Hoje a gente vai conversar sobre a alopécia frontal fibrosante, uma alopécia que vem aumentando muito em incidência nos últimos anos. Não sabemos exatamente porque isso está acontecendo, mas isso é causa de sofrimento para muitas mulheres. A alopécia frontal fibroszante é uma alopécia cicatricial.
Isso significa que ela pode cursar com uma perda irreversível dos fios. Aqueles fios que se perdem, eles não conseguem nascer novamente porque ocorre a destruição do folículo piloso, que é a nossa fábrica de cabelo. Cada fio de cabelo tem o seu folículo piloso.
E essa alopécia, que é uma alopécia de caráter autoimune, ou seja, o próprio sistema imunológico vai atacar os folículos pilosos, causando essa destruição deles. E uma vez que os folículos pilosos são destruídos, até hoje com as terapias que temos, não existe o que possa fazer nascer novamente essa fábrica, esse folículo e então recuperar os cabelos. Por isso nós chamamos de alopécias cicatriciais.
No lugar do folículo piloso fica uma cicatriz, um tecido fibrótico e por isso a perda capilar irreversível. Esse nome, então, alopécia frontal fibrozante se refere a quê? Alopécia é o termo que a gente usa para falar de perda de cabelo, perda de pelos.
fibrosante, porque ela tem esse caráter cicatricial de perda irreversível que eu acabei de explicar e frontal porque é uma alopécia que acomete na grande maioria das vezes a região frontal, a linha de implantação frontal dos cabelos e ela se caracteriza por uma reção dessa linha de implantação. Sensação que as pessoas têm é como se os cabelos estivessem indo embora aqui para trás e a testa fosse ficando maior. E apesar do nome ter ficado estabelecido como esse, ele não é um nome assim perfeito, porque esse tipo de perda capilar também pode atingir a região posterior, a região hospital do couro cabeludo e não apenas essa linha de implantação frontal.
E essa linha de implantação a gente também chama de hairline. Então, se vocês ouvirem eu falando hairline ao longo do vídeo, eu me refiro a essa linha onde o cabelo começa, aonde começa a ter o cabelo crescendo. Bom, a alopécia frontal fibroszante, ela foi descoberta, identificada na década de 90, mas de lá para cá, principalmente nas últimas duas décadas, é que a sua incidência vem crescendo significativamente.
é uma alopécia que atinge principalmente as mulheres e ela era muito mais comum e descrita como uma lopécia que aparece apenas após a menopausa. No entanto, o que a gente tem visto nos últimos anos é que mulheres cada vez mais jovens estão desenvolvendo a alopécia frontal fibroszante. Essas mulheres em idade fértil que começam a desenvolver esse tipo de alopécia, parte delas está ali na casa dos 30, dos 40 anos e já começa a desenvolver junto uma menopausa precoce.
parece haver uma relação entre a menopausa e o surgimento dessa alopécia, mas ainda não é nada muito esclarecido. No entanto, essa é uma informação muito relevante, porque mulheres jovens em idade fértil que topécia frontal fibrozante, desenvolvem essa alopécia, é importante que elas investiguem se existe algum indício de insuficiência ovariana, a possível menopausa precoce. Homens também podem ser acometidos pela alopécia frontal fibrosante, mas é mais raro.
Não se sabe exatamente o que é que causa a alopécia frontal fibroszante, mas existem alguns fatores envolvidos, fatores imunológicos, genéticos, ambientais. Devido aos fatores imunológicos, a alopécia frontal fibrozante, ela é considerada uma alopécia autoimune. Ou seja, o nosso próprio sistema imunológico resolve atacar as células do folículo piloso, gerando um processo inflamatório tão intenso que cursa com a destruição desses folículos pilosos.
Dentre os fatores genéticos, alguns genes e polimorfismos já foram relacionados e associados à lopécia frontal. fibrosante. Dentre os fatores hormonais, essa questão da menopausa, de ser mais predominante em mulheres, do fato de alguns medicamentos que influenciam em hormônios ajudarem no tratamento.
Também são questões que levantam para essa possibilidade de que hajam fatores hormonais envolvidos, mas não se sabe ainda exatamente o que, como. E quanto aos gatilhos ambientais, também não é nada esclarecido, são hipóteses, mas alguns relatos de traumas no couro cabeludo que podem desencadear uma alopécia frontal fibroszante, como cirurgia, cirurgias faciais, o uso de determinados cosméticos como hidratantes, protetores solares, também nada estabelecido, mas há uma discussão no meio científico se isso poderia ser um gatilho pro desenvolvimento dessa alopécia e também algumas substâncias que podem ser alérgenas para determinadas pessoas e assim desencadeiam uma reação de hipersensibilidade. E isso de alguma forma também pode estar relacionado ao desenvolvimento da alopécia frontal fibrozante.
Essas substâncias podem estar presentes em produtos capilares do uso diário, como shampoos, condicionadores, também nas colorações, nos alisantes. Mas tudo isso ainda é suposição, não é nada esclarecido e bem estabelecido nas evidências científicas. Bom, para reconhecer a alopécia frontal fibrosante, quais são as suas principais características clínicas?
Primeiro é essa reção da linha de implantação capilar, como eu disse, a sensação de que o cabelo ele tá indo embora para trás e a testa parece que ficando maior. Essa reção, ela pode começar de uma maneira homogênea, como se estivesse um arquinho puxando tudo para trás ao mesmo tempo. Ou também pode ser um lado mais significativo que o outro, um pedacinho só ali do couro cabeludo que tá indo para trás e deixando uma falha, mas o restante tá normal.
acompanhado dessa reão da linha de implantação capilar, a gente também vê na maioria das pacientes uma perda das sobrancelhas. E a perda das sobrancelhas pode ser um primeiro sinal da alopécia frontal fibrozante, que pode surgir até 8 anos antes de começarem as manifestações no couro cabeludo. Portanto, perceber uma rarefação nas sobrancelhas é um sinal que deve ser investigado, porque pode ser um indício de alopécia frontal fibroszante pro futuro.
O acometimento das sobrancelhas acontece geralmente de forma difusa. É um ralhamento, não ficam buracos bem delimitados. É um ralhamento, como se fosse tirando com a pinça vários pelos aleatoriamente.
Acontece nas duas sobrancelhas. Pode acontecer de uma ter um pouco mais de acometimento do que a outra, mas é bilateral. pode pegar uma parte mais do começo ou a parte mais da cauda, mas acomete as duas sobrancelhas e essa rarefação difusa.
Outro sinal importante que é observado aqui na linha de implantação capilar é quando esses pelinhos bem fininhos, bem curtinhos, que ficam aqui no começo da hairline, eles são os primeiros a irem embora na alopécia frontal fibroszante. Então, ter a percepção de que sumiram esses pelinhos bem fininhos é um sinal de alerta também. Também vemos na frontal fibrosante a perda das costeletas.
Esse é um sinal diferencial, inclusive muitas vezes o profissional se depara uma com uma frontal fibroszante ainda no início, ela ainda não tá muito clara. É importante observar as costeletas porque geralmente a paciente perde os pelos dessa região também. Esses fios de cabelo na linha de implantação aonde tem a alopécia, eles podem ser vistos com uma bolinha bem vermelhinha ou violáa bem volta do fio mesmo.
Isso se chama eritema perifolicular. É uma vermelhidão bem em volta do orifício folicular mesmo, que pode ser visível já ao olho nu. Ela pode também estar acompanhada de uma descamação que pode ser vista a olho nu ou na tricoscopia que nós fazemos durante a consulta capilar.
E a paciente também pode ter alguns sintomas, pode coçar um pouco, ter uma certa sensibilidade ou pode não sentir nada. Conforme o cabelo vai indo embora, indo para trás, a pele que fica no local é uma pele que nós chamamos de atrófica. Ela é uma pele mais lisa, a coloração é diferente, pode ficar uma pele mais fina, as veias faciais ficam mais visíveis quando essa pele vai ficando mais fina.
E essas também são características pertinentes à alopécia frontal fibroszante. E uma outra manifestação facial da alopécia frontal fibroszante são as pápulas faciais, que podem aparecer na testa, nas bochechas, no queixo. São elevações bem discretas, bolinhas assim discretas que não causam nenhum sintoma.
são da cor da pele ou às vezes levemente avermelhadas, mas deixam um aspecto incômodo pra paciente, porque fica aquela pele de pápulas como uma queratose. Também pode acontecer de uma paciente com alopécia frontal fibroszante notar a perda de pelos corporais das axilas, dos braços, das pernas. E nos homens, a alopécia frontal fibrosante geralmente acomete tanto a linha de implantação capilar, quanto as sobrancelhas, quanto também a barba.
E diferente das mulheres que é mais comum de ter alopécia frontal fibroszante em idades mais avançadas, nos homens parece que a frontal fibroszante pode aparecer antes mesmo. O reconhecimento da alopécia frontal fibroszante é, na maioria das vezes, clínico, não precisando de biópsia. Mesmo em estágios iniciais, o paciente agenda uma consulta com o tricologista e na consulta o tricologista vai ouvir toda a história do paciente.
Nessa história ele já vai pegando algumas características pertinentes à lopécia frontal fibroszante. No exame clínico, físico, ele vai avaliando essas características que eu fui citando. faz a tricoscopia, que é um exame com uma lente de aumento que amplia a nossa visão do couro cabeludo e também nos fornece alguns achados específicos dessa alopécia.
E assim é feito o reconhecimento dela. Não tem nenhum exame de sangue que indique, que diagnostique a alopécia frontal fibroszante ou qualquer outro tipo de queda capilar. E a biópsia, como eu disse, não é obrigatória.
Somente com uma boa análise clínica já é possível o reconhecimento da alopécia frontal fibroszante. Mas se não for e o profissional ver a necessidade da biópsia, ela também pode ser feita. Para o tratamento da alopécia frontal fibroszante, o paciente precisa entender logo de início, a primeira coisa é que é uma alopécia crônica de caráter progressivo, ou seja, ela pode ir evoluindo e por isso o tratamento ele precisa ser contínuo.
Pode acontecer em alguns casos dessa alopécia ser autolimitada, ou seja, ela avança até um determinado ponto e ali ela para, desiste, vai embora. Mas a gente não costuma contar que isso vá acontecer e a gente trata para evitar a progressão. E um outro ponto importantíssimo de compreensão por parte do paciente e também do tricologista é que essa perda capilar é irreversível.
Em alguns casos muito iniciais, é possível ter algum grau de recuperação, mas a gente não conta que isso vá acontecer. Entendemos que o cabelo que foi perdido não vai voltar. Por isso, o objetivo principal do tratamento de qualquer alopécia cicatricial, incluindo a frontal fibrosante, é não deixar que essa alopécia continue avançando e levando o cabelo embora, porque qualquer fio perdido pode não voltar mais.
Como eu sempre falo por aqui, cada tratamento capilar é único, porque cada paciente é único. Mas para o tratamento da alopécia frontal fibrozânica, a gente costuma combinar algumas ações, ações anti-inflamatórias, imunomoduladoras e também ações antiandrogênicas que modulam alguns hormônios andrógenos, assim como acontece na alopécia androgenética. Essas ações geralmente são combinadas.
O tratamento dificilmente será composto de apenas um elemento. O paciente pode utilizar diversos elementos combinados em um plano terapêutico que ele executa tanto em casa, no seu dia a dia, quanto em clínica, se tiver essa indicação. O paciente pode ter essas ações combinadas em loções capilares, pomadas ou cremes, medicamentos via ural e procedimentos em clínica.
como aplicação intradérmica de medicamentos no local de acometimento da alopécia e também aplicações de laser, LED. E como o tratamento é contínuo, o paciente, ele também precisa ser periodicamente acompanhado. Não é um tratamento que o paciente recebe a prescrição, vai para casa, executa, nunca mais volta, nunca mais é olhado para ele.
Tem que fazer um acompanhamento periódico. Como é que o paciente está evoluindo? Está tendo uma estabilização da lopécia ou não?
Ela continua progredindo? É preciso adicionar mais uma estratégia, mais força no tratamento ou está estável há bastante tempo, vamos tentar retirar o tratamento. Alopécias crônicas exigem esse acompanhamento contínuo também.
Eu espero nesse vídeo ter auxiliado um pouco na compreensão dessa alopécia. Claro que existe muita coisa se aprofundar e estudar sobre ela. Aqui é um simples e rápido resumo, mas como é uma alopécia que vem aumentando muito nos últimos anos, é importante que a gente esteja um pouco mais consciente sobre ela e sobre o seu surgimento, que quanto antes detectado, melhores são as chances pro paciente.
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