O que está acontecendo com os universitários brasileiros? Atualmente, onde se esperaria uma especial entrega intelectual e produção científica para a nação. O que se verifica é analfabetismo funcional.
Mas para entender bem isso, é necessário alguns passos atrás. O que se espera de um aluno ao completar o ensino fundamental que vai dos 6 aos 14 anos? conseguir realizar as operações básicas como somar, subtrair, multiplicar e dividir, e, mais importante, saber ler, escrever e interpretar textos, habilidades que acompanharão aquele estudante pelo resto da vida.
No entanto, nem mesmo os universitários estão chegando neste nível básico de aprendizado. De acordo com os dados do INAF, um em cada oito brasileiros com ensino superior completo é analfabeto funcional, ou seja, não conseguem compreender nada além de palavras isoladas, frases curtas e tem dificuldade com operações matemáticas simples. prática, isso limita a capacidade de compreender argumentos, de entender uma notícia, de interpretar uma bula de remédio ou de acompanhar um debate político, por exemplo.
Mais preocupante ainda, o INAF mostra que apenas 24% dos graduados no Brasil podem ser considerados plenamente proficientes em leitura, escrita e matemática. Entre a população em geral, três em cada 10 brasileiros são analfabetos funcionais. Essa é a fotografia de um problema que atravessa gerações e que compromete não apenas o futuro individual de milhões de brasileiros, mas também o desenvolvimento coletivo do país.
Afinal, como pode uma sociedade avançar se quase 1/3 da sua população não consegue compreender plenamente aquilo que lê? Venha entender com a Brasil Paralelo as origens e principais consequências desse problema que atinge a população brasileira. Antes de continuarmos, se inscreva no canal da Brasil Paralelo e ative o sininho para não perder as próximas produções.
[Música] Historicamente, o acesso ao ensino superior no Brasil era restrito. Na década de 90, apenas 5,7% da população brasileira conseguiam fazer uma faculdade. Ter um diploma era associado à ideia de conhecimento elevado e ascensão social.
Para muitas famílias brasileiras, colocar o filho na universidade representava a chance de conquistar aquilo que elas mesmas não haviam tido ao longo da vida, a oportunidade de se formar e alcançar um emprego bem remunerado. Nos últimos anos, o setor privado e o governo passaram a trabalhar para ampliar o acesso ao ensino superior. De 2000 a 2022, o número de universitários no Brasil triplicou.
Mas se por um lado houve um avanço na quantidade de alunos nas faculdades, o mesmo não pode ser dito em relação à qualidade do ensino desses milhares de novos cursos que surgiram. A expansão de cursos de medicina nos últimos anos levou à formação de quase 50. 000 médicos em universidades mal avaliadas pelo MEC.
Segundo o INAF, o índice de analfabetismo funcional entre jovens de 15 a 29 anos subiu de 14% em 2018 para 16% em 2025. O curioso é que, apesar da dificuldade de acesso ao ensino superior nas décadas passadas, o brasileiro lia mais antigamente. >> Você gosta de ler?
>> Adoro literatura. Quantos livros você lê por mês? Mais ou menos >> cinco, seis só porque não tenho tempo, sabe?
Mas se poder, se eu tivesse mais tempo, eu leria mais. >> Quantos você lê por mês? mais ou menos uns 15 a 20 volumes.
>> Hoje, pela primeira vez na nossa história, a proporção de não leitores é maior do que a de leitores. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura, 2024, 53% das pessoas não leram nem parte de um livro físico ou digital. E 84% dos brasileiros não compraram nenhum livro nos últimos 12 meses.
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O Brasil aparece entre os países com o pior nível de aprendizado na educação básica. O Brasil não gasta pouco dinheiro com a educação, gasta muito, gasta mais do que os países ricos. >> O Brasil também ficou bem abaixo da média, aqui no caso, atrás de todos os países avaliados na América do Sul.
Um dos indicadores mais marcantes do sistema educacional brasileiro é o baixo retorno em relação ao autoinvestimento em alunos do ensino superior. Mesmo países da América Latina com menos recursos que o Brasil obtém resultados melhores. Outro índice preocupante é a baixa produtividade dos trabalhadores formados por nossas universidades.
Segundo o Conference Board de 2024, um profissional brasileiro leva uma hora para produzir o que um americano produz em 15 minutos. Isso significa que para cada dólar de valor agregado produzido por um americano, o brasileiro gera cerca de 23 centavos. Além de formar poucos profissionais de alto nível, o país ainda enfrenta problemas para mantê-los diante dos salários mais competitivos e melhores oportunidades oferecidas por países desenvolvidos.
E enquanto o dinheiro que vai para o ensino superior é muitas vezes mal alocado, o sistema de ensino vive uma inversão de prioridades. O governo investe no ensino superior tanto quanto os países da OCDE, porém três vezes menos na educação básica. Um em cada três professores da rede pública não tem formação adequada para a disciplina que leciona e um em cada oito nem mesmo tem graduação.
Não por acaso. No ranking do PISA, que avalia estudantes de 15 anos, os alunos brasileiros aparecem entre os 20 últimos em matemática e ciências e entre os 30 últimos em leitura. Essa deficiência de aprendizado nos anos iniciais acompanha o aluno desde o fundamental até a faculdade.
Muitas vezes, professores universitários são obrigados a ensinar novamente as matérias para que o aluno consiga acompanhar a aula. Segundo a professora Maria da Conceição Azevedo, da Universidade Federal do Pará, a dificuldade entre os universitários novatos é generalizada. Segundo ela, muitos chegam na sala de aula sem conseguir interpretar textos, inclusive enunciados curtos de exercícios ou escrever de forma compreensível.
[Música] Essa deficiência crônica de aprendizado se reflete no mercado de trabalho, com oito em cada 10 empresas relatando dificuldades na contratação de profissionais qualificados. A professora de língua portuguesa, Lara Brenner, explica que 83% dos candidatos a estágio no Brasil são reprovados por falhas gramaticais. O Brasil ampliou o acesso à educação, porém a qualidade ficou longe de acompanhar esse ritmo.
Mesmo com mais pessoas frequentando as universidades, o número de alunos plenamente alfabetizados permanece estagnado há mais de 20 anos. Esse desafio não é apenas educacional, mas também social e econômico. A pergunta que resta é: Como o Brasil pode se desenvolver se milhões de cidadãos não conseguem interpretar o mundo ao seu redor?
Em aula gravada para o curso A travessia, o professor Carlos Nadalin demonstra que um dos maiores fatores de sucesso na alfabetização das crianças é a presença de um ambiente familiar com incentivo à leitura e acesso a livros desde a primeira infância. >> O problema da alfabetização deita raízes na pré-escola, nós também não podemos deixar de considerar o que os cientistas chamam de capital familiar. para a aprendizagem.
A família exerce sim um papel importante na estimulação dessas crianças antes mesmo do ingresso no ensino formal. Então, o que significa o capital familiar para aprendizagem? É a reunião de variáveis, não é, relacionadas aos recursos econômicos e sociais, aos recursos eh que nós podemos chamar aqui de culturais e materiais.
Então, dessas variáveis, as mais importantes é o nível de escolaridade dos pais, sobretudo das mães que acompanham mais de perto a vida escolar de seus filhos, a a qualificação profissional desses pais e um dado interessantíssimo aqui, a quantidade de livros infantis, né, existentes nos lares dessas famílias. No documentário Pátria Educadora, original da Brasil Paralelo, o professor e pedagogo Felipe Neri elenca quatro pontos iniciais para começar a corrigir a educação no Brasil, que são: um, resolver a discrepância de investimento nos alunos entre os níveis básico e superior. Dois, garantir a liberdade de docência.
Três, abandonar o ensino ideologizante e fabril. Quatro. Optar por um ensino que priorize a busca do conhecimento e da verdade.
No primeiro ponto, o professor Felipe Neri relembra que a própria OCID e alertou no relatório Economic Survey Brasil que é importante parar de incrementar o investimento nas universidades e focar na educação de base, como creches, ensino fundamental e médio que estavam desatendidas. Outros dois pontos em linha com o argumento da centralização excessiva da educação no Brasil são a BNCC e o PNLD. A base nacional comum Curricular, conhecida como PNCC, foi o documento em que se estabeleceu um currículo obrigatório para todas as escolas do Brasil.
Ele foi homologado em 2018 durante o governo Michel Tema. Todavia, boa parte de sua elaboração foi no governo Dilma Roussef. O currículo obrigatório parece ser uma balança em que os governos escolhem um dos lados: mais liberdade das escolas e menos controle da qualidade, ou menos liberdade das escolas e maior controle da qualidade.
Ao contrário de currículos que estabelecem metas e conteúdos básicos para o essencial com padrões objetivos de desenvolvimento cognitivo e pedagógico, a BNCC usou 600 páginas para tentar descrever todas as disciplinas em todos os anos. O PNLD, Plano Nacional do Livro Didático, é um mecanismo criado durante o Estado Novo de Vargas em 1937. Ele garante a padronização dos conteúdos e dos livros didáticos.
Para receber o selo de aprovação do MEC, o livro deve seguir os parâmetros ideológicos e as normas da BNCC. As escolas públicas e privadas vem-se obrigadas a adotarem livros aprovados por essa política pelo fato de o programa gerar confiabilidade na população. Pedagogos como Felipe Neri defendem que o sistema educacional deve abandonar a ideia de que a educação é um meio de ensinar ideologias para voltar à ideia clássica, focar na busca da verdade, independente de onde essa busca chegue.
Na trilogia Pátrieducadora, a Brasil Paralelo realizou uma investigação profunda dos principais problemas da educação brasileira. Especialistas em educação foram reunidos para explicar o que está acontecendo com a educação do país e apresentar possíveis caminhos de melhora. A educação clássica, que formou alguns dos maiores pensadores da humanidade foi ilustrada de forma didática no documentário da Brasil Paralelo.
No documentário Pátria Educadora, você conhecerá o que foi o trívium e o quadrívium. verá como os gênios do renascimento aprenderam sobre lógica, astronomia, retórica, geometria e muito mais, descobrindo o caminho de muitas das maiores mentes da humanidade para entender com clareza os problemas e possíveis soluções da educação brasileira, um dos maiores problemas do país. Assista, pátria educadora.
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