eu começo então pode começar por favor bom eu começo ali agradecendo o convite e também me aproveito para dar parabéns ao Professor Manuel que foi muito bonito o que ele disse sobre a máquina e eu de novo aprendi coisas que eu não sabia e por isso eu eu agradeço porque eu vou falar aqui sobre esse tema da máquina que nós encontramos no Camões como a máquina do mundo lembrando que em grego mecané ele nomeia qualquer Que invenção que seja produzida com arte pela inteligência astuciosa pela mentes a metafísica antiga afirma que a forma do universo
ela é ordenada e ela se revela para nós como mecané ou seja com uma máquina ou um artifício do Engenho Divino que gera essa máquina com razão com doutrina e com ordem e nesse sentido a máquina do mundo é todo o universo artificiosamente fabricado pelo engenho de Deus que evidentemente é o máximo autor o autor máximo na máquina se vê tudo o que é e a inspiração Divina que anima a máquina também faz ver o que será por isso a máquina ela é uma síntese da realidade como uma Total explicação da vida ela é um
nexo primeiro e singular ela é uma ciência Sublime e também agradável que causa medo mas sempre hermética como diz o Carlos Drummond de Andrade quando ele retoma o tema da máquina do mundo eu pensei aqueles falar eu que não sou especialista em Camões eu pensei eles falar de algumas figurações dela desde antigos e eu queria lembrar por exemplo que uma das primeiras referências a máquina do mundo se encontra no livro sexto no capítulo 17 de um livro do Cícero que eu de república sobre a República onde ele conta o chamado sonho de Sião e o
Cícero diz o seguinte que o conjunto de universo se compõe de 9 círculos ou antes de nós esferas das quais uma a última a aprende todas as outras é um ser Celeste o Deus supremo mantendo-nos exatos limites e contendo todas as outras é nessa esfera que estão presas as estrelas fixas que evolui eternamente abaixo delas estão sete esferas cujo movimento retrógrado em sentido contrário ao do céu uma dessas esferas é ocupada pelo planeta que na terra nós chamamos de Saturno depois vem esse aço brilhante e que traz prosperidade para o gênero humano segundo os antigos
que é Júpiter e abaixo vermelho e terrível que na nossa linguagem se chama Marte e mais abaixo ainda e quase no meio o sol tem a sua esfera que é chefe príncipe regulador de outros astros e que é uma alma ordenadora do mundo tão grande que a tudo ilumina com seus raios depois Vênus e Mercúrio formam seu cortejo e na Esfera imediatamente inferior se encontra a lua que é iluminada pelos raios do sol e que realiza o seu movimento abaixo da lua não há nada que não seja mortal e perecível você são das Almas que
os deuses deram de presente aos homens acima da Lua tudo é eterno e quanto a terra que forma a nona Esfera do centro do universo ela está imóvel no mais baixo e o peso faz com que para ela tendo todos os corpos pesados essa é uma astronomia e também veio uma metafísica antiga grega e Latina no canto décimo dos Lusíadas como todos sabemos o Camões retomam esse Cícero e fazendo a ninfatex dizer ao Vasco facebarão a sua ciência Suprema de que os olhos corporais Veres o que não pode avanceiência dos errados e miserus mortais segue-me
firme e forte com prudência por esse monte espesso tô com os mais assim ele diz e o guia por um mato ardo e difícil duro ao mano trato eu chamo atenção para quatro coisas dessa estrofe A primeira é que a Deus afirma que essa pense é Suprema Deus que faz merecer do que vai acontecer a segunda experiência do Vasco tem forma de visão física com os olhos corporais da forma perfeita que é invisibilíssima como substância metafísica do universo que não é nunca atingida pela ciência humana a terceira coisa é que tetes manda Vasco segui-la com
prudência ou seja correta razão das coisas agíveis no caso católicamente iluminada Pela Luz da Graça inata e a quarta coisa é que ambos sobre o monte espesso coberto de mato o mato é ardo difícil duro ao mano trato essa é uma figuração que nós encontramos em diversos textos platônicos do século 15 e 16 por exemplo um romance alegórico que é o hiper automaquia o sonho de polifilo que foi publicado em 1468 pelo Francesco coluna como no sonho do polifilo ou na comédia do Dante o mato que é uma célula ou uma serva servadia uma selva
selvagem ele é platonicamente alegoria da vida sensível que vai ficando para trás com esforço firme e forte de escalada do Alto do Monte pela alma é o que nós lemos a estrofe 77 Todos os dias em que o Camões diz um globo vem do arco lume claríssimo por ele penetrava de modo que o seu centro Está Evidente como sua superfície claramente já na estrofe 80 a deusa Diz ao Vasco Veja aqui a grande máquina do mundo etérea e elemental que fabricada assim do Saber alto e profundo que é sem princípio e meta limitada que cercam
derredor Este rotundo globo e sua superfície tão limada é Deus mas o que é Deus ninguém o entende que há tanto Engenho humano não se estende agora o Camões evidencia que a máquina do mundo é fabricada E nós perguntamos como era fabricada não é eu lembro que um Platônico do século quinto da nossa era que é o próprio delícia num texto grego que saiu em 1556 que é o comentário do primeiro livro dos elementos de Euclides que foi traduzido editado em 1560 o próprio fala uma certa ciência matemática Universal que compreende simultaneamente todas as disciplinas
matemáticas ele diz que essa ciência Universal ela precede todas as outras e que tem o lugar principal nelas ciências as quais ela comunica seus princípios que estão difundidos por todos os seres do universo essa ciência ou uma tese universais ela dá conta das razões proporções composições divisões conversões permutações era da conta do igual do desigual e também da beleza da ordem e do método da semelhança e da diferença das coisas em figuras números e movimentos a universalidade dessa ciência está para além do matemático e sempre se associa a reminiscência das verdades eternas fazendo o intelecto
humano sempre movido pela inspiração do ideal subir da matéria escura até a luz do conhecimento intelectual e a intuição superior e sem palavras do ser enquanto ser na estrofe 76 do Canto décimo dos Lusíadas testes diz isso que diz o próprio e até diz a deusa ela opõe o olhar sensível e olhar intelectual e ela disse a Sapiência Suprema de com os olhos corporais Veres o que não pode avança dos errados e miserus mortais e o que se vê a máquina do mundo tem a forma de Globo que para no ar atravessado Pela luz que
permite velho centro e a superfície e o Camões Qual a matéria seja não se enxerga na estrofe 77 porque a Quinta Essência a substância da parte seleção Celestial da máquina ela é imponderável Ela não é apreensível pelos sentidos e até Eles continuam mas enxerga-se bem que está composto de vários orbes que a divina Verga composto e um centro a todos só tem posto quer dizer o Camões reproduz nessas passagens a cosmografia do Ptolomeu e ele põe a Terra no centro dos vários orbes concêntricos que compõem o universo e uso que ele faz da figura do
Círculo na alegorização do poema não é arbitrário e porque corresponde a uma definição antiga de Deus que nós lemos por exemplo no nicolaude e também no Tratado sobre as hierarquias Angélicas do pseudo dionísiopagita a definição foi retomada pelo Antônio Vieira em 1640 no Sermão da Nossa Senhora do Ó onde ele disse que Deus é um círculo infinito e perfeito que tem o Centro em toda parte e a circunferência em nenhuma quer dizer essa mesma imagem de eternidade a gente acha numa figura circular de uma cobra que morde o rabo no hieroglífica no livro de emblemas
que o Aldo manúcio editou em Veneza no final do século 15 e que se atribui a ora Apolo um sacerdote egípcio antigo agora na máquina do mundo a perfeição infinita do Círculo sem circunferência que é Deus essa belíssima essa definição de Deus como um círculo sem circunferência a perfeição infinita desse círculo ela desce pelos vários óbvios circulares infinitos como o amor da forma invisibilíssima de Deus que participa analogicamente em todos eles quer dizer assim enquanto todos os orbes sobem movidos eróticamente para forma final de Deus cada um deles cada orbe se assemelha assim praticamente a
forma invisível por analogia de atribuição e ao mesmo tempo ele participa hierarquizadamente dela por analogia de proporção e assim segundo Camões o espetáculo da máquina evidencia ou fazer a ordem Divina do mundo a Deus até diz novamente ela nos orienta quando ela descreve o seu movimento e ela diz vou vendo hora se abaixe agora se erguer nunca se ergue ou se abaixa e o mesmo rosto por toda a parte tem e em toda a parte começa e acaba enfim por Divina arte uniforme perfeito em se sustido qual enfim o arquétipo que o criou quer dizer
aqui o Camões ele aplica uma definição buscada no Euclides da esfera como uma superfície de revolução produzida pelo movimento da circunferência em torno do diâmetro e é um movimento que faz com que o círculos cresçam até o meridiano e depois diminua e por isso O Verso do Camões diz abaixo Ora se erga e ao mesmo tempo como diz a deusa a esfera nunca se ergue e nem se abaixa mas a esfera sempre conserva O Mesmo Rosto fórmula com que a deusa significa a superfície curva da esfera cujos pontos sempre distam igualmente do centro a máquina
do mundo é finita como efeito e signo fabricados pelo artifício de Deus mas ela é finita mais ilimitada E aí diz Camões em toda parte começa e acaba enfim por Divina arte quer dizer a racionalidade da máquina a testa que ela é divina e que a divina arte inventada pelo arquétipo a pura esfera inteligível que é nua pura e Invisível de Deus absolutamente indeterminado e absolutamente inacessível a nossa Razão Humana Deus cerca a máquina do mundo com seus nove coros de anjos movendo a sempre com amor como todos sabemos testes passa a resumir o universo
para o Vasco e na estrofe 80 ela diz a máquina é etérea E elemental no caso ela se refere a substâncias físicas e metafísica da máquina e as suas partes quer dizer a parte etérea é a Celestial que é feita da Quinta Essência imutável a parte elemental corresponde aos orbes compostos dos quatro elementos pitagóricos a terra água e fogo é eu tô falando desses elementos todos porque eu acho absolutamente magnífico o poder de síntese de um conhecimento antigo mas assim se poética que o Camões faz nos Lusíadas de todo esse conhecimento que para nós ficou
acredito desde o Iluminismo ficou uma espécie de ruína do mundo antigo e mas que Camões pela boca da deusa tetes faz com que nós tenhamos a explicação e o que tenhamos a explicação do que são esses círculos em ordem decrescente que vai nessa hora da borda da máquina até o centro que a terra onde nós estamos leitores junto com os portugueses do Vasco a contemplar o todo quer dizer a máquina do mundo se revela como uma sinfonia de correspondências analógicas na qual cada nível de existência é uma hipóstase é uma alegoria que vibra e sobe
para o nível superior donde o amor divino ele desce como virtus ele desce como virtude e virtus unitiu-a como eles diziam uma virtude unitiva que junta o todo e nesse sentido quando o Camões faz alegoria da máquina é um meio eu diria poético metafísico com que ele figura seguindo o plutino a alma Portuguesa em estado de receptividade estática da unidade invisível do divino como todos sabemos nos luzedas a união sexual dos Navegantes portugueses com as ninfas aquáticas e a do Vasco da Gama com a deusa tetes alegorias justamente o casamento de Portugal com o mar
e nesse sentido a visão da máquina do mundo alegoriza o contato estático dos portugueses com o princípio metafísico o bem para além do movimento aparente das esferas o bem Divino que fundamenta e orienta providencialmente a união e a viagem por meio da deusa Vênus que é o seu instrumento ou sua causa segunda Como dizia os escolásticas dizendo do outro modo eu lembraria que o episódio da máquina do mundo fundamenta o domínio físico do mar e das novas terras da África da Ásia e da América domínio teológico político da monarquia católica portuguesa sobre regiões e religiões
gentis e Infiéis sempre divinizando a história de Portugal não sabemos que o Camões é muito cauteloso quando ele refere a máquina do mundo por meio da deusa tetes protegendo-se de uma das principais causas da Wilton tristeza do tempo dele que era o Santo Ofício da Inquisição na estrofe 82 ele faz testes afirmar que no império só estão os verdadeiros seres divinos e que ela mesma testes e os demais Deus antigos são fábulas falsas que só serve para fazer versos agradáveis essa autonegação inverossímio da deusa Explicita os alegórico Camões está fazendo do mito inventando uma Pets
que afirma que o verdadeiro Deus age no mundo por meio de causas segundos um instrumento da sua Providência exemplificados por ela mesma e por vê-los Márcia eu não sei se eu paro se eu devo continuar falando porque eu morro de medo do tédio me diga por favor ele tá me ouvindo É claro que que pode falando nós estamos só aprendendo e não estamos entediados pode continuar falar até hoje o senhor quiser tá você é muito generoso eu agradeço eu vou continuar então daqui a pouco nós paramos eu falei do primeiro círculo agora nós agora Chegamos
no segundo círculo da máquina que é o primeiro móvel e o segundo círculo ele gira e faz girar as outras esferas e logo abaixo dele vem o céu das Estrelas fixas de quites enumera as constelações na estrofe 88 do poema o quarto orbe é o orbe de Saturno vocês se lembra e ele é seguido dos orbes de Júpiter de Marte do Sol de Vênus de mercúrio e da lua no centro está sempre a terra elemental e depois que é feito essa exposição do macrocosmo tetes começa a descrever a própria terra e na estrofe 92 Você
se lembra ela fala rapidamente da Europa e até a estrofe 97 ela conduz o olhar do Vasco pela África a viagem do olho do Vasco da Gama refaz o percurso das navegações portuguesas pois tetes começa pelo norte da África e vai para o sul pela Costa ocidental africana contornando o Cabo da Boa Esperança e continua pelo lado oriental até o canal de Suécia em seguida a Deus eu levo o olhar do Vasco pelas Arábias pela Pérsia até a Índia ela descreve suas províncias costumes e continua até o Japão para depois levar Vasco e o leitor
a bornel temor e o sei lá e a partir da estrofe 13 indo para o ocidente a deusa profetiza a chegada de Cabral ao Brasil ela fala do nome da nova Terra Santa Cruz e do pau Vermelho e o que essa terra produz o Brasil vocês sabem nós sabemos que essa exposição cosmográfico metafísica da deusa é acompanhada de muitíssimas referências a batalhas e vitórias portuguesas na África e na Ásia e tem um lítio sentido de legitimar a política do reino português com a lei eterna da providência divina por isso quando termina a exposição Vasco da
Gama e os Navegantes sabem os futuros feitos de Portugal e já divinizados eles Retornam assim se a gente define o episódio da máquina do mundo como figuração da providência divina que orienta a ação portuguesa o Concílio dos Deuses as astúcias de Baco as intervenções de Vênus salvando os portugueses o Episódio da Ilha dos amores e a mesma visão da máquina do mundo esse elementos todos têm a função de integrar alegóricamente como uma interpretação platônica cristianizada pelo Camões as virtudes feudais da chamada guerra de devação a chamada guerra de devoção validando a teologia em que Deus
é sempre uma causa primeira e final em que Deus é sempre Providência e luz eterna em que Deus é sempre difundido como luz natural da Graça na história do reino Portugal nós sabemos que uns 250 anos antes do Camões quando compôs a comédia e depois o boccacia chamou de Divina o Dante recorreu A figuração ciceroniana da máquina do mundo escrevendo que o primeiro do círculos dela está com luz tão Clara radeando que a vista cega e a mente viu também empírio si nomeia na comédia o empíperio corresponde ao paraíso onde estão as puras almas a
sua luz Radiante cego olhar sensível e a Razão Humana gigante agora a gente se lembra que o Dante quando chega no canto 30 do Paraíso guiado pela Beatriz a Beatriz censura o Dante Porque querer compreender o inefável E ela diz a ele que a luz visível do Rio de luz que cega o Dante ainda só sombra ou como ela diz prefácios de sombra como alegoria da verdade invisibilíssima ela diz onde lovero um briffer são dele verdadeiramente prefácios de sombra do império que governos outros orbes e nesse sentido a gente se lembra antes de chegar no
Paraíso o Dante passa pelo Paraíso terrestre assim ali ele vai ter várias respostas para embarcações e dúvidas que ele tem sobre a realidade e nesse sentido quando ele sai do Paraíso terrestre vocês se lembram ele fixa os olhos belos de Beatriz e ele recebe a graça de flutuar e com isso ele sobe ao primeiro céu ou da lua e depois vai passando pelos outros reinos onde ele vai tendo revelações desse dessa metafísica essa metafísica então que o Dante figura como a máquina do mundo tem sempre uma forma circula e sempre a ideia com essa forma
circular que é uma ideia metafísica de novo que é a definição antiga de Deus quer dizer Deus é uma circunferência que tem o círculo em toda parte e o centro em nenhuma quer dizer a gente imagina uma circunferência que tem o Centro em nenhuma parte e o círculo em todos e nesse sentido quer dizer Essa é a figuração metafísica da máquina e nesse sentido quando nós lemos o Camões nós vemos que tanto ele quanto o Dante eles recorreram a uma fusão da metafísica platônica antiga com o cristianismo para figurar justamente princípios essenciais do universo e
nesse sentido quer dizer como dizia um antigo Como disse o Lourenço de Médici quando ele leu a comédia Ele propôs que a comédia devia ser lido como figura ou seja com uma concordância analógica ou com uma relação especular que nós homens podemos fazer entre homens e acontecimentos de tempos diferentes que no do Dante Só podia ser compreendida essa experiência por meio de pelos teólogos e nesse sentido quer dizer nós vamos encontrar no Camões também essa figuração antiga e essa figuração metafísica sempre com uma forma alegórica que propõe que para figura o infigurável que aquilo que
só é compreensível para um intelecto Divino o poeta recorda justamente essa figurações que para nós foram ficando mais e mais impossíveis de atingir eu lembro aqui por exemplo quando um poeta moderno que é o harol de Campos ele escreveu a máquina do mundo repensada e que é um poema longo um poema com 152 estrofes mais uma corda de verso único que recupera referência Divina Comédia o o Haroldo propôs a máquina do mundo repensada e dizendo que o poema é um comentário da máquina do mundo que nós lemos nos poemas antigos do Dante do Camões e
também na máquina do mundo feita pelo Drummond e que o poema dele seria um comentário não só como gulosa de conteúdos mas principalmente como a apropriação de estilemas desses grandes poetas Dante Camões Drummond citando por exemplo Camões em versos como o Real Mandato do medonho oceano Rota e ao saber que ao ser estou no rege ou ainda com licença desculpe várias referências a esse a esse texto antigo Eu acho que eu não vou citar para impedir não quero produzir mais o seu tédio quer dizer nós encontramos essa figuração desde o sonho do Sião em que
nós encontramos a metafísica platônica da máquina de mundo depois nessa metafísica Escolástica do Dante Alighieri que na comédia recuperou o sonho de Sião e depois do Camões que certamente refere essa metafísica Escolástica platônica na sua máquina do mundo nos Lusíadas até a gente chegar a um moderno que é o Carlos Drummond de Andrade que fez um poema sobre a máquina do mundo mas negando como um poeta moderno a metafísica e depois ainda eu lembro um poeta que é um poeta muito curto que é o Haroldo de Campos que escreveu uma máquina do mundo revisitada usando
a terça da estrofe do Dante mas ao mesmo tempo referindo a indeterminação da física quântica em determinação dos contas produzindo uma espécie de misto muito estranho quer dizer a forma antiga da terça rima falando de física quântica quando ele afirmou fazer uma acesse da agnose e não mais uma anam quer dizer os poetas antigos os poetas do sonho de Sião o poeta como Dante ou poeta como Camões eles pressupõe justamente uma ordenação metafísica do universo e nesse sentido eles faziam uma anamnese uma recordação da gnose uma recordação do conhecimento quando eles compõem os seus poemas
agora um Haroldo de Campos como ele é um poeta moderno e até pós-moderna e por referência tem um ateísmo de base Ele disse que ele fazia uma asese da gnose e não mais uma anamnese da gnose dos antigos ou seja ele seria uma espécie de figuração das figurações da metafísicas do universo e do sentido dele mas em que agora não há mais esse sentido final porque para nós pelo menos a Deus está morto já faz pelo menos um desde o Iluminismo e nesse sentido eu eu paro por aqui eu poderia ter lhe falado mais desculpe
atropelado na minha fala é que eu tinha preparado coisas a que recuperavam o sonho dos Cipião falava do Cícero depois eu pegava trechos da Divina Comédia e depois eu chegava a poetas metafísicos do século 16 para poder falar do Luiz Vaz de Camões e depois ainda falaria do Drummond mas Isso evidentemente por uma simples fala como a minha eu espero não tê-los chateado em excesso e novamente e agradeço muito a Márcia a generosidade do convite muito obrigado eu paro por aqui Ok então tá muito obrigada na verdade a gente que agradece né e a gente
fica na expectativa de assistir esse curso mais completo de todas essas coisas mencionadas Oi nós poderíamos fazer que que você acha eu acho ótimo Acho ótimo E acho que pode ser até online também entende acho que a gente pode programar isso é uma loucura é bom eu eu vou quer dizer tá dito aí não é toda a gente não pode nem falar em erudição apenas não é mas nesse discurso crítico não é que visita o passado e o futuro em relação a Camões não é no âmbito da máquina do mundo se você quer fazer uma
questão Alô desculpe mas eu não tô te ouvindo eu estou tentando ligar novamente vamos ver se eu consigo nós estamos ouvindo sim você tá ouvindo eu tô ouvindo tem uma questão aqui do Bia só a máquina do mundo nos Lusíadas pode ser lida não a partir da metafísica clássica Mas a partir da cosmologia clássica que reconhece o tempo cíclico Eu não entendi a questão pode ser clássica me refiro aqui ao pensamento de Heráclito fragmento 103 se empédocles fragmento 17 Volume 13 e 18 e de Marco Aurélio meditações 43 vamos vamos botar de novo a questão
gente que é tão longa pode ser Cristina ó a máquina do tá aqui eu não sei se o senhor consegue ler assim ó a máquina do mundo nos Lusíadas pode ser lida não a partir da metafísica clássica Mas a partir da cosmologia clássica que reconhece o tempo cíclico Então continua a pergunta ou seja infinito que o Cosmos e ainda continua não é por cosmologia clássica me refiro aqui ao pensamento de Heráclito fragmento 103 de impedúcles fragmento 17 sei lá 13 e de Marco Aurélio meditações 4:43 sim é então é essa questão do Bias quer dizer
eu acredito que o Camões é um poeta extremamente culto E extremamente erudito e que ele possa ter feito várias referências a essa metafísica greco-romana antiga mas sempre eu acredito relendo essa metafísica por princípios de uma Escolástica Cristã Já Católica também é que o referendaram positivamente esses elementos da metafísica pagando a metafísica antiga Platônico aristotélica ou que a renegaram simplesmente então quer dizer me parece que nós encontramos no Camões uma gigantesca erudição que ele vai buscar nessas Gregas e latinas antigas mas também numa filosofia Escolástica no santo Tomás de Aquino e também numa própria experiência empírica
das grandes navegações portuguesas feitas a partir da navegação do Vasco da Gama até a Índia a viagem em torno da África a chegada ao Cabo das boas da Boa Esperança depois a chegada a Índia ainda a chegada do Cabral ao Brasil e a evidência de que a Terra era redonda e que a terra girava em torno do sol contrariando o Santo Ofício e me parece então que a gente iria a cada momento uma espécie de condensação de múltiplas referências de uma grande erudição eu não tenho capacidade de fazer uma síntese dessas coisas extremamente eruditas do
Camões me aparece que o que você propõe é muito válido acho que é provável Mas eu acredito também que nós teríamos que ler Os Lusíadas passo a passo quer dizer ter uma termo e sempre tentando localizar a fonte da referência que o Camões faz ao mundo físico ao mundo empírico mas também a referência que ele faz a metafísica aristotélica Escolástica mas também a referência que ele faz as religião católica do seu tempo né sempre muito cautelosamente porque ele sabe que a aquisição está presente quer dizer eu Eu acho essa ideia é muito interessante mas eu
não teria elementos para totalizar nada eu acredito que o Camões é extremamente Grande Gigante e a gente iria que ver a cada momento no poema o tipo de referência particular que ele está fazendo Não sei se eu digo alguma coisa hein mas não é dias ele também do grego não é e ele tem muitas leituras assim que a maioria de nós não tem E ele muito obrigado pelo incrível comentário Professor João é isso ele diz aqui ó Muito obrigado pelo incrível comentário Professor João e é isso aqui a gente tem que fazer mesmo é organizar
esse curso sobre todas essas não é questões que envolvem Camões e a máquina do mundo vai fazer o senhor é que vai fazer para a gente só vai organizar e o senhor que vai dar são vocês eu sou só nós poderíamos talvez fazer esse curso Se vocês me convidarem eu agradeço e nós podemos participar mas eu não eu não tenho eu porque eu acredito que tem uma questão também institucional que na universidade faz com que o Camões seja um autor da literatura portuguesa e de uma área burocraticamente estabelecida na universidade assim como a literatura brasileira
ou Inglês ou alemã Então nesse sentido tem uma razão institucional prévia para fazer um curso eu não teria autoridade institucional para fazer um curso sobre Camões ele quer dizer isso Ele deve ser necessariamente da área da literatura portuguesa que aí pode fazer convites E aí eu tenho todo prazer de ser convidado por vocês aí a gente vai organizar isso com a ushe né com o centro aí eu te agradeço muito e vocês são agradeço a generosidade com esse velho aqui entende eu já passei ideias não é enfim muito bom olha Então acho que agora é
uma feio você vem aqui encerrar o dia de Camões 450