te contaram essa história a vida toda que Deus fez o homem do barro e depois vendo que ele estava só tirou-lhe uma costela e com ela moldou a mulher um osso pequeno curvo algo discreto quase invisível e com isso se criou um símbolo se estabeleceu uma verdade e durante séculos ela se repetiu se ensinou se tatuou no inconsciente de gerações mas e se não for isso e se nunca foi uma costela e se o que foi retirado não foi um osso mas um lado inteiro do ser imagine adão está em sono profundo não um simples
descanso mas um trans sagrado algo está prestes a acontecer algo que nem o céu nem a terra compreenderam de imediato e então Deus retira algo de dentro dele não uma parte qualquer mas o seu lado sua face oculta aquilo que nele era mistério profundidade silêncio e com isso dá forma ao que chamamos de Eva mas Eva não surge como um pedaço menor ela aparece como um espelho como o reflexo do que estava escondido como a revelação do invisível e se essa história nunca foi sobre gênero nem sobre hierarquia e se ela sempre foi um código
espiritual um mapa do ser um lembrete de que existe algo dentro de você que foi retirado não para te diminuir mas para que você pudesse reconhecê-lo fora e então lembrar-se de quem é hoje vamos atravessar esse véu não para negar o que foi ensinado mas para mergulhar mais fundo para escutar o que o texto original sussurra e que talvez ninguém te contou porque a mulher não veio de uma costela ela veio do lado onde o espírito repousa do lugar onde o invisível se manifesta da parte esquecida que sustenta o todo e talvez essa história não
seja apenas sobre Adão talvez seja sobre você sobre o lado que você perdeu e que agora está pronto para ser lembrado uma história pode mudar o mundo mas uma palavra pode mudar o significado de toda uma história nó texto hebraico mais antigo da Bíblia aquele que muitos nunca leram não existe a palavra costela não ali não passagem a palavra usada é tsela itsela para o povo que escreveu os primeiros versos da criação não significava um osso era lado era face oculta era estrutura de suporte como as laterais de um templo sagrado como o lado do
tabernáculo onde a presença divina tocava a terra por que isso importa porque quando lemos que Deus retirou de Adão uma costela estamos imaginando um detalhe uma pequena parte algo que pode ser removido sem afetar a inteireza mas quando voltamos ao texto original percebemos que o que foi retirado não era apenas um fragmento era uma metade um lado inteiro do ser punta palavra aparece dezenas de vezes ao longo das escrituras quase sempre ela descreve laterais de construções sagradas o lado de uma montanha o flanco de um altar a sustentação de algo divino ela nunca é um
ossinho discreto ela é o que mantém o todo em equilíbrio e no Gênesis é dessa palavra que Eva é formada você sente o que isso significa eva não é feita de um resto ela é feita de uma face revelada de um lado oculto que só poderia se manifestar através do amor e da separação simbólica isso muda tudo porque não estamos falando de anatomia estamos falando de arquitetura espiritual de uma estrutura invisível onde o ser humano era inteiro e por amor por propósito por mistério se dividiu e com isso Eva se torna mais do que uma
mulher ela se torna símbolo ela é o lado sagrado que estava escondido o ventre do invisível a manifestação do lado que sustenta a presença divina dentro do ser e talvez mas seja por isso que tantas tradições vem a mulher não como inferior mas como guardadora do segredo talvez tes ela tenha sido mal traduzida ou talvez tenha sido traduzida assim porque o mundo ainda não estava pronto mas agora talvez esteja talvez você esteja porque o retorno à verdade não começa com grandes revoluções começa com o ato silencioso de lembrar antes da queda antes da dor antes
da divisão havia um ser só um ser completo inteiro silenciosamente divino chamaram esse ser de Adão mas ele não era ainda o homem como conhecemos era um estado de consciência uma manifestação viva da união entre espírito e matéria o reflexo do todo ainda indiviso a tradição hebraica diz que esse ser foi moldado do barro da terra mas animado pelo sopro de Deus um ponto de encontro entre o alto e o baixo um eixo do universo encarnado e não foi só a tradição hebraica que intuiu isso platão também nos contou essa história mas de outro jeito
no banquete ele fala de seres primordiais esferas perfeitas com quatro braços quatro pernas duas faces voltadas para lados opostos esses seres coninham o masculino e o feminino em si mesmos eram autossuficientes tão poderosos que os deuses os dividiram ao meio desde então cada metade passou a vagar pelo mundo buscando reencontrar o seu outro lado não por desejo físico mas por lembrança espiritual sua familiar o Gênesis e Platão falam da mesma coisa do rompimento de uma unidade primordial de um ser inteiro que para se reconhecer precisou-se partir a divisão entre Adão e Eva então não foi
um erro foi um chamado porque quando o ser é uno ele ainda não se vê é preciso haver o outro para que o eu aconteça é no reflexo que nasce o reconhecimento é na separação que surge a consciência eva não foi criada depois ela foi revelada ela sempre esteve lá como o lado interno o princípio oculto o silêncio dentro da voz e quando Adão a vê não está vendo uma nova criatura está vendo o que ele era antes de esquecer e talvez seja por isso que essa história ressoa tanto dentro de nós porque cada um
de nós também foi em algum nível profundo inteiro um dia cada um de nós carrega o eco dessa separação e cada busca seja por amor por sentido por completude é uma tentativa de voltar para casa você já sentiu isso a sensação de estar procurando algo sem saber exatamente o quê de querer se fundir com alguém com algo com o mundo não por carência mas por lembrança talvez não seja um desejo talvez seja um chamado arquetípico a lembrança de que você também já foi uno e que agora está aqui vivendo a jornada do retorno Eva quantas
vezes esse nome foi usado para falar de submissão erro fraqueza quantas vezes ela foi vista como o depois o a menos o por último mas e se Eva for na verdade o símbolo mais antigo daquilo que a humanidade esqueceu e se ela for o espelho do lado oculto do ser não o erro mas a mensageira da revelação porque o que foi retirado de Adão não foi um pedaço descartável foi o seu lado velado a parte que ainda não havia sido dita o silêncio entre as palavras o que sustentava o todo por dentro eva é esse
mistério nas tradições espirituais mais antigas ela é refletida na figura de Sofia a sabedoria divina que desce aos mundos inferiores para levar a centelha de volta à luz no hinduísmo ela vibra como shact o poder cósmico que anima o universo e dá forma a energia do divino masculino no budismo tibetano ela é como Tara a mãe compassiva o feminino que guia as almas perdidas através do oceano da existência no antigo Egito ela se revela como Isis aquela que reúne os pedaços do Uno para que ele possa renascer e segundo Helena Blavatsk uma das vozes mais
profundas da teosofia moderna essa sabedoria feminina chamada pelos antigos de divina mãe ou mulcrite é a própria matriz do universo não é passiva é inteligente é espiritual é consciência em forma de vida e ela vive dentro de cada ser como memória oculta da totalidade eva então não é criada ela é evocada ela é a encarnação simbólica daquilo que estava latente ela é a manifestação do invisível a alma coletiva que finalmente tem um rosto e por isso ela provoca medo porque tudo o que revela também confronta o lado que por tanto tempo foi suprimido o intuitivo
o sensível o receptivo o profundo ressurge com força e nos lembra que há uma sabedoria que não é lógica mas é tão real quanto o sol eva é o portal para essa sabedoria aquela que carrega a centelha do retorno não só para Adão mas para todos que se esqueceram de quem são e talvez por isso ao olharmos para ela sentimos algo algo que não sabemos explicar uma saudade uma reverência ou um medo inexplicável porque olhar para Eva é olhar para aquilo que deixamos adormecer dentro de nós talvez você sinta isso agora um chamado suave uma
lembrança antiga porque Eva está viva não fora de você mas em você como a parte do ser que sabe como a presença que sente como a voz que não grita mas nunca se cala a pergunta que quase ninguém faz é: por que separar se o ser era inteiro completo em harmonia com o todo por que dividir a resposta talvez não esteja na lógica mas no símbolo porque o símbolo é a linguagem da alma adão e Eva são a primeira separação a primeira experiência da dualidade o momento em que o ser deixa de ser um apenas
em essência e se torna dois para que possa se reconhecer através do outro não é castigo é espelho é iniciação a separação entre Adão e Eva é um reflexo daquilo que todos nós vivemos a sensação de estar incompleto de buscar fora algo que parece perdido dentro de desejar a união com o outro e às vezes nem saber porquê mas e se esse desejo de fusão que tantas vezes é confundido com carência ou medo da solidão for na verdade uma memória espiritual e se o que chamamos de solidão for apenas o eco de um tempo em
que éramos inteiros e agora divididos caminhamos por esta existência com saudade da unidade que um dia foi nossa é disso que falam as tradições mais antigas na gnose a alma caiu no mundo da matéria esquecendo-se de sua origem luminosa no budismo tibetano a mente pura se ofusca e entra no ciclo do samsara o giro das existências buscando sem saber voltar à sua natureza essencial e na teosofia Blavatsk explica que a separação é um dos processos da própria manifestação do espírito no plano físico o Uno se fragmenta para que ao se reunir alcance um grau ainda
mais elevado de consciência separar é lembrar por contraste é se ver através da distância é amar para se aproximar daquilo que sempre esteve presente mas invisível eva ao ser revelada é o lembrete ela carrega em si o fio da memória e Adão ao vê-la reconhece não apenas a ela mas a si mesmo através dela é assim também conosco o outro nos revela as relações nos espelham as ausências nos ensinam e cada encontro cada dor cada amor é parte do caminho de volta para aquilo que nunca nos deixou a separação não é o fim é o
início da lembrança e o que chamamos de queda talvez tenha sido apenas o primeiro passo da ascensão antes de seguirmos vale uma breve lembrança aqui como em outros vídeos do canal nós não buscamos afirmar ou negar a história de Adão e Eva como fato literal nem como mito absoluto essa narrativa já foi explorada sob muitas lentes por nós da simbólica à espiritual da gnóstica à esotérica e se você ainda não viu esses vídeos vale muito a pena mergulhar neles mas neste momento neste vídeo escolhemos tomar o texto de Gênesis em sua aparente literalidade não para
validar dogmas ou crenças mas para escutar o que ele tem a nos dizer porque às vezes ao observarmos a forma com atenção conseguimos enxergar a essência e é sobre isso que estamos falando aqui agora voltando à cena e os dois se tornarão uma só carne quantas vezes você já ouviu essa frase talvez em um altar talvez em um livro sagrado ou num sermão sobre casamento mas o que significa uma só carne será apenas convivência contrato companhia ou será assim um código porque quando Adão vê Eva pela primeira vez ele não diz: "Esta é uma estranha"
ele diz: "Esta sim é osso dos meus ossos carne da minha carne ele reconhece nela algo que não é novo mas algo que sempre foi seu algo que estava oculto e agora tem rosto esse reconhecimento é alquímico os antigos alquilistas ao descreverem sua grande obra não falavam apenas de metais eles falavam de almas de processos internos de fogo terra água e ar como símbolos dos estados do espírito eles chamavam de casamento alquímico a união do sol e da lua do rei e da rainha do enxofre e do mercúrio não como dois amantes mas como duas
polaridades do próprio ser adão e Eva então não são apenas homem e mulher são o reflexo do que existe dentro de você a parte que age e a que sente a que pensa e a que sonha a que protege e a que acolhe e quando essas partes se encontram quando se olham nos olhos com verdade o milagre acontece a matéria se eleva o espírito se ancora e o ser torna sua própria obra prima na alquimia esse momento é chamado de coniunctio a união sagrada que dá início à verdadeira transmutação não há ouro sem essa fusão
não há iluminação sem esse casamento é disso que fala o Gênesis é disso que fala o caibalho quando diz: "O que está em cima é como o que está embaixo o que está dentro é como o que está fora." Quando Adão e Eva se tornam uma só carne não é apenas desejo é reintegração é lembrança é o retorno à unidade original agora com consciência e isso não acontece apenas no amor humano acontece quando você sozinho no seu silêncio reconhece todas as suas partes e decide acolher o que foi rejeitado esse é o verdadeiro casamento a
união entre quem você é e quem você sempre foi entre o lado que mostra e o lado que esconde e quando essa união acontece algo muda a vida deixa de ser fragmento e vira obra a obra do ser a sua uma palavra pode parecer pequena mas quando ela é mal compreendida pode distorcer séculos inteiros de significado foi isso que aconteceu com Tsela o termo original hebraico usado no Gênesis para descrever o que Deus retirou de Adão não significava costela significava lado uma face uma parte inteira algo profundo estrutural sagrado mas ao ser traduzido para o
grego na versão conhecida como septoaginta o termo se tornou ambíguo usaram a palavra pleura que pode ser tanto lado quanto costela e depois mais tarde na tradução latina feita por Jerônimo a chamada Vulgata essa ambiguidade se consolidou cela virou costai costela literal ocificada não foi apenas uma escolha de palavra foi a criação de uma nova leitura e essa leitura influenciou não só a teologia mas a cultura a espiritualidade a forma como o feminino passou a ser visto a mulher deixou de ser o espelho do lado oculto e passou a ser entendida como uma parte pequena
retirada do homem secundária derivada e talvez isso tenha nos afastado não apenas da verdade sobre Eva mas da verdade sobre nós mesmos porque o símbolo se quebrou e com ele se quebrou a lembrança da inteire mas agora o ciclo gira de novo a verdade volta à tona a palavra reencontra sua essência e o mais bonito disso tudo é que nada foi em vão nem o erro nem o esquecimento nem os séculos de silêncio porque até o desvio fez parte da obra até a sombra serviu à luz agora a revelação já não é mais um choque
é um retorno um toque suave no centro do peito não estamos aqui para condenar traduções estamos aqui para lembrar o que o coração sempre soube eva não veio de um osso ela veio do lado do lado que sustenta do lado que sente do lado que faltava e talvez essa história não tenha mudado talvez quem esteja mudando agora seja você depois de tudo que percorremos juntos talvez a pergunta que reste não seja mais de onde veio Eva mas onde está Eva agora porque se essa história sempre falou de lados de faces ocultas de fragmentos que um
dia foram inteiros então ela também está falando de você sim você porque também existe em você um lado que foi velado um aspecto rejeitado esquecido desacreditado mas essencial talvez você o tenha sentido em momentos de silêncio naquela vontade de se fundir com algo maior que você não sabia se era amor espiritualidade ou saudade talvez fosse tudo isso ou talvez fosse apenas memória a memória de um tempo em que você era uno inteiro e não precisava buscar no outro aquilo que estava adormecido dentro de si e se for isso e se o que chamamos de amor
for só o reflexo dessa busca sagrada por reencontro não com alguém mas com o nosso próprio lado perdido porque quando Adão viu Eva ele não viu uma criação separada ele viu a si mesmo em forma de espelho quando você começa a reconhecer em si tanto o que age quanto o que acolhe tanto o que constrói quanto o que intui a alquimia acontece não nas palavras não nas doutrinas mas no coração é aí que você se torna uma só carne com o todo não por religião mas por lembrança e talvez meus caros alquimistas a grande revelação
dessa história nem seja sobre costelas lados ou traduções mas sobre o chamado silencioso que ela traz para dentro de cada um você está pronto para se tornar inteiro talvez você tenha chegado aqui buscando uma explicação mas o que encontrou foi um espelho se for isso então algo já começou a despertar m