A criação da faixa 4 do Minha Casa Minha Vida. É sobre o que se sabe até agora a respeito desse assunto que voltou a ganhar força essa semana, que vou falar nesse vídeo. Atualmente, o programa Minha Casa Minha Vida atende a três faixas de renda.
A maior delas é a faixa 3, que subsidia imóveis para famílias com renda de até R$8. 000. O objetivo da faixa 4 é contemplar famílias com renda mensal de até R$ 12.
000. Diante da atual escassez de recursos da caderneta de poupança que impacta diretamente os financiamentos para classe média, a criação da faixa 4 tem sido vendida como uma alternativa de financiamento para quem deseja adquirir um imóvel com valor um pouco maior que os atualmente praticados pelo programa. Para viabilizar a criação da faixa 4, a principal fonte de recursos utilizada serão 15 bilhões do fundo social do Pré-Sal, que recebe parte dos royaltes do petróleo e tem um total de R$20 bilhões disponíveis.
Segundo divulgado, a utilização desses recursos pelo Minha Casa Minha Vida só será possível devido a uma medida provisória que foi publicada recentemente, que incluiu a habitação de interesse social entre as destinações possíveis dos recursos desse fundo. No dia 14 de março, o governo solicitou ao Congresso Nacional, mas ainda não foi votado, o remanejamento de R$14. 3 bilhões do fundo social do pré-sal para financiar operações na faixa 3 do Minha Casa Minha Vida e R$ 629 milhões para a faixa um, que é financiada pelo fundo de arrendamento residencial, o FAR, e pelo fundo de desenvolvimento social, o FDS.
Já as faixas dois e três, utilizam recursos do FGTS. A estratégia do governo é aliviar a pressão sobre o FGTS com o dinheiro do Pré-sal, fazendo dessa forma com que sobrem recursos do fundo de garantia, possibilitando o financiamento de imóveis para famílias com renda entre R$8. 000 e R$12.
000, ou seja, da faixa 4. Atualmente, a faixa 3 do Minha Casa Minha Vida subsidia imóveis para famílias com renda entre R$4. 700 e R$8.
000 mensais, e permite o financiamento de imóveis de até R$350. 000 com taxas de juros de até 8. 16% ao ano.
Para cotistas do FGTS com mais de 3 anos de contribuição, essa taxa cai para 7. 66%. Para a nova faixa de renda, o teto do valor do imóvel financiável deve ir para um patamar em torno de R$450.
000 e os juros devem ser um pouco maiores que os da faixa 3. A ideia, é que com a faixa 4 ativa, diminua a concorrência por recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, o SBPE, que atualmente atende boa parte da classe média e que devido a vários fatores macroeconômicos não tem tido recursos suficientes para atender a demanda, motivo pelo qual vários bancos, entre eles a Caixa Econômica Federal, recentemente alteraram e dificultaram as regras de financiamento. As construtoras que já atuam dentro do Minha Casa Minha Vida serão as grandes beneficiadas com a criação de mais uma faixa de renda, já que instantaneamente, ampliam o público alvo apto a adquirir imóveis novos.
Com incentivos e taxas reduzidas, a demanda por lançamentos tende a crescer, proporcionando um ambiente mais favorável para novos projetos e impulsionando o setor da construção civil. É fato que o programa subsidiado gera maior previsibilidade e segurança para os incorporadores, reduz riscos e estimula investimentos em novos empreendimentos. Para as grandes construtoras que lideram o Minha Casa Minha Vida no Brasil é uma grande notícia.
Do ponto de vista político é uma medida que se encaixa como uma estratégia eleitoral, pois ampliando o acesso ao crédito habitacional para uma parte da classe média, o atual governo tentará consolidar apoio e um segmento importante e um tanto distante do seu eleitorado. A criação da faixa quatro será utilizada como um reforço ao discurso de inclusão social e crescimento econômico, além de uma demonstração de compromisso com o setor habitacional e com a classe média, principalmente no atual cenário de baixa oferta de crédito e dificuldades para financiamento. Provavelmente a prioridade será dada a imóveis novos, o que, se confirmado, tende a provocar impactos negativos no mercado de imóveis usados, que terão a competitividade reduzida, já que sem incentivos semelhantes para unidades prontas, esses imóveis devem sofrer com a redução na liquidez.
Além de todos os detalhes da nova faixa, alguns pontos importantes ainda não foram esclarecidos, como por exemplo: de onde vão ser gerados esses 15 bilhões no próximo orçamento? Será que o fundo do Pré-sal consegue disponibilizar essa mesma quantidade de recursos no próximo orçamento para que as construtoras se programem e a faixa quatro tenha vida longa? Espero que a criação da faixa 4 traga uma ampliação na diversidade de plantas e metragens disponíveis para os compradores, afinal, de pouco adianta apenas elevar os preços de imóveis compactos das faixas 2 e 3, de 48 m ou 52 m², para que se encaixem no novo limite de renda sem oferecer alternativas mais adequadas às necessidades dessa faixa.
Para que a iniciativa cumpra seu papel é fundamental que haja uma adaptação real da oferta, ou seja, a construção de unidades com metragem e configurações mais condizentes com o perfil das famílias que serão atendidas. Reforço aqui, que a inclusão da nova faixa de renda no Minha Casa Minha Vida depende da aprovação do legislativo e da regulamentação pelo Conselho Curador do FGTS. Vamos acompanhar.
Meu nome é Marcelo, eu sou corretor de imóveis e empreendedor. Deixe um like se gostou do vídeo, se ainda não é inscrito, inscreva-se no canal, um forte abraço e até o próximo vídeo.