciso levar em conta que vigílio é um dos codificadores das nossas capacidades de leitura de homero mesmo que hoje a gente possa ter todo um outro repertório para nos auxiliar nessa leitura muitas vezes esses filtros são tão poderosos que mesmo sem ter lido essa obra que altera a legitimidade de um texto anterior ela nos alteram nós somos mediadas pelo modo como ela atravessou gerações e gerações de leitura fala isso tudo para p bom então se a tradução tiver o potencial de ser uma revisão do texto original revisão no sentido de
ver de novo uma recém civilização diante desse texto que permanece aberto portanto original não é um texto estanque haverá muitos modos de traduzir não só dentro de uma mesmo paradigma como uma proliferação de paradigmas igualmente interessantes por exemplo ao traduzir poesia numa tradução de estudo pode-se capturar muito do que o texto diz principalmente em relação ao seu contexto e isso pode ser muito importante para entender conceitos antiguidade acontecimentos históricos por vezes ou desenvolvimentos do mundo das ideias no entanto o poema também se caracteriza por uma organização formal material e expressiva que o singulariza é no
caso da antiguidade e do metro é uma coisa muito necessária embora aristóteles explique para gente que a poesia não é apenas um metro se a gente fizer um tratado técnico em verso não necessariamente isso será um poema mas não existe o contrário como a gente tem o presente algo que não esteja no metro poderá ser um poema então essa é uma característica há uma série de outras características como a própria especificidade de cada metro e o seu ethos o seu caráter e sua relação com a expectativa tanto de assunto quanto de contexto é uma possibilidade
de sua tradição anterior traduzir a poesia na sua condição de poesia ela tem um valor que a meu ver é acadêmico também porque a like se re sensibiliza ou se propõe nova sensibilizações para experiência do poema antigo o que é um saber na verdade a tradução é a produção de uma diferença a primeira delas é linguística segunda temporal ela é sempre é posterior temporalmente e portanto se apresenta e daí que a tradução é anacrônica o definição não há uma atração que não seja anacrônico cobrar da tradução que ela não seja na crônica é se equivoca
sobre a potencialidade da tradução se traduzirmos um texto é exatamente porque a relação de linguagem com ele já se coloca no tal abismo que é necessário produzir um novo texto paralelo como relação e entendo que essa é um drama da área de clássicas mas que poderia ser invertido com o ser talvez um grande trunfo né nós somos o espaço da anacronia em que há ausência de uma relação sincrônica se estabelece como fundamento para um pensamento isso e coloca para nós como classicistas em geral o dever de estar em dois lugares ao mesmo tempo olhando para
esse passado ou em com os pés fincados no presente e nós temos que responder eticamente esses dois lugares eu gostaria de falar então muito rapidamente na minha trajetória para chegar noção de e eu como tradutor de poesia passei a maior parte do do da minha trajetória até o momento seguindo um paradigma que eu continuo ouvindo com muita frequência que eu da impossibilidade da tradução dos métodos antigos para as línguas modernas por um motivo muito simples a as línguas antigas se organizam em torno de sílabas longas e breves para além dos assentos enquanto nós temos apenas
assentos portanto sílabas tônicas e átonas é o caso português é o caso do francês é o caso do espanhol é o caso do inglês mesmo quando a uma presença de sílabas longas e breves como cancelar a diferença entre sheep ovelha aí chip navio inglês ela não é sistemática ela não se dá por toda a linguagem a poesia antiga se organizava em torno dessa diferença básica das sílabas como é assim a cor né do nosso pensamento é que não é possível recriar os métodos do passado porque não temos a mesma o que é natural se não
temos a mesma organização linguística natural os derivados artísticos não podem ter a mesma equivalência por causa disso eu fiz o que a maioria dos tradutores fazem no brasil até o momento ainda que é buscar criar a partir dos metros a tradição um metro possível para traduzir um outro método a tradição antiga então quando foi traduzir protesto havia a o dilema de como traduzir o dístico elegíaco que é composto de um exame tro datílico seguido de um pentâmetro datile depois de olhar os modos como o exame outro foi traduzido por uma série de questões que para
mim é importante como por exemplo manter o mesmo número de versos original que me pareceu que a tradução do haroldo de campos era mais conveniente para aquele plano então eu peguei aquele exame do haroldo e propus uma relação de equivalência 6 para 5 não é um exame de um penteio daria 12 para 10 então introduzir por um verso de doze se lá em seguida de um versos de dez sílabas em geral com tônicas na sexta ou entrou na quarta e na oitava bom depois eu descobri que o péricles eugênio da silva ramos já havia feito
isso e um pouco antes disso eu descobri que o joão ângelo oliva neto já havia feito isso também a sua tradição de catulo que me deu muito o ânimo porque eu cheguei a essa conclusão sozinho a partir de uma série de reflexões mas ao fazer uma análise mais detalhada do que já havia sido feito eu havia descoberto dois mestres que já tinham tido a mesma ideia quando comecei a minha tradução das rodas de horácio meu plano era recriar a apometria os 13 modos diversos usados não modo diverso nas estrofes na verdade usado por horácio criando
no paralelismo eu ia usar versus segundo a nossa tradição silábica porém fazendo com que cada tipo médico de horário fosse traduzido por um outro tipo métrico em português mas que sempre houvesse uma equivalência então por exemplo a ordem 1 como pode um 10 estão escritos no mesmo na estrofe eu traduziria as duas por um mesmo metro em português a ser criado essa era a proposta porque eu entendo continua entendendo que existe uma proliferação de leituras na só diz que são cruzadas por retomadas lexicais temáticas e também métricas eu cheguei a traduzir um livro e-mail nesse
modelo do período da beck de brasília o helenista francês philippe pioneiro esteve aqui e apresentou uma série de trabalhos de localização acompanhada de lira e às vezes de percussão de poemas gregos com dança com canto e às vezes recitativo nesse período eu descobri que o philippe brunet havia traduzir toda a odisseia no que ele chamava de exame assim francês porém nas suas performances me pareceu muito singular que ele sempre fazia os poemas antigos na língua original com sua performance porém não fazia o francês nessa nessa mesma nesse mesmo padrão rítmico só que a ouvir as
o ideal ter a chance passar uma semana com ele aqui em curitiba porque o meu amigo e colega rodrigo gonçalves tinha chamado ele para passar o período aqui dando um curso me veio instintivamente a ideia de que se eu tivesse um padrão ritmico vocal eu poderia traduzir o padrão rítmico vocal tal como eu já vinha traduzido de modo informal para mim meu divertimento algumas canções isso quer dizer que ao tira a atração de metro e ao colocar o metro como uma performance vocal do texto antigo eu poderia traduzir essa performance vocal no mesmo padrão hit
isso não quer dizer uma recriação pura desse método antigo um helenista também francês emmanuel lasco ele tem um texto muito bonito em que ele fala que o que nós podemos fazer é trás dizer e trans kandir os textos antigos ou seja ao colocarmos a nossa voz nós não aspiramos uma pureza mas as possibilidades uma continuidade da experiência rítmica então eu poderia fazer é pensar modos de performar praticamente esses versos antigos e a partir desses modos também traduzidos fui aí que o reproduzir o um livro e meio que eu tinha já traduzido de um outro modo
e terminei de traduzir as olhos de horácio nesse período eu tomei mais um contato mais detalhado com outras figuras que estão fazendo pesquisa similar é o caso do trabalho do leonardo antunes que tinha feito uma dissertação que embora não passasse muito pela performance vocal buscavam a emular os metros gregos um pouco o modo do carlos alberto nunes portando produzindo uma um híbrido entre os padrões rítmicos das longas e breves e a possibilidade de transplanta los com um sistema de longas de tônicas e átomos tomando conhecimento do trabalho do leonardo antunes eu comecei só quem do
meu doutorado eu comecei a musicar as traduções que diabos originais eu havia até então feito uma relação de longas e breves um tanto rígida em que uma longa valia dois tempos musicais ea breve vale um tempo musical então eu fazer um recitativo duro vou pegar aqui um trecho de sapo e vou fazer um pouco como eu faria na época eu faria pai tá aí mão e quem não se isso seus sim é menor nervoso islandias toy snake inflacionar difone sasuke vácuo e aí eu fazer esse padrão rítmica ou extraíram tá tira tatata tatata tatata tatata
no último verso então eu traduzi e recitava também de modo razoavelmente duro como num diz um grupo fica igual aos deuses esse cara é que hoje na tua frente se sentou bem perto e a tua fala do se degusta assim eu extrai um ritmo que não está natural na nossa língua língua portuguesa não há longas e breves tal como a no grego mas eu distribuí as minhas tônicas de modo a poder alongar lá sem criar um efeito de estranhamento isso conhecido quase sempre com a posição de tônica no lugar das longas porque eu fui ver
que na canção brasileira a as tônicas naturais da língua quase sempre ocupam tempo forte do compasso ou sílabas longas em geral uma preferência acontece as duas coisas isso poderia ser um modo de recence bilizar nossa experiência porque ela recebi lisa nossa experiência métrica auditiva ea nossa relação com os metros os métodos deixam-se abstrações e textuais para serem experiências rítmicos do corpo e da voz isso por exemplo altera muito o sentidos de uma aula sobre métrica de lá para cá sempre que eu tive que falar sobre métrica eu fiz questão de que os metros fossem é
de algum modo testados na voz contra as suas possibilidades de anunciação e muitas vezes ao fazer isso nós que estamos aprendendo esses métodos antigos percebemos que a gente decora um padrão rítmico e não o sistema abstrato de longas e breves e que muitas coisas que aparecem como variantes do texto como por exemplo a troca de uma longa o duas breves no exame tro se tornam muito lógicas musicalmente a possibilidade de uma atlas e que a troca de longa para breve imposição porém mantendo o mesmo modelo de compasso uma coisa que acontece em metro de anacreonte
por exemplo tudo isso se torna que pode ser explicado logicamente abstratamente se torna muito intuitivo e a experiência e se torne muito tira e corporal nisso eu percebi a potencialidade de fondue a discussão sobre poesia antiga e sua vocalidade natural para execução com as relações que nós temos hoje do estudo da poética da canção como qualquer um de vocês sabe a espaço para canção nos cursos de letras mas é um espaço muito reservado quase sempre restrito a disciplinas optativas mais que isso se vocês pegaram uma história da literatura brasileira dificilmente a gente vai ver espaço
significativo para aqueles que produziram poéticas vocais eu não estou falando só do presente peguem domingos caldas barbosa ele não aparece muito nas nossas histórias da literatura brasileira nem na história da poesia da literatura brasileira quando aparece faz referência aos livros que público e não as modinhas por exemplo os mundos e isso vale para toda uma história quando a gente vai estudar desdobramentos modernismo brasileiro a gente não vê porque não é o rosa estava fazendo eu que cartola tava todo a sua carreira é muito singular que a gente não esteja ciente disso tanto é singular que
ao falarmos que não existe organização de um dáctilo em língua portuguesa tal como existe o dátilo a grego ou latino com uma longa e duas breves a gente basicamente fala isso porque não analisa o corpus da poesia vocal pois eu vocal apresenta dativo sistemáticos eu repito esse exemplo mas amigo de roberto e erasmo carlos é feita em pentâmetro satíricos você meu amigo de fé meu irmão camarada são duas breves e uma longa anunciação de alceu valença é feito entre metros em ambos bem público com uma breve uma longa alcinha é feita de ambos também de
vinícius de moraes então nós temos um repertório de exemplos que já estão dados na música popular e lá também já aprendi já muitas vezes aparecem as variantes que nós encontramos textualmente nas poéticas antigas porém o que eu pensei em cad e essa experiência importante o cantar o que quase nunca nós na academia temos experiência de ver a poesia antiga cantada às vezes por vídeos ou às vezes foram apresentação a bastante rigorosa pessoalmente de figuras estrangeiras mas quase nunca da tradução e eu tava interessado na produção porque ao traduzir um texto e reencenado em voz nós
se ordenamos uma experiência bocal que é análoga a da canção que é de ouvir a experiência estética porém ao mesmo tempo poder entender isso quer dizer que é muito diferente eu pegar esse mesmo texto de sapo e ler numa entonação bastante o primeiro fiz aquela dura agora vou fazer uma entonação coloquial seria não deslumbra ofusca igual aos deuses esse cara que hoje na tua frente se sentou bem perto e a tua fala doce de gosto mas ainda um outro experiência quando isso assume melodia uma coisa que a gente sabe que marcava o gênero médico e
as muitas variedades da américa grega arcaica o que acontece então se eu canto só salvo se aproxima da nossa experiência de canção é inevitável que isso aconteça então eu comecei a procurar primeiramente para publicação algumas soluções materiais são eu eu adquiri uma lira na a primeira liga que eu adquiri foi essa aqui atrás e depois eu adquiri esta aqui ah e por fim eu tive aquela que tem uma anedota na verdade a eu tive a chance de mandar fazer uma com casco de uma tartaruga que eu encontrei uma praia já morre depois a gente começou
a procurar mais instrumentos e eu vou falar um pouquinho da pekka louca daqui a pouco um é o símbolo é um instrumento de percussão agudo o outro é o aos que está aqui do lado e também o tímpano que não está aqui comigo hoje eu peguei aqui tambor a lakota como possibilidade na verdade é uma espécie de bodhran lakota é só tentar fazer essa recriação e assim se produziu melodia né então novamente faz diferença se eu tento repensar safra tanto em grego contorno original e ele na sua tradução então aquilo que era pai né tá
em mão e quem não se só os seus sim pode virar vai tentar pequenos excessos teus sim é menor nervosa sizenande o som staner profissional só suvaco é oi e a experiência dessa textualidade cirrê significa porque safo deixa de ser um texto para poder voltar a ser uma experiência auditiva mas veja mesmo entre nós classe cestas é muito raro quem tenha um desenvolvimento auditivo das línguas a do passado a ponto de fluidez quando houve cantaram a não ser que já conheço o terço quando eu faço isso introdução a minha própria dicção vocal mu no timbre
muda isso já foi comentado em algumas palestras que eu dei é inconsciente é porque eu vim me vínculo a outras traduções tradições musicais então a tradução apesar de ter a mesma melodia mesmo padrão hit me ela se diferencia anacronicamente porque ela está em outro tempo então a minha produção não diz um breu fusca igual deus e esse cara aqui hoje na tua frente se sentou bem perto e a tua o próximo degusta a sua experiência adversa e eu quero acreditar que a potencialidade que se abre aqui no modelo possível das tradições poéticas é equalizar uma
certa relação textual porque toda a poesia antiga principalmente à grega arcaica ela era composta oralmente e executada oralmente tanto nos modelos da ordem do improviso criativo durante a performance que seria da época quanto no modo de uma composição rígida e mais curta que é o que a gente vê por exemplo na lírica a poesia romana que é muito posterior mesma poesia grega helenística o clássico helenístico que já não é pautada pelo mesmo modelo da poesia cai nós sabemos que o principal modo de circulação dela era vocal seja porque havia profissionais para fazer isso seja porque
a prática maior de leitura era em voz alta mesmo quando sozinho então eu passei a radicalizar essa solução textual apenas pelo modelo vocal a criação vocal e passei a não ser em melodias que funcionam tanto para o texto grego latindo ou em português tão essa mesma estrofes áfrica serve para eu cantar horácio com punho na verdade a partir da ordem um 38 de horácio mas hoje eu canto uma fragmento de saco com ele e posso usar minhas produções na mesma melodia bom quando eu tinha isso a somente desenvolvido o rodrigo gonçalves que também estava muito
empolgado com essas implicações propôs que a gente criasse um grupo principalmente para um grupo de teatro porque o grupo do felipe brunet chamado de monopostos fazia principalmente teatro na frança esse grupo o primeiro traduziu o capítulo 63 o poema de artes numa disciplina que era ofertada pelo rodrigo e eu frequentava e a gente traduzia a todos ao mesmo tempo o poema decidindo ver a sua verso as melhores soluções por causa de um trocadilho que a gente fazia com dois 15 versos de catulo grupo se chamou peca louca porém com o tempo a gente percebeu que
as nossas capacidades de teatro não muito baixos não vale a pena a gente continuar pelo caminho do teatro mas eram os péssimos atores e na prática e temos pouco conhecimento de encenação direção figurino e por aí vai dança então nós fomos para algo que nos parecia mais fácil e para música não porque nenhum de nós tivesse grande informação eu não tenho informação formal nada formal e músicas um auto de data rodrigo que eu saiba também e o grupo se formou independente disso mas alguns sem nenhuma experiência musical porém era fácil tentar explicar um pouco e
realizar algumas canções rapidamente entrou no grupo também o bernardo brandão que sim tem uma formação maior de música isso foi muito interessante para aumentar um pouco rigor do trabalho e oi meninos e aí ah entendi desculpe alguma mas suando ar se o sol sobre play eu tava porém o que logo eu percebi tanto nas composições que eu fazia solitários para horácio quanto nas execuções da pérola louca é que nós não podíamos nos conter apenas nos instrumentos antigos porque isso triava a experiência ou a sugestão de experiência para quem assistia de que a gente estava tentando
recriar aqueles poemas tal e qual eles deveriam ter sido executados no passado para mim que interessava era a possibilidade reencenar a experiência e ver sensibilizar a experiência da poética antiga como vocalização ou seja não apenas assumir nota de rodapé a experiência da vocalidade mais fazia da vocalidade uma experiência tão profunda e nos ressignifica quando vamos pro texto de quando agora quando eu retomo um texto de saco por exemplo ou de horácio o que eu retorno a uma experiência corpórea da potencialidades locais mas para fazer tudo isso era preciso assumir anacronia e alto bolar isso a
gente começou a fazer experimentos com outros instrumentos modernos para deixar isso claro para qualquer leitura então rapidamente a fécula louca tinha o leonardo ficha tocando violino o bernardo tocando baixo elétrico em algumas experiências nós tocamos guitarra brincamos junto com alguém tocando piano uma das execuções de catulo que é o rodrigo que performa usa a técnica do vocal gutural que é do metal isso tudo não é uma mera experiência de paródia pastiche da poética antiga é a possibilidade de recolocar o que era poético no passado dentro das poéticas do presente e aí e aí e é
muito difícil nós temos uma experiência estética da lira do passado se vivemos num mundo pós guitar elétrico a nossa noção do que é suave e o que é tenso é muito diferente do que poderia ser a de um ouvido de um grego na áfrica é muito diferente do que poderia ser a de um romano então é preciso se pensamos em tradução poética voltar aquela noção de anacronismo tal como toda experiência interpretativa textual do passado é anacrônica fundamentalmente também a tradução poética é anacrônica ea a tradução poética é aquela que lida muito radicalmente com sua condição
de anacronismo porque ela precisa responder a critério de poeticidade do presente isso está na teoria geral de campos por exemplo não é possível fazer uma tradução poética do passado ignorando completamente um tipo de poesia do presente isso não quer dizer que é uma mera adaptação o modo de belo infiel nós podemos trazer e aportar muitas coisas estranhas a nossa cultura mas não uma pureza de experiência que desconsidere porque inclusive quando vamos ler homero virgílio o vídeo propércio encontramos lá marcas que se parecem com que nós consideramos poético no presente a tradução poética então precisa assumir
isso tanto na escolha lexical é sintática quanto na proposição de execução performática portanto se eu quero passar uma atenção e uma violência vocal não basta estudar as potências da vocalidade grega mas é preciso também entender as potências da vocalidade e a sua expressividade no presente para que eu possa criar um efeito poético no público do presente o lado muito interessante disso foi que nós podemos podemos tirar a experiência da poesia agregar é de um ambiente em geral erudito e acadêmico para um ambiente amplo nós já tocamos em festas gerais da universidade sim mas já tocamos
por exemplo em bares e ao tocarmos em bares já fomos muito recebidos por pessoas que não fazem ideia do que estavam vendo e que vieram assumir que tinha um medo da poesia antiga porque achava que era algo exclusivo dos eruditos ao recolocar a poesia chega em voz não é só o erudito que tem a potencialidade de cirrê sensibilizar a classe c mas é também o público geral que percebe que não existe uma diferença tão absoluta entre a sua condição destruidor de uma poética vocal da canção contemporânea ea possibilidade de uma fruição de um poema antigo
que também era feito para ser realizado vocalmente essa potencialidade de insensibilização diria que se tornou um percurso que eu pretendo ainda e por um bom tempo para tentar esgotar as possibilidades que eu tenho para realizar dentro dele isso envolve uma série de experimentações que ainda estão por fazer por isso a o caráter de relato que que eu preciso fazer né precisei assumir aqui é preciso colocar minha voz um último detalhe que eu posso colocar antes de encerrar foi de algum modo para poder entender as poéticas antigas eu tive que sair do meu lugar tradicional di
tradutor silencioso que escreve no papel e público apenas em livro e o trabalho de professor que na melhor das hipóteses dá uma aula sobre algo e usa sua voz para vocalizar textualmente como eu tô fazendo aqui para assumir um caráter de músico mesmo não sendo músico profissional mesmo não tendo formação assumir e essa é uma condição do tradutor que está vinculado com a performance é claro que eu posso fazer isso e passar por um músico profissional mas para que eu possa fazer isso de algum modo eu é a minha própria experiência corporal com texto antigo
e eu fico muito feliz ao ver que nos últimos tempos esse tipo de experimento tem-se desdobrado em outros lugares no vou aqui citar nomes mas vejo vez ou outra pessoas cada vez mais se sentindo livres para tentar abordar vocalmente essas experiências poéticas do passado e relacionar anacronicamente com as experiências poéticas textuais e vocais o presente é isso tchau e aí e aí e aí e aí